29 maio 2011

Esfera

Imagine um grupo de cientistas isolado num laboratório submarino à mais de mil pés de profundidade com a missão de estudar uma nave misteriosa – supostamente alienígena – capaz de transformar os seus piores medos em realidade. Como bônus, imagine esse grupo de pesquisadores sendo atacados por uma lula gigante, parecida com aquela que Júlio Verne criou em seu romance “20 mil Léguas Submarinas. Ah! Depois do ataque da lula assassina, eles enfrentam ainda uma serpente marinha e algumas medusas que colam no corpo dos mais ousados que resolvem dar uma saidinha do laboratório para explorar o mar. E então? Ficaram com vontade de assistir esse filme? Aqui vai uma recomendação: fujam dele; é péssimo dos péssimos! Troquem, sem pensar, a produção cinematográfica dirigida por Barry Levinson pelo livro de Michael Crichton.
O filme baseado na obra do escritor não tem nada do thriller psicológico com um tempero de terror encontrado no livro, que de fato, vale a pena ser lido.
Esfera foi escrito por Crichton em 1987 e um ano depois seria adaptado para o cinema. O livro é dividido em quatro capítulos: “A Superfície”, “O Fundo”, “O Monstro” e “O Poder”. No primeiro deles, o leitor toma contato com o problema que deverá ser solucionado por um grupo de renomados cientistas: uma nave espacial de dimensões descomunais que se encontra intacta no fundo do mar no Pacífico Sul, há mais de 300 anos. O exército americano acredita que se trata de uma espaçonave alienígena que apresentou problemas e por isso caiu no mar.
Ainda neste primeiro capítulo, é apresentada ao leitor a equipe de cientistas que tentará solucionar o enigma. O time de peso é formado por Norman Johnson (psicólogo), Beth Halpern (Zoóloga e Bioquímica), Ted Fielding (Astrofísico) e Harry Admas (Matemático) e Arthur Levine (Biólogo Marinho). Cada um deles com personalidades distintas. Temos o arrogante, o inseguro, o apaziguador, o retraído, enfim uma verdadeira miscelânea de individualidades. Imagine agora, uma equipe dessas fechada por vários dias num laboratório submarino, com os seus integrantes sendo obrigados a conviverem juntos e mais do que isso, pressionados a solucionar um enigma. Michael Crichton explora de uma maneira profunda os conflitos vividos pelos cientistas, algo que não acontece no filme. Mas apesar da diferença de personalidades, a equipe consegue trabalhar bem entrosada, esquecendo – pelo menos temporariamente o egocentrismo – pensando apenas em desvendar os segredos da espaçonave e da esfera misteriosa que ela carrega em seu interior. Esta esfera, inclusive, tem o poder de transformar em realidade os piores medos que vivem escondidos no subconsciente de cada um dos integrante do grupo de pesquisadores.
Mas o “bicho realmente pega pra capar” no penúltimo capítulo: “O Monstro”, quando algum cientista com um pavor incontrolável de lula deixa os seus pensamentos serem dominado pela esfera que os transformam em realidade. E pronto! Ta feito o estrago. Um monstro gigantesco, parecido com o do livro “20 mil Léguas Submarinas” resolve dar as caras, atacando o laboratório e matando uma oficial que se estava acompanhando a equipe de cientistas. A sua morte é descrita em detalhes por Crichton, causando arrepios no leitor.
No filme de Barry Levinson, a Lula não aparece; a sua forma só é captada através do sonar do laboratório, perdendo um pouco do clima de terror e tensão. Já no livro, Crichton a descreve em detalhes, transferindo o medo sentido pela equipe que se encontra no fundo do mar para os leitores.
Já no último capítulo: “O Poder”, como o próprio nome já diz, os sobreviventes da equipe descobrem que ganharam um grande poder após manterem contato com a esfera da nave que esta no fundo do mar. Depois do resgate, após refletirem, enquanto se encontram na câmara de descompressão do barco da marinha americana, eles decidem usar esse poder de uma maneira inteligente. Acredito que Crichton quis com isso, passar uma lição de vida, do tipo: “grandes poderes trazem grandes responsabilidades”. Êpa! Acho que ouvi isso em algum filme do Homem Aranha.
Já vou adiantando que alguns membros da equipe de cientistas, morrem e que a espaçonave – que descansa há 300 anos no fundo do mar - não tem nada de alienígena, na realidade o seu segredo é bem diferente e com certeza deixará os leitores perplexos, pelo menos eu fiquei.
Portanto, você que acabou de ler esse post, esqueça o filme e dedique-se à leitura do livro, é muito melhor, apesar de não ser um dos melhores de Crichton.
Inté!
.

28 maio 2011

Eu, Tina – A História de Minha Vida

Escrever autobiografias é um negócio sério, mas infelizmente nos últimos anos acabou se tornando algo banalizado. Culpa daqueles pseudo artistas que se julgam talentosos e no direito de contratar algum escritor em fim de carreira para colocar no papel dados insignificantes de sua vida artística ainda mais insignificante. Enfim: o cúmulo do cúmulo!
Me perdoem o desabafo, mas a coisa da feia! Basta dizer que hoje temos biografias até de ex-BBB’s da Globo! O outro lado da banalização é que qualquer artista conhecido na mídia acredita que a sua experiência de vida vale a pena ser contada. E não é bem assim. Para que o livro prenda a atenção do leitor, a vida do fulano ou ciclano, mesmo que esteja fazendo sucesso na mídia, deve ter sido regada de polêmicas, superações, derrotas, vitórias, e outros ingredientes a mais. Não adianta querer colocar nas páginas somente fatos bons, o sujeito tem que ser forte o suficiente para revelar também as suas fraquezas e aquelas passagens doloridas que deixaram feridas profundas, mas que após muita luta foram superadas.
E será que Madonna, Lady Gaga, Restart e Fiuk (os dois últimos devem ter suas autobiografias lançadas brevemente), estavam ou estarão aptos para dar esse passo importante: “transformar a sua vida num livro?”. Desculpem-me os fãs desses artistas, mas acredito que não.
Por causa dessa banalização, encontrar uma autobiografia que realmente valha a pena ser lida está ficando cada vez mais difícil. É por isso que guardo com todo carinho e cuidado em minha humilde biblioteca  o livro “Eu, Tina – A História de Minha Vida”, o qual considero um verdadeiro Oasis no meio de tanta imbecilidade do gênero. E é esta obra, escrita por Tina Turner em parceria com Kurt Loder, que eu gostaria de dividir com vocês. Um dos melhores livros que li. E olha que eu não sou nem um pouco chegado nesse gênero de literatura. Raramente leio autobiografias ou biografias, mas a vida dessa “mulher-guerreira” vale a pena ser conhecida, até mesmo por aqueles que não são fãs das suas músicas. A história da vida de Anna Mae Bullock, ou simplesmente “Tina Turner”, se resume em uma única palavra chamada: superação.
A cantora simplesmente “escancara” a sua vida para os seus fãs. Ela não esconde absolutamente nada. Desde a sua paixão por Ike Turner até os espancamentos homéricos sofridos pelo tirânico marido. Vale lembrar que tempos depois, o músico também lançaria a sua autobiografia “Quero Meu Nome de Volta – As Confissões de Ike Turner”, onde à exemplo de Tina, também “abre as comportas” de sua vida, relatando desde a perda de sua virgindade aos seis anos de idade, até a sua prisão por agredir a esposa e envolver-se com o narcotráfico. Mas o livro de Ike, apesar de ser tão bom quanto o de Tina, acabou não emplacando, talvez pelo fato dele ter sido o algoz e não a vítima; sei lá.
Mas esse post é sobre o livro de Tina e não de Ike, por isso, vamos ao que interessa. A orelha de “Eu, Tina – A História de Minha Vida” já dá uma noção do conteúdo emocionante da obra aos leitores. Kurt Loder que co-escreveu o livro com Tina, afirma que a história da cantora é difícil de esquecer. E realmente ele tem toda a razão.
Numa linguagem simples e objetiva, o leitor fica sabendo como uma adolescente magrela, desengonçada e cheia de rebeldia, invadiu o palco onde Ike se apresentava e o convenceu a contratá-la para vocalista de sua banda de blues conhecida como “Os Reis do Ritmo”. Após contratá-la, Ike já deixaria evidente a sua personalidade dominadora, ao trocar o nome de Ana Mae Bullock para Tina Turner, sem ao menos consultá-la.
O livro conta ainda detalhes da infância sofrida de Tina que se sentia rejeitada pelos próprios pais Richard e Zelda. Kurt Loder revela que os pais da cantora viviam brigando e no espaço dessas brigas, eles encontravam espaço apenas para Aline, irmã mais velha da cantora. Para Anna Mae , no entanto, havia pouca intimidade, pouco amor e pouca atenção; apenas uma tolerância relutante. A explicação seria a infelicidade de Ana Mae ter sido a última e indesejável filha de um casamento que estava naufragando.
Ao ser abandonada pelos pais que se mudaram para uma outra cidade em busca de emprego, Tina passou a viver na casa de alguns parentes de Richard e Zelda e foi nesse período que conheceu Margareth, sua melhor amiga. A amizade sincera duraria pouco, já que Margareth... bem chega, chega... É que me empolguei tanto com o livro que no momento em que percebo já estou fazendo spoiler no post.
As agressões sofridas e narradas por Tina chegam a causar náuseas. Segundo a versão da cantora, o seu ex-marido havia se acostumado a se abusar dela e humilhá-la durante 16 anos, o que a teria levado a uma tentativa de suicídio em 1968. Ike teria quebrado suas costelas, jogado café quente em sua cara, a queimado com um cigarro e socado o seu nariz com tanta frequência que a obrigou a fazer uma cirurgia. Quando passava os acessos de fúria de Ike, quase sempre causados pelo consumo de drogas, ele procurava a mulher se dizendo arrependido, mas logo depois, as sessões de espancamentos e de torturas físicas e psicológicas se repetiam.
Quando a barra apertou, Tina decidiu deixar de ser submissa e simplesmente abandonou Ike com apenas 36 cents no bolso. Como ela foi embora no meio de uma excursão, teve de assumir milhares de dólares em dívidas. Ela conta em detalhes o que teve de fazer para conseguir pagar essa dívida astronômica, além da luta nos tribunais para que pudesse manter o sobrenome Turner, já que Ike queria que a ex-esposa abdicasse dele.
Mas nem tudo é tragédia, sofrimento e espancamento no livro. Há também os momentos áureos vividos pela dupla Ike e Tina que iniciaram sua carreira de sucesso com "A fool in Love”, além de terem aberto uma turnê dos Rolling Stones.
E como não poderia deixar de ser, a obra aborda também o período de sucesso de Tina na fase pós-separação de Ike, ou seja, como ela conseguiu consolidar a sua carreira de cantora, tornando-se uma das musas mais famosas do pop-rock, graças ao sucesso  What's love got to do with it"  que venceu os Grammy de Musica e Gravação de 1985.
Aqueles que se interessarem, poderão encontrar “Eu, Tina – A História de Minha Vida” apenas nos sebos, já que a obra lançada em 1987 encontra-se esgotada. Ah! Antes que me esqueça, o livro se tornou um filme famoso em 1993 tendo nos papéis principais Ângela Bassett (Tina Turner) e Laurence Fishburne (Ike Turner).
       

22 maio 2011

Tubarão

Passei alguns dias complicados por problemas de doença em família. O meu velho querido está um pouco “baqueado”. Por isso tive de abandonar o blog por alguns dias e talvez tenha de abandoná-lo por outros mais, pelo menos até esta fase passar e se Deus quiser ela irá embora. Mas apesar disso, não deixarei de postar; é claro que menos, mas com toda certeza, continuarei dividindo minhas leituras com vocês.
E nesta fase em que estou fazendo uma partilha do meu tempo com o trabalho – que é muito! – e também com a saúde do velho amado, aproveitei para fazer a releitura de alguns livros que marcaram a minha adolescência. A leitura acontece sempre pelas madrugadas afora e em uma delas me deparei com um bicho que me assustou muito há décadas atrás: o velho tubarão branco de Peter Benchley.
Se você que acompanha esse blog ainda está em dúvida se lê ou não esta obra; leia, mas leia sem receio. Não dê ouvidos para aqueles que dizem que o livro é ultrapassado, que o tubarão já não assusta mais ninguém e que os personagens são simplórios. Quem disse ou escreve essas “autênticas besteiras” ou sandices com certeza não entendeu absolutamente nada da obra. O tubarão assusta, sim e os personagens são muito profundos. Ah! Já ia me esquecendo, as páginas de Benchley nunca ficarão ultrapassadas. Caso contrário, não encontraríamos tantas resenhas opinativas do livro na internet, todas elas atualizadas. Sinal de que a geração atual continua lendo a história do velho tubarão branco que um dia levou pânico para um pequeno resort costeiro em Long Island.
Quando de seu lançamento, em 1974, o livro “Tubarão” se tornou um verdadeiro Best seller ficando no primeiro lugar das listas dos mais lidos em todo o mundo. A obra transformou Benchley em multimilionário da noite para o dia. Fez tanto sucesso que o seu autor foi convidado para adaptar as páginas de sua obra para o cinema. E mais! Num filme que seria dirigido pelo gênio Steven Spielberg, que naquela época já era considerado um “menino-prodígio” da indústria cinematográfica de Hollywood.
O roteiro adaptado para as telas por Benchley repetiu o sucesso do livro e se transformou num verdadeiro “arrassa-quarteirões”, com milhares de pessoas correndo aos cinemas para ver o duelo de vida ou morte entre o “assassino branco dos mares” e os três homens que – apesar de suas diferenças – decidiram se unir para matar o bicho.
O livro, ao contrário do filme, explora ao máximo essa relação conflituosa entre os personagens, principalmente entre o oceanógrafo Hooper e o veterano pescador Quint. Já o xerife Martin Broody funciona como o ponto de equilíbrio entre os dois, sempre tentando encontrar meios de apaziguar os confrontos e divergências, as vezes, ferozes entre a dupla de colegas. Já no filme, essa relação conturbada não é explorada em detalhes, com o diretor Spielberg e o roteirista Benchley optando por dar um espaço maior para o suspense e a ação envolvendo a caça ao “monstro dos mares”.
Outro acontecimento importante que o livro explora à exaustão e nem se quer é insinuado no filme é a traição da mulher do xerife Martin Broody que resolve “pular a cerca” com o oceanógrafo Hooper. No livro, a obcecação do xerife em matar o tubarão assassino que vem espalhando o terror na cidade costeira pela qual é responsável, acaba afastando-o de sua mulher e dos filhos. Com isso, Ellen – a esposa do xerife – não é forte o suficiente para suportar a solidão e acaba cedendo as investidas sedutoras de Hooper, que se mostra um mau caráter, não pensando em seu amigo Broody e nem nos filhos do casal. Para ele, o que vale é conseguir levar a mulher do xerife para a cama.
O final do livro também é totalmente divergente do filme. Benchley alterou drasticamente o seu roteiro no que se refere as cenas finais, mudando o destino de um dos personagens. Enquanto no filme, apenas um dos três caçadores de tubarão morre, no livro, dois personagens dão adeus à vida, sendo que apenas um consegue escapar, e... com muito esforço.
Quanto ao livro em si, sem dúvida alguma, é muito mais sedutor do que o filme. A personalidade dos personagens é explorada em detalhes, fazendo com que o leitor passe a se identificar com as suas qualidades e defeitos.
O clima de tensão quando Hooper, Broody e Quint saem à caça do grande tubarão branco é muito mais angustiante do que no filme. O leitor nunca sabe quando o “bicho” vai atacar a precária embarcação que os três ocupam.
O embate entre Hooper com o seu conhecimento high tech e Quint com a sua experiência prática em tubarões, sem nunca ter lido nada à respeito, é outro trunfo à favor do livro. A discussão entre os dois, às vezes chega a ser engraçada e em outras vezes exacerbada.
Enfim, um livro que vale a pena ser lido e relido, mesmo que você já tenha assistido o filme “N” vezes.

17 maio 2011

Livros sobre Elvis Presley: os bons e os ruins

Ninguém teve a vida tão explorada através biografias, autorizadas ou não, como Elvis Presley. A sua existência sofreu uma verdadeira devassa por parte de escritores ávidos em faturar nas custas do rei do rock. E não adianta querer defender alguns desses biógrafos, porque até mesmo o melhor dos intencionados, com certeza, escreveu pensando em ganhar um dinheirinho extra ou será que você acredita que Albert Goldman, Dave Hebler, Sonny West, Peter Guralnick e até mesmo Priscilla Presley perderam meses e meses “fuçando” a vida do ilustre defunto apenas por filantropismo?
Para não ser tão descrente, deixe-me fazer aqui uma exceção. Acredito, aliás, “quero” acreditar, que algumas pessoas ligadas aos fã-clubes de Elvis e que decidiram publicar alguma obra sobre a vida do astro, fizeram isso com a melhor das intenções, do tipo, pensando em homenageá-lo.
Nas últimas quatro décadas foram publicadas uma constelação de livros sobre a vida de Elvis, mas a maioria não passa de obras sensacionalistas ou então de quinta categoria, escritos unicamente com o objetivo de ganhar dinheiro fácil. Foram livros concluídos de afogadilho ou então por ex-empregados ou seguranças sedentos de vingança. Obras descartadas por leitores racionais e fás inteligentes.
Mas é importante frisar que mesmo entre aqueles que escreveram algo sobre “The King” pensando em faturar vários maços de dólares, podemos encontrar alguma coisa boa ou pelo menos mediana. Neste caso, o autor do livro deve ter pensado: “Tudo bem vou ganhar o meu dinheirinho em cima da fama do Elvis, mas também vou fazer um trabalho sério”. Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon autoras do Best-seller “Elvis e Eu” podem ser enquadradas nessa categoria. O livro de Priscilla merece respeito porque faz uma abordagem séria sobre a vida “rei”, não explorando apenas os seus defeitos, mas também as suas virtudes.
Tudo bem que os fatos abordados no livro foram analisados apenas pela ótica de Priscilla, mas mesmo assim, considero “Elvis e Eu” uma obra honesta. Vou explicar porque. Apesar do relacionamento de Elvis e Priscilla ter sido recheado de brigas, desentendimentos e confusões; os dois nunca negaram, mesmo após a separação, que se amavam muito. Priscilla nunca refutou que Elvis foi o grande e único amor de sua vida, enquanto “The King”, por sua vez, chegou a declarar todo o seu amor à ela através da música “Always on My Mind”, onde assume a culpa pela separação.
É importante frisar que mesmo após o divórcio, Elvis e Priscilla continuaram sendo bons amigos, bons não... ótimos amigos. Tanto é que Elvis sempre a procurava para se aconselhar sobre determinados assuntos. E me desculpem a ousadia, mas vou mais além... Mesmo separados, Elvis e Priscilla ainda se amavam muito. Esse sentimento ficou evidente logo no início do livro de Priscilla quando ela ficou sabendo da morte do ex-marido pelo telefone. Quem a comunicou sobre o fato foi Joe Espósito, agente e braço direito de Elvis. Quando soube da tragédia, ela teve uma crise de choro e dias depois quase entrou em depressão.
Tudo isso prova que Priscilla não tinha ódio de Elvis, seus gestos deixam evidente o amor que ela ainda sentia por ele, mesmo tendo vivido uma relação conturbada. Por isso, o seu livro não foi motivado pelo ódio, o que dá uma certa credibilidade à obra.
“Elvis e Eu” foi lançado em 1985 pela Editora Rocco e o considero a obra mais completa sobre a vida do rei do rock porque foi escrita por uma das duas únicas pessoas que viveram a intimidade de Elvis: a sua esposa, Priscilla. A outra, foi a mãe do cantor, Gladys, que por sua vez, não escreveu nada sobre o filho. E quer fonte melhor de informações do que um livro escrito por uma mulher que viveu 13 anos ao lado de Elvis, sendo 8 como namorada e 5 como esposa?
Li o livro há dois anos e estou pensando em relê-lo, pelo menos algumas partes. A obra dá uma noção exata do relacionamento do casal, antes e depois do casamento. Desde o período em o cantor conheceu Priscilla quando estava fazendo o serviço militar na Alemanha, nos anos 50, até a fase de casados quando passaram a viver em Graceland. Vale lembrar que “Cilla” – como era chamada pelo “rei” – chegou a viver um bom período em Graceland como namorada de Elvis, só vindo a se casar anos depois.
No livro, Priscilla diz que Elvis a traia compulsivamente com outras mulheres, mas mesmo assim, nunca pensou em abandoná-lo, pois era imatura e além disso, tinha sido educada desde criança, para fazer o tipo de esposa fiel. Ela confirma ainda o caso amoroso que teve com o instrutor de karatê do cantor. A autora justifica a sua atitude explicando que se sentia muito sozinha por causa das viagens de Elvis, que não parava em casa, além do “esfriamento” de seu casamento.
Outra revelação curiosa foi o fato de Elvis só querer consumar uma relação sexual com Priscilla após o casamento, deixando clara a rígida educação religiosa que teve por parte de sua mãe Gladys.
A “Máfia de Menphis”, grupo de amigos de Elvis que viviam em sua mansão em Graceland também é abordado no livro; o nascimento de Lisa Marie Presley; os motivos que levaram “The King” a se entregar às drogas; como ele conseguia adquirir clandestinamente as combinações de barbitúricos; enfim, fatos íntimos que só mesmo alguém que desfrutou a intimidade do grande ídolo teria condições de revelar. Mas Priscilla, também reconhece a importância de Elvis em sua vida e como ele a ajudou a se tornar uma mulher mais madura e em condições de encarar a vida.
O livro de Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon fez tanto sucesso que foi transformado em filme para a televisão, passando inclusive no Brasil na forma de mini-serie.
Após ler o livro, me deliciei com as suas fotos. Pude ver várias passagens da vida do casal e momentos íntimos também, como o nascimento de Lisa-Marie; Elvis deixando o tribunal, em 1973, após o divórcio, já gordo e inchado por causa do seu vício em drogas medicamentosas; momentos marcantes do seu casamento, como Elvis e Cilla juntos cortando o bolo; Coronel Parker brincando com Lisa; e por aí afora.
Mas se considero “Elvis e Eu” uma referência na vida do cantor, o mesmo não posso afirmar de “Elvis, O Que Aconteceu?” (Elvis, What Happened), escrito Sonny West, Red West e Dave Hebler. Em minha opinião trata-se de uma obra tendenciosa, publicada com o intuito de denegrir a imagem de Elvis. Cara! O livro parece uma metralhadora! Só dispara balaços contra o rei. Os autores contam coisas do “arco da velha”, pintando Elvis como o pior sujeito que já existiu na fase da terra.
Agora me pergunte o que faziam Sonny, Red e Dave antes de escrever o livro? Ok, vou responder. Eles eram guarda costas de Elvis e acabaram sendo despedidos por Vernon Presley, pai do cantor. Segundo o que pesquisei de fontes confiáveis da Net, os três eram considerados violentos e truculentos e já vinham dando problemas há algum tempo. Dessa forma, Vernon ao perceber que as atitudes do trio vinham prejudicando a imagem de “bom moço” de Elvis decidiu dispensá-los. Ao serem comunicados que não pertenciam mais à “Máfia de Menphis”, eles teriam dito que se vingariam lançando um livro contando os podres de Elvis.
Olha, vou ser sincero. Não acredito em nenhuma das besteiras que foram publicadas no livro. Não cheguei a lê-lo, mesmo porque, não o encontrei traduzido para o português, mas tive a oportunidade de acompanhar um grande número de trechos pela Net. E pelo que vi deu pra perceber que a motivação de Sonny, Red e Dave para escrever a obra foi o ódio. Por isso, o livro perde todo o seu valor biográfico.
Outro livro de credibilidade duvidosa é “Elvis por Albert Goldman”. O autor é conhecido por ser sensacionalista aos extremos, inclusive foi ele quem afirmou que John Lennon era homossexual. Confesso que não perdi tempo lendo. Fiz o download pela internet e me arrependi, só consegui ver poucas linhas e depois desisti. O sensacionalismo impera e com força total!
Confiram agora a relação de alguns livros que considero confiáveis sobre o rei do rock, onde os seus autores procuraram – através de anos de pesquisa – levar apenas a verdade para os seus leitores, sem sensacionalismos. Vamos á ela:
“Elvis: Mito ou Realidade”
Escrever o que de um livro onde o autor demorou 30 anos pesquisando sobre a vida do rei? É mole ou quer mais? “Elvis: Mito e Realidade” foi escrito pelo brasileiro Maurício Camargo Brito e é considerado no Brasil e no exterior uma fonte respeitável de informações sobre Elvis Presley. Maurício não só acompanhou de perto um show de Elvis na Califórnia, como também teve a oportunidade de tocar com os seus músicos, o que lhe dá as devidas credenciais para abordar temas ligados ao “The King”.  Emprestei esse livro de um colega que havia acabado de compra-lo. Li, gostei e aprovo. Linguagem direta e objetiva sem enrolação, além de conter informações preciosas sobre a vida artística e particular de Elvis.
“Elvis, A Celebration”
Um verdadeiro acervo de fotos sobre a vida de Elvis. São aproximadamente 600 páginas de ilustrações sobre as várias fases da carreira do rei do rock. Em termos visuais, uma obra imperdível e para ser guardada para a posteridade.
Elvis em turnê
Livraço! Pena que seja muito difícil encontrá-lo em livrarias já que se trata de uma edição especial escrita por Waldeir Augusto Cecon e lançada com exclusividade pelo fã clube “Elvis Presley World” de Matogrosso. A obra traz detalhes da turnês realizadas pelo rei do rock. E quando me refiro a detalhes, são detalhes dos detalhes. O leitor terá acesso a minúcias do tipo dia e horário de cada um de seus  shows, roupas que Elvis usou nas apresentações, detalhes de hospedagens, repertório, equipe técnica, músicos, enfim, particularidades das turnês do rei que irão encher os olhos dos fãs. O livro foi lançado em 2006, mas como já disse trata-se de uma jóia rara, muito difícil de encontrar.
Bem, espero ter ajudado os fãs do mito Elvis Presley que quiserem conhecer pormenores de sua carreira. Livros sobre “The King” existem muitos, mas de qualidade... bem poucos.
Inté!

06 maio 2011

Viagem Fantástica

Viagem Fantástica! Que filme! Lembro-me como se fosse hoje. Há exatos 40 anos atrás, estava eu com os meus 10 anos, sentado impaciente na sala da casa dos meus pais, esperando o meu irmão mais velho para me levar ao cinema. O filme em cartaz era sobre uns homens que após serem reduzidos de tamanho entravam no interior do corpo humano para fazer uma “visitinha” em alguns órgãos. E é claro, correndo muito perigo. Pelo menos, era assim, que o meu “eu criança” via a super-produção cinematográfica de 1966, dirigida pelo grande Ricahrd Fleischer.
Dois anos depois, lá estava eu sentado, novamente, no mesmo sofá, na mesma sala de casa, para assistir a animação do filme que passava num programa infantil, o qual não me lembro o nome.
Pois é, deu prá entender porque, “Viagem Fantástica” é considerado o filme que marcou a minha vida. Mas apesar disso, só foi adquirir o livro de Isaac Asimov décadas depois, ou seja, recentemente. Demorei tanto tempo porque, talvez, o filme (que tornei a assistir outras vezes) e a animação tenham me satisfeito.
Mas, há dois anos, ao ver num sebo o referido livro, toda aquela expectativa de quatro décadas passadas acabou voltando e com isso, não pestenajei: comprei o livro “Viagem Fantástica”.
À princípio, pensei que a obra de Isaac Asimov havia servido de referencia para a criação do filme de 1966. Mero engano! Foi ao contrário! O roteiro de Richard Fleischer é que serviu como base para que Asimov fizesse a novelização do filme. E mesmo sabendo que livro baseado em filme é uma grande fria, resolvi arriscar a leitura. E posso garantir que gostei. Não sei se pelo fato de fazer muito tempo que já havia assistido o filme e, por isso mesmo, não ser capaz de me lembrar de passagens importantes, a obra de Asimov me fez viajar novamente.
Só por curiosidade, depois de ler o livro decidi assistir ao filme para fazer uma comparação. Encontrar uma locadora que tivesse a produção foi uma missão impossível, por isso, quando a TV Bandeirantes anunciou que exibiria a película num domingo à tarde, deixei tudo e fui curtir. Conclusão: filme e livro são iguais; sem tirar e nem pôr. Com certeza, se tivesse lido as páginas de Asimov logo depois de ter assistido ao filme de Fletcher, a decepção seria grande porque “um é carbono do outro”, mas como demorei tanto tempo para adquirir o livro, apreciei demais a leitura.
Dessa maneira, recomendo o livro “Viagem Fantástica”, de Isaac Asimov, para aquelas pessoas que não assistiram ao filme ou então que o assistiram há muito tempo e por isso, não se recordam direito da história. Se você se encaixa em uma dessas duas exceções, irá devorar com avidez todas as páginas.
Apesar de ser baseado num roteiro de filme, o livro é muito bem escrito, ao contrário de outras obras do gênero, mas também, pudera! O seu autor foi ninguém menos do que um dos gênios da ficção científica.  

Cena do filme "Viagem Fantástica" de 1966
A idéia de uma novelização de Viagem  Fantástica partiu dos produtores do filme com o apoio dos magnatas da 20th Century Fox. Percebendo que a produção cinematográfica “arrebentaria a boca do balão” nas bilheterias, eles pensaram: “Porque não ganhar uns trocos a mais com um livro baseado no roteiro do filme?”. Dessa forma o faturamento praticamente dobraria. Mas para isso, tanto filme quanto livro teriam de ser impecáveis. O filme já tinha um gênio à frente da direção: Richard Fleischer, que em 1954 havia provado o seu talento ao dirigir “20 Mil Léguas Submarinas”, com Kirk Douglas, baseado na obra de Julio Verne. Só faltava um outro gênio para ficar responsável pela novelização do roteiro. Foi então que todos – eu disse todos, desde donos do estúdio até diretor e passando por produtores – concordaram que o nome certo para essa tarefa seria Isaac Asimov e... ninguém mais.
Quanto todos pensariam que Asimov recusaria o convite – imagine o gênio da ficção científica daquela época escrevendo um livro baseado numa história de outra pessoa?! – ele acabou aceitando!! Pois é, milagres acontecem.
Mas depois de alguns dias trabalhando no projeto, Asimov se arrependeu; mas já era tarde, mesmo assim, ele tornou pública a sua insatisfação, pois apesar de sua fama no universo da literatura, os produtores do filme não lhe deram a liberdade desejada para fazer algumas alterações de seu gosto na novelização. Reza a lenda que foi então que Asimov simplesmente optou por transcrever o roteiro – sem nenhuma alteração, da maneira mais fiel possível – para as páginas do livro, eliminando apenas as incoerências científicas mais descabidas.
A insatisfação de Asimov foi tanta que em 1987 ele resolveu escrever um outro livro sobre o tema, mas com a liberdade – que lhe foi tolhida em 1966 – de colocar no papel o que a sua imaginação permitisse. Nascia assim: “Viagem Fantástica II – Rumo ao Cérebro”. Mas como o tema desse post é o primeiro “Viagem Fantástica” e não o segundo, vamos ao resumo do livro novelizado por Isaac Asimov.
Dr. Benes, um dos mais conceituados cientistas do mundo guarda um importante segredo científico que poderá revolucionar o mundo da ciência. Ele descobriu como miniaturizar pessoas, ou seja, diminuí-las ao tamanho de bactérias para depois fazê-las voltar a sua estatura normal. Ocorre que Dr. Banes sabe coisas que podem transformar esse projeto em algo imaginável, dando vantagem total para quem possuir tal segredo. Após a descoberta, o cientista decide abandonar o seu grupo e debandar para um outro grupo rival. É preparada uma armadilha e ele acaba sofrendo um acidente ganhando como “brinde” uma espécie de traumatismo craniano com direito a um coágulo que é curável apenas por dentro. Para salvar o cientista, uma equipe de pesquisadores, à bordo de um submarino, é reduzida ao tamanho de microorganismo e injetada na corrente sanguinea de Banes. O objetivo é chegar até o coágulo em seu cérebro e extirpá-lo. Pronto! Tem início a aventura! O grupo passa por várias partes do corpo de Banes, entre elas: coração, capilares, Pulmão, Pleura, Linfócitos, Ouvidos e Cérebro. Ao passar em cada um desses órgãos, o perigo é constante, fazendo com que o leitor viaje junto com a equipe de aventureiros.
Como eu já disse, para quem não se lembra do filme, uma leitura obrigatória.
Em tempo! Vem aí um remake de “Viagem Fantástca. A direção será de Shawn Levy, o mesmo de “Uma Noite no Museu, tendo no papel principal o “Wolverine” Hugh Jackman.

03 maio 2011

As Mil e Uma Noites

Um dos motivos que me levou, há alguns anos, a adquirir o livro “As Mil e Uma Noites” foi a minha fissura por contos árabes. Desde criança, passando pela adolescência e agora na fase adulta, me encanto com essas histórias tão simples, mas ao mesmo tempo tão mágicas. Me lembro que ainda criança não perdia um filme sobre “Simbad – O Marujo”, “Ali Baba e os 40 Ladrões” ou então qualquer outro que tivesse tapetes voadores, califas, torres mágicas, marinheiros que navegassem por mares bravios e por ao afora. Como já disse, essa fissura não terminou quando ingressei na fase adulta, pelo contrário, continuei admirando esse tipo de literatura. Foi assim que durante uma das minhas madrugadas na Net dei de cara com uma edição luxuosa das “Mil e Uma Noites”, publicada pela Ediouro, com direito a dois livros e uma apresentação do grande Malba Tahan. Não pensei e tão pouco refleti... simplesmente, comprei e, correndo!
Hoje esses dois livros que formam um só, estão numa posição de destaque em minha humilde biblioteca. Esta edição é uma versão muito bem elaborada pelo orientalista Antoine Galland que ficou famoso por fazer a tradução para o francês dos famosos contos árabes e orientais em 1704.
Os dois livros possuem aproximadamente 1.080 páginas da mais pura magia. As histórias são narradas em cadeia por Sharazade, esposa do sultão Shariar que ficou louco ao ser traído pela sua primeira mulher que sempre dormia com um escravo toda vez que o sultão viajava. Um dia, Shariar descobriu a traição e matou a sua esposa e o escravo, passando a se convencer que nenhuma mulher era digna de confiança e por isso, mereciam ser punidas. A partir daí ele desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-la logo pela manhã. Vendo o medo e o sofrimento das mulheres do reino, Sharazade, a filha do vizir (uma espécie de conselheiro do sultão) se oferece para se casar com Shariar, mesmo contra a vontade de seu pai que passa a temer pela vida da filha. Sharazade, então, combina com a sua irmã que ela lhe peça, na presença do sultão, que lhe conte uma história. E assim é feito. A história contada por Sharazade e interrompida ao amanhecer, prende a atenção do marido que implora para que a sua esposa revele o final antes de ser enviada para a morte; mas a moça, muito esperta, avisa que só continuará quando a noite chegar. E assim, ela vai adiando a sua morte contando, a cada noite, uma história diferente, mas sempre é interrompendo-a pela manhã.
O livro, ou melhor, os livros (na edição da Ediouro são dois) seguem essa premissa com a personagem interrompendo o conto quando ele está perto de atingir o “clímax”, deixando o leitor impaciente e ao mesmo tempo curioso para saber o que aconteceu com o herói ou vilão do conto.
Quando li “As Mil e Uma Noites” me senti o próprio sultão Shariar, querendo desesperadamente saber o final de cada conto. Resultado: leitura viciante e noites e mais noites em claro com o livro nas mãos.
São páginas da mais pura magia, contos que prendem o leitor como uma teia de aranha da qual não consegue escapar. Algumas histórias fizeram tanto sucesso que acabaram se transformando em livros próprios, além de ganhar inúmeras versões para o cinema. Posso citar nesse contexto os contos de “Simbad, O Marujo”, “Ali Baba e os Quarenta Ladrões” e “Aladim e a Lâmpada Maravilhosa”, mas é importante lembrar que os outros contos menos famosos também são especiais e tem o mesmo poder viciante que prende o leitor em suas páginas.
Na edição de luxo da Ediouro, cada conto narrado por Sharazade corresponde a uma noite. Portanto os livros não são divididos por capítulos, mas por noites, ou seja, Primeira Noite, Segunda Noite, Terceira Noite... Septuagésima Noite, Septuagésima Primeira Noite, etc e etc... É evidente que os dois livros não trazem em suas páginas todas as mil e uma noites, mas as duzentas e poucas noites presentes já bastam para cumprir de maneira brilhante o seu papel.

02 maio 2011

De a-ha a U2 – Os bastidores das entrevistas do mundo da música

Não gosto de ler dois livros ao mesmo tempo. Considero a leitura um ritual que deve ser seguido “a risca” para dar o prazer que se espera dela. Um ritual que vai desde a leitura das criticas da obra - tanto da critica especializada como dos leitores -, a escolha do livro, o apuramento das informações do autor, o que o levou a escrever aquela história, as suas últimas publicações e finalmente o tempo necessário para curtir a introdução, prefácio, notas do editor e por aí afora. E só depois disso, dou início a leitura. E quando começo, mergulho de corpo e alma no contexto da obra. Portanto, prefiro me doar a um único livro, mas... como há exceções para tudo na vida e no meu caso não é diferente; há algumas semanas acabei quebrando a velha rotina... o velho ritual. Culpa do livro do jornalista e apresentador de TV, Zeca Camargo que reúne histórias interessantíssimas dos bastidores de várias entrevistas com astros do pop-rock do mundo todo.
Pois é, foi “De a-ha a U2” que me obrigou a ler dois livros ao mesmo tempo. À Tarde, depois do almoço, antes de encarar o segundo tempo do “trampo” ia de “Médico de Homens e de Almas”, da Taylor Caldwell e a noite, antes de visitar “Orfeu” me distraía com as peripécias aprontadas pelo Zeca para conseguir entrevistar este ou aquele figurão da música brasileira ou internacional.
Quando comprei “De a-ha a U2”, já estava lendo a obra de Taylor Caldwell, mas juro que não aguentei esperar para conhecer os bastidores de entrevistas que já tinha assistido na TV ou então lido nos jornais. Fiquei imaginando o que havia rolado antes dessas entrevistas serem levadas ao ar ou então colocadas nas páginas de um jornal. Coisas do tipo: O entrevistado foi um “mala” ou educado?, “Quais exigências ele fez?”, “O Zeca pagou algum mico?”, além de outras “cositas”. E conto para vocês que valeu à pena. O autor não escondeu nada e a sua sinceridade foi o segredo do sucesso da obra. Ele não poupa críticas para alguns figurões do mundo pop que apesar de não cantarem nada ou então estarem numa fase decadente, ainda se julgavam os reis da cocada preta fazendo exigências absurdas para conceder uma entrevista curta. Mas nem tudo é crítica. Zeca Camargo também elogia os astros talentosos, mesmo aqueles que foram arrogantes e antipáticos durante a entrevista. Mas fazer o que? Eles são gênios da música, e no mundo do pop-rock isso é normal e os jornalistas tem que aprender a conviver nesta selva, pois no final o que vale mesmo, é conseguir a entrevista com o tal fulano.
“De a-ha a U2” pode ser lido sem a necessidade de seguir uma ordem cronológica, ou seja, você pode escolher as histórias das entrevistas com os cantores ou grupos de sua preferência, mas confesso, que todas elas são importantes e com informações bem pitorescas. Por isso, vale a pena ler todas elas.
O livro traz os bastidores de 53 entrevistas com astros e estrelas do pop-rock realizadas pelo jornalista que atualmente apresenta o Fantástico da TV Globo. Como já disse, todas interessantes, desde o papo com os integrantes do a-ha, que abre o livro até a entrevista com o U2 que fecha a obra de 472 páginas publicada pela Editora Globo.
Zeca conta como reagiu quando Cazuza lhe revelou que estava com AIDS na entrevista realizada em Nova York em 1989, no período em que era correspondente internacional da Folha de S.Paulo. Ele revela que antes de começar a conversa, o polêmico cantor lhe ofereceu um “gole’ de vinho de sua própria taça como que perguntando se ele, Zeca, seria capaz de beber algo do próprio copo de um aidético.
O fãs de Avril Lavigne, Britney Spears e Bon Jovi certamente vão torcer o nariz para as palavras ferinas do autor que rotulou as duas primeiras de cantoras fabricadas pela indústria. Quanto a Jon Bon Jovi, sobrou a definição de um sujeito metido e mau humorado, pelo menos, naquele dia. Com relação à Britney, ele conta uma cena que presenciou e o deixou de queixo caído. Antes de chegar a sua vez de realizar a entrevista, Britney simplesmente saiu correndo do quarto e... bem, melhor ficar quieto para não estragar a surpresa daqueles que pretendem ler o livro.
Gostei também da sinceridade do autor de “De a-ha a U2” que não esconde as gafes ou micos que cometeu em algumas entrevistas, além de confessar que poderia ter se preparado melhor para outras, cujo resultado não foi o esperado. Cito, como exemplo, a entrevista com Caetano Veloso, na época em que ele lançou o álbum Circuladô. Zeca diz que estava tão nervoso que acabou estragando o papo com o cantor e compositor baiano. Tempos depois, ele teria a oportunidade de se redimir, fazendo a entrevista dos seus sonhos com Caetano, onde tudo saiu de maneira perfeita.
Os bastidores do encontro com Beck também valem a pena. Zeca confessou que é fã de carteirinha do cantor e quando deixou escapar isso no final da entrevista, quase criou um clima constrangedor.
Momentos em que ele conseguiu “tirar” revelações ultra-secretas de astros e estrelas do pop, como Elton John e Annie Lenox do Eurythmics, também valem a leitura.
A chave de braço que levou do vocalista de uma banda de rock no meio da entrevista, sem que esperasse ou então o dia em que teve de invadir o quarto de uma lenda do pop-rock para convencê-lo a dar a entrevista que fora combinada, são outros trechos que prendem a atenção do leitor.
O livro do Zeca traz ainda várias listas de cinco músicas: “as cinco mais românticas para quebrar o seu coração”, “os cinco clássicos das pistas dos anos 70”, “ as cinco para entrar em transe”, “cinco singles que deveriam ter feito mais sucesso do que fizeram”, etc. Há ainda um tópico interessante que o autor publica após cada entrevista, do tipo: “se você tiver que ouvir apenas uma música desse artista, ouça essa...” Mas no final o que interessa mesmo são os segredos das entrevistas realizadas pelo Zeca ao longo de toda a sua carreira.
Vejam a relação das entrevistas que tem os seus bastidores “desmembrados” pelo autor do livro. Confiram: a-ha, Alanis Morisette, Avril Lavigne, Beck, Bjork, Blur, Bom Jovi, Britney Spears, Caetano Veloso, Cazuza, Chemical Brothers, Coldplay, David Byrne, Donna Summer, Duran Duran, Elton John, Eurythmics, Faith No More, Fatboy Slim, George Michael, Greenday, Guns N’Roses, Hole, Ice-T, Jennifer Lopez, John Lurie, Keith Richards, Lauryn Hill, Lenny Kravitz, Madonna, Mariah Carey, Marisa Monte, Metallica, Mick Jagger, Moby, Nirvana, Oasis, Pearl Jam, Pet Shop Boys, Pretenders, Queensryche, R.E.M, Radiohead, Red Hot Chili Peppers, Renato Russo, Rita Lee, Robbie Williams, Sex Pistols, Skank, Sting, White Stripes, Titãs e U2.
Taí pessoal! Divirtam-se!

Instagram