04 julho 2022

“Os Três Mosqueteiros”: uma releitura com novas nuances

Algumas pessoas acham que releituras de obras literárias não valem a pena porque estamos perdendo tempo com histórias que já conhecemos; tempo que poderíamos dedicar a novos livros. Olha galera, nunca ouvi ou li bobagem tão grande. Pelo menos, essa é a minha opinião. Não vá me dizer que não sente saudades de alguns personagens que conviveram com você durante uma ‘viagem literária’? No meu caso, sinto muitas saudades de uma galera que, certamente, desejo reencontrar. Outro bom motivo para uma releitura é que você tem a oportunidade de ver o contexto da obra sob um outro ponto de vista, ou seja, pode ser que na primeira vez que você teve contato com o enredo do autor, não entendeu ou aceitou certas atitudes de determinados personagens, mas hoje, como mudou alguns de seus conceitos no seu dia a dia, passou a entender o que não aceitava no passado.

Sei lá, galera, são “N” motivos para você reler um romance e sentir prazer nessa releitura. Por isso, resolvi reler algumas obras, como explico nessa postagem (ver aqui).

A minha primeira releitura neste ano foi Os Três Mosqueteiros, obra clássica de Alexandre Dumas. Tinha lido o livro em 2011 – nos primórdios do blog – portanto há mais de 11 anos (confira aqui). Naquela época devorei a história  em poucos dias, mas agora, no presente... bom, a leitura acabou sendo mais arrastada. Em 2011 li a edição da Nova Cultural, lançada em 1996, que fazia parte da coleção “Imortais da Literatura Universal”, muito conhecida na época. A tradução dessa publicação é tão boa quanto a da edição da Zahar, lançada em 2010. A diferença são as notas de rodapé que fazem parte do lançamento da Zahar, nas quais os premiados tradutores André Telles e Rodrigo Lacerda capricharam e, muito.

Como já escrevi acima, a leitura dessa vez foi arrastada. No início, as notas de rodapé – algumas bem longas – me assustaram e acabaram atrapalhando um pouco a fluidez da leitura. Como tinha optado por ler o enredo paralelamente com as notas de rodapé, a leitura do romance acabava perdendo o ritmo. Por isso, no início foi uma leitura quebrada, empacada. Para resolver esse problema, mudei a forma de ‘encarar’ o livro. Passei a ler essas notas explicativas apenas quando me interessavam. A partir daí a leitura passou a render um pouco mais.

Nesta releitura, achei os diálogos desenvolvidos por Dumas muuuuito longos e consequentemente cansativos. Existem personagens que tem diálogos que chegam a quase duas páginas! Verdade, só com esse personagem “falando”. Quando acontecia isso e a “fala” do personagem não me interessava, eu acelerava a leitura ou simplesmente passava para a frente.

O enredo é ruim? De jeito nenhum; tanto é verdade que na primeira vez que li esse clássico, me apaixonei, mas agora, após mais de 11 anos, o enxergo de uma maneira diferente. Não sei... talvez, naquela época eu amava os clássicos da literatura mundial, enquanto hoje, esse gênero não me interessa tanto.

Nesta releitura de Os Três Mosqueteiros, só comecei a devorar, de fato, a história quando a personagem Milady de Winter colocou as suas garras de fora. Nos capítulos perto do final, dedicados à vilã, ‘o bicho pega’. Não há como negar que Dumas criou uma de suas melhores personagens, capaz de mexer com o íntimo de qualquer leitor, por mais insensível que seja. Juro que eu não via a hora daquela víbora pagar por todos os seus crimes.

Milady mexeu tanto comigo que após esse texto, estarei escrevendo um post inteiramente dedicado a ela. O curioso foi que na primeira vez em que li o livro, em 2011, essa personagem não me chamou tanto a atenção, mas agora, na releitura, mudei o foco e passei a me interessar por ela, chegando ao ponto de considera-la a vilã mais vil, perigosa e odiosa da literatura.

É isso aí galera, Os Três Mosqueteiros foi um livro que amei no passado, mas hoje, achei apenas razoável, com exceção de Milady.

Inté!

30 junho 2022

Cinco filmes baseados em livros que assisti no cinema durante a minha infância, ao lado de meu irmão mais velho

Já escrevi várias postagens sobre como o meu irmão mais velho ajudou a despertar em mim o gosto pela leitura e também pelo cinema. Ele, juntamente com minha mãe, e alguns de meus professores foram os responsáveis por ter me transformado num devorador de livros. Sou muito grato a todos eles.

Meu irmão, quando mais jovem, era um leitor voraz e também um cinéfilo de carteirinha. Se o filme ou o livro lhe interessava, era o primeiro a marcar presença na fila dos cinemas ou nas portas das bancas de jornais – lembrando que naquela época, essas saudosas bancas também vendiam livros e fascículos de enciclopédias.

Agradeço por ele não ter sido um daqueles irmãos pentelhos e egoístas  que mal olhavam em sua cara e quando olhavam era para brigar ou reclamar para a mãe que o seu irmão mais novo estava fazendo algo que lhe desagradava. Cara, como Deus foi supimpa comigo! Os meus irmãos, tanto o mais velho quanto o do meio foram verdadeiros anjos em minha infância. Só agradeço por isso. Amo eles.

A prova desse relacionamento especial é que o meu “old brother”, todas as vezes em que ia ao cinema fazia questão de me levar. Nunca perguntei o motivo dos convites, mas acredito que a razão principal era o meu interesse por livros e filmes na TV desde pequeno. Como ele sempre foi muito observador – tanto é que virou um excelente advogado – chegou à conclusão de que eu também adoraria assistir aos filmes, mas numa telona ao invés de uma telinha.

Dessa forma lá estava eu, junto com ele, assistindo películas incríveis, algumas delas bem avançadinhas para a minha idade, com enredo até mesmo complicado, mas o incrível nisso tudo era que eu adorava esses filmes, e pode acreditar, compreendia, perfeitamente, os seus enredos.

Quanto a faixa etária para entrar no cinema, não havia problema porque naquela época a fiscalização não era tão rígida como é hoje. É claro que tinham as exceções como por exemplo quando passavam filmes com uma conotação sexual muito grande; nesse caso, a entrada de menores, nem pensar. Ainda bem, né (rs)? Mas quando os filmes eram do tipo “normais” – como diziam naqueles tempos para diferenciá-los das produções que beiravam os pornôs – os gerentes dos cinemas não eram tão rigorosos com relação a faixa etária; sem contar que o responsável pelo cine de minha cidade era um grande amigo de meu irmão.

Na postagem de hoje resolvi reviver aquele período que não sai da minha memória, apesar de já terem passado muitas décadas. A melhor forma que encontrei para prestar um tributo àqueles tempos foi escrever um texto onde relembro seis filmes que assisti em minha infância e que tiveram os seus enredos adaptados de livros. Acho que dessa forma revivo uma das melhores fases de minha vida sem fugir muito da proposta do blog que é o de “falar” sobre obras literárias. Então, vamos que vamos!

01 – O Grande Gatsby (Scott Fitzgerald)

Quando assisti esse filme tinha os meus treze anos de idade e, claro, o mano estava lá do meu lado. Já tinha visto, antes, “Butch Cassidy e Sundance Kid” por isso conhecia Robert Redford que apesar da minha pouca idade, achava um excelente ator. E lá estava ele, agora, ‘na pele’ de um misterioso e excêntrico milionário americano dos anos 1920 chamado  Jay Gatsby. 

O filme de 1974 dirigido por Jack Clayton tinha ainda como protagonista Mia Farrow que seis anos antes havia estourado nas telonas com o clássico do cinema de terror: “O Bebê de Rosemary”.

A produção cinematográfica é bem fiel ao livro de Scott Fitzgerald onde a década de 1920, o jovem Nick Carraway muda-se para Long Island e logo se encanta com as festas e o glamour de seu vizinho, o milionário Jay Gatsby, com quem logo faz amizade. Frequentando a casa do milionário, Nick fica sabendo da paixão secreta que Gatsby sente pela mulher de outro amigo. Esta paixão proibida trará sérias consequências para todos os envolvidos.

O curioso é que muito tempo depois, em 2013, após ter assistido ao remake com Leonardo DiCaprio, não senti a mesma emoção de antes. Sei lá, acho que a magia do passado havia se quebrado no presente.

02 – Os Canhões de Navarone (Alistair MacLean)

Apesar de já ter passado muito tempo, ainda me lembro que alguns filmes chegavam com atraso no cinema da minha cidade como foi o caso do clássico “Os Canhões de Navarone” que só deu os ares de sua graça nas telonas do Cine São Salvador mais de dez após o seu lançamento oficial. 

E, novamente, o meninão aqui, estava ao lado do mano, assistindo ao filme com Gregory Peck, David Niven e Anthony Quinn no frescor (rs) dos meus 12 anos.

Esta película de guerra marcou tanto a minha infância que anos depois acabei comprando o DVD que trago guardado até hoje.

A produção cinematográfica foi baseada no livro de Alistair MacLean publicado em 1957 e que chegou a ganhar várias edições no Brasil através das editoras Nova Cultural e Abril Cultural. “Os Canhões de Navarone” foi mais um filme com roteiro muito fiel ao livro. Viram só como naquela época os roteiristas eram mais espertos (rs).

Na narrativa, durante a II Guerra Mundial, um grupo de homens do exército aliado arrisca-se na escalada dos íngremes penhascos de Navarone, a fim de destruir os dois canhões alemães, que guardam o canal. Porém, os Alemães parecem saber todos os passos que eles vão tomar, gerando assim, a suspeita de traição por alguém.

Apesar de ter amado o filme ainda não li o livro, mas pretendo ler.

03 – 2001: Uma Odisseia no Espaço (Arthur C. Clarke)

Livro e filme foram lançados simultaneamente em 1968. Não me recordo bem, afinal já fazem muitos e muitos anos, mas acho que “Uma Odisséia no Espaço” foi mais um filme que chegou com atraso no cinema da minha cidade. Deve ter passado nas telonas logo no início da década de 70.

Parece loucura, uma criança ter assistido um filme tão complexo como esse e ainda por cima, ter gostado!! Entonce foi o que aconteceu com esse ‘maluco’ aqui.

Logo de cara já fui fisgado pela cena inicial do filme quando um homem pré-histórico descobre a primeira ferramenta um (osso) e aparece batendo em outros ossos de um animal morto, ao som da música ''Assim falava Zarathustra'' (composta em 1891 por Richard Strauss). Putz, que cena especial. Tão especial que foi capaz de conquistar até mesmo uma criança de 11 ou 12 anos naquela época.

Anos depois fui entender que cena antológica representava visualmente o momento em aquele homem pré-histórico já estava ciente do seu poder, ou seja, do ato de pensar que representava a evolução que deu origem ao homem moderno. Isto ficou evidente no momento em que ao jogar o osso para cima, num corte belíssimo do diretor, esse osso se transforma numa espaçonave. Coisa do tipo: “do osso à espaçonave”. Fantástico, não acham?

Uma curiosidade que talvez alguns cinéfilos e leitores desconhecem é que o livro de Arthur C. Clarke foi desenvolvido conjuntamente com sua versão cinematográfica, dirigida por Stanley Kubrick, e só sendo publicado após o filme.

04 – A Um Passo da Eternidade (James Jones)

Taí outro filme bem avançadinho para a minha idade, mas que acabei assistindo após ter entrado no “vácuo” junto com o meu irmão. Aquela cena do beijo do personagem de Burt Lancaster na Deborah Kerr...  como dizia o Mussum dos Trapalhões: “Cacildis”! Que cena! Marcou a minha infância de cinéfilo mirim e depois de adulto, continuou marcando.

A exemplo de Os Canhões de Navarone também não li o livro, mas pretende ler os dois volumes de A Um Passo da Eternidade lançado pela Record.

A obra de James Jones foi nomeada um dos 100 melhores romances do século 20 pelo Modern Library Board. Dois anos depois de seu lançamento, o enredo de Jones seria transformado no filmaço que assisti nos anos 70; mais um dos “atrasadinhos” que passava com frequência no saudoso Cine São Salvador.

Se o livro foi um grande sucesso, o filme não ficou atrás e venceu o Oscar em 1953. Além de Lancaster e Kerr, “A Um Passo da Eternidade” contou com um elenco estelar, entre os quais: Montgomery Clift, Donna Reed , Frank Sinatra e Ernest Borgnine. O sucesso do livro foi tanto que além do filme acabou ganhando, também, adaptações para a televisão e um musical de palco.

05 – Aeroporto (Arthur Hailey)

Fecho essa lista com Aeroporto de Arthur Hailey. Outro filmaço que assisti no início da década de 70; mais um presente do mano. A história tinha como palco o fictício Aeroporto Internacional Lincoln localizado perto de Chicago, Illinois. É tido por muitos críticos como o precursor dos filmes de catástrofe que começaram a surgir nos anos 1970, como O “Destino de Poseidon” e “Inferno na Torre”.

Confesso para a galera que apesar de ter gostado do filme não me recordo de muitas passagens, apenas algumas; mas a música instrumental tema da produção... My God!! Ela não saiu nunca mais da minha cabeça. Que música!! Amei quando criança e continuo amando agora quando me aproximo dos braços da terceira idade. Esta música alcançou sucesso mundial desde que foi lançada, sendo muito conhecida até hoje e ainda lembrada como música sinônimo de aviação e aeroportos.

“Aeroporto” teve três sequências: Aeroporto 75, lançado em 1974, Aeroporto 77, em 1977, e Aeroporto 80 - O Concorde, em 1979.

O filme de 1970 ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Helen Hayes por seu papel como uma passageira clandestina idosa e foi nomeado para mais nove categorias, incluindo melhor filme, melhor fotografia e melhor figurino.

Quanto ao livro lançado na mesma época do filme também se transformou num grande sucesso, tanto por parte dos leitores quanto dos críticos.

Taí galera, espero que tenham gostado. Foi muito bom reviver essa fase de ouro da minha vida.

E, obrigado mano por esses momentos especiais.

Inté!

26 junho 2022

Seis livros incríveis que pretendo reler sem perda de tempo

O que nos motiva a reler um livro? Na semana passada estava pensando nisso. Na realidade, as motivações são tantas, né galera? Pode ser uma minissérie ou um filme que você assistiu e acabou lhe despertando uma vontade enorme de reler o livro que originou a adaptação; pode ser uma obra que você não tem em sua estante mas leu há muito tempo na biblioteca pública municipal e agora quer relê-la; ou então o trecho de um enredo que você leu há décadas mas não se recorda do seu final. São “N” os motivos que podem provocar uma releitura. 

Pois é, hoje quero escrever sobre isso, ou seja, os livros que pretendo reler e o que acabou provocando essa vontade de reencontrar com personagens e enredos que eu já conheço ou recordo.

Posso garantir que algumas releituras são muito prazerosas e valem a pena. Não sei se acontece com você, mas comigo, muitas vezes esse prazer supera o deleite de uma “leitura inédita”. Talvez seja por isso que a minha lista de leituras esteja crescendo a cada dia.

Ok, mas vamos ao que interessa, aos livros que pretendo reler ainda neste ano. Espero que essa lista também sirva como sugestão para aqueles que seguem esse blog e estão à procura de boas histórias para devorar.

01 – Jurassic Park (Michael Crichton)

Como já escrevi nessa postagem (ver aqui) existem livros que damos a vida para consegui-los. Então, quando atingimos o nosso objetivo, pegando em nossas mãos a “jóia preciosa”, nos transformamos numa verdadeira criança; daquelas que acabam de ganhar o presente dos seus sonhos, ficando com aquele sorriso bobo e ao mesmo tempo inocente no rosto. O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park), de Michael Crichton, é um livro que tem essa aura. Pelo menos teve comigo. Lutei muito para consegui-lo, mesmo porque naquela época – 2001 - não tínhamos ainda o advento dos sebos on line. Se não encontrássemos o livro que queríamos numa livraria on line tradicional, tínhamos de procura-lo em um sebo numa cidade próxima ou distante de onde morávamos. 

Posso afirmar que O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park) foi o meu primeiro sonho de consumo nesta fase devoradora de livros que começou ainda na infância e dura até hoje. Caráculas, como eu queria esse livro!

Com essa febre chamada “Jurassic World: Domínio” que invadiu os cinemas, bem antes do seu lançamento, me bateu uma vontade enorme de reler os dois livros de Michael Crichton que serviram de base para todos os filmes das duas franquias.

A produção cinematográfica ainda estava na fase de divulgação com trailers e prólogos bombando no Youtube, além de comentários e análises que recheavam as redes sociais. Com esse bombardeio de informações antes da vontade de reler os livros veio o desejo de assistir novamente aos seis filmes que compõem as duas franquias dos “dinos”. Com isso acabei revendo: “Jurassic Park - Parque dos Dinossauros” (1993), O Mundo Perdido: Jurassic Park (1997), Jurassic Park 3 (2001), Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros (2015), Jurassic World: Reino Ameaçado (2018) e finalmente Jurassic World: Domínio (2022).

Logo que acionei o play do primeiro Jurassic Park, ao ver na tela os paleontólogos Dr. Alan Grant e Ellie Satller, além do impagável Dr. Ian Malcolm ‘pintou’ um desejo incontrolável de reler o livro de Crichton lançado em 1990.

02 – O Mundo Perdido (Michael Crichton)

Com certeza, O Mundo Perdido será um dos primeiros na minha lista de releituras. Aliás não dá para ler O Parque dos Dinossauros e se esquecer da sua sequência. Mas na realidade, pretendo reler esse livro porque a sua história é muito diferente do filme de 1997, além do mais, David Koepp que adaptou o roteiro do livro para o filme dirigido por Steven Spielberg cortou um personagem da obra literária que achei muito importante. Estou me referindo a Richard Levine. Várias espécies de dinossauros também foram podados e o enredo mudou radicalmente. Por isso quando me pedem para comparar livro e filme costumo dizer que ambos são dois estranhos.

Amei o livro muito mais do que o filme, por isso vou relê-lo.

03 – Nada Dura Para Sempre (Sidney Sheldon)

Pra ser sincero, ‘volta e meia’ lá estou eu relendo algum livro de Sidney Sheldon. Fugindo um pouco do assunto – mas não fugindo tanto assim, já que essa divagada está ligada ao tema principal – tenho um amigo que é fã de músicas bregas. Ele gosta muito; mesmo! Um dos cantores que ele mais curte é o saudoso Barros de Alencar. Há algum tempo, estávamos viajando para o litoral paulista, junto com as nossas esposas, quando começou a tocar “Apenas Três Minutos”. Neste momento o meu amigo disse: - PQP! A vóz desse cara enfeitiça a gente! Quando eu ouço essa música é como se eu estivesse hopnotizado” – Eu, Lulu e a Amélia - mulher desse meu amigo - não aguentamos a maneira que ele encontrou para dizer que gostava da vóz do Barros de Alencar, e rimos muito.

Entonce, com os livros do Sheldon acontece a mesma coisa. Os seus enredos enfeitiçam os leitores de uma tal maneira que eles acabam relendo as suas obras muitas vezes. Um dos livros desse autor que estou namorando há alguns meses é Nada Dura Para Sempre.  Logo o estarei relendo.

04 – Trilogia “As Crônicas de Artur” (Bernard Cornwell)

Galera, sempre que bato os olhos nessa trilogia que se encontra num lugar de destaque em minha estante, sinto um apetite enorme em devorá-la. Aliás, não sei porque até hoje não a reli. Talvez por ser uma trilogia eu acabe me assustando um pouco, mas percebo que o desejo de reler está superando o receio de adiar a sua leitura em troca de novos livros que adquiri recentemente.

Os livros Rei doInverno, O Inimigo de Deus e Excalibur que formam a trilogia escrita por Bernard Cornwel são fantásticos. O carisma dos personagens fisga os leitores de uma tal maneira que eles não conseguem mais largar os livros. Foi o que aconteceu comigo. Li a saga em tempo recorde.

A série desmistifica toda a lenda arturiana como conhecíamos em nossa infância ou adolescência.

Esqueça a Távola Redonda, Camelot, espada mágica, donzelas suaves, Santo Graal e um Merlin com poderes sobrenaturais. Se prepare para ver um Lancelot covarde, um Artur sem coroa, um Mordred aleijado e um Merlin malandro e charlatão, mas muito inteligente e perspicaz. Você deve estar se perguntando: “Caramba! O autor arrebentou a história de Artur!!” Aqueles que pensam dessa maneira, se enganam redondamente. Pelo contrário, Cornwell reescreveu a história de Artur... do verdadeiro Artur, sem damas do lago, monstros que propõem soluções de enigmas, cavaleiros galantes e espada encantada que num passe de mágica sai do meio de uma pedra.

Todo o enredo dos três livros que compõem a As Crônicas de Artur foi escrito baseado em pesquisas arqueológicas e documentos importantes resgatados das décadas de 540 e 600 d.C. Por isso, aqueles que lêem os livros passam a ter uma ideia mais realista de quem foi esse grande comandante guerreiro que viveu nos séculos V e VI e que enfrentou os saxões defendendo a Grã-Bretanha de uma invasão. Como já disse, uma visão realista da história de Artur, sem fantasias e contos de fadas.

05 – As Mil e Uma Noites (Antoine Galland)


As Mil noites e uma noites, é uma coleção de histórias e contos populares originárias do Médio Oriente e do sul da Ásia e compiladas em língua árabe a partir do século IX. No mundo moderno ocidental, a obra passou a ser amplamente conhecida a partir de uma tradução para o francês realizada em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literatura mundial. 

Os contos estão organizados como uma série de histórias em cadeia narrados pela personagem Xerazade, esposa do rei Xariar. Este rei que ficou louco após ter sido traído por sua primeira esposa, passou a desposar uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Xerazade consegue escapar a esse destino contando histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Xerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites – “as mil e uma” do título - ao fim das quais o rei já se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.

 Cara, as histórias narradas por Xerazade são incríveis. Elas enfeitiçam qualquer leitor (olha o Barros de Alencar, novamente aí – rs). Os contos de Simbad – O Marujo, Ali Babá e os Quarenta Ladrões, O Gênio da Lâmpada e os Três Desejos, Califa, o Pobre, além de tantos outros são impagáveis. Tenho o box lançado editora Ediouro em 2001. Os dois livros possuem aproximadamente 1.080 páginas da mais pura magia.

Quando li “As Mil e Uma Noites” me senti o próprio sultão Shariar, querendo desesperadamente saber o final de cada conto. Resultado: leitura viciante e noites e mais noites em claro com o livro nas mãos.

São páginas da mais pura magia, contos que prendem o leitor como uma teia de aranha da qual não se consegue escapar. Algumas histórias fizeram tanto sucesso que acabaram se transformando em livros próprios, além de ganhar inúmeras versões para o cinema.

No caso de As Mil e Uma Noites já comecei a sua releitura que venho fazendo intercalada com outros livros. Como se trata de uma obra de contos bem curtos, posso relê-los com outros livros sem sofrer um nó na cabeça (rs).

06 – O Livro de Ouro da Mitologia – História de Deuses e Heróis (Thomas Bulfinch)

No início da resenha de O Livro de Ouro da Mitologia –História de Deuses e Heróis que publiquei em 2011 (ver aqui) escrevi as seguintes linhas: “Há livros que por mais que relemos nunca nos deixam esgotados, pelo contrário nos vicia ao ponto de tempos em tempos irmos até a nossa estante e pegarmos o ‘dito cujo’ para nos saciarmos. Se não o relemos na sua totalidade, pelo menos folheamos as partes que consideramos mais interessantes e que queremos reviver”.

O Livro de Ouro da Mitologia – Histórias de Deuses e Heróis é uma obra com essas características. Pelo menos para mim. Tanto é verdade, que já perdi as contas das vezes que o li e reli.”

Fiz questão de publicar acima o que escrevi há mais de onze anos para que vocês tentem dimensionar o número de vezes que já reli as histórias desse livro escrito pelo pesquisador Thomas Bulfinch. Posso garantir que foram muitas releituras. E para variar, os contos da obra voltaram a despertar o meu interesse e brevemente estarei partindo para um novo reencontro.

Bulfinch escreve de uma maneira direta, sem enrolação o que torna a leitura fácil, fluindo naturalmente. São 50 histórias que irão entusiasmar os amantes da mitologia grega. Você vai mergulhar no mundo mágico da guerra de Tróia; as aventuras de Enéias; a busca pelo velocino de ouro pelos argonautas; o retorno de Ulisses à Ítaca; conhecer a origem dos famosos soldados comandados pelo não menos famoso Aquiles, conhecidos por Mirmidões; além de se informar sobre deuses, heróis e vilões famosos da mitologia grega, entre os quais Apolo, Juíter, Zeus, Midas, Cupido, Psique, Minerva, Hércules, Teseu, Perseu, Medusa, Atlas, entre outros.

Bom demais. Tão bom que vale muuuuitas releituras.

07 – Os Três Mosqueteiros (Alexandre Dumas)

Li Os Três Mosqueteiros pela segunda vez em 2011  – a primeira vez, foi ainda na época do curso primário. Alexandre Dumas conseguiu uma verdadeira proeza na época: popularizar um romance histórico, transformando-o em capa e espada, mesclando personagens reais e imaginários. O sucesso de Os Três Mosqueteiros foi tanto que deu origem a inúmeras peças de teatro, produções cinematográficas e televisivas.

Apesar de já ter lido a obra do autor francês duas vezes, recentemente optei por relê-la novamente e fui mais além: apesar de já conhecer a história, optei por comprar o livro ao invés de emprestá-lo de uma biblioteca pública. Fiz isso por causa da nova edição da Zahar que está um luxo só.

A editora caprichou tanto nesse relançamento que está virando a cabeça dos colecionadores e amantes da obra de Dumas.

A tradução viva do texto integral feita por André Telles e Rodrigo Lacerda é uma verdadeira pérola. Os caras são feras. Eles conquistaram o prêmio Jabuti em sua categoria graças a tradução de O Conde de Monte Cristo. Isto significa que a tradução de Os Três Mosqueteiros também recebeu o mesmo esmero e cuidado. A nova publicação tem ainda capa dura, acabamento de luxo e muitas ilustrações.

Acha que eu vou perder? Não dá, né?

22 junho 2022

Escritores que transformaram lendas brasileiras em livros de terror

Saci Pererê, Mula-Sem-Cabeça, Boitatá, Bicho-papão. Certamente, esses famosos personagens do folclore brasileiro perderam ao longo décadas e mais décadas a capacidade de assustar ou incutir pavor nas pessoas. Com o avanço da ciência e da globalização à passos largos, eles passaram a ser vistos, unicamente, símbolos inofensivos – mas muito importantes - da nossa crendice popular. 

Esta visão de hoje era completamente diferente na época dos nossos bisavós quando tais figuras folclóricas tinham o poder de assustar os caixeiros viajantes daquela época que cortavam estradas desertas para negociar os seus produtos.

Quero propor algo para a galera. Que tal entrarmos numa máquina do tempo e retornarmos apara a época dos nossos bisavós quando o Saci Pererê ou a Mula-Sem-Cabeça ainda assustavam, e muito? Ok. Então, vamos nessa. Os livros serão a nossa máquina do tempo. Nesta postagem escolhi seis obras cujos autores brasileiros conseguiram transformar figuras pitorescas e porque não, até inocentes, do nosso folclore, em personagens horripilantes com a capacidade de assustar até mesmo os leitores mais corajosos. Vamos lá!

01 – O Escravo de Capela (Marcos DeBrito)

Esqueça o amigável Saci Pererê de Monteiro Lobato. A origem da criatura é aqui resgatada por meio de lendas contadas por senhores de engenho e por descendentes africanos. 

O Saci idealizado por Marcos DeBrito é um escravo torturado e executado que volta para o acerto de contas com os algozes. É no sadismo destes que a obra mostra seu real terror. Portanto, esqueça o Saci peralta e ‘boa gente’ do Sítio do Pica-Pau Amarelo. O personagem de O Escravo de Capela é vingativo, sanguinário e violento.

Em seu livro, DeBrito utiliza como cenário, a cruel época do Brasil Colônia quando a escravidão reinou no País. Já aviso que a carga dramática do livro é enorme e com alguns trechos bem violentos, inclusive um certo momento que deverá chocar muitos leitores. Afinal, não poderia ser diferente, já que naquela época, a violência desmedida predominava nas grandes fazendas de engenho que mantinham centenas de escravos nas senzalas vivendo sob as piores condições, além dos pelourinhos onde vários desses escravos eram castigados de maneira cruel. Toda essa realidade é retratada no livro.

Ficha Técnica

Autor: Marcos DeBrito

Editora: Faro Editorial

Ano: 2017

Páginas: 288

02 – Assombrações do Recife Velho (Gilberto Freyre)

O sociólogo pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987) sempre nutriu grande interesse por lendas macabras e histórias de fantasmas. Prova disso é o livro Assombrações do Recife Velho publicado em 1955. A obra traz mais de 30 instigantes crônicas sobre as fantasmagorias da capital pernambucana — um velho teatro assombrado, tesouros revelados por almas penadas, espíritos pecadores em desespero pedindo missas e orações, lobisomens perseguindo mulheres, um morto-vivo abordando passantes nas ruas à noite, e por aí vai. Textos que recontam, de forma muito particular, as lendas e os “causos” pertencentes ao imaginário dos moradores da cidade, ou mesmo ocorrências inexplicáveis que chegaram a ser registradas pela imprensa nas primeiras décadas do século 20.

Lendas populares, tais como: Perna Cabeluda, Boca de Ouro e a Emparedada da Rua Nova, que fazem parte da história dos 480 anos de Recife fazem parte do livro de Freire.

A obra, com 27 histórias d’outro mundo, é considerada referência e fonte de pesquisa sobre os relatos assombrados da capital pernambucana. 

Ficha Técnica

Autor: Gilberto Freyre

Editora: Global

Ano: 2008

Páginas: 232

03 – Terra de Sonhos e Acaso (Filipe de Campos Ribeiro)

Em Terra de Sonhos e Acaso, o escritor paulista Filipe de Campos Ribeiro povoa uma cidade fictícia do interior de São Paulo com sinistras criaturas de nosso folclore. 

Campos Ribeiro narra a história de Ismael que após a morte dos pais, decide voltar ao interior de São Paulo para reaver sua herança. Inundada por uma tempestade e isolada do mundo a pequena e fictícia cidade de Rio das Almas está sob intervenção militar. Seus habitantes, acuados por estranhos crimes, professam uma inquietante religiosidade baseada num livro de autor desconhecido.

Assim, sem nenhum familiar, Ismael decide viajar até essa cidade onde pretende, além de vender a casa de seus pais, também encontrar-se com um velho amigo de infância. Ao retornar para a casa onde passou suas férias por tanto tempo, começa a constatar alguns acontecimentos estranhos em volta do imóvel, principalmente em uma casa abandonada localizada logo ao lado. Ismael testemunha aparições de uma jovem sinistra e que lhe mete um medo danado. Esta aparição faz com que ele procurar a ajuda da prefeita da cidade e também de um padre. Eles dão orientações para Ismael sair urgentemente da cidade.

Preste atenção nos elementos do folclore brasileiro que aparecem na trama.

Ficha Técnica

Autor: Filipe de Campos Ribeiro

Editora: Martin Claret

Ano: 2019

Páginas: 305

04 – A Sombra da Lua (Marcos DeBrito)

E você ainda tinha dúvidas se o famoso lobisomem, lenda difundida na região Norte do nosso País, faria parte dessa lista? O famoso ‘peludão’ não pode faltar. 

A besta fera do livro de Marcos DeBrito é visceral, sem lado bom, e segue apenas os seus instintos animais. Por isso, vários trechos do livro que envolvem o ataque do lobisomem chegam a ser chocantes e podem incomodar os leitores mais sensíveis, como por exemplo, o momento em que o personagem já na sua forma humana, no dia seguinte após a metemorfose, ao despertar, encontra pedaços de carne humana mal mastigados em sua boca. Arghhhhhhhh!!

A narrativa de A Sombra da Lua acontece em dois tempos distintos: final do século XIX mostrando detalhes da vida de Bastiano e Clemenzia, pais de Álvaro, imigrantes italianos que chegam ao Brasil em 1893 com a esperança de uma vida nobre justificada pelo trabalho, onde acabam se tornando pequenos agricultores. E o início do Século XX, mostrando o drama dos moradores de Vila Socorro – um pequeno vilarejo no interior de São Paulo - que em 1920 veem as suas vidas atormentadas por um ciclo de mortes que ocorre apenas nas noites de lua cheia quando corpos de pessoas e animais são encontrados trucidados nos arredores da floresta.

A origem da besta fera que ataca impiedosamente os moradores de Vila Socorro tem ligação direta com esses dois períodos de tempo (1893 e 1920).

Ficha Técnica

Autor: Marcos DeBrito

Editora: Rocco

Ano: 2013

Páginas: 288

05 – O Paciente do Dr. Van Linden (Jonas Filho)

Ainda me lembro que durante a minha infância, tinha uma vizinha que vivia “gritando” para os seus dois filhos menores: - Olha que o “Homem do Saco” vai passar daqui a pouco ‘catando’ os meninos que ficam brincando até tarde na rua”! – Pois é, era só falar isso que os garotos sumiam da rua; viravam pó (rs). 

Existem muitas histórias em torno do personagem que se dedica a levar embora, dentro de um saco, as crianças que se comportaram mal. Na região Sudeste, o personagem folclórico ficou conhecido com o “Homem do Saco” ou o Velho do Saco”.

Mas para quem foi criado em Pernambuco, Paraíba e algumas outras áreas do nordeste brasileiro, pode contar-nos com detalhes, uma história bem mais assustadora. Por lá, o “Homem do Saco” é conhecido por “Papa-Figo”. Trata-se de uma lenda popular contada no boca-a-boca, de um homem de aparência horrenda, orelhas grandes, portador do Mal de Hansen e Doença de Chagas. Este infortúnio o fazia caçar as crianças desobedientes e comer-lhes o fígado para obter a sua cura. Por isso, ele sai durante as noites pelas ruas raptando crianças e colocando-as dentro de um saco que trazia nas costas. A lenda não tem origem definida, mas é contada na região com bastante frequência até hoje.

Foi baseado nesta lenda que o pernambucano Jonas Filho, natural de Recife escreveu o seu primeiro livro chamado O Paciente do Dr. Van Linden.  A obra foi dividida em dois volumes.

O primeiro volume é mais focado no diálogo do Dr Abel Van Linden, um renomado hepatologista, com seu estranho paciente antes de realizar-lhe um transplante de fígado, numa época que tal cirurgia ainda nunca havia sido feita.

A criatura conta a sua história e todos os acontecimentos à sua volta que o transformou nesta figura perturbada, o “Papa-Figo”. Passado na Inglaterra em 1935, dá a impressão que não há ligação com a lenda brasileira, mas aos poucos o leitor percebe onde a história pretende chegar.

O segundo volume, acontece 27 anos depois na cidade do Recife, onde o médico já não exercia mais a sua profissão de hepatologista, mas vive ainda na sombra de seu pertubador passado e aterrorizado pela volta do seu pior inimigo.

Ficha Técnica

Volume I

Autor: Jonas Filho

Editora: Frevo

Ano: 2012

Páginas: 270

Volume II

Autor: Jonas Filho

Editora: Frevo

Ano: 2012

Páginas: 230

06 – Quando o Saci Encontra os Mestres do Terror (Vários autores)

Quando o Saci encontra os mestres do terror teve como proposta resgatar alguns mitos do folclore brasileiro, dando um toque a mais de terror ou suspense, ou ainda de trazer para essas lendas uma narrativa ao estilo dos mestres do terror. 

Alguns mitos se repetiram dentro da seleção de contos da editora Estronho, mas segundo a organizadora Ana Cristina Rodrigues, essas histórias ganharam narrativas e ideias diferentes entre si. Onde não esteve presente o terror, pode-se ver uma narrativa bem ao estilo Edgar Allan Poe ou talvez de um H. P. Lovecraft.

Foram selecionados os autores: Chico Pascoal (Mr. Bierce e o duende dos Pampas), Cristiano Rosa (A estrela das águas), Cindy Dalfovo (Iara, meu amor), Dana Guedes (Um causo dos que não se contam na floresta de concreto), Eriwelton Alves Soares (Olhos tristes no cinza do asfalto), Florestano Boaventura (Tempat Bagi Orang Yg Terlantar), Lemos Milani (Os pesares da noite), Lucas Lourenço (Pacto hereditário), Natália Couto Azevedo (Lírios, na beira da cachoeira), Nikelen Witter (Embornal dos olhos), Rogério Silvério de Farias (O horror em chamas), Verônica Freitas (O homem sem mãos), Felipe Santos (Devoradora), Flávio de Souza (Noite sem lua) e Walter Tierno (Cobrança da pisadeira), além da organizadora dos contos Tânia Souza (Nem todo verão pertence ao sol).

Ficha Técnica

Autora: Ana Cristina Rodrigues (Organizadora)

Editora: Estronho

Ano: 2012

Páginas: 240

Já imaginaram?! Quem disse que Saci Pererê e companhia limitada não tinham mais o poder de assustar as pessoas. Estes seis livros provaram o contrário: que eles ainda tem sim, o poder de provocar calafrios.

18 junho 2022

Sete livros antigos que foram relançados em edições de luxo

Creio que muitos de vocês que estão lendo este post já tiveram em mãos pelo menos uma ou duas dessas obras citadas. Como também creio que muitos de vocês já as releram há algum tempo, mas agora bateu aquela vontade de ter essas obras, novamente, por perto - ou para relê-las pela  terceira, quarta, quinta vez, que seja, ou então pelo prazer de tê-las num lugar de destaque em sua estante.

Não tenho como negar que as editoras capricharam e muito nas novas edições dessas velhas narrativas. E saiba, que dou à expressão “velhas” o mais belo dos sentidos porque são histórias que podem ser consideradas verdadeiras obras primas da literatura mundial.

Agora imagine essas narrativas antológicas com traduções atualizadas, novas capas e ilustrações. Uhauuuuu! Quem não queria ter em sua estante ou biblioteca uma joia preciosa dessas?! Na postagem de hoje selecionei sete clássicos da literatura mundial que foram lançados há muitos anos, mas agora, graças ao bom senso de alguns editores, nós leitores, ganhamos a oportunidade de tê-las novamente em mãos com uma nova roupagem e que roupagem! Vamos a elas.

01 – O Mágico de Oz (Lyman Frank Baum)

Clássico da literatura infantil, O Mágico de Oz encanta jovens e adultos há mais de um século. O livro é tão parte do nosso acervo cultural que até mesmo quem não leu ou viu o filme com Judy Garland conhece Dorothy, o Espantalho, o Homem de Lata, o Leão Covarde, o Mágico de Oz, as bruxas e, é claro, o cachorrinho Totó. 

Todos já sabem do cuidado da editora DarkSide com o layout de seus lançamentos e relançamentos. Os caras são muito meticulosos e esmerados. Resultado: livros para colecionador nenhum botar defeito. O Mágico de Oz de Lyman Frank Baum – publicado originalmente em 1900 – não foge dessa regra e em 2020 ganhou uma edição fodástica. A obra é inteiramente ilustrada deixando a narrativa ainda mais interessante, principalmente para o público infanto-juvenil. Quanto a capa, não é preciso escrever absolutamente nada; as ilustrações da postagens já “falam” por si.

Detalhes

Editora: DarkSide Books

Capa: Dura

Páginas: 240

Ano: 2020

02 – Drácula (Bram Stoker)

Cara, a DarkSide Books é fera. Taí mais uma edição hiper luxuosa lançada pela editora carioca. Esta edição de Drácula de Bram Stoker publicada em 2018 arrancou rasgados elogios dos leitores e também da crítica. 

A capa preta que simula um caixão, apesar de não ser em alto relevo, é de encher os olhos; somada à lombada reta com detalhes em dourado e fita marcadora em vermelho faz desse relançamento uma verdadeira edição de colecionador. Morcegos e manchas de sangue complementam o layout.

Marcia Heloisa, considerada uma das tradutoras mais respeitadas no Brasil,    assina a tradução e introdução de Drácula. Quanto aos bônus, são muitos! O leitor encontra textos de apoio que contam as relações entre a verdadeira Transilvânia e a aquela eternizada no livro, bem como a influência dos vampiros na cultura pop mundial. O livro apresenta também o conto O Hóspede de Drácula, que fazia parte do texto de Stoker, mas foi retirado da primeira publicação. Este conto é ornamentado com as belas e poderosas imagens de Samuel Casal, premiado quadrinista e ilustrador brasileiro, que fez uma releitura marcante dos personagens da história.

Outro destaque é a apresentação desta edição feita por Dacre Stoker, descendente direto de Bram Stoker.

Detalhes

Editora: DarkSide Books

Capa: Dura

Páginas: 580

Ano: 2018

03 – O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald)

O livro apresenta a história de Jay Gatsby, um anfitrião milionário acostumado a promover monumentais festas em sua mansão. Ele começa a suscitar muita desconfiança em seus convidados no que diz respeito à origem de sua fortuna, obtida após sua participação na Primeira Guerra Mundial. Gatsby é apaixonado há anos por Daisy, uma aristocrata casada com o astro esportivo Tom Buchanan, e prima de Nick Carraway, um corretor de títulos que vive em Long Island, em uma casa vizinha à do protagonista.

Ao ser enfim convidado para uma das festas da Gatsy, Nick se torna seu amigo e, por meio dessa relação, Gatsy busca se aproximar de Daisy na esperança de reatar o velho romance, agora que se tornou um homem rico e capaz de impressioná-la.

O triângulo amoroso entre Daisy, Gatsy e Tom começa a ganhar ares de tensão até que culmina em uma sucessão de tragédias, revelando a verdadeira face dos personagens e da sociedade aristocrata norte-americana da década de 1920, marcada pela busca pelo glamour e pelo materialismo desenfreado.

Escrito pelo célebre autor americano F. Scott Fitzgerald, O Grande Gatsby é tido como uma das melhores obras literárias do século XX e, certamente, merecia há muito tempo uma edição especial para colecionadores. A editora Excelsior saiu na frente e relançou a narrativa de Fitzgerald com um layout para deixar o mais exigente dos leitores de boca aberta.

Capa preta com detalhes em dourado e corte na lombada de cor cinza dão ao livro um charme especial.

Detalhes

Editora: Excelsior

Capa: Dura

Páginas: 224

Ano: 2021

04 – Vinte Anos Depois (Alexandre Dumas)

Antes da editora Zahar lançar essa edição luxuosa em capa dura de Vinte Anos Depois, sequencia direta de Os Três Mosqueteiros, os leitores interessados em adquirir a obra só a encontravam nos sebos e com traduções bem antigas.

Por isso, quando a Zahar anunciou que iria relançar o clássico de Alexandre Dumas, os fãs de carteirinha de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan não couberam de alegria. Foi uma festa só!

Esta edição traz tradução, apresentação e notas de Jorge Bastos, além de ilustrações originais. A versão impressa apresenta capa dura e acabamento de luxo.

Costurando história e ficção, Alexandre Dumas narra as novas façanhas dos mosqueteiros. A história se passa em 1648 e a França se divide entre duas forças políticas: a da situação, liderada pelo cardeal Mazarino, e a da oposição, a chamada Fronda, que reúne importantes elementos da nobreza e a maioria do povo em torno de interesses variados e muitas vezes conflitantes.

D'Artagnan, o único dos amigos que permaneceu na corporação dos mosqueteiros, é convocado por Mazarino a reavivar os feitos heroicos da juventude e partir em missões em nome de Sua Majestade. É o pretexto para o reencontro dos quatro companheiros, que marca o começo de grandes aventuras. De início em lados opostos – Porthos se alia a d'Artagnan, enquanto Athos e Aramis são ativos combatentes da Fronda – eles acabarão se unindo por uma causa maior, que pode mudar o destino da Europa.

Detalhes

Editora: Zahar

Capa: Dura

Páginas: 800

Ano: 2017

05 – Os Três Mosqueteiros (Alexandre Dumas)

Ao incluir nesta lista Vinte Anos Depois não teria como esquecer de um outro clássico da literatura mundial que foi relançado com uma nova roupagem, em edição de luxo, também pela Zahar: Os Três Mosqueteiros.

Desde que apareceu como folhetim, em 1844, a história de Os três Mosqueteiros já passou por mil e uma adaptações. Ao longo dos anos, as aventuras de Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan se tornou um romance de capa e espada conhecido por todos, mas mesmo assim, volta e meia lá estamos nós, leitores, devorando a história de Dumas.

Muitos consideram as edições de Os Três Mosqueteiros e Vinte Anos Depois da Zahar muuuuito salgadas. Concordo que os preços, até há poucos dias, estavam relativamente altos, na média de R$ 100,00 – agora, pelo o que eu vi, parece que tiveram uma pequena redução. Mas tanto o layout quanto a nova tradução valem o dinheiro gasto.

Aliás. essa nova tradução – integral, ilustrada e anotada – foi feita pelos vencedores do prêmio Jabuti André Telles e Rodrigo Lacerda que permitem que os leitores de hoje voltem a ter contato com o texto original de Alexandre Dumas.

O livro inclui mais de 100 ilustrações originais e 200 notas. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo. O que diferencia a publicação da Zahar das demais do mercado é justamente o cuidado com a edição. Não há o que dizer, a tradução é feita por dois admiradores de Dumas, que ganharam o Prêmio Jabuti pela tradução do Conde de Monte Cristo (também da Zahar); no miolo do livro encontramos diversas ilustrações de época e notas de rodapé que muitas vezes chegam até a metade da página.

Um livro caro, concordo, mas com um conteúdo e um visual estonteantes.

Detalhes

Editora: Zahar

Capa: Dura

Páginas: 688

Ano: 2010

06 – Viagem ao Centro da Terra (Júlio Verne)

E lá vem a Zahar, novamente, com as suas capas, as suas notas de rodapé, as suas ilustrações e as suas traduções inigualáveis. Cara, não tem como não deixar de elogiar todo esse esmero da editora com as suas edições. Taí Viagem ao Centro da Terra que não me deixa mentir. Capa dura, folhas amareladas e riquíssimas notas de rodapé compõem o layout e o conteúdo da obra.

Viagem ao Centro da Terra é reconhecido mundialmente como um dos maiores clássicos da ficção científica, escrito pelo mesmo autor de A Ilha Misteriosa e 20 Mil Léguas Submarinas. O livro conta a saga do renomado professor Otto Lidenbrock que em 1863 descobre uma mensagem cifrada descrevendo uma viagem ao centro da Terra. É o quanto basta para o impetuoso cientista se lançar na mesma aventura, levando consigo o sobrinho, Axel que é colega de profissão mas defensor de diferentes teorias científicas, e o impassível guia, Hans, que se mostrará indispensável para a empreitada e seu espantoso desfecho. Fauna e flora pré-históricas, mares subterrâneos, múmias de homens primitivos, rios de lava, os primórdios da vida no planeta; tudo desfila na narrativa.

Fruto da imaginação e do conhecimento de um dos pais da ficção científica, Viagem ao centro da Terra, é uma das obras mais originais e ousadas de seu tempo. Essa edição da Zahar traz apresentação e cronologia de obras e vida do autor, um dos escritores mais traduzidos em toda a história, cerca de 30 ilustrações originais, mais de 150 notas e texto integral. A versão impressa apresenta acabamento de luxo e capa dura.

Detalhes

Editora: Zahar

Capa: Dura

Páginas: 240

Ano: 2016

07- Kit A Incrível Jane Austen (Jane Austen)

A editora Excelsior caprichou neste relançamento. De cara, já ‘meteu’ no mercado não uma e nem duas, mas as três obras principais da escritora Jane Austen num kit de encher os olhos: Orgulho e Preconceito, Persuasão e Razão e Sensibilidade. Três livros lindos em capa dura e pintura trilateral da lombada, além de três marcadores personalizados e exclusivos. Os três livros somam 912 páginas.

Jane Austen (1775-1817) foi uma escritora britânica que se tornou reconhecida por seus romances marcadamente irônicos e incisivos retratando a sociedade da Inglaterra entre o final do século XVIII e início do século XIX.

As descrições psicológicas e paisagísticas feitas por Austen, bem como a criação de enredos instigantes e divertidos de ler, consagraram-na como uma das autoras mais bem-sucedidas de todos os tempos, cativando gerações de leitores até os dias de hoje.

Além do clássico Orgulho e Preconceito, sua fortuna literária ainda inclui títulos de renome mundial como Razão e Sensibilidade, Emma e Persuasão. Neste kit ultra-luxuoso, os leitores terão a oportunidade de conhecer essas três narrativas – excetuando Emma - consideradas verdadeiras obras primas criadas pela autora.

Detalhes

Editora: Excelsior

Capa: Dura

Páginas: 912

Ano: 2021

E aí galera?! Prontos para escolherem devorarem essas belezuras, agora, com uma nova roupagem?

Então, mãos à obra!

Instagram