08 julho 2026
6 livros de terror de autores brasileiros para serem lidos neste segundo semestre de 2026: Devorei todos eles
Sou um grande fã da literatura de terror — mas fã
mesmo! Por isso, quando percebo que o gênero está crescendo cada vez mais no
Brasil com o surgimento de novos autores, fico mais feliz ainda. Além desse
“boom” que nos trouxe César Bravo, Douglas Lobo e Marcos DeBrito, entre outros,
o engajamento de novos leitores que estão aderindo ao gênero também me deixa
animado. Consigo notar esse engajamento nos comentários sobre as obras desses
autores nas redes sociais. Percebo que cada vez mais pessoas que não liam
autores nacionais, ou que não tinham a literatura de terror como preferida,
agora estão mudando de opinião.
Hoje, enquanto tomava café da manhã com a Lulu,
revelei que pretendia escrever uma postagem indicando alguns livros de terror
que havia lido e gostado. Então, ela me questionou, perguntando quantos livros
de terror de autores nacionais eu já havia lido. Pronto! Novamente, a Lulu me
salvou (rs).
— Li vários deles e gostei da maioria. Brigado,
amor da minha vida!!!
Galera, taí como surgiu este post que você está
lendo neste momento. Portanto, se gostarem do conteúdo, agradeçam primeiramente
à Lulu (rs).
Neste espaço, vou indicar seis obras de terror de
autores nacionais que li e gostei bastante. Algumas me incomodaram, outras me
arrepiaram, teve ainda aquelas que me tiraram o sono... e por aí vai. Espero
que essa lista sirva para introduzir, dentro do contexto da literatura de
terror nacional, aqueles leitores que apreciam o gênero, mas ainda não tiveram
a oportunidade de “devorar” a narrativa de um autor brasileiro. Pois é... vocês
não sabem o que estão perdendo!
01 – Terra
Amaldiçoada (Douglas Lobo)
Abro a nossa lista com o livro desse romancista e
jornalista do Piauí, conhecido por escrever histórias sombrias que transitam
entre os gêneros de terror e sobrenatural. Douglas Lobo consolidou sua carreira
literária escrevendo tramas que misturam tensão psicológica, terror e elementos
da realidade rural brasileira.
Sua obra de estreia foi Terra
Amaldiçoada, publicada originalmente em 2015 de maneira
independente. Mesmo não contando com o apoio de uma editora, o livro explodiu
em vendas e ganhou muitos elogios nas diversas plataformas literárias,
incluindo a Amazon.
Li o livro, amei e resenhei. Confiram aqui! Lobo
escreveu um drama rural com pitadas místicas e de terror que fisga a atenção do
leitor. Considerado um de seus maiores sucessos, este terror psicológico
acompanha Fabrício, um homem que perde o emprego em São Paulo e retorna ao
interior do Piauí. Lá, ele se depara com assassinatos brutais e lendas urbanas
que se misturam com a política local e tradições familiares sombrias.
Diferente do terror tradicional, a obra utiliza o
sertão piauiense e a cultura local como um cenário sombrio. Por trás do horror
sobrenatural, o livro toca em assuntos profundos como preconceito, disputas
agrárias e a ganância das elites. Terra Amaldiçoada
explora raízes folclóricas brasileiras e o conceito de lobisomem, mostrando a
entidade como um guardião sanguinário e furioso da natureza. O livro é
frequentemente elogiado pelo plot twist final
surpreendente. Enfim, recomendo muito!
02 – VHS:
Verdadeiras Histórias de Sangue (César Bravo)
Escrever o que de César Bravo? Basta dizer que o
cara é fera e um dos principais nomes do time de autores da DarkSide, uma das
editoras mais famosas e respeitadas do Brasil. Seu livro VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue é fodástico!
Costumo escrever em minhas resenhas que, para ler as obras do César Bravo, o
leitor tem que desarmar todos os seus gatilhos e se despir de alguns
paradigmas; caso contrário, vai ficar difícil.
A linguagem sem meias palavras, somada às
situações-limite vividas pelos seus personagens, mexe com o psicológico. Os
textos são "trucões", já que dão ênfase ao lado obscuro da psique
humana, onde muitas vezes está arraigada toda a maldade das pessoas.
Estas características podem ser constatadas em
todas as suas obras, incluindo a duologia VHS: Verdadeiras Histórias de
Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D (tem
resenha aqui e também aqui). Gostei muito dos dois livros, que exploram o universo da
fictícia cidade de Três Rios, criada pelo autor. VHS foi o que mais
me agradou. O livro é escrito no formato de contos — são 18 histórias curtas —
com base em registros orais, casos sinistros e uma porção de detalhes que
rodeiam a vida dos moradores de Três Rios. As histórias giram em torno de
mandingas macabras, crimes brutais, animais soturnos, notícias de jornais e
anúncios que compõem o imaginário de um local esquecido pelo tempo.
A impressão que temos é de que algumas dessas
histórias realmente ocorreram na vida daqueles moradores. O estilo narrativo de
Bravo — que inclui muitos diálogos — contribui para fisgar o leitor.
03 – A Sombra da
Lua: O Mistério de Vila Socorro (Marcos DeBrito)
Cara, que livro! Esqueça aquelas histórias
caricaturais de lobisomens. Nada a ver. O livro que marcou a estreia no terror
do diretor, roteirista e escritor brasileiro Marcos DeBrito tem outra vibe. A Sombra da Lua: O Mistério de Vila Socorro traz uma
abordagem visceral, tétrica e, acima de tudo, madura sobre o clássico mito do
lobisomem ambientado no interior do Brasil.
A trama acompanha uma série de assassinatos brutais
e misteriosos cometidos por uma criatura selvagem e inclassificável. A
narrativa se desenrola na fictícia e isolada Vila Socorro, no interior de São
Paulo, e é contada em duas linhas temporais.
Como expliquei na resenha do livro, DeBrito mostra
a chegada de Bastiano e Clemenzia Cesari, imigrantes italianos que tentam
construir uma nova vida como pequenos agricultores. É neste período que as
sementes do mistério e da maldição são plantadas.
A espinha dorsal do enredo é focada no proibido e
intenso romance entre Alana e Álvaro, enquanto a vila é assolada pelo pânico
dos ataques sanguinários da besta durante os ciclos lunares. O livro usa o
terror da criatura como um pretexto para explorar a psicologia humana, expondo
os segredos obscuros, preconceitos, paixões e o verdadeiro "eu" dos
moradores diante do medo extremo. Recomendo muito!
04 – A Corrente - Passe Adiante (Estevão Ribeiro)
O livro de Estevão Ribeiro fala de um hacker chamado Roberto Morate que, ao repassar um
e-mail recebido de uma garota desconhecida, descobre que salvou a vida dela,
mas, por outro lado, condenou a sua própria alma e a de todos que receberam a
corrente.
Explicando melhor: num belo dia, Roberto, que tem
como profissão roubar senhas bancárias de incautos internautas, recebe um
e-mail misterioso de uma garota que diz ter morrido. Algo do tipo: “Passe esse e-mail para outras sete pessoas e você terá muita sorte.
Nem pense em mandar essa mensagem para a lixeira. Se você apagá-la, em 48 horas
eu irei atrás de você, onde estiver...”
Ok, se coloque no lugar de Roberto: o que você
faria? Apagaria a mensagem? Tudo bem. Vamos supor que você excluísse a corrente
para a lixeira e, imediatamente, ouvisse o sinal do seu computador lhe avisando
da chegada de uma nova mensagem. Neste momento, você até já se esqueceu do
suposto “trote virtual”, então a nova mensagem chega ‘rasgando’: “Eu não lhe avisei para não jogar a mensagem na lixeira?! Vou lhe
dar uma nova chance de viver. Repasse, agora, essa corrente para outras sete
pessoas, senão irei atrás de você!! Vai querer contrariar a vontade de uma
morta?”
Ehehehe.... Pergunto-lhe novamente: o que faria?
Mandaria a mensagem, mais uma vez, para a lixeira ou a enviaria para os
endereços de sete amigos virtuais?
Cara, esse foi o drama do Roberto. Mesmo pensando,
ainda, se tratar de algum trote, aquele friozinho na base da espinha o alertou
de que seria melhor ‘despachar’ a corrente. E foi o que fez.
É a partir desse ponto que a vilã Bruna começa a
aprontar na história, provocando um festival de calafrios nos leitores. A
personagem criada por Estevão Ribeiro é muito parecida com a Samara do filme “O
Chamado” — aquela menina que sai rastejando, como se fosse uma aranha, de
dentro de um televisor, como expliquei neste post onde dou a minha opiniãosobre “A Corrente”. Mas tem um detalhe: achei a Bruna muito mais assustadora e
sinistra do que a própria Samara. Preciso escrever mais?
05 – Contos
Macabros: 13 Histórias Sinistras da Literatura Brasileira (Vários Autores)
O livro Contos Macabros: 13 Histórias
Sinistras da Literatura Brasileira é uma coletânea pioneira de
terror e suspense psicológico organizada pelo professor e doutor Lainister de
Oliveira Esteves. Publicada originalmente em 2010 pela editora Escrita Fina, a
obra reúne textos sombrios produzidos por grandes mestres da nossa literatura
entre o final do século XIX e o início do século XX.
As 13 histórias são ordenadas cronologicamente e
trazem contos de 9 autores fundamentais, considerados verdadeiros cânones da
literatura brasileira. São eles: Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães,
Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Gonzaga Duque, Lima Barreto, João do Rio,
Humberto de Campos e Thomaz Lopes.
Quando soube que escritores célebres como Machado
de Assis, Aluísio Azevedo, Bernardo Guimarães, entre outras feras da literatura
tupiniquim, decidiram se embrenhar por um terreno pouco explorado em seus
romances tradicionais — a terra do medo —, não pestanejei e comprei logo o
livro.
Fiquei imaginando Bernardo Guimarães, autor de A Escrava Isaura, escrevendo um conto macabro durante
os intervalos da redação do seu famoso melodrama que conquistou o Brasil; ou
então Machado de Assis esquecendo um pouco de Dom Casmurro e
‘atacando’ de Edgar Allan Poe, de quem era um leitor ávido (tanto é que foi o
tradutor do poema O Corvo).
Tinha muita curiosidade para conhecer o lado mais
sombrio desses autores brasileiros famosos. Assim, comprei o livro após descobri-lo
num sebo por um preço bem módico. Resultado final: amei os contos! Em 2019
postei uma resenha sobre a obra (confiram aqui).
06 – Canibais:
Paixão e Morte na Rua do Arvoredo (David Coimbra)
A obra do renomado jornalista e escritor gaúcho
David Coimbra, que faleceu em 2022, mistura múltiplos gêneros literários, entre
os quais o terror, para recontar um dos casos criminais mais famosos e macabros
do Brasil do século XIX.
O pano de fundo é essencialmente aterrorizante. A
trama acompanha crimes reais cometidos pelo casal José Ramos e Catarina Palse,
que assassinavam pessoas para transformar seus corpos em linguiça na Porto
Alegre de 1863.
O caso foi tão macabro, mas tão macabro, que apesar
de ter ocorrido no século XIX, quando Porto Alegre ainda estava engatinhando —
contando com menos de 20 mil habitantes —, nem mesmo a aura de tecnologia
ultramoderna do século XXI conseguiu apagar o crime que intrigou as autoridades
policiais.
Naquele fatídico ano de 1863, a polícia de Porto
Alegre deparou-se com uma cena horripilante: no porão da casa de José Ramos e
Catharina Palse, na Rua do Arvoredo, onde também funcionava o açougue do casal,
estavam enterrados os pedaços de um corpo humano, já em avançado estado de
decomposição. O cadáver havia sido retalhado, com a cabeça e os membros
separados do tronco, e este, por sua vez, repartido em vários pedaços para...
ser transformado em linguiça e... ser vendida aos moradores. Arghhhhhhh!!!
Há uma exploração crua da morbidez, da obsessão e
do canibalismo. A narrativa adota a estrutura de uma investigação criminal e de
um suspense psicológico. Acompanhamos personagens que, aos poucos, descobrem o
segredo nefasto do porão da Rua do Arvoredo. O autor recria detalhadamente o
cenário, os costumes, o vocabulário e o cotidiano da Província de São Pedro
(Rio Grande do Sul) no século XIX.
Portanto, embora os elementos de terror gráfico e
psicológico sustentem a história, a obra de Coimbra se destaca justamente por
transitar entre o horror real, a ficção policial e a comédia de costumes da
época, como expliquei nessa resenha.
Se você aprecia o gênero terror, mas ainda não teve
a oportunidade de ler nenhum autor nacional, faça essa experiência. Escolha um
desses seis livros. Certamente, você irá amar!
04 julho 2026
Irmandade Mortal: Vale a pena embarcar no novo mistério da Tenente Eve Dallas?
Alô, galera! Tem novidade literária na área, principalmente para os
adeptos dos gêneros policial e ficção científica incluídos num pacote só. Estou
me referindo a uma saga que começou em 1995 e que já está no seu 62º livro.
Isso mesmo: uma saga com 62 volumes publicados de forma ininterrupta nos
Estados Unidos há mais de 30 anos!
A famosa série Mortal, escrita pela autora best-seller Nora
Roberts sob o pseudônimo J. D. Robb, transformou-se ao longo dessas três
décadas num sucesso mundial de suspense policial futurista, com mais de 780
milhões de exemplares vendidos. Somente no Brasil, a saga já ultrapassou a
marca de 500 mil cópias. Dos 62 títulos lançados lá fora, 41 deles já estão
disponíveis em território nacional através da editora Record. O volume mais recente,
intitulado Irmandade Mortal, aterrissou nas prateleiras das livrarias
brasileiras no dia 29 de junho — ou seja, acabou de sair do forno!
🕰️Preciso ler os 61 livros anteriores?
Trata-se de uma excelente pedida para os amantes de um bom suspense com
pegada sci-fi, e principalmente para os fãs da Nora Roberts que ainda
não tiveram a oportunidade de ler absolutamente nada do seu alter ego, J. D.
Robb.
Ah, antes que eu me esqueça: deixe-me
tranquilizar quem está pensando que é obrigatório ler todos os livros de forma
cronológica para entender o contexto. Calma aí, pessoal, nada disso!
Não há a menor necessidade de maratonar essas quatro dezenas de livros
antes de vocês embarcarem na narrativa de Irmandade Mortal. As tramas
são independentes; portanto, não é preciso ler os volumes anteriores para
compreender e se deliciar com a história atual.
🕵️ O que esperar de Irmandade Mortal?
Ambientada em Nova York no ano de 2061, a saga acompanha a tenente Eve
Dallas na resolução de crimes complexos. Neste novo livro — que chegou por aqui
pela Bertrand Brasil, um dos selos do Grupo Editorial Record —, a tenente entra
em ação para investigar o sumiço de seu primo, Edward Mira, um homem cercado de
inimigos que conquistou em sua vida profissional como juiz e advogado.
Para desvendar o mistério, a detetive mergulha em:
- Conflitos
de interesse e disputas imobiliárias milionárias em torno de um valioso
imóvel de herança;
- Negócios
escusos envolvendo adversários perigosos que Edward colecionou durante sua
trajetória política;
- Segredos
sombrios e revelações sobre o passado da vítima que mudam completamente o
rumo da investigação.
🎭 Bastidores do Pseudônimo
A adoção de um pseudônimo por uma conhecida autora de romances e o
surgimento da saga Mortal nasceram praticamente juntos. Com uma carreira
fenomenal e repleta de best-sellers, Nora Roberts estava pronta para um novo
desafio literário. Como disse seu agente na época, assim como existem a Pepsi,
a Pepsi Diet e a Pepsi sem cafeína, um pseudônimo oferecia a oportunidade de alcançar
um público leitor totalmente novo e diferente.
O primeiro livro de suspense futurista de J. D. Robb, Nudez Mortal,
foi publicado em 1995, e os leitores foram imediatamente atraídos por Eve
Dallas — uma policial durona com um passado sombrio — e por seu interesse
amoroso ainda mais misterioso, conhecido apenas como Roarke. A partir daí, J.
D. Robb e a série Mortal nunca mais se separaram.
📝 Minha Expectativa
Para ser sincero, ainda não li o livro que acabei de receber. Mas, pelas
minhas "zapeadas" nas redes sociais literárias, os comentários sobre
a maioria dos volumes da série são superpositivos, o que só aumenta a minha
expectativa com relação a Irmandade Mortal.
Fica, portanto, o alerta para os fãs de Nora Roberts — ou melhor, de J.
D. Robb — correrem para as livrarias físicas ou virtuais e garantirem o
lançamento mais recente dessa incrível saga policial futurista.
Inté!
30 junho 2026
Sem volta
Se você gostou de “Thelma e Louise” com Susan Sarandon
e Geena Davis, dirigido pelo gênio Ridley Scott, com certeza irá amar Sem Volta, de Emily Henry e Brittany
Cavallaro. O porquê? Tá bem, eu conto: simplesmente, filme e livro compartilham
a mesma essência do subgênero road movie, além de celebrar a força
feminina. Classifico o romance de Henry e Cavallaro como um “Thelma e Louise”
para o público jovem, “coisa” do tipo young adult. Mas e aqueles
leitores que ainda não tiveram a oportunidade de assistir ao filme, será que
também irão gostar do livro? Se eles estiverem à procura de um young adult
com enredo focado no amadurecimento dos personagens principais e na superação
do controle familiar — que muitas vezes se aproxima do controle obsessivo —,
também irão amar a história. No meu caso – terminei a leitura na semana passada
–, não cheguei a amar, mas gostei, sim, do livro.
Uma dica para aqueles que pretendem ler a obra é que
se soltem um pouco das “amarras” da realidade e deixem-se embalar pelas aventuras e peripécias de duas amigas
inseparáveis que resolvem “cair” na estrada. Se fizerem isso, a leitura se
tornará fluida e prazerosa.
Estas duas amigas se chamam Winona e Lucille. Elas têm vidas muito diferentes, mas também
têm algo em comum: estão de saco
cheio de homens controladores e dispostas a tudo para fugir. Ao se livrarem das
amarras que as sufocam, elas pisam fundo no acelerador, numa aventura em busca
de quem são e da liberdade de poder viver a própria vida longe dessas amarras.
Agora, você que assistiu a “Thelma e Louise” e está
pensando que ler Sem Volta será uma
grande perda de tempo, já que ambos têm
enredos semelhantes, pode começar a mudar de ideia porque a realidade é bem
diferente. Apesar de livro e filme terem as suas semelhanças, as diferenças
também existem e são bem distintas. Por exemplo, na produção cinematográfica de
1991, a tensão surge a partir da violência real e sistêmica (uma tentativa de
estupro e o histórico de um casamento abusivo). Já no livro de Henry e Cavallaro,
a opressão é internalizada nos laços familiares. Winona é sufocada pelo
controle abusivo do pai, enquanto Lucille é refém, financeira e emocionalmente,
de uma mãe negligente e de um irmão problemático.
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Cena do filme Thelma e Louise (1991) com Geena Davis e Susan Sarandon
Outro detalhe que deixa evidente a diferença entre os
dois é que o filme tem um tom de thriller policial e comédia de humor ácido que
culmina em um desfecho trágico e poético, onde o mergulho no penhasco simboliza
o triunfo máximo sobre a opressão. Por sua vez, o livro mantém uma veia de
comédia sombria, mas opera sob uma ótica otimista. A dinâmica entre Winona e
Lucille foca na cura emocional e no empoderamento mútuo, caminhando para um
final de redescoberta pessoal, laços fortalecidos e esperança no futuro,
afastando-se do tom fatalista do filme.
Na minha opinião, toda a rebeldia das duas personagens
de Sem Volta é uma fuga adolescente
em busca de autonomia e emancipação, enquanto no filme, a dinâmica gira em
torno da luta de Thelma e Louise pela sobrevivência contra instituições e
situações aparentemente dominadas por homens.
Quanto às
semelhanças, você que assistiu ao filme, fique tranquilo porque elas não irão
atrapalhar em nada a história do livro. Existem semelhanças, sim, mas todas
elas longe de queimar o enredo com spoilers
ou então de influenciar negativamente o desenvolvimento da trama das duas
escritoras.
Tanto no livro quanto no filme, a narrativa começa com
duas mulheres que decidem dar um basta na vida que levam e partem em uma viagem
de carro em busca de independência. A jornada na estrada é o cenário central da
história, servindo como uma metáfora para o autodescobrimento e a quebra de
paradigmas.
O pilar do que rola tanto nas telonas quanto nas
páginas é a cumplicidade e a lealdade incondicional entre duas mulheres que se
apoiam para enfrentar um mundo hostil e patriarcal. Semelhanças, repito, que em
nada atrapalham quem assistiu ao filme e agora planeja ler o livro, ou
vice-versa.
Ah! Antes que me esqueça: assisti ao filme – ainda na
época do VHS – e gostei; e acabei de ler o livro recentemente e também gostei.
Inté, galera!










