Dependendo do ponto de vista de cada leitor, existem
livros quentes, mornos e frios. Na minha concepção, “As
Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro” tem um enredo morno que, em
muitos momentos, não chegou a me empolgar ou ao menos despertar o meu
interesse. Se teve passagens boas? Sim, claro. Prova disso foi a postagem que
escrevi em junho de 2026, logo que comecei a ler a obra. Aqueles que viram o post
perceberam que, após os dois primeiros capítulos, a leitura havia engatado, mas
depois o meu nível de atenção caiu para a primeira marcha. Confesso que meu
foco na história sofreu muitas variações: ora ficava interessado, ora esse
interesse caía lá no chão.
A culpa dessas oscilações é do enredo, que às vezes é
fluido e, em outras, frio. Ele se torna frio quando a autora interrompe trechos
interessantes com outros cansativos, tais como diálogos enfadonhos entre os
personagens e longas explicações sobre a origem, os costumes e o dia a dia da
tradicional família Ribeiro de Castro. Um desses momentos acontece quando os
primos de Cristina se encontram pela primeira vez na casa da avó — um encontro
recheado de diálogos monótonos e insípidos.
As interações entre Cristina e uma entidade
sobrenatural, que ocorrem várias vezes no decorrer da história, também não
causam um grande impacto. Não estou dizendo que esses encontros deveriam ser
puramente fantásticos, mas ao menos deveriam ter um tom um pouco mais
sobrenatural — algo que só acontece em duas ou três linhas no final do livro.
Entendo que a autora tenha optado por humanizar a entidade, mas acredito que,
ao fazer isso de forma quase completa, perdeu-se a aura de impacto nos
leitores.
O mesmo não aconteceu com outra entidade muito
conhecida do folclore brasileiro que também aparece na história. Neste caso, a
autora foi muito feliz ao criar um personagem que equilibra na medida certa o
sobrenatural e a realidade. Aliás, a reviravolta no enredo (plot) que
marcou o encontro desse ser folclórico com o padre da cidade, na porta da
igreja, foi fantástica. Como eu já conhecia a origem da lenda dessa
“assombração”, acabei adivinhando de cara qual seria a reviravolta. Apesar
disso, achei o trecho muito bem escrito.
As inúmeras descrições da rotina dos trabalhadores e
das pessoas que frequentam uma tradicional festa folclórica na pequena cidade
de São Pedro da Serra Alta também contribuíram para deixar a leitura cansativa.
Mas é evidente que a obra também tem momentos bons,
que despertaram bastante o meu interesse. O início, por exemplo, já começa
acelerado quando a avó da personagem principal pede que ela e a irmã jamais
pensem em sair de casa na primeira noite da festa folclórica da cidade. Quando
a neta caçula desobedece e sai, a avó fica desesperada e pede para Cristina
encontrar a irmã e trazê-la imediatamente de volta para a segurança do lar.
Pimba! Logo nas primeiras páginas, Laura Pohl consegue fisgar a atenção do
leitor.
Outras passagens que mantêm a leitura em quinta marcha
são as três tarefas que Cristina deve cumprir para salvar sua irmã caçula. A
última delas reserva uma reviravolta (plot twist) que me surpreendeu bastante.
Juro que não esperava por aquilo. Leiam o que está escrito no sino da igreja e
depois me digam se concordam comigo!
Portanto, em minha opinião, se não fossem os diversos
trechos e diálogos desinteressantes que quebram o ritmo da história — além da
falta de uma “pitada” a mais na composição da entidade sobrenatural que divide
o protagonismo com Cristina —, certamente eu teria gostado muito mais do
enredo.
Acredito que, por focar bastante em desenvolvimento
pessoal, espiritualidade e autoconhecimento, a narrativa de “As Três Tarefas
de Cristina Ribeiro de Castro” ganha um ritmo mais lento em alguns trechos.
Outro detalhe que contribui para isso é o foco nos diálogos familiares e nos
dilemas da protagonista antes das provas sobrenaturais.
É isso, galera! Leiam e depois me digam o que acharam.
Até mais!


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