25 outubro 2026
Edição de colecionador de “Louco por Livros”: o fenômeno de Emily Henry que virou objeto de desejo (e decoração!)
“Louco por Livros” do fenômeno
editorial do momento chamado Emily Henry está de volta às prateleiras físicas e
virtuais das livrarias após mais de quatro anos. A obra já havia sido lançada
pela editora Verus – pertencente ao Grupo Record – em 2022, mas o sucesso de
vendas durante todos esses anos foi tão grande que a editora não pestanejou em
investir numa megacampanha de relançamento do livro, agora numa edição “chic no
último grau” para colecionador.
Sente só o
novo layout de “Louco por Livros” e depois me responda se não é uma tentação
para o bolso de qualquer leitor. E se for fã de carteirinha da Emily Henry,
então... o cartão de crédito corre grande perigo (rs). Anotem aí as
características do relançamento. O livro agora possui o formato de capa dura,
abandonando a antiga estrutura em brochura. Mas a grande inovação que vem
despertando o interesse dos leitores é a pintura trilateral de suas páginas.
Todas as três laterais do bloco de páginas (cortes superior, inferior e
frontal) contam com pintura colorida e estampas personalizadas, criando um
efeito visual marcante quando o livro está fechado.
A edição
ficou visivelmente mais robusta, medindo $15,5 x 22,5 de área, com uma espessura de
aproximadamente 2,5 a 3 cm. O livro pesa cerca de 680 gramas devido ao material
rígido da capa e à gramatura do papel.
E por fim,
o projeto gráfico inovador, incluindo a arte da capa que passou por um
redesign, manteve elementos clássicos da obra (como as ilustrações que remetem
à história), mas adaptando o brilho e o acabamento para o formato rígido de
luxo. Resultado de tudo isso: um layout irresistível.
Mas você, que me acompanha agora,
deve estar se perguntando: – E quanto ao conteúdo? Mudou alguma coisa? – Eu
respondo que sim, mudou; e uma mudança nada sutil (rs). O grande diferencial
desta versão é um capítulo extra de bônus inédito. Esse conteúdo traz
vislumbres adicionais dos bastidores e do relacionamento dos personagens
principais, Nora Stephens e Charlie Lastra, após o desfecho oficial do livro.
A tradução
assinada por Ana Rodrigues continua a mesma da edição tradicional. Lembrando
que o livro agora conta com 434 páginas no total.
Como gosto
de “fuçar” muito – aliás, a Lulu vive falando que eu sou um jornalista com
especialização em “fuçamento” (rs). Ela sempre diz: “Amo esse meu jornalista
fuçador” (rs) –, comecei a pesquisar nas redes sociais para ver se descobria os
motivos que levaram a editora Verus a promover o relançamento de “Louco por
Livros” com toda essa chiqueza, além do estouro de vendas da obra original
nesses quatro anos. E descobri.
Pelo o que
eu vi, a Verus Editora se baseou em alguns pilares para essa tomada de decisão.
O primeiro deles envolve dois detalhes relacionados entre si: a objetificação
de um livro e a Geração Z. Vou explicar melhor:
O mercado
de livros no Brasil vem passando por uma forte mudança impulsionada por
leitores jovens. O público atual (a chamada “Geração Z”) não quer apenas ler a
história; ele quer colecionar o livro físico. Editoras notaram que edições
luxuosas (com capa dura, pintura lateral e brindes) funcionam como objetos de
decoração altamente “instagramáveis”, o que gera enorme engajamento espontâneo
nas redes sociais.
Além desse fenômeno, temos ainda o
sucesso consolidado de Emily Henry, que é uma das maiores autoras de comédia
romântica da atualidade e vende milhares de cópias a cada lançamento. Devido a
essa base de fãs leal e engajada, a editora iniciou um projeto de padronizar as
obras mais famosas da autora em edições especiais. Antes de “Louco por Livros”,
a Verus já havia feito o mesmo processo de luxo com os best-sellers “Leitura de
Verão” e “De Férias com Você”.
A edição
especial chegou ao mercado brasileiro em 6 de outubro com o preço tabelado de
R$ 139,90.
A história
de “Louco por Livros” acompanha Nora Stephens, uma agente literária implacável
de Nova York. Nora é o oposto da mocinha tradicional dos livros: ela é
calculista, focada na carreira, hipercompetente e não liga para finais felizes
no campo — ela prefere a selva de pedra da cidade grande. O único ponto fraco
de Nora é sua irmã caçula, Libby, por quem ela faria absolutamente tudo.
Do outro
lado está Charlie Lastra, um editor literário incrivelmente talentoso,
conhecido por seu humor ácido, honestidade brutal e por ser o principal rival
de negócios de Nora. O histórico entre eles não é nada amigável: o primeiro
encontro de trabalho dos dois, anos atrás, foi um verdadeiro desastre, deixando
claro que eles não se suportam.
Para não
liberar spoilers para a
galera que ainda não leu o livro, basta dizer que estas duas pessoas tão
diferentes entre si irão se encontrar em determinado momento da história;
então... já viu, né?
Por hoje é
só.
20 outubro 2026
Mistério em Cinnamon Falls
Acabei, neste instante, de ler “Mistério em Cinnamon
Falls” e... gostei muito, mas muito, de verdade. Se eu tivesse que definir a
obra da escritora Necole Ryse, ou melhor, R.L. Killmore, que é o pseudônimo
usado por ela, eu ‘diria’ que o livro tem fofura, romance, drama, suspense e
aventura na medida certa. Nenhum desses ‘ingredientes’ ultrapassa a medida de
um grama que seja e, com isso, o resultado final só poderia ser um bolo
delicioso para ser devorado.
Que eu me lembre, até agora não havia lido nada de cozy
mystery (mistério aconchegante), mas, depois da narrativa de “Mistério em
Cinnamon Falls”, passei a incluir esse gênero literário na minha lista de
preferidos.
Um Enredo Perfeitamente Equilibrado
Como escrevi acima, o livro de Killmore não ultrapassa
a medida dos ingredientes. Com certeza há leitores que não gostam de enredos
muito melados e grudentos, onde o casal de protagonistas passa a maior parte da
narrativa se pegando, se grudando, dizendo "te amo, te adoro, te quero"
a cada página virada ou então não sai da cama onde vive fazendo amor. Depois,
quando brigam ou se desentendem, a desavença se arrasta por mais páginas e
páginas.
Da mesma forma, há aqueles leitores que não têm
paciência para encarar tensões, perseguições e suspense num ritmo frenético
perto do exagero. Acredito que “Mistério em Cinnamon Falls” cairá como uma luva
para esses leitores. Os leitores que gostam de uma história, vamos dizer...
equilibrada, irão adorar o livro.
Personagens Reais e Carismáticos
Outro ponto forte do enredo criado por Killmore são os
personagens carismáticos. Por que eles são carismáticos e conseguem ganhar a
simpatia dos leitores? Simples: eles se parecem com pessoas normais, com muitas
qualidades, mas também defeitos. São personagens que erram feio, mas se
arrependem desses erros e conseguem dar a volta por cima. Enfim, não são
artificiais; pelo contrário, se parecem comigo ou com você. Na minha opinião, o
carisma deles reside nessas virtudes e também nesses defeitos.
Amei a personagem Nia Bennet. A sua resiliência
e coragem para recomeçar são animadoras. Após passar por uma humilhante
desilusão amorosa na cidade grande, Nia não se deixa derrotar. Ela retorna à
sua cidade natal para se reestruturar e enfrentar de cabeça erguida o recomeço.
Ela se importa verdadeiramente com os moradores de Cinnamon Falls. Quando a
tranquilidade do local é ameaçada por um crime, ela se envolve ativamente na
investigação não por ego, mas pelo desejo de proteger e apoiar as pessoas ao
seu redor.
Um detalhe importante que torna Nia uma personagem
parecida comigo ou com você, muito longe da artificialidade, é que ela não se
apropria da imagem da heroína inabalável. Nia chega a Cinnamon Falls se
sentindo perdida, magoada e com a sensação de que sua vida é uma
"bagunça", o que faz o leitor se identificar imediatamente com ela.
Jesse é outro
personagem que ganha os leitores. Como responsável pela segurança na pequena
cidade de Cinnamon Falls, ele carrega um senso de dever genuíno. Ele não é o
policial durão e insensível de thrillers pesados; sua autoridade é
exercida com cuidado, paciência e respeito pela comunidade. Por trás do
uniforme, Jesse é um homem carinhoso, capaz de gestos sutis e protetores que
encantam o leitor sem soar meloso ou forçado — o que se encaixa perfeitamente
na medida certa do livro.
Poderia passar grande parte do meu tempo escrevendo
sobre outros personagens do romance como Rose, Morgan, Nills, entre outros; mas
basta ‘dizer’ que eles estão longe de ser caricaturais.
O Mistério de Cinnamon Falls
O enredo do livro nos apresenta, logo de início, a
personagem Nia Bennet que, após um término de romance traumático e doloroso na
cidade grande, decide que é hora de recomeçar. Seu plano era simples: voltar
para Cinnamon Falls — a pequena cidade onde nasceu e passou grande parte de sua
infância e juventude — para organizar a própria vida e reconquistar a paz de
espírito.
Porém, a tranquilidade do lugar é interrompida
justamente durante as preparações do famoso Festival de Outono. Um assassinato
chocante acontece no coração da cidade — e, para complicar ainda mais as
coisas, o responsável por liderar a investigação oficial é ninguém menos que
Jesse, o policial local e seu inesquecível primeiro amor.
Dividida entre a dor do passado, a faísca reacendida
por Jesse e sua própria curiosidade incontrolável, Nia acaba se envolvendo na
busca pela verdade. Afinal, em uma cidadezinha onde todos se conhecem, qualquer
vizinho, comerciante ou amigo pode estar escondendo um segredo sombrio.
Enfim, galera, é isso aí. Recomendo a leitura!
16 outubro 2026
E se os Livros Ganhassem Vida? 8 Personagens Incríveis Que Eu Gostaria de Conhecer
Qual leitor não gostaria de conhecer pessoalmente um personagem de uma
história fictícia que marcou sua vida? Aquele personagem responsável por
reviravoltas importantes na trama ou que sofreu, amou, lutou ou, ainda, devido
à sua inteligência e perspicácia, foi responsável por definir o destino de
outros personagens da história — coadjuvantes ou não. Enfim, o “cara” ou a
“cara” (rs).
Quando termino de ler uma narrativa que me “engoliu” por inteiro, começo
a me imaginar batendo um papo com aquele personagem especial da trama que me
cativou ou até mesmo, como jornalista, entrevistando-o para uma reportagem
especial. Só mesmo quem é um devorador de livros ou um leitor de carteirinha
para entender esses devaneios.
Pois é, galera! Na postagem de hoje, pretendo dividir com vocês essa
mania, que acredito ser comum a muitos seguidores do blog. Selecionei oito
personagens que me cativaram e despertaram em mim o desejo de conhecê-los, caso
fossem de carne e osso. Ah! Se eles fossem reais...
Cara, seria algo mágico sentar-me com eles à mesa daquele barzinho no
centro, onde eu e Lulu temos o hábito de fazer nosso “Happy Hour” e passar a
noite conversando. Uhauuuu! Seria uma noite especial.
Bem, mas chega de sonhar (rs) e vamos à nossa lista.
Como escrevi acima, selecionei oito personagens que, tão logo concluí a
leitura dos respectivos livros, despertaram em mim o desejo de conhecê-los.
Vamos a eles!
01 – Evelyn Hugo (Os Sete Maridos de Evelyn Hugo)
Considero Evelyn Hugo uma força da natureza. Conversar com ela seria uma
lição sobre ambição, sacrifício e amor. Enquanto escrevo este post, fico
imaginando como ela preencheria o ambiente com sua presença glamourosa,
contando suas verdades mais cruas, sem nenhum arrependimento. Acho que Evelyn
não seria o tipo de pessoa que perde tempo com conversas superficiais sobre o
clima. Ela iria direto ao assunto.
Com certeza, ela e Lulu se dariam muito bem. Seria um papo inesquecível,
marcado por extrema franqueza, ambição e segredos de bastidores.
Evelyn passou décadas navegando pela “Era de Ouro” de Hollywood e sabe
exatamente como o sistema funciona. Tenho quase certeza de que ela falaria
abertamente sobre o que foi necessário fazer para chegar ao topo, sem
meias-palavras ou falsos arrependimentos. Contaria também detalhes reais sobre
a gravação de clássicos como Mulherzinhas e sobre como conquistou seu
tão sonhado Oscar.
Com uma vida amorosa que chocou o mundo, Evelyn traria uma perspectiva
única e pragmática sobre relacionamentos. Ela explicaria a lógica por trás de
cada um de seus casamentos, fossem eles políticos, de negócios ou de fachada,
como os que teve com Mick Riva ou Louis Dumont.
E, se ela realmente confiasse em mim e “fosse com a cara” de Lulu,
conversaria sobre o único e verdadeiro amor de sua vida, detalhando a dor e a
beleza de amar alguém em segredo, em uma época que não aceitava o amor entre
elas.
Ufa! É isso aí. Caráculas, que vontade de conhecer essa personagem! Pena
que ela só exista nos livros.
02 – Catherine Douglas (Lembranças da Meia-Noite)
Taí outra mulher muito forte que eu gostaria muito de conhecer. Isto
é... se ela fosse real. Catherine Douglas, personagem criada por Sidney
Sheldon, aparece em dois de seus livros: O Outro Lado da Meia-Noite e Lembrançasda Meia-Noite. Ela é uma sobrevivente nata. Conhecer Catherine seria
fascinante para entender a força de uma mulher que passou por traumas intensos,
perdeu a memória e precisou lutar contra inimigos poderosos para reconstruir a
própria identidade.
Conhecendo o perfil da personagem, acho que, nesse encontro, assim como
no caso de Evelyn Hugo, Lulu deveria estar comigo para deixá-la mais à vontade,
já que a vida de Catherine foi muito traumática. Por isso, confiar em outras
pessoas, principalmente em homens, tornou-se uma tarefa muito difícil para ela.
A conversa, com certeza, seria intensa, marcada por resiliência e superação.
Depois de tudo o que enfrentou — desde a traição devastadora de
Constantin Demiris até a luta para recuperar a própria memória e identidade —,
Catherine se revela uma personagem com enorme profundidade emocional.
Catherine passou pelo inferno emocional e físico: amnésia, manipulação
psicológica e o sentimento de perda total. Ela saberia conversar profundamente
sobre o que significa perder a si mesma e ter de reconstruir a própria vida e
identidade do zero, peça por peça.
Eu e Lulu — mais ela do que eu — estamos passando, recentemente, por uma
situação traumática. Acho que Lulu abordaria esse assunto com Catherine.
Enquanto escrevia este post, ficava imaginando Catherine falando sobre como
encontrar forças em momentos difíceis de nossas vidas ou, então, naqueles dias
em que nos sentimos completamente desamparados e desacreditados por todos ao
nosso redor.
Essa conversa entre Catherine, Lulu e eu provavelmente começaria de
forma calma e acolhedora, mas rapidamente se transformaria em um diálogo
profundo e inspirador sobre a capacidade do ser humano de resistir, sobreviver
e renascer das cinzas.
03 – Derfel Cadarn (As Crônicas de Artur)
A conversa que teria com Derfel Cadarn, o general das tropas de Artur na
saga épica As Crônicas de Artur (O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur), teria de acontecer em um acampamento,
em torno de uma fogueira, com um barril de chope e um baita churrasco. Uhauuu!
Estou até imaginando o local. Não estaríamos apenas eu e ele, mas também alguns
amigos meus. Seria um bate-papo bem descontraído, com muitas piadas e risadas,
mas também, e principalmente, com histórias de muitas batalhas.
Derfel é leal, humano e testemunhou o nascimento e a queda de lendas,
oferecendo uma visão realista e emocionante sobre honra e sacrifício.
Ele é uma das figuras mais cativantes e humanizadas da ficção histórica.
Criado por Bernard Cornwell na trilogia As Crônicas de Artur (O Reido Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur), Derfel é um homem
que viveu de tudo: de órfão saxão prestes a ser sacrificado a guerreiro de
elite, comandante e, no fim da vida, monge cristão que registra a verdade sobre
o passado.
Cara, seria um sonho conversar com Derfel em torno dessa fogueira sobre
os segredos que envolvem os dois personagens mais mitológicos da literatura
arturiana: o rei Artur e o mago Merlin. Mais do que isso, seria uma
oportunidade de ouvir sobre a desmistificação desses dois personagens tão
emblemáticos.
Derfel viveu ao lado de Artur e conheceu a realidade, ou seja, viu o
homem por trás do mito. Ele presenciou como Artur realmente lidava com o fardo
de tentar manter a Britânia unida enquanto tudo ao seu redor desmoronava.
Acredito que Derfel falaria sobre como a obsessão de Artur pela justiça
e pelos juramentos, por vezes, o cegou para a malícia dos homens — incluindo os
erros trágicos envolvendo Guinevere e Lancelot.
A sua relação de amizade e o dever que unia Derfel a Artur, mesmo nos
momentos mais sombrios também seria tratado nesse papo.. Ele contaria, também,
como era viver perto de Merlin e Nimue.
Mas confesso a vocês que meu assunto preferido seria a famosa “parede de
escudos”, que já rendeu, inclusive, um post especial aqui no blog (veja aqui).
Quando chegasse o momento de falar sobre esse assunto, juro que deixaria até
mesmo a caneca de chope de lado para ouvi-lo explicar como era a brutalidade de
lutar ombro a ombro contra os saxões e a disciplina mental necessária para não
romper a linha que compunha a famosa “parede de escudos”, tão citada na saga
literária.
04 – Merlin (As Crônicas de Artur)
Esta conversa seria impagável. Fico imaginando nosso bate-papo
descontraído com o famoso mago da saga arturiana de Bernard Cornwell, revelando
segredos — alguns bem “cabeludos” — de personagens históricos considerados
emblemáticos. Caramba! Merlin sabia de todos os podres dos reinos bretões e
saxões. Ele compartilharia histórias cínicas sobre Mordred, Guinevere, Nimue e
os bastidores do poder que os bardos omitiram das canções. Seria um narrador de
histórias incomparável, cheio de humor ácido sobre a vaidade humana.
Enquanto a história imortalizou Artur como o rei perfeito e
cavalheiresco, acho que Merlin contaria a versão nua e crua: a de um homem
teimoso, pragmático e preso entre o dever e a política, que cometeu erros
trágicos por tentar ser justo demais em um mundo brutal. Talvez Merlin
criticasse abertamente o idealismo de Artur, com um toque de afeto amargo e
muito sarcasmo.
Merlin ficaria impressionado — e provavelmente desconfiado — com a
tecnologia atual. Ele interpretaria telefones, eletricidade e aviões não como
avanços científicos, mas como a magia suprema. Ele não seria aquele Merlin
caricato das antigas lendas arturianas: o mago velhinho, meio corcunda e de
chapéu pontudo. Muito menos lançaria bolas de fogo com as mãos. Nada disso!
Pelo contrário, explicaria como a verdadeira magia funciona no mundo real: por
meio da psicologia, da ilusão, do medo e da manipulação das coincidências.
Contaria como usava o conhecimento sobre venenos, o clima, os eclipses e a
encenação para fazer reis e guerreiros acreditarem que os deuses estavam
agindo. Ele adoraria saber como a ciência moderna explica fenômenos que usava
para aterrorizar seus inimigos.
Ah! Se esse Merlin fosse real...
05 – Fermín Romero de Torres (saga O Cemitério
dos Livros Esquecidos)
Mesmo ausente de O Jogo do Anjo (2008), cuja história é centrada
no escritor David Martín e se passa em uma época anterior, Fermín Romero de
Torres participa ativamente dos outros três volumes da saga O Cemitério dosLivros Esquecidos: A Sombra do Vento (o primeiro), O Prisioneirodo Céu (o terceiro, no qual é o grande destaque) e O Labirinto dos Espíritos (o quarto e último).
Como eu queria conhecer e conversar com esse personagem fantástico! Com
certeza, ele seria o melhor companheiro de conversa do mundo. Fermín é leal,
tem uma lábia incomparável, um humor perspicaz e uma sabedoria de rua única,
além de ser o amigo que qualquer um gostaria de ter nos momentos difíceis.
Considero Fermín uma das figuras mais cativantes, espirituosas e inesquecíveis
da literatura mundial! O saudoso escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón estava
inspiradíssimo quando criou esse personagem.
Se Fermín Romero de Torres aparecesse à minha frente para tomar um café,
tenho quase certeza de que a conversa seria uma verdadeira maratona de
erudição, ironia e filosofia de botequim. Daríamos muitas risadas, mas nosso
papo também teria momentos de profundas reflexões.
Conversaríamos sobre lealdade, amizade verdadeira — como a sua devoção a
Daniel Sempere — e o dever moral de proteger quem se ama. Certamente, ele faria
reflexões filosóficas picantes sobre a política, os abusos de poder e a
hipocrisia das autoridades. E eu contaria a ele algumas atitudes dos nossos
políticos estampadas nas manchetes dos jornais, que também lhe mostraria. Fico
hiper curioso para saber quais seriam seus comentários.
Quando o amor e as paixões assumissem o protagonismo da conversa, tenho
quase certeza de que Fermín falaria com devoção absoluta e paixão poética sobre
sua amada Bernarda, além de dar conselhos amorosos extravagantes, misturando
psicologia informal e galanteios refinados.
Confesso que, enquanto lia A Sombra do Vento e O Labirinto dos
Espíritos, imaginei-me, em vários momentos, tendo essa conversa com Fermín.
06 – Sherlock Holmes (4 romances e 56 contos)
Não vá me dizer que você também não gostaria de conhecer pessoalmente
esse personagem fictício! Cara, estamos falando de ninguém mais, ninguém menos
que Sherlock Holmes: o detetive mais famoso do mundo. Seria incrível ver sua
mente dedutiva em ação, de perto.
Uma conversa com Sherlock Holmes no clube que frequento em minha cidade
seria fascinante e inesquecível. Como ele não tem filtros sociais e enxerga o
mundo por meio da pura lógica, o encontro seguiria uma dinâmica muito
específica. Sente só o que acredito que rolaria nesse encontro. Antes mesmo que
eu me sentasse, Holmes já saberia de onde eu vim, qual é a minha profissão e
qual é o meu estado de espírito naquele momento, apenas olhando para minha
roupa e meus sapatos.
Se eu tentasse puxar conversa fiada sobre o clima ou fofocas, talvez ele
cortasse o assunto rapidamente, já que despreza aquilo que não desafia sua
mente. Mas, por outro lado, se eu trouxesse um mistério real, um enigma
matemático ou um crime sem solução ocorrido em minha cidade, os olhos dele
brilhariam. Ele explicaria seu método passo a passo, tratando-me como um aluno
perspicaz. Holmes também poderia ignorar uma pergunta minha por minutos se
estivesse concentrado.
Vê-lo fumando seu inseparável cachimbo enquanto conversássemos seria
incrível. Uma pena que seja apenas um personagem fictício.
07 – Ulisses (A Odisseia)
Carambaaaaaaa!!!!! Perco o fôlego só de imaginar meu encontro com esse
personagem antológico da mitologia grega. Considero quase todos os personagens
da mitologia grega fascinantes e daria meu “reino” — rs — por um encontro com
eles. Mas, se tivesse de escolher um deles, escolheria Ulisses sem pestanejar.
Cara, um encontro com Ulisses (ou Odisseu) seria um dos eventos mais
fascinantes da vida de qualquer leitor que seja fã de mitologia grega — assim
como eu —, porque ele não é apenas um guerreiro forte, mas também o mestre
supremo da astúcia, da sobrevivência e da narrativa na mitologia grega.
Ao contrário dos heróis que resolvem tudo na força bruta, como Aquiles,
Ulisses vence os maiores perigos do mundo antigo usando a mente.
Sentar-me com Ulisses seria ouvir, em primeira mão, relatos sobre como
enganou o ciclope Polifemo, resistiu ao canto hipnótico das Sereias, sobreviveu
à fúria de deuses como Poseidon, participou da estratégia do Cavalo de Troia e
passou uma década tentando voltar para casa. Ele é o contador de histórias
definitivo.
Ulisses perdeu tudo — seus navios, seus tesouros e todos os seus
companheiros de armas —, mas nunca desistiu. Ele entende profundamente a dor do
isolamento, a saudade de casa (a nostalgia) e o peso da persistência, o que lhe
permitiria dar conselhos de vida incrivelmente maduros.
Ele é um orador brilhante. Ulisses sabe exatamente o que dizer para
encantar reis, rainhas, deuses e monstros. Uma conversa com ele seria um
espetáculo de carisma, retórica e sagacidade.
Ele chegaria ao barzinho onde teríamos marcado o encontro, no qual eu o
esperaria junto com meus amigos, impecavelmente vestido e com um olhar afiado,
capaz de examinar o bar inteiro em segundos. Ao se sentar, pediria a bebida
local mais forte e, em cinco minutos, já saberia o nome do garçom e teria
decifrado a personalidade de cada um dos meus amigos.
Nós sairíamos do bar de madrugada com a sensação de termos conhecido a
pessoa mais inteligente, perigosa e fascinante do planeta, perguntando-nos se
tudo o que ele contou era verdade ou apenas o maior blefe da história.
08 – Hercule Poirot (Assassinato no Expresso do
Oriente)
Taí outro personagem que eu daria tudo para conhecer! Acredito que um
encontro na vida real com Hercule Poirot, nos dias de hoje, seria uma
experiência fascinante e cheia de contrastes culturais e tecnológicos. Como um
homem profundamente moldado pela era eduardiana e pelo início do século XX, o
icônico detetive belga criado por Agatha Christie reagiria ao nosso mundo de
formas muito específicas.
Eu não resistiria à tentação de apresentar a ele, nesse encontro, a
tecnologia da inteligência artificial. Mas acredito que Poirot desdenharia do
uso excessivo de computadores e algoritmos para resolver crimes. Ele
argumentaria que bancos de dados e inteligência artificial podem deixar em
segundo plano o verdadeiro raciocínio psicológico e a observação da natureza
humana.
Se a gola da minha camisa estivesse ligeiramente torta, Poirot sofreria
em silêncio — ou ele mesmo a consertaria. Para ele, um quadro torto na parede
seria quase um crime.
O famoso personagem de Agatha Christie não se impressionaria com a força
física nem com buscas frenéticas por pistas usando lupas no chão. Ele apontaria
para a própria testa e me lembraria de que tudo se resolve com as “pequenas
células cinzentas”. Seria um ouvinte extremamente atento, analisando a
psicologia por trás de cada palavra que eu dissesse.
Confesso que minha “veia jornalística” não resistiria e, assim, acabaria
expondo a ele detalhes de alguns crimes praticados em minha cidade e região
que, mesmo após tanto tempo, continuam sem solução. Seria muito interessante
observar sua metodologia investigativa nesses casos.
Por hoje é só, galera! E no seu caso? Qual personagem você gostaria de
conhecer pessoalmente na vida real?














