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30 junho 2026

Sem volta

Se você gostou de “Thelma e Louise” com Susan Sarandon e Geena Davis, dirigido pelo gênio Ridley Scott, com certeza irá amar Sem Volta, de Emily Henry e Brittany Cavallaro. O porquê? Tá bem, eu conto: simplesmente, filme e livro compartilham a mesma essência do subgênero road movie, além de celebrar a força feminina. Classifico o romance de Henry e Cavallaro como um “Thelma e Louise” para o público jovem, “coisa” do tipo young adult. Mas e aqueles leitores que ainda não tiveram a oportunidade de assistir ao filme, será que também irão gostar do livro? Se eles estiverem à procura de um young adult com enredo focado no amadurecimento dos personagens principais e na superação do controle familiar — que muitas vezes se aproxima do controle obsessivo —, também irão amar a história. No meu caso – terminei a leitura na semana passada –, não cheguei a amar, mas gostei, sim, do livro.

Uma dica para aqueles que pretendem ler a obra é que se soltem um pouco das “amarras” da realidade e deixem-se embalar pelas aventuras e peripécias de duas amigas inseparáveis que resolvem “cair” na estrada. Se fizerem isso, a leitura se tornará fluida e prazerosa.

Estas duas amigas se chamam Winona e Lucille. Elas têm vidas muito diferentes, mas também têm algo em comum: estão de saco cheio de homens controladores e dispostas a tudo para fugir. Ao se livrarem das amarras que as sufocam, elas pisam fundo no acelerador, numa aventura em busca de quem são e da liberdade de poder viver a própria vida longe dessas amarras.

Agora, você que assistiu a “Thelma e Louise” e está pensando que ler Sem Volta será uma grande perda de tempo, já que ambos têm enredos semelhantes, pode começar a mudar de ideia porque a realidade é bem diferente. Apesar de livro e filme terem as suas semelhanças, as diferenças também existem e são bem distintas. Por exemplo, na produção cinematográfica de 1991, a tensão surge a partir da violência real e sistêmica (uma tentativa de estupro e o histórico de um casamento abusivo). Já no livro de Henry e Cavallaro, a opressão é internalizada nos laços familiares. Winona é sufocada pelo controle abusivo do pai, enquanto Lucille é refém, financeira e emocionalmente, de uma mãe negligente e de um irmão problemático.

Cena do filme Thelma e Louise (1991) com Geena Davis e Susan Sarandon 

Outro detalhe que deixa evidente a diferença entre os dois é que o filme tem um tom de thriller policial e comédia de humor ácido que culmina em um desfecho trágico e poético, onde o mergulho no penhasco simboliza o triunfo máximo sobre a opressão. Por sua vez, o livro mantém uma veia de comédia sombria, mas opera sob uma ótica otimista. A dinâmica entre Winona e Lucille foca na cura emocional e no empoderamento mútuo, caminhando para um final de redescoberta pessoal, laços fortalecidos e esperança no futuro, afastando-se do tom fatalista do filme.

Na minha opinião, toda a rebeldia das duas personagens de Sem Volta é uma fuga adolescente em busca de autonomia e emancipação, enquanto no filme, a dinâmica gira em torno da luta de Thelma e Louise pela sobrevivência contra instituições e situações aparentemente dominadas por homens.

Quanto às semelhanças, você que assistiu ao filme, fique tranquilo porque elas não irão atrapalhar em nada a história do livro. Existem semelhanças, sim, mas todas elas longe de queimar o enredo com spoilers ou então de influenciar negativamente o desenvolvimento da trama das duas escritoras.

Tanto no livro quanto no filme, a narrativa começa com duas mulheres que decidem dar um basta na vida que levam e partem em uma viagem de carro em busca de independência. A jornada na estrada é o cenário central da história, servindo como uma metáfora para o autodescobrimento e a quebra de paradigmas.

O pilar do que rola tanto nas telonas quanto nas páginas é a cumplicidade e a lealdade incondicional entre duas mulheres que se apoiam para enfrentar um mundo hostil e patriarcal. Semelhanças, repito, que em nada atrapalham quem assistiu ao filme e agora planeja ler o livro, ou vice-versa.

Ah! Antes que me esqueça: assisti ao filme – ainda na época do VHS – e gostei; e acabei de ler o livro recentemente e também gostei.

Inté, galera!

 


26 junho 2026

Mistério, Folclore e Quentão: Minhas Primeiras Impressões de "As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro"

E aí, galera? Estão a fim de ler um livro em clima de Festa Junina? É isso mesmo: um livro que tenha fogueira de São João, bandeirolas, barracas, cidadezinha do interior e outros detalhes que lembrem as tradicionais festas juninas que acontecem nesta época do ano. E por que não? Não temos o clima de Dia dos Namorados, que nos inspira a ler obras românticas? O clima de Dia das Mães? Cara, são tantas datas ou acontecimentos especiais que criam aquele clima propício para nos abrirmos para a leitura, não é mesmo? As festas juninas também têm esse direito.

Tudo bem que seja uma data atípica para um escritor desenvolver um enredo com suspense, pitadas de terror e aventura, e até mesmo aquele temperinho bem leve de um thriller psicológico. Mas podem acreditar: a escritora Laura Pohl conseguiu juntar tudo isso e transformar essa mistura – à primeira vista, muito estranha – num prato saboroso; pelo menos neste meu início de leitura.

Comecei a ler ontem As Três Tarefas de Cristina Ribeiro de Castro publicado pela Galera Record e posso dizer que, após ter "encarado" dois capítulos, parece que a leitura engatou. Vamos ver se sigo em quinta marcha ou se o desinteresse acaba chegando e eu desisto. Pelo que pude sentir nesse início, acredito que o enredo vai me agradar.

Laura Pohl tem uma escrita fluida que consegue prender o leitor. Para aqueles que ainda não conhecem a autora, ela nasceu na Alemanha, mas, com pais brasileiros, viveu grande parte da sua vida em Curitiba, no Paraná. Seu livro de estreia, The Last 8, venceu o International Latino Book Awards, mas Pohl é mais conhecida pelas obras As Garotas de Grimrose e A Maldição de Grimrose, que lhe valeram o título de "autora best-seller do New York Times".

Laura Pohl

Agora, em seu novo livro, ela valoriza elementos da cultura brasileira para criar uma fantasia que promete muita aventura e emoção, além de suspense. E tudo isso em clima de São João.

A trama se passa na fictícia cidade de São Pedro da Serra Alta, onde Cristina Ribeiro de Castro espera apenas aproveitar a temporada de Festa Junina e comer churros. Os planos mudam quando sua avó faz um pedido incomum: ela e a irmã mais nova, Cici, não devem sair de casa durante o período mais mágico do ano.

Apesar de contrariada, Cris obedece. Já Cici, não. Decidida a aproveitar o período festivo, a caçula resolve dar apenas uma voltinha no primeiro dia de festival. Afinal, que mal faria uma horinha na rua durante os festejos juninos? Porém, ao descobrir que Cici não está em casa, a avó entra em desespero e implora para que Cris vá atrás da irmã e a encontre antes que seja tarde demais. A partir desse momento, Cris embarca em uma jornada marcada por desafios sobrenaturais e mistérios familiares.

Para resgatar Cici, a protagonista precisará cumprir três tarefas impostas por uma criatura poderosa, enfrentando provas que envolvem brasas, figuras do folclore brasileiro e antigos pactos que acompanham sua família há gerações. Ao longo da aventura, ela descobre que salvar a irmã pode exigir um preço maior do que imaginava.

Confesso que o mote do enredo conseguiu despertar o meu interesse, o que me fez dar um tempo na minha já extensa lista de leituras para ler a obra de Laura Pohl.

E você, também se interessou?

Assim que eu terminar a leitura, volto aqui para publicar a resenha completa. 

Até lá!

21 junho 2026

O Fim da Biblioteca Stephen King? O Apelo dos Fãs pelo Retorno da Coleção da Suma

Dois anos e três meses na seca. Este é o tempo que os fãs do mestre do terror não têm em mãos um volume inédito da série Biblioteca Stephen King que foi lançada há quase dez anos pela Suma de Letras com o objetivo de republicar obras raras do escritor que estavam esgotadas e sem previsão nenhuma de um dia voltarem às prateleiras dos sebos e, muito menos, das livrarias.

Cara, a proposta da Suma foi um verdadeiro “golpe de mestre” (no bom sentido, claro) e isso ficou provado logo de cara quando Cujo (resenha aqui e também aqui) ‘desembarcou’ nas livrarias em 1º de novembro de 2016. O relançamento que conta a história de um dócil cão da raça São Bernardo que após ter sido picado por um morcego contaminado pelo vírus da raiva, se transforma num predador violento e sanguinário, explodiu em vendas. O livro que abriu a coleção permaneceu na lista dos mais vendidos em 2016 por vários meses, quebrando inúmeros recordes. E não poderia ter sido diferente porque, somado ao impacto da oportunidade de ler uma história rara de King, nós, fãs do autor, ainda fomos brindados com outro presentaço: um projeto gráfico de encher os olhos, ou seja: acabamento em capa dura, conteúdos extras exclusivos (como entrevistas, prólogos ou ensaios) e traduções totalmente revisadas ou inéditas feitas por especialistas. Pronto! A Suma tinha acabado de descobrir a América (rs).

Depois de Cujo, e não poderia ser diferente, vieram mais relançamentos: A Hora do Lobisomem, A Metade Sombria, além de outros.

Só que... parou. Isso mesmo, estagnou. Desde 2024 que a editora não publicou mais nada na coleção Biblioteca Stephen King. O último livro que caiu nas mãos da galera leitora foi Eclipse Total, que acabou ganhando um novo título: Dolores Claiborne.

Atualmente, não ouço nenhum comentário e muito menos sussurros de um novo lançamento dessa coleção. Será que o projeto foi encerrado? Suma, pelo amor de Deus, não faz isso! Ainda restam, com toda a certeza, duas narrativas raríssimas de SK para serem relançadas: Depois da Meia-Noite e Os Estranhos! - Além do mais, a editora bem que poderia relançar algumas histórias famosas do autor com nova roupagem, como foi feito com Carrie e O Iluminado que na época de seus relançamentos na Biblioteca Stephen King não faziam parte do rol de obras raras do escritor. Mas, apesar desse detalhe, os dois livros caíram no agrado dos fãs por causa do seu projeto gráfico, o que resultou em muitas vendas.

Mas, para ser sincero, o objetivo dessa postagem é cobrar a Suma de Letras com relação ao relançamento de Depois da Meia-Noite e Os Estranhos. Essas duas histórias já merecem há muito tempo fazer parte da coleção. Aliás, sempre achei que, antes de a editora ter relançado Carrie e O Iluminado, o correto seria ter dado prioridade para Depois da Meia-Noite e Os Estranhos, já que a proposta principal da Suma era a de colocar no mercado apenas narrativas raras de SK.

E, por “falar” nisso, estou ‘absurdamente louco’ para ‘agarrar’ esses dois livros. Cara, fico sonhando e imaginando como seriam as capas de Depois da Meia-Noite e Os Estranhos seguindo as diretrizes desse novo projeto gráfico da coleção. Uhauuuu! Escuta só o meu coração batendo (rs).

Saibam que Depois da Meia-Noite é o sonho de consumo de 10 em cada 10 fãs de SK. Imagine a Suma de Letras anunciando como nono livro da série essa história raríssima. Caramba! Querem saber por que fiquei tão eufórico? Simplesmente porque esse livro é considerado, depois de Os Livros de Bachman com o conto Fúria, a obra mais rara de Stephen King. Coisa do tipo: figurinha carimbada inexistente. Sabe aquela figurinha de álbuns antigos de prêmios que nunca saía? Você comprava pacotes e mais pacotes de cromos e a tal da carimbada não vinha, ou porque não existia ou por ser única. Faço essa analogia com Depois da Meia-Noite. O livro, de 667 páginas e que reúne quatro noveletas – Os Longoliers, Janela Secreta, Jardim Secreto, O Policial da Biblioteca e O Cão da Polaroide –, foi lançado pela editora Francisco Alves em 1992 e, depois disso, não teve nenhuma outra edição.

Após ter feito uma pesquisa nos sebos virtuais, descobri dois exemplares do livro. Um deles, na OLX, pela “bagatela” de R$ 330,00. Acharam caro? Então, que tal esta outra que localizei no portal da Estante Virtual por “míseros” R$ 590,90? Concordam que vale a pena torcer com todos os dedos das mãos cruzados pelo relançamento de Depois da Meia-Noite?

Quanto a Os Estranhos, o meu primeiro e único contato com essa história foi através de uma fita VHS lançada em 1993. Naquela época — no início da minha era balzaquiana — tinha o hábito de assistir com frequência as saudosas ‘fitonas’ de vídeo. Lembro-me até hoje: o filme que foi baseado em Os Estranhos se chamava “Tommyknockers – Tranquem Suas Portas” (título que recebeu ao ser lançado no Brasil pela Warner Home Video). A versão lançada por aqui foi editada em forma de filme, já que originalmente “Tommyknockers” foi uma minissérie de 181 minutos produzida para a TV norte-americana.

O livro, a exemplo de O Apanhador de Sonhos e Sob a Redoma, é mais uma história do autor com toques alienígenas. A pacata cidadezinha de Haven se vê abalada por estranhos acontecimentos: crianças desaparecem, bonecas ganham vida e um rastro de morte se espalha. Tudo isso começa a acontecer logo após uma nave alienígena ter caído numa floresta perto da cidade.

Galera, enfim, é isso aí. Fica aqui o nosso apelo para que a Suma de Letras promova o retorno da Biblioteca Stephen King em grande estilo, após mais de dois anos fora de circuito, com o relançamento dessas duas joias raras: Depois da Meia-Noite e Os Estranhos.

Para finalizar, a esperança de todos nós, fãs de King, é que no passado também houve um hiato de pouco mais de dois anos entre os lançamentos de Trocas Macabras e Carrie, e depois de mais dois anos entre Carrie e Dolores Claiborne.

Assim, só resta mesmo torcer.

Livros que foram relançados até agora na coleção Biblioteca Stephen King:

  • 01 – Cujo (01 de novembro de 2016)
  • 02 – A Hora do Lobisomem (20 de julho de 2017)
  • 03 – O Iluminado (22 de agosto de 2017)
  • 04 – A Incendiária (06 de abril de 2018)
  • 05 – A Metade Sombria (21 de março de 2019)
  • 06 – Trocas Macabras (20 de novembro de 2020)
  • 07 – Carrie (23 de fevereiro de 2022)
  • 08 – Dolores Claiborne (26 de março de 2024)

 

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