09 abril 2026
Os Humanos
Os
Humanos de Matt Haig foi meu companheiro de quarto durante o
meu processo de recuperação após a temida cirurgia de hemorroidectomia. Aquele
extraterrestre odiável no início, complicado e indeciso no meio trama, mas
adorável no final; esteve ao meu lado durante o meu pós operatório – doido e
sofrido – no hospital e depois em minha casa.
Confesso que não foi o melhor livro que já li, mas não
há como negar que o seu enredo prende
muito a atenção, principalmente pelo carisma do personagem principal: um ET que
vem ao planeta Terra para dizimar toda a sua população, mas conforme vai
vivendo em nosso meio e conhecendo os hábitos da população, a criatura vai
mudando de opinião colocando em risco a sua missão.
Enquanto lia Os
Humanos, me coloquei, muitas vezes, no lugar daquele ET. Imaginei estar de
passagem em um outro planeta completamente diferente do meu com muitos hábitos
estranhos, alguns até mesmo reprováveis. Mas então, durante a minha convivência
com os moradores desse planeta desconhecido e distante vou compreendendo que os
seus hábitos estranhos não tem absolutamente nada de reprováveis, pelo
contrário, alguns deles são até... amáveis.
É esta percepção que o personagem principal do livro
de Haig sente ao chegar em nosso planeta e começar a conviver com todos nós
terráqueos.
Ele se sente enojado pela aparência dos humanos, pelo
que eles comem e por sua capacidade de matar e guerrear. Mas, à medida que o
tempo passa, ele começa a perceber que pode haver mais coisas nessa espécie do
que havia pensado. Disfarçado de um ser humano, ele cria laços com a família de
um homem e começa a ver esperança e beleza na imperfeição humana, o que o faz
questionar a missão.
O extraterrestre vai perceber que existem as pessoas
más, mas também existem as pessoas boas de coração. Ele vai mais a fundo e
descobre o significado de gestos e atitudes como o perdão, o arrependimento, a
reação diante de uma perda e assim por diante. A cada descoberta sua, os
leitores vão se apaixonando por esse ET.
Por essa abordagem do autor, Os Humanos é um livro bem profundo, até mesmo filosófico em algumas
partes, mas muito gostoso de se ler. Como já foi dito, não foi o melhor livro
que li, mas certamente, foi um dos melhores.
No enredo de Os
Humanos, o professor Andrew Martin, um brilhante matemático da Universidade
de Cambridge, faz uma descoberta que pode mudar para sempre o destino da
humanidade. Algo que, para uma espécie tão primitiva e cheia de falhas como a
nossa, é perigoso demais. Por isso, uma raça alienígena “pacífica” de um planeta
distante, envia um emissário para a Terra.
Quando um visitante extraterrestre, frio e puramente
lógico, assume a identidade do professor, sua missão é clara: destruir as
evidências da descoberta e garantir que a Terra permaneça no seu patamar de insignificância
cósmica. Mas aos poucos, o emissário, isento de emoções, é modificado pela
própria humanidade que veio aniquilar.
Taí um breve resumo do enredo da obra. Enfim galera,
recomendo a leitura de “meu companheiro de quarto”. Acredito que vocês irão gostar
muito.
Ah! É importante lembrar que Os Humanos foi publicado originalmente em 2013, mas só chegou ao
mercado literário brasileiro em 2017 através da editora Jangada. Agora, aproveitando
o embalo dessa onda “pró Matt Haig” que está varrendo a Net graças ao sucesso
de A Biblioteca da Meia-Noite
e a expectativa em torno do lançamento de O Trem da Meia-Noite; a editora Bertrand
Brasil decidiu relançar Os Humanos com
um novo projeto gráfico.
04 abril 2026
5 livros de terror horripilantes para ficar longe de sua mesa de cabeceira a noite. Se perder o sono não os leia... jamais
Cara, tem livros de terror e de “TERROR”, daqueles com
todas as letras maiúsculas, cuja leitura deve ser evitada durante a noite se você
estiver sozinho e... inadmissível se você perder o sono durante a madrugada e
estiver pensando numa leitura para chamar de volta Morfeu. Se você se arriscar
e fizer isso, certamente, Hipnos e seu filho Morfeu irão “vazar”, ou seja,
literalmente abandoná-lo pelo restante da madrugada.
Eu, mesmo, apesar de adorar literatura de terror,
continuo evitando vários desses livros porque os acho pesados demais. Não estou
questionando a qualidade do enredo mesmo porque, alguns deles são muito bons;
ocorre que a narrativa é trash galera, muito trash. ‘Entonce’, só recomendo
para aqueles leitores ‘trucões’ que não fogem a luta.
Se você estiver afim de encarar qualquer uma dessas
obras, fique avisado de que elas são
trucões. Selecionei cinco delas que meteram medo em amigos que são considerados
leitores experientes do gênero terror. Creio que dessas cinco, li apenas uma: Ed e Lorraine Warren: Demonologistas de Gerald
Brittle; e... fiquei impressionado;
mesmo fazendo a leitura durante o dia (rs).
Vamos a elas.
01
– Hellraiser – Renascido do Inferno (Clive Barker)
Os Cenobitas. Brrrrrrrrrrr!!! O livro que Clive Barker
escreveu em 1986 apresentou ao público os demoníacos Cenobitas. Toda a
perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que impressionam
até mesmo os mais experientes leitores de terror. O livro só chegou ao Brasil
em 2015 numa edição lindíssima da Darkside. Eu conheço apenas o filme que
passou nos cinemas em 1987, mas dois amigos que leram a obra de Barker – um
deles, recentemente – garantem que o livro é muito mais trucão do que o filme.
Dizem que Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno já com
a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 também seria sua
estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como
contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker.
A obra literária tem a mesma vibe da produção
cinematográfia: mutilações, torturas e o escambau a quatro. Enfim, Hellraiser é, particularmente,
assustador. Este meu amigo que leu a obra há duas semanas, me revelou que
passou mal em vários momentos.
A história tem como protagonista Frank Cotton e a sua
busca desenfreada por prazer. Após pensar já ter esgotado todas as possíveis
fontes de prazer carnal conhecidas, ele passa a buscar algo mais, apostando
todas as suas fichas para tentar encontrar e desvendar o quebra-cabeça da
misteriosa caixa de Lemarchand. Quando ele decide abrir a tal caixa em buscas
de um prazer desenfreado, ele libera, diretamente do inferno, os demoníacos
Cenobitas. A partir daí “a coisa” pega.
Fica o meu conselho de amigo: mantenham Hellraiser – Renascido do Inferno longe
de sua mesa de cabeceira.
02
– Evangelho de Sangue (Clive Barker)
Mesmo que você tenha conseguido escapar “com alguns
arranhões” após a leitura de Hellraiser –
Renascido do Inferno, durante uma madrugada insone, corra, mas corra, de
fato, de Evangelho de Sangue, também
de Clive Barker. Se, por acaso, perder o sono numa dessas ‘madrugas’ evite ler
essa obra. Agora, se como amante do terror pesado você desejar apreciar a
narrativa; faça durante o dia.
A obra de Barker é amplamente reconhecida por seu
conteúdo visceral, contendo descrições gráficas de violência, tortura e
mutilação; muito mais do que o seu antecessor Hellraiser.
Sabem aquele amigo meu que leu Hellraiser e passou mal? – aquele amigo que descrevi acima? – Pois é,
ele também encarou a sequência da história dos Cenobitas e ficou ainda mais
impressionado. Ele relatou que o livro já começa arrepiando logo nas primeiras
páginas mostrando uma cena de carnificina onde o sacerdote do inferno (Pinhead)
massacra um grupo de magos, utilizando descrições detalhadas de corpos sendo
despedaçados e transformados. A partir daí o “caldo engrossa” – foi esse o
termo utilizado por ele – e a narrativa vai ficando cada vez mais pesada.
Fiel à mitologia de Hellraiser, a obra explora a "estética da dor",
apresentando mutilações corporais extremas como forma de transcendência ou
punição.
Comentários de
leitores que leram Evangelho de Sangue
descrevem a escrita do autor como "crua" e "brutal", não
poupando detalhes sobre o cheiro de carne pútrida ou a sensação de ferimentos
expostos.
O livro serve como a conclusão épica da saga do
personagem Pinhead de Hellraiser –
Renascido do Inferno - e marca o encontro definitivo entre o sacerdote do inferno
e o detetive do sobrenatural Harry D'Amour.
03
- Ed e Lorraine Warren: Demonologistas (Gerald Brittle)
Este eu li e... tremi na base. Não li de madrugada,
mas mesmo assim, fiquei impressionado. Por isso, não recomendo ter Ed e Lorraine Warren: Demonologistas em
sua cabeceira, ali pertinho de seu travesseiro.
Cara, o livro é tenso demais. Tão tenso que cheguei a
ter algumas atitudes até mesmo hilárias. Após ter concluído a leitura da narrativa
com os batimentos cardíacos já normalizados, pensei que jamais teria essas
atitudes. Uma delas foi rasgar e jogar fora a foto promocional da boneca
Annabelle que acompanha o livro, um brinde super bem sacado da editora DarkSide.
Disse para mim mesmo: - Meu! Quero essa
foto na minha casa não! Sei lá, vai que esse treco tá carregado com influências
negativas ou então acompanhado de alguma outra coisa metafísica. Ahahaha!
Acreditem. Cheguei a fazer isso (rs).
Há uma diferença enorme de obras ficcionais de terror
para obras reais de terror. Com relação ao primeiro exemplo, você sabe que o
enredo é fantasioso e saiu da mente fértil de um romancista. Quanto ao segundo
exemplo, o ‘negócio’ muda de figura, já que a história contida nas páginas foi
baseada em fatos reais e, confesso, que os fatos documentados no livro de
Brittle impressionam, até mesmo os mais céticos.
As 272 páginas do lançamento da DarkSide, faz com que
o leitor repense todas aquelas brincadeiras bobas feitas no passado com grupos
de amigos que envolviam o sobrenatural e o preternatural. Os tabuleiros Ouija e
as brincadeiras do copo. Lembram-se? Ufa! Ainda bem que não tive essa
curiosidade.
Classifico Ed e
Lorraine Warren: Demonologistas, da série Arquivos Sobrenaturais, lançado pela editora DarkSide, como uma
obra fodasticamente fodástica. A leitura impressiona os crentes e também os
descrentes em assuntos polêmicos como espíritos opressores, possessões,
fantasmas, casas mal-assombradas e por aí afora.
04
– A garota da casa ao lado (Jack Ketchum)
Não conheço o livro de Jack Ketchum, mas os
depoimentos de leitores que eu vi nas redes sociais - enquanto preparava essa
postagem - deixam evidente que A garota
da casa ao lado é um livro para ficar bem longe de sua mesa de cabeceira.
Um desses depoimentos me chamou a atenção. Confira parte dele: “esse livro vai provocar danos irreversíveis
na sua alma. Primeiramente, é importante dizer que esse livro não é para
qualquer um. Nunca foi tão verdadeiro dizer que a leitura de “A Garota da Casa
ao Lado” é para corações realmente fortes. Possuo uma extensa coleção de livros
de terror e nunca fiquei tão perturbado com uma leitura como em “A Garota da
Casa ao Lado” de Jack Ketchum, me deixando até com dificuldades de dormir. Mais
de uma vez pensei em interromper a leitura pelo incômodo e mal estar. De certa
forma, nós leitores também somos torturados”. Forte, né galera?
A
garota da casa ao lado é um romance de terror psicológico
baseado no caso real do assassinato de Sylvia Likens em 1965. O livro narra,
sob a perspectiva de um vizinho, a tortura brutal e o cativeiro de uma
adolescente por uma mulher e crianças da vizinhança, explorando a maldade
humana.
A história foca em Ruth, uma mulher instável que cuida
de duas garotas, Megan e Susan, após seus pais viajarem. Ruth e seus filhos,
junto com crianças do bairro, submetem Megan a abusos físicos e psicológicos
extremos no porão de casa. É considerado um clássico de terror visceral e uma
leitura perturbadora.
05
– Desfiladeiro do medo (Clive Baker)
E fechamos a nossa lista novamente com Clive Barker
que adora ‘meter’ aquele medo visceral em seus leitores. Desfiladeiro do medo é um soco no estômago dos leitores, até mesmo
daqueles que não se impressionam com narrativas de terror pesadas.
Pretendia comprar essa obra, mas acabei desistindo
após ter lido vários comentários na Internet e também consultado algumas
pessoas que conhecem a história de Baker. Tanto os comentários que li quanto as
pessoas que consultei me desestimularam a adquirir a obra. Fiz essa opção
porque estou numa fase de leituras mais ‘zen’ - sejam livros de terror ou não -
e Desfiladeiro do medo é trash.
Não é um livro para todos, muitas partes são
excessivamente eróticas e absurdamente grotescas, onde a imaginação do autor
surpreende mais uma vez. Há passagens pesadíssimas de muita luxuria e
violência, apresentados de forma lasciva e sem filtros. Agora, imagine você
numa noite insone acordando de madrugada, sozinho, e lendo essa pedrada?
‘Impossible’, né galera.
Desfiladeiro
do Medo é um romance de terror gótico contemporâneo que
explora a decadência de Hollywood, obsessão e o sobrenatural. A trama acompanha
Todd Pickett, um astro de cinema em decadência que se esconde em uma mansão
misteriosa no isolado Coldheart Canyon após uma cirurgia plástica malsucedida.
Todd busca refúgio para se recuperar, mas descobre que
o local é assombrado por espíritos de antigas estrelas de Hollywood que vivem
em um estado de orgia eterna e malévola.
Enfim, é isso aí. Se mesmo após essa postagem, vocês
estiverem dispostos a encarar esses livros durante as suas madrugadas de
insônia, leiam por conta e risco (rs).
Inté pessoal!
28 março 2026
Seis meses para casar
Imagine só essa situação. Você está prestes a se
casar, ama o seu namorado e já pensando nos preparativos de seu casamento
decide pedir demissão do seu emprego. Isso mesmo! E mais: todos que trabalham
com você, incluindo o seu chefe, sabem que você está deixando a empresa onde
trabalha para se casar. Então, num belo dia quando você está se levantando da
cama de seu futuro marido, o que é que você encontra??? Hãaa??? Me diga.
Simplesmente, você encontra uma calcinha usada de uma outra mulher. No início,
o seu noivo ainda tenta disfarçar dizendo que havia comprado aquela calcinha
para lhe presentear ou então não sabe como ela foi parar ali. Do funcho de seu
coração, você ainda tem a esperança de que ele se arrependa, mas aí chega a
bomba: ele olha pra você e diz que não quer mais se casar. Buuuummmm! O seu
mundo desaba.
É essa a situação ou melhor, o pesadelo vivido por
Sayaka Kukori no romance Seis meses para
casar. Faltando três meses para o casamento, marcado para o dia de seu
aniversário de trinta anos, e logo após pedir demissão de seu emprego para
cuidar da cerimônia, ela descobre que está sendo traída e que seu noivo Kazuya,
não quer mais nada com ela.
Com os poucos ienes que tem na conta, humilhada e com
apenas um restinho de dignidade, Sayaka consegue uma colocação num outro
departamento da Revista onde trabalhava, com um chefe auto-centrado que adora
se exibir. Ele exige que Sayaka se case em seis meses enquanto escreve reportagens
sobre konkatsu que é a arte da busca por um marido, um costume tradicional no
Japão,
Taí galera, a partir desse momento começa a via crucis
da nossa Sayaka que se envolve em ‘poucas e boas’; verdadeiras peripécias
amorosas que acabam conquistando os leitores.
Gostei muito de Seis
meses para casar. Li o livro que tem pouco mais de 200 páginas rapidinho. O
romance de estreia de Kosuke Ohashi, constrói uma narrativa que mistura comédia
romântica, drama contemporâneo e crítica social. O autor conseguiu transformar
algo absurdo em um enredo leve recheado de muito humor e ironia mas também com
doses significativas de drama e crítica social.
Ao transformar a busca amorosa em uma espécie de
experimento jornalístico, a narrativa coloca Sayaka em situações que expõem as
suas inseguranças. Um dos pontos fortes do enredo é a força que brota na
personagem que consegue transformar essas inseguranças em combustível para
superar as dificuldades que vão surgindo ao longo de seu caminho enquanto tenta
cumprir essa missão até certo ponto estranha e bizarra.
Destaque para Usami, o excêntrico chefe de Sayaka que
tira suas teorias mirabolantes sobre casamento das histórias de marcas de luxo,
como Louis Vuitton, Prada e Givenchy. Podemos definir Usami como um personagem
emblemático muito importante na trama. Com certeza, a galera irá gostar.
Vocês devem estar se perguntando: - “E aí? Vale a pena
ler Seis meses para casar? Sim, vale
muito a pena. Principalmente, os leitores que estão procurando uma narrativa
leve, divertida, mas ao mesmo tempo reflexiva.









