15 setembro 2026
Amor à Primeira Vista: As Capas Mais Bonitas e Marcantes da Minha Estante
Já vi essa TAG em diversos blogs literários. Afinal, todos nós,
“devoradores de livros”, temos em nossas estantes aquelas obras com capas
incríveis que ocupam os melhores lugares nas prateleiras dos nossos cantinhos
de leitura. Para muitos, podem até ser consideradas capas comuns, mas, para
aquele leitor que comprou o livro, a tal capa tem um significado especial.
Tenho certeza de que você que lê esta postagem, assim como eu, já
comprou um livro pela capa ou tem em sua estante um lugarzinho especial para
aqueles layouts que julga mais bonitos. Confesso que já comprei alguns livros
por influência da “Dona Capa”, como se ela sussurrasse em meus ouvidos: “Veja
só como sou bonita... não vai me levar?”. Então, pronto: lá vou eu e agarro
capa e livro. Foi uma quantidade pequena de capas que conseguiu me seduzir, mas
existiram algumas. A maioria dos livros que comprei, no entanto, foi por
influência da sinopse ou do autor. E, mesmo adquirindo várias obras única e
exclusivamente pelo enredo, consegui obter capas fantásticas — pelo menos para
mim. No post de hoje, quero apresentar essas capas da minha estante, contar um
pouquinho das suas histórias e explicar o que elas representam para mim. Vamos
à nossa TAG!
01 – Box O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
| Editora: Zahar
Há muito tempo planejava ler a versão integral do clássico de Alexandre
Dumas. Na época, surgiram duas opções: o box com dois volumes da Zahar e a
edição em volume único da Martin Claret. Acabei optando pela Zahar por ser
dividida em dois volumes e assustar menos (rs). Digo isso porque não é fácil
encarar de uma vez só mais de 1.300 páginas! Acho que dois volumes assustam
menos (rs). Aliás, publiquei um post em 2020 no qual fiz uma análise detalhada
das publicações da Zahar e da Martin Claret (quem quiser pode conferir aqui).
Não me arrependo. O designer gráfico e ilustrador Rafael Nobre arrasou
ao criar capas de encher os olhos do mais frio dos leitores. A ilustração de
uma cela em formato de calabouço — na caixa que guarda os dois volumes —
representa fielmente o enredo de Dumas, ou seja, a prisão desumana do Castelo
de If, onde Edmond Dantès ficou encarcerado durante 14 anos.
Formado em Design Gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rafael Nobre desenvolve vários tipos de trabalhos diferentes diretamente de seu
estúdio: de catálogos e embalagens a peças promocionais, ilustrações e projetos
de livros. Além disso, ele sempre tenta organizar seu ritmo para a produção de
projetos autorais e artísticos.
Quanto aos dois livros que fazem parte do box, só me resta dizer que são
um show à parte. A ilustração da capa do primeiro volume, com detalhes em azul,
roxo e preto, representa o momento em que Dantès, cercado por guardas, é levado
em um barco para a prisão do Castelo de If. Já na capa do segundo volume, a cor
vermelha, em vários matizes, predomina representando uma espécie de pôr do sol.
Ao fundo, em preto, vemos o Conde de Monte Cristo já com todo o poder que o
tesouro descoberto lhe proporcionou, além da imagem, em segundo plano, do
Castelo de If.
A Zahar também deu um show na qualidade do material utilizado na
produção do box. Fabricada em papelão grosso de alta densidade, a caixa é
rígida e muito resistente, contando com uma leve textura porosa/arenosa ao
toque. Enfim, o projeto gráfico detalhado consegue transportar os leitores para
o clima da história.
02 – Conan, o Bárbaro (Robert E. Howard) | Editora:
Pipoca & Nanquim
Quando soube que a Pipoca & Nanquim iria lançar individualmente uma
trilogia de Conan com as histórias originais escritas por seu criador, o
cultuado escritor Robert E. Howard, não pensei duas vezes: estabeleci como meta
comprar os três volumes. Por isso, antes de o primeiro volume chegar às
livrarias, eu já o havia adquirido na pré-venda. E foi assim também com os
outros dois volumes; hoje tenho a coleção completa em minha estante. Fui
premiado em dose dupla: com as aventuras incríveis do guerreiro cimério e com o
layout dos três livros. A Pipoca & Nanquim caprichou demais. Tenho um
carinho especial pelo terceiro volume, que fecha a saga: na minha opinião, é o
mais bonito da trilogia, com um acabamento de luxo impecável. Ele inclui capa
dura com a arte clássica de Frank Frazetta, sobrecapa de acetato transparente,
fitilho de tecido, marcador de página personalizado no formato da espada da
Valéria e ilustrações internas de grandes artistas. A capa, com detalhes em
vermelho, traz Conan a cavalo erguendo seu escudo e subjugando seus inimigos com
a espada desembainhada.
Vale lembrar que a coleção lançada pela editora conta com uma galeria de
capas da clássica revista Weird Tales, na qual as aventuras foram
publicadas nos anos 1930. Uma supercapa que merece lugar de destaque em minha
estante.
03 – Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Kilmore) |
Editora: Verus
A obra de R. L. Kilmore chegou à minha estante há poucas semanas, mas,
apesar do pouco tempo e mesmo sem ainda ter tido a oportunidade de lê-la, sua
capa já me conquistou. Achei incrível. É simples, porém impressionante,
provando que muitas coisas não precisam de rebuscamento para serem belas. O
excesso de zelo pode acabar transformando um visual discreto e agradável em
algo carregado e incômodo. A capa de Mistério em Cinnamon Falls tem essa
virtude: é simples e muito bonita.
A edição brasileira, lançada pela Verus Editora, traz uma paleta de
cores acolhedora e temática que remete ao outono, combinando perfeitamente com
a proposta de suspense aconchegante (cozy mystery) da história.
O cenário é definido por uma profusão de tons alaranjados e amarelos
intensos nas copas das árvores que emolduram a cena. Essas cores outonais
transmitem acolhimento e nostalgia, elementos essenciais para o apelo cozy.
O céu ao fundo apresenta um tom bege/creme pálido e suave.
Achei a capa extremamente equilibrada. As cores aconchegantes atraem o
leitor, enquanto os toques de amarelo de alerta e vermelho de perigo sinalizam
que nem tudo está bem naquele cenário idílico.
É uma pena que o livro não traga o nome do designer gráfico responsável
pelo layout de Mistério em Cinnamon Falls.
04 – Cujo (Stephen King) | Editora: Suma
Tenho todos os livros da coleção “Biblioteca Stephen King”, mas, com
relação às capas, vou ser sincero: só gostei de uma. Tudo bem que adorei as
histórias, mas somente a arte de Cujo me agradou. Achei os layouts dos
outros seis livros que fazem parte da coleção muito rebuscados. Cujo foi
a única exceção, e que capa, galera! Ela é dominada por um vermelho forte e
intenso, quase como sangue, que transmite uma sensação de perigo, urgência e
medo, preparando o leitor para o suspense que está por vir. O preto e o branco
são usados nos detalhes e nos textos, criando um contraste marcante que destaca
os elementos principais.
No centro da capa, ocupando grande parte da imagem, há a representação
de uma pata de cachorro, como se tivesse sido carimbada no chão. A pata é preta
e tem uma textura áspera e desgastada, parecendo suja de terra ou sangue seco.
Longos riscos pretos estendem-se para cima a partir dela, lembrando garras ou
marcas de unhas arranhando a superfície. Essa imagem sugere algo selvagem,
perigoso e talvez até sobrenatural.
É uma capa intrigante que consegue despertar a curiosidade do leitor,
sugerindo uma história envolvente e assustadora. Sem dúvida nenhuma, uma das
melhores capas de livros que tenho em minhas estantes.
05 – Marvels (Kurt Busiek e Alex Ross) | Editora:
Panini
Meu Deus! Esta edição de Marvels é um dos maiores xodós da minha
estante; escolhi um lugar de destaque para ela. Aliás, o livro merece todo esse
esmero, pois as ilustrações são do gênio dos quadrinhos Alex Ross. Para quem
não sabe, ele é simplesmente um dos maiores e mais aclamados pintores da
história das HQs, famoso mundialmente pelo estilo hiper-realista criado com
tinta guache e lápis. Suas pinturas dão vida aos super-heróis como se fossem
pessoas reais fotografadas no cotidiano. Esta é a sensação ao bater os olhos na
capa de Marvels: parece que o herói da ilustração é de carne e osso.
Uau!
Por isso, considero Marvels uma verdadeira obra-prima da arte nos
quadrinhos. A imagem icônica que a estampa — mostrando o reflexo do
Homem-Gigante nos óculos do fotojornalista Phil Sheldon — sintetiza
perfeitamente a proposta revolucionária da HQ: enxergar os super-heróis a partir
da perspectiva do homem comum.
O trabalho de pintura de Alex Ross transforma o fictício em algo
tangível. O jogo de luzes, as expressões humanas de espanto e a grandiosidade
divina dos heróis vistos de baixo para cima mudaram para sempre a forma de produzir
e consumir histórias em quadrinhos nos anos 1990.
Parabéns à editora Panini por publicar essa obra-prima.
06 – Box Grandes Obras de Bram Stoker (Bram Stoker)
| Editora: Nova Fronteira
Eis mais um xodó da minha estante. Tudo culpa da Nova Fronteira, que
caprichou no visual da caixa e dos três livros que formam a coleção.
Galera, o visual do box é realmente um espetáculo para os fãs de
literatura de terror. Ele traz quatro livros com capas duras em cores vibrantes
e contrastantes (vermelho, roxo e verde-piscina). A caixa rígida tem uma
estética gótica muito imponente que se destaca — a minha estante não me deixa
mentir (rs).
Essa versão aposta em um acabamento de luxo com efeito metalizado
brilhante na capa e papel especial, dando um toque sombrio e sofisticado à
coleção. Ter clássicos como Drácula reunidos em um material gráfico tão
bem trabalhado transforma a leitura em uma experiência visual única.
07 – Zorro – Começa a Lenda (Isabel Allende) |
Editora: Bertrand Brasil
A capa de Zorro – Começa a Lenda, escrito por Isabel Allende e
publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil, é de fato envolvente. Toda
vez que entro na minha sala de leitura e olho para o livro, não consigo conter
a exclamação: "Caramba, que capa instigante!".
É verdade, galera. A obra de Allende consegue produzir esse efeito em
mim; passo muito tempo olhando para ela. O layout de Zorro – Começa a Lenda
captura a essência misteriosa e aventureira do herói clássico por meio de
escolhas de design muito precisas. Os artistas gráficos da Bertrand Brasil
foram extremamente felizes na elaboração desse projeto.
O destaque principal é a silhueta escura do Zorro. A icônica imagem com
o chapéu de abas largas e a capa preta evoca imediatamente o mistério do
personagem, mantendo sua identidade oculta. A presença diagonal da lâmina de
uma espada cruza o fundo iluminado, sugerindo ação, perigo e a perícia do herói
com as armas.
O título "Zorro", escrito em letras vermelhas estilizadas,
contrasta fortemente com o fundo escuro. Vejo a cor vermelha simbolizando
paixão, justiça e o sangue das batalhas da época. Se no formato brochura já
consegue causar todo esse impacto, fico imaginando esse visual
"vestido" em capa dura.
08 – Lady Killers - Assassinas em Série (Tori Telfer) | Editora: DarkSide
Cara, a capa de Lady Killers - Assassinas em Série é um verdadeiro soco no estômago
porque quebra todas as regras óbvias do True Crime. Quando você pensa em
um livro sobre assassinos em série, o cérebro já imagina uma capa preta e
cinza, com manchas de sangue falso e uma tipografia meio rasgada, certo? Aqui,
a DarkSide fez exatamente o oposto e entregou uma obra de arte.
Esqueça o layout tradicional dos livros do gênero, cheios de ilustrações
de facas, revólveres e afins, acompanhados de sangue falso para todos os lados.
Substituindo esse visual carregado, a DarkSide optou por um rosa-choque
"cheguei". Esse tom de rosa neon/psicodélico na capa dura e nas
laterais das páginas foi uma jogada de mestre: é berrante, magnético e atrai o
olhar de longe na livraria ou no feed do Instagram. É um contraste genial de
uma cor supervibrante e "divertida" embalando histórias de crimes
terríveis.
Olhando de longe, os detalhes parecem aqueles arabescos clássicos de
papéis de parede antigos ou molduras vitorianas chiques. Mas, quando você chega
perto, o "recheio" é macabro: há crânios escondidos, cobras sinuosas
e o icônico olho no topo. É um design que engana primeiro pela beleza e te
assusta logo em seguida.
O título Lady Killers - Assassinas em Série usa uma fonte pesada, forte e centralizada,
com uma textura que parece gasta ou carimbada. Isso dá um peso histórico para a
capa, mostrando que o assunto ali é sério.
O grande segredo dessa arte é o fator fetiche. Ela transforma o livro em
um objeto de desejo, um item de decoração que você faz questão de deixar com a
capa virada para a frente na estante — inclusive na minha.
E é isso, galera! Vocês acabaram de conhecer algumas das capas de livros
das minhas estantes, aquelas pelas quais tenho um carinho especial
10 setembro 2026
Desafio Literário de Fim de Ano: 4 Leituras Viciantes para Maratonar Até Dezembro
E aí, galera? Que tal definirmos a leitura de um livro
para cada um destes últimos quatro meses de 2026? Aliás, este post já deveria
ter sido publicado há algumas semanas, mas os meus afazeres profissionais me
atropelaram e só consegui concluir o texto hoje. Digo isso porque já entramos
praticamente na segunda semana de setembro. Portanto, não temos exatamente
quatro meses pela frente, mas apenas três meses e 20 dias (até a data de
publicação desta postagem). Mas tudo bem, isso não será problema, porque os
livros que escolhi não são calhamaços e a galera conseguirá lê-los rapidamente.
Li todos e amei, por isso resolvi indicá-los para os
seguidores do blog que estão à procura de um livro especial para ler neste
final de ano. Calculei a média de um livro por mês — setembro, outubro,
novembro e dezembro —, mas acredito que muitos de vocês gastarão bem menos
tempo em cada uma dessas narrativas, já que são muito sedutoras e certamente
conseguirão fisgar sua atenção logo nas primeiras páginas.
Sabem aqueles livros que “puxam” os leitores para
dentro da história? Pois é, essas quatro obras me provocaram essa sensação. E
que sensação gostosa! Leitura fluida, personagens carismáticos, reviravoltas
surpreendentes, momentos de redenção; enfim, todos os ingredientes para
conquistar o mais “incrédulo” dos leitores (rs).
E aí? Preparados? Então, vamos iniciar a nossa lista.
Espero que vocês amem essas histórias da mesma forma que eu amei. Vamos nessa!
01 – Mentirosos (E. Lockhart) - Setembro
Abro a nossa lista com a obra de E. Lockhart. Tenho
certeza absoluta de que você vai ler esse livro tão rápido que nem vai perceber
que ainda faltam vários dias para setembro terminar, mesmo que tenha começado a
leitura praticamente no meio do mês. Não só por Mentirosos ter dimensões
reduzidas (20,6 x 13,6 x 1,8 cm) e poucas páginas (248), mas principalmente por
sua narrativa. Cara, que enredo! Daqueles que têm o poder de provocar a mais
cruel das ressacas literárias. No meu caso, foi difícil superá-la. Ah! Também
derramei algumas lágrimas no final, como acredito que você, ao ler agora,
também derramará..
Lançado originalmente em 2014, Mentirosos
figurou por muitos anos como um dos títulos mais vendidos e comentados, não só
entre os leitores adolescentes, mas também entre os adultos. O estilo de
narração, aliado ao talento da autora em conduzir a trama e a um plot twist
de impressionar até os mais atentos, fez com que a obra se tornasse quase uma
leitura obrigatória.
Na trama desenvolvida por Lockhart, os Sinclair são
uma família rica e renomada que se recusa a admitir a própria decadência e se
agarra a todo custo às tradições. Assim, todos os anos eles passam as férias de
verão em uma ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira
—, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos e,
juntos, formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas
convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto
intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus
quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente do qual não se recorda.
Paro por aqui para não estragar a reviravolta bombástica e emocionante que
acontece no final.
Não estaria mentindo se afirmasse que, de todos os
livros que li, o plot twist final de Mentirosos foi um dos que
mais mexeram comigo e o único que conseguiu me deixar com os olhos úmidos de
lágrimas.
02 – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid) - Outubro
No enredo fantástico criado por Taylor Jenkins Reid,
Evelyn Hugo é uma lenda do cinema aos setenta e nove anos. Com seu icônico
cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, ela seguiu um roteiro digno
dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao
estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos
bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e
muitos escândalos nos tabloides de fofocas.
Já a trajetória da jovem Monique Grant está longe de
ter esse glamour. Apesar dos esforços, seu trabalho em uma grande revista não
tem rendido muitos frutos, e o amor vai de mal a pior. Então, o inesperado
acontece quando a famosa e inacessível atriz — que tem o hábito de não falar
com ninguém, muito menos com a imprensa — decide dar uma entrevista exclusiva,
desde que seja para Monique e mais ninguém. Garanto que desse encontro sairão
grandes revelações, algumas com o poder de deixar os leitores de queixo caído.
Para que a galera entenda como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é bom, basta dizer que, até agora, não vi uma única crítica negativa
nas redes sociais; só elogios. Um livro que certamente estarei relendo muitas
vezes.
03 – A Inquilina (Freida McFadden) - Novembro
Como era de se esperar, Freida McFadden criou um thriller
psicológico arrepiante com o poder de prender o leitor em suas teias. Eu não
conseguia largar o livro! Queria chegar logo ao final de A Inquilina para desvendar todo o
mistério fantasticamente elaborado pela autora. Galera, e que mistério! Sinta
só o drama: o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos
sonhos, uma noiva e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo
começa a desmoronar após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na
agência de marketing. A partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado
“lar, doce lar” de Potter.
Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas
do financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um
dos quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o
casal encontra Whitney. De todos os candidatos, ela foi quem mais se destacou,
com seu jeito simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem
eles procuravam. Só que... assim que ela se muda para a casa, coisas sinistras
começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após
várias faxinas, e barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite, além de
outros eventos macabros no ambiente doméstico.
De repente, Blake passa a desconfiar de que o perigo
passou a morar em sua casa. Então chegam duas reviravoltas que deixam os
leitores de queixo caído. Garanto que vocês nem verão o mês de novembro passar.
04 – Alta Fidelidade (Nick Hornby) - Dezembro
Escolhi Alta Fidelidade para fechar esta lista
porque tem a “cara” de uma leitura de final de ano: descontraída e recheada de
listas maravilhosas. Há livros que nos conquistam logo no início, e eu me
tornei refém da história escrita por Nick Hornby logo nas primeiras páginas. Se
o leitor for da geração dos anos 1970 e 1980, pronto! Vai se apaixonar ainda
mais pelo livro.
É impossível para as pessoas que — como eu — viveram
essas duas décadas inesquecíveis não se identificarem com Rob Fleming,
personagem central do romance de Hornby. Ou será que você nunca curtiu os
discos de vinil e as fitas cassete com aquelas melodias internacionais que
rasgavam corações, tipo “Baby, I Love Your Way”, de Peter Frampton, ou “How Can
You Mend a Broken Heart”, dos Bee Gees, ou ainda a música contagiante do The
Clash ou dos Beatles? E que tal “Love Hurts”, do Nazareth? Ah! Tem os filmes
também! Ou será que você não assistiu — ou, na pior das hipóteses, ao menos
ouviu falar — de O Poderoso Chefão e Cães de Aluguel?
Hornby escreveu uma comédia ácida e introspectiva
sobre a imaturidade masculina, a obsessão pela música pop e a dificuldade de
crescer. A trama acompanha Rob Fleming, um homem na casa dos 30 anos, dono de
uma decadente loja de discos em Londres chamada Championship Vinyl. Estagnado
na vida e incapaz de assumir compromissos adultos, Rob entra em uma crise
existencial quando sua namorada de longa data, Laura, decide terminar o
relacionamento.
Para tentar entender o que há de errado consigo mesmo,
Rob recorre à sua ferramenta favorita de organização do mundo: as listas Top 5.
Entre as conversas sarcásticas e os debates acalorados sobre música com seus
dois funcionários igualmente obcecados — Dick e o icônico Barry —, as famosas
listas ganham papel central no livro. Através dessas listas e do próprio Rob, a
história mostra como eles usam coleções de clássicos musicais para além do
elitismo cultural: como uma verdadeira armadura emocional. Para eles,
categorizar os melhores álbuns, músicas ou bandas das décadas de 1970 e 1980 é
a única maneira lógica de tentar dar sentido ao caos da vida real e dos seus
relacionamentos.
É uma leitura leve e envolvente que retrata com
perfeição a cultura pop como linguagem para os sentimentos que não conseguimos
expressar.
Tá aí, galera, por hoje é só. E aí? Topam encarar esse
desafio literário? Então, mãos à obra e agarrando, logo de saída, Mentirosos,
de E. Lockhart. Quando vocês concluírem a leitura de Alta Fidelidade,
voltem aqui para dizer se essa lista valeu a pena. Até!
05 setembro 2026
Edição Especial de 20 Anos de Gomorra (Roberto Saviano): O Livro Que Não Sai da Minha Lista de Desejos
Gomorra.
Tá aí um livro que eu gostaria de ganhar. Desculpe-me abrir este post já com
uma cantada literária, logo de cara (rs). Fazer o quê? O livro de Roberto
Saviano é um dos meus maiores desejos de consumo e só não comprei até agora por
causa do “Sr. Cartão”, que vive puxando as minhas orelhas. Por isso, tive que
adiar a compra de novas obras que venho desejando há alguns meses. Tive muitos
gastos extras: saúde e carro, principalmente, e, com isso, os livros — as
minhas maiores paixões — estão tendo que esperar um pouco mais. Na realidade,
estou vivendo de “doações” de algumas editoras que enviam volumes para análises
e resenhas, mas grande parte deles não "bate" com os gêneros
literários que aprecio.
Então... no início desta semana, fiquei sabendo que a
editora Record lançou uma edição especial de Gomorra para comemorar os 20 anos
de publicação da obra de Saviano. Cara, o livro não tem capa dura e muito menos
páginas em papel especial, marcadores de páginas, lombadas trabalhadas ou
letras em alto-relevo. Esqueça tudo isso. Esta nova edição é em brochura
simples, mas, quando olhei para aquela capa na cor vermelho-vivo com letras
pretas, os meus batimentos cardíacos aceleraram. E, depois que fiquei sabendo
que a obra tem um novo prefácio no qual o escritor e jornalista italiano conta
tudo o que passou e as consequências que o livro trouxe para sua vida, o meu
desejo de tê-lo em minhas mãos subiu às alturas; mas, na mesma hora, o meu
cartão deu um novo puxão de orelha — e daqueles bem doídos (rs).
Gomorra
tornou-se um fenômeno global de vendas — superando a marca de 10 milhões de
exemplares mundialmente — porque desmistificou completamente a imagem
romantizada da máfia italiana, revelando sua conexão direta com a economia
global e o capitalismo moderno. Em vez de retratar criminosos de terno sob o
comando de um "Padrinho" tradicional, o livro escancara uma estrutura
corporativa brutal e altamente lucrativa. Ao contrário de filmes como O
Poderoso Chefão, que trazem uma visão glamourizada do crime, o texto de
Saviano mostra o lado degradante e caótico da organização (como o tráfico de
lixo tóxico e a exploração da miséria urbana). Enfim, o autor desconstrói o
mito do criminoso elegante, expondo uma rotina marcada pela crueldade
mesquinha, corrupção estrutural e destruição ambiental na região da Campânia.
Para conseguir informações privilegiadas, ele se infiltrou na violenta máfia
napolitana por cinco anos e recolheu dados sobre o sistema global e elaborado
dos clãs da Camorra.
O livro bombou em todo o mundo: além de ter vendido
milhões de exemplares, foi adaptado para o cinema e para a televisão, ganhou
prêmios e, na contramão do sucesso, tirou o direito de Saviano viver sem uma
escolta policial ao seu lado — após ter sido ameaçado de morte.
Pois é, galera, o sucesso de Gomorra cobrou um preço
muito alto do jornalista, que passou a viver de forma invisível, cercado por
guarda armada, não podendo mais ter uma rotina comum. O exílio e a vigilância
constante tornaram-se parte indissociável de sua existência e de sua trajetória
pública. Em resumo: tornou-se um recluso.
Tá aí um livro para ser lido e devorado.















