16 outubro 2026
E se os Livros Ganhassem Vida? 8 Personagens Incríveis Que Eu Gostaria de Conhecer
Qual leitor não gostaria de conhecer pessoalmente um personagem de uma
história fictícia que marcou sua vida? Aquele personagem responsável por
reviravoltas importantes na trama ou que sofreu, amou, lutou ou, ainda, devido
à sua inteligência e perspicácia, foi responsável por definir o destino de
outros personagens da história — coadjuvantes ou não. Enfim, o “cara” ou a
“cara” (rs).
Quando termino de ler uma narrativa que me “engoliu” por inteiro, começo
a me imaginar batendo um papo com aquele personagem especial da trama que me
cativou ou até mesmo, como jornalista, entrevistando-o para uma reportagem
especial. Só mesmo quem é um devorador de livros ou um leitor de carteirinha
para entender esses devaneios.
Pois é, galera! Na postagem de hoje, pretendo dividir com vocês essa
mania, que acredito ser comum a muitos seguidores do blog. Selecionei oito
personagens que me cativaram e despertaram em mim o desejo de conhecê-los, caso
fossem de carne e osso. Ah! Se eles fossem reais...
Cara, seria algo mágico sentar-me com eles à mesa daquele barzinho no
centro, onde eu e Lulu temos o hábito de fazer nosso “Happy Hour” e passar a
noite conversando. Uhauuuu! Seria uma noite especial.
Bem, mas chega de sonhar (rs) e vamos à nossa lista.
Como escrevi acima, selecionei oito personagens que, tão logo concluí a
leitura dos respectivos livros, despertaram em mim o desejo de conhecê-los.
Vamos a eles!
01 – Evelyn Hugo (Os Sete Maridos de Evelyn Hugo)
Considero Evelyn Hugo uma força da natureza. Conversar com ela seria uma
lição sobre ambição, sacrifício e amor. Enquanto escrevo este post, fico
imaginando como ela preencheria o ambiente com sua presença glamourosa,
contando suas verdades mais cruas, sem nenhum arrependimento. Acho que Evelyn
não seria o tipo de pessoa que perde tempo com conversas superficiais sobre o
clima. Ela iria direto ao assunto.
Com certeza, ela e Lulu se dariam muito bem. Seria um papo inesquecível,
marcado por extrema franqueza, ambição e segredos de bastidores.
Evelyn passou décadas navegando pela “Era de Ouro” de Hollywood e sabe
exatamente como o sistema funciona. Tenho quase certeza de que ela falaria
abertamente sobre o que foi necessário fazer para chegar ao topo, sem
meias-palavras ou falsos arrependimentos. Contaria também detalhes reais sobre
a gravação de clássicos como Mulherzinhas e sobre como conquistou seu
tão sonhado Oscar.
Com uma vida amorosa que chocou o mundo, Evelyn traria uma perspectiva
única e pragmática sobre relacionamentos. Ela explicaria a lógica por trás de
cada um de seus casamentos, fossem eles políticos, de negócios ou de fachada,
como os que teve com Mick Riva ou Louis Dumont.
E, se ela realmente confiasse em mim e “fosse com a cara” de Lulu,
conversaria sobre o único e verdadeiro amor de sua vida, detalhando a dor e a
beleza de amar alguém em segredo, em uma época que não aceitava o amor entre
elas.
Ufa! É isso aí. Caráculas, que vontade de conhecer essa personagem! Pena
que ela só exista nos livros.
02 – Catherine Douglas (Lembranças da Meia-Noite)
Taí outra mulher muito forte que eu gostaria muito de conhecer. Isto
é... se ela fosse real. Catherine Douglas, personagem criada por Sidney
Sheldon, aparece em dois de seus livros: O Outro Lado da Meia-Noite e Lembrançasda Meia-Noite. Ela é uma sobrevivente nata. Conhecer Catherine seria
fascinante para entender a força de uma mulher que passou por traumas intensos,
perdeu a memória e precisou lutar contra inimigos poderosos para reconstruir a
própria identidade.
Conhecendo o perfil da personagem, acho que, nesse encontro, assim como
no caso de Evelyn Hugo, Lulu deveria estar comigo para deixá-la mais à vontade,
já que a vida de Catherine foi muito traumática. Por isso, confiar em outras
pessoas, principalmente em homens, tornou-se uma tarefa muito difícil para ela.
A conversa, com certeza, seria intensa, marcada por resiliência e superação.
Depois de tudo o que enfrentou — desde a traição devastadora de
Constantin Demiris até a luta para recuperar a própria memória e identidade —,
Catherine se revela uma personagem com enorme profundidade emocional.
Catherine passou pelo inferno emocional e físico: amnésia, manipulação
psicológica e o sentimento de perda total. Ela saberia conversar profundamente
sobre o que significa perder a si mesma e ter de reconstruir a própria vida e
identidade do zero, peça por peça.
Eu e Lulu — mais ela do que eu — estamos passando, recentemente, por uma
situação traumática. Acho que Lulu abordaria esse assunto com Catherine.
Enquanto escrevia este post, ficava imaginando Catherine falando sobre como
encontrar forças em momentos difíceis de nossas vidas ou, então, naqueles dias
em que nos sentimos completamente desamparados e desacreditados por todos ao
nosso redor.
Essa conversa entre Catherine, Lulu e eu provavelmente começaria de
forma calma e acolhedora, mas rapidamente se transformaria em um diálogo
profundo e inspirador sobre a capacidade do ser humano de resistir, sobreviver
e renascer das cinzas.
03 – Derfel Cadarn (As Crônicas de Artur)
A conversa que teria com Derfel Cadarn, o general das tropas de Artur na
saga épica As Crônicas de Artur (O Rei do Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur), teria de acontecer em um acampamento,
em torno de uma fogueira, com um barril de chope e um baita churrasco. Uhauuu!
Estou até imaginando o local. Não estaríamos apenas eu e ele, mas também alguns
amigos meus. Seria um bate-papo bem descontraído, com muitas piadas e risadas,
mas também, e principalmente, com histórias de muitas batalhas.
Derfel é leal, humano e testemunhou o nascimento e a queda de lendas,
oferecendo uma visão realista e emocionante sobre honra e sacrifício.
Ele é uma das figuras mais cativantes e humanizadas da ficção histórica.
Criado por Bernard Cornwell na trilogia As Crônicas de Artur (O Reido Inverno, O Inimigo de Deus e Excalibur), Derfel é um homem
que viveu de tudo: de órfão saxão prestes a ser sacrificado a guerreiro de
elite, comandante e, no fim da vida, monge cristão que registra a verdade sobre
o passado.
Cara, seria um sonho conversar com Derfel em torno dessa fogueira sobre
os segredos que envolvem os dois personagens mais mitológicos da literatura
arturiana: o rei Artur e o mago Merlin. Mais do que isso, seria uma
oportunidade de ouvir sobre a desmistificação desses dois personagens tão
emblemáticos.
Derfel viveu ao lado de Artur e conheceu a realidade, ou seja, viu o
homem por trás do mito. Ele presenciou como Artur realmente lidava com o fardo
de tentar manter a Britânia unida enquanto tudo ao seu redor desmoronava.
Acredito que Derfel falaria sobre como a obsessão de Artur pela justiça
e pelos juramentos, por vezes, o cegou para a malícia dos homens — incluindo os
erros trágicos envolvendo Guinevere e Lancelot.
A sua relação de amizade e o dever que unia Derfel a Artur, mesmo nos
momentos mais sombrios também seria tratado nesse papo.. Ele contaria, também,
como era viver perto de Merlin e Nimue.
Mas confesso a vocês que meu assunto preferido seria a famosa “parede de
escudos”, que já rendeu, inclusive, um post especial aqui no blog (veja aqui).
Quando chegasse o momento de falar sobre esse assunto, juro que deixaria até
mesmo a caneca de chope de lado para ouvi-lo explicar como era a brutalidade de
lutar ombro a ombro contra os saxões e a disciplina mental necessária para não
romper a linha que compunha a famosa “parede de escudos”, tão citada na saga
literária.
04 – Merlin (As Crônicas de Artur)
Esta conversa seria impagável. Fico imaginando nosso bate-papo
descontraído com o famoso mago da saga arturiana de Bernard Cornwell, revelando
segredos — alguns bem “cabeludos” — de personagens históricos considerados
emblemáticos. Caramba! Merlin sabia de todos os podres dos reinos bretões e
saxões. Ele compartilharia histórias cínicas sobre Mordred, Guinevere, Nimue e
os bastidores do poder que os bardos omitiram das canções. Seria um narrador de
histórias incomparável, cheio de humor ácido sobre a vaidade humana.
Enquanto a história imortalizou Artur como o rei perfeito e
cavalheiresco, acho que Merlin contaria a versão nua e crua: a de um homem
teimoso, pragmático e preso entre o dever e a política, que cometeu erros
trágicos por tentar ser justo demais em um mundo brutal. Talvez Merlin
criticasse abertamente o idealismo de Artur, com um toque de afeto amargo e
muito sarcasmo.
Merlin ficaria impressionado — e provavelmente desconfiado — com a
tecnologia atual. Ele interpretaria telefones, eletricidade e aviões não como
avanços científicos, mas como a magia suprema. Ele não seria aquele Merlin
caricato das antigas lendas arturianas: o mago velhinho, meio corcunda e de
chapéu pontudo. Muito menos lançaria bolas de fogo com as mãos. Nada disso!
Pelo contrário, explicaria como a verdadeira magia funciona no mundo real: por
meio da psicologia, da ilusão, do medo e da manipulação das coincidências.
Contaria como usava o conhecimento sobre venenos, o clima, os eclipses e a
encenação para fazer reis e guerreiros acreditarem que os deuses estavam
agindo. Ele adoraria saber como a ciência moderna explica fenômenos que usava
para aterrorizar seus inimigos.
Ah! Se esse Merlin fosse real...
05 – Fermín Romero de Torres (saga O Cemitério
dos Livros Esquecidos)
Mesmo ausente de O Jogo do Anjo (2008), cuja história é centrada
no escritor David Martín e se passa em uma época anterior, Fermín Romero de
Torres participa ativamente dos outros três volumes da saga O Cemitério dosLivros Esquecidos: A Sombra do Vento (o primeiro), O Prisioneirodo Céu (o terceiro, no qual é o grande destaque) e O Labirinto dos Espíritos (o quarto e último).
Como eu queria conhecer e conversar com esse personagem fantástico! Com
certeza, ele seria o melhor companheiro de conversa do mundo. Fermín é leal,
tem uma lábia incomparável, um humor perspicaz e uma sabedoria de rua única,
além de ser o amigo que qualquer um gostaria de ter nos momentos difíceis.
Considero Fermín uma das figuras mais cativantes, espirituosas e inesquecíveis
da literatura mundial! O saudoso escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón estava
inspiradíssimo quando criou esse personagem.
Se Fermín Romero de Torres aparecesse à minha frente para tomar um café,
tenho quase certeza de que a conversa seria uma verdadeira maratona de
erudição, ironia e filosofia de botequim. Daríamos muitas risadas, mas nosso
papo também teria momentos de profundas reflexões.
Conversaríamos sobre lealdade, amizade verdadeira — como a sua devoção a
Daniel Sempere — e o dever moral de proteger quem se ama. Certamente, ele faria
reflexões filosóficas picantes sobre a política, os abusos de poder e a
hipocrisia das autoridades. E eu contaria a ele algumas atitudes dos nossos
políticos estampadas nas manchetes dos jornais, que também lhe mostraria. Fico
hiper curioso para saber quais seriam seus comentários.
Quando o amor e as paixões assumissem o protagonismo da conversa, tenho
quase certeza de que Fermín falaria com devoção absoluta e paixão poética sobre
sua amada Bernarda, além de dar conselhos amorosos extravagantes, misturando
psicologia informal e galanteios refinados.
Confesso que, enquanto lia A Sombra do Vento e O Labirinto dos
Espíritos, imaginei-me, em vários momentos, tendo essa conversa com Fermín.
06 – Sherlock Holmes (4 romances e 56 contos)
Não vá me dizer que você também não gostaria de conhecer pessoalmente
esse personagem fictício! Cara, estamos falando de ninguém mais, ninguém menos
que Sherlock Holmes: o detetive mais famoso do mundo. Seria incrível ver sua
mente dedutiva em ação, de perto.
Uma conversa com Sherlock Holmes no clube que frequento em minha cidade
seria fascinante e inesquecível. Como ele não tem filtros sociais e enxerga o
mundo por meio da pura lógica, o encontro seguiria uma dinâmica muito
específica. Sente só o que acredito que rolaria nesse encontro. Antes mesmo que
eu me sentasse, Holmes já saberia de onde eu vim, qual é a minha profissão e
qual é o meu estado de espírito naquele momento, apenas olhando para minha
roupa e meus sapatos.
Se eu tentasse puxar conversa fiada sobre o clima ou fofocas, talvez ele
cortasse o assunto rapidamente, já que despreza aquilo que não desafia sua
mente. Mas, por outro lado, se eu trouxesse um mistério real, um enigma
matemático ou um crime sem solução ocorrido em minha cidade, os olhos dele
brilhariam. Ele explicaria seu método passo a passo, tratando-me como um aluno
perspicaz. Holmes também poderia ignorar uma pergunta minha por minutos se
estivesse concentrado.
Vê-lo fumando seu inseparável cachimbo enquanto conversássemos seria
incrível. Uma pena que seja apenas um personagem fictício.
07 – Ulisses (A Odisseia)
Carambaaaaaaa!!!!! Perco o fôlego só de imaginar meu encontro com esse
personagem antológico da mitologia grega. Considero quase todos os personagens
da mitologia grega fascinantes e daria meu “reino” — rs — por um encontro com
eles. Mas, se tivesse de escolher um deles, escolheria Ulisses sem pestanejar.
Cara, um encontro com Ulisses (ou Odisseu) seria um dos eventos mais
fascinantes da vida de qualquer leitor que seja fã de mitologia grega — assim
como eu —, porque ele não é apenas um guerreiro forte, mas também o mestre
supremo da astúcia, da sobrevivência e da narrativa na mitologia grega.
Ao contrário dos heróis que resolvem tudo na força bruta, como Aquiles,
Ulisses vence os maiores perigos do mundo antigo usando a mente.
Sentar-me com Ulisses seria ouvir, em primeira mão, relatos sobre como
enganou o ciclope Polifemo, resistiu ao canto hipnótico das Sereias, sobreviveu
à fúria de deuses como Poseidon, participou da estratégia do Cavalo de Troia e
passou uma década tentando voltar para casa. Ele é o contador de histórias
definitivo.
Ulisses perdeu tudo — seus navios, seus tesouros e todos os seus
companheiros de armas —, mas nunca desistiu. Ele entende profundamente a dor do
isolamento, a saudade de casa (a nostalgia) e o peso da persistência, o que lhe
permitiria dar conselhos de vida incrivelmente maduros.
Ele é um orador brilhante. Ulisses sabe exatamente o que dizer para
encantar reis, rainhas, deuses e monstros. Uma conversa com ele seria um
espetáculo de carisma, retórica e sagacidade.
Ele chegaria ao barzinho onde teríamos marcado o encontro, no qual eu o
esperaria junto com meus amigos, impecavelmente vestido e com um olhar afiado,
capaz de examinar o bar inteiro em segundos. Ao se sentar, pediria a bebida
local mais forte e, em cinco minutos, já saberia o nome do garçom e teria
decifrado a personalidade de cada um dos meus amigos.
Nós sairíamos do bar de madrugada com a sensação de termos conhecido a
pessoa mais inteligente, perigosa e fascinante do planeta, perguntando-nos se
tudo o que ele contou era verdade ou apenas o maior blefe da história.
08 – Hercule Poirot (Assassinato no Expresso do
Oriente)
Taí outro personagem que eu daria tudo para conhecer! Acredito que um
encontro na vida real com Hercule Poirot, nos dias de hoje, seria uma
experiência fascinante e cheia de contrastes culturais e tecnológicos. Como um
homem profundamente moldado pela era eduardiana e pelo início do século XX, o
icônico detetive belga criado por Agatha Christie reagiria ao nosso mundo de
formas muito específicas.
Eu não resistiria à tentação de apresentar a ele, nesse encontro, a
tecnologia da inteligência artificial. Mas acredito que Poirot desdenharia do
uso excessivo de computadores e algoritmos para resolver crimes. Ele
argumentaria que bancos de dados e inteligência artificial podem deixar em
segundo plano o verdadeiro raciocínio psicológico e a observação da natureza
humana.
Se a gola da minha camisa estivesse ligeiramente torta, Poirot sofreria
em silêncio — ou ele mesmo a consertaria. Para ele, um quadro torto na parede
seria quase um crime.
O famoso personagem de Agatha Christie não se impressionaria com a força
física nem com buscas frenéticas por pistas usando lupas no chão. Ele apontaria
para a própria testa e me lembraria de que tudo se resolve com as “pequenas
células cinzentas”. Seria um ouvinte extremamente atento, analisando a
psicologia por trás de cada palavra que eu dissesse.
Confesso que minha “veia jornalística” não resistiria e, assim, acabaria
expondo a ele detalhes de alguns crimes praticados em minha cidade e região
que, mesmo após tanto tempo, continuam sem solução. Seria muito interessante
observar sua metodologia investigativa nesses casos.
Por hoje é só, galera! E no seu caso? Qual personagem você gostaria de
conhecer pessoalmente na vida real?
12 outubro 2026
Chega em 2 de Novembro: "Tantas Marias" Revela a Nossa Senhora que Vive no Povo Brasileiro
Como já escrevi numa
postagem em 2024, não há como não admirar Maria, mãe de Deus. Cara, eu amo essa
mulher, com todo o respeito. Como não admirar uma jovem de apenas 15 anos que,
mesmo grávida, ao saber que sua prima Isabel, de idade avançada, seria mãe e,
por isso, necessitava de cuidados especiais, resolveu fazer uma viagem muito
longa montada, provavelmente, numa mula — como descrevem alguns evangelhos
apócrifos.
Acredita-se que Maria
tenha recebido a notícia da gravidez de Isabel quando residia em Nazaré. Já
Isabel morava em Ein Karem na época, e a distância entre as duas aldeias é de
aproximadamente 150 quilômetros.
Ein Karem fica nos
arredores de Jerusalém, a 754 metros acima do nível do mar, enquanto Nazaré
está a 346 metros. Isso significa que Maria teve que subir morro acima! Além da
dificuldade física, o caminho tinha muitos perigos ocultos. Acredita-se que o
caminho de terra que cruzava a região montanhosa fosse um local frequentado por
bandidos, que poderiam surpreender os viajantes desavisados. A “Visitação”
apresentava muitos riscos para Maria, mas ela confiava que Deus a protegeria e
lhe permitiria ajudar sua prima idosa.
Quer mais uma prova da
coragem, do amor, da fé e da ousadia dessa jovem judia? Eu conto. Naquele
tempo, era famosa a crueldade de Herodes, o velho rei da Palestina, que, sempre
temeroso de que alguém lhe arrebatasse o trono, deu ordens para assassinar
todas as crianças e adultos que pudessem lhe fazer sombra, como consta em
diversas fontes históricas. E assim, lá vai Maria numa nova e arriscada viagem,
dessa vez para proteger seu filho. Foram mais de 100 quilômetros de Belém ao
Egito para fugir da maldade de Herodes. Ela, seu noivo José e o pequeno Menino
Jesus tiveram pela frente novos perigos.
Posso ainda citar a
aflição dessa mulher ao ver seu Filho pregado na cruz e, mesmo assim, manter-se
forte naquele momento. Enfim, Maria é muito especial e, por isso, merece todo o
respeito e admiração. Por tudo isso, tanto eu quanto Lulu temos uma devoção muito
grande a Nossa Senhora, a quem consideramos nossa grande intercessora junto ao
seu Filho, Jesus Cristo, que é Deus, nosso Pai.
Por ser tão fã de Maria,
enquanto dava minhas tradicionais zapeadas pelas livrarias virtuais, um livro
acabou despertando meu interesse: “Tantas Marias”, do escritor e historiador
carioca Luiz Antônio Simas, que será lançado em 2 de novembro, mas já está em
pré-venda na Amazon.

Escritor e historiador Luiz Antônio Simas
Juro que a sinopse
promocional da editora Civilização Brasileira, do Grupo Record, despertou
bastante o meu interesse.
Como consta na própria
sinopse, Maria já ganhou incontáveis representações. Sob o título de Nossa
Senhora da Conceição, ajuda nas dificuldades familiares ou pessoais. Como Nossa
Senhora Desatadora dos Nós, é invocada para resolver aqueles problemas que
parecem impossíveis. Já como Nossa Senhora do Bom Parto, é quem assegura uma
boa gestação e uma boa hora. E como não lembrar de Nossa Senhora Aparecida, a
santa negra descoberta no fundo de um rio por pescadores e hoje considerada a
padroeira do Brasil?
É difícil conhecer alguém
que não tenha devoção a Maria ou que nunca lhe tenha feito uma prece. Afinal,
mãe do Deus encarnado, é ela quem melhor pode interceder aos Céus pela
humanidade. Ela está no meio de nós.
Agora, imagine se a
devoção a Nossa Senhora pudesse contar um pouco da história, dos costumes e da
identidade do povo brasileiro? É por esse caminho que o autor nos conduz em
“Tantas Marias: Nossa Senhora na cultura popular”, uma obra que explora a presença
de Maria muito além dos altares e das igrejas.
O autor acessa as
tradições indígenas e africanas e o catolicismo popular para entender como
Maria foi reinventada pelo povo. Ela está nas congadas de Minas Gerais, em
nossa literatura de cordel e na obra de Ariano Suassuna; no samba, é evocada
pelo cavaquinho de Jorge Aragão e nos desfiles da Portela; no futebol, é figura
emblemática para clubes como o Botafogo de Futebol e Regatas, do qual Nossa
Senhora da Conceição é padroeira, e também para a Seleção Brasileira, tendo
inspirado o apelido de “manto sagrado” para a camisa azul do nosso segundo
uniforme.
O livro também traz
histórias de mulheres fascinantes que carregam o nome Maria, mas têm marcas,
trajetos e universos completamente únicos.
Após ter lido os releases
promocionais da editora, cheguei à conclusão de que “Tantas Marias” não é
apenas uma leitura; é uma experiência de reconexão com a força da nossa gente.
Deve ser — pelo menos, eu imagino — aquele tipo de livro leve e profundo ao
mesmo tempo, ideal para quem busca uma literatura com alma, identidade e muita
brasilidade.
Enfim, galera, é isso aí. Já incluí a
obra de Simas em minha lista de desejos; agora, é só esperar a chegada do dia 2
de novembro.
08 outubro 2026
Do Queen aos Beatles: 5 biografias recentes para quem ama música e boas histórias
E aí, galera? Se você é um seguidor fiel do “Livros e
Opinião”, com certeza já percebeu que eu adoro música, principalmente pop rock.
Estas postagens que escrevi em anos anteriores não me deixam mentir: vejam
aqui, aqui e mais aqui. Adoro ouvir em casa e no carro. E, como não podia
deixar de ser, acabei dando um jeito de transferir essa paixão para o blog. Por
isso, não sempre, mas uma vez lá e outra acolá, acabo escrevendo alguns posts
sobre o tema, geralmente indicando livros para a galera que, assim como eu, tem
essa preferência.
Pretendia escrever apenas esta lista de lançamentos
literários, mas, após trocar algumas ideias com a Lulu, ela me deu mais uma
sugestão muito boa. – Por que você também não faz uma lista de livros que
mostre os bastidores do que rola nos shows desses artistas ou na vida deles? –
perguntou ela. – Você virou fofoqueira?! – respondi, na brincadeira. Mas, na
realidade, amei a sugestão dela. Tanto é verdade que resolvi aproveitá-la.
Sendo assim, vou escrever dois posts sobre o tema, mas com focos diferentes.
Neste primeiro post que você lê agora, vou apontar cinco biografias de grandes
nomes do pop rock. No próximo, indicarei alguns livros que exploram os
bastidores dos shows desses artistas. Combinado? Vamos, então, à nossa primeira
lista.
Escolhi cinco biografias lançadas entre 2025 e 2026
que contam segredos e detalhes sobre a vida de verdadeiras feras da música,
entre elas a biografia de Freddie Mercury, escrita pela renomada jornalista e
biógrafa britânica Lesley-Ann Jones, e a dos irmãos Eddie e Alex Van Halen.
Vamos nessa!
01 – Com Amor, Freddie: A Vida e o Amor
Secreto de Freddie Mercury (Lesley-Ann Jones)
Abro a nossa lista justamente com o livro escrito por
Lesley-Ann Jones, uma das biógrafas mais conhecidas de Freddie Mercury, que já
escreveu diversos livros sobre a vida do cantor. O mais recente, chamado
"Com Amor, Freddie: A Vida e o Amor Secreto de Freddie Mercury”, tornou-se
um dos livros mais vendidos no Brasil no gênero biografias.
O livro, lançado no Brasil em 2025 pela editora Rocco,
apresenta-se como o material mais próximo de uma autobiografia de Freddie
Mercury. O saudoso astro do grupo Queen teria mantido 17 cadernos
manuscritos/diários entre 1976 e 1991, semanas antes de sua morte. Reza a lenda
que apenas quatro pessoas muito próximas sabiam da existência desse acervo. Em
2021, uma dessas pessoas de confiança teria procurado Lesley-Ann Jones e dado
acesso irrestrito ao material mantido em segredo durante três décadas.
A maior polêmica do livro gira em torno da alegação de
que Freddie Mercury teve uma filha secreta, referida na obra pela inicial
"B". O livro inclui o depoimento e a perspectiva dessa suposta filha,
trazendo detalhes de como Freddie teria mantido um relacionamento paterno
discreto e de como a existência dela foi preservada longe dos holofotes e da
imprensa.
Além da polêmica sobre os diários e a suposta paternidade,
o livro aborda os traumas e memórias dos primeiros anos de Freddie em Zanzibar
e na Índia. A obra ainda explora seus relacionamentos pessoais, apresentando
uma nova leitura sobre a relação dele com Mary Austin e outros parceiros de sua
vida.
Claro que os detalhes de seu processo criativo não
poderiam faltar, né? Por isso, a autora conta como suas experiências íntimas,
medos e segredos influenciaram as composições icônicas do Queen.
De acordo com o release promocional da editora
Rocco, “Com Amor, Freddie: A Vida e o Amor Secreto de Freddie Mercury”
compartilha segredos chocantes da infância do artista, mostra seus medos mais
profundos e desejos mais ardentes, explora as inspirações por trás de suas
composições, revisita seus relacionamentos mais íntimos e revela quem era o
verdadeiro amor de sua vida.
02 – Irmãos: A História de Eddie e Alex
Van Halen (Alex Van Halen)
Lançada em 28 de fevereiro de 2026 pela editora
Belas-Letras, a biografia dos dois irmãos holandeses que revolucionaram o hard
rock e o pop rock foge dos padrões de uma biografia ou autobiografia
convencional focada apenas nos bastidores escandalosos do rock. “Irmãos: A
História de Eddie e Alex Van Halen” é descrito como uma carta de amor de Alex
para seu irmão Eddie, cobrindo o laço inquebrável que os dois compartilharam
desde a infância na Holanda até o auge da fama mundial.
Escrito por Alex Van Halen em homenagem ao seu irmão
caçula e lendário guitarrista, Eddie Van Halen, o livro oferece um olhar
intimista e inédito sobre a dinâmica de dois jovens que revolucionaram a
história da música mundial.
A narrativa acompanha a trajetória dos irmãos Van
Halen desde a infância humilde na Holanda até a mudança para os Estados Unidos.
Enfrentando barreiras culturais e de idioma, os dois encontraram na música não
apenas um refúgio, mas uma linguagem própria. Alex detalha o início da parceria
musical, as longas horas de ensaio na garagem, os percalços dos primeiros shows
e os bastidores da criação de hits atemporais.
Focado na era de ouro da banda — do surgimento ao
estrondoso sucesso dos anos 1980 —, o livro evita a busca por fofocas
apelativas para focar no que realmente importava: a química criativa
inigualável entre o baterista e o guitarrista do antológico grupo de pop rock
Van Halen.
03 – The Rolling Stones: Sessenta Anos
(Christopher Sandford)
Tá aí mais um lançamento do gênero saindo do forno. A
editora Record acertou em cheio ao publicar essa obra considerada essencial
para os fãs de rock e entusiastas da história da música que buscam entender a
trajetória de uma das bandas mais longevas e influentes de todos os tempos.
Tanto é que, apesar de ter sido lançado há menos de quatro meses, já caiu no
gosto da galera. Basta ver os comentários que circulam nas redes sociais. Pois
é, nem a idade conseguiu parar os Rolling Stones.
O livro escrito por Christopher Sandford mapeia a
jornada épica do grupo desde os primeiros passos no cenário underground
britânico nos anos 1960 até a consolidação como gigantes do rock.
O autor conta como uma “gangue improvável” conseguiu
se transformar em um verdadeiro símbolo do rock. Vejam só: no início dos anos
60, Mick Jagger era um garoto brilhante. Por outro lado, Keith Richards
aprendia a fumar e a atirar. Adicione a essa dupla o delinquente Brian Jones, o
mulherengo Bill Wyman e o bom menino Charlie Watts. Pronto, esta foi a primeira
formação da maior banda de rock de todos os tempos. “The Rolling Stones:
Sessenta Anos” conta como esse grupo tão heterogêneo se encontrou e continuou
unido para fazer música e história.
O autor narra o drama humano que norteou a história do
grupo e o que os Stones têm feito para se manter relevantes. Foram
entrevistadas as pessoas mais próximas dos biografados — familiares (incluindo
os pais de Mick), fãs e contemporâneos.
04 – O Nome Desta Banda É R.E.M. (Peter
Ames Carlin)
Quem é fã do R.E.M. e está lendo este post levante a
mão. Pronto, eu levantei as duas! Cara, adoro essa banda. Volta e meia lá estou
eu aumentando o volume do rádio do carro toda vez que toca Losing My
Religion. Eu simplesmente babo nos arranjos e nos instrumentais dessa
música, além dos vocais de Michael Stipe. Por isso, não poderia deixar de
incluir “O Nome Desta Banda É R.E.M.”, de Peter Ames Carlin, nesta lista.
A obra traça a jornada completa de quatro jovens
universitários — Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry — que se
uniram no início dos anos 1980 na pacata cidade de Athens, na Geórgia, e
acabaram redefinindo os rumos do rock alternativo mundial.
Peter Carlin explora a dinâmica interna do grupo e a
evolução de seus integrantes, como a do vocalista Michael Stipe, que era tão
tímido que chegava a cantar de forma quase inaudível e enigmática, até se
transformar em um dos frontmen mais carismáticos e engajados da história
da música.
O ponto central do livro é a transição do circuito indie
para as grandes gravadoras. Carlin detalha os bastidores da criação de álbuns
emblemáticos e analisa como o grupo conseguiu alcançar o topo das paradas
globais e lotar estádios nos anos 1990 sem perder a essência, a postura
política e o respeito da crítica.
05 – Wings: A História de Uma Banda em
Fuga (Paul McCartney)
Finalizo esta lista com o livro de Paul McCartney
sobre a banda que ele formou logo após o fim dos Beatles. Narrado em primeira
pessoa, este relato imersivo do próprio Paul e dos integrantes do Wings revela
a trajetória surpreendente, quase improvável, dessa banda recém-formada, de
1971 até sua dissolução, apenas uma década depois.
A obra, publicada também pela editora Belas-Letras,
explora a decisão radical de Paul de não se apoiar apenas no gigantismo de sua
reputação passada. Em vez de formar um supergrupo, Paul decidiu recomeçar do
zero ao lado de sua esposa, Linda McCartney, do guitarrista Denny Laine e de
uma formação rotativa de músicos.
“Wings: A História de Uma Banda em Fuga” mostra a
coragem da banda ao se colocar em turnês improvisadas por universidades
britânicas, dirigindo a própria van e tocando para públicos pequenos sem o
aparato de grandes turnês.
A narrativa aborda a luta constante do grupo para
vencer a desconfiança da crítica especializada e provar que eram uma banda de
verdade, e não apenas o "projeto solo de Paul com acompanhantes".
A edição em capa dura traz 150 fotografias em preto e
branco e coloridas, muitas delas inéditas.
Tá aí: cinco biografias para os leitores conhecerem um
pouco mais a fundo grandes estrelas do pop rock.














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