05 fevereiro 2023

10 livros que merecem entrar na lista de leitura no ano de 2023

Viche! Já estamos em fevereiro e ainda não havia pensado, escrito e publicado essa postagem! Um amigo meu até brincou e me chamou de Rubinho Barrichello dos blogs literários. Ele achava que eu deveria ter escrito esse post no comecinho de janeiro. Fico imaginando o que ele diria se soubesse que eu pretendia escrever, também, uma segunda parte dessa postagem, mas só com sagas literárias que merecem ser lidas nesse ano (rs).

Bem, mas preferi ficar apenas com os livros. Portanto, vamos deixar as sagas, pelo menos, por enquanto de lado e “atacar” de livros.

Neste post, indico dez obras que li nos últimos tempos e adorei; na realidade amei. Por isso, gostaria de compartilhar com todos os seguidores do blog o prazer que senti ao devorar esses livros. Alguns deles, inclusive, foram responsáveis por me empurrarem para uma baita ressaca literária.

Espero que vocês também apreciem essas indicações e que elas consigam proporcionar o mesmo prazer que eu tive ao le-las.

Vamos nessa!

01 – Mentirosos (E. Lockhart)

Cara, como essa obra marcou a minha vida de leitor, principalmente o seu capitulo final que eu reputo como um dos mais surpreendentes de todo o universo literário, pelo menos do meu universo. 

Esse “the end” me arrebentou e foi o principal culpado pela minha DPL (Depressão Literária Pós Livro). Posso dizer que já me emocionei com muitos livros e com certeza irei me emocionar com vários outros, mas até agora, Mentirosos está um passo à frente.

Além do final emocionante, que me roubou muitas lágrimas, se preparem, para uma virada avassaladora na história, daquelas viradas que tiram o chão do leitor. O tal plot twist acontece no último capítulo intitulado ‘Verdade’. Posso garantir que é algo bombástico. É a partir daí que todos os fios soltos do enredo se unem e de uma maneira que choca (no bom sentido) o leitor. Quando uma situação do enredo é esclarecida, my God! O chão desaparece dos pés dos leitores.

Apesar da autora, em alguns trechos da trama, liberando pistas sobre esse final surpresa, certamente a galera nem irá imaginar o que o último capítulo reserva. É algo... sei lá, que não passa pela cabeça de nenhum leitor. E quando você descobre a verdade, buuuum! O seu queixo cai e... as lágrimas também.

Recomendo Mentirosos, de olhos fechados.

02 – Jantar Secreto (Raphael Montes)

Resolvi ler JantarSecreto, em 2019, após ter lido um grande número de críticas favoráveis à obra nas redes sociais. Adorei. Livraço. Montes mescla com maestria cenas tensas e algumas vezes violentas com humor, mas não um humor chinfrim ou comum; o humor de Jantar Secreto é ácido, mas muito engraçado. E é esse tipo de humor que contrabalança os trechos ‘trucões’ do romance; e bota ‘trucões’ nisso.

Em Jantar Secreto, o autor conta a história de quatro jovens que deixam uma pequena cidade do interior do Paraná, para estudar no Rio de Janeiro. Eles dividem um apartamento em Copacabana e fazem o possível para alcançar os seus sonhos na cidade grande.

Em meio às dificuldades de pagar o aluguel e conseguir um bom emprego em um País em crise, os quatro amigos tem uma ideia para finalmente ganhar dinheiro: realizar jantares secretos para clientes ávidos por uma aventura gastronômica exótica: carne humana!

03 – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid)

Quer saber porque esse livro é bom e também porque eu o recomendo? Galera, apesar de Os sete maridos de Evelyn Hugo ter sido lançado há aproximadamente três anos, ele ainda continua ocupando os primeiros lugares de inúmeras listas de obras mais vendidas, entre as quais a da Revista Veja e também da Amazon. Além do mais eu amei o enredo. Por isso, não dá para deixar de fora dessa lista, a obra escrita por Taylor Jenkins Reid. 

A personagem Evelyn Hugo consegue te prender do início ao fim. A medida que detalhes e segredos de sua vida vão sendo revelados, o leitor fica cada vez mais curiosos para saber mais e mais.

Aos setenta e nove anos, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema. Com seu icônico cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, seguiu um roteiro digno dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos escândalos nos tabloides de fofocas.

Vivendo reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

04 – Daisy Jones Daisy Jones & The Six: Uma história de amor e música (Taylor Jenkins Reid)

Deixe-me aproveitar o “embalo” para já indicar, na sequência, um outro livro de Taylor Jenkins Reid: Daisy Jones Daisy Jones & The Six: Uma história de amor e música. Que livro! Agradeço a ele pela leitura viciante que me presenteou.

Da mesma forma como acontece em Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, os personagens de Daisy Jones & The Six são tão carismáticos que parecem reais. A ilusão que temos ao ler a obra literária é que o “The Six”, grupo musical fictício dos anos 70, de fato, existe. A minha sensação foi a de que Daisy Jones, Billy Dune, Graham Dunne, Karen Sirko e os demais integrantes do grupo eram de carne e osso. Parecia que eu estava lá no meio da gritaria dos fãs assistindo um show da banda, vivendo o clima contagiante de uma apresentação ao vivo; presenciando os desentendimentos, erros e acertos do “The Six”; vendo uma Daisy Jones tão real que a minha impressão era de que a personagem estava se abrindo comigo revelando os seus segredos, as suas alegrias e principalmente as suas tristezas.

Um livro tão bom assim só poderia ir parar no cinema ou na TV. E assim será. A obra literária de Jenkins Reid vai ganhar uma minissérie de 12 capítulos no Prime Video, streaming da Amazon. As gravações já terminaram e agora é só aguardar a definição de sua data de estreia na TV.

05 – Verity (Colleen Hoover)

Confesso que não gosto os enredos criados por Colleen Hoover. Sinceramente não despertam o meu interesse, à exceção de Verity.

Gostei muito do livro, apesar do seu final decepcionante. Mas no geral, trata-se de um excelente thriller psicológico e merece fazer parte dessa lista.

Verity narra a história envolvendo um casal apaixonado, uma intrusa e três mentes doentias. Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity - e, lá... bem, digamos, que as coisas começam a se complicar. Prendeu muito a minha leitura e por isso, recomendo.

06 – O Escravo de Capela (Marcos DeBrito)

Adorei esse livro do Marcos DeBrito. Aliás, Raphael Montes, de Jantar Secreto e Suicidas definiu muito bem e em poucas palavras o efeito que a obra causa nos leitores. Ele disse que cada página de O Escravo de Capela é ‘como um golpe cruel de chicote, daqueles que saem muito sangue’. E é verdade. A história tem o poder de deixar à flor da pele do leitor uma miscelânea de emoções, algumas bem fortes: raiva, ódio; mas também muita emoção e até mesmo um certo lirismo como no capítulo final, onde fica no ar um clima de recomeço e esperança, apesar de todo o sofrimento decorrido ao longo da trama.

O autor desfaz, totalmente, em sua obra o mito do Saci que nós aprendemos a conhecer em nossa infância e adolescência. Esqueça o Saci peralta e ‘boa gente’ do Sítio do Pica-Pau Amarelo. O personagem de O Escravo da Capela é vingativo, sanguinário e violento, mas nem por isso, deixamos de torcer por ele durante boa parte da trama.

DeBrito utiliza como cenário, a cruel época do Brasil Colônia quando a escravidão reinou no País.  O enredo tem basicamente dois núcleos: a família Cunha Vasconcelos com seus segredos e a sua maneira violenta e sanguinária de tratar os escravos, e no outro o escravo recém-chegado Sabola Citiwala e sua resistência aos grilhões. Essas duas histórias, recheadas de personagens marcantes, se cruzam garantindo muitas surpresas e reviravoltas.

07 – Ultra Carnem (César Bravo)

UltraCarnem marcou a estreia de Cesar Bravo na DarkSide, editora especializada em de obras de terror. Trata-se de um livro indispensável para os leitores que curtem o gênero. O enredo de Ultra Carmem é dividido em quatro contos narrados em épocas diferentes e interligados por um fio macabro. A linguagem além de ser bem fluida, entrega um enredo muito bem costurado.

Em Ultra Carnem conhecemos Wladimir Lester, um pintor cigano autor de obras de arte macabras que começaram ser produzidas nos idos de 1800, quando carros e energia elétrica ainda eram novidades. Temos a oportunidade de acompanhar a influência dessas obras de arte que ganharam fama de malditas na vida das pessoas nos dias de hoje ou em um passado bem próximo.

Um desses quadros pintados por Lester e que ganhou fama de maldito ficou por mais de dois séculos com a sua tela coberta para que ninguém a visse. Reza a lenda que a pessoa curiosa que decidisse descobrir o que Lester havia pintado, sofreria conseqüências terríveis em sua vida; não só essa pessoa, como também todos os seus familiares.

Um livro que não pode faltar nessa lista, principalmente se você curte o gênero terror.

08 – Eles Merecem a Morte (Peter Swanson)

ElesMerecem a Morte tem porradas para nocautear qualquer leitor. Quando digo ‘porradas’ estou me referindo as reviravoltas na trama. E três dessas porradas, com certeza, deixarão a galera completamente desorientada e de queixo caído.

Logo no início de seu enredo, Swanson nos conduz para um desfecho dentro da normalidade, ‘entonce’, a partir da página 136, de sopetão, vem a primeira pancada. Esta primeira reviravolta mexe com toda a trama e modifica o chamado ‘modus operandi’ de alguns personagens.

As outras duas outras porradas, no decorrer do romance, não tiram o chão do leitor, como a primeira, mas também são ‘trucões pesados’ e desnorteiam. O autor faz com que você pense que irá acontecer algo, mas esse algo não acontece. Então, você para e diz: “ué, cadê?!” Quando se recupera dessa surpresa e prossegue com a leitura, chega o ‘golpaço’ inesperado: Páaaaaahh!! Pancadaço de tirar de fôlego.

Eles Merecem a Morte conta a história de Ted Severson que em um voo atrasado de Londres para Boston acaba conhecendo a bela e misteriosa Lily Kintner. Depois de vários martinis, os dois estranhos decidem fazer um jogo: cada um deve contar os seus segredos mais íntimos a respeito de si mesmo. Ted revela, então, que está sendo traído por sua esposa, Miranda. Porém, o que começa apenas como uma brincadeira inocente entre dois desconhecidos acaba tomando proporções perigosas quando Ted sugere que sente vontade de matar a sua mulher, e Lily surpreendentemente decide ajuda-lo.

Um livro recheado de plot twists que garantem uma DPL para ninguém botar defeito.

09 - Presa (Michael Crichton)

Não estaria exagerando que a qualidade da narrativa desse livro se iguala aos dois maiores sucessos de Michael Crichton: Jurassic Park e Mundo Perdido. Pena que na época de seu lançamento (2003) Presa não ganhou a atenção merecida de editores com isso, esse techno-triller fantástico acabou sendo pouco divulgado resultando em poucas vendas. E poucas vendas, vocês sabem, significam que poucos leitores tiveram a oportunidade de ler um dos três melhores livros escritor por Crichton. Por isso, eu não poderia, em hipótese alguma, deixa-lo fora dessa lista. 

Presa tem uma narrativa frenética e viciante. Ainda me lembro que demorei menos de dois dias para ler o livro que tem mais de 450 páginas. Simplesmente, não conseguia parar de ler. Gostei tanto que já o reli diversas vezes e estou sempre indicando para os meus amigos.

Na história, acompanhamos o casal Jack e Julia. Jack é um programador desempregado, pai de família e dono de casa. Já a sua esposa, é vice-presidente de uma empresa de tecnologia chamada Xymos e está participando de um projeto envolvendo inteligência artificial, nanotecnología e biotecnología.

A tecnologia se refere a nano máquinas ou micro robôs, que juntas formariam uma câmera que poderia ser usada para vasculhar a corrente sanguínea ou todo o corpo humano. O problema é que os militares querem usar esse conhecimento para fins bélicos. Então num “belo dia”, num descuido de um grupo de cientistas, uma nuvem dessas nanopartículas inteligentes escapam de um laboratório localizado no deserto de Nevada espalhando o pânico.

Livraço. Leitura obrigatória para os fãs de ficção científica, mas ficção científica de qualidade.

10 – It (Stephen King)

É claro que o tio King não poderia ser queimado da lista. Na minha opinião, It é o seu melhor livro juntamente com O Cemitério, mas acredito que It ainda esteja um passo à frente. A sensação que fica após termos lido as pouco mais de mil páginas é a de que leríamos tudo novamente por causa dos personagens e do enredo cativante.

O livro de King é deliciosamente assustador, deliciosamente nostáligico, além de mostrar a importância da verdadeira amizade.

Em resumo, é a história de sete amigos adolescentes que enfrentaram uma criatura centenária que se alimentava do medo das pessoas e se apresentava de diversas formas, sendo a mais comum, um palhaço de nome Pennywise ou Parcimonioso. A criatura que ficou conhecida como “A Coisa” deixou um rastro de sangue e pavor na pacata cidade de Derry, onde matou várias crianças. É então que um grupo de sete adolescentes inseparáveis (Bill, Richie, Eddie, Stanley, Beverly, Mike e Ben) resolvem se unir para combater o ser monstruoso. E na batalha que aconteceu em 1958, eles conseguiram com muito esforço derrotar o maligno Pennywise e saírem vivos. Mas após 27 anos, “A Coisa” volta a atacar e os sete amigos, já adultos e longe um do outro, tem que se reunir novamente para a batalha final.  

Enfim, é isso aí galera. Dez livraços para vocês começarem 2023 com o pé direito.

01 fevereiro 2023

As malditas sobrecapas, contracapas, orelhas e cintas de livros que estragam qualquer história

Cara... peguei ojeriza, ódio, raiva, asco – sei lá, entendam como acharem melhor – dessas malditas sobrecapas, contracapas, orelhas e cintas de livros. Elas já me estragaram muitas histórias. Às vezes penso que alguns ou muitos editores subestimam a inteligência dos leitores. Desculpem, mais não consigo entender de outra forma. Já vi orelhas de livros com spoilers dantescos que entregam o momento mais impactante da trama. O mesmo aconteceu com contracapas que destrincharam o perfil psicológico de protagonistas do enredo.

Na minha opinião não existe nada mais prazeroso para um leitor do que ir descobrindo aos poucos as nuances que envolvem a personalidade dos personagens que protagonizam a trama ou ainda ir se inteirando aos poucos das transformações no perfil psicológico de um vilão ou do chamado “mocinho”. Fazendo uma analogia com uma deliciosa refeição: o ato de ler um livro é como degustar aos poucos um prato especial, deixando que os receptores sensoriais da nossa língua que detectam os sabores doce, salgado, azedo e amargo desvendem cada um desses sabores até atingir o ápice do nosso paladar. Mas para quebrar esse clima especial, chegam essas cruéis e insensíveis sobrecapas, contracapas e orelhas e estragam tudo.

Há um bom tempo passei a ignorar essas partes de um livro e desde então, passei a desfrutar muito mais do prazer da leitura. Mas confesso que já ‘pelejei’ muito com isso porque a curiosidade em querer saber um pouco mais sobre a trama que iria ler – acreditando na boa fé dos editores – acabou estragando muitas histórias fantásticas.

O Sorriso da Hiena de Gustavo Ávila lançado pela Verus Editora é um exemplo de orelha e contracapa traiçoeiros. Logo na primeira orelha do livro, já ficamos sabendo de uma maneira discreta, detalhes sobre a origem do serial killer. Na contracapa, o discreto cede lugar ao escancarado. Ali, os leitores curiosos já descobrem a ligação do serial killer com um outro personagem importante da trama, além da motivação que levou uma criança a se tornar o próprio serial killer. Vale lembrar que todas essas revelações só acontecem após vários capítulos da trama.

Talvez, alguns seguidores do “Livros e Opinião” que lerem a resenha que escrevi sobre O Sorriso da Hiena afirmem que eu também liberei um spoiler relacionado a um transtorno psicológico do detetive Artur Veiga que é portador da Síndrome de Asperger. Tudo bem, concordo, de fato é um baita spoiler, mas já ficamos sabendo logo nas primeiras seis páginas do romance que o personagem tem esse estado de espectro autista. Assim, esse spoiler não atrapalha em nada a leitura do enredo.

O Fio da Navalha, de Somerset Maugham, é outra pedrada na cara do leitor; entrega toda a história. A orelha inicial desse livro é fatal. Outra orelha que quebra o leitor ao meio é do romance A Firma de John Grisham lançado pela editora Rocco em 1993. Caráculas!! Nas duas orelhas, você encontra um resumão da história lotado de spoilers! Nunca vi aquilo. Aliás, já comentei com amigos que não há a necessidade de “encarar” o livro de Grisham inteiro, basta ler as suas orelhas e pronto (rs).

E que tal você ficar sabendo quem foi o assassino de uma das história de Agatha Christie antes de você ler o livro? Não, não... Não foi nenhum amigo leitor mal-intencionado que me contou; foi a própria contracapa do livro. Isso ocorreu há algum tempo e nem me lembro mais o nome da obra literária, só me recordo que era uma história, acho que do Hercule Poirot. Até hoje, Lulu se recorda desse episódio com boas risadas. Fiquei puto na época (rs).

Portanto, fica aqui o conselho de um “macaco velho” no assunto: Vai ler um livro que você está aguardando há muito tempo? Passe longe da sobrecapa, contracapa, orelhas e o escambau a quatro. Feche os olhos para elas e abra esses mesmos olhos para o enredo que está guardadinho nas páginas esperando para ser devorado.

Inté galera!

 

 

 

 

 

 

 

 

29 janeiro 2023

Hannibal Lecter, um vilão que deixou saudades nos livros e nos cinemas

Existem personagens da literatura ficcional tão marcantes, tão especiais que eles nunca cansam, nunca enjoam os leitores por mais livros que se escrevam sobre eles. Não importa que o autor lance uma trilogia, uma quadrilogia ou uma saga com seis, oito ou dez livros porque esses personagens sempre fisgarão a atenção da galera. ‘Entonce’, quando a série literária  é encerrada e o autor enterra esse personagem afirmando que ele nunca mais voltará, bem... aí nós, devoradores de livros que amamos o ciclano ou a ciclana entramos numa depressão literária profunda.

Com certeza muitos de vocês que estão lendo essa postagem já enfrentaram tal situação; eu, evidentemente não sou uma exceção.

Um dos personagens que mais marcou a minha vida de leitor foi um vilão, mas um vilão diferente dos demais. O seu carisma é tão fluído que na maioria das vezes passamos a trata-lo como um anti-herói e não como um simples vilão.

Estou me referindo a Hannibal Lecter ou simplesmente “Dr. Lecter”, o personagem criado por Thomas Harris que está presente nos livros: Dragão Vermelho (1981), O Silêncio dos Inocentes (1988), Hannibal (1999) e Hannibal – A Origem do Mal (2006).

Sempre digo para os meus amigos nas rodinhas de papos literários que Harris pode ser considerado um gênio, pois ele conseguiu transformar um vilão cruel, sanguinário e ainda canibal, num anti-herói querido por grande parte de seus leitores. Cara, é totalmente “fora da casinha” você gostar ou nutrir algum resquício de simpatia por um personagem considerado um serial killer perigosíssimo e com o hábito de jantar pedaços de suas vítimas. Pois é, Harris conseguiu transformar o Dr. Lecter num “sujeito” com carisma suficiente para ganhar a simpatia daqueles que leram a quadrilogia O Silêncio dos Inocentes.

Mas deixe-me ser justo. A culpa dessa inversão de valores do personagem não cabe somente a Harris, mas também ao ator Anthony Hopkins que viveu o vilão nos cinemas no período de 1991 a 2002. Eu estaria mentindo se afirmasse que a maioria das pessoas que assistiram ao “Silêncio dos Inocentes” (1991) não nutriram uma certa simpatia pelo vilão.

Sempre que acesso as redes sociais, procuro alguma informação sobre uma possível sequência da quadrilogia, mas infelizmente não encontra nada. Acredito que o fim da saga está sacramentado. Atualmente, Harris está com 82 anos e não demonstrou até agora em suas entrevistas, algum desejo de escrever um novo enredo sobre o Dr. Lecter. Assim, acredito que temos de nos contentar com os quatro livros escritos e rele-los quando bater saudades.

É importante observar que o autor foi desenvolvendo Hannibal ao longo do tempo, conforme ia escrevendo suas obras, por isso, os livros que retratam a biografia do médico canibal não foram escritos por ordem cronológica.

O sucesso das obras foi tanto que o vilão foi parar nos cinemas e também na TV. A sua estreia nas telonas deu-se no filme Manhunter, de 1986, sendo interpretado por Brian Cox. A produção passou despercebida, não alcançando o sucesso esperado.

O personagem só adquiriu o seu verdadeiro êxito mundial na adaptação do diretor Jonathan Demme, “O Silêncio dos Inocentes”. Numa excelente interpretação de Anthony Hopkins, que venceu o Oscar de melhor ator por essa atuação, o personagem Hannibal Lecter passou a ser considerado o maior vilão da história do cinema, segundo o Instituto Americano do Cinema. O ator ainda reprisou o papel de Lecter em “Hannibal”, de 2001; e “Dragão Vermelho”, de 2002.

Na televisão, no período de 2013 a 2015 a NBC produziu a série Hannibal. O ator Mads Mikkelsen deu vida ao vilão nas três temporadas do programa, que foi cancelado pela emissora.

E finalmente, em 16 de março de 2007, estreou nos cinemas a adaptação de Peter Webber para “Hannibal - A Origem do Mal”, sendo Lecter interpretado por Aaron Thomas, durante sua infância, e Gaspard Ulliel, na juventude, sendo que este último teve uma atuação muito elogiada.

Para aqueles que ainda não conhecem o personagem – o que acredito, sejam poucos – Hannibal Lecter é um médico psiquiatra renomado que adquiriu o hábito de “jantar” alguns de seus pacientes. No primeiro filme, “O Silêncio dos Inocentes”, ele é convocado, mesmo estando preso, para auxiliar o FBI a traçar o perfil psicológico de um perigoso serial killer conhecido por Bufalo Bill.

 

 

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