19 agosto 2026

Phoebe Berman Perdeu Tudo: O Fenômeno do TikTok com a mesma ‘vibe’ de O Diário de Bridget Jones

Alguém que está lendo este post agora, por acaso, já devorou as páginas de “O Diário de Bridget Jones”? Amou ou pelo menos gostou do livro que se tornou um fenômeno voltado para o público adulto na faixa dos 30 anos (o público jovem adulto)? Se você, neste momento, está balançando a cabeça num “sim” frenético e silencioso, saiba que tenho uma novidade que certamente vai deixá-lo muito feliz.

Anote aí: a Verus Editora lançou, há poucas semanas, um livro com a mesma “vibe” de “O Diário de Bridget Jones” — obra que bombou em vendas em 1996 e chegou a ganhar uma adaptação cinematográfica. Estou me referindo a “Phoebe Berman Perdeu Tudo”, romance de estreia de Brooke Averick, criadora de conteúdo, podcaster e autora americana que ganhou fama no TikTok durante a pandemia de 2020 com vídeos de comédia.

A boa notícia para os leitores que estavam à procura de uma história nos moldes da obra de Helen Fielding é que “Phoebe Berman Perdeu Tudo”, apesar de ter sido lançado há pouquíssimo tempo (27 de julho), já explodiu no BookTok. A comédia romântica cativou o público ao misturar vulnerabilidade, bom humor e ansiedade de forma realista — exatamente a mesma fórmula de sucesso adotada por Fielding e que conquistou, principalmente, as leitoras “trintonas” (embora muitos leitores trintões também tenham embarcado nessa onda).

Além do BookTok, “Phoebe Berman Perdeu Tudo” vem recebendo muitos elogios em outras redes sociais literárias. Confesso a vocês que, após ler tantos comentários positivos, fiquei com muita vontade de ler a obra de Averick, a qual, aliás, já incluí na minha lista de leituras.

Mas vocês devem estar curiosos para saber por que os dois livros compartilham a mesma atmosfera. Vamos lá! “Phoebe Berman Perdeu Tudo” tem exatamente a essência de uma comédia romântica clássica e caótica no estilo de “O Diário de Bridget Jones”.

Conversei com duas amigas que leram os dois livros — ou melhor, que leram “O Diário de Bridget Jones” e ainda estão lendo “Phoebe Berman Perdeu Tudo” — e, segundo elas, as duas narrativas têm muitos detalhes em comum. Vamos conferir algumas semelhanças? Anotem aí:

- A crise da idade: Bridget Jones vive a pressão dos trinta e poucos anos, que exige conquistas sociais. Já Phoebe Berman está a exatamente um mês de completar 30 anos e entra em pânico por se ver como uma "romântica de carteirinha" que ainda é virgem.

- A protagonista imperfeita e real: Assim como Bridget, Phoebe é uma personagem cheia de falhas, humana e com uma ansiedade paralisante, o que gera situações absurdamente constredundoras e divertidas.

- Listas e metas: Bridget foca em controlar calorias, cigarros e namorados em seu diário. Phoebe cria a icônica "Lista da Phoebe para perder a virgindade em trinta dias" para tentar assumir o controle da própria vida.

- O caos amoroso: A vida de Phoebe passa de zero a três pretendentes ao mesmo tempo (incluindo o clássico clichê de dividir o apartamento com um deles), lembrando muito a clássica indecisão amorosa de Bridget entre Daniel Cleaver e Mark Darcy.

Tá aí, galera! Dois livros que exploram o gênero chick-lit na literatura (ficção focada em questões da mulher moderna). Se você leu e gostou de “O Diário de Bridget Jones”, fica o convite para ler também “Phoebe Berman Perdeu Tudo”.

Ah! Tem mais uma coisinha: a exemplo de Bridget Jones, que virou filme, Phoebe Berman também está com destino garantido para as telas. Segundo informações exclusivas da Variety, a Netflix adquiriu os direitos de adaptação do romance de estreia de Brooke Averick.

Até a próxima!


15 agosto 2026

Eles Não São Fictícios! Conheça as pessoas reais que inspiraram 007, Sherlock Holmes, Popeye e Poti

Muitas vezes, ao lermos uma história fictícia, cruzamos com personagens que nos conquistam logo nas primeiras páginas por causa de seu carisma — seja um herói ou um vilão. O que mal sabemos é que esses personagens, os quais julgamos ter saído da imaginação fértil de determinado escritor, na verdade existiram na vida real. Pode ter sido um amigo, um professor ou um familiar — enfim, qualquer pessoa de carne e osso da qual o autor resolveu transferir 50%, 70% ou até 90% ou mais de suas características para compor aquela figura fictícia que nos cativou.

No post de hoje, quero escrever sobre um agente secreto, um detetive, um marinheiro e um indígena icônicos que aprendemos a admirar nas páginas de um livro e, posteriormente, na TV e no cinema. São personagens que a maioria dos leitores acreditava ser puramente fictícia, mas que existiram na vida real. Estou me referindo a James Bond, o famoso agente secreto de Sua Majestade conhecido pela alcunha de 007; Sherlock Holmes, o detetive mais famoso da ficção, imortalizado por sua mente analítica, foco nos detalhes e uso rigoroso da lógica para resolver os casos mais difíceis da Era Vitoriana; Popeye, o clássico personagem que ganha força sobre-humana esmagando latas de espinafre com as mãos e engolindo a verdura sempre que precisa salvar sua amada Olívia Palito do rival Brutus; e, por fim, o indígena Poti, o bravo guerreiro tabajara que faz amizade com o colonizador Martim em Iracema, de José de Alencar, um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Galera, podem acreditar: esses personagens não têm nada de fictícios. Eles existiram na vida real! Vamos descobrir os seus segredos? Saber como e por que eles acabaram se transformando em verdadeiros ícones da literatura de ficção? Então vamos lá. Apertem os cintos!

01. James Bond (007)

Existe muito debate sobre a inspiração real por trás do agente secreto 007, James Bond. Na verdade, o escritor britânico Ian Fleming criou o agente em 1953 como um personagem misto, baseado em si mesmo, em colegas da inteligência britânica durante a Segunda Guerra Mundial e em espiões reais que conheceu ao longo da carreira. O nome do personagem, por exemplo, veio de um homem real: um especialista em pássaros dos Estados Unidos que escreveu um livro sobre aves que Fleming lia na Jamaica. Fleming achou o nome curto, simples e sem graça — perfeito para um espião neutro.

Contudo, muitos pesquisadores acreditam que a maior inspiração real para a criação do personagem veio de Duško Popov, um espião duplo iugoslavo que trabalhou para os Aliados contra os nazistas. Ele era rico, gostava de festas, gastava muito dinheiro e andava com mulheres bonitas, inspirando o estilo "playboy" de Bond. Frequentador de cassinos e conhecido por seu estilo de vida extravagante, Popov foi também um dos agentes duplos mais importantes do conflito. Sua carreira no mundo da espionagem foi tão impressionante que muitos historiadores o consideram a principal inspiração para o 007.

Popov nasceu em 1912, em uma família extremamente rica na região que hoje corresponde à Sérvia. Desde jovem, era conhecido por seu charme, inteligência e facilidade com idiomas — qualidades que mais tarde se tornariam valiosas em sua carreira como espião. Sua entrada no mundo da espionagem aconteceu em 1940, quando passou a integrar o chamado “Double Cross System”, uma rede britânica de agentes duplos responsável por fornecer informações falsas à inteligência alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Os alemães acreditavam que estavam financiando um agente valioso e o pagavam generosamente para coletar dados, sem perceber que ele estava, na verdade, trabalhando para os Aliados.

02. Sherlock Holmes

A principal inspiração para a criação de Sherlock Holmes foi o Dr. Joseph Bell, um proeminente cirurgião e professor universitário que lecionava na Faculdade de Medicina da Universidade de Edimburgo, onde Arthur Conan Doyle estudou no final da década de 1870. Antes de se tornar um escritor famoso, o médico escocês trabalhou como assistente de Bell na clínica do hospital. O jovem Arthur Conan Doyle observava estupefato o método de dedução e observação clínica de seu professor. Bell conseguia adivinhar a profissão, a procedência e os hábitos de um paciente apenas olhando pequenos detalhes em suas roupas, sapatos e atitudes, antes mesmo de o doente abrir a boca. Ele reparava em manchas, poeira e marcas físicas no corpo, ligando esses pequenos sinais a fatos reais da vida da pessoa. Seu diagnóstico era preciso: o médico acertava a origem e o problema de saúde com base em uma lógica simples.

O parceiro Dr. Watson também reflete o papel que o próprio Conan Doyle desempenhava ao lado do mestre. Como assistente de Bell, Conan Doyle tinha a função de selecionar os pacientes, anotar as consultas e observar o mestre trabalhar. Décadas mais tarde, ao escrever para o antigo professor, Doyle admitiu abertamente: "É certamente a você que devo Sherlock Holmes." Bell acompanhava o sucesso das histórias e até se divertia com a comparação. Porém, ele sempre fazia questão de dizer que a genialidade do personagem vinha do talento do próprio Doyle em transformar a rotina de um hospital em alta literatura de mistério.

Agora, se você quiser ler as histórias e identificar o Dr. Bell agindo por meio de Sherlock, posso indicar duas obras que descobri em minhas "zapeadas" pelas redes sociais. As mais recomendadas são Um Estudo em Vermelho (1887) e O Signo dos Quatro (1890). A primeira é o livro de estreia da saga do famoso detetive, no qual Sherlock e Watson se conhecem. A cena em que Holmes deduz instantaneamente que Watson veio do Afeganistão — apenas olhando para sua postura, tom de pele e ferimentos — é uma reprodução exata do método que o Dr. Bell usava com seus pacientes em Edimburgo.

Quanto a O Signo dos Quatro, logo no início do livro, Sherlock demonstra seu método ao deduzir o passado do irmão de Watson apenas examinando um relógio de bolso antigo. Ele observa pequenos arranhões ao redor da entrada da chave (indicando alguém que tremia por beber muito) e os números de penhor gravados no interior. É o Dr. Bell em seu estado mais puro!

03. Popeye

Falando sobre o Popeye, tenho certeza de que você que acompanha o nosso blog sequer imaginava que esse personagem clássico dos quadrinhos, dos desenhos animados e dos livros foi inspirado em uma pessoa real. Pois é, é verdade! O icônico marinheiro criado pelo cartunista Elzie Crisler Segar em 1929 — que ganha uma força sobre-humana esmagando latas de espinafre com as mãos e engolindo a verdura sempre que precisa salvar sua amada Olívia Palito do rival Brutus — foi inspirado em Frank "Rocky" Fiegel, um marinheiro valentão da cidade natal do criador, em Illinois, EUA.

Elzie Crisler conheceu Fiegel na infância. O marinheiro era um homem forte, fumava cachimbo e falava pelo canto da boca. Ele também tinha o olho direito meio fechado ou saltado devido às lutas constantes, o que originou o termo "pop-eye" (olho estourado/saltado). Fiegel vivia com o cachimbo na boca, o que o fazia conversar usando apenas o canto dos lábios. Trabalhava em uma taverna local mantendo a ordem, tinha fama de valentão e gabava-se de nunca ter perdido uma briga.

Vale lembrar que o espinafre não deu superforça imediata a Popeye logo em sua estreia nas tiras, em 1929. Embora a associação com a força imediata do espinafre tenha sido uma estratégia publicitária dos desenhos posteriores para incentivar as crianças a comerem verduras, a lenda popular aponta que Fiegel também creditava sua vitalidade a uma boa alimentação e a hábitos rústicos.

Ah! Acredito que a galera também esteja curiosa para saber se Olívia Palito, a namorada do Popeye, foi inspirada em uma pessoa real. Respondo que sim! A criação de Olívia Palito foi inspirada em uma mulher chamada Dora Paskel, lojista na cidade de Chester, Illinois, onde o criador das tirinhas cresceu. Dora era extremamente alta, magra e costumava vestir-se de maneira muito parecida com a personagem, incluindo os marcantes sapatos de botões e o cabelo firmemente preso em um coque perto da nuca.

04. O Indígena Poti

Quem leu Iracema (1865), de José de Alencar, vai se lembrar de um personagem marcante chamado Poti. Muitos leitores acreditavam que ele tinha saído exclusivamente da imaginação do escritor cearense, mas, na realidade, Poti foi inspirado em uma figura histórica real.

No romance, Poti é inspirado no chefe indígena Antônio Felipe Camarão. O Poti do livro é o irmão de armas do colonizador Martim Soares Moreno, assim como o Poti histórico foi aliado fiel e amigo pessoal de Martim e de outros comandantes portugueses. Ambos participam ativamente de batalhas e da defesa territorial (na ficção, contra os tabajaras e inimigos locais; na realidade, nas lutas contra os holandeses no Nordeste). Na parte final da trajetória contada por Alencar, Poti converte-se à fé cristã e assume o nome civil de Felipe Camarão, espelhando exatamente a vida do herói histórico.

Outra similaridade entre o personagem ficcional e a figura real é que o nome "Poti" tem raiz no tupi e faz referência direta ao crustáceo "camarão", origem compartilhada pelo personagem e pela figura histórica nos registros coloniais.

O Poti verdadeiro foi um dos principais líderes da Insurreição Pernambucana (1645–1654), movimento que expulsou os holandeses do Nordeste do Brasil. Como liderança potiguar, ele comandava os guerreiros da etnia Potiguara, mobilizando centenas de arqueiros e combatentes indígenas a favor da Coroa Portuguesa. Camarão era mestre na chamada "guerra de emboscada" ou "guerra brasílica", adaptando as técnicas nativas da floresta para derrotar o exército holandês, militarmente mais moderno. Sua atuação foi decisiva nas duas Batalhas dos Guararapes (1648 e 1649), os confrontos mais importantes do conflito. Por seus feitos, o rei de Portugal concedeu-lhe o título de Dom, o hábito da Ordem de Cristo e o cargo de Capitão-Mor dos Índios do Brasil. Hoje, ele é considerado um dos patriarcas da pátria brasileira.

No romance, Poti não é retratado apenas como um guerreiro, mas como um "cavaleiro da floresta", dotado de valores de honra, generosidade e nobreza moral comparáveis aos heróis da literatura europeia.

Por hoje é só, galera! Agora, quando vocês lerem qualquer um desses quatro livros, terão a certeza de que seus personagens centrais de fato existiram na vida real — e não apenas na imaginação dos escritores.

Inté!

 

13 agosto 2026

Lançamentos de Agosto: Conheça "O Canto da Sereia" e "Orixás: O Poder dos Filhos do Tempo"

Pois é, galera, promessa é dívida! Por isso, como havia prometido ao encerrar o post do dia 4 de agosto, cá estou novamente para escrever sobre os novos lançamentos literários que estarão desembarcando ainda neste mês nas livrarias brasileiras. Para ser mais exato, são dois livros da editora Galera Record: “O Canto da Sereia”, de Gabi Burton, e “Orixás: O Poder dos Filhos do Tempo”, de João Raphael Ramos. O primeiro deles já desembarcou nas prateleiras das livrarias físicas e virtuais no dia 10 de agosto, e o segundo deve chegar no dia 31.

Saoirse é a personagem principal do livro de Burton. Ela é uma sereia assassina cujo canto atrai homens para a morte, o que faz dela a arma mais letal de todo um reino.

Na próspera e perigosa cidade de Evain, ser uma sereia é uma sentença de morte instantânea. Para sobreviver, Saoirse esconde sua verdadeira natureza sob o disfarce de uma assassina de aluguel implacável, oferecendo seus serviços letais no submundo enquanto finge ser uma garota comum durante o dia.

Sua rotina entra em colapso quando ela é contratada para uma missão inacreditável: tornar-se a guarda-costas pessoal de Hayes, o herdeiro do trono e filho do rei responsável por caçar e exterminar sua espécie.

O príncipe Hayes é charmoso, inteligente e está determinado a desvendar uma onda de assassinatos misteriosos que ameaça a estabilidade do reino. Forçada a trabalhar lado a lado com o jovem príncipe, Saoirse precisa equilibrar duas tarefas quase impossíveis: proteger o homem que deveria odiar e impedir que ele descubra que a garota ao seu lado é o próprio monstro que a realeza tanto busca destruir.

O que esperar do livro:

·        Protagonista moralmente cinzenta: Uma heroína astuta, perigosa e disposta a tudo para proteger quem ama.

·        Tensão Enemies to Lovers: Química intensa e desconfiança constante entre a guarda-costas secreta e o príncipe.

·        Universo fantástico obscuro: Intriga política, segredos reais e um sistema de magia envolvente.

·        Identidade secreta: O suspense constante de que qualquer deslize pode revelar a verdadeira natureza de Saoirse.

Já em “Orixás: O Poder dos Filhos do Tempo”, livro de estreia do educador, sociólogo e pensador afro-brasileiro João Raphael Ramos, a narrativa se desenvolve no ritmo acelerado do Rio de Janeiro contemporâneo e mergulha de cabeça em uma aventura épica de fantasia urbana e afrofuturista. Conhecemos Akin, Ayô, Mali, Jana, Raoni, João e Zian: sete jovens à primeira vista comuns, mas que guardam no peito um segredo milenar. Marcados pelo axé, eles são os descendentes diretos dos Orixás — os Supraviventes.

A vida desses jovens muda de rumo quando são chamados ao misterioso Tempo Espiralar, um lugar mágico onde o passado, o presente e o futuro acontecem ao mesmo tempo. Nesse espaço sagrado, cada um deles começa a despertar dons profundos, a entender melhor a própria história e a encarar testes difíceis de memória e coragem.

Enquanto aprendem a lidar com esse chamado divino, os sete precisam enfrentar também velhos conflitos, laços de afeto e segredos que voltam à tona.

Mais do que uma jornada individual, a união desse grupo revela que o destino dos mundos físico e espiritual está em risco diante de uma força antiga.

O que esperar do livro:

·        Missão perigosa: O grupo precisa enfrentar inimigos espirituais (ajoguns) e reequilibrar suas próprias forças.

·        Ameaça ancestral: Eles descobrem a aproximação da MAAFA, uma força ligada às dores da história humana que quer destruir o mundo.

·        Relações intensas: Além da luta externa, o livro explora os segredos, as rivalidades e os afetos entre os jovens.

·        Protagonistas marcados: Sete jovens (Akin, Ayô, Mali, Jana, Raoni, João e Zian) são os Supraviventes, descendentes diretos dos Orixás.

·        Cenário urbano: A história se passa no Rio de Janeiro atual, unindo o cotidiano à magia.

E aí, galera? Se interessaram pelas duas dicas literárias? Para quem for ler, escreva para mim depois deixando suas impressões sobre as obras!

 

08 agosto 2026

Ala D

Várias pessoas que conheço – todas leitoras de carteirinha – me disseram que Ala D é o melhor livro de Freida McFadden. Não concordo. Na minha opinião, os melhores continuam sendo os três volumes que formam a trilogia A Empregada (A Empregada, O Segredo da Empregada e A Empregada Está de Olho). Eles são fantásticos e seguem no topo do cardápio literário de McFadden — e diga-se de passagem, um excelente cardápio, já que todos os seus livros (pelo menos os que li) são muito bons.

Com relação a Ala D, que acabei de ler: mesmo não superando a saga A Empregada, o livro é muito, mas muito bom! É o tipo de leitura que fisga o leitor logo nas primeiras páginas. O plot twist principal, então (sim, há mais de um), é daqueles no padrão McFadden: de cair o queixo do leitor mais precavido. Esta reviravolta bombástica acontece perto do final da trama, quando a narrativa entra em seu clímax. Confesso que, ao ler obras de um autor conhecido por incluir grandes reviravoltas, tenho o hábito de tentar descobrir o segredo logo nos primeiros capítulos. A reviravolta de Ala D, de fato, me surpreendeu. Criei várias expectativas e elaborei teorias – por algumas, inclusive, quase cheguei a colocar a mão no fogo (rs) –, mas, no final, errei feio! Não esperava de maneira alguma por aquele segredo, que mudou todo o curso da trama.

Classifico Ala D como o thriller psicológico mais claustrofóbico que Freida já escreveu. Ufá! Sabe aquele tipo de história que te oprime, aperta o peito e dá angústia? Pois é, Ala D se enquadra perfeitamente nessa categoria. Praticamente toda a trama se passa na unidade psiquiátrica de um hospital. Conforme a leitura avança e as páginas viram, a angústia só cresce. Enquanto lia, eu me sentia dentro da própria Ala D ao lado de Amy. À medida que a história se aprofunda, os medos, as dúvidas, os receios e a angústia da personagem passam a ser sentidos também pelo leitor. Freida é uma das poucas escritoras que têm o dom de transportar o público para dentro da história, fazendo com que a gente se sinta o próprio personagem.

Como se não bastasse a história mexer com os nervos, a obra conta ainda com aquela capa igualmente claustrofóbica selecionada pela editora Record. Confesse... a capa impressiona, não é?

Em seu novo thriller, Freida narra a saga da estudante de medicina Amy Brenner, que é escalada para o plantão noturno na Ala D — a unidade psiquiátrica fechada do hospital — e, com isso, passa a viver o seu pior pesadelo. Além do desconforto natural do ambiente, Amy carrega um medo profundo e um segredo do passado que a conecta diretamente àquele lugar isolado por portas trancadas.

O que deveria ser apenas um turno obrigatório de doze horas logo se transforma em uma contagem regressiva claustrofóbica. Conforme a noite avança, incidentes estranhos começam a acontecer e as luzes falham, deixando claro que algo está terrivelmente errado e que os perigos vão muito além do que a mente humana pode explicar.

Trancada em um labirinto de corredores escuros, Amy percebe que a Ala D esconde ameaças invisíveis e que ninguém está seguro. Neste suspense psicológico, a grande questão que fica logo nas primeiras horas é: será que todos os monstros estão realmente atrás das grades?

Enfim, galera, só posso contar até aqui para não dar spoilers. Quanto aos dois plot twists finais – um revelado ainda dentro da Ala D e o outro fora dela –, preparem-se! Como já escrevi, são de derrubar o queixo de qualquer um.

Boa leitura para todos que pretendem ingressar na temível Ala D!

04 agosto 2026

'Anjos do Fim': Autora de Fallen lança nova saga no Brasil; confira a data e pré-venda

Tenho quase certeza de que este post vai agradar em cheio — tipo acertar no alvo — os fãs de uma saga literária que se transformou em uma verdadeira coqueluche em 2010, com mais de 1,4 milhão de exemplares vendidos no Brasil. Estou me referindo à saga Fallen, que marcou época ao definir a literatura jovem dos anos 2010 com sua estética gótica, o romance imortal entre anjos caídos e uma legião de fãs apaixonados nas redes sociais da época. Esta série fez tanto sucesso que acabou virando filme em 2016 e também ganhou uma adaptação em série de TV chamada Fallen: Luz e Sombra.

Pois é, hoje estou passando por aqui para avisar que Lauren Kate, autora desse megassucesso literário, acabou de lançar seu novo livro, Anjos do Fim, primeiro volume de uma nova saga com a mesma vibe de Fallen. A novidade, que já está bombando nos EUA, deve chegar às livrarias brasileiras no dia 13 de agosto. Mas a boa notícia é que o livro já está em pré-venda em várias livrarias virtuais, incluindo a Amazon.

Desta vez, Lucinda Price — mais conhecida pelos fãs como Luce — e o anjo caído Daniel Grigori cedem seus lugares para Desdemona Rae e Rafe de la Cruz nesta nova série idealizada por Lauren Kate.

De acordo com o release promocional da editora Galera Record, quando o destino de Desdemona Rae se cruza com o do misterioso Rafe de la Cruz, seu mundo vira de ponta-cabeça.

Após o irmão ser hospitalizado devido a uma agressão brutal e ela ser apontada como a principal suspeita do crime, Desdemona, mais conhecida como Des, está atolada em problemas. Com a polícia em seu encalço e sem muitas opções, ela vê no convite de Rafe para ingressar na exclusiva escola de cinema Acheron a chance perfeita para se esconder e realizar o grande sonho de se tornar cineasta.

Mesmo consumida pela culpa e pela preocupação, ela aceita a proposta. Ao chegar à escola determinada a ser uma aluna exemplar, Des mergulha em um universo poderoso, impiedoso e repleto de intrigas, onde calouros e veteranos enfrentam uma competição perigosa.

À primeira vista, a Acheron pode parecer o caminho perfeito para uma carreira de sucesso. Mas, ao descobrir os segredos sórdidos da instituição, Des se verá diante de um conflito existencial em escala cósmica. E não será apenas o seu coração ou a sua vida que estarão em jogo.

Uau! Pela sinopse promocional, parece que o novo livro da Lauren promete, não acham? Pelo que entendi, o plot — sem o twist, claro (rs) — parece ser uma mistura envolvente entre a realidade do cinema moderno e guerras celestiais secretas. O cenário dessa misteriosa escola traz aquela atmosfera gótica e competitiva perfeita para quem ama mistérios institucionais. Por fim, tudo indica que a química intensa e proibida entre Des e Rafe entregará tudo o que os fãs de romantasia — principalmente aqueles que leram Fallen — mais gostam.

Ah! Antes que me esqueça: durante as minhas "zapeadas" nas redes sociais (inclusive de outros países onde a obra já foi publicada), fiquei sabendo que, agora, Lauren Kate entrega uma roupagem muito mais madura do que a de Fallen, cheia de reviravoltas.

E aí, galera, se interessaram? Então é só aguardar o dia 13 de agosto, quando a obra será publicada no Brasil.

No próximo post tem mais lançamentos literários para vocês.

Fui!

 



01 agosto 2026

As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro

Dependendo do ponto de vista de cada leitor, existem livros quentes, mornos e frios. Na minha concepção, As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro tem um enredo morno que, em muitos momentos, não chegou a me empolgar ou ao menos despertar o meu interesse. Se teve passagens boas? Sim, claro. Prova disso foi a postagem que escrevi em junho de 2026, logo que comecei a ler a obra. Aqueles que viram o post perceberam que, após os dois primeiros capítulos, a leitura havia engatado, mas depois o meu nível de atenção caiu para a primeira marcha. Confesso que meu foco na história sofreu muitas variações: ora ficava interessado, ora esse interesse caía lá no chão.

A culpa dessas oscilações é do enredo, que às vezes é fluido e, em outras, frio. Ele se torna frio quando a autora interrompe trechos interessantes com outros cansativos, tais como diálogos enfadonhos entre os personagens e longas explicações sobre a origem, os costumes e o dia a dia da tradicional família Ribeiro de Castro. Um desses momentos acontece quando os primos de Cristina se encontram pela primeira vez na casa da avó — um encontro recheado de diálogos monótonos e insípidos.

As interações entre Cristina e uma entidade sobrenatural, que ocorrem várias vezes no decorrer da história, também não causam um grande impacto. Não estou dizendo que esses encontros deveriam ser puramente fantásticos, mas ao menos deveriam ter um tom um pouco mais sobrenatural — algo que só acontece em duas ou três linhas no final do livro. Entendo que a autora tenha optado por humanizar a entidade, mas acredito que, ao fazer isso de forma quase completa, perdeu-se a aura de impacto nos leitores.

O mesmo não aconteceu com outra entidade muito conhecida do folclore brasileiro que também aparece na história. Neste caso, a autora foi muito feliz ao criar um personagem que equilibra na medida certa o sobrenatural e a realidade. Aliás, a reviravolta no enredo (plot) que marcou o encontro desse ser folclórico com o padre da cidade, na porta da igreja, foi fantástica. Como eu já conhecia a origem da lenda dessa “assombração”, acabei adivinhando de cara qual seria a reviravolta. Apesar disso, achei o trecho muito bem escrito.

As inúmeras descrições da rotina dos trabalhadores e das pessoas que frequentam uma tradicional festa folclórica na pequena cidade de São Pedro da Serra Alta também contribuíram para deixar a leitura cansativa.

Mas é evidente que a obra também tem momentos bons, que despertaram bastante o meu interesse. O início, por exemplo, já começa acelerado quando a avó da personagem principal pede que ela e a irmã jamais pensem em sair de casa na primeira noite da festa folclórica da cidade. Quando a neta caçula desobedece e sai, a avó fica desesperada e pede para Cristina encontrar a irmã e trazê-la imediatamente de volta para a segurança do lar. Pimba! Logo nas primeiras páginas, Laura Pohl consegue fisgar a atenção do leitor.

Outras passagens que mantêm a leitura em quinta marcha são as três tarefas que Cristina deve cumprir para salvar sua irmã caçula. A última delas reserva uma reviravolta (plot twist) que me surpreendeu bastante. Juro que não esperava por aquilo. Leiam o que está escrito no sino da igreja e depois me digam se concordam comigo!

Portanto, em minha opinião, se não fossem os diversos trechos e diálogos desinteressantes que quebram o ritmo da história — além da falta de uma “pitada” a mais na composição da entidade sobrenatural que divide o protagonismo com Cristina —, certamente eu teria gostado muito mais do enredo.

Acredito que, por focar bastante em desenvolvimento pessoal, espiritualidade e autoconhecimento, a narrativa de “As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro” ganha um ritmo mais lento em alguns trechos. Outro detalhe que contribui para isso é o foco nos diálogos familiares e nos dilemas da protagonista antes das provas sobrenaturais.

É isso, galera! Leiam e depois me digam o que acharam.

Até mais!

 

29 julho 2026

Uma babá perfeita ou um pesadelo real? Conheça A Ilha de Gloam a fantasia sombria de Jack Mackay

Toda vez que vou escolher um livro em minha estante e "bato" os olhos em A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett, recordo-me de que por muito pouco quase deixei de ler um dos livros mais marcantes da minha vida de leitor. E tudo por causa do seu gênero: infanto-juvenil.

Deixe-me explicar. Há vários anos, quando adquiri o livro em um sebo, alguns colegas leitores me disseram para não perder tempo com a narrativa de Frances Hodgson, por ser direcionada ao público infanto-juvenil. Alguns foram mais contundentes e tascaram: "Não perca tempo lendo narrativas para o público infantil. Você já passou dessa fase." — Cara, acredite, tive de ouvir isso! Mas resolvi nadar contra a maré e encarei a história. Pois é: se eu não tivesse tido essa postura, teria deixado de ler — como já expus acima — um dos melhores livros da minha humilde biblioteca.

Entendo que muitos livros infanto-juvenis têm o poder de fisgar a atenção de leitores de outras faixas etárias por causa da qualidade de suas narrativas. Com A Princesinha não foi diferente. A partir daí, passei a dar muito mais valor a esse gênero literário.

E é por isso que certamente lerei A Ilha de Gloam, livro de estreia do escritor britânico Jack Mackay. O livro foi lançado neste mês de julho pela editora Galera Junior e confesso que a sinopse da história conseguiu despertar o meu interesse.

A narrativa de Mackay acompanha a jovem Gwen, de 13 anos, que assume a responsabilidade de cuidar de seus três irmãos mais novos após a morte trágica de sua mãe. O luto familiar força uma mudança radical: os quatro irmãos e o padrasto se mudam para uma antiga casa em ruínas, localizada em uma minúscula, isolada e gélida ilha chamada Gloam.

As coisas tomam um rumo verdadeiramente sinister quando o padrasto precisa trabalhar no continente e contrata uma nova babá, Esme Laverne. Enquanto todos se encantam pelas palavras doces e pela aparência perfeita da cuidadora, Gwen percebe que há algo profundamente errado. Esme possui um sorriso afiado demais, olhos famintos e uma aura perigosa que parece alimentar-se do medo e da vulnerabilidade das crianças.

Ignorada pelos adultos, Gwen se vê completamente sozinha na missão de proteger sua família. Conforme pesadelos e criaturas aterrorizantes ganham vida pelos cantos da casa, a garota precisa confrontar seus próprios traumas e lutos ocultos para encontrar a coragem necessária e banir o monstro que tomou conta de seu lar antes que seja tarde demais.

Vai, confesse... me diga se esse enredo não despertou o seu interesse em ler a obra. O meu já está acordado faz tempo (rs)!

Acredito que A Ilha de Gloam, por mesclar suspense psicológico, luto real e fantasia sombria, vai conquistar facilmente a atenção dos leitores adultos. De acordo com o release fornecido pela editora, a história consegue equilibrar uma atmosfera de mistério assustadora com dilemas profundos sobre amadurecimento e responsabilidade familiar.

Está aí, pessoal! Fica a dica de leitura.

 

 

 

27 julho 2026

Páginas e Pingos na Janela: 10 histórias acolhedoras para dias nublados ou chuvosos

O tempo por aqui, no dia em que escrevi esta postagem, estava tão aconchegante que eu juro que fiquei em dúvida se escrevia este post ou se lia um livro. Mas resolvi fazer as duas coisas. Algo que me dá um prazer enorme é ler com o tempo nublado e aquela chuvinha mansa batendo no telhado e nas janelas. Nesses momentos, escolho uma obra também aconchegante e me delicio. Uau! Acredite: ter em mãos um livro de que você goste durante um tempo chuvoso é muito bom, pois traz um clima calmo, um som relaxante e um aconchego especial. E se estiver um pouco frio, melhor ainda. Uma manta ou um edredom por cima aumenta ainda mais essa sensação de acolhimento. Para complementar, você também pode ir bebericando aquele chazinho enquanto lê. Vou parar por aqui porque já estou ficando com uma vontade quase incontrolável de agarrar o livro ao meu lado e dar uma pausa nesta postagem (rs).

Pois bem, galera: o céu nublado acompanhado de uma chuvinha mansa com alguns trovões bem baixinhos — como se o céu estivesse ronronando — me deu a ideia de elaborar uma lista com sugestões de leitura para esses dias especiais. Espero que este post ajude os seguidores do blog a escolher o livro ideal para ler quando esse tempinho aconchegante chegar às suas cidades.

Selecionei dez obras que considero perfeitas para este clima. Vamos a elas? Li oito delas; as outras duas foram lidas pela Lulu e, cá entre nós, eu confio muito no gosto literário dela. Por isso, como foram indicadas por ela, tenho certeza de que merecem fazer parte desta lista. Aliás, vou encerrar o post com essas indicações.

01 – Diário de Uma Paixão (Nicholas Sparks)

Começo o nosso listão com esta obra de Nicholas Sparks que amei, como revelei em uma postagem escrita em 2014. De lá para cá, reli Diário de Uma Paixão várias vezes, muitas delas tendo como cenário uma chuvinha e o céu nublado ao fundo.

O livro de Sparks é uma excelente escolha para dias assim, pois traz uma história de amor profunda e emocionante que combina perfeitamente com um clima calmo e nostálgico. O cenário rústico e a intensidade do romance criam uma atmosfera acolhedora. A narrativa é simples e cativante, ideal para devorar em poucas horas de descanso.

Diário de Uma Paixão é uma história de amor avassaladora entre duas almas gêmeas. Nem mesmo as piores dificuldades enfrentadas na juventude e na velhice foram capazes de separá-las. Pelo contrário: esses obstáculos serviram para unir o casal ainda mais. Em resumo, a saga de Noah e Allie convida à reflexão e traz momentos tocantes, perfeitos para se aquecer debaixo de uma coberta em um dia frio.

02 – A Biblioteca da Meia-Noite (Matt Haig)

Imagine a chuva mansa caindo no telhado da sua casa e os pingos batendo na janela. Para completar esse clima, uma manta para aquecer, uma xícara de chá para relaxar e o livro A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt Haig. Tenho quase certeza de que viver essa situação é o sonho da maioria dos leitores.

Eu ainda não tive a oportunidade de ler a obra dentro desse contexto aconchegante, mas a Lulu já viveu essa experiência, já que choveu por vários dias na nossa região.

Você deve estar se perguntando por que o livro de Matt Haig combina em gênero, número e grau com esse clima. Eu explico: a história convida a refletir com calma sobre as escolhas de vida e os arrependimentos. A biblioteca mágica entre a vida e a morte traz uma sensação de isolamento acolhedor. O tom reconfortante da narrativa aquece o coração e traz esperança enquanto o tempo está fechado lá fora. Tem tudo a ver!

Portanto, para quem procura um romance contemporâneo reflexivo, acessível e emocionante, com uma premissa simples — uma mulher diante das vidas que poderia ter vivido —, o livro de Haig é ideal. A narrativa mistura ficção, fantasia leve e temas como saúde mental, arrependimento e o sentido da vida.

03 – Alta Fidelidade (Nick Hornby)

Alta Fidelidade é um livraço — e põe livraço nisso! Amei a narrativa de Nick Hornby, como expliquei no post que publiquei logo quando comecei o blog, há aproximadamente 15 anos.

Aqueles leitores que, como eu, viveram os mágicos anos 1970 e 1980 vão se identificar de cara com Rob Fleming, o personagem principal. Hornby consegue transportar o leitor para os áureos tempos dos discos de vinil e das fitas cassete, que nos brindavam com melodias internacionais inesquecíveis, como "Baby, I Love Your Way" (Peter Frampton), "How Can You Mend a Broken Heart" (Bee Gees) ou "Love Hurts" (Nazareth). Ah, e tem os filmes também! Ou será que você não assistiu — ou ao menos ouviu falar de — O Poderoso Chefão e Cães de Aluguel? Quer um mais recente? Que tal Dragão Vermelho?

Esse é o contexto em que vive o nosso Rob Fleming. Agora me diga: como não se envolver com essa narrativa em uma manhã ou tarde acolhedora de chuva mansa? Impossível! Alta Fidelidade é excelente para dias chuvosos por causa do tom intimista, nostálgico, do humor ácido e da forte ligação com a música.

A história também aborda términos amorosos e a crise dos 35 anos, o que combina com a vontade de ficar quieto em casa. Como o protagonista é dono de uma loja de vinil e adora criar listas de "top 5", você certamente vai querer ouvir alguns discos enquanto lê. A escrita leve e engraçada vai fazer você devorar a obra de uma vez só.

04 – O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)

A obra de Emily Brontë é ideal para dias chuvosos porque sua atmosfera sombria, os ventos fortes da charneca inglesa e as paixões intensas combinam perfeitamente com o clima frio e fechado. A história se passa em uma casa de pedra no alto de um monte castigado pelo vento e pela lama. O enredo é denso, tenso e repleto de sentimentos pesados, como rancor e obsessão, refletindo o isolamento e a intensidade emocional dos personagens.

A ambientação em pântanos frios e casas isoladas recria a sensação de estar no meio de uma tempestade real. Além disso, o barulhinho reconfortante da chuva ajuda a silenciar o mundo exterior, criando um casulo perfeito para mergulharmos na narrativa como se estivéssemos na charneca ao lado de Heathcliff e Catherine.

Vale lembrar que o enredo desenvolvido por Brontë ganhou várias adaptações para a televisão e o cinema, além de ter inspirado o sucesso "Wuthering Heights", composto e interpretado por Kate Bush.

05 – Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Killmore)

Este está na minha lista de leituras, mas ainda não tive a oportunidade de ler — a Lulu, porém, já leu. Ainda me lembro do dia em que recebi Mistério em Cinnamon Falls da editora Verus. Estava chovendo, não muito forte, mas de forma mansa, convidando à introspecção. Foi quando a Lulu me disse que o clima estava ideal para ler um cozy mystery. "Uau, este livro veio bem a calhar!", exclamou ela, que não perdeu tempo e começou a devorar a obra de R.L. Killmore.

Ela adorou a narrativa, o que me deixou ainda mais animado. Segundo ela, o livro entrega uma atmosfera aconchegante, clima de cidade pequena e uma trama envolvente ideal para dias chuvosos e nublados — e se vierem acompanhados daquele friozinho, melhor ainda.

A história se passa em meio aos preparativos para um festival, com clima de folhas secas, bebidas quentes e cheiro de canela. Mistura investigação leve, romance e conforto emocional, sendo perfeita para ler enrolado em uma manta. Além disso, a narrativa lembra o clima de séries acolhedoras como Gilmore Girls.

Segundo o release da editora, Mistério em Cinnamon Falls acompanha Nia, uma mulher que retorna desiludida para a charmosa cidadezinha após descobrir que o namorado era casado. Ela planejava apenas passar uma temporada tranquila ajudando nos preparativos do tradicional Festival de Outono. No entanto, tudo muda quando um assassinato ocorre dias antes do evento, e o caminho de Nia se cruza com o de um policial — seu ex-namorado da época de escola — para descobrir a identidade do assassino.

06 – As Mil e Uma Noites (Antoine Galland)

Imagine você em um dia de chuva mansa e gostosa, debaixo do edredom, tendo ao lado ninguém menos que a princesa Scheherazade contando histórias viciantes das Mil e Uma Noites. Fale a verdade: nenhum leitor consegue resistir a esse clima, não acha?

Posso afirmar com convicção que As Mil e Uma Noites é uma escolha excelente para dias assim, pois une mistério, contos fantásticos e uma atmosfera mágica. A estrutura de histórias dentro de histórias cria um aconchego perfeito para momentos de descanso.

A trama principal se passa à noite, com Scheherazade narrando fábulas para salvar a própria vida. Os contos levam o leitor a lugares distantes, desertos e palácios no Oriente enquanto escuta o barulho da chuva lá fora. Como a obra é formada por narrativas curtas, você pode ler no seu ritmo, sem a pressa de terminar um enredo longo.

Não importa a sua idade: é impossível resistir a contos árabes como "Simbad, o Marujo", "Ali Babá e os 40 Ladrões" e a tantas outras aventuras com tapetes voadores, califas e marinheiros que navegam por mares bravios.

Quando li a obra, senti-me o próprio sultão Shahriar, querendo desesperadamente saber o final de cada conto. O resultado é uma leitura viciante, repleta da mais pura magia, com narrativas que prendem o leitor como uma teia de aranha. Ler esses contos em um dia cinzento é simplesmente irresistível.

07 – As Vinhas da Ira (John Steinbeck)

O clássico As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, combina com dias chuvosos por causa de seu ritmo contemplativo, do forte apelo à reflexão humana e do contraste entre a dureza do enredo e o desejo íntimo de proteção no lar.

A narrativa detalha com calma a jornada da família Joad, combinando com o silêncio dos dias cinzentos. Ler sobre o calor e a poeira árida do Dust Bowl cria uma sensação física imediata de conforto debaixo das cobertas. O Dust Bowl abordado no livro foi um grave desastre ambiental ocorrido na década de 1930 que destruiu plantações, secou a terra e forçou milhares de famílias de agricultores a migrar para a Califórnia.

Steinbeck utiliza a família Joad para retratar o drama dos pequenos agricultores americanos que, durante o período posterior à Crise de 1929, foram obrigados a abandonar suas terras. Eles eram meeiros expulsos pelos donos das propriedades e, de uma hora para outra, viram-se sem teto. No fundo, a obra explora principalmente o tema da superação.

08 – A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, é perfeito para dias chuvosos por sua atmosfera gótica, pelo cenário chuvoso de Barcelona e pelo ritmo envolvente.

A história se passa em ruas de pedra, becos escuros e sob uma névoa constante de pós-guerra. O livro começa em uma madrugada fantasmagórica que puxa o leitor para dentro de um mundo secreto e místico, misturando suspense, amor e tragédia com uma prosa poética que nos convida a ficar enrolados em uma manta.

A obra é uma declaração apaixonada à leitura, fazendo o leitor se sentir protegido e acolhido. A narrativa de Zafón foi uma das melhores que li na vida. O livro faz parte da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos.

09 – O Jardim Secreto (Frances Hodgson Burnett)

Ler O Jardim Secreto é uma experiência incomparável. Frances Hodgson Burnett escreveu uma verdadeira obra-prima que tem o poder de encantar crianças, jovens e adultos. Quantos livros conseguem essa proeza? Poucos. E ler essa obra em um dia chuvoso ou nublado, acompanhado daquele friozinho amigo, é melhor ainda.

A mansão de Yorkshire, onde se desenrola parte da trama, é sombria e fria. A história reflete a cura interior em contraste com o cinza lá fora, e a leitura sob as cobertas traz um aconchego profundo. A solidão dos personagens reflete o clima melancólico do ambiente. Resumindo: o livro foi feito para essa ocasião.

O clássico utiliza o poder da amizade e da união entre três crianças como motor principal para a transformação de suas vidas. O trabalho em equipe reflete o crescimento emocional e físico deles, que juntos conseguem quebrar as barreiras da solidão impostas pelos adultos. Uma leitura obrigatória para dias cinzentos.

10 – A Tormenta (Sebastian Junger)

Acredito que os fãs de livros de aventura já estavam reclamando da ausência do gênero na nossa lista. Pois é, galera, não me esqueci de vocês! Dá, sim, para ler histórias bem aceleradas no aconchego de casa durante esses dias especiais, e a prova disso é o livro do jornalista e escritor Sebastian Junger.

A Tormenta conta a história de homens e mulheres que, em outubro de 1991, enfrentaram uma tempestade avassaladora — considerada pelos meteorologistas a "tempestade perfeita". O fenômeno atingiu várias cidades de Massachusetts, mas a pior parte ficou para os pescadores de peixe-espada do porto de Gloucester, principalmente aqueles que estavam em alto-mar. O livro foi adaptado para o cinema em 2000, dando origem ao filme Mar em Fúria, com George Clooney, Mark Wahlberg e Diane Lane.

Ler a obra em dias chuvosos cria um contraste perfeito: o som da água lá fora combina com o clima de suspense do mar revolto, gerando imersão total. Enquanto você está seco e aquecido no sofá, a narrativa coloca pescadores no meio de ondas gigantescas de mais de trinta metros no Atlântico Norte.

Por tudo isso, a obra de Junger é uma ótima opção para dias nublados.

Valeu, galera! Espero ter ajudado. Agora é só esperar a chegada da próxima frente fria. Que tal já ir selecionando as suas obras preferidas para esse período?

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