08 fevereiro 2026
Cinco contos de terror que se passam no Carnaval
Neste domingo, resolvi dar um tempo na leitura de A Mulher em Queda de Colleen Hoover para
escrever essa postagem e assim, não deixar o blog desatualizado. Aproveito para
colocar a minha leitura em dia nos finais de noite e também nos finais de
semana. De segunda a sexta, de preferência a noite e antes do jantar (depois que
como fico molenga e quero mais é relaxar) aproveito para pesquisar assuntos e preparar
os posts e resenhas do blog). Pois é, pensa que é fácil trabalhar e ao mesmo
tempo manter um blog? Aliás, já conversamos sobre isso aqui no blog, não é? (vejam aqui). ‘Entonce’
como já passei da metade do livro de Hoover, aproveitei este domingo para
escrever algo sobre o Carnaval que já está batendo à nossa porta.
Queria sair um pouco da mesmice de ficar indicando
obras para os leitores que não gostam de Carnaval ou então sugestões de livros que
explicassem as origens da festa de momo. Nesta época já surgem muitas postagens
dentro desse contexto. Então, novamente, Lulu me salvou. – Por que você não
escreve sobre histórias de terror, mas histórias tendo como pano de fundo o
Carnaval? – Pronto, viram só, como ela me salvou novamente (rs)?
Assim, se vocês gostarem dessa postagem, agradeçam
primeiramente a Lulu. Desse jeito, ela vai acabar se tornando a musa
inspiradora do “Livros e Opinião” (rs).
Mas vamos ao que interessa galera. Selecionei cinco
contos de terror que se passam durante o Carnaval. São contos que certamente
irão provocar aquele friozinho na espinha que os amantes da literatura de
terror adoram sentir. Afinal, pra que abrir mão desse calafrio nesta época do
ano? Estas narrativas provam que Carnaval e terror podem muito bem caminharem
de mãos dadas.
01
– O bebê de tarlatana rosa (João do Rio)
Livro:
Dentro da Noite
Um dos grandes nomes do jornalismo e da literatura
brasileira, João do Rio mergulha nos cenários sombrios e fascinantes do Rio de
Janeiro no início do século XX em Dentro
da Noite.
Neste livro, o escritor carioca conduz o leitor por
histórias de mistério, horror e suspense, explorando temas como o ocultismo, a
loucura e os dramas humanos com um toque de ironia e melancolia. O autor brinda
os seus leitores com personagens enigmáticos e tramas surpreendentes.
O destaque do livro, sem dúvida nenhuma, é o conto de
terror O bebê de tarlatana rosa que
imortalizou João do Rio. Na história, durante os bailes de Carnaval, Heitor se
encanta por uma jovem vestida com uma fantasia de bebê. Quando os dois se
afastam da multidão para um momento íntimo, Heitor arranca, incomodado, o nariz
postiço que fazia parte da fantasia da moça, então... começa o terror na vida
de Heitor. Ele jamais esquecerá esse encontro.
Os leitores poderão encontrar Dentro da Noite nas versões físicas e kindle. Aqueles que optarem
pelo livro físico lançado pela Tordesilhas pagarão aproximadamente R$ 55,00. Já
a versão kindle sai por R$ 6,99.
02
– A morte da porta-estandarte (Anibal Machado)
Livro:
A morte da porta-estandarte; Tati, a garota e outras histórias da editora José
Olympio
A
morte da porta-estandarte conta história de uma tragédia de
Carnaval. Não é exatamente uma história de terror, mas sim um relato de
obsessão e da dor que a violência deixa para quem fica. A hipersexualização do
corpo da mulher negra e o sentimento de posse montam o cenário para um desfecho
brutal.
Publicado
originalmente na coletânea homônima de 1944, narra a história de um homem
ciumento e de sua amada, Rosa, uma porta-estandarte de carnaval. O
relacionamento do casal que termina numa tragédia, explora temas como machismo,
posse e a objetificação da mulher. A narrativa fragmentada e angustiante
reflete o estado mental do protagonista, que observa o desfile enquanto sua
obsessão pela amada cresce.
O
conto é um clássico da literatura brasileira, conhecido pela sua construção
estilística e pela crítica social contida, explorando a tragédia sob a ótica da
loucura e da possessividade masculina em meio à efervescência do carnaval.
A história faz parte da coletânea A morte da
porta-estandarte; Tati, a garota e outras histórias, da editora Jose
Olympio publicada em 2010. Nas minhas zapeadas pelas livrarias virtuais não consegui
encontra a versão Kindle; apenas o livro físico.
03
- O barril de Amontillado
Livros:
Seleção Medo Clássico da Darkside (Volume 1), Histórias Extraordinárias
da Companhia das Letras e em Contos de Imaginação e Mistério
da Tordesilhas. Há também a versão Kindle do conto na Amazon.
Publicado originalmente em 1846, trata-se de um dos
contos mais célebres de Edgar Allan Poe. Apareceu em diversas coletâneas do
autor lançadas por diversas editoras, além de ter sido adaptado e parodiado
diversas vezes, uma delas em 1962 no filme “Muralhas do Pavor”, com direção de
Roger Corman e roteiro de Richard Matheson, com Peter Lorre e Vincent Price no
elenco.
O
Barril de Amontillado se passa durante o Carnaval Veneza. a
história é contada do ponto de vista do vilão, um homem chamado Montresor, que
deseja a vingança de seu arqui-inimigo, Fortunato e que é levada às últimas
consequências. Sendo ambos apreciadores de vinho,
Montresor atrai Fortunato para suas catacumbas prometendo-lhe uma garrafa de
vinho Amontillado.
Enquanto os dois homens viajam para as catacumbas,
Fortunato não tem a mínima ideia de que seu amigo o trairá de uma maneira
sórdida e horrível.
04
- A máscara rubra da morte (Edgar Allan Poe)
Livros:
A máscara da morte rubra e outros contos de Poe, da Figura Editora; A Máscara
Da Morte Rubra. Só Um Conto, editora Artes e Ofícios
Outro conto clássico de Edgar Allan Poe e publicado pela primeira vez em 1842. A história narra a tentativa do Príncipe Próspero de evitar uma praga mortal, conhecida como Morte Rubra, isolando-se com outros nobres em sua abadia fortificada. Durante um baile de máscaras, uma figura misteriosa, representando a própria Morte Rubra, penetra no local, levando todos à morte. O conto é amplamente interpretado como uma alegoria sobre a inevitabilidade da morte e a futilidade de tentar escapar dela.
Cada elemento da narrativa possui valor simbólico. O
castelo representa o isolamento da elite; os salões, as etapas da vida; o
último quarto, a morte. A figura mascarada é a própria morte — invisível,
inevitável e inelutáve.
O conto critica a elite que tenta ignorar o sofrimento
coletivo, refugiando-se em prazer e opulência. Poe sugere que o castelo não é
forte o bastante para conter as forças da realidade e da mortalidade.
05
- Os buracos da máscara (Paul Lorrain)
Livro:
Contos Fantásticos do Século XIX, Editora Companhia das Letras
Jean Lorrain foi um dos melhores autores fantásticos
do Séc. XIX mas também foi considerado um escritor maldito. Como Calvino coloca
na apresentação do conto Os buracos da
máscara que faz parte da coletânea Contos Fantasticos do Seculo XIX, Lorrain era um boêmio, reconhecidamente
homossexual e usuário de éter. Numa época em que tudo isso era considerado
verdadeiros tabus. Os Buracos da Máscara
nos mostram um personagem que é impossível não associarmos ao próprio autor.
Neste conto, o protagonista aceita um convite para um
baile de Carnaval. Mas o que deveria ser uma noite de diversão, vai aos poucos
ganhando os contornos sinistros e grotescos de um pesadelo, conforme o narrador
vai mergulhando na loucura…ou talvez numa lucidez cruel que lhe revela seu
próprio eu.
O protagonista – creio que inspirado em Lorrain, está
esperando o amigo para ir a um baile de carnaval. O amigo chega mascarado e
eles seguem para o local da festa. Todos de máscara, o ambiente cada vez mais
estranho e assustador, então as pessoas começam a tirar as máscaras e, por
baixo delas... vem uma surpresa terrível.
Taí galera. Que tal sentirmos aquele tradicional calafrio
na base da espinha que vem subindo lentamente até o pescoço naquele sensação tão
bem conhecida pelos leitores que apreciam o gênero terror? E se esses leitores
forem amantes Carnaval, melhor ainda.
04 fevereiro 2026
10 livros para você devorar em 2026. Li todos eles e amei
Li muitos livros ao longo desses quase 15 anos de
blog; alguns bons, outros ótimos ou excelentes, mas também sofri para terminar
a leitura de várias obras. Neste post quero “falar” apenas dos livros que me
trouxeram momentos especiais proporcionando viagens inesquecíveis. Livros que provocaram
ressacas literárias homéricas e outros que me curaram de ressacas também
homéricas. Enfim, obras que eu amei. Amei tanto que resolvi fazer uma lista e
indicar, pelo menos algumas delas (todas, certamente, não caberiam nesse
espaço) para os seguidores do nosso blog.
Aliás, qual devorador de livros que não se sente
realizado ao indicar uma obra para um amigo e depois esse mesmo amigo lhe dizer
que amou a história. Uhauuuu! Pelo menos para mim, não existe um elogio melhor
do que esse. Mas só quem é leitor de carteirinha – daqueles que gostam de
cheirar o livro e sentir a textura de suas páginas nas mãos– para entender o
que esse gesto significa.
Nesta lista selecionei livros que li quando ainda nem
sonhava ter um blog; outros que li recentemente; enfim, histórias especiais que
amei. Vamos nessa?
01
– Mentirosos (E. Lockhart)
Como escrevi na resenha do Livro de E. Lockhart (veja
aqui) existem finais de obras literárias que ficam guardados em nossa memória
por toda a vida. O “The End” de Mentirosos
é um deles. Podem passar muitos, mas muitos anos que certamente, você que teve
a oportunidade de ler o livro jamais esquecerá daquele final emocionante. Além
do final emocionante de Mentirosos, se preparem, também, para uma virada
avassaladora na história, daquelas viradas que tiram o chão do leitor. A tal
virada acontece no último capítulo intitulado ‘Verdade’. Posso garantir que é
algo bombástico.
Gostei tanto da história que ao terminar a leitura senti
um desejo incontrolável de sair por aí comprando um "arsenal" de
livros que pelo menos chegassem perto da narrativa de Lockhart. Taí, pra galera
ver como eu amei de paixão Mentirosos. Por isso, ele não poderia deixar de ser
o primeiro dessa lista.
Mentirosos
é um suspense psicológico sobre uma família rica e renomada, que se recusa a
admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim,
todo ano o patriarca da “Família Sinclair”, suas três filhas e seus respectivos
filhos passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence – neta
primogênita e principal herdeira –, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat
são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo que eles apelidaram
de Mentirosos.
Após um misterioso acidente no verão dos 15 anos que
lhe causa amnésia e dores crônicas, Cadence decide retornar à ilha particular
da família - dois anos depois - para desvendar segredos escondidos por parentes
e pelo grupo dos "Mentirosos". Segredos que podem ser chocantes.
02
– Presa (Michael Crichton)
Reler um livro é algo especial; e esse privilégio
também só cabe a obras especiais, ou seja, livros que marcaram a nossa vida de
uma tal maneira chegando ao ponto de fazer com que queiramos sentir novamente tudo
aquilo que já sentimos uma, duas ou três vezes no passado. Presa de Michael Crichton é um desses livros (veja resenhas aqui e mais aqui). É difícil mensurar,
mas talvez chegue a superar até mesmo Mentirosos
de E. Lockhat que me rendeu uma ressaca literária terrível. A ressaca causada
por Presa também foi trash.
Crichton mistura ficção científica hard com suspense
brindando os seus leitores com um excelente techno-thriller. O enredo envolve
nanotecnologia: um microorganismo artificial capaz de se mover em nuvens, como
um enxame de abelhas, e capaz de evoluir sozinho como um ser vivo. Logo a
tecnologia se torna uma ameaça, desenvolvendo inteligência e aprendendo até
mesmo a mimetizar seres humanos, e cabe a um programador chamado Jack marido de
Julia, uma das cientistas do projeto, buscar uma solução para o problema.
A primeira parte da história é marcada pela tensão no
relacionamento do casal que se amam mas devido a chegada de alguns fatores
externos, essa união acaba dando uma balançada. O drama familiar enfrentado por
Jack e Julia prende muito o leitor, mas é na segunda parte do romance que o
bicho pega.
Quando Jack é convidado pelo seu ex-patrão para dar
assessoria na empresa onde sua mulher ocupa um cargo de destaque, ele descobre
que a companhia está trabalhando num projeto ultrassecreto de nanotecnologia
criando micro-robôs invisíveis à olho nu, com objetivos militares e comerciais.
Quando essa nuvem de nanopartículas sai do controle de seus criadores, ela
deixa um rastro de morte e destruição, além de sitiar o laboratório da empresa
que está localizado no meio do deserto. É a partir daí que começa a luta de um
grupo de cientistas orientados por Jack para tentar conter os micro-robôs
assassinos, que passam a reproduzir e pensar por conta própria.
Presa é eletrizante e merece ser lido e relido muitas
e muitas vezes.
03
– O Livro de Ouro da Mitologia Grega (Thomas Bulfing)
No início da resenha de O Livro de Ouro da Mitologia –História de Deuses e Heróis que
publiquei em 2011, ainda nos primórdios do blog (se quiser conferir clique aqui) escrevi as seguintes
linhas: “Há livros que por mais que relemos nunca nos deixam esgotados, pelo
contrário nos vicia ao ponto de tempos em tempos irmos até a nossa estante e
pegarmos o ‘dito cujo’ para nos saciarmos. Se não o relemos na sua totalidade,
pelo menos folheamos as partes que consideramos mais interessantes e que
queremos reviver”.
O
Livro de Ouro da Mitologia – Histórias de Deuses e Heróis
é uma obra com essas características. Pelo menos para mim. Tanto é verdade, que
já perdi as contas das vezes que o li e reli.” Por isso mesmo, não teria como
ignorá-lo nesta lista de leituras que indico para 2026.
Fiz questão de republicar a frase que escrevi há quase
15 anos para que vocês tentem dimensionar o número de vezes que já reli as
histórias desse livro do pesquisador Thomas Bulfinch. Posso garantir que foram
muitas releituras. E para variar, os contos da obra voltaram a despertar o meu
interesse e brevemente estarei partindo para um novo reencontro.
Bulfinch escreve de uma maneira direta, sem enrolação
o que torna a leitura fácil, fluindo naturalmente. São 50 histórias que irão
entusiasmar os amantes da mitologia grega. Você vai mergulhar no mundo mágico
da guerra de Tróia; as aventuras de Enéias; a busca pelo velocino de ouro pelos
argonautas; o retorno de Ulisses à Ítaca; conhecer a origem dos famosos
soldados comandados pelo não menos famoso Aquiles, conhecidos por Mirmidões;
além de se informar sobre deuses, heróis e vilões famosos da mitologia grega,
entre os quais Apolo, Juíter, Zeus, Midas, Cupido, Psique, Minerva, Hércules,
Teseu, Perseu, Medusa, Atlas, entre outros.
Bom demais. Tão bom que vale muuuuitas releituras.
04
– Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid)
Escrever o que sobre Os Sete Maridos de Evelyn Hugo? Certamente, basta você acessar as
diversas plataformas de opiniões literárias como Skoob, Amazon, Goodreads e Reddit
e a resposta vira ‘na lata’: “excelente”. A obra de Taylor Jenkins Reid foi
praticamente uma unanimidade entre os leitores na época de seu lançamento, em 2019.
Vou mais além: continua sendo uma unanimidade até hoje.
Cara, se eu lhe disser que não li nas redes sociais
uma crítica negativa sobre o livro, não estarei mentindo. Não tenho como deixar
de indicar um livro desses. This is impossible.
No enredo fantástico criado por Jenkins Reid, aos
setenta e nove anos, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema. Com seu icônico cabelo
loiro e dona de uma beleza de dar inveja, seguiu um roteiro digno dos filmes
que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e
se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores,
levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos
escândalos nos tabloides de fofocas.
Já a trajetória da jovem Monique Grant está longe de
ter esse glamour. Apesar dos esforços, seu trabalho numa grande revista não tem
lhe rendido muitos frutos, e o amor vai de mal a pior. Então, o inesperado
acontece quando a famosa e inacessível atriz que tem o hábito de não falar com
ninguém e muito menos com a imprensa, decide dar uma entrevista exclusiva –
desde que seja para Monique e ninguém mais. Garanto que desse encontro sairão
grandes revelações, algumas com o poder de derrubar o queixo dos leitores.
05
– A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafon)
Este é um dos livros que mais indico para os leitores.
Considero A Sombra do Vento a obra
máxima do saudoso escritor espanhol Carlos Ruiz Zafon. Uma história não para
você ler, mas para você devorá-la. O tipo de enredo que vai consumindo o leitor
aos poucos. Imperdível!
A história de A
Sombra do Vento começa na Barcelona de 1945 e narra a saga de Daniel
Sempere dos seus 11 anos até o início da fase adulta. No dia de seu
aniversário, ao completar 11 anos, ele é levado pelo pai a um misterioso lugar
no coração histórico da cidade, o Cemitério dos Livros Esquecidos. O lugar,
conhecido por poucos na cidade, é uma biblioteca secreta e labiríntica que
funciona como depósito para obras abandonadas pelo mundo, à espera de que
alguém as descubra. É lá que Daniel encontra um exemplar de A Sombra do Vento,
de um escritor também barcelonês chamado Julián Carax.
Daniel fascina-se tanto pelo livro que decide buscar
mais informações sobre o autor. E cada descoberta feita por Daniel faz com que
o leitor fique ainda mais preso na história não conseguindo largar o livro de
maneira alguma. As reviravoltas então... nem se fale. Cara, amei a história de
Julián Carax, amei esse personagem: fiquei triste e também feliz, enfim torci
muito por ele. Da mesma maneira que torci por Daniel Sempere, já que as suas
histórias se cruzam.
Para finalizar, só posso dizer para aqueles que ainda
não leram A Sombra do Vento que não
sabem o que estão perdendo. E para aqueles que leram, aproveitem para “encarar”
a quadrilogia completa O Cemitério dos Livros Esquecidos formada pelos livros: A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos. Garanto que
não irão se arrepender.
06 – A Guerra do Velho (John Scalzi)
Está afim de conhecer um personagem especial? Daqueles
que te conquistam da primeira a última página? Tudo bem; lhe apresento John
Perry de A Guerra do Velho, livro de
ficção científica escrito por John Scalzi. Ele é o primeiro de uma trilogia que
ficou conhecida como a Trilogia do Velho.
Os outros dois livros – Brigadas Fantasma
e A Última Colônia – também são muito
bons, mas A Guerra do Velho é uma
leitura diferenciada, “top das tops”; assim, tenho a obrigação de incluí-la
nesta lista. Pela qualidade do enredo e principalmente pela composição perfeita
dos personagens, acredito que até mesmo aqueles leitores que não apreciam o
gênero ficção cientifica irão amar a obra.
Voltando a “falar” de John Perry, ele te conquista
logo nas primeiras páginas do livro. Se ele é arrogante, também tem os seus
momentos de humildade; se é inseguro em alguns assuntos, também se transforma
no cara mais auto-suficiente quando o perigo cutuca as suas costas; se é sacana
em poucos momentos, é honesto em outros. Enfim, John Perry é uma cópia perfeita
de todos nós, com os nossos defeitos e com as nossas virtudes. Certamente, é
por isso que os leitores de “Guerra do Velho” se identificam tanto com esse
soldado das FCD.
O romance de ficção científica ainda tem outros
personagens cativantes, mas Perry é fodástico. O roteiro quer saiu da cabeça de
Scalzi também é fodástico. No futuro, finalmente a humanidade chegou à era das
viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis
disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e
também conquistar novos territórios, os humanos precisarão de tecnologias
inovadoras e também de um exercito disposto a arriscar tudo. Esse exército,
conhecido como Forças Coloniais de Defesa (FCD), não apenas mantém a guerra
longe dos terráqueos e colonos, como também evita que eles saibam demais sobre
a situação do universo.
Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75
anos. John Perry acaba aceitando esse desafio, após a morte de sua esposa,
mesmo tendo apenas uma vaga idéia do que pode esperar.
Scalzi trata de
temas comuns, mas ao mesmo tempo polêmicos que fazem parte do nosso dia a dia,
como militarismo, ética, envelhecimento e amor.
07
– Verity (Colleen Hoover)
Gostei muito do livro, apesar de seu final
decepcionante. Mas no geral, trata-se de um excelente thriller psicológico e
merece fazer parte dessa lista.
Verity
narra a história envolvendo um casal apaixonado, uma intrusa e três mentes
doentias. Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de
sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo
público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas
atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa
complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da
falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da
já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de
Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus
possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos
Crawford, imersa no caótico escritório de Verity - e, lá... bem, digamos, que
as coisas começam a se complicar. Prendeu muito a minha leitura e por isso,
recomendo.
Lembrando que a história de Hoover ganhará uma
adaptação para os cinemas com previsão de estreia no início de outubro de 2026.
08
– O Massacre da Família Hope (Riley Sager)
A galera que acompanha há tempos as minhas postagens
aqui no ‘Livros e Opinião’ sabe que eu adoro histórias com plot twists. Por
esse motivo quando comprei O Massacre da Família Hope fui com toda a minha sede – e um pouco mais – ao pote. E quer
saber? Me saciei por completo. As três reviravoltas na história escrita por
Riley Sager estão em minha cabeça até agora. O primeiro plot twist é estonteante.
Por isso, você que, como eu, adora narrativas com plot twists tem a obrigação
de adquirir essa obra.
O enredo fictício de O Massacre da Família Hope gira
em torno de um crime bárbaro que aconteceu na década de 1920 no estado do
Maine: a família Hope foi brutalmente assassinada, restando apenas a filha mais
velha Lenora, que acabou se tornando a principal suspeita. Apesar de todos
acreditarem que a garota foi a responsável pelo massacre, a polícia jamais
encontrou provas disso. Daquele dia em diante, Lenora nunca mais falou sobre
aquela noite e permaneceu isolada em Hope’s End, a famosa mansão onde o crime
ocorreu.
Décadas depois, Kit McDeere é designada como cuidadora
de Lenora Hope, após a fuga da antiga enfermeira que abandonou a mansão, às
pressas, fugindo de madrugada e deixando para trás roupas, uniformes e demais
pertences. Qual mistério se esconde
atrás dessa fuga? Leiam o livro e ficarão sabendo.
09
– A Tormenta (Sebastian Junger)
Um dos melhores livros-reportagem que já li. A
história é tão interessante e intensa que já reli várias vezes. Em A Tormenta, Sebastian Junger narra a
história de vários homens e mulheres que em outubro de 1991 enfrentaram uma
tempestade criada por uma combinação de fatores que os meteorologistas a
consideraram de “tempestade perfeita” ou a “tempestade do século”. A tormenta
atingiu várias cidades de Massachusetts, mas a pior parte ficou reservada para
os pescadores de espadarte do porto de Gloucester, principalmente aqueles que
no momento do fenômeno se encontravam com os seus barcos em alto mar. É a
história desses heróis e heroínas que Junger oferece – num cardápio de primeira
– para os seus leitores.
Nesse contexto, o drama dos pescadores acaba se
fundindo com a história dos paraquedistas de resgate, conhecidos por PR’s, que
muitas vezes são obrigados a driblar o terror de enfrentar ondas da altura de
um edifício de 10 andares para poderem salvar vidas que estão por um fio no mar
bravio. Posso garantir que a partir do momento que você embarca nessa aventura
jornalística não há como parar.
Junger inicia A
Tormenta: A história real de uma luta de homens contra o mar apresentando a
tripulação do barco de pesca Andrea Gail que naufragou na costa da Nova
Escócia, após enfrentar a “Tempestade Perfeita” no meio do oceano, com ondas de
mais de 30 metros. Mais do que mostrar algumas características desses
pescadores, o autor brinda os seus leitores com a rotina do dia a dia desses
homens que entraram para a história de Gloucester.
O livro apresenta várias hipóteses que podem ter
contribuído para o naufrágio do Andréa Gail, desde falta de equipamentos de
segurança até a infelicidade do capitão do barco ter apanhado acidentalmente a
crista de uma onda gigante.
Vale lembrar que o filme “Mar em Fúria” que passou nos
cinemas em agosto de 2000 com George Clooney e Mark Wahlberg foi baseado no
livro de Junger.
10
– Marina (Carlos Ruiz Zafon)
Vale colocar mais uma obra de Zafon, aqui na lista? Vou
ter que fazer isso porque além de A
Sombra do Vento teve um outro livro do autor espanhol que marcou denais a
minha vida de leitor. Marina é
daquelas obras que ficam carimbadas na memória do leitor por décadas.
Acreditem, os três últimos capítulos da narrativa
arrebentam o mais duro dos corações. É nessa hora que todo o mistério
envolvendo a personagem Marina é revelado.
Sei que é estranho alguém derramar lágrimas ao ler um
enredo criado por um autor especialista em tramas de suspense, mistério
sobrenatural como aconteceu nos Best-Sellers A Sombra do Vento e O Jogo do
Anjo. Ocorre que Marina é uma obra que foge, um pouco, das características
de Zafon. Tudo bem que ele mantenha o seu estilo narrativo direcionado para o
suspense e o sobrenatural, mas por outro lado, também acrescenta um outro
elemento desconexo de suas obras tradicionais: o amor incondicional. Não tenho
vergonha em revelar que derramei lágrimas lendo “Marina”.
O escritor espanhol cria um enredo de suspense
envolvente na antiga Barcelona dos velhos casarões. Oscar Drai, um garoto de 15
anos que estuda num internato, passa o seu tempo livre andando pelas ruas e se
encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões que
desperta a atenção do garoto que logo resolve se aventurar no interior da
construção. O motivo que levou o pequeno Oscar a entrar na casa foi a voz linda
e suave de uma mulher reproduzida num vitrolão. Ao mesmo tempo, ele fica
completamente vidrado num relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas, ele se
assusta com uma presença na sala e acaba fugindo com o relógio. Depois de
alguns dias, Oscar retorna ao casarão para devolver o objeto roubado, e
então... conhece Marina. Depois que os dois se conhecem... preparem os seus
corações.
Taí galera, espero que tenham gostado dessas sugestões
literárias para 2026.
Inté!
28 janeiro 2026
A inquilina
Desta vez Freida McFadden deu dois tapas – e muito bem
dados – em nossa cara. Daqueles que acertam em cheio. Entendam esses “tapas”
como plot twists capazes de derrubar os nossos queixos. Aliás, a ‘médica-escritora’
é especialista nisso. Quem já leu alguns de seus livros, incluindo a famosa
trilogia A Empregada – sabe do que
estou “falando”.
A
Inquilina tem apenas duas reviravoltas – uma depois da metade
do enredo e a outra no epílogo, mas valem a pena. Apesar de alguns leitores terem
comentado no portal Skoob que os dois plots do livro eram muito manjados e que
já haviam descoberto bem antes da revelação; não vejo dessa forma. No meu caso,
confesso que tive uma baita surpresa com os dois plot twists
Creio que o autor não pode simplesmente jogar na cara
do leitor um plot twist. Coisa do tipo: “Toma aí que o filho é seu!”. Pelo
contrário: o clima de suspense tem que ser preparado e ir crescendo aos poucos.
Vou explicar com um exemplo fora da literatura que farão com que vocês entendam
o que estou querendo “dizer”. Vamos lá. Exemplificarei tomando por base o filme
“O Silêncio dos Inocentes” naquela cena em que o Dr. Hannibal Lecter é
apresentado para a agente do FBI Clarice Starling interpretada pela Jodie
Foster. Cara, ver a agente do FBI descendo as escadas daquela prisão tétrica
onde se está encarcerado o “Dr. Lecter Canibal”, com o diretor da prisão caminhando
ao seu lado, enquanto explica todas as normas de segurança que devem ser
seguidas para que ela saia viva desse encontro; cria toda uma expectativa,
diga-se, uma grande expectativa de como será esse encontro. Esta expectativa
enorme deixaria de existir se Jonathan Demme, diretor do aclamado filme, cortasse
esse preparativos e já antecipasse a edição, “pulando” direto para o momento em
que a agente Starling e Haniball se conhecem.
Não sei ser consegui ser claro, mas muitos autores não
gostam de preparar aquele clima de tensão, mistério ou suspense antes de
anunciarem uma reviravolta na trama, deixando o plot twist... sei lá... acho
que xôxo. Na primeira reviravolta de A Inquilina, McFadden cria toda uma aura
de suspense e mistério quando um personagem decide ir conhecer a mãe de um
outro personagem para esclarecer algumas situações digamos que... esquisitas. Ao
invés de dar o doce rapidamente para os leitores provarem, a autora só aproxima
a guloseima da boca desses leitores e depois retira (que maldade – rs). Então,
no momento em que ela dá o doce, ou seja, ‘solta’ o plot twist, a galera se
lambuza. É mais ou menos isso que acontece na primeira reviravolta que acontece
logo depois do meio da trama. Já na segunda e última que ocorre somente no
Epilogo, ela chega voando e na lata. Em aproximadamente duas páginas, McFadden
solta a “bomba” e encerra a sua história. Apesar de rápido, esse último plot
twist também surpreende.
Em A Inquilina,
o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos sonhos, uma noiva
e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo começa a desmoronar
após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na agência de markerting. A
partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado “Lar doce lar” de
Potter.
Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas do
financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um dos
quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o
casal encontra Whitney
De todos, ela é quem mais se destacou com seu jeito
simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem eles
procuravam. Só que... assim que ela se muda para a sua casa, coisas sinistras
começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após
várias faxinas. Barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite; além de
outras coisas estranhas que começam a acontecer em seu lar.
De repente, Blake passa a desconfiar que o perigo
passou a morar em sua casa.
Gostei muito do livro de McFadden: leitura fluída – o que
já se tornou uma característica da autora – momentos de muita tensão e dois
plot twists surpreendentes. Sem contar a capa hiper-caprichada. Apesar do
lançamento em brochura, os nomes da autora e da obra foram publicados em letras
brancas em alto relevo combinando com o fundo rosa e matizes vermelhas. Ah! E
tem ainda aquela mão tétrica saindo de um vão da porta com respingos de sangue.
Enfim, recomendo a leitura.

















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