01 agosto 2026
As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro
Dependendo do ponto de vista de cada leitor, existem
livros quentes, mornos e frios. Na minha concepção, “As
Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro” tem um enredo morno que, em
muitos momentos, não chegou a me empolgar ou ao menos despertar o meu
interesse. Se teve passagens boas? Sim, claro. Prova disso foi a postagem que
escrevi em junho de 2026, logo que comecei a ler a obra. Aqueles que viram o post
perceberam que, após os dois primeiros capítulos, a leitura havia engatado, mas
depois o meu nível de atenção caiu para a primeira marcha. Confesso que meu
foco na história sofreu muitas variações: ora ficava interessado, ora esse
interesse caía lá no chão.
A culpa dessas oscilações é do enredo, que às vezes é
fluido e, em outras, frio. Ele se torna frio quando a autora interrompe trechos
interessantes com outros cansativos, tais como diálogos enfadonhos entre os
personagens e longas explicações sobre a origem, os costumes e o dia a dia da
tradicional família Ribeiro de Castro. Um desses momentos acontece quando os
primos de Cristina se encontram pela primeira vez na casa da avó — um encontro
recheado de diálogos monótonos e insípidos.
As interações entre Cristina e uma entidade
sobrenatural, que ocorrem várias vezes no decorrer da história, também não
causam um grande impacto. Não estou dizendo que esses encontros deveriam ser
puramente fantásticos, mas ao menos deveriam ter um tom um pouco mais
sobrenatural — algo que só acontece em duas ou três linhas no final do livro.
Entendo que a autora tenha optado por humanizar a entidade, mas acredito que,
ao fazer isso de forma quase completa, perdeu-se a aura de impacto nos
leitores.
O mesmo não aconteceu com outra entidade muito
conhecida do folclore brasileiro que também aparece na história. Neste caso, a
autora foi muito feliz ao criar um personagem que equilibra na medida certa o
sobrenatural e a realidade. Aliás, a reviravolta no enredo (plot) que
marcou o encontro desse ser folclórico com o padre da cidade, na porta da
igreja, foi fantástica. Como eu já conhecia a origem da lenda dessa
“assombração”, acabei adivinhando de cara qual seria a reviravolta. Apesar
disso, achei o trecho muito bem escrito.
As inúmeras descrições da rotina dos trabalhadores e
das pessoas que frequentam uma tradicional festa folclórica na pequena cidade
de São Pedro da Serra Alta também contribuíram para deixar a leitura cansativa.
Mas é evidente que a obra também tem momentos bons,
que despertaram bastante o meu interesse. O início, por exemplo, já começa
acelerado quando a avó da personagem principal pede que ela e a irmã jamais
pensem em sair de casa na primeira noite da festa folclórica da cidade. Quando
a neta caçula desobedece e sai, a avó fica desesperada e pede para Cristina
encontrar a irmã e trazê-la imediatamente de volta para a segurança do lar.
Pimba! Logo nas primeiras páginas, Laura Pohl consegue fisgar a atenção do
leitor.
Outras passagens que mantêm a leitura em quinta marcha
são as três tarefas que Cristina deve cumprir para salvar sua irmã caçula. A
última delas reserva uma reviravolta (plot twist) que me surpreendeu bastante.
Juro que não esperava por aquilo. Leiam o que está escrito no sino da igreja e
depois me digam se concordam comigo!
Portanto, em minha opinião, se não fossem os diversos
trechos e diálogos desinteressantes que quebram o ritmo da história — além da
falta de uma “pitada” a mais na composição da entidade sobrenatural que divide
o protagonismo com Cristina —, certamente eu teria gostado muito mais do
enredo.
Acredito que, por focar bastante em desenvolvimento
pessoal, espiritualidade e autoconhecimento, a narrativa de “As Três Tarefas
de Cristina Ribeiro de Castro” ganha um ritmo mais lento em alguns trechos.
Outro detalhe que contribui para isso é o foco nos diálogos familiares e nos
dilemas da protagonista antes das provas sobrenaturais.
É isso, galera! Leiam e depois me digam o que acharam.
Até mais!
29 julho 2026
Uma babá perfeita ou um pesadelo real? Conheça A Ilha de Gloam a fantasia sombria de Jack Mackay
Toda vez que vou escolher um livro em minha estante e
"bato" os olhos em A Princesinha, de Frances Hodgson Burnett,
recordo-me de que por muito pouco quase deixei de ler um dos livros mais
marcantes da minha vida de leitor. E tudo por causa do seu gênero:
infanto-juvenil.
Deixe-me explicar. Há vários anos, quando adquiri o
livro em um sebo, alguns colegas leitores me disseram para não perder tempo com
a narrativa de Frances Hodgson, por ser direcionada ao público infanto-juvenil.
Alguns foram mais contundentes e tascaram: "Não perca tempo lendo
narrativas para o público infantil. Você já passou dessa fase." — Cara,
acredite, tive de ouvir isso! Mas resolvi nadar contra a maré e encarei a
história. Pois é: se eu não tivesse tido essa postura, teria deixado de ler —
como já expus acima — um dos melhores livros da minha humilde biblioteca.
Entendo que muitos livros infanto-juvenis têm o poder
de fisgar a atenção de leitores de outras faixas etárias por causa da qualidade
de suas narrativas. Com A Princesinha não foi diferente. A partir daí,
passei a dar muito mais valor a esse gênero literário.
E é por isso que certamente lerei A Ilha de Gloam,
livro de estreia do escritor britânico Jack Mackay. O livro foi lançado neste
mês de julho pela editora Galera Junior e confesso que a sinopse da história
conseguiu despertar o meu interesse.
A narrativa de Mackay acompanha a jovem Gwen, de 13
anos, que assume a responsabilidade de cuidar de seus três irmãos mais novos
após a morte trágica de sua mãe. O luto familiar força uma mudança radical: os
quatro irmãos e o padrasto se mudam para uma antiga casa em ruínas, localizada
em uma minúscula, isolada e gélida ilha chamada Gloam.
As coisas tomam um rumo verdadeiramente sinister
quando o padrasto precisa trabalhar no continente e contrata uma nova babá,
Esme Laverne. Enquanto todos se encantam pelas palavras doces e pela aparência
perfeita da cuidadora, Gwen percebe que há algo profundamente errado. Esme
possui um sorriso afiado demais, olhos famintos e uma aura perigosa que parece
alimentar-se do medo e da vulnerabilidade das crianças.
Ignorada pelos adultos, Gwen se vê completamente
sozinha na missão de proteger sua família. Conforme pesadelos e criaturas
aterrorizantes ganham vida pelos cantos da casa, a garota precisa confrontar
seus próprios traumas e lutos ocultos para encontrar a coragem necessária e
banir o monstro que tomou conta de seu lar antes que seja tarde demais.
Vai, confesse... me diga se esse enredo não despertou
o seu interesse em ler a obra. O meu já está acordado faz tempo (rs)!
Acredito que A Ilha de Gloam, por mesclar
suspense psicológico, luto real e fantasia sombria, vai conquistar facilmente a
atenção dos leitores adultos. De acordo com o release fornecido pela editora, a
história consegue equilibrar uma atmosfera de mistério assustadora com dilemas
profundos sobre amadurecimento e responsabilidade familiar.
Está aí, pessoal! Fica a dica de leitura.
27 julho 2026
Páginas e Pingos na Janela: 10 histórias acolhedoras para dias nublados ou chuvosos
O tempo por aqui, no dia em que escrevi esta postagem,
estava tão aconchegante que eu juro que fiquei em dúvida se escrevia este post
ou se lia um livro. Mas resolvi fazer as duas coisas. Algo que me dá um prazer
enorme é ler com o tempo nublado e aquela chuvinha mansa batendo no telhado e
nas janelas. Nesses momentos, escolho uma obra também aconchegante e me
delicio. Uau! Acredite: ter em mãos um livro de que você goste durante um tempo
chuvoso é muito bom, pois traz um clima calmo, um som relaxante e um aconchego
especial. E se estiver um pouco frio, melhor ainda. Uma manta ou um edredom por
cima aumenta ainda mais essa sensação de acolhimento. Para complementar, você
também pode ir bebericando aquele chazinho enquanto lê. Vou parar por aqui
porque já estou ficando com uma vontade quase incontrolável de agarrar o livro
ao meu lado e dar uma pausa nesta postagem (rs).
Pois bem, galera: o céu nublado acompanhado de uma
chuvinha mansa com alguns trovões bem baixinhos — como se o céu estivesse
ronronando — me deu a ideia de elaborar uma lista com sugestões de leitura para
esses dias especiais. Espero que este post ajude os seguidores do blog a
escolher o livro ideal para ler quando esse tempinho aconchegante chegar às
suas cidades.
Selecionei dez obras que considero perfeitas para este
clima. Vamos a elas? Li oito delas; as outras duas foram lidas pela Lulu e, cá
entre nós, eu confio muito no gosto literário dela. Por isso, como foram
indicadas por ela, tenho certeza de que merecem fazer parte desta lista. Aliás,
vou encerrar o post com essas indicações.
01
– Diário de Uma Paixão (Nicholas Sparks)
Começo o nosso listão com esta obra de Nicholas Sparks
que amei, como revelei em uma postagem escrita em 2014. De lá para cá, reli
Diário de Uma Paixão várias vezes, muitas delas tendo como cenário uma chuvinha
e o céu nublado ao fundo.
O livro de Sparks é uma excelente escolha para dias
assim, pois traz uma história de amor profunda e emocionante que combina
perfeitamente com um clima calmo e nostálgico. O cenário rústico e a
intensidade do romance criam uma atmosfera acolhedora. A narrativa é simples e
cativante, ideal para devorar em poucas horas de descanso.
Diário de Uma Paixão é uma história de amor
avassaladora entre duas almas gêmeas. Nem mesmo as piores dificuldades
enfrentadas na juventude e na velhice foram capazes de separá-las. Pelo
contrário: esses obstáculos serviram para unir o casal ainda mais. Em resumo, a
saga de Noah e Allie convida à reflexão e traz momentos tocantes, perfeitos
para se aquecer debaixo de uma coberta em um dia frio.
02
– A Biblioteca da Meia-Noite (Matt Haig)
Imagine a chuva mansa caindo no telhado da sua casa e
os pingos batendo na janela. Para completar esse clima, uma manta para aquecer,
uma xícara de chá para relaxar e o livro A Biblioteca da Meia-Noite, de Matt
Haig. Tenho quase certeza de que viver essa situação é o sonho da maioria dos
leitores.
Eu ainda não tive a oportunidade de ler a obra dentro
desse contexto aconchegante, mas a Lulu já viveu essa experiência, já que
choveu por vários dias na nossa região.
Você deve estar se perguntando por que o livro de Matt
Haig combina em gênero, número e grau com esse clima. Eu explico: a história
convida a refletir com calma sobre as escolhas de vida e os arrependimentos. A
biblioteca mágica entre a vida e a morte traz uma sensação de isolamento
acolhedor. O tom reconfortante da narrativa aquece o coração e traz esperança
enquanto o tempo está fechado lá fora. Tem tudo a ver!
Portanto, para quem procura um romance contemporâneo
reflexivo, acessível e emocionante, com uma premissa simples — uma mulher
diante das vidas que poderia ter vivido —, o livro de Haig é ideal. A narrativa
mistura ficção, fantasia leve e temas como saúde mental, arrependimento e o
sentido da vida.
03
– Alta Fidelidade (Nick Hornby)
Alta Fidelidade é um livraço — e põe livraço nisso!
Amei a narrativa de Nick Hornby, como expliquei no post que publiquei logo quando comecei o blog, há aproximadamente 15 anos.
Aqueles leitores que, como eu, viveram os mágicos anos
1970 e 1980 vão se identificar de cara com Rob Fleming, o personagem principal.
Hornby consegue transportar o leitor para os áureos tempos dos discos de vinil
e das fitas cassete, que nos brindavam com melodias internacionais
inesquecíveis, como "Baby, I Love Your Way" (Peter Frampton),
"How Can You Mend a Broken Heart" (Bee Gees) ou "Love Hurts"
(Nazareth). Ah, e tem os filmes também! Ou será que você não assistiu — ou ao
menos ouviu falar de — O Poderoso Chefão e Cães de Aluguel? Quer um mais
recente? Que tal Dragão Vermelho?
Esse é o contexto em que vive o nosso Rob Fleming.
Agora me diga: como não se envolver com essa narrativa em uma manhã ou tarde
acolhedora de chuva mansa? Impossível! Alta Fidelidade é excelente para dias
chuvosos por causa do tom intimista, nostálgico, do humor ácido e da forte
ligação com a música.
A história também aborda términos amorosos e a crise dos
35 anos, o que combina com a vontade de ficar quieto em casa. Como o
protagonista é dono de uma loja de vinil e adora criar listas de "top
5", você certamente vai querer ouvir alguns discos enquanto lê. A escrita
leve e engraçada vai fazer você devorar a obra de uma vez só.
04
– O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)
A obra de Emily Brontë é ideal para dias chuvosos
porque sua atmosfera sombria, os ventos fortes da charneca inglesa e as paixões
intensas combinam perfeitamente com o clima frio e fechado. A história se passa
em uma casa de pedra no alto de um monte castigado pelo vento e pela lama. O
enredo é denso, tenso e repleto de sentimentos pesados, como rancor e obsessão,
refletindo o isolamento e a intensidade emocional dos personagens.
A ambientação em pântanos frios e casas isoladas
recria a sensação de estar no meio de uma tempestade real. Além disso, o
barulhinho reconfortante da chuva ajuda a silenciar o mundo exterior, criando
um casulo perfeito para mergulharmos na narrativa como se estivéssemos na
charneca ao lado de Heathcliff e Catherine.
Vale lembrar que o enredo desenvolvido por Brontë
ganhou várias adaptações para a televisão e o cinema, além de ter inspirado o
sucesso "Wuthering Heights", composto e interpretado por Kate Bush.
05
– Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Killmore)
Este está na minha lista de leituras, mas ainda não
tive a oportunidade de ler — a Lulu, porém, já leu. Ainda me lembro do dia em
que recebi Mistério em Cinnamon Falls da editora Verus. Estava chovendo, não muito
forte, mas de forma mansa, convidando à introspecção. Foi quando a Lulu me
disse que o clima estava ideal para ler um cozy mystery. "Uau, este livro
veio bem a calhar!", exclamou ela, que não perdeu tempo e começou a
devorar a obra de R.L. Killmore.
Ela adorou a narrativa, o que me deixou ainda mais
animado. Segundo ela, o livro entrega uma atmosfera aconchegante, clima de
cidade pequena e uma trama envolvente ideal para dias chuvosos e nublados — e
se vierem acompanhados daquele friozinho, melhor ainda.
A história se passa em meio aos preparativos para um
festival, com clima de folhas secas, bebidas quentes e cheiro de canela.
Mistura investigação leve, romance e conforto emocional, sendo perfeita para
ler enrolado em uma manta. Além disso, a narrativa lembra o clima de séries
acolhedoras como Gilmore Girls.
Segundo o release da editora, Mistério em Cinnamon
Falls acompanha Nia, uma mulher que retorna desiludida para a charmosa
cidadezinha após descobrir que o namorado era casado. Ela planejava apenas
passar uma temporada tranquila ajudando nos preparativos do tradicional
Festival de Outono. No entanto, tudo muda quando um assassinato ocorre dias
antes do evento, e o caminho de Nia se cruza com o de um policial — seu
ex-namorado da época de escola — para descobrir a identidade do assassino.
06
– As Mil e Uma Noites (Antoine Galland)
Imagine você em um dia de chuva mansa e gostosa,
debaixo do edredom, tendo ao lado ninguém menos que a princesa Scheherazade
contando histórias viciantes das Mil e Uma Noites. Fale a verdade: nenhum
leitor consegue resistir a esse clima, não acha?
Posso afirmar com convicção que As Mil e Uma Noites é
uma escolha excelente para dias assim, pois une mistério, contos fantásticos e
uma atmosfera mágica. A estrutura de histórias dentro de histórias cria um
aconchego perfeito para momentos de descanso.
A trama principal se passa à noite, com Scheherazade
narrando fábulas para salvar a própria vida. Os contos levam o leitor a lugares
distantes, desertos e palácios no Oriente enquanto escuta o barulho da chuva lá
fora. Como a obra é formada por narrativas curtas, você pode ler no seu ritmo,
sem a pressa de terminar um enredo longo.
Não importa a sua idade: é impossível resistir a
contos árabes como "Simbad, o Marujo", "Ali Babá e os 40
Ladrões" e a tantas outras aventuras com tapetes voadores, califas e
marinheiros que navegam por mares bravios.
Quando li a obra, senti-me o próprio sultão Shahriar,
querendo desesperadamente saber o final de cada conto. O resultado é uma
leitura viciante, repleta da mais pura magia, com narrativas que prendem o
leitor como uma teia de aranha. Ler esses contos em um dia cinzento é
simplesmente irresistível.
07
– As Vinhas da Ira (John Steinbeck)
O clássico As Vinhas da Ira, de John Steinbeck,
combina com dias chuvosos por causa de seu ritmo contemplativo, do forte apelo
à reflexão humana e do contraste entre a dureza do enredo e o desejo íntimo de
proteção no lar.
A narrativa detalha com calma a jornada da família
Joad, combinando com o silêncio dos dias cinzentos. Ler sobre o calor e a
poeira árida do Dust Bowl cria uma sensação física imediata de conforto debaixo
das cobertas. O Dust Bowl abordado no livro foi um grave desastre ambiental
ocorrido na década de 1930 que destruiu plantações, secou a terra e forçou
milhares de famílias de agricultores a migrar para a Califórnia.
Steinbeck utiliza a família Joad para retratar o drama
dos pequenos agricultores americanos que, durante o período posterior à Crise
de 1929, foram obrigados a abandonar suas terras. Eles eram meeiros expulsos
pelos donos das propriedades e, de uma hora para outra, viram-se sem teto. No
fundo, a obra explora principalmente o tema da superação.
08
– A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)
A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, é perfeito
para dias chuvosos por sua atmosfera gótica, pelo cenário chuvoso de Barcelona
e pelo ritmo envolvente.
A história se passa em ruas de pedra, becos escuros e
sob uma névoa constante de pós-guerra. O livro começa em uma madrugada
fantasmagórica que puxa o leitor para dentro de um mundo secreto e místico, misturando
suspense, amor e tragédia com uma prosa poética que nos convida a ficar
enrolados em uma manta.
A obra é uma declaração apaixonada à leitura, fazendo
o leitor se sentir protegido e acolhido. A narrativa de Zafón foi uma das
melhores que li na vida. O livro faz parte da saga O Cemitério dos Livros Esquecidos.
09
– O Jardim Secreto (Frances Hodgson Burnett)
Ler O Jardim Secreto é uma experiência incomparável.
Frances Hodgson Burnett escreveu uma verdadeira obra-prima que tem o poder de
encantar crianças, jovens e adultos. Quantos livros conseguem essa proeza?
Poucos. E ler essa obra em um dia chuvoso ou nublado, acompanhado daquele
friozinho amigo, é melhor ainda.
A mansão de Yorkshire, onde se desenrola parte da
trama, é sombria e fria. A história reflete a cura interior em contraste com o
cinza lá fora, e a leitura sob as cobertas traz um aconchego profundo. A
solidão dos personagens reflete o clima melancólico do ambiente. Resumindo: o
livro foi feito para essa ocasião.
O clássico utiliza o poder da amizade e da união entre
três crianças como motor principal para a transformação de suas vidas. O
trabalho em equipe reflete o crescimento emocional e físico deles, que juntos
conseguem quebrar as barreiras da solidão impostas pelos adultos. Uma leitura
obrigatória para dias cinzentos.
10
– A Tormenta (Sebastian Junger)
Acredito que os fãs de livros de aventura já estavam reclamando da ausência do gênero na nossa lista. Pois é, galera, não me esqueci de vocês! Dá, sim, para ler histórias bem aceleradas no aconchego de casa durante esses dias especiais, e a prova disso é o livro do jornalista e escritor Sebastian Junger.
A Tormenta conta a história de homens e mulheres que,
em outubro de 1991, enfrentaram uma tempestade avassaladora — considerada pelos
meteorologistas a "tempestade perfeita". O fenômeno atingiu várias
cidades de Massachusetts, mas a pior parte ficou para os pescadores de
peixe-espada do porto de Gloucester, principalmente aqueles que estavam em
alto-mar. O livro foi adaptado para o cinema em 2000, dando origem ao filme Mar
em Fúria, com George Clooney, Mark Wahlberg e Diane Lane.
Ler a obra em dias chuvosos cria um contraste
perfeito: o som da água lá fora combina com o clima de suspense do mar revolto,
gerando imersão total. Enquanto você está seco e aquecido no sofá, a narrativa
coloca pescadores no meio de ondas gigantescas de mais de trinta metros no
Atlântico Norte.
Por tudo isso, a obra de Junger é uma ótima opção para
dias nublados.
Valeu, galera! Espero ter ajudado. Agora é só esperar
a chegada da próxima frente fria. Que tal já ir selecionando as suas obras
preferidas para esse período?


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