20 outubro 2026
Mistério em Cinnamon Falls
Acabei, neste instante, de ler “Mistério em Cinnamon
Falls” e... gostei muito, mas muito, de verdade. Se eu tivesse que definir a
obra da escritora Necole Ryse, ou melhor, R.L. Killmore, que é o pseudônimo
usado por ela, eu ‘diria’ que o livro tem fofura, romance, drama, suspense e
aventura na medida certa. Nenhum desses ‘ingredientes’ ultrapassa a medida de
um grama que seja e, com isso, o resultado final só poderia ser um bolo
delicioso para ser devorado.
Que eu me lembre, até agora não havia lido nada de cozy
mystery (mistério aconchegante), mas, depois da narrativa de “Mistério em
Cinnamon Falls”, passei a incluir esse gênero literário na minha lista de
preferidos.
Um Enredo Perfeitamente Equilibrado
Como escrevi acima, o livro de Killmore não ultrapassa
a medida dos ingredientes. Com certeza há leitores que não gostam de enredos
muito melados e grudentos, onde o casal de protagonistas passa a maior parte da
narrativa se pegando, se grudando, dizendo "te amo, te adoro, te quero"
a cada página virada ou então não sai da cama onde vive fazendo amor. Depois,
quando brigam ou se desentendem, a desavença se arrasta por mais páginas e
páginas.
Da mesma forma, há aqueles leitores que não têm
paciência para encarar tensões, perseguições e suspense num ritmo frenético
perto do exagero. Acredito que “Mistério em Cinnamon Falls” cairá como uma luva
para esses leitores. Os leitores que gostam de uma história, vamos dizer...
equilibrada, irão adorar o livro.
Personagens Reais e Carismáticos
Outro ponto forte do enredo criado por Killmore são os
personagens carismáticos. Por que eles são carismáticos e conseguem ganhar a
simpatia dos leitores? Simples: eles se parecem com pessoas normais, com muitas
qualidades, mas também defeitos. São personagens que erram feio, mas se
arrependem desses erros e conseguem dar a volta por cima. Enfim, não são
artificiais; pelo contrário, se parecem comigo ou com você. Na minha opinião, o
carisma deles reside nessas virtudes e também nesses defeitos.
Amei a personagem Nia Bennet. A sua resiliência
e coragem para recomeçar são animadoras. Após passar por uma humilhante
desilusão amorosa na cidade grande, Nia não se deixa derrotar. Ela retorna à
sua cidade natal para se reestruturar e enfrentar de cabeça erguida o recomeço.
Ela se importa verdadeiramente com os moradores de Cinnamon Falls. Quando a
tranquilidade do local é ameaçada por um crime, ela se envolve ativamente na
investigação não por ego, mas pelo desejo de proteger e apoiar as pessoas ao
seu redor.
Um detalhe importante que torna Nia uma personagem
parecida comigo ou com você, muito longe da artificialidade, é que ela não se
apropria da imagem da heroína inabalável. Nia chega a Cinnamon Falls se
sentindo perdida, magoada e com a sensação de que sua vida é uma
"bagunça", o que faz o leitor se identificar imediatamente com ela.
Jesse é outro
personagem que ganha os leitores. Como responsável pela segurança na pequena
cidade de Cinnamon Falls, ele carrega um senso de dever genuíno. Ele não é o
policial durão e insensível de thrillers pesados; sua autoridade é
exercida com cuidado, paciência e respeito pela comunidade. Por trás do
uniforme, Jesse é um homem carinhoso, capaz de gestos sutis e protetores que
encantam o leitor sem soar meloso ou forçado — o que se encaixa perfeitamente
na medida certa do livro.
Poderia passar grande parte do meu tempo escrevendo
sobre outros personagens do romance como Rose, Morgan, Nills, entre outros; mas
basta ‘dizer’ que eles estão longe de ser caricaturais.
O Mistério de Cinnamon Falls
O enredo do livro nos apresenta, logo de início, a
personagem Nia Bennet que, após um término de romance traumático e doloroso na
cidade grande, decide que é hora de recomeçar. Seu plano era simples: voltar
para Cinnamon Falls — a pequena cidade onde nasceu e passou grande parte de sua
infância e juventude — para organizar a própria vida e reconquistar a paz de
espírito.
Porém, a tranquilidade do lugar é interrompida
justamente durante as preparações do famoso Festival de Outono. Um assassinato
chocante acontece no coração da cidade — e, para complicar ainda mais as
coisas, o responsável por liderar a investigação oficial é ninguém menos que
Jesse, o policial local e seu inesquecível primeiro amor.
Dividida entre a dor do passado, a faísca reacendida
por Jesse e sua própria curiosidade incontrolável, Nia acaba se envolvendo na
busca pela verdade. Afinal, em uma cidadezinha onde todos se conhecem, qualquer
vizinho, comerciante ou amigo pode estar escondendo um segredo sombrio.
Enfim, galera, é isso aí. Recomendo a leitura!
26 setembro 2026
Eu ia falar de outros livros, mas “Mistério em Cinnamon Falls” me fisgou
“Mistério em Cinnamon Falls”. Taí um livro que vem aguçando a minha
curiosidade. Culpa dos “TikToks, Facebooks e Instagrams da vida”. Quase todos
os dias – com ênfase para os finais de semana – tenho o hábito de ganhar (não
perder) algumas horas zapeando nas redes sociais – principalmente nas três que
citei acima – para acompanhar as opiniões sobre alguns livros. Faço isso,
principalmente, quando quero comprar alguma obra, para saber como está a
chamada ‘vibe popular’ do livro que pretendo adquirir. Como estou namorando as
narrativas de Cixin Liu e do jornalista Fabricio Mazocco: “Terra à deriva:
contos” e “Esse tal de rock'n'roll: 50 histórias essenciais do rock
brasileiro”, lá vou eu fuçar nas opiniões dos leitores.
Enquanto lia e refletia sobre essas opiniões, lembrei-me de que tenho em
minha estante um livro que recebi promocionalmente da Editora Record. Como se
chama? “Mistério em Cinnamon Falls”. Pois é, sabem daqueles livros que você, ao
bater os olhos na capa, já fica com uma vontade enorme de lê-los? A obra de
R.L. Killmore, lançada recentemente pela Verus Editora, que pertence ao Grupo
Record, tem esse poder. Costumo dizer para amigos que sua capa enfeitiça
qualquer um.
Como o meu cartão só fecha no final do mês, só vou poder desfrutar da
“companhia” de Liu e Mazocco daqui a algum tempinho; então, por que ficar
sofrendo ou, como diz o velho ditado popular, “vendo com os olhos e lambendo
com a testa”? Assim, tomei uma decisão: parei, temporariamente, de namorar
“Terra à deriva” e “Esse tal de rock’n’roll” e comecei a ver algumas opiniões e
informações de “Mistério em Cinnamon Falls”, que estão aqui, tão pertinho de
mim.
Galera! Me surpreendi com tantas opiniões positivas, com destaque
especial no Instagram e no TikTok. Os leitores e criadores de conteúdo destacam
como pontos fortes da obra a vibe aconchegante e outonal, que é frequentemente
comparada a produções como Gilmore Girls, misturando o clima acolhedor
de cidade pequena, festividades locais (como o festival de outono) e romance
com um toque aconchegante.
Os leitores elogiam também a mistura entre o suspense de uma
investigação de assassinato e o romance de segunda chance com o ex-namorado
(que é policial na cidade). E, por fim, elogiam a protagonista forte, apontada
como determinada e corajosa após voltar para sua cidade natal para superar uma
desilusão.
Na mesma hora exclamei: “Epa! Tinha esse tesouro em mãos e não sabia?!
Decidi, então, ir mais a fundo e fiquei sabendo que o livro faz parte de
uma série chamada “Cinnamon Falls”, que foi planejada originalmente como uma
quadrilogia baseada nas estações do ano. Cada livro acompanha uma protagonista
diferente na mesma cidadezinha charmosa e traz um mistério cozy com uma
pitada de romance. Para aqueles que não estão familiarizados com o gênero,
“mistério cozy” ou mistério aconchegante é um subgênero de histórias
policiais e de suspense focado em quebra-cabeças lógicos, mas sem violência
gráfica, sangue ou terror.
Mas vamos voltar à origem da série Cinnamon Falls. Como disse acima, a
série foi planejada para ser uma quadrilogia baseada nas estações do ano. Dos
quatro livros, dois já foram lançados no Brasil: “Mistério em Cinnamon Falls” e
“Morte na Pousada dos Narcisos”. O primeiro, que representa a estação Outono e
abre a série, acompanha a protagonista Nia, que volta para sua cidade natal
após ter o coração partido. Ela chega bem na época do famoso Festival de
Outono, mas o clima festivo acaba quando uma moradora querida é encontrada
morta com um bilhete ameaçador. Nia decide investigar o crime e, no processo,
precisa lidar com a reaproximação de seu ex-namorado, o policial Jesse.
“Morte na Pousada dos Narcisos”, representando a estação da Primavera(que
também acabei de receber), é focado na personagem Morgan Taylor (que é a melhor
amiga de Nia). Durante o Jubileu dos Narcisos na pousada da família dela, um
dos convidados é assassinado no labirinto de plantas do jardim. Morgan assume o
papel de detetive amadora ao lado de Will, um atraente pai solo local.
No mercado internacional, a série continua com as próximas estações
(Verão e Inverno), mas os livros ainda não ganharam tradução oficial em
português. O terceiro volume da série se chama The Maple Bakery Murder
(na tradução ao pé da letra: “O Assassinato na Padaria Maple”), que é
ambientado no inverno. O quarto livro tem o título original de Mystery at
the Cherry Pie Café (“Mistério no Café Tortas de Cereja”), ambientado no
verão.
Os casos de assassinato de cada livro são independentes e começam e
terminam no mesmo volume. Porém, como as protagonistas são amigas e os
personagens secundários reaparecem, o mais recomendado é ler na ordem certa
para acompanhar a evolução dos relacionamentos da aconchegante cidadezinha do
interior.
Que coisa, né? Comecei essa postagem com a proposta de escrever sobre
“Terra à deriva: contos” e “Esse tal de rock’n’roll” e acabei mudando o foco
completamente e “falando” sobre um outro livro de gênero completamente
diferente. Mas valeu a pena.
20 setembro 2026
O casal que mora ao lado
— Não acredito que você vai nadar
novamente contra a maré após ter lido esse livro!
— Acho que vou.
— Mas eu li e gostei muito.
— Pois é, mas eu achei a narrativa
morna e, muitas vezes, cansativa. Sem contar o final chocho.
— O quê?! Chocho?! Ih!! Pirou de vez.
Galera, taí uma parte do diálogo que
eu tive com a Lulu logo após ter lido O Casal que Mora ao Lado, da
conhecida escritora canadense Shari Lapena. A Lulu amou; eu não gostei.
Confesso que pelejei para terminar a leitura.
A narrativa se torna lenta em
diversos trechos, o que me fez abandonar temporariamente a história várias
vezes até que o desejo de retornar à leitura voltasse. Achei as interações do
detetive Rasbach com os personagens do enredo demoradas e cansativas. Ele é o
policial que investiga o sequestro de uma bebê e cada vez que confrontava um
suspeito, era um “Deus nos acuda”, já que quebrava o ritmo da narrativa.
Outro detalhe que prejudicava a
fluidez eram os diálogos entre os dois personagens principais, Anne e Marco,
que muitas vezes fugiam do foco principal da história. E, por fim, achei os
personagens centrais sem carisma; sei lá... mornos. Anne e Marco, Cynthia e
Graham, Richard, além do detetive Rasbach, não tiveram o carisma necessário
para segurar o meu interesse. Aliás, é muito difícil se conectar profundamente
com Anne, Marco ou os vizinhos. Quando não conseguimos torcer ou ter empatia
real pelos personagens, acompanhar o sofrimento deles por tantas páginas se
torna uma tarefa cansativa.
Outro ponto é que o livro se passa em
grande parte dentro de ambientes fechados (a casa do casal, a delegacia). Como
a polícia e os pais passam muito tempo sem pistas concretas do sequestro no
início, os diálogos e interrogatórios acabam parecendo repetitivos, dando a
sensação de que a história não sai do lugar.
Com certeza um grande número — e bota
grande nisso! — de leitores deve estar me “excomungando” neste momento, porque,
de acordo com os comentários nas redes sociais literárias e também nos portais
de livrarias virtuais (entre os quais o da Amazon), o livro de Lapena é quase
uma unanimidade ou, se preferirem, um cânone dos thrillers de suspense. Mas, no
meu caso, repito: não gostei pelos motivos que expus acima.
Lulu, sei que você ficou inconformada
comigo. Te conheço muito bem para saber que não irá aceitar de maneira alguma
os meus argumentos, então... aceite, pelo menos, as minhas desculpas, porque tenho
certeza que você amou o livro.
O Casal que Mora ao Lado narra o drama de Anne e Marco Conti.
Eles parecem ter a vida perfeita, até que em uma noite tudo desmorona.
Convidados para um jantar na casa dos vizinhos ao lado, eles decidem deixar a
filha bebê em casa, levando apenas a babá eletrônica e checando o berço a cada
meia hora. Mas, ao retornarem no fim da noite, as portas estão abertas e o berço
está vazio.
A partir do desaparecimento da
criança, uma investigação policial minuciosa começa a desenterrar os segredos
sombrios que cercam não apenas o crime, mas o próprio casamento de Anne e
Marco.
Entre acusações mútuas, memórias
confusas e vizinhos misteriosos, o livro é um suspense doméstico focado em
aparências e nas verdades desconfortáveis escondidas por trás das portas
fechadas de um bairro de classe alta.
Acho que é isso. Se contar mais,
acabo liberando spoilers para aqueles que pretendem ler o livro e, se você faz
parte desse grupo, de coração, espero que goste da obra, assim como a Lulu
gostou — gostou, não: amou.
08 agosto 2026
Ala D
Várias pessoas que conheço – todas leitoras de
carteirinha – me disseram que Ala D é o melhor livro de Freida McFadden.
Não concordo. Na minha opinião, os melhores continuam sendo os três volumes que
formam a trilogia A Empregada (A Empregada, O Segredo da
Empregada e A Empregada Está de Olho). Eles são fantásticos e seguem
no topo do cardápio literário de McFadden — e diga-se de passagem, um excelente
cardápio, já que todos os seus livros (pelo menos os que li) são muito bons.
Com relação a Ala D, que acabei de ler: mesmo
não superando a saga A Empregada, o livro é muito, mas muito bom! É o
tipo de leitura que fisga o leitor logo nas primeiras páginas. O plot twist
principal, então (sim, há mais de um), é daqueles no padrão McFadden: de cair o
queixo do leitor mais precavido. Esta reviravolta bombástica acontece perto do
final da trama, quando a narrativa entra em seu clímax. Confesso que, ao ler
obras de um autor conhecido por incluir grandes reviravoltas, tenho o hábito de
tentar descobrir o segredo logo nos primeiros capítulos. A reviravolta de Ala
D, de fato, me surpreendeu. Criei várias expectativas e elaborei teorias –
por algumas, inclusive, quase cheguei a colocar a mão no fogo (rs) –, mas, no
final, errei feio! Não esperava de maneira alguma por aquele segredo, que mudou
todo o curso da trama.
Classifico Ala D como o thriller psicológico
mais claustrofóbico que Freida já escreveu. Ufá! Sabe aquele tipo de história
que te oprime, aperta o peito e dá angústia? Pois é, Ala D se enquadra
perfeitamente nessa categoria. Praticamente toda a trama se passa na unidade
psiquiátrica de um hospital. Conforme a leitura avança e as páginas viram, a
angústia só cresce. Enquanto lia, eu me sentia dentro da própria Ala D ao lado
de Amy. À medida que a história se aprofunda, os medos, as dúvidas, os receios
e a angústia da personagem passam a ser sentidos também pelo leitor. Freida é
uma das poucas escritoras que têm o dom de transportar o público para dentro da
história, fazendo com que a gente se sinta o próprio personagem.
Como se não bastasse a história mexer com os nervos, a
obra conta ainda com aquela capa igualmente claustrofóbica selecionada pela
editora Record. Confesse... a capa impressiona, não é?
Em seu novo thriller, Freida narra a saga da estudante
de medicina Amy Brenner, que é escalada para o plantão noturno na Ala D — a
unidade psiquiátrica fechada do hospital — e, com isso, passa a viver o seu
pior pesadelo. Além do desconforto natural do ambiente, Amy carrega um medo
profundo e um segredo do passado que a conecta diretamente àquele lugar isolado
por portas trancadas.
O que deveria ser apenas um turno obrigatório de doze
horas logo se transforma em uma contagem regressiva claustrofóbica. Conforme a
noite avança, incidentes estranhos começam a acontecer e as luzes falham,
deixando claro que algo está terrivelmente errado e que os perigos vão muito
além do que a mente humana pode explicar.
Trancada em um labirinto de corredores escuros, Amy
percebe que a Ala D esconde ameaças invisíveis e que ninguém está seguro. Neste
suspense psicológico, a grande questão que fica logo nas primeiras horas é:
será que todos os monstros estão realmente atrás das grades?
Enfim, galera, só posso contar até aqui para não dar spoilers.
Quanto aos dois plot twists finais – um revelado ainda dentro da Ala D e
o outro fora dela –, preparem-se! Como já escrevi, são de derrubar o queixo de
qualquer um.
Boa leitura para todos que pretendem ingressar na
temível Ala D!
30 junho 2026
Sem volta
Se você gostou de “Thelma e Louise” com Susan Sarandon
e Geena Davis, dirigido pelo gênio Ridley Scott, com certeza irá amar Sem Volta, de Emily Henry e Brittany
Cavallaro. O porquê? Tá bem, eu conto: simplesmente, filme e livro compartilham
a mesma essência do subgênero road movie, além de celebrar a força
feminina. Classifico o romance de Henry e Cavallaro como um “Thelma e Louise”
para o público jovem, “coisa” do tipo young adult. Mas e aqueles
leitores que ainda não tiveram a oportunidade de assistir ao filme, será que
também irão gostar do livro? Se eles estiverem à procura de um young adult
com enredo focado no amadurecimento dos personagens principais e na superação
do controle familiar — que muitas vezes se aproxima do controle obsessivo —,
também irão amar a história. No meu caso – terminei a leitura na semana passada
–, não cheguei a amar, mas gostei, sim, do livro.
Uma dica para aqueles que pretendem ler a obra é que
se soltem um pouco das “amarras” da realidade e deixem-se embalar pelas aventuras e peripécias de duas amigas
inseparáveis que resolvem “cair” na estrada. Se fizerem isso, a leitura se
tornará fluida e prazerosa.
Estas duas amigas se chamam Winona e Lucille. Elas têm vidas muito diferentes, mas também
têm algo em comum: estão de saco
cheio de homens controladores e dispostas a tudo para fugir. Ao se livrarem das
amarras que as sufocam, elas pisam fundo no acelerador, numa aventura em busca
de quem são e da liberdade de poder viver a própria vida longe dessas amarras.
Agora, você que assistiu a “Thelma e Louise” e está
pensando que ler Sem Volta será uma
grande perda de tempo, já que ambos têm
enredos semelhantes, pode começar a mudar de ideia porque a realidade é bem
diferente. Apesar de livro e filme terem as suas semelhanças, as diferenças
também existem e são bem distintas. Por exemplo, na produção cinematográfica de
1991, a tensão surge a partir da violência real e sistêmica (uma tentativa de
estupro e o histórico de um casamento abusivo). Já no livro de Henry e Cavallaro,
a opressão é internalizada nos laços familiares. Winona é sufocada pelo
controle abusivo do pai, enquanto Lucille é refém, financeira e emocionalmente,
de uma mãe negligente e de um irmão problemático.
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Cena do filme Thelma e Louise (1991) com Geena Davis e Susan Sarandon
Outro detalhe que deixa evidente a diferença entre os
dois é que o filme tem um tom de thriller policial e comédia de humor ácido que
culmina em um desfecho trágico e poético, onde o mergulho no penhasco simboliza
o triunfo máximo sobre a opressão. Por sua vez, o livro mantém uma veia de
comédia sombria, mas opera sob uma ótica otimista. A dinâmica entre Winona e
Lucille foca na cura emocional e no empoderamento mútuo, caminhando para um
final de redescoberta pessoal, laços fortalecidos e esperança no futuro,
afastando-se do tom fatalista do filme.
Na minha opinião, toda a rebeldia das duas personagens
de Sem Volta é uma fuga adolescente
em busca de autonomia e emancipação, enquanto no filme, a dinâmica gira em
torno da luta de Thelma e Louise pela sobrevivência contra instituições e
situações aparentemente dominadas por homens.
Quanto às
semelhanças, você que assistiu ao filme, fique tranquilo porque elas não irão
atrapalhar em nada a história do livro. Existem semelhanças, sim, mas todas
elas longe de queimar o enredo com spoilers
ou então de influenciar negativamente o desenvolvimento da trama das duas
escritoras.
Tanto no livro quanto no filme, a narrativa começa com
duas mulheres que decidem dar um basta na vida que levam e partem em uma viagem
de carro em busca de independência. A jornada na estrada é o cenário central da
história, servindo como uma metáfora para o autodescobrimento e a quebra de
paradigmas.
O pilar do que rola tanto nas telonas quanto nas
páginas é a cumplicidade e a lealdade incondicional entre duas mulheres que se
apoiam para enfrentar um mundo hostil e patriarcal. Semelhanças, repito, que em
nada atrapalham quem assistiu ao filme e agora planeja ler o livro, ou
vice-versa.
Ah! Antes que me esqueça: assisti ao filme – ainda na
época do VHS – e gostei; e acabei de ler o livro recentemente e também gostei.
Inté, galera!
03 maio 2026
Vou te receitar um gato
Muitos leitores acreditam que para uma narrativa ser
boa basta ela manter o seu ritmo. Desculpe-me discordar daqueles que pensam
dessa maneira, mas na minha opinião para uma narrativa conseguir prender a
atenção de um leitor ela tem que ser instável e não do tipo: “coloque em quinta
marcha e siga em frente; meta o pau”. Quando “escrevo” instável estou querendo “dizer”
inconstante, ou seja, uma narrativa que mude o seu ritmo com uma certa
frequência, que não seja estável e sem oscilações.
Uma narrativa tem que ter os seus momentos de
adrenalina, mas também tem que ter os seus momentos de mansidão. Quando o leitor
pensa que a história caiu na mesmice, pimba! Chega aquele impacto que esse leitor
não esperava. Resumindo: uma narrativa, mais ou menos assim... do tipo montanha-russa.
E é nesse ponto que Vou te receitar um gato
da escritora japonesa Syou Ishida acaba pecando.
O livro engata uma quinta marcha e segue sem mudanças,
sem oscilações. Você acompanha a narrativa sabendo que ela não terá alterações
significativas em seu contexto. Em certo momento da história, cheguei a
exclamar: - Putz, parece que estou lendo algo pré-moldado! – Vejam bem, não
estou criticando o livro, mesmo porque, ele não é ruim, estou apenas afirmando
que por ser constante, chega um certo ponto que a história começa a enjoar. Me
diga uma coisa: qual é o ser humano que não gosta de chocolate (rs)? Mas agora
procure comer um tipo de chocolate várias vezes por dia e diariamente. Cara, tá
na cara que você vai enjoar.
O plot de Vou te
receitar um gato é muito bem feito mas foi explorado de uma maneira que
cansa o leitor. Imagine uma clínica psiquiátrica misteriosa e com um médico
psiquiatra mais misterioso ainda que aplica em seus pacientes uma metodologia
de tratamento se não estranha, pelo menos sui generis. Para curar problemas emocionais
como depressão, ansiedade, além de reveses na vida familiar ou profissional, além
de grandes decepções; o tal “psiquiatra” ao invés de recitar remédios ou pelo
menos conversar com o paciente, ele receita um gato. Isto mesmo, um gato! O
animal acaba influindo de várias maneiras – influindo positivamente – na vida
dessa pessoa. Quando o “tratamento” chega ao fim, o paciente devolve o gato
para a clínica.
Legal né galera? Não há como negar que o plot da
narrativa é diferente e com potencial para ser explorado. A escritora optou por
contar a história de cinco pacientes; cada um deles apresentando um problema em
sua vida que acaba sendo solucionado graças a intervenção de um gato. Quando o
paciente número um consegue resolver o seu problema, ele pega o gato e devolve
para a clínica misteriosa. Então, quando o paciente número dois, também se
livra de sua preocupação, lá vai ele devolver o gato para a clínica. E assim
vai se desenrolando a história.
No início, até concordo, é algo diferente e que prende
a atenção, mas depois cai na rotina como se a história caminhasse no ritmo de
um relógio com o leitor já sabendo qual horário os ponteiros irão marcar na
sequência.
Pontos importantes deixaram de ser explorados no
enredo como por exemplo a origem dessa clínica misteriosa – Ishida dá apenas
pequenas e muito pequenas pinceladas sobre a origem tanto da clínica como de
seu médico. O surgimento da enigmática Chitose, a recepcionista da clínica
psiquiátrica também foi muito mal explorada, confundindo o leitor que ficou sem
saber o que aquele mulher era, de fato.
Acredito que a autora quis guardar esses segredos para
serem revelados aos poucos nos outros dois livros da série: Vou te receitar outro gato e Que tal mais um gato. Mas no meu modo de
pensar, essa opção acabou deixando o primeiro volume da série cansativo. Se
todos esses segredos fossem esclarecidos logo no primeiro volume, com certeza, teríamos
um livro fantástico.
Agora, basta que vocês leiam os comentários sobre o
livro na Amazon ou no Skoob para ver que estou nadando contra a maré já que a
maioria desses comentários são altamente positivos, do tipo cinco estrelas com
os leitores derramando elogios para Vou
te receitar um gato, mas... fazer o que, estou apenas sendo sincero, expressando
a minha opinião.
Mas, vamos com uma breve sinopse do livro de Ishida.
No final de um beco escuro, há um prédio antigo onde funcionam vários
estabelecimentos. Um deles é a Clínica Kokoro, um lugar que apernas as almas
que mais precisam de ajuda conseguem encontrar. A misteriosa clínica oferece um
tratamento exclusivo – e um tanto estranho – para aqueles que vão até lá:
gatos.
Os pacientes muitas vezes ficam intrigados com essa
prescrição nada convencional, mas quando “tomam” o animal pelo período recomendado,
testemunham profundas transformações em suas vidas.
Enfim galera, é isso aí.
09 abril 2026
Os Humanos
Os
Humanos de Matt Haig foi meu companheiro de quarto durante o
meu processo de recuperação após a temida cirurgia de hemorroidectomia. Aquele
extraterrestre odiável no início, complicado e indeciso no meio trama, mas
adorável no final; esteve ao meu lado durante o meu pós operatório – doido e
sofrido – no hospital e depois em minha casa.
Confesso que não foi o melhor livro que já li, mas não
há como negar que o seu enredo prende
muito a atenção, principalmente pelo carisma do personagem principal: um ET que
vem ao planeta Terra para dizimar toda a sua população, mas conforme vai
vivendo em nosso meio e conhecendo os hábitos da população, a criatura vai
mudando de opinião colocando em risco a sua missão.
Enquanto lia Os
Humanos, me coloquei, muitas vezes, no lugar daquele ET. Imaginei estar de
passagem em um outro planeta completamente diferente do meu com muitos hábitos
estranhos, alguns até mesmo reprováveis. Mas então, durante a minha convivência
com os moradores desse planeta desconhecido e distante vou compreendendo que os
seus hábitos estranhos não tem absolutamente nada de reprováveis, pelo
contrário, alguns deles são até... amáveis.
É esta percepção que o personagem principal do livro
de Haig sente ao chegar em nosso planeta e começar a conviver com todos nós
terráqueos.
Ele se sente enojado pela aparência dos humanos, pelo
que eles comem e por sua capacidade de matar e guerrear. Mas, à medida que o
tempo passa, ele começa a perceber que pode haver mais coisas nessa espécie do
que havia pensado. Disfarçado de um ser humano, ele cria laços com a família de
um homem e começa a ver esperança e beleza na imperfeição humana, o que o faz
questionar a missão.
O extraterrestre vai perceber que existem as pessoas
más, mas também existem as pessoas boas de coração. Ele vai mais a fundo e
descobre o significado de gestos e atitudes como o perdão, o arrependimento, a
reação diante de uma perda e assim por diante. A cada descoberta sua, os
leitores vão se apaixonando por esse ET.
Por essa abordagem do autor, Os Humanos é um livro bem profundo, até mesmo filosófico em algumas
partes, mas muito gostoso de se ler. Como já foi dito, não foi o melhor livro
que li, mas certamente, foi um dos melhores.
No enredo de Os
Humanos, o professor Andrew Martin, um brilhante matemático da Universidade
de Cambridge, faz uma descoberta que pode mudar para sempre o destino da
humanidade. Algo que, para uma espécie tão primitiva e cheia de falhas como a
nossa, é perigoso demais. Por isso, uma raça alienígena “pacífica” de um planeta
distante, envia um emissário para a Terra.
Quando um visitante extraterrestre, frio e puramente
lógico, assume a identidade do professor, sua missão é clara: destruir as
evidências da descoberta e garantir que a Terra permaneça no seu patamar de insignificância
cósmica. Mas aos poucos, o emissário, isento de emoções, é modificado pela
própria humanidade que veio aniquilar.
Taí um breve resumo do enredo da obra. Enfim galera,
recomendo a leitura de “meu companheiro de quarto”. Acredito que vocês irão gostar
muito.
Ah! É importante lembrar que Os Humanos foi publicado originalmente em 2013, mas só chegou ao
mercado literário brasileiro em 2017 através da editora Jangada. Agora, aproveitando
o embalo dessa onda “pró Matt Haig” que está varrendo a Net graças ao sucesso
de A Biblioteca da Meia-Noite
e a expectativa em torno do lançamento de O Trem da Meia-Noite; a editora Bertrand
Brasil decidiu relançar Os Humanos com
um novo projeto gráfico.
28 março 2026
Seis meses para casar
Imagine só essa situação. Você está prestes a se
casar, ama o seu namorado e já pensando nos preparativos de seu casamento
decide pedir demissão do seu emprego. Isso mesmo! E mais: todos que trabalham
com você, incluindo o seu chefe, sabem que você está deixando a empresa onde
trabalha para se casar. Então, num belo dia quando você está se levantando da
cama de seu futuro marido, o que é que você encontra??? Hãaa??? Me diga.
Simplesmente, você encontra uma calcinha usada de uma outra mulher. No início,
o seu noivo ainda tenta disfarçar dizendo que havia comprado aquela calcinha
para lhe presentear ou então não sabe como ela foi parar ali. Do funcho de seu
coração, você ainda tem a esperança de que ele se arrependa, mas aí chega a
bomba: ele olha pra você e diz que não quer mais se casar. Buuuummmm! O seu
mundo desaba.
É essa a situação ou melhor, o pesadelo vivido por
Sayaka Kukori no romance Seis meses para
casar. Faltando três meses para o casamento, marcado para o dia de seu
aniversário de trinta anos, e logo após pedir demissão de seu emprego para
cuidar da cerimônia, ela descobre que está sendo traída e que seu noivo Kazuya,
não quer mais nada com ela.
Com os poucos ienes que tem na conta, humilhada e com
apenas um restinho de dignidade, Sayaka consegue uma colocação num outro
departamento da Revista onde trabalhava, com um chefe auto-centrado que adora
se exibir. Ele exige que Sayaka se case em seis meses enquanto escreve reportagens
sobre konkatsu que é a arte da busca por um marido, um costume tradicional no
Japão,
Taí galera, a partir desse momento começa a via crucis
da nossa Sayaka que se envolve em ‘poucas e boas’; verdadeiras peripécias
amorosas que acabam conquistando os leitores.
Gostei muito de Seis
meses para casar. Li o livro que tem pouco mais de 200 páginas rapidinho. O
romance de estreia de Kosuke Ohashi, constrói uma narrativa que mistura comédia
romântica, drama contemporâneo e crítica social. O autor conseguiu transformar
algo absurdo em um enredo leve recheado de muito humor e ironia mas também com
doses significativas de drama e crítica social.
Ao transformar a busca amorosa em uma espécie de
experimento jornalístico, a narrativa coloca Sayaka em situações que expõem as
suas inseguranças. Um dos pontos fortes do enredo é a força que brota na
personagem que consegue transformar essas inseguranças em combustível para
superar as dificuldades que vão surgindo ao longo de seu caminho enquanto tenta
cumprir essa missão até certo ponto estranha e bizarra.
Destaque para Usami, o excêntrico chefe de Sayaka que
tira suas teorias mirabolantes sobre casamento das histórias de marcas de luxo,
como Louis Vuitton, Prada e Givenchy. Podemos definir Usami como um personagem
emblemático muito importante na trama. Com certeza, a galera irá gostar.
Vocês devem estar se perguntando: - “E aí? Vale a pena
ler Seis meses para casar? Sim, vale
muito a pena. Principalmente, os leitores que estão procurando uma narrativa
leve, divertida, mas ao mesmo tempo reflexiva.
03 março 2026
Mulher em queda
Se eu tivesse que definir Mulher em Queda, livro que Colleen Hoover escreveu após ter ficado
três anos sumida do mercado editorial, eu utilizaria a frase de um comentário
que li no portal Skoob. A leitora escreveu mais ou menos assim: “O livro tem várias
páginas girando em torno da mesma coisa, com excesso de palavras e pouca
profundidade real!”. Cara, essa é a definição perfeita e objetiva para o novo
livro de Hoover.
A autora enrolou muito, mas muito, de fato. A
descrição de um beijo toma duas páginas; uma simples reflexão entre dois
personagens consome mais duas páginas; uma revelação que caberia dentro de um
‘eu te amo’ ou ‘você é muito importante pata mim’, engole mais paginas; e por
aí a narrativa vai se arrastando tornando grande parte a história rasa e sem
profundidade. Acredito que toda essa enrolação seja num dos maiores ‘pecados’
de Mulher em Queda.
Há ainda um outro pecado, talvez até mais grave do que
toda essa ‘enrolação’; vou revelar qual é: ele se chama engodo. Quando ‘digo’ engodo
estou me referindo ao chamado ‘marketing popular’ que vários blogs e canais no
Youtube fizeram, publicando postagens e vídeos onde revelavam que Mulher em Queda teria a mesma vibe do
megassucesso Verity, primeiro
thriller psicológico escrito pela autora e que explodiu em vendas, tornando-se
um grande fenômeno no mercado editorial. E quer saber? Até o “Livros e Opinião”
cometeu esse pecado (vejam aqui).
Verity
foi
publicado originalmente em 2018 nos Estados Unidos e dois anos depois no Brasil
pela Galera Record. Para se ter uma ideia do tamanho do sucesso desse livro, basta
expor que mesmo após mais de cinco anos de seu lançamento no Brasil, ele
continua ocupando os primeiros lugares nas listas de livros mais vendidos; além
de ter ‘virado’ um filme que deve estrear nos cinemas em outubro de 2026.
Somado a toda essa expectativa, os meios de comunicação começaram a associar Mulher em Queda com Verity afirmando que que o primeiro também era um thriller
psicológico nos mesmo moldes de Verity.
Pronto! Estava formada a tempestade perfeita com os
seguintes elementos: o lançamento de um livro com a mesma premissa de outro que
havia se transformado no passado, num fenômeno editorial; e o retorno de sua autora
famosa, após ter ficado três anos sem ter escrito absolutamente nada.
Mas acontece que o enredo Mulher em Queda não tem nenhuma semelhança com Verity, passando muito longe de ser um thriller psicológico. O que
estou querendo explicar é que o mais recente lançamento de CoHo se enquadra no
gênero ‘dark romance’ que apesar de ser um gênero literário em ascensão, muitos
leitores ainda não se adaptaram a ele.
Não são enredos adolescentes. Requerem “muita
reflexão”, além de experienciar emoções fortes. É um gênero que está começando
a romper a bolha recentemente e que não desfruta de um grande número de
seguidores. Agora, voltando a nossa ‘tempestade perfeita’ junte aos elementos
dessa tempestade um gênero literário não tão popular. Entenderam o porque da
decepção dos leitores CoHo? Eles, com certeza, não são adeptos do ‘dark romance’
que geralmente começa com um vilão ou um anti-herói: um stalker, narcotraficante,
um homem da máfia. Depois, junta-se a violência e a adrenalina a uma narrativa
moralmente ambígua, onde os limites entre o certo e o errado são testados a
cada página. Se identificarmos pelo menos um destes sinais, podemos ter a
certeza que estamos perante um livro desse gênero.
Da mesma forma que a autora foi muito feliz, há sete
anos, quando estreou no thriller psicológico com Verity, um gênero muito diferente do qual estava acostumada; agora,
ao se arriscar – mesmo sem querer – no estilo dark romance, não teve a mesma
receptividade.
Em Mulher em
Queda, uma escritora famosa chamada Petra Rose que já arrebatou multidões e
dominou as listas de livros mais vendidos, passa a sofrer de um bloqueio
literário após ter sido muito criticada pela adaptação de uma de suas obras
para o cinema. O ódio viral da internet a transformou em alvo fácil, e cada página
em branco a qual não consegue escrever por causa de seu bloqueio é mais um
lembrete de que a sua carreira pode estar chegando ao fim.
Desesperada para se reerguer, Petra se refugia numa
cabana a beira de um lago, determinada a concluir o suspense que pode salvar
sua vida profissional. Ela acredita estar sozinha, mas então...
Taí galera; quem sabe aqueles leitores que apreciem o
gênero dark romance, possam acabar amando a história? Afinal de contas, não
existem opiniões literárias unânimes. E isso serve também para Mulher em Queda, já que também li nas
redes sociais alguns comentários de leitores que amaram a história. Não muitos,
mas li.
Inté!
28 janeiro 2026
A inquilina
Desta vez Freida McFadden deu dois tapas – e muito bem
dados – em nossa cara. Daqueles que acertam em cheio. Entendam esses “tapas”
como plot twists capazes de derrubar os nossos queixos. Aliás, a ‘médica-escritora’
é especialista nisso. Quem já leu alguns de seus livros, incluindo a famosa
trilogia A Empregada – sabe do que
estou “falando”.
A
Inquilina tem apenas duas reviravoltas – uma depois da metade
do enredo e a outra no epílogo, mas valem a pena. Apesar de alguns leitores terem
comentado no portal Skoob que os dois plots do livro eram muito manjados e que
já haviam descoberto bem antes da revelação; não vejo dessa forma. No meu caso,
confesso que tive uma baita surpresa com os dois plot twists
Creio que o autor não pode simplesmente jogar na cara
do leitor um plot twist. Coisa do tipo: “Toma aí que o filho é seu!”. Pelo
contrário: o clima de suspense tem que ser preparado e ir crescendo aos poucos.
Vou explicar com um exemplo fora da literatura que farão com que vocês entendam
o que estou querendo “dizer”. Vamos lá. Exemplificarei tomando por base o filme
“O Silêncio dos Inocentes” naquela cena em que o Dr. Hannibal Lecter é
apresentado para a agente do FBI Clarice Starling interpretada pela Jodie
Foster. Cara, ver a agente do FBI descendo as escadas daquela prisão tétrica
onde se está encarcerado o “Dr. Lecter Canibal”, com o diretor da prisão caminhando
ao seu lado, enquanto explica todas as normas de segurança que devem ser
seguidas para que ela saia viva desse encontro; cria toda uma expectativa,
diga-se, uma grande expectativa de como será esse encontro. Esta expectativa
enorme deixaria de existir se Jonathan Demme, diretor do aclamado filme, cortasse
esse preparativos e já antecipasse a edição, “pulando” direto para o momento em
que a agente Starling e Haniball se conhecem.
Não sei ser consegui ser claro, mas muitos autores não
gostam de preparar aquele clima de tensão, mistério ou suspense antes de
anunciarem uma reviravolta na trama, deixando o plot twist... sei lá... acho
que xôxo. Na primeira reviravolta de A Inquilina, McFadden cria toda uma aura
de suspense e mistério quando um personagem decide ir conhecer a mãe de um
outro personagem para esclarecer algumas situações digamos que... esquisitas. Ao
invés de dar o doce rapidamente para os leitores provarem, a autora só aproxima
a guloseima da boca desses leitores e depois retira (que maldade – rs). Então,
no momento em que ela dá o doce, ou seja, ‘solta’ o plot twist, a galera se
lambuza. É mais ou menos isso que acontece na primeira reviravolta que acontece
logo depois do meio da trama. Já na segunda e última que ocorre somente no
Epilogo, ela chega voando e na lata. Em aproximadamente duas páginas, McFadden
solta a “bomba” e encerra a sua história. Apesar de rápido, esse último plot
twist também surpreende.
Em A Inquilina,
o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos sonhos, uma noiva
e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo começa a desmoronar
após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na agência de markerting. A
partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado “Lar doce lar” de
Potter.
Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas do
financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um dos
quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o
casal encontra Whitney
De todos, ela é quem mais se destacou com seu jeito
simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem eles
procuravam. Só que... assim que ela se muda para a sua casa, coisas sinistras
começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após
várias faxinas. Barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite; além de
outras coisas estranhas que começam a acontecer em seu lar.
De repente, Blake passa a desconfiar que o perigo
passou a morar em sua casa.
Gostei muito do livro de McFadden: leitura fluída – o que
já se tornou uma característica da autora – momentos de muita tensão e dois
plot twists surpreendentes. Sem contar a capa hiper-caprichada. Apesar do
lançamento em brochura, os nomes da autora e da obra foram publicados em letras
brancas em alto relevo combinando com o fundo rosa e matizes vermelhas. Ah! E
tem ainda aquela mão tétrica saindo de um vão da porta com respingos de sangue.
Enfim, recomendo a leitura.
23 outubro 2025
O Meu Pé de Laranja Lima: a relação de amizade entre Zezé e o Português me fizeram, novamente, reler a obra e... chorar
Olha galera, quero avisar já de antemão que esse post
terá alguns spoilers que talvez possam fazer com que a leitura perca um pouco
de seu impacto, principalmente para aqueles que ainda não leram a obra de José
Mauro de Vasconcelos ou então não assistiram as suas adaptações no cinema e na
TV. Mas prometo que tentarei ser o mais discreto possível, mesmo assim serei
obrigado a dizer escrever: “leiam por conta e risco”.
Bem, vamos lá. Já tinha lido e relido O Meu Pé de Laranja Lima e amado de
paixão a história daquele menino travesso – e ‘bota’ travesso nisso -, sonhador
e carinhoso chamado Zezé e de seu pé de laranja lima. Gostei tanto que acabei
escrevendo uma resenha que publiquei há pouco mais de oito anos (veja aqui).
A prova de que amei a história de Zezé foi a de que, novamente, bateu uma vontade enorme de reler o livro e foi isso que eu fiz. Um dos momentos mais emocionantes do enredo e confesso que chorei, chorei mesmo, foi o capítulo envolvendo Zezé e Manoel Valadares, mais conhecido pelo seu apelido de Português.
A relação de amor e respeito entre esses dois personagens é uma
das ‘coisas’ mais lindas de O Meu Pé de
Laranja Lima. Este relacionamento nos ensina o que é a amizade
incondicional, ou seja, aquela amizade que não impõe condições – por menores
que sejam. Ela é baseada num único elemento, no amor. O tipo da amizade na qual
caberiam frases como: “Por você eu faria qualquer sacrifício”, “você é muito
importante para mim” e principalmente: “eu te amo”.
Quando comecei a reler, pela segunda vez, a obra de
Vasconcelos tinha a intenção de reler apenas os capítulos em que apareciam Zezé
e o Português (a quem Zezé chamava carinhosamente de ‘Portuga’) mas acontece
que o enredo do livro é tão viciante que acabei relendo todas as suas páginas quarta
vez. E querem saber? Chorei, novamente, quarta vez.
Cara, aliás, não tem como não chorar no momento em que
a ‘tesoura do destino’ corta o fio dessa amizade de uma maneira tão trágica e
marca profundamente a vida de um menino, incompreendido até mesmo pelos seus
pais e irmãos e que havia encontrado no ‘Portuga’ tudo o que ele necessitava:
amor, carinho, compreensão e principalmente correção fraterna, sem surras, mas
com palavras e gestos que valem muito mais do que palmadas ou tapas.
O protagonista Zezé tem 6 anos de idade e mora num
bairro modesto, na zona norte do Rio de Janeiro. O pai está desempregado, e a
família passa por dificuldades. O menino vive aprontando, se jamais se
conformar com as limitações que o mundo lhe impõe – viaja com a sua imaginação,
brinca, explora, descobre, responde aos adultos, mete-se em confusões, causa
pequenos desastres.
As surras que lhe aplicam seu pai e sua irmã mais
velha são o seu suplício, a ponto de fazê-lo querer desistir da vida. Tudo isso
muda quando o “Portuga” entra em cena. A sensação que tive ao concluir a
leitura de O Meu Pé de Laranja Lima
foi a de que o Português foi um anjo muito especial aqui na terra e que após
cumprir a sua missão...
Encerro, convidando a galera para que leiam o livro.
Se você ainda não conhece a história de Zezé, com certeza, entrará para o meu
time; o time daqueles que jamais irão se cansar de reler esse enredo fantástico.
19 outubro 2025
O Massacre da Família Hope
Levei três pedradas na cabeça e confesso que demorei
para me recuperar. O que foi aquilo? Caráculas! Dessas três pedradas, a
primeira foi a mais doída, a mais atordoante. Estas pedradas nada mais são do
que os três plot twists principais do thriller de suspense O Massacre da Família Hope de
Riley Sager. É importante frisar que o livro não se resume a essas três
reviravoltas; tem muitas outras, mas muitas de fato. Parece um pouco – não com
relação à história, mas sim com a quantidade de plot twists - com Eles Merecem a Morte de Peter Swanson, outro
livro fantástico que li há algum tempo (veja resenha aqui). A diferença é que as
reviravoltas de Eles Merecem a Morte
são distribuídas de maneira uniforme no romance fazendo com que os leitores tenham
tempo para respirar (cá entre nós, eu prefiro assim); já as reviravoltas do
romance de Sager acontecem numa “pancada
só” deixando o leitor praticamente sem fôlego.
O primeiro plot twist acontece somente após a leitura
de aproximadamente 80% da história, ou seja, próximo do seu final. A partir
daí, esse twists começam a “cair” em cascata, um após o outro, deixando o
galera completamente estonteada. Como expliquei acima, O Massacre da Família Hope não se prende em apenas três grandes reviravoltas;
há também outras surpresas pequenas ou médias, todas perto do final.
Já estou pensando na pergunta que muitos de vocês que leem
esse post agora, devem estar fazendo: “A leitura desses 80% do enredo, até a
chegada dos plot twists, é maçante?”. Eu respondo: “por incrível que pareça não
é”. Sager “mandou bem” o que admitamos é algo incomum. Imagine um autor
escrevendo uma obra de aproximadamente 400 páginas deixando todas as grandes
surpresas para o final. Cara, o sujeito teria que suar e sofrer muito para
conseguir a proeza de prender a atenção dos leitores. Pois é... Sager conseguiu
isso.
Até a chegada “do mar” de plot twists, a história de O Massacre da Família Hope prende, sim,
a atenção dos leitores. Sager criou um clima de mistério e suspense em torno de
uma família sombria e misteriosa: os Hope formada pelo casal Winston e Evangeline
Hope, as filhas Lenora e Virginia e todo o seu ‘staff’: a governanta Sra.
Baker, o cheef Archie, a faxineira Jessie, a enfermeira Mary, além de outros
que vão se juntando ao núcleo no decorrer da trama. Cada um deles com os seus
segredos, alguns bem sombrios e que servem para amarrar os plot twists finais,
o que Sager fez muito bem; não deixando nenhum desses plot ‘jogados ao leu’.
A revelação, aos poucos, dos segredos dos Hope,
principalmente aqueles envolvendo a filha Lenora consegue prender a atenção dos
leitores até a chegada da primeira pedrada, considerada a maior e a mais doida que
acontece na última linha do capítulo 36. A partir daí, prepare o seu coração
para as reviravoltas que virão uma atrás da outra.
O enredo fictício de O Massacre da Família Hope gira em torno de um crime bárbaro que
aconteceu na década de 1920 no estado do Maine: a família Hope foi brutalmente
assassinada, restando apenas a filha mais velha Lenora, que acabou se tornando
a principal suspeita. Apesar de todos acreditarem que a garota foi a
responsável pelo massacre, a polícia jamais encontrou provas disso. Daquele dia
em diante, Lenora nunca mais falou sobre aquela noite e permaneceu isolada em
Hope’s End, a famosa mansão onde o crime ocorreu.
Décadas depois, Kit McDeere é designada como cuidadora
de Lenora Hope, após a fuga da antiga enfermeira que abandonou a mansão, às pressas,
fugindo de madrugada e deixando para trás roupas, uniformes e demais pertences.
Aos 70 anos e confinada a uma cadeira de rodas, Lenora
perdeu a capacidade de falar, devida a uma série de derrames, e só consegue se
comunicar com Kit datilografando frases em uma velha maquina de escrever. Até
que, numa noite, Lenora escreve uma frase inesperada: “eu quero te contar tudo”.
A história é narrada em primeira pessoa: ora por Kit,
ora por Lenora, duas personagens que passam longe do status: “desinteressantes,
chatas e estressantes”; pelo contrário, achei que as duas foram muito bem
elaboradas pelo autor.
Enfim, é isso aí galera. Recomendo muito a obra e...
se preparem para as três pedradas que, certamente, irão doer muito; mas a
primeira delas... My God!
24 setembro 2025
Atmosfera
- “Hã, tá bom”.
- “Me desculpa, foi sem querer”.
- “Tá”.
- “Sim”.
Cara, Joan Goodwin é uma das personagens mais chatas
da literatura. Juro que fiquei admirado com a composição dessa personagem por
Taylor Jenkins Reid. Puxa vida, afinal de contas ela criou duas personagens
antológicas da literatura de ficção: Evelyn Hugo e Daisy Jones. E por “falar”
nisso, como eu amei essas duas mulheres de OsSete Maridos de Evelyn Hugo e Daisy
Jones & The Six: Uma História de Amor e Música. Mas tudo bem, o assunto do post, agora, é a nada
inspiradora Joan Goodwin e Atmosfera.
Joan concorda com tudo, aceita tudo e como não
bastasse ainda é capacho de Bárbara, a sua irmã mais nova e intragável. Tudo o
que Bárbara manda, ela faz: “cuida da minha filha”, “faz isso”, “faz aquilo”,
“hoje eu não estou afim disso, por isso, você faz”. Galera, é o tipo do diálogo em mão única”: eu
mando e você faz.
Me desculpem aqueles que gostaram da personagem; aqueles
acharam Joan de uma poesia pura, educada, inteligente e outras coisas mais. Eu
não gostei. Para mim foi uma personagem sem sal e sem açúcar e que contribuiu
para transformar Atmosfera num
romance sem sal e sem açúcar. Cara, não acredito que estou escrevendo isso de
um livro de Jenkins Reid, pois é, mas infelizmente estou.
A personalidade que falta em Joan Goodwin, por outro
lado, sobra em Vanessa Ford. Esta personagem sim, fantástica. Adorei Vanessa.
Firme quando tem que ser firme, carinhosa quando tem que ser carinhosa, educada
quando tem que ser educada, e chutar o balde quando esse balde tem que ser
chutado. Pena que ela é somente uma personagem de apoio; tudo bem que seja uma
personagem importante para a trama, mas sem direito ao protagonismo que foi
parar “nas mãos” de... Arghhhhh!... Joan.
Como já expliquei acima, esta falta de empatia com
Joan foi um dos pontos principais de não ter gostado de Atmosfera, mas tiveram outros, também.
O plot principal da história é o romance entre dois
personagens; um romance, diga-se de passagem, bem complicado e desafiador.
Complicado e desafiador porque acontece dentro do contexto da Nasa dos anos 80,
por isso, um relacionamento onde os personagens principais enfrentam muitos
obstáculos.
As subtramas que giram em torno desse plot são muito
fracas e não prendem a atenção do leitor que fica dependente da trama principal,
torcendo pela sua chegada nas páginas – e quando digo torcendo pela sua chegada,
estou querendo ‘dizer’ torcendo pela chegada das atitudes de Vanessa Ford...
esqueça a patética Joan Goodwin.
Fazem parte dessas subtramas o relacionamento
conflituoso de Joan com a sua irmã Bárbara; o relacionamento amorfo de Joan com
a sua sobrinha Frances; o núcleo de personagens amigos de Joan e Vanessa que
estão na mesma turma de treinamento de astronautas na Nasa e os seus conflitos
familiares; o treinamento dos astronautas novatos e por fim, a viagem espacial da
qual participará grande parte desses personagens. O problema é que esses plots
paralelos não conseguem prender a atenção dos leitores.
O livro é escrito em dois tempos: presente e passado. Atmosfera começa com tudo: uma perigosa
e arriscada missão espacial que não saiu como o previsto, colocando em perigo a
vida de todos os participantes. Este capítulo “turbinado” é mesclado com outros
capítulos bem mornos e que apresentam as ações que acontecem no passado dessa
turma de astronautas amigos, bem antes dessa missão espacial. Estres trechos que
ocupam ‘graaaaannnnde’ parte da obra, envolvem o treinamento desses mesmos
astronautas e os seus conflitos familiares.
Quando li o primeiro capítulo, pensei comigo: “Uhauu!
Esta história vai pegar!!”; mas não pegou. Ela só voltou a “pegar” no epílogo
quando a autora retoma a ação inicial vivida no tempo presente; ação que também
aparece em “conta-gotas” em capítulos curtos e esporádicos no meio da trama.
Para finalizar, creio que a história terminou de uma
maneira abrupta deixando desamarrado o relacionamento dos dois personagens
principais. Creio que a maioria dos leitores ficou com aquela pergunta
trradicional presa na garganta: - “Mas o que aconteceu depois?”
Ok; vamos com um pequeno resumo de Atmosfera. Joan Goodwin é obcecada pelo
Universo desde que se entende por gente. Atenciosa e reservada, está satisfeita
com a vida de professora universitária até deparar com o anúncio da Nasa à
procura de mulheres cientistas interessadas em participar do projeto do
primeiro programa de ônibus espacial. De repente, o que Joan mais quer é ser
uma das poucas pessoas a ir para o espaço.
Entre milhares de candidatas, ela acaba sendo selecionada
e assim, inicia o seu treinamento. Dentro da Nasa ela faz amizade com um grupo
de pessoas que também foram selecionadas. Enquanto os astronautas aprofundam os
laços de amizade e se preparam para os primeiros voos, Joan descobre uma paixão
e um amor que nunca imaginou viver.
Agora, para fechar mesmo, só uma pequena observação: novamente o "menino", aqui, nadou contra a maré porque a maioria das pessoas que leram o novo livro de Jenkins Reid amaram a história. Basta consultar o Skoob e outras plataformas literárias. Mas acho que a diversidade de opiniões, sem extremismo e intolerância, é bem-vinda porque nos conduz a escolhas melhores.
Por hoje é só.














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