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03 março 2026

A mulher em queda

Se eu tivesse que definir Mulher em Queda, livro que Colleen Hoover escreveu após ter ficado três anos sumida do mercado editorial, eu utilizaria a frase de um comentário que li no portal Skoob. A leitora escreveu mais ou menos assim: “O livro tem várias páginas girando em torno da mesma coisa, com excesso de palavras e pouca profundidade real!”. Cara, essa é a definição perfeita e objetiva para o novo livro de Hoover.

A autora enrolou muito, mas muito, de fato. A descrição de um beijo toma duas páginas; uma simples reflexão entre dois personagens consome mais duas páginas; uma revelação que caberia dentro de um ‘eu te amo’ ou ‘você é muito importante pata mim’, engole mais paginas; e por aí a narrativa vai se arrastando tornando grande parte a história rasa e sem profundidade. Acredito que toda essa enrolação seja num dos maiores ‘pecados’ de Mulher em Queda.

Há ainda um outro pecado, talvez até mais grave do que toda essa ‘enrolação’; vou revelar qual é: ele se chama engodo. Quando ‘digo’ engodo estou me referindo ao chamado ‘marketing popular’ que vários blogs e canais no Youtube fizeram, publicando postagens e vídeos onde revelavam que Mulher em Queda teria a mesma vibe do megassucesso Verity, primeiro thriller psicológico escrito pela autora e que explodiu em vendas, tornando-se um grande fenômeno no mercado editorial. E quer saber? Até o “Livros e Opinião” cometeu esse pecado (vejam aqui).

Verity foi publicado originalmente em 2018 nos Estados Unidos e dois anos depois no Brasil pela Galera Record. Para se ter uma ideia do tamanho do sucesso desse livro, basta expor que mesmo após mais de cinco anos de seu lançamento no Brasil, ele continua ocupando os primeiros lugares nas listas de livros mais vendidos; além de ter ‘virado’ um filme que deve estrear nos cinemas em outubro de 2026. Somado a toda essa expectativa, os meios de comunicação começaram a associar Mulher em Queda com Verity afirmando que que o primeiro também era um thriller psicológico nos mesmo moldes de Verity.

Pronto! Estava formada a tempestade perfeita com os seguintes elementos: o lançamento de um livro com a mesma premissa de outro que havia se transformado no passado, num fenômeno editorial; e o retorno de sua autora famosa, após ter ficado três anos sem ter escrito absolutamente nada.

Mas acontece que o enredo Mulher em Queda não tem nenhuma semelhança com Verity, passando muito longe de ser um thriller psicológico. O que estou querendo explicar é que o mais recente lançamento de CoHo se enquadra no gênero ‘dark romance’ que apesar de ser um gênero literário em ascensão, muitos leitores ainda não se adaptaram a ele.

Não são enredos adolescentes. Requerem “muita reflexão”, além de experienciar emoções fortes. É um gênero que está começando a romper a bolha recentemente e que não desfruta de um grande número de seguidores. Agora, voltando a nossa ‘tempestade perfeita’ junte aos elementos dessa tempestade um gênero literário não tão popular. Entenderam o porque da decepção dos leitores CoHo? Eles, com certeza, não são adeptos do ‘dark romance’ que geralmente começa com um vilão ou um anti-herói: um stalker, narcotraficante, um homem da máfia. Depois, junta-se a violência e a adrenalina a uma narrativa moralmente ambígua, onde os limites entre o certo e o errado são testados a cada página. Se identificarmos pelo menos um destes sinais, podemos ter a certeza que estamos perante um livro desse gênero.

Da mesma forma que a autora foi muito feliz, há sete anos, quando estreou no thriller psicológico com Verity, um gênero muito diferente do qual estava acostumada; agora, ao se arriscar – mesmo sem querer – no estilo dark romance, não teve a mesma receptividade.

Em Mulher em Queda, uma escritora famosa chamada Petra Rose que já arrebatou multidões e dominou as listas de livros mais vendidos, passa a sofrer de um bloqueio literário após ter sido muito criticada pela adaptação de uma de suas obras para o cinema. O ódio viral da internet a transformou em alvo fácil, e cada página em branco a qual não consegue escrever por causa de seu bloqueio é mais um lembrete de que a sua carreira pode estar chegando ao fim.

Desesperada para se reerguer, Petra se refugia numa cabana a beira de um lago, determinada a concluir o suspense que pode salvar sua vida profissional. Ela acredita estar sozinha, mas então...

Taí galera; quem sabe aqueles leitores que apreciem o gênero dark romance, possam acabar amando a história? Afinal de contas, não existem opiniões literárias unânimes. E isso serve também para Mulher em Queda, já que também li nas redes sociais alguns comentários de leitores que amaram a história. Não muitos, mas li.

Inté!

 

 

28 fevereiro 2026

“Os Humanos” de Matt Haig é relançado pela Bertrand Brasil com um novo layout. Em maio chega “O Trem da Meia-Noite”

Matt Haig não está para brincadeiras. Depois do estrondoso sucesso de A Biblioteca da Meia-Noite, o escritor britânico já engatou um novo livro com previsão de chegar ao Brasil dentro de aproximadamente três meses. Por “falar” nisso, a cegonha responsável pela entrega dos bebês da Amazon, garante que o livro chega por aqui em 25 de maio. Tanto é, que a obra já entrou na fase de pré-venda. Ah! Que distração a minha! Na empolgação acabei me esquecendo de escrever o título novo do livro. Anotem aí: O Trem da meia-noite. Pois é, já deu para sacar que o autor quis pegar uma carona no sucesso de A Biblioteca da Meia-Noite que segundo o site PublishNews, que monitora o mercado literário do país, não sai da lista dos dez mais vendidos de ficção desde a sua publicação em 2022. Agora, não sei se Haig pegou carona apenas no título ou se também “agarrou” uma pontinha ou um bom pedaço do enredo da personagem Nora Seeds – se lembram dela? “Entonce”, para esclarecer essa dúvida, só mesmo lendo O Trem da Meia-Noite, mas para isso, os leitores terão de esperar até o mês de maio.

Aproveitando o embalo dessa onda “pró Matt Haig” que está varrendo a Net graças ao sucesso de um livro e a expectativa em torno do lançamento de um outro; a editora Bertrand Brasil decidiu lançar uma nova edição de Os Humanos, livro que o autor publicou originalmente em 2013 e que só chegou ao mercado literário brasileiro em 2017 através da editora Jangada.

O livro de Haig pela Bertrand Brasil teve o seu lançamento oficial realizado em 9 de fevereiro de 2026. O título, agora, integra o catálogo da Bertrand que já concentra os grandes sucessos do autor no país, como A Biblioteca da Meia-Noite.

A nova edição de Os Humanos mantém a tradução de Rosane Albert, mas passou por revisões em seu projeto gráfico para alinhar-se ao padrão da nova editora. A capa foi totalmente reformulada para seguir a identidade visual das obras mais recentes do autor publicadas pela Bertrand Brasil, como cores vibrantes e ilustrações minimalistas.

A diagramação das páginas também foi ajustada, resultando em cerca de 308 a 320 páginas, dependendo da tiragem. Enfim, um livro inteiramente remodelado.

Em Os Humanos, o autor nos convida a valorizar cada detalhes da nossa vida na Terra, antes que seja tarde demais. O enredo narra a história de Andrew Martin, um brilhante matemático da Universidade de Cambridge, que faz uma descoberta que pode mudar para sempre o destino da humanidade. Algo que, para uma espécie tão primitiva e cheia de falhas como a nossa, é perigoso demais. E foi por isso que “eles” enviaram um emissário.

Quando um visitante extraterrestre, frio e puramente lógico, assume a identidade do professor, sua missão é clara: destruir as evidências da descoberta dele e garantir que a Terra permaneça no seu patamar de insignificância cósmica, mas então...

Bem... só posso contar até aqui porque a própria sinopse fornecida pela editora libera spoillers preciosos que, se lidos,  certamente diminuirão o impacto da narrativa.

Para concluir, basta revelar que na época de sua publicação, Os Humanos foi muito elogiado tanto pela crítica especializada quanto pelos leitores em geral; e agora, a galera que ainda não conhece o enredo da história ganha uma excelente oportunidade com o relançamento do livro da Bertrand Brasil.

 

 

25 fevereiro 2026

Cinco filmes da época do VHS que me incentivaram a ler cinco livros incríveis dos anos 60, 70 e 80

Já vou logo avisando que estou escrevendo esta postagem pensando na geração raiz, ou seja, na minha geração (rs). Com certeza, os mais novos não irão se lembrar de alguns dos livros e filmes dessa lista e talvez nem mesmo tenham ouvido “falar” dessas preciosidades literárias e cinematográficas. Quem sabe eu consiga convencer a galera da “Geração Z” a ler e também assistir, pelo menos, uma ou duas dessas obras que ganharam o status de antológicas. 

Em 1997 quando grande parte desses jovens tinham nascido, o VHS já estava na UTI dando os seus últimos suspiros. “Culpa” do DVD que naquele ano acabava de ser introduzido no mercado. Em 2008, a distribuição das saudosas fitas VHS seria descontinuada no Brasil com a tecnologia do DVD invadindo as locadoras. Por isso, a “Geração Z” não teve a oportunidade de viver essa época de ouro do nosso cinema e dos livros de romances, fossem eles de qualquer gênero.

Quanto a “Geração Alplha” ou “Gen A” tenho menos esperanças ainda. Não chego a descartar a hipótese de um jovem de 12 ou 15 anos ler ou assistir a algum filme dessa lista, mas convenhamos... é muito, mas muito difícil.

Uma das minhas inspirações para escrever essa postagem foi uma antiga locadora chamada “Marcos Vídeo e Som” localizada perto da minha casa; vizinha até. Viveu o seu auge nos anos 80 e que coincidiu com a minha transição da adolescência para a fase adulta. Volta e meia, lá estava eu “fuçando” nas dezenas de prateiras (a locadora era enorme) e selecionando os filmes que iria assistir. Já assistia ao filme pensando em ler, logo na sequência, o livro no qual ele havia sido baseado. Posso afirmar que já escolhia o VHS com segundas intenções (rs). Neste texto quero reviver essa época que deixou muitas saudades. Elaborei uma lista com cinco filmes que me amei e que me levaram a ler 10 livros fantásticos. Vamos a eles.

01 - Filme: Conta comigo (1986)

Livro: As quatro estações / conto: “O corpo” (Stephen King)

"Conta Comigo" (1986), dirigido por Rob Reiner é baseado no conto O Corpo escrito por Stephen King e que faz parte da coletânea As Quatro Estações publicada no Brasil pela editora Antônio Alves em 1988. Muitos anos depois, a Suma relançaria o livro com uma nova tradução e um novo layout (veja aqui), mas a edição da Antônio Alves é insuperável, principalmente para nós da Geração X que tivemos a oportunidade de ter em mãos a icônica coleção de livros Mestres do Horror e da Fantasia (veja a história dessa coleção aqui) da qual fez parte As Quatro Estações.

Assisti ao filme no meu televisor de tubo com o aparelho de VHS acoplado quando tinha 23 ou 25 anos e ainda me lembro que no início da projeção, nos letreiros, ‘dizia’ que o filme era baseado em um conto escrito por Stephen King. Naquela época, já era um grande fã do escritor, então... imagine o meu desespero em querer ler esse conto; o que só fui conseguir em 1988, um ano após ter assistido o filme.

"Conta Comigo” e Corpo são verdadeiros clássicos sobre o amadurecimento e o valor inestimável da amizade na infância. Quatro amigos inseparáveis (Gordie, Chris, Teddy e Vern) embarcam em uma jornada para encontrar um corpo, enfrentando medos, traumas familiares e a transição para a adolescência juntos.

02 - Filme: O Parque dos Dinossauros (1993)

Livro: O Parque dos Dinossauros/Jurassic Park (Michael Crichton)

O filme “Jurassic Park” (O Parque dos Dinossauros), dirigido por Steven Spielberg, foi lançado em VHS no Brasil em outubro de 1994, aproximadamente um ano e meio após sua estreia nos cinemas. Eu tive a oportunidade de assistir ao filme tanto no cinema quanto em VHS na tranquilidade da sala de minha casa em meu saudoso televisor de tubo, acho que da marca Telefunken. 

O livro homônimo de Michael Crichton chegou ao Brasil em 1991, mas acabei assistindo a produção cinematográfica antes de ler a obra. Cara, quando soube que existia um livro fiquei no transtorno (rs). – Preciso encontra-lo de qualquer maneira! – exclamei, mas naquela época, nós leitores, não tínhamos as facilidades que temos hoje; tanto é que o advento das livrarias virtuais estava apenas no início. Prova disso é que a Amazon só começou a vender e entregar livros físicos no ano de 2012. Pois é... era uma luta para todos nós leitores adquirir um livro pela Intenet. Nesta postagem (veja aqui) conto como O Parque dos Dinossauros de Crichton foi parar em minhas mãos.

Atualmente, você encontra varias edições e boxes luxuosos contendo o livro de Crichton.

Quanto ao filme, o lançamento em VHS foi um grande evento, permitindo que o público assistisse ao realismo dos efeitos especiais em casa.

O enredo? Certamente, não preciso escrever absolutamente nada porque todos, até mesmo a galera “Z” e “Alpha” conhecem o enredo. Ou... será que vocês já se esqueceram dos temíveis velociraptores?!

03 – Duro de matar (1989)

Livro: Duro de matar (Roderick Thorp)

“Duro de Matar” estreou nos cinemas no início do segundo semestre de 1988 dando início a uma das franquias de filmes de ação mais rentáveis de Hollywood. Franquia que garantiu a Bruce Willis o status de astro de filmes de ação no mesmo patamar de outros atores do gênero como Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger.

Logo após seu sucesso nos cinemas, “Duro de Matar” chegaria aos lares brasileiros no início de 1989. A produção bombou nas locadoras de viedeo com muitas delas chegando a elaborar filas de clientes interessados em locar a fita. O VHS da 20th Century Fox tornou-se um clássico das locadoras.

Assisti “Duro de Matar” no cinema da minha cidade e meses depois em VHS. Acredite: tive que deixar o meu nome na fila de espera da locadora.

Depois de assistir ao VHS, fiquei sabendo que o filme havia sido adaptado de um livro desconhecido lançado, sem nenhum alarde, no Brasil. Como gostei ‘pacas’ do filme resolvi sair à caça da obra de Roderick Thorp. Queria saber se o ritmo trepidante das telas se repetia nas páginas e também se o diretor John Mc Tiernan havia feito uma adaptação cinematográfica fiel ao texto de Thorp. m 2016 escrevi uma resenha sobra a obra onde dou a minha opinião Veja aqui.

Ao encontrar o livro num sebo não pensei duas vezes e comprei. Queria matar a minha curiosidade o mais rápido possível. Pois é, excetuando poucos detalhes, a produção cinematográfica é bem fiel ao livro com o diretor John McTiernan promovendo poucas mudanças.

Adorei – tanto no cinema, no VHS e também nas páginas – a história daquele policial durão que decide visitar a esposa que trabalha num imenso arranha-céu justamente quando um grupo de terrorista invade o local. Quer saber detalhes sobre o livro? Veja nest post que escrevi em 2016.

04 – 007 contra Goldfinger (1965)

Livro: Goldfinger (Ian Fleming)

O terceiro filme do agente secreto britânico chegou aos cinemas americanos em 17 de setembro de 1964. No Brasil chegaria poucos meses depois, em 28 de janeiro de 1965.

Assisti “007 contra Goldfinger”, pela primeira vez, na extinta TV Tupi em meados da década de 70 no auge dos meus 15 ou 16 anos. Naquela época, os meus pais ainda não tinham comprado um aparelho de VHS, aliás, acredito que esse equipamento estava ainda em seu primórdios, sendo considerado uma novidade no Brasil.

Só fui assistir ao filme de James Bond em VHS na década de 1980. Depois disso, resolvi comprar o livro. Encontrei Goldfinger em um sebo, já que a obra de Ian Fleming, na época, estava esgotada e sem nenhuma previsão de relançamento por parte de alguma editora. Hoje o panorama mudou, já que o título foi publicado por várias editoras e pode ser encontrado facilmente em qualquer livraria.

Fiquei muito feliz ao ter fisgado a edição capa branca da BestSeller lançada em 1965: uma verdadeira preciosidade. O livro, a exemplo do filme, é muito bom e devorei as suas páginas em pouco tempo. A música de abertura na vóz inconfundível de Shirley Bassey também se tornou inesquecível para mim. Na minha opinião, a melhor abertura de todos os filmes de 007, mesmo tendo sido produzida nas década de 60 sem a tecnologia de hoje dos efeitos especiais.

Quanto ao livro tão bom quanto o filme, senão, melhor.

05 – Rambo – Programado para matar

Livro: Primeiro Sangue (David Morrell)

O filme original, “Rambo: Programado para Matar”, chegou nas locadoras brasileiras em formato VHS entre 1983 e 1984, pouco depois de sua estreia nos cinemas nacionais em novembro de 1982. Acho que não cheguei a assistir ao filme de Sylvester Stallone nos cinemas; vi apenas em VHS. Quando assisti nem passava pela minha cabeça que a produção, na realidade, havia sido adaptada de uma obra literária. Consegui o livro muito, mas muuuuito tempo depois de ter assistido ao filme. Foi uma luta localizar a obra de David Morrell que estava completamente esgotada e, na época, sem previsão de relançamentos. Depois de muita luta consegui encontrar num sebo uma edição de Primeiro Sangue ainda de 1972 publicada pela Record. Não perdi tempo e agarrei o livro com unhas e dentes (rs).

Quando terminei a leitura fiquei em choque: livro e filme são completamente distintos, por demais diferentes um do outro.

Enquanto nas telas o personagem de Stallone ganha o status de herói, no livro não é bem assim. Primeiro Sangue é uma obra que rompe esse paradigma. Morrell optou por um contexto onde não existem heróis, mas apenas vilões. Rambo e o Xerife Teasle são verdadeiros homens das cavernas que não aceitam mudar os seus princípios mesmo quando estão errados. Esta desmistificação dos romances tradicionais torna a leitura ainda mais interessante, pois você não tem aquele personagem certinho e de princípios ou, então na pior das hipóteses um anti-herói para torcer. No livro de Morrel, todo mundo é vilão mesmo! Caçado e caçadores. Um querendo ver o sangue do outro. Isto faz com que as vezes você acabe torcendo para o problemático Rambo e em outras, para o xerife Teasle que, cá entre nós, é uma mala sem alças.

Taí galera! Por hoje é só.

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