31 maio 2018

10 biografias imperdíveis de grandes cantores e grupos musicais

Yes! O assunto do post de hoje é musica. Vale tudo: rock, pop-rock, MPB, discoteca.  Absolutamente qualquer nota, qualquer tom, desde que o seu intérprete tenha impressionado multidões.
Cara, você não imagina quantas biografias boas e de gente boa nós temos espalhadas pelas livrarias e pelos sebos da vida. Vamos para a nossa lista que eu dedico, especialmente, para a galera que está curiosa em conhecer um pouco mais sobre o seu ídolo, acostumado a arrastar multidões em suas apresentações.
01 – As Tais Frenéticas – Eu Tenho Uma Louca Dentro de Mim 
A atriz, produtora, diretora e cantora Sandra Pêra faz neste livro um retrospecto da carreira das Frenéticas, grupo inesquecível do final dos anos 70. Ela detalha passagens pitorescas do grupo formado para animar a “The Frenetic Dancin Days Discothèque”, boate que reinou por breve período na noite carioca. O jornalista Nelson Motta foi contratado para iniciar um trabalho diferente na casa e reuniu seis garotas (Sandra, Leiloca, Lidoka, Dudu, Edir e Regina) para serem garçonetes e fazerem performances.
As Frenéticas só viraram um grupo após o fim da boate. O mundo vivia a febre disco music e o Brasil carecia de artistas nesse gênero. 
O livro traz boas histórias de começo de carreira do grupo, além dos  primeiros shows, o primeiro contrato com gravadora, o primeiro grande hit ("Perigosa"), etc.
Tanto leitores quanto a crítica especializada elogiaram a sinceridade da autora que não escondeu nada, optando por revelar os segredos mais ocultos do famoso grupo musical. Pêra confidencia, por exemplo, intimidades, como o romance que teve com Gonzaguinha, que era casado, e cujo fruto foi a filha Amora Pêra. Conta ainda dos dois abortos feitos no auge da fama, o mergulho nas drogas e por aí afora. Enfim, uma biografia bem sincera e pesada.
A obra lançada pela Ediouro há 10 anos, por enquanto pode ser encontrada nas principais livrarias virtuais pelo precinho salgado de R$ 50,00.
02 – Elis Regina – Nada Será Como Antes
À exemplo do que fez Sandra Pêra em seu livro sobre as Frenéticas, o jornalista Julio Maria optou por ser o mais sincero possível na biografia de uma das maiores cantoras brasileiras: a pimentinha Elis Regina. Sua intenção foi humanizar Elis, por isso, ele procurou esquecer totalmente o seu lado fã para adotar uma postura estritamente jornalística, narrando os fatos bons e também os ruins sobre a vida da cantora.
O autor não coloca "panos quentes" sobre a insegurança da artista, as grosserias que ela dizia a respeito de suas "rivais", como Nara Leão, e os tumultuados casamentos que podiam ser considerados o retrato dessa insegurança.
O autor também é feliz ao narrar os embates da cantora com os seus familiares – dependentes de seu sucesso – e empresários dispostos a transformá-la  em qualquer coisa que rendesse uns trocados.
O livro mostra como Elis, para se tornar aos 20 anos a cantor mais popular da música brasileira, superou barreiras que poderiam ser insuperáveis para quem não possuísse tamanha gana de vencer.
“Elis Regina – Nada Será Como Antes” foi lançado pela editora Master Books em 2015. São mais de 420 páginas muito elogiadas pelos leitores.
03 – Eu, Tina – A História de Minha Vida
Depois que assisti ao filme “Tina – A Verdadeira História de Tina Turner” com Angela Bassett e Laurence Fishburne fui correndo num sebo perto de casa a procura do livro no qual a produção Brian Gibson havia sido baseada. Por sorte, encontrei. Mal tinha acabado de assistir ao filme de 1993, já comecei a devorar a obra escrita por Tina Turner e Kurt Loder. Apesar de ser muito diferente do filme, o livro de Loder e Tina é fantástico. Um dos melhores que li no gênero biografias.
 A história da vida de Anna Mae Bullock, ou simplesmente “Tina Turner”, se resume em uma única palavra chamada: superação.
Em “Eu, Tina – A História de Minha Vida”, a cantora “escancara” a sua vida para os seus fãs. Ela não esconde absolutamente nada. Desde a sua paixão por Ike Turner até os espancamentos homéricos sofridos pelo tirânico marido.
Numa linguagem simples e objetiva, o leitor fica sabendo como uma adolescente magrela, desengonçada e cheia de rebeldia, invadiu o palco onde Ike se apresentava e o convenceu a contratá-la para vocalista de sua banda de blues conhecida como “Os Reis do Ritmo”. Após contratá-la, Ike já deixaria evidente a sua personalidade dominadora, ao trocar o nome de Ana Mae Bullock para Tina Turner, sem ao menos consultá-la.
O livro conta ainda detalhes da infância sofrida de Tina que se sentia rejeitada pelos próprios pais Richard e Zelda. Enfim, uma biografia, onde a cantora abre o jogo.
Pena que a obra está sendo vendida a preços absurdos nos sebos.
04 – John Lennon – A Vida
Philip Norman brinda os seus leitores com informações que vão desde o nascimento de John Lennon até o dia de sua morte. O autor é muito detalhista, não deixa escapar nada. Como era a mãe do ex-Beatle, o seu relacionamento com o Paul McCartney, os problemas com as drogas e como o superou, as declarações bombásticas que mais se pareciam com metralhadoras disparadas de sua boca; e por aí vai.
Os críticos teceram muitos elogios para “John Lennon – Uma Vida” por achar o livro de Norman sincero e desmistificador. São 840 páginas para os fãs conhecerem a fundo o Beatle mais polêmico. O livro foi lançado em 2009 pela editora Companhia das Letras e continua vendendo muito nas livrarias.
04 – Michael Jackson: A Magia e a Loucura
“Michael Jackson: A Magia e a Loucura” é resultado de 30 anos de pesquisa sobre a vida do saudoso rei do pop. J. Randy Taraborelli – jornalista especializado em investigar a vida de celebridades como Madonna, Grace Kelly e Frank Sinatra - diz que reuniu uma vasta documentação onde desvenda Michael Jackson através dos anos, explicando todas as suas transformações.
O livro fala da sua infância, seus relacionamentos com garotos e amizades com celebridades como Diana Rossa e Elizabeth Taylor. Mostra um homem brincando como se nunca tivera infância, onde era capaz de contratar atores da Disney e cair nos braços da branca de neve e beijar o boneco do ET como se eles realmente fossem verdadeiros. Suas plásticas e inúmeras cirurgias são abordadas bem como as confusões de seus familiares que tentavam a todo custo passar a imagem de uma família unida. 
O livro, publicado originalmente em 1991, teve sua última edição atualizada em 2005 e agradou em cheio os fãs que queriam conhecer detalhes sobre a vida do cantor. Foi um dos mais vendidos no Brasil em 2005.
05 – Quelé , a Voz da Cor – Biografia de Clementina de Jesus
Este livro escrito por quatro autores – Felipe Castro, Janaína Marquesini, Luana Costa e Raquel Munhoz – reconstitui a trajetória artística e o legado de um dos símbolos do samba: a carioca Clementina de Jesus. (1901-1987).
A obra pontua todas as dificuldades que Quelé (como era chamada) enfrentou antes de tornar-se famosa.
Empregada doméstica, foi descoberta por Hermínio Bello de Carvalho em 1963, com mais de 60 anos de idade. A mulher negra, pobre e neta de escravos lançou onze discos, gravou ao lado de artistas como Pixinguinha, Clara Nunes, Cartola, Milton Nascimento, entre outros, e virou referência na música popular brasileira ao (re)incorporar elementos ancestrais a um ritmo genuinamente brasileiro: o samba.
Uma curiosidade é que a obra surgiu como trabalho de conclusão do quarteto de autores no curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. Além da nota máxima pela banca avaliadora, a obra valeu a eles premiações como uma da própria universidade e duas da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares de Comunicação. A pesquisa se estendeu por seis anos até virar um livro de sucesso lançado em 2017 pela editora Civilização Brasileira..
06 – Elvis e Eu
Não existe certa unanimidade nas biografias sobre Elvis Presley lançadas até agora. Que eu saiba, nenhuma delas foi inteiramente endeusada por leitores ou críticos, mas o livro escrito por Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon foi aquele que mais se aproximou de uma uniformidade geral.
 Considero a obra uma referencia sobre a vida do cantor que faleceu no dia 16 de agosto de 1977 deixando uma lacuna insubstituível no mundo do rock.
O livro é muito bom. Tenho o hábito de dizer que “Elvis e Eu” é uma ‘biografia honesta’ sobre o cantor, diferenciando-se de outras do gênero que foram lançadas por vingança ou exclusivamente com o intuito de faturar às custas do “Rei do Rock”, como já escrevi no post “Livros sobre Elvis Presley: os bons e os ruins”.
Mesmo separados, Elvis e Priscilla continuaram sendo verdadeiros amigos, com Elvis dando uma importância enorme aos conselhos de Priscilla e vice-versa. Na época, Priscilla deixou no ar que temia que autores oportunistas lançassem obras mentirosas e sensacionalistas “criando um Elvis” e não “escrevendo sobre Elvis”. Quem sabe, por isso, ela decidiu abrir as comportas sobre a vida íntima do “Rei do Rock”, despejando nas páginas as coisas ruins e também as boas.
Uma biografia que considero completa e honesta.
07 – O Livros dos Mortos do Rock
Num livro só, você já arremata as biografias de Elvis Presley, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, John Lennon e Jerry Garcia, ou seja, sete celebridades do mundo do rock.
O Livro dos Mortos do Rock” tem muitas informações interessantes e que conseguem prender a atenção da galera até a ‘última gota’. David Comfort foi minucioso em suas pesquisas e vasculhou a fundo a vida desses sete saudosos roqueiros. A escrita no formato ‘jornalismo investigativo’ aguça a curiosidade dos leitores fazendo com que eles devorem em pouco tempo as 408 páginas recheadas de informações bizarras, engraçadas, chocantes e tristes envolvendo o lado secreto – desconhecido dos fãs – dessas lendas do rock.
Valendo-se de diversos pontos de vista, tanto de pessoas próximas quanto dos próprios astros, Comfort mostra que, apesar de personalidades diferentes, suas histórias de vida tiveram muito em comum.
Ao desafiar os limites da liberdade e da rebeldia, os sete conheceram o céu e o inferno do estrelato, a mais completa euforia e a depressão arrasadora. Tornaram-se solitários e autodestrutivos, entregues ao vício e às pressões por parte de amigos, fãs e empresários.
Se você gosta de biografias que exploram o lado trágico da vida de feras do rock, o livro de Comfort é indispensável.
08 – Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia
Nelson Mota destrincha a vida de Tim Maia nessa biografia. Você vai ficar sabendo tudo, absolutamente tudo sobre o ‘Síndico’. Através de uma escrita simples e que flui naturalmente, Motta faz muitas revelações sobre Tim Maia. A obra traz muitas curiosidades sobre o ‘pai do soul brasileiro’, desde sua infância até seu último dia de vida. 
“Vale Tudo: O Som e a Fúria de Tim Maia” foi lançado pela editora Objetiva, tendo feito um excelente trabalho de edição e diagramação. Cada capítulo do livro é ilustrado com uma foto do cantor. Um detalhe que achei interessante é que  a cada capitulo, você fica sabendo quanto cantor estava pesando em determinados momentos de sua vida.
Um grande livro, uma grande biografia.
09 – Rita Lee – Uma Autobiografia
A comadre do rock abre o bico, textualmente. Ela conta tudo sobre a sua vida: a infância e os primeiros passos na vida artística, sua prisão em 1976, o encontro com Roberto de Carvalho, o nascimento dos filhos, os tropeços, as cabeçadas, as glórias.
Quem leu gostou da honestidade da cantora. Foi ela quem  escolheu as fotos e criou as legendas - e até decidiu a ordem das imagens -, fez a capa, pensou na contracapa, nas orelhas... Entregou o livro pronto.
Uma biografia ou melhor uma autobiografia ‘100% sinceridade’.
10 – Freddie Mercury – A Biografia Definitiva
Freddie Mercury, mundialmente famoso como vocalista e líder do grupo Queen, foi retratado  em muitas biografias Existem pelo menos ‘uns’ 20 ou 30 livros espalhados por aí. Uma verdadeira ‘montanha de páginas’. A maioria dessas obras , infelizmente, apelaram para o sensacionalismo, o que não acontece com o livro da escritora e biografa inglesa Leslie Ann Jones.
Em “Freddie Mercury – A Biografia Definitiva”, ela consegue dosar o sucesso do cantor com o Queen e a sua vida sexual desembestada que acabou culminando na sua morte em decorrência da Aids. Conheço a obra e na minha opinião, a autora conseguiu atingir um bom equilíbrio ao escrever sobre o saudoso popstar.
Jones vai aos poucos introduzindo informações sobre o surgimento da Aids na vida de Mercury até culminar com a sua morte. Ela relata ainda que após atingir o estrelato, Mercury passou a ter um cotidiano dividido entre o Queen e ‘noites selvagens’ de muito sexo e drogas que são relatadas no livro em detalhes, mas sem sensacionalismo.
Segundo os fãs do cantor do Queen, um livro muito bom.
Taí galera, espero ter ajudado.  Agora, é só escolher a sua biografia preferida e devorá-la.
Boa leitura!

27 maio 2018

Sequencia da saga Crônicas Saxônicas tem data de lançamento confirmada. Novo livro “War of the Wolf” chega em outubro


Como disse anteriormente na fanpage do blog, este fato que vou revelar vale um sonoro Ihauuuuuuu!!!  Não um grito qualquer, mas um grito que saia do fundo da alma, da mente e do corpo do leitor. Detalhe: esse leitor tem que ser um fã ardoroso das “Crônicas Saxônicas”, saga escrita pelo autor britânico, Bernard Cornwell, e que já se encontra em seu 10º livro.
Sem mais delongas vamos ao fato: Já está confirmada a data de lançamento do 11º livro da saga que irá se chamar “War of the Wolf”. O guerreiro Uhtred e toda a sua tchurma desembarcam na Terra do Tio Sam em 09 de outubro próximo.
Quanto ao desembarque em terras tupiniquins, ainda não há uma data confirmada, mas os fãs do guerreiro pagão podem ficar tranqüilos porque a Record – responsável pela edição da saga no Brasil – costuma ter o dedo leve no gatilho quando o assunto é Uhtred, promovendo o lançamento por aqui, com poucos dias de diferença com relação aos states. Por isso, não será surpresa se “War of the Wulf” chegue ao Brasil, também, em outubro.
Juro que estou ansioso demais para ler a sequência das “Crônicas Saxônicas”.
Achei “O Portador do Fogo” foi fantástico. Nele, finalmente, foi possível ver a conquista da fortaleza de Bebbanburg por Uhtred e seus valorosos guerreiros numa batalha épica, mas eu tinha certeza que apesar de sua idade avançada, ele não iria sossegar após essa vitória. O novo livro de Cornwell confirma isso.
Em “War of the Wolf”, Uhtred não tem muito tempo para desfrutar a sua conquista. Após ter tomado Bebbanburg, ele se vê ameaçado de todos os lados por inimigos antigos e novos. Na Mércia, o Rei Eduardo tenta conter uma grande rebelião, onde os rebeldes querem lhe tomar o poder. Enquanto isso, em Wessex, partidos rivais lutam de maneira violenta para escolher o próximo rei.
Como não bastassem esses conflitos que podem prejudicar o difícil caminho da unificação da Inglaterra, nos dois reinos ingleses – Wessex e Mércia - os invasores noruegueses continuam sua implacável incursão, sempre famintos por terra. Uhtred - um guerreiro lendário, admirado e procurado como um aliado, temido como um inimigo fica mais uma vez dividido entre  o juramento feito ao Rei Alfredo, pai de Eduardo,  de lutar pela unificação da Inglaterra ou então de apoiar os seus conterrâneos noruegueses que sonham em conquistar as terras do rei.
Mas quando Uhtred se vê lutando contra o que ele considera o lado errado, enfrentando um de seus inimigos mais temíveis, apenas a astúcia, lealdade coragem podem salvá-lo.
A previsão é a de que “War of the Wolf” seja um dos livros mais longos da saga com 400 páginas em média.
E aí? Gostaram da novidade?
Agora só aguardar a chegada de outubro  ou melhor, torcer para que essa data seja antecipada. Quem sabe...

24 maio 2018

Autor carioca pretende lançar livro baseado no folclore brasileiro e em acontecimentos históricos

Personagem Chico-Rei

Recebi um email do autor fluminense Gabriel Billy solicitando a divulgação de uma campanha de financiamento coletivo que ele idealizou, via Catarse, com o objetivo de conseguir recursos para o lançamento de um livro.
Sei como é dura a luta de milhares de novos escritores que sonham com o lançamento de primeiro livro. Então, na hora H chega a decepção no formato de “nãos” que saem das bocas dos grandes editores que só se tem olhos para os grandes autores.
Por isso, na medida do possível tento ajudar essa galera divulgando as suas obras custeadas com recursos próprios ou então através dos financiamentos coletivos.
Gostei da prévia da obra de Billy. Pelo pouco que eu li, se “Vera Cruz” chegar a ser publicado - torço muito por isso –  conquistará os leitores, facilmente,  por adotar uma técnica utilizada por escritores de renome e que até agora vem surtindo efeito positivo: misturar realidade com ficção.
“Vera Cruz” é um livro de fantasia e SteamPunk inspirado no Brasil. Com um universo baseado no Folclore Brasileiro e em acontecimentos históricos, o autor cria situações interessantes envolvendo nesse cenário, conhecidas  personalidades nacionais, além de tecnologias inspiradas nos inventos de brasileiros como Santos Dumont, Padre João Francisco de Azevedo, Padre Landell de Moura, Padra Bartolomeu de Gusmão, Hércule Florence, Dimitri Sansoud de Lavoude, Julio César Ribeiro, entre outros.
“Será um livro repleto de ilustrações que até o momento são de Rebeca Acco, Zakuro Aoyoama, Diucênio Rangel, Theo Szczepanski e Rogério Narciso”, diz Billy. Se batermos a primeira meta, o livro será em formato 15.5x22cm e terá 184 páginas preto e branco em papel Chambril Avena LD 80g, lombada quadrada, capa colorida em papel cartão com 250g com verniz localizado e irei imprimir 1000 exemplares”, acrescenta.
A história se passa em um mundo conhecido como Vera Cruz, que lembra uma mistura da Belle Époque brasileira com o período colonial, entretanto repleto de tecnologias de combustão a base de cana de açúcar, e de veículos especiais como incríveis dirigíveis projetados por Santos Dumont.
Com uma trama repleta de personagens, entre os quais Pedro Malazarte, o maior ladrão do mundo, o ladino capaz de roubar o gorro de um saci; Zaila, filha de Chico-Rei, a princesa do reino de Ouro Preto, um reino de ex-escravos negros e seus descendentes que se refugiaram (tal como um quilombo); além de Urutau, um índio da tribo Tembé que possúi um arco mágico.

O lançamento do livro vai depender do sucesso da campanha de financiamento através da plataforma Catarse. Os leitores interessados em colaborar com o projeto poderão acessar o endereço: https://www.catarse.me/veracruz.

20 maio 2018

Relendo e adorando "Eu, Tina - A História de Minha Vida". Um livro que vai além de uma simples biografia

Livro lançado pela Rocco em 1987

Olá pessoal! Ótimo domingo para todos os devoradores de livros. Há dois dias resolvi reler "Eu, Tina - A História de Minha Vida" onde essa famosa cantora 'abre jogo'. Tina conta tudo, absolutamente tudo;  desde a sua infância - incluindo a rejeição por parte dos próprios pais - passando pela fase de agressões sofridas por seu marido Ike Turner, até culminar com a volta por cima e o início de seu estrondoso sucesso. O livro vai além das curiosidades e notícias secretas dos bastidores sobre a vida de uma cantora. A obra vai muito além e rompe paradigmas.  "Eu, Tina - A História de Minha Vida"  é uma verdadeira lição de vida, principalmente para muitas mulheres que se encolheram diante de adversidades em sua vida. Um livro de superação,  indispensável para quem está passando por inúmeros problemas e muitas vezes não encontra força para superá-los. Incrível, fantástico, inspirador. Sei lá, qualquer uma dessas definições, além de tantas outras servem para esse trabalho literário. Enfim, estou adorando a releitura.
O livro tem muitas diferenças do excelente filme de Brian Gibson, "Tina" de 1993, no qual foi baseado. Aliás, com a Angela Bassett e Laurence Fishburne – como Tina e Ike Turner, respectivamente - dão uma verdadeira aula de interpretação nesta produção cinematográfica muito elogiada pela crítica.
Fishburne e Basset caracterizados como Ike e Tina Turner no filme "Tina"
A edição literária escrita à quatro mãos por Tina Turner e Kurt Loder (editor da revista Rooling Stone nos anos 80) é muito mais profunda do que o filme, principalmente no que diz respeito a infância e adolescência da cantora.
Resolvi reler a obra, na semana passada, após ter assistido ao filme em minha casa. Enquanto fuçava  nos meus dvd’s, encontrei “Tina” e então, de repente, me bateu aquela vontade de assisti-lo. Como fazia mais de uma década e meia que já havia tido contato com o filme, a tal vontade de revelo voltou exacerbada.
 Adorei as interpretações de Basset e Fishburne. Caraca! Eles estão demais! A própria cantora Tina Turner, na época do lançamento do filme, disse que Basset era um espelho seu. A prova de que essa dupla de atores arrasou foi a de que Basset ganhou o Globo de Ouro de "Melhor Atriz" e Fishburne, por sua vez, concorreu ao Oscar de "Melhor Ator", perdendo para Tom Hanks que atuou em Philadelfia. O que, entre nós, achei uma injustiça.
O cartaz do filme foi o mesmo para os cinemas e Dvds
Após reassistir ao filme, veio a louca vontade de reler o livro que já havia comprado há muitos anos num sebo. Ainda bem, pois hoje a obra encontra-se esgotada e vem sendo vendida a peso de ouro por livreiros.
Pois é, mesmo já tendo  lido o livro, estou devorando-o novamente. Não há como você não se envolver com a conturbada  história de Tina e Ike. Entre os anos 1960 e 1970, a dupla dominou o cenário de Rhythm & Blues norte-americano. Além dos EUA, Ike & Tina conquistam a Europa.
I Want to Take You HigherRiver Deep - Mountain HighHigher Ground, Honky Tonk Women e I Can’t Stop Loving You são alguns dos hits do casal.
Tina revela em sua biografia que apesar da excelente parceria musical, Ike era um marido agressivo e a agredia constantemente. Cansada das agressões, a cantora se separou do músico em 1976. Ike tentou uma reaproximação com a artista, mas nunca voltaram a se apresentar juntos.
Para continuar a usar o sobrenome do ex-marido, Tina foi obrigada a abrir mão de todo o patrimônio que construiu ao lado dele. A cantora retomou a carreira musical em 1978 e atingiu o sucesso solo seis anos depois, com o álbum Private Dancer. A partir do disco, a artista, aos 45 anos, se consagrou como a Rainha do Rock. Tudo isso é contado em detalhes na biografia “Eu, Tina A História de Minha Vida”
Entonce, a releitura da obra me inspirou a escrever esse post, convidando todos vocês a conferirem a resenha do livro que escrevi em maio de 2011, nos primórdios do blog (veja aqui).
Vale à pena conferir.

17 maio 2018

Cinco livros de Michael Crichton que não podem faltar em sua estante


Sempre fui um grande fã de Michael Crichton. Fã de carteirinha, mesmo. Tanto é que os primeiros livros que fizeram parte da minha humilde sala de leitura foram os dele. Por exemplo, tenho até hoje a edição capa dura de  “O Parque dos Dinossauros”, lançado pela editora Círculo do Livro, guardado em um lugar de honra em minha estante. Também tenho um carinho especial por “Presa” que me proporcionou uma viagem marcante para o mundo da fantasia. 
No post de hoje quero fazer uma homenagem para esse autor que faleceu em novembro de 2018, portanto há quase 10 anos, e que escreveu 19 livros de ficção – se incluirmos três póstumos – além de ter roteirizado e dirigido diversos filmes no cinema e televisão. Esta homenagem vem na forma de cinco livros que não podem faltar de maneira alguma nas estantes dos fãs do autor americano que infelizmente deixou de escrever... para sempre.
Vamos á eles:
01 – O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park) (1990)
Imagine se eu não iria abrir essa lista com “O Parque dos Dinossauros”! Apesar de Michael Crichton ter escrito outros livros excelentes antes desse, incluindo “O Enigma de Andrômeda” e “O Homem Terminal”, posso dizer que “O Parque dos Dinossauros” é considerado a sua obra máxima. O enorme sucesso de sua adaptação cinematográfica dirigida pelo gênio Steven Spielberg colaborou para o ‘endeusamento’ da obra.
Apesar do grande sucesso do filme, o livro é muito melhor e bem mais elucidativo. Crichton recheia o seu texto com detalhes técnicos que foram inteiramente banidos da produção cinematográfica. Desde o processo de criação dos dinossauros por meio de manipulação genética até informações sobre as características dos animais pré-históricos (ver mais detalhes aqui).
“O Parque dos Dinossauros” tem ação e suspense em doses cavalares. Aliás, o autor é mestre nesse tipo de enredo, ou seja, ele é capaz de “lotar” seus textos de informações científicas sem torná-lo cansativo.
02 – Mundo Perdido (1995)
Se você tem “Jurassic Park” em sua biblioteca, com certeza também tem a obrigação de ter “Mundo Perdido”. Após cinco anos do lançamento de “O Parque dos Dinossauros”, Crichton decidiu escrever uma sequência da história com novos personagens e novos dinossauros, mas sem perder a essência do primeiro livro que continuou sendo o fio condutor do enredo.
Nesta sequencia, Crichton não perde tempo com explicações e detalhamentos científicos. De maneira objetiva, ele expõe apenas o essencial para que o leitor tenha uma noção do lado científico do romance. No mais, a ação e o suspense correm soltos, prendendo a atenção do mais disperso dos leitores.
Também achei os personagens de “Mundo Perdido” muito mais carismáticos. Richard Levine e Sara Harding, por exemplo, engolem Alan Grant e Ellie Satller. Os dois primeiros são personagens bem mais complexos, contrariando os padrões convencionais nos quais se encaixam os “certinhos” Alan e Ellie.
Crichton ainda brinda os seus fãs com um vilão de primeira linha: Lewis Dodgson.  Se em “O Parque dos Dinossauros”, Dodgson teve uma aparição ínfima, em “Mundo Perdido” ele dá um verdadeiro banho de vilania. 
Este livro também foi adaptado para os cinemas por Stevem Spielberg, mas com muitas alterações.
03 – O Homem Terminal (1972)
Cara, fiquei tão impressionado com um filme no início dos anos 70 que mesmo depois de décadas, ele ainda não saía da minha cabeça. Foi, então que decidi ler a obra de Crichton que serviu de base para a produção no cinema. Quando terminei de ler “O Homem-Terminal” posso garantir que, voltei a ficar impressionado. O livro explica, logo nas primeiras páginas, que no Japão em 1965 foi realizada um tipo de cirurgia semelhante em 98 pacientes com comportamento violento.
Não há como negar, os argumentos científicos apresentados durante o enredo são muito fortes e ao mesmo tempo que convencem também impressionam o leitor.
Em “O Homem Terminal”, Crichton Nara o drama de Harry Benson, um cientista de computação especializado em vida artifical e que após um traumatismo craniano causado por um acidente, descobre ser portador de LDA – Lesão Desinibitória Aguda – uma espécie de lesão cerebral que o faz sofrer terríveis crises nas quais perde completamente a inibição contra atos violentos e assume uma personalidade agressiva, cometendo crimes dos quais nada lembra ao término da crise.
Por suas atitudes estranhas e por seus delírios, amigos o aconselham a procurar um especialista. É assim que Benson chega à Unidade de Pesquisa Neuropsiquiátrica do Hospital Universitário de Los Angeles e torna-se paciente da Drª Janet Ross. A equipe de cirurgiões, liderada por um gênio da neurocirurgia, transforma Benson na principal cobaia do projeto desenvolvido pelo hospital.
Na tentativa de curar a lesão, o paciente é submetido a uma cirurgia única e inacreditável, onde tudo pode certo ou ficar pior do que já está.
Livraço de Crichton!
04 – Presa (2002)
Sempre considerei todas as listas, algo pessoal. Não existe esse lance de os 10 melhores livros de todos os tempos. Cara, veja só, você pode odiar a maioria dos livros que se encontram nessa lista. Entende? Por isso, sempre digo que toda e qualquer lista literária é pessoal, apesar de seus títulos e subtítulos.
Estou fazendo essa colocação porque muitos leitores do blog poderão questionar como incluo numa lista de ‘melhores livros de Michael Crichton’, uma obra tão insignificante e desconhecida quanto “Presa”. Então, eu respondo: pode ser insignificante e desconhecida para você, mas  para mim, não.
Na minha opinião, “Presa” foi um dos melhores livros já escritos pelo autor e uma das melhores obras de ficção científica. Bom demais! Até hoje não entendo porque a história ainda não foi adaptada para os cinemas e o motivo de ter tão poucas resenhas nos blogs.
No deserto de Nevada, uma experiência deu terrivelmente errado e com isso, uma nuvem de nanopartículas - microrobôs – consegue escapar de um laboratório que fica isolado no deserto de Nevada. Essa nuvem é auto-sustentável e auto-reprodutiva. É inteligente e aprende com a experiência. Para todos os fins práticos, está viva. A nuvem foi promulgada como um predador. Está evoluindo rapidamente, tornando-se mais letal a cada hora. Todas as tentativas de destruí-la fracassaram. Enquanto isso, elas continuam avançando para o centro da cidade onde todos nós seres humanos somos a sua presa.
“Presa” conta a história de uma praga mecânica e os esforços desesperados de um punhado de cientistas para exterminá-la. Baseado nos mais recentes fatos científicos, Michael Crichton nos transporta aos domínios emergentes da nanotecnologia e da inteligência artificial em uma história emocionante. 'Presa' é um livro para ser lido de um só fôlego.
05 – Micro (2011)
Há rumores de que Crichton tenha escrito apenas 73% de “Micro” antes de morrer. O restante da história teria sido completado por Richard Preston. Só que para o leitor é como se Crichton tivesse escrito todo o livro, o que deixa evidente o talento e a competência de Preston. Ele já havia provado que, de fato, é o “cara”, quando escreveu em 1994 “The Hot Zone”, um thriller de não ficção sobre um surto do vírus Ebola num laboratório especializado no estudo de primatas, localizado em Virginia. Este livro de Preston chamou a atenção do mundo em 1989 e mobilizou as autoridades médicas e sanitárias de vários países. “The Hot Zone”, lançado no Brasil pelo Rocco, é uma leitura obrigatória para aqueles que gostam de enredos de qualidade escritas em estilo jornalístico.
Quando soube que Preston havia sido escolhido pelos herdeiros de Crichton para concluir a sua obra póstuma, encostei a cabeça no travesseiro, dormi e sonhei com os anjos, pois tinha certeza que seria uma mistura de qualidade.
O enredo estilo montanha-russa de “Micro” descreve a aventura de sete promissores estudantes, cada um deles, graduado em determinado campo da ciência (aracnologia, entomologia, bioquímica, envenenamento, etc) que acabam participando – diga-se forçosamente - de uma pioneira experiência no ramo da miniaturização de seres humanos e assim, eles indo parar numa floresta tropical povoada de insetos e outros bichinhos inofensivos. Bem... inofensivos para nós leitores, mas letais para eles, personagens.
Taí, fãs de Crichton. Boa leitura!


13 maio 2018

Histórias para não dormir


Algumas pessoas acham que as revistinhas de terror antigas - do tipo Kripta, Calafrio e Spektro que já comentei nesse post – tornaram-se banais e já não assustam tanto quanto as histórias contemporâneas do gênero. Eu não penso assim, pelo contrário, acredito que elas continuam assustando bastante, principalmente por causa dos elementos gráficos. Além do mais, uma boa história de terror jamais vai deixar de pregar bons sustos no leitor, tenha essa história 50 ou 100 anos, ou será que os enredos de Poe, Maupassant, Lovecraft e tantos outros ‘antigões’ já perderam a sua magia? Claro que não.
Por ainda acreditar nessa magia, continuo adquirindo as coletâneas clássicas de terror. E por conhecer o meu apreço por esse gênero literário, um ex-professor me emprestou no início do ano um livro que achei fantástico: “Histórias para não dormir”. A obra lançada em 2010 pelo selo Arx da editora Saraiva, reúne contos de “antigões’ famosos como Guy de Maupassant, Edgar Allan Poe, Robert Louis Stevenson e outros. A novidade é que esses contos foram reescritos no formato de quadrinhos e com uma nova linguagem. E tem mais: as histórias são narradas pelos próprios autores! Cara, é fantástico ver Poe ao lado de seu famoso corvo negro introduzindo o conto “O Gato Preto”. Imagine, o mestre do terror narrando: “Os Glenville adoravam animais, mas...” Resumindo: o livro traz inovações atrás de inovações, desde a transformação de contos clássicos de terror em quadrinhos à participação de seus autores em suas próprias histórias. A obra insere ainda várias curiosidades sobre a vida desses autores, por exemplo, a insanidade de Poe que o levou a cometer suicídio; Sheridan Le Fannu que tinha o apelido de Príncipe Invisível”; William Polidori que era fascinado por histórias de fantasmas; Catherine Crowe que pesquisava o ocultismo; além de outros detalhes.
“Histórias para não dormir” também dá um show de layout com acabamento cartonado, capa dura e impressão colorida. A obra de 98 páginas foi ilustrada por Pedro Rodriguez, que também adaptou os textos dos contos para a linguagem dos quadrinhos. A tradução foi feita por Ana Luisa Martins. Para quem não sabe – assim como eu não sabia até antes de pesquisar – Rodrigues é um famoso quadrinista espanhol. O sujeito é muito respeitado por lá.
Dos sete contos que compõem o livro, gostei de todos, mas especialmente de “A Mão” de Maupassant, “O Ladrão de Cadáveres” de Stevenson e “A Casa do Pesadelo” de Lucas White.
Confiram um pequeno resumo dos contos:
01 – A Mão (Guy de Mapassant)
Um juiz conhece um novo morador na cidade. Ao visitá-lo acaba descobrindo uma estranha coleção de animais empalhados e o objeto mais bizarro é uma mão humana, verdadeira. Certo dia o novo morador é encontrado morto e a mão desaparecida.
02 – O Pacto de Sir Dominick (Sheridan Le Fannu)
Um homem se viu falido depois de perder tudo nos jogos, ao encontrar o diabo acaba fazendo um pacto para que passe a ter mais sorte nas jogatinas. Pois é, como sabemos esses pactos com o tinhoso nunca acabam bem e no conto de Le Fannu não é diferente.
03 – A Casa do Pesadelo (E. Lucas White)
Imagine você dirigindo, sozinho, durante a madrugada numa estrada deserta e de repente o seu carro quebra. Então aparece um menino e o convida para passar a noite na casa dele. O tal menino mora sozinho num casarão abandonado. E você aceita! Brrrrr.... Preciso dizer mais alguma coisa? Um dos contos mais assustadores da coletânea.
04 - O Vampiro (William Polidori)
Um jovem que sonha conhecer o mundo, aceita viajar com um distinto cavalheiro, mas percebe que ele tem uma forma estranha de agir, aliás, muito estranha. Por isso decide continuar a sua viagem para a Grécia sozinho. Lá conhece uma moça por quem se apaixona, mas ela acaba sendo morta por criaturas que moravam na floresta. Será que tem alguma coisa a ver com aquele estranho cavalheiro?
05 - A Casa B… Em Candem Hill – Catherine Crowe
Um casal começa a perder vários inquilinos por causa de um fantasma que assombra um dos quartos. Desesperados com a situação, eles acabam pedindo ajuda a um marinheiro com fama de durão para solucionar o problema.
06 - O Ladrão de Cadáveres (Robert Louis Stevenson)
Já conhecia esta história de Stevenson, mas foi uma grata surpresa vê-la agora no formato de quadrinhos. O conto repleto de suspense e mistério fala de dois médicos que se conheceram na faculdade e que um dia se encontram por acaso. Um deles quer cobrar explicações do colega sobre algo que aconteceu há muitos anos e que ainda o intriga. O final é surpreendente e assustador.
07 – O Gato Preto (Edgar Allan Poe)
Um dos contos mais apreciados da literatura universal. Poe conta a história de um homem que movido pelo abuso de álcool acaba por enforcar seu próprio gato de estimação. Perseguido pelo fantasma do gato, ele adota outro animal que com o passar do tempo revela, em sua pelagem, a marca da forca. 
Taí galera, espero que apreciem!

10 maio 2018

O Caçador de Pipas


Existem livros que tem o poder de mexer com os nossos sentimentos. Podem passar anos e de repente você se vê relembrando determinadas passagens dessa obra e então, pronto! Lá estão os olhos úmidos e às vezes até mesmo com lágrimas. “O Caçador de Pipas” de Khaled Hosseini tem esse poder. Um dia desses recordei-me daquela passagem em que Hassan é estuprado. Caraca! Este trecho mexeu muito comigo. Na trama, Amir e Hassan, dois pequenos afegãos de classes sociais e etnias opostas se tornam amigos. Hassan, pobre e de ascendência Hazara, defende constantemente o amigo riquinho Amir da implicância agressiva de outros garotos do local. Entretanto, no dia de um esperado concurso de pipas, Amir vê Hassan ser espancado e estuprado por um bandido. Porém, paralisado, o garoto bem-nascido foge, não fazendo nada para impedir o sofrimento do companheiro. Mais tarde, Amir  passa a ser torturado pela culpa e o arrependimento, e não tolera mais a presença do amigo.
Os dois se afastam, magoados, mas têm de enfrentar problemas mais graves quando a União Soviética invade o Afeganistão e, depois, quando o Talebã domina o país. Amir e seu pai são obrigados a fugir do país e a reconstruir a vida como refugiados nos Estados Unidos.
Lá nos States, Amir vira adulto, faz faculdade e se apaixona. Mas a vida, que parecia ter ficado na calmaria, muda novamente de rumos, e após 20 anos, ele terá de voltar a Cabul para encarar seu passado. 
Achei perturbador  o trecho do estupro narrado por Hosseini em seu livro. Chorei de raiva por causa da covardia de Amir. Chorei do sofrimento de Hassam, impotente nas mãos de um psicopata. E chorei, principalmente, pelo rompimento da amizade dos dois amigos que outrora se pareciam como dois irmãos.
A verdade é que frequentemente recordo dessa passagem tão forte do livro. Tão forte que diretores e produtores da adaptação cinematografia de 2008 não sabiam, na época,  como incluí-la nas filmagens.
O livro de Hosseini gira em torno dessa amizade e principalmente da redenção de um Amir já adulto e consciente do erro cometido quando criança. Agora, ele tenta de todas as maneiras reparar a sua falha e para isso inicia uma peregrinação em busca do ex-amigo Hassan.
Já aviso a todos que estão acompanhando essa resenha e que pretendem ler o livro para preparar os seus sentimentos; você irão chorar, mas chorar muito. Para alguns trechos do livro, principalmente os mais decisivos, é necessário pegar a caixa de lencinhos e ficar preparado para a chegada da ‘Dona Lágrima’. Isto é notório e certo.
Você leitor, com certeza, ainda vai questionar  porque a vida pode ser tão injusta ou então qual seria a sua atitude se estivesse no lugar de Amir.
Cara, “O Caçador de Pipas” é um verdadeiro carrossel de emoções e questionamentos. Um livro imperdível e que todos deveriam ler.
Inté!

06 maio 2018

Cinco livros de terror raríssimos sumidos das livrarias e vendidos a peso de ouro nos sebos


Não existe nada pior para um devorador de livros do que ver o objeto de seus sonhos sumido das livrarias e vendido por um preço fora da realidade nos sebos. Nessas horas, o leitor chora, grita e urra de tristeza e decepção.
No meu caso, urrei várias vezes, pois deixei de adquirir algumas obras por pensar que elas jamais se esgotariam. Entonce, anos depois quando resolvi comprá-las, cadê??  Elas já tinham batido asas e fugido. Se eu quisesse realizar o meu sonho teria de enfiar a mão no bolso e pagar valores astronômicos. Sem chance. Assim, só restaram as lamentações e a vaga esperança de que um dia, tais livros sejam relançados por alguma editora, como a Suma de Letras está fazendo, nos últimos meses, com diversas obras, entre elas: “AAssombração da Casa da Colina”, “A Hora do Lobisomem” e “Cujo”.
No post de hoje,escolhi cinco livros de terror que se tornaram ‘peças raríssimas’. Como as suas edições estão esgotadas,  o único jeito dos leitores adquiri-las é concordando em pagar as quantias assustadoras dos sebos.. Vamos à lista.
01 – Depois da Meia-Noite (Stephen King)
Como já disse nesse post, “Depois da Meia-Noite” é o sonho de consumo de 10 em cada 10 fãs de Stephen King.
O livro de 667 páginas e que reúne quatro noveletas – “Os Longoliers”, “Janela Secreta, Secreto Jardim”, “O Policial da Biblioteca” e “O Cão da Polaroide” -  foi lançado pela editora Francisco Alves em 1992 e depois disso não teve nenhuma outra edição.
Pesquisei bastante na internet e só consegui encontrar três exemplares à venda: um na Estante Virtual por R$ 600,00 e os outros dois no Mercado Livre a R$ 265,00 e R$ 280,00. Além desses, não achei nenhum outro à venda nas lojas virtuais.
“Depois da Meia-Noite” teve dois contos adaptados para as telas: “Longoliers” foi parar na TV em 1995  - se não me engano, na Rede Record - no formato de uma minissérie chamada “Fenda no Tempo”; enquanto que “Janela Secreta, Secreto Jardim” acabou ‘aterrissando’ nos cinemas com o título resumido de “Janela Secreta” com ninguém menos do que Johnny Depp no papel de protagonista.
Se, por acaso, você tem esse livro, escute o meu conselho: jamais o empreste, nem mesmo para o seu pai, muito menos para o seu irmão. Guarde-o num cofre e esconda a chave.
02 – A Casa Infernal (Richard Matheson)
Até o ano passado, “A Casa Infernal”, lançado em 2010 pela editora Novo Século, tinha tomado um chá de sumiço. Os interessados em ler a fantástica e aterrorizante história criada por Richard Matheson não a encontravam nem mesmo nos sebos. Por isso, cheguei a pensar que estava extinta. Mas hoje, ao fazer uma pesquisa na Web descobri 10 exemplares no portal da Estante Virtual. Cara, quase não acreditei! Taí a prova de que milagres acontecem. E como não bastasse essa situação inusitada, um dos livros está sendo vendido à R$ 69,00!! Se eu não tivesse a obra em minha estante, com certeza, esse exemplar já teria sumido da Estante Virtual. Quem sabe, você – que lê esse post – tenha sorte e ainda encontre por lá esse mesmo exemplar esperando por você. Quanto aos outros preços variam de R$ 80 à R$ 180,00.
Olha, sem brincadeiras... o livro  é aterrorizante. Se você assistiu ao filme “A Casa da Noite Eterna”, de 1973, baseado na obra literária e se borrou inteiro, prepara-se porque o livro é muito pior (no bom sentido).
A história gira em torno da Mansão Belasco que ficou vazia por mais de vinte anos. Considerada por todos como o “Monte Everest” das casas assombradas, a construção foi o ambiente de cenas sinistras de horror e depravação. Investigações posteriores para tentar desvendar o segredo da casa terminaram em assassinato, loucura e suicídio para os integrantes da busca. Após todos esses anos, uma nova investigação inicia, agora por um grupo de 4 renomados cientistas e parapsicólogos. O objetivo é descobrir de uma vez por todas, os mistérios por trás da Mansão Belasco e encontrar a resposta definitiva para a pergunta: há vida após a morte.
Cara, o livro impressiona... muito.
03 – A Metade Negra (Stephen King)
Livraço! “A Metade Negra” estourou em vendagens na data de seu lançamento por aqui: 1991. Na época, a editora Francisco Alves detinha os direitos de publicação das histórias de Stephen King no Brasil. Acredito que aquele foi um dos melhores períodos para os fãs de King, pois ele escreveu verdadeiras jóias lapidadas. 
“A Metade Negra”  fez parte da famosa coletânea “Mestres do Horror e da Fantasia”, tendo apenas uma edição no Brasil. Os poucos exemplares que ainda podem ser encontrados nos sebos estão sendo vendidos à peso de ouro. Eles variam de R$ 140,00 à R$ 190,00.
No enredo escrito por King, um escritor de sucesso, mas que também produz literatura barata sob o pseudônimo de Geroge Stark. No entanto, quando é ameaçado por alguém que descobriu seu segredo, ele "enterra" George Stark. A partir desse ponto, ele se torna o principal suspeito de uma série de assassinatos chocantes.
04 – A Casa do Passado (Algernon Blackwood)
Descobri esse livro na semana passada, após vasculhar as redes sociais. Interessei-me pela obra por causa dos comentários positivos.  Algermon Blackwood foi redescoberto no Brasil pela jornalista, escritora e tradutora carioca Heloísa Seixas que selecionou 10 de seus contos de terror. E cá entre nós, confio muito em Heloísa quando o assunto são novelas de terror. Pois é, após ter descoberto “A Casa do Passado” fui todo saltitante adquirir a obra nas livrarias e então, a surpresa nada agradável: livro está esgotado em todas elas. Pensei comigo: “bem, ainda tenho os sebos” – mas confesso que a minha confiança já estava um pouco abalada. Não deu outra, quando vi os preços nos sebos... R$ 135,00 o mais barato, R$ 218,00 o mais caro. Viche!!
Segundo a sinopse da editora Record que lançou a compilação em 2001, a obra reúne histórias como 'Os salgueiros', sua obra-prima,'O quarto ocupado', 'A Ala Norte' e 'A boneca', clássicos da literatura de horror. Segundo a sinopse, oss personagens dos contos de Blackwood vivem situações horripilantes, que não imaginaríamos nos nossos piores pesadelos. São pessoas comuns, subitamente envolvidas em histórias que fogem ao controle da lógica e do que pode ser explicado.
Ehe! Ehe! Ehe!, pena que descobri o livro um pouquinho tarde.
05 – A Sentinela (Jeffrey Konvitz)

Consegui encontrar apenas um livro nas minhas “andanças” pela internet e, diga-se, em condições de conservação não muito animadoras. Uma vendedora do Paraná está pedindo R$ 99,00. Vale lembrar que nenhum dos sebos cadastrados no portal Estante Virtual dispõem da obra. Portanto, um livro de terror raríssimo.
“A Sentinela” escrito por Jeffrey Konvitz foi lançado pela Record em 1972 e teve apenas uma edição no Brasil. Segundo a sinopse da editora, uma modelo muda-se para um prédio sinistro, onde, no último andar, mora um padre cego. Ela começa a ter estranhos problemas de saúde, não consegue dormir à noite e tem flashbacks desagradáveis sobre sua tentativa de suicídio. Ela reclama com a corretora sobre os barulhos causados pelos seus vizinhos, mas é informada de que os únicos moradores do edifício são o padre e ela. Então ela descobre que ela foi parar ali por uma razão.
Taí galera, se vocês tiverem em suas estantes, pelo menos uma dessas jóias raras, sintam-se felizes.


03 maio 2018

A Incendiária


“A Incendiária” me ensinou uma lição muito importante: “um livro considerado ruim por muitos, pode ser ótimo para mim”. Digo isso porque o livro escrito por Stephen King em 1980 e relançado recentemente pela Suma de Letras na coleção “Biblioteca Stephen King” é apontado  pela maioria dos leitores e também pela critica especializada como uma obra menor do autor, daquelas que não empolgam.
Infelizmente quase me deixei influenciar por essas opiniões e por muito pouco não menosprezei essa obra ‘f-a-n-t-á-s-t-i-c-a’. Há muitos anos venho adiando a compra do livro – lançado nos anos 80 pela Record e também pelo Círculo do Livro – e  confesso que só acabei adquirindo porque firmei o propósito de ter em minha estante todos os livros da coleção “Biblioteca Stephen King”. Portanto, se não fosse esse detalhe, teria perdido uma das melhores histórias escritas por King.
Cara, “A Incendiária” é muito bom! E curiosamente não se trata de uma obra de terror, gênero que consagrou o seu autor, mas uma mistura de ficção científica, drama familiar e ação, muuuiita ação.
No enredo, um jovem casal - Andy e Vicky McGee - decidem participar de uma experiência científica na faculdade onde estudam. O desconhecido por eles é que na realidade essa experiência está sendo conduzida por um órgão secreto do governo chamado “A Oficina’ que quer testar substâncias ilícitas capazes de modificar o DNA das cobaias, conferindo á elas certos poderes psíquicos. Andy ganha o poder de impulsionar as pessoas a fazer coisas que ele deseja, por outro lado, a sua mulher adquire um poder telecinético muito pequeno. Anos depois, após terem a substância injetada em suas correntes sanguíneas, eles tem uma filha (Charlie) que acaba herdando a capacidade de provocar incêndios com a ajuda da mente. Juntos, pai e filha são obrigados a fugir  da “Oficina”  que descobre os poderes adquiridos por Charlie.
Em resumo, esse é o enredo de “A Incendiária” que consegue engolir o leitor.
O drama vivido pela família McGee,  principalmente por Andy e Charlie, já que Vicky tem uma participação curta, mas decisiva no enredo, é muito bem construído por King. As dificuldades enfrentadas por pai e filha, enquanto forem dos agentes da “Oficina”, colaboram para que eles se aproximem cada vez mais, além de contribuir para o amadurecimento de Charlie que vai aprendendo a entender e principalmente controlar o seu poder.
Os trechos em que Andy dá os impulsos em suas vítimas para que ele e Charlie possam fugir são muito bem escritos e prendem o leitor. A cada impulso dado, o cérebro de Andy vai se deteriorando de maneira irreversível, fazendo com que o leitor fique na expectativa do desfecho do personagem no final da história.
Os capítulos onde Charlie utiliza o seu poder são fodásticos. A impressão que ficou, pelo menos para mim, foi a de estar assistindo um filme – não aquela adaptação  medonha do livro produzida em 1984 com Drew Barrymore – mas a uma superprodução rodada na minha mente.
A parte final do livro, quando entra em ação o vilão Rainbird – o frio assassino de aluguel da “Oficina” - é pura tensão. O embate entre Rainbird e Charlie, juntamente com o seu pai é muito tenso. Prestem atenção na cena do galpão onde se estão vários cavalos. Caraca! Aguenta coração, tenso demais!
Após ter terminado a leitura, disse para um amigo que considero “A Incendiária” um dos livros que retratam com perfeição o crescimento de determinado personagem, no caso Charlie. No virar das páginas, ela vai conseguindo vencer os seus medos, as suas inquietações e dúvidas  até atingir o seu amadurecimento. O curioso é que por conta das dificuldades, Charlie conseguiu fechar esse ciclo ainda criança.
No final, achei o máximo a cutucada sutil que King dá nos meios de comunicação de massa, principalmente nos grandes jornais. Segundo ele, quase  toda a mídia impressa está atrelada ao governo e por isso só publicam matérias que não causem estragos nesse mesmo governo, menos um jornal. Descubra qual na ultima página da história onde acontece uma conversa antológica entre Charlie e um bibliotecário.
Adorei o final em aberto.
Que leitura!


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