29 abril 2024

Livro “Elvis e Eu” de Priscilla Presley será relançado no Brasil após 38 anos. Obra deve chegar no segundo semestre de 2024

Existem livros que damos o sangue para consegui-lo. Quando me refiro em “dar o sangue” estou querendo dizer: passar madrugadas e mais madrugadas em claro vasculhando a internet na esperança de encontrar em algum sebo a tal obra difícil ou então, até mesmo, publicar anúncios em jornais e nas redes sociais se propondo a pagar preços exorbitantes para realizar o seu sonho literário. Enfrentei essa situação, no passado, quando ainda nem pensava em ter um blog literário. Acho que foi bem antes do saudoso Orkut e até mesmo do finado ICQ. 

Foi na época das antológicas salas de bate-papo, na virada dos anos 1990 para os anos 2000. Elas eram o ponto de encontro entre desconhecidos de todo o mundo na internet que ainda engatinhava, na era das conexões discadas, dos “belíssimos” sites em HTML, dos GIFs em baixa qualidade e contadores de visitas exóticos. E foi numa dessas salas que eu consegui O Parque dos Dinossauros de Michael Crichton. Em 2001 ainda não tínhamos o advento dos sebos online. Se não encontrássemos o livro que queríamos numa livraria online tradicional, tínhamos de procura-lo em um sebo numa cidade próxima ou distante de onde morávamos ou então contar com a sorte somada a generosidade de algum bom samaritano. Pois é, demorou, mas consegui encontra-lo. Ufa! (conto como ‘pesquei’ o livro de Crichton nesse post aqui).

O Destino do Poseidon de Paul Gallico e Elvis e Eu de Priscilla Presley e Sandra Harmon tiveram histórias semelhantes, ou seja, foram conseguidos na raça, um verdadeiro achado na loteria. Daqueles achados dos quais você se vê no dever de agradecer a Deus mil vezes. Hoje, o contexto envolvendo duas dessas três obras mudou radicalmente, já que você pode encontra-las, facilmente e por preços módicos, em qualquer livraria ou sebo. O outrora raro O Destino do Poseidon pode ser adquirido no portal de sebos da Estante Virtual entre R$ 6,50 e R$ 14,30. O Parque dos Dinossauros ou Jurassic Park, apesar de um pouco mais caros, também podem ser encontrados aos borbotões nas livrarias e nos sebos por valores que variam de R$ 23,00 a R$85,00. Os leitores tem ainda a opção de adquirir um box ultra-luxuoso contando além de Jurassic Park com “O Mundo Perdido”, ambos escritos por Crichton. Aqueles que estiverem dispostos a pagar em torno de R$ 150,00 terão em mãos essa edição “puro luxo” de encher os olhos.

Capa de "Elvis e Eu" lançado em 1986

Resumindo, o que antes era considerado água num deserto se transformou em água num oásis. Com exceção, claro, de Elvis e Eu que insiste em dar uma de difícil (rs). O livro escrito pela ex-mulher do rei do rock continua completamente foragido dos sebos. Quanto as livrarias, melhor esquecer. No Brasil, a obra só teve a edição publicada em 1986 pela editora Rocco, depois nenhuma outra foi lançada nesses últimos 38 anos. Aqueles que arriscarem a dar uma zapeada nos sebos encontrarão um único exemplar usado e em condições apenas razoáveis de conservação por R$ 180,00, ou seja, mais caro do que o box imponente com os dois livros tinindo de novos escritos por Crichton. 

Esta “secura” tem deixado os fãs de Elvis desesperados porque a maioria dos leitores e críticos consideram o livro de Priscilla Presley e sua colaboradora Sandra Harmon como a obra mais intimista já escrita sobre a vida de Elvis.

Mas brevemente o desespero dos fãs vai chegar ao fim. Isto mesmo; você que não chegou a ler o título desse post pode comemorar com direito a uma grande bateria de fogos. Posso revelar a tão aguardada novidade? Ok. Então, lá vai: Elvis e Eu vai ser relançado no Brasil no segundo semestre desse ano. E aí? Vibrou com a novidade? Galera, não tem como deixar de vibrar, não é?

Nascimento de Lisa Marie Presley

Vale lembrar que Elvis e Eu é a obra utilizada como referência para o novo filme sobre aquele que ficaria conhecido como "rei do rock": 'Priscilla'. Dirigido por Sofia Coppola, o longa conta com Cailee Spaeny interpretando Priscilla, e Jacob Elordi dando vida à mais nova versão de Elvis, foi lançado no fim de 2023. O livro também virou uma famosa série de TV lançada em 1988.

Priscilla Presley foi casada com Elvis entre 1967 e 1973. Depois desse período, ela investiu na carreira de atriz, eternizando papéis na franquia “Corra que a Polícia Vem Aí” e na série “Dallas”.

Tenho o hábito de dizer que Elvis e Eu é uma ‘biografia honesta’ sobre o cantor. É importante frisar que mesmo separados, Elvis e Priscilla continuaram sendo verdadeiros amigos, com o cantor dando uma importância enorme aos conselhos de Priscilla, e vice-versa.

Ok, ok... você pode estar pensando: “Pô, se ambos se respeitavam tanto, então o livro deve ser uma verdadeira puxação de saco, uma babaquice!”. Mero engano. Priscilla abre as comportas de seu coração e conta tudo: os momentos bons e também os péssimos. Porque ela fez isso? Sinceramente, não sei; aliás só ela deve saber os motivos. Já há algum tempo, acompanhei uma entrevista de Priscilla, onde ela disse que optou por escrever o livro para que os fãs conhecessem o Elvis verdadeiro em sua intimidade com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos (revelo mais detalhes sobres esse livro nestas duas postagens - aqui e aqui).

Portanto, agora, é só aguardar a chegada do segundo semestre de 2024. Haja coração! Haja expectativa!

25 abril 2024

Instinto Selvagem

A leitura de Instinto Selvagem, romance de Richard Osborne baseado no roteiro do filme homônimo com Sharon Stone, passou tão despercebido que eu nem sabia que havia deixado de publicar a sua resenha no blog, mesmo tendo lido o livro há mais de dez anos, ou seja, nos primórdios do “Livros e Opinião”. 

Quando comecei a ler o livro, exclamei para mim mesmo: “Êpa, parece que eu estou assistindo o filme novamente; cena por cena!”. E, de fato, a impressão que fica registrada na mente do leitor é que a história escrita por Richard Osborne não foi baseada, mas colada do roteiro de Joe Eszterhas. Acredito que tenha sido esse o motivo da minha displicência, ao ponto de não ter escrito a resenha tão logo concluí – diga-se de passagem, aos trancos e barrancos – a leitura de Instinto Selvagem. Como não havia gostado muito do filme, arrisquei dar uma lida no livro, mas ao perceber que se tratava de um copião da produção cinematográfica de 1992 fui obrigado a reunir toda a minha força de vontade draconiana para terminar a leitura.

O curioso é que após ter lido a obra e assistido o filme, resolvi dar algumas zapeadas nas redes sociais, especificamente nos portais “Interfilmes”, “Adoro Cinema” e “Skoob” para ver as críticas de leitores e cinéfilos. Acreditem; a maioria delas para não “dizer” quase todas, eram positivas e tecendo louvores tanto para o filme quanto para o livro. ‘Entonce’, novamente, exclamei comigo: “Lá vou eu mais uma vez nadando contra a maré!”. Mas fazer o que? No meu caso, não gostei. Achei a trama fraca;  que na minha opinião, só conseguiu se segurar devido a presença sedutora, fatal e luminosa de Sharon Stone em cena e ao talento inquestionável de Michael Douglas. Quanto a história em si, não despertou o meu interesse.

Pois é, aí você dá uma passeada na Internet e vê que a maioria dos críticos e cinéfilos tratam o filme como uma joia rara lapidada com comentários do tipo: “uma verdadeira obra prima”, “um thriller policial inovador mesmo após 30 anos” e por aí afora. Vendo tudo isso, chego à conclusão de que toda e qualquer tipo de crítica no ramo das artes, especificamente na literatura e cinema são muito, mas muuuito subjetivas pois tem características pessoais, individuais. Eu posso amar, mas por outro lado, você pode odiar.

Concluindo: não gostei de Instinto Selvagem lendo ou assistindo; mas pode ser que você adore a trama.

Ah! Para os poucos que desconhecem o enredo, filme e livro giram em torno de uma escritora, Catherine Tramell,  extremamente sedutora e principal suspeita de um assassinato. O policial Nick Curran é incumbido de desvendar o crime, mas fica fortemente atraído por ela, colocando a própria vida em risco. Em resumo é isso.

Inté!

21 abril 2024

“As Portas de Pedra” e “O Visconde de Bragelonne”; será que serão publicados um dia? Esta indefinição irrita e desanima os leitores

Falando por mim: se há algo que irrita um leitor é ver a divulgação do lançamento de uma obra tão aguardada ser propagada aos quatro ventos e depois... nada do lançamento, nada da obra, nada de notícias, enfim, nada de nada. A chama, antes tão poderosa, simplesmente se apaga. Então, bate o desespero nesse leitor e ele acaba mostrando a sua identidade secreta, o super-herói conhecido como o “Garimpeiro da Net”. A partir daí ele começa, desesperadamente, a caçar migalhas de informações sobre o tal livro que “deixou de existir”. Pois é, as supostas obras O Visconde de Bragelone e As Portas de Pedra conseguiram fazer com que eu me transformasse no “Garimpeiro da Net”. Só que até agora não consegui garimpar nenhuma informação a qual possa classificar como segura. Praticamente, elas “dizem” a mesma coisa.

Com relação ao tão aguardado terceiro livro da saga A Crônica do Matador do Rei (The Kingkiller Chronicle) de Patrick Rothfuss as notícias se assemelham a órbita da terra ao redor do sol, ou seja, sempre o mesmo movimento, o mesmo blá-blá-blá de sempre: “Agora, O autor está direcionando a sua atenção para a produção de uma série de TV baseada nos dois primeiros livros da saga e com isso teve de deixar, temporariamente, a escrita de “As Portas de Pedra”; “Rothfuss não ficou satisfeito com o que escreveu e está refazendo parte do enredo”; “leitores-beta da confiança de Rothfuss começaram a ler os originais para opinarem”; e etc e mais etc. Lembrando que “O Temor do Sábio”, segundo volume da saga, foi lançado há aproximadamente 13 anos.

Com relação ao relançamento de O Visconde de Bragelonne – publicado originalmente em 1850 e no Brasil em 1954 e 1963 numa “porrada de volumes”; acho que 13 - as “pedras a serem garimpadas” são ainda mais escassas porque as informações iniciais de que a Zahar iria relançar a obra de Alexandre Dumas numa edição luxuosa e com tradução atualizada, simplesmente se evaporou. Estas informações iniciais surgiram pouco depois do relançamento de O Conde de Montecristo, em 2020, numa edição que encheu os olhos dos fãs de Dumas. Depois disso, as notas sobre o assunto foram ficando cada vez mais diminutas até desaparecerem.

Comparo esta situação envolvendo O Visconde de Bragelonne e As Portas de Pedras como algo semelhante ao de aproximar um doce delicioso perto da boca de uma criança e no momento em que ela for saboreá-lo, você simplesmente, afasta esse doce e o esconde ou então, joga fora. Olha... cara, é muita maldade.

E assim, ficamos nós na expectativa, se é que pode haver uma expectativa, dos lançamentos dos tão aguardados livros de Rothfuss e Dumas.

Quando eles chegarão? Só Deus sabe.

17 abril 2024

Cinco vinganças terríveis que aconteceram nos livros


Quando o assunto é vingança ou dar o troco em quem te fez sofrer, sei que é errado não pensar como o imperador romano Marco Antônio que ficou conhecido pela sua célebre frase: “A melhor vingança é não ser como o seu inimigo”; mas cá entre nós, se essa premissa fosse usada pela maioria dos autores de livros, as histórias de vingança seriam uma lástima e com certeza esses livros ficariam empacados nas estantes das livrarias em todo o mundo.

Cara, vingança na literatura é fazer totalmente o contrário do que propôs Marco Antônio. E não me diga que você por mais certinho ou certinha que seja não vibra quando aquele personagem que comeu o pão que o diabo amassou por culpa de um outro personagem espírito de porco resolve dar o troco?  Claro que vibra!

O tema vingança é um dos mais explorados pelos autores que escreveram livros que se tornaram campeões de vendas; verdadeiros Bestsellers.

No post de hoje selecionei cinco histórias de vingança que ... sei que é errado “dizer” isso; mas que ‘deixaram os leitores muito felizes’. Vamos conferi-las.

01 – O Pau (Fernanda Young)

A saudosa escritora, roteirista e apresentadora carioca Fernanda Young que morreu em 2019 após sofrer um ataque de asma, contemplou os seus leitores com esta obra fantástica lançada em 2009. Em O Pau, Young conta a história de Adriana, uma bela designer de joias que descobre sinais da traição do namorado, 14 anos mais novo.

Adriana tem 38 anos e apesar de sua carreira de sucesso sofre com as inseguranças que atingem boa parte das mulheres de sua idade. O corpo, embora cuidado com esmero, não tem mais a firmeza encontrada nas meninas de 20. No rosto, começam a despontar as primeiras marcas de expressão, e temores como o aumento do grau dos óculos para vista cansada são uma constante.

As sucessivas decepções amorosas deixaram a personagem desconfiada e agora mais ainda já que o seu parceiro é muito mais jovem do que ela. Os dois se entendem muito bem, mas numa noite quando está sozinha na casa do namorado, ao verificar o celular dele, após emitir o som de recebimento de mensagens, ela constata a chegada de um SMS sem nome.

Adriana fica hiper-desconfiada e resolve investigar. Tá. Advinhe o que ela descobre? Que o seu namorado bem mais jovem, e bonitão a está traindo com uma modelo bem mais jovem do que ela, aliás, muuuuito mais jovem. A partir daí ela resolve arquitetar a sua vingança, direcionada para algo que o seu namorado traidor preza muito, aliás algo que não só ele, mas que os homens prezam muito. Entendeu? Não? Então, é só ler o título do livro.  Que vingança. Brrrrrrrr!!!

Editora: Rocco

Ano: 2009

Capa: Comum

Páginas: 184

02 – Carrie, A Estranha (Stephen King)

Cara, essa menina é fodástica. No auge da ira de sua vingança, ela conseguiu destruir, praticamente, uma cidade inteira! Carrie é uma jovem tímida, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar uma vida comum. No dia de sua formatura, descobre que possui poderes telecinéticos quando os jovens mais populares da escola a humilham diante de todos. Então.... Bummmmmm!!! A bomba chamada Carrie explode.

Ambientado principalmente no ano de 1979, o enredo criado pelo mestre do terror e suspense, Stephen King, gira em torno da homônima Carrie White, uma garota do ensino médio desajustada, impopular e sem amigos, intimidada e abusada frequentemente pela sua mãe fanática religiosa, que depois de ser levada ao limite durante o seu baile de formatura, onde todos a humilham no palco, na frente de uma multidão, ela resolve usar os seus poderes telecinéticos recém-descobertos para se vingar daqueles que a atormentam. Durante o processo, ela causa um dos piores desastres locais que a cidade já teve. Veja a resenha da  obra aqui.

Livraço! Adorei!

Editora: Suma

Ano: 2013

Capa: Comum

Páginas: 200

03 – O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Bronthe)

Emily Brontë estava muito à frente do seu tempo quando enfim conseguiu publicar O Morro dos Ventos Uivantes em 1847, um ano antes de sua morte por tuberculose. Ela conseguiu escandalizar a sociedade com sua obra ao expor e explorar as feridas dos personagens. A trama gira em torno de uma história de amor cheia de vícios, obsessões e violência. Uma narrativa que continua até hoje a assombrar o leitor. Classifico O Morro dos Ventos Uivantes como uma história de vingança, ódio e amor selvagem. 

No início da trama, o patriarca da família Earnshaw faz uma viagem e, ao retornar a sua fazenda chamada de Morro dos Ventos Uivantes, traz consigo um pequeno órfão, que todos acham ser um cigano (sua procedência, contudo, não é revelada em hora alguma da narrativa). O órfão recebe o nome de Heathcliff. Rapidamente, toda a atenção que o patriarca lhe demonstra enciuma seu filho legítimo, Hindley, que acha que está perdendo o carinho do pai. Contudo, Catherine, a irmã de Hindley, se afeiçoa por Heathcliff.

Quando o Sr. e a Sra. Earnshaw morrem, Hindley sujeita Heathcliff a várias humilhações. Este é privado da educação e passa a tornar-se bruto e melancólico. Apesar do amor entre Heathcliff e Catherine, ela decide casar-se com Edgar Linton, por estar em uma posição de mais prestígio que Heathcliff. Ele, então, parte do Morro dos Ventos Uivantes e, ao voltar, muito rico, promete se vingar de todos aqueles que proibiram o seu relacionamento com Catherine.

Editora: Clássicos Zahar; Edição comentada

Ano: 2016

Capa: Dura

Páginas: 376

04 – Jasão e os Argonautas (Menelaos Stephanides)

Considero a vingança de Medéia uma das mais terríveis da literatura. Ela, certamente, foi além. Viche!

O mito de Jasão e os Argonautas ocupa um lugar muito importante na mitologia grega. Ele relata a expedição heroica que cruzou pela primeira vez mares e terras desconhecidas repletas de perigo, em busca do velo de ouro, um tesouro a que se atribuía o poder de trazer prosperidade e riqueza a quem possuísse. O livro do escritor grego Menelaos Stephanides não só nos leva a conhecer essa jornada heroica com também a vingança de Medéia que trata sobre o amor e o ódio e também as suas consequências.

Ela foi uma das personagens mais trágicas da Mitologia Grega; filha do rei Eetes, de Cólquita. Medéia era muito cortejada por diversos pretendentes, devido a sua inteligência, beleza e astúcia.

Um dia, Jasão – o líder dos argonautas - chega a essa região da Cólquita em busca do Velocino de Ouro que era guardado por um terrível dragão. Após ter se apaixonado perdidamente por Jasão, a feiticeira Medeia resolve trair o próprio pai e também o seu povo. Dessa maneira, ela ajuda Jasão a roubar o Velocino de Ouro e em seguida foge com o seu amado. O que ela não esperava receber como pagamento por seu sacrifício era a traição de Jasão. E isso, de fato, aconteceu.

Bem... resultado: Jasão sofreu as consequências. Uma vingança tão terrível que acabou sobrando para a própria Medéia.

Editora: Odysseus

Ano: 2004

Capa: Comum

Páginas: 170

05 – O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)

O Conde de Monte Cristo é uma das obras de maior sucesso de Alexandre Dumas, o escritor dos famosos livros Os Três Mosqueteiros e O homem da Máscara de Ferro.

O enredo da história de Dumas se passa na França sob período de Napoleão Bonaparte, que estava exilado na Ilha de Elba. Naquela época havia um grande receio de seu retorno. Segundo a história, o imperador se comunicava com seus correligionários através de cartas. Uma dessas cartas foi enviada em segredo para um partidário de Bonaparte através de Edmond Dantès, que desconhecia o conteúdo da carta que trazia consigo.

Então, o seu melhor amigo, Fernand Mondego, que por sua vez era apaixonado pela noiva de Dantes, resolve arquitetar a sua vingança juntamente com Danglars e o Juiz Villefort, no intuito de colocar seu amigo como traidor da pátria atrás das grades. Dantes acaba sendo acusado injustamente e enviado para o Castelo de If, uma prisão isolada no meio do mar na qual o prisioneiro passou anos e anos encarcerado.

Ao fim de muitos anos solitários na sua cela, Dantès conhece o pitoresco e fascinante abade Faria, um colega prisioneiro. Dantès e o abade tornam-se grandes amigos e o primeiro recebe do segundo as preciosas indicações para alcançar um fabuloso tesouro que está escondido num ilha. A morte do abade permite a Dantès evadir-se com êxito da prisão e encontrar o tesouro. Adotando a personalidade fictícia do Conde de Monte Cristo, Dantès, com perversa precisão dá início a sua devastadora vingança contra todos aqueles que o fizeram passar 14 longos anos na prisão.

Taí, se você aprecia um bom enredo envolvendo vinganças de personagens, acredito que irão apreciar essas cinco obras.

Boa leitura!

13 abril 2024

Caminho inverso: os filmes que viraram livros

Os leitores que acompanham o blog desde os seus primórdios, em 2011, sabem que não sou fã de novelizações de filmes. Como posso explicar essa aversão... bem, acho que tudo se resume na perda da magia. Isso mesmo: quando você vê um filme e sai do cinema extasiado com que acabou de assistir, você viveu a magia de um enredo espetacular e de personagens carismáticos. Mas quando algum escritor resolve adaptar um filme para as páginas, você que já assistiu esse filme também já viveu essa magia, por isso não há motivo de ler tudo o que você já viu nas telas. Sei lá, fica estranho.

Mas, você pode argumentar que o mesmo ocorre ao inverso, quando um livro é adaptado para as telonas. Neste caso, é diferente; pelo menos para mim. Quando uma obra literária vira um filme ou série de TV, eu fico imaginando com seria ver em “carne e osso” o personagem que eu conheci apenas nas páginas. Ver esse lado irreal - idealizado apenas por mim -transformado em algo real é viciante. O mesmo vale para o enredo da história; ver as imagens nas telonas de situações e locais que eu apenas imaginei nas páginas. Não sei se consegui explicar de uma maneira clara, mas, enfim, é isso.

Mas, por outro lado, conheço leitores que adoram novelizações. Alguns, até preferem essas novelizações aos filmes. Portanto, esse post é dedicado principalmente para esses leitores-cinéfilos.

Uma curiosidade interessante é que as novelizações de filmes já acontecem há muito tempo. Este método teve origem nos idos de 1920. Verdade! Mas o processo se tornou popular somente na década de 1970, antes do lançamento dos videocassetes. Esta era a única forma das pessoas terem contato com o filme que por algum motivo deixaram de assistir.

Nesta postagem selecionei seis novelizações de filmes famosos e de grande sucesso nos cinemas. Os filmes são fantásticos, quanto as novelizações deixo para aqueles que apreciam o gênero julgarem. Vamos a elas.

01 – O Segredo do abismo (Orson Scott Card)

O Segredo do Abismo é uma das poucas, acho que... a única novelização que gostei, na realidade amei. Após ler o livro, passei horas e horas pesquisando na Internet detalhes sobre o trabalho de Orson Scott Card e então entendi o porquê de ter gostado tanto do livro. O primeiro ponto que considerei decisivo para o êxito da obra foi a declarada aversão que Orson Socott Card tem as novelizações. Êpa! Mas espera aí? O sujeito tem aversão por esse tipo de trabalho, mas acaba fazendo algo semelhante?! 

Ok. Vou tentar explicar. Card relutou muito em aceitar escrever a novelização do blockbuster O Segredo do Abismo lançado nos cinemas em 1989. James Cameron, o diretor do filme, teve de intervir pessoalmente nas negociações e chegou a manter vários encontros com o escritor na esperança de convencê-lo a mudar de ideia, mas ele estava irredutível: “novelização jamais”, dizia o escritor.

Acontece que o diretor James Cameron queria uma novelização de seu filme de qualquer jeito e não abria mão de Scott Card para escrevê-la. Seria ele ou ele. O respeito e a simpatia de Cameron pelo trabalho do escritor de ficção científica norte-americano surgiu depois que ele leu O Jogo do Exterminador e Orador dos Mortos, diga-se de passagem, duas obras primas da literatura de ficção científica. Depois disso, o conhecido diretor de Hollywood se tornou um fã confesso de Scott Card.

Scott Card só aceitou escrever o livro do filme depois que várias de suas exigências foram aceitas. A primeira delas: que ele tivesse liberdade total para desenvolver a "novelização" da maneira que achasse melhor. E diga-se que esse “da maneira que achasse melhor” significava mudar destino de personagens, acrescentar detalhes extras no final da história, além de incluir fatos e explicações impossíveis apresentar no filme. E pediu mais! Ter acesso irrestrito as filmagens enquanto escrevia o livro. Isto deixou evidente que Scott Card exigiu escrever o livro ao mesmo tempo em que o filme “O Segredo do Abismo” era rodado, porque só assim livro e filme seriam lançados juntos. Enfim, para aceitar escrever um livro sobre um filme, o escritor fez um “caminhão” de exigências. E todas elas foram aceitas por James Cameron e também pelos produtores da 20th Century Fox.. Pronto! Está explicado porque a novelização de “O Segredo do Abismo” se transformou num verdadeiro sucesso de crítica e leitores.

Filme e livro contam a história de uma equipe de mergulhadores que trabalham numa plataforma civil de exploração de petróleo. De repente, eles se vêem envolvidos em uma missão de resgate do submarino nuclear Montana que afundou misteriosamente com 156 tripulantes e, após o ocorrido, não houve mais contato.

02 – Labirinto do Fauno (Guillermo del Toro)

Lançado a cerca de 17 anos, O Labirinto do Fauno talvez seja uma das obras mais amadas do diretor Guillermo Del Toro. O filme que agradou público e crítica se passa na Espanha de 1944. Oficialmente a Guerra Civil já terminou, mas um grupo de rebeldes ainda luta nas montanhas ao norte de Navarra. Uma criança de 10 anos chamada Ofélia muda-se para a região com sua mãe. Lá as espera seu novo padrasto, um oficial fascista que luta para exterminar os guerrilheiros da localidade. Solitária, a menina logo descobre a amizade de Mercedes, jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. 

Certa noite, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia descobre as ruínas de um labirinto onde se encontra com um fauno, uma estranha criatura que lhe faz uma incrível revelação: ela é uma princesa, a última de sua estirpe, aquela que todos passaram muito tempo esperando. Para poder regressar a seu mágico reino, a garota deverá passar por três provas antes da lua cheia.

Simultaneamente ao filme, a Intrínseca lançou em terras brasileiras a sua novelização contendo ilustrações e contos originais. Para transpor os detalhes das telonas para as páginas, Guillermo Del Toro não esteve sozinho. Ele chamou e juntou-se com a escritora de livros fantásticos Cornelia Funke. Ela é mais conhecida pelo seu trabalho na trilogia Mundo de Tinta, na qual contém Coração de Tinta, Sangue de Tinta e Morte de Tinta. Os dois optaram por não fugir da narrativa reconhecida e já clássica para alguns, contudo adicionaram novos pontos a essa trajetória, além de expandir o mundo com contos.

03 – Era uma vez em Hollywood (Quentin Tarantino)

Acredito não passou pela cabeça das muitas pessoas que assistiram “Era Uma Vez em Hollywwod” que o diretor Quentin Tarantino também iria se aventurar nos “mares” da literatura, ainda mais... lançando um romance do seu filme. E, de fato, isso aconteceu.

O livro, publicado no Brasil pela Intrínseca em 2021 – dois anos depois do filme – explora as facetas inéditas dos personagens Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e Cliff Booth (Brad Pitt) e a trajetória desses personagens no universo dos spaghetti westerns.

Em sua novelização, o diretor e agora romancista bagunça a linha temporal do filme, dando mais tonalidades aos personagens e expandindo sua sacada de revisar a morte de Sharon Tate pela seita de Charles Manson.

Lançado em 2019, a produção cinematográfica arrecadou mais de US$ 370 milhões nas bilheterias ao redor do mundo e venceu dois Oscar (melhor ator coadjuvante para Pitt e melhor direção de arte) a partir de 10 indicações.

04 – A Forma da Água (Guillermo del Toro e Daniel Kraus)

A Forma da Água tem uma premissa semelhante ao “Segredo do Abismo”: Nos dois casos, filme e livro foram criados simultaneamente, não se tratando, portanto, de uma simples novelização. Dessa maneira, ambos apresentam diferenças entre si. Por isso mesmo, vale muito a pena assistir ao filme e também ler o livro para analisar essas nuances.

No enredo, um oficial do governo dos Estados Unidos chamado Richard Strickland é enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor ― o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser.

Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz, alguém cuja existência deve ser preservada.

A narrativa literária revela ao leitor as particularidades de personagens que não são apresentadas de forma detalhada no filme intensos. Há vários pontos de vistas de personagens diferentes. Os leitores acompanham o percurso de todos esses pontos de vistas se desenrolarem e se entrelaçarem em algum momento da trama e também compreender as suas motivações. A produção cinematográfica de 2017 levou quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme e Diretor (Guillhermo del Toro).

05 – Instinto Selvagem (Richard Osborne)

Você quer ler um filme? Isso mesmo: ler e não assistir. Se quiser é só comprar o livro Instinto Selvagem. A novelização de Richard Osborne é uma cópia fiel do roteiro de Joe Eszterhas. Não muda absolutamente nada. Quando li o livro, a impressão que tive foi a de que estava assistindo ao filme através das páginas, sem nenhuma mudança. Até cruzada de pernas fatal da personagem vivida por Sharon Stone está nas páginas do romance.

Para aqueles que não se lembram do filme; no enredo, Sharon Stone vive Catherine Tramell, uma sensualíssima escritora de livros de mistério, suspeita de matar um famoso cantor de rock. Além de ser amante da vítima, seu assassinato é idêntico a um crime que ela descreve em um de seus livros. O policial encarregado do caso é Nick Curran (Michael Douglas), que não resiste à beleza e ao poder de manipulação da moça e acaba se envolvendo com ela. Porém, mortes continuam a acontecer e tudo indica que Nick será a próxima vítima. Mas ele está atraído demais por Catherine para se manter longe dela.

Apesar da crítica negativa, “Instinto Selvagem” (Basic Instinct) tornou-se um dos filmes de maior sucesso financeiro dos anos 90, arrecadando US$352 milhões em todo o mundo. Quanto ao livro, por ser um simples copião do filme passou despercebido.

06 – Interestelar (Christopher Nolan, Jonathan Nolan e Greg Keyes)

Além de Instinto Selvagem, quer outro exemplo de novelização que adaptou ao pé da letra o roteiro de um filme? Anote aí: Interestelar de Christopher Nolan que fez um grande sucesso nos cinemas em 2014.

São 268 páginas de puro filme. A obra literária escrita a três mãos pelo diretor Christopher Nolan, seu irmão Jonathan Nolan e o autor Greg Keyes foi publicado há quase dois anos depois do filme.

Para quem não assistiu a produção nos cinemas (e, por consequência, perdeu um show visual), Interstellar acompanha a história de Cooper, um ex-piloto da NASA que é convocado em uma missão espacial secreta para encontrar outros planetas para perpetuar a vida humana. Com a Terra no limite de sua reserva natural, uma saída precisa ser encontrada.

Acontece que essa missão, graças a relatividade do tempo, pode significar décadas no espaço, sem que os astronautas vejam suas famílias. Enquanto Cooper atravessa o espaço e procura buracos de minhoca para fazer a travessia para outras galáxias com sua equipe, sua filha mais nova, Murph, cresce e também se envolve com a NASA para encontrar uma forma de ajudar a salvar a população.

Taí galera, dúvida cruel não é mesmo? Filme ou novelização? No meu caso, eu ainda prefiro o caminho inverso, ou seja, livros que viraram filme e não filmes que viraram livros.

Inté!

07 abril 2024

Reflexões de um blogueiro literário que pensou em desistir, mas continua por aqui “falando” de livros há mais de 13 anos

Hoje pela manhã, assim... sem querer; fui parar nas primeiras postagens que havia publicado no blog, lá pelos idos de 2011. Gente, 2011! Não imaginava que o “Livros e Opinião” havia completado no mês passado, 13 anos de atividades. Cara, mais de uma década! Na realidade, foram quase uma década e meia, dedicando parte da minha vida para esse espaço que você está visitando agora e quem sabe, até mesmo seguindo.

Parei também para pensar nas pedradas que lei da vida nestes mais de dez anos, algumas dessas pedradas vieram fortes e quase me levaram a desistir do blog. Rememorei também as dificuldades que surgiram ao longo dos anos em conciliar o meu trabalho que é o meu ganha pão e que exige muito de mim - inclusive engolindo muitos de meus finais de semana - com o meu tempo livre dedicado ao blog e a leitura. Confesso que cheguei a pensar em abandonar o blog e me dedicar somente para as minhas leituras, muitas delas atrasadas. Mas então... quando as pedradas se vão, chega a aragem e uma aragem tão gostosa que afugenta todas essas dúvidas e negatividade envolvendo “blog versus tempo disponível em minha vida”.

Esta aragem me diz que se parar com o blog estarei jogando no lixo 13 anos de parte da minha vida, uma pequena parte, mas que trouxe momentos de muita alegria. Parte dessa alegria se resume às interações que mantive com vários seguidores que renderam bate-papos gostosos e as amizades que fiz com alguns desses seguidores; algumas dessas amizades, inclusive, mantenho até hoje.

Acredito que muitos blogueiros literários estão enfrentando, nesse instante, a mesma crise que bateu em minha porta há algum tempo, talvez levando pedradas piores do que as minhas. Estas pedradas podem ser o pequeno número de seguidores, a falta de tempo, um revés inesperado em sua vida, uma crítica dura ao seu blog; podem ser tantas situações, né?

O que será que eu posso dizer para você que enfrenta uma dessas situações ou algumas delas ou todas elas ou então, situações parecidas com essas? A resposta é simples: pense na aragem, ou seja, nos momentos felizes que o seu blog lhe trouxe. Tá difícil? Ok. Imagine, então, o quanto o seu blog é importante para alguns de seus seguidores. E pode ter certeza que independentemente do número desses seguidores, ele é muito importante! Podem ser poucos, mas esses poucos, a partir do instante que eles passaram a lhe seguir, eles passaram também a aguardar com expectativa as suas postagens.

Vou tomar eu, José Antônio, como exemplo. Vamos lá. Logo nos primórdios do “Livros e Opinião” eu comecei a seguir dois blogs que eu amava. Eles não tinham muitos seguidores, poucos até; mas eu, simplesmente amava. Ficava aguardando todas as semanas, as postagens de seus blogueiros com as quais eu tanto me identificava. “Clique Neurótico” e “Gato Smucky” eram os nomes dessas páginas. Quando soube que elas foram removidas pela Joelma e pelo Augusto, respectivamente; fiquei triste porque era um grande fá desses sítios literários na internet.

Pelo que vi em suas páginas no Instagram e no Youtube, me parece que a Joelma se formou neurociências e o Augusto se tornou ator. Tenho um contato maior com o Augusto e já vi vários de seus trabalhos como ator, diretor ou produtor; achei fantásticos, mas... tanto o seu blog quanto o da Joelma estão fazendo muita falta. E se estão fazendo falta para mim, certamente, também estão fazendo falta para outros leitores.

Se esses argumentos ainda não convenceram os blogueiros que estão desanimados com o pequeno número de seguidores, faça o seguinte: acesse o “Livros e Opinião” e dê uma olhadinha do número de seguidores da página. Viu lá? 526. Isso mesmo, 526 seguidores em 13 anos de atividades. Tudo bem que na fanpage do blog no Facebook o número seja maior, mas na página direta, não chegam a 550 seguidores. Entonce... mas eu acredito que muitas dessas 526 pessoas tem o hábito de ler as minhas postagens.

Vamos agora para a “pedrada da falta de tempo”. Não querendo ser egocêntrico – longe disso – mas tomando a mim, novamente, como exemplo. Sou jornalista e o nicho dessa profissão é muito estressante; aliás, tenho o hábito de dizer que no momento em que entro na sala de redação ou edição em meu trabalho, o estresse também entra junto comigo com as mãos em meus ombros dizendo: “amigo, cá estamos nós outra vez para enfrentarmos as ‘amadas’ discussões de pautas, tempo de fechamento de matérias, pressões políticas, divergências de ideologias e pressão dos patrões”. Quem é jornalista, principalmente em cidades pequenas ou médias, sabe o que é tudo isso.

Lulu vive me dizendo que a minha Síndrome do Intestino Irritável que me premiou com ansiolíticos, os quais nunca havia tomado em minha vida, tem como causa o estresse e a correria em meu trabalho.

Mas mesmo com toda essa agitação e falta de tempo nunca desisti do blog, revelo que cheguei perto disso, mas não desisti.

Quanto aos momentos difíceis, foram muitos: a doença e consequentemente o falecimento de meu pai, o saudoso ‘Kid Tourão’ que foi assunto em tantos posts publicados aqui; batalhas judiciais; problemas de saúde envolvendo pessoas queridas e amadas; ufaaa! Muitas pedras rolaram; também cheguei perto de parar; mas... estou aqui.

No que diz respeito ao tempo curto para as minhas leituras, encontrei uma maneira de resolver o problema, criando certos hábitos os quais procuro seguir, algo do tipo: preparo as minhas postagens nas terças-feiras a noite e aos sábados de manhã, e procuro ler os meus livros nos outros dias da semana durante a noite e nos domingos à tarde. Resumindo: é tudo uma questão de jeito.

Mas nada, absolutamente nada, supera as aragens proporcionadas pelo “Livros e Opinião” ao longo desses 13 anos. Se eu tivesse desistido, com certeza, hoje eu estaria muito arrependido.

Agradeço também a Lulu que está nessa luta comigo desde o início do blog, em 2011; se não participando diretamente da página, mas apoiando o que eu faço.  Assim, você que é blogueiro literário e está pensando em desistir de seu blog, descubra alguém importante para ficar ao seu lado (brincadeirinha).

Valeu galera!

Muita força para mim e também muita força para todos os blogueiros literários que estão passando por uma crise semelhante a que passei.

03 abril 2024

“Filho de peixe, peixinho é”: Cinco pais e filhos escritores talentosos

Conhecem aquele ditado popular: “Filho de peixe, peixinho é”? Entonce, acho que esse ditado nunca serviu tão bem quanto na relação “escritor pai-escritor filho”. Vocês já pararam para pensar quantos filhos de escritores famosos resolveram seguir os passos do pai? Galera, são muitos.

Na postagem de hoje, selecionei alguns escritores que seguiram a mesma profissão de seus pais e ficaram tão conhecidos com o eles. Vamos nessa.

01 – Alexandre Dumas e Alexandre Dumas Filho

Muitos leitores acreditam que existe apenas um Alexandre Dumas, mas não. Na realidade existem dois: pai e filho. Isso mesmo, Dumas é um sobrenome dividido entre dois escritores. Alexandre Dumas foi o responsável por obras como O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros

Alexandre Dumas Filho, inspirado pela carreira do pai, escreveu um verdadeiro clássico da literatura chamado A Dama das Camélias. O curioso é que ele era filho ilegítimo de Dumas com uma costureira e, por isso, o autor tirou a criança da guarda da mãe. 

02 – Stephen King e Joe Hill

Joe Hill poderia ter seguido qualquer outra profissão mas preferiu trilhar os caminhos do pai famoso. Nasceu no dia 3 de junho de 1972 e já tem uma carreira literária bem sólida, podemos dizer. 

Logo de cara faturou um Bram Stoker Award de Melhor Coletânea de Ficção e o British Fantasy Award pela obra Fantasmas do Século XX, de 2005, simplesmente na sua obra de estreia.

Esses foram apenas os dois primeiros prêmios de Joe Hill, que tem ainda um Bram Stoker Award de Melhor Primeiro Romance (por A Estrada da Noite, de 2007), dois British Fantasy Awards como Melhor Revista em Quadrinhos ou Graphic Novel (por Locke & Key, em 2009 e 2012) e um Eisner Awards, como Melhor Escritor de HQs (2011).

Lembrando que Stephen King tem um outro filho que também decidiu ser escritor: Owen Philip King. Ah! A mulher, Tabitha também escreve. Já imaginaram uma família com quatro escritores?! Pois é, apresento-lhes a “Família King”.

03 – Érico Verissimo e Luís Fernando Verissimo

Erico Verissimo, autor da icônica obra O Tempo e o Vento é um dos escritores brasileiros mais consagrados. Seu filho, Luís Fernando Verissimo não fica atrás e pode ser considerado um verdadeiro “monstro sagrado” da literatura brasileira, autor de romances consagrados, e dono das melhores crônicas do país.

Em 1981, o seu livro O Analista de Bagé, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre, esgotou sua primeira edição em dois dias, tornando-se fenômeno de vendas em todo o país.

Em toda a década de 1980, Verissimo consolidou-se como um fenômeno de popularidade raro entre escritores brasileiros, mantendo colunas semanais em vários jornais e lançando pelo menos um livro por ano, sempre nas listas dos mais vendidos, além de escrever para programas de humor da TV Globo.

04 - G. Wells e Anthony West

G. Wells é o célebre autor de A Guerra dos Mundos, livro de 1898 que fez milhares de pessoas acreditarem que a Terra estava sendo invadida por alienígenas, ao ouvir uma transmissão de rádio, em 1938. Não eram marcianos e sim, a divulgação do filme que adaptou o livro. 

O que poucos sabem é que o filho, Anthony West, inspirado pelo pai talentoso e um dos mestres da ficção científica, também foi escritor e a propósito, muito elogiado pela crítica de sua época. Ele escreveu romances, ensaios e obras de não-ficção, e revisou livros para a The New Yorker da década de 1950 até o final da década de 1970. West ganhou ainda o Prêmio Houghton Mifflin por seu romance The Vintage publicado em 1949.

05 – Carlos Nejar e Fabrício Carpinejar

Carlos Nejar é um dos principais poetas brasileiros, membro imortal da Academia Brasileira de Letras. Ele deixou obras ricas de vocabulário, como Sélesis. Nelas presenciamos o uso de aliterações, que proporcionam uma musicalidade aos versos, construídas belamente pelo autor. 

O filho do autor, o irreverente Fabrício Carpinejar, é um dos principais escritores da literatura contemporânea, o qual aborda em seus livros temas recorrentes ao cotidiano. E ainda, no livro, Um Terno de Pássaros ao Sul, Carpinejar faz o que a crítica considera uma versão do clássico “Carta ao Pai, de Kafka.

Por hoje é só. Valeu galera!

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