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19 julho 2026

10 livros com inícios eletrizantes que vão te prender

Hoje, quando acordei — lembrando que escrevi este post em um domingo e, nos finais de semana, nós (eu e a Lulu) sempre acordamos mais tarde —, percebi que ela já estava “firme no toco”, devorando um livro. Isso é algo que raramente acontece, pois o seu hábito de leitura é sempre à noite, após chegar do trabalho.

Por causa dessa mudança repentina, a minha curiosidade falou mais alto e acabei perguntando o que estava acontecendo. Sem tirar os olhos das páginas, ela respondeu: — Comecei a ler este livro de madrugada, mas o início da história é tão eletrizante que eu não via a hora de amanhecer para continuar a leitura. — Você passou a madrugada lendo?! — perguntei. — Não; preferi parar no primeiro capítulo para criar ainda mais expectativa.

Após esse diálogo com a Lulu, pimba! Na mesma hora tive uma ideia: por que não escrever um post sobre livros que tenham inícios eletrizantes? Foi dessa maneira que “pintou” a lista que você está lendo agora.

Li todas as obras que indico aqui e posso garantir que o início delas — seja apenas o prólogo, as primeiras páginas ou os primeiros capítulos — vai engatar uma quinta marcha, deixando você com uma baita vontade de devorar o livro. Confesso que nem todos os livros que começam bem terminam bem, mas procurei selecionar apenas aqueles que mantêm a qualidade até o fim — com alguns chegando, até mesmo, a me deixar com a famosa Depressão Pós-Leitura (DPL).

Histórias que começam com um crime misterioso, um assassinato brutal, uma cena de ação frenética, um protagonista sem memória ou uma fuga desesperada garantem imersão imediata e são ideais para espantar a ressaca literária. Selecionei 10 obras com essas características, trazendo começos capazes de despertar, no mesmo instante, o interesse pelo enredo. Vamos a elas!

01 – A Paciente Silenciosa (Alex Michaelides)

Se gostei de A Paciente Silenciosa? Não. Então por que o livro de Alex Michaelides faz parte desta lista? A resposta é por “culpa” da Lulu. Ela simplesmente amou a narrativa, principalmente o começo. Gostou tanto da obra que estou pensando seriamente em publicar uma nova resenha sob a perspectiva dela.

Mas vamos lá. O livro abre com a protagonista dando cinco tiros no rosto do marido. Depois disso, ela nunca mais diz uma única palavra, o que desperta a obsessão de um terapeuta em descobrir o motivo do crime.

Segundo a Lulu, o início de A Paciente Silenciosa é brilhante ao inverter a lógica tradicional dos thrillers: logo na primeira página, a narrativa revela quem cometeu o assassinato. A partir daí, o mistério não é descobrir quem matou, mas sim por que Alicia assassinou o marido e, principalmente, por que se remeteu ao silêncio absoluto.

Essa recusa em falar transforma um crime doméstico em um fenômeno midiático e em um complexo quebra-cabeça psicológico, colocando o leitor no papel de detetive, alternando a desconfiança entre diversos personagens.

A Lulu vive me dizendo: “Não entendo como você não gostou desse livraço!”. Se vocês quiserem saber os meus motivos, escrevi uma resenha detalhada sobre ele em 2021. Confiram aqui.

02 – Não Conte a Ninguém (Harlan Coben)

Tenho certeza de que vocês estão curiosos para saber qual foi o livro que fez a Lulu sair da cama mais cedo em pleno domingo. Pois bem, vamos a ele.

Não Conte a Ninguém tem um dos começos mais impactantes do suspense moderno. A história se inicia quando o médico Dr. David Beck e sua esposa comemoram o aniversário do primeiro beijo no lago Charmaine. Um ataque brutal deixa Beck inconsciente e sua esposa morta pelas mãos de um serial killer. Oito anos depois, o sofrimento de David é reaberto quando ele recebe um misterioso e-mail anônimo.

A mensagem contém frases que apenas ele e sua falecida esposa conheciam, além de um link para uma câmera de segurança que mostra, em tempo real, uma mulher idêntica a Elizabeth no meio da multidão. A partir desse momento, David entra em uma corrida desesperada contra o tempo para descobrir se o amor de sua vida está vivo, enquanto se torna o principal suspeito de novos assassinatos investigados pelo FBI.

Amei a obra de Harlan Coben. É o tipo de enredo que traz várias reviravoltas ao longo da trama, preparando o leitor para o grand finale. E quando esse desfecho chega, Coben, em menos de meia página, arremata a história de uma maneira que deixa qualquer um de queixo caído. Recomendo de olhos fechados, não só pelo início eletrizante, mas pelo conjunto da narrativa.

03 – O Parque dos Dinossauros (Michael Crichton)

As primeiras páginas de O Parque dos Dinossauros (Jurassic Park), escrito por Michael Crichton, são aterrorizantes e diretas. A narrativa abre com a chegada de um operário gravemente ferido a um hospital remoto na Costa Rica; ele apresenta lacerações severas que os médicos não conseguem identificar, embora a empresa afirme ter sido um mero acidente de construção. Pouco depois, uma criança de férias em uma praia isolada é mordida por um réptil bípede desconhecido.

Mas o que mata a pau, de fato, é o prólogo da história. Intitulado “A Mordida do Raptor”, ele desperta toda a fome do leitor em devorar o livro, preparando o seu espírito (e a sua coragem!) para os sufocos que enfrentará a cada virada de página. Esse início arrasador nos dá uma amostra dos antagonistas principais do romance: os velociraptores. Esta espécie de dinossauro é uma verdadeira máquina de matar que, além da ferocidade, possui uma inteligência assustadoramente avançada.

Sintam só o drama do prólogo:

“...ela tateou o ferimento com a ponta do dedo. Se uma retroescavadeira o atingira, haveria terra entranhada na carne. Mas não encontrou nenhuma sujeira, apenas uma espécie de espuma pegajosa. E o ferimento emitia um odor estranho, como um cheiro de morte e podridão... Sentiu um arrepio ao olhar as mãos do rapaz, havia...”

Arghhhhhhh!!! Melhor parar por aqui e deixar o resto para aqueles que ainda não conhecem a obra. Vale frisar que o livro se aprofunda muito mais no terror e na teoria do caos do que o filme clássico.

04 – It: A Coisa (Stephen King)

It: A Coisa, do mestre do terror Stephen King, tem uma das introduções mais icônicas e aterrorizantes da literatura. A morte do pequeno Georgie em uma rua chuvosa da pacata cidade de Derry prende o leitor logo na primeira página. O contraste entre a inocência pura da criança brincando com seu barquinho de papel e a aparição brutal de Pennywise, o Palhaço Dançarino, de dentro do bueiro, constrói uma tensão gradual e transformadora em poucos parágrafos.

Cara, como esse prólogo prendeu a minha atenção! Parecia que eu estava diante de um doce saboroso do qual tinha dado uma pequena mordida, despertando ainda mais a minha fome. Logo de cara, King apresenta o antagonista e deixa claro que ninguém — nem mesmo as crianças — está a salvo em Derry.

05 – Os Coletores (Eric Garcia)

O início de Os Coletores, de Eric Garcia, é realmente impactante e dita o tom ágil de toda a narrativa, que mistura ficção científica distópica, humor ácido e elementos de romance policial noir.

O livro nos introduz imediatamente a um futuro onde uma grande corporação vende órgãos artificiais de alta tecnologia a perder de vista. O protagonista, Jude, trabalha como um "coletor". Sua função é puramente de negócios: se o cliente atrasa as parcelas do órgão artificial, Jude vai até ele e retoma a propriedade da empresa. Se o sujeito ganhou um estômago artificial, mas não pagou por ele, o trabalho de Jude é localizar o comprador e “simplesmente” arrancar o órgão para devolvê-lo à corporação. Já pensaram nisso?! Arghhhhhh!

A narrativa não perde tempo com longas introduções. O gancho eletrizante acontece quando o próprio Jude, após sofrer um infarto, recebe um coração artificial de última geração. O ritmo veloz da abertura serve para chocar o leitor com a frieza do sistema e criar empatia imediata pelo protagonista, que passa a correr contra o tempo para sobreviver. Essa premissa rendeu uma excelente adaptação para os cinemas em 2010, chamada Repo Men: O Resgate de Órgãos, estrelada por Jude Law e Forest Whitaker.

06 – A Empregada (Freida McFadden)

A Empregada, de Freida McFadden, prende o leitor desde as primeiras páginas com uma introdução impactante. O livro começa com uma cena no futuro: a polícia está no local e há um cadáver na mansão. Millie, a protagonista que trabalha como empregada na residência, está desesperada e sabe exatamente o que aconteceu, estabelecendo imediatamente um clima de mistério e urgência.

Um golpe de mestre utilizado pela autora foi revelar o crime antes de mostrar como os personagens chegaram até ali, além de sugerir os segredos obscuros de Millie sem revelá-los de imediato. Pelo contrário, ela apenas acende algumas fagulhas para atiçar a nossa curiosidade. Descobrimos, por exemplo, que Millie acabou de sair da prisão e precisa desesperadamente do emprego, escondendo o seu passado a todo custo.

Para completar, o comportamento de sua patroa, Nina Winchester, oscila violentamente entre a extrema gentileza e a crueldade psicológica logo nos primeiros dias. Além disso, Millie é acomodada em um quarto minúsculo cujo trinco tranca apenas pelo lado de fora, gerando claustrofobia e sinalizando perigo iminente. Esses detalhes revelados logo no início geram uma baita vontade de não desgrudar do livro.

07 – Ponto de Impacto (Dan Brown)

Livraço! Tanto é verdade que acabei relendo a obra de Dan Brown várias vezes. Considero Ponto de Impacto o melhor livro escrito pelo autor. Confiram o porquê da minha opinião nestas duas resenhas que já publiquei (vejam aqui e mais aqui).

Quanto ao seu início, sem comentários. As primeiras páginas são realmente eletrizantes! Dan Brown prende a atenção ao mostrar o candidato à presidência dos EUA prestes a vencer as eleições usando um discurso feroz contra a NASA, enquanto, simultaneamente, a própria agência faz uma descoberta revolucionária e perigosa no Ártico. Esta descoberta pode salvar a reputação da agência e reeleger o atual presidente.

O início funciona porque Dan Brown emprega sua famosa fórmula de introduzir um perigo extremo logo de cara, misturando suspense geopolítico, isolamento extremo e capítulos curtinhos que aceleram o ritmo da leitura. Quando a protagonista Rachel Sexton vai ao Ártico para verificar a autenticidade do achado, o que deveria ser uma simples verificação técnica transforma-se em uma perseguição mortal por assassinos profissionais, aumentando ao máximo a sensação de urgência.

08 – O Reverso da Medalha (Sidney Sheldon)

Apesar de ter lido O Reverso da Medalha há muito tempo, lembro-me até hoje de seu início impactante. Aliás, esse preâmbulo foi o motivo principal que me despertou um interesse avassalador pela narrativa. Sidney Sheldon mata a pau! A partir do momento em que você lê essa introdução, é impossível não criar uma expectativa enorme sobre o que vai rolar no enredo.

O livro começa no aniversário de 90 anos da implacável Kate Blackwell, uma das melhores personagens criadas por Sheldon e também uma das mais marcantes da literatura de ficção. Cercada de luxo, poder e fantasmas do passado, a festa de Kate prepara o terreno para uma saga épica de ambição, traição e vingança que atravessa gerações. Na minha opinião, é o prólogo mais impactante escrito pelo autor.

A atmosfera alterna rapidamente entre o luxo de uma festa de gala e a mente fria, calculista e obstinada de Kate, uma mulher que manipula vidas, negócios e sua própria família como peças de um jogo de xadrez. As primeiras páginas estabelecem mistérios sobre o passado da família Blackwell e as tragédias que moldaram o império da empresa Blackwell Enterprises, gerando a necessidade urgente de entender como aquela idosa alcançou tanto poder.

Após esse início impactante no "presente", o livro faz um longo flashback. A história volta no tempo para contar a saga de Jamie McGregor, o pai de Kate, na África do Sul, iniciando a construção do império de diamantes do zero. Uma leitura e introdução fantásticas!

09 – Tubarão (Peter Benchley)

O prólogo de Tubarão, de Peter Benchley, publicado originalmente em 1974, é considerado uma obra-prima do suspense na literatura moderna. Ele dita perfeitamente o tom de isolamento e vulnerabilidade que permeia toda a história.

A narrativa alterna entre a calmaria de uma jovem nadando à noite e a frieza instintiva do tubarão, que age como uma máquina biológica perfeita. A descrição muda drasticamente de um banho de mar pacífico para uma violência brutal, rápida e inevitável. O monstro não tem motivação pessoal; ele apenas come, o que torna o ataque muito mais aterrorizante. A vítima é levada para o fundo do mar em silêncio, sem que ninguém na praia perceba. Esse início mexe muito com os leitores, deixando o coração disparado porque nos colocamos no lugar daquela mulher. Brrrrrr!

Na adaptação cinematográfica lendária de Steven Spielberg (1975), a essência do prólogo foi mantida para abrir o filme, mas com algumas mudanças cruciais de impacto. No livro, o texto descreve os pensamentos e as sensações físicas finais da vítima com detalhes agonizantes e explícitos, deixando os nossos nervos à flor da pele. Já no filme, Spielberg foca no terror psicológico, usando a trilha sonora de John Williams e a câmera subaquática. As duas abordagens são excelentes, mas, cá entre nós, prefiro a do livro, por ser bem mais impactante.

10 – Verity (Colleen Hoover)

O prólogo de Verity, escrito por Colleen Hoover, é amplamente conhecido por ser um dos começos mais chocantes e memoráveis do suspense psicológico recente. Ele dita imediatamente o tom sombrio, visceral e imprevisível de toda a narrativa. Como já expliquei na resenha do livro que publiquei no blog, não gostei do final. Achei estranho e não me agradou, mas o início de Verity, não tenho como negar, é eletrizante.

thriller é focado em Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência que luta para lidar com o luto após a morte de sua mãe. A grande virada na vida dela acontece quando recebe uma proposta irrecusável: ser contratada como ghostwriter (autora fantasma) para terminar os três últimos livros de uma série de enorme sucesso, já que a autora original, Verity Crawford, sofreu um grave acidente de carro e ficou incapacitada. Para pesquisar as notas e esboços originais, Lowen se muda temporariamente para a mansão da família Crawford.

O início da narrativa serve para ligar o sinal de alarme no leitor. Lowen está caminhando por uma rua movimentada de Nova York quando uma pessoa ao seu lado é brutalmente atropelada por dar um passo em falso no trânsito. O impacto é tão violento que o sangue da vítima espirra diretamente na camisa de Lowen, deixando-a em estado de choque. É nesse cenário caótico e macabro que Jeremy Crawford surge para ajudá-la. Ele a leva até um banheiro, entrega sua própria camisa limpa e limpa o sangue da pele de Lowen.

O evento funciona como um presságio perfeito: o sangue que mancha Lowen logo no início simboliza como ela será marcada e tragada pelos segredos obscuros da família de Jeremy. Enfim, um prólogo fantástico!

Aí está, galera! Espero que essa lista possa ajudar quem estiver a fim de ler um livro que já comece com o pé no acelerador.

Até a próxima!


13 julho 2026

Fome de leitura: Os 3 livros que estão tirando o meu sono (e o do meu bolso)

Preciso adquirir três livros em regime de urgência porque estou morrendo de vontade de devorá-los. Mas como o meu cartão de crédito está brigado comigo até a primeira quinzena de setembro, vou ter que adiar essa vontade um pouco mais. Estou torcendo para que ela se reduza a pelo menos um livro... Assim, eu estaria economizando, já que deixaria de comprar dois deles. Por enquanto, a minha fome de leitura está com o seu foco direcionado para esses três livros. Quais são? Ok, eu conto para vocês. Anotem aí:

O primeiro da lista é o ultracomentado “Ala D”, da rainha do thriller psicológico Freida McFadden; o segundo se chama “Terra à Deriva”, do autor chinês Liu Cixin, que também escreveu o megassucesso “O Problema dos Três Corpos”; e, por fim, fechando a lista: “O Casal Que Mora ao Lado”, que dizem ter um plot twist final de derrubar não só o queixo, mas o corpo inteiro dos leitores.

Neste post, quero dividir com a galera esse meu desejo e, por que não, pedir para que vocês torçam para que o meu mau-humorado “Cartão” deixe de ser tão ranzinza e faça logo as pazes comigo. Assim, quem sabe, posso comprar logo essas três preciosidades, ou pelo menos uma delas.

Interessei-me por “O Casal Que Mora ao Lado” há poucas semanas, enquanto zapeava nas redes sociais literárias e também nos portais de algumas livrarias à procura de informações para escrever uma postagem para o blog. Foi assim que me deparei com a obra de Shari Lapena. Como vocês sabem, sou fissurado por livros que tenham plot twists; tanto é verdade que as minhas estantes estão abarrotadas de obras do gênero. Por isso, após ler a apresentação do livro de Lapena na Amazon, meus olhos cresceram. Na mesma hora exclamei: “Caráculas! Esse final deve ser chocante!”. Meus olhos sobre o livro cresceram ainda mais depois de ver as opiniões das pessoas que leram a obra. Quase todas derramaram elogios para a narrativa, principalmente para a reviravolta final inesperada. Pronto! “O Casal Que Mora ao Lado” me ganhou naquela mesma hora.

No dia seguinte, durante uma nova zapeada para um novo post no blog, deparei-me com o livro de Liu Cixin. Na realidade, tenho uma dívida com esse autor. Quando li a sinopse de “O Problema dos Três Corpos” e alguns comentários — a maioria positivos —, fiquei “babando” de vontade de ler a obra. No entanto, resolvi assistir a alguns episódios da série da Netflix baseada no livro do escritor chinês e confesso que a minha vontade deu uma desanimada. Resultado: passei o livro para a frente e tenho quase certeza de que fiz uma besteira, porque continuaram a pipocar elogios para o livro em todas as redes sociais que acessei. Portanto, não quero cometer o mesmo erro com a antologia de contos “Terra à Deriva”. Prefiro ter como base para definir essa leitura apenas os comentários positivos que vi nos portais da Amazon, Skoob e outros. Assim, passei longe da produção cinematográfica chinesa “Terra à Deriva”, de 2019, que foi baseada na história escrita por Cixin — que, aliás, se trata do conto principal da coletânea lançada recentemente.

Deixei a nossa rainha dos thrillers psicológicos por último. Amo as narrativas dessa mulher, que são recheadas de reviravoltas que causam um frenesi de emoções e surpresas em seus leitores. E acredito que “Ala D” não seja diferente. Venho paquerando esse livro bem antes de seu lançamento em 12 de junho. Amei a sinopse da história: bem instigante. Esta frase promocional lançada pela editora conseguiu me laçar: “O maior medo de Amy era ser escalada para o plantão na ala psiquiátrica do hospital. Agora, sua única preocupação é sair de lá com vida.” Forte, não acharam?

Confiram um breve resumo da narrativa desses três livros e depois digam nos comentários se vocês também não ficaram com vontade de lê-los.

ALA D (Freida McFadden)

A estudante de medicina Amy Brenner foi designada para o plantão noturno na unidade restrita de cuidados psiquiátricos do hospital: a Ala D. Ela tem motivos de sobra para não querer cumprir esse plantão obrigatório — motivos pessoais que ninguém jamais pode saber. Para piorar a situação, ela descobre que o estudante com quem vai passar a madrugada analisando casos psiquiátricos é seu ex-namorado.

Mas tudo ganha ares mais sinistros quando, ao fazer uma ronda pelos corredores labirínticos, ela ouve sons estranhos vindos do quarto de isolamento onde está confinado o paciente mais perigoso da unidade. Aterrorizada, Amy toma a decisão de, aconteça o que acontecer, não se aproximar daquele quarto outra vez. No entanto, conforme as horas avançam, ela percebe que há algo terrível se desenrolando entre aquelas paredes fortemente protegidas.

Quando a comunicação com o exterior é perdida e pacientes e funcionários começam a desaparecer, fica claro que todos na unidade correm perigo.

Detalhes técnicos:

- Editora: Record

- Data da Publicação: 12 de junho de 2026

- Capa: Brochura

- Páginas: 294

TERRA À DERIVA (Liu Cixin)

O livro reúne dez histórias nas quais a humanidade enfrenta catástrofes colossais. O conto que dá título à obra retrata um plano desesperado para salvar o planeta do Sol em explosão: a construção de turbinas colossais para tirar a Terra de órbita rumo a um novo sistema estelar. 

A coletânea apresenta uma mistura singular de especulação científica, cosmologia e dilemas humanos. Além de Terra à Deriva, o volume inclui narrativas famosas como Montanha e Sol da China, explorando engenharia em escala planetária e contatos com civilizações alienígenas.

Detalhes técnicos:

- Editora: Suma

- Data da Publicação: 23 de junho de 2026

- Capa: Brochura

- Páginas: 546

O CASAL QUE MORA AO LADO (Shari Lapena)

Em O Casal que Mora ao Lado, Anne e Marco Conti parecem ter a vida perfeita: são jovens, atraentes e pais da pequena Cora. Porém, um convite para um jantar na casa dos vizinhos muda tudo. Quando o casal retorna na madrugada, o berço está vazio. A polícia entra em cena e as suspeitas recaem sobre todos. 

Conforme a investigação avança, segredos sombrios de casamentos aparentemente perfeitos começam a desmoronar. Segundo o release promocional da editora, trata-se de um thriller psicológico claustrofóbico, repleto de reviravoltas chocantes.

Detalhes técnicos:

- Editora: Record

- Data da Publicação: 22 de março de 2017

- Capa: Brochura

- Páginas: 294

Daí galera, por hoje é só. Até a próxima postagem!

08 julho 2026

6 livros de terror de autores brasileiros para serem lidos neste segundo semestre de 2026: Devorei todos eles

Sou um grande fã da literatura de terror — mas fã mesmo! Por isso, quando percebo que o gênero está crescendo cada vez mais no Brasil com o surgimento de novos autores, fico mais feliz ainda. Além desse “boom” que nos trouxe César Bravo, Douglas Lobo e Marcos DeBrito, entre outros, o engajamento de novos leitores que estão aderindo ao gênero também me deixa animado. Consigo notar esse engajamento nos comentários sobre as obras desses autores nas redes sociais. Percebo que cada vez mais pessoas que não liam autores nacionais, ou que não tinham a literatura de terror como preferida, agora estão mudando de opinião.

Hoje, enquanto tomava café da manhã com a Lulu, revelei que pretendia escrever uma postagem indicando alguns livros de terror que havia lido e gostado. Então, ela me questionou, perguntando quantos livros de terror de autores nacionais eu já havia lido. Pronto! Novamente, a Lulu me salvou (rs).

— Li vários deles e gostei da maioria. Brigado, amor da minha vida!!!

Galera, taí como surgiu este post que você está lendo neste momento. Portanto, se gostarem do conteúdo, agradeçam primeiramente à Lulu (rs).

Neste espaço, vou indicar seis obras de terror de autores nacionais que li e gostei bastante. Algumas me incomodaram, outras me arrepiaram, teve ainda aquelas que me tiraram o sono... e por aí vai. Espero que essa lista sirva para introduzir, dentro do contexto da literatura de terror nacional, aqueles leitores que apreciam o gênero, mas ainda não tiveram a oportunidade de “devorar” a narrativa de um autor brasileiro. Pois é... vocês não sabem o que estão perdendo!

01 – Terra Amaldiçoada (Douglas Lobo)


Abro a nossa lista com o livro desse romancista e jornalista do Piauí, conhecido por escrever histórias sombrias que transitam entre os gêneros de terror e sobrenatural. Douglas Lobo consolidou sua carreira literária escrevendo tramas que misturam tensão psicológica, terror e elementos da realidade rural brasileira.

Sua obra de estreia foi Terra Amaldiçoada, publicada originalmente em 2015 de maneira independente. Mesmo não contando com o apoio de uma editora, o livro explodiu em vendas e ganhou muitos elogios nas diversas plataformas literárias, incluindo a Amazon.

Li o livro, amei e resenhei. Confiram aqui! Lobo escreveu um drama rural com pitadas místicas e de terror que fisga a atenção do leitor. Considerado um de seus maiores sucessos, este terror psicológico acompanha Fabrício, um homem que perde o emprego em São Paulo e retorna ao interior do Piauí. Lá, ele se depara com assassinatos brutais e lendas urbanas que se misturam com a política local e tradições familiares sombrias.

Diferente do terror tradicional, a obra utiliza o sertão piauiense e a cultura local como um cenário sombrio. Por trás do horror sobrenatural, o livro toca em assuntos profundos como preconceito, disputas agrárias e a ganância das elites. Terra Amaldiçoada explora raízes folclóricas brasileiras e o conceito de lobisomem, mostrando a entidade como um guardião sanguinário e furioso da natureza. O livro é frequentemente elogiado pelo plot twist final surpreendente. Enfim, recomendo muito!

02 – VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue (César Bravo)

Escrever o que de César Bravo? Basta dizer que o cara é fera e um dos principais nomes do time de autores da DarkSide, uma das editoras mais famosas e respeitadas do Brasil. Seu livro VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue é fodástico! Costumo escrever em minhas resenhas que, para ler as obras do César Bravo, o leitor tem que desarmar todos os seus gatilhos e se despir de alguns paradigmas; caso contrário, vai ficar difícil.

A linguagem sem meias palavras, somada às situações-limite vividas pelos seus personagens, mexe com o psicológico. Os textos são "trucões", já que dão ênfase ao lado obscuro da psique humana, onde muitas vezes está arraigada toda a maldade das pessoas.

Estas características podem ser constatadas em todas as suas obras, incluindo a duologia VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue e DVD: Devoção Verdadeira a D (tem resenha aqui e também aqui). Gostei muito dos dois livros, que exploram o universo da fictícia cidade de Três Rios, criada pelo autor. VHS foi o que mais me agradou. O livro é escrito no formato de contos — são 18 histórias curtas — com base em registros orais, casos sinistros e uma porção de detalhes que rodeiam a vida dos moradores de Três Rios. As histórias giram em torno de mandingas macabras, crimes brutais, animais soturnos, notícias de jornais e anúncios que compõem o imaginário de um local esquecido pelo tempo.

A impressão que temos é de que algumas dessas histórias realmente ocorreram na vida daqueles moradores. O estilo narrativo de Bravo — que inclui muitos diálogos — contribui para fisgar o leitor.

03 – A Sombra da Lua: O Mistério de Vila Socorro (Marcos DeBrito)

Cara, que livro! Esqueça aquelas histórias caricaturais de lobisomens. Nada a ver. O livro que marcou a estreia no terror do diretor, roteirista e escritor brasileiro Marcos DeBrito tem outra vibe. A Sombra da Lua: O Mistério de Vila Socorro traz uma abordagem visceral, tétrica e, acima de tudo, madura sobre o clássico mito do lobisomem ambientado no interior do Brasil.

A trama acompanha uma série de assassinatos brutais e misteriosos cometidos por uma criatura selvagem e inclassificável. A narrativa se desenrola na fictícia e isolada Vila Socorro, no interior de São Paulo, e é contada em duas linhas temporais.

Como expliquei na resenha do livro, DeBrito mostra a chegada de Bastiano e Clemenzia Cesari, imigrantes italianos que tentam construir uma nova vida como pequenos agricultores. É neste período que as sementes do mistério e da maldição são plantadas.

A espinha dorsal do enredo é focada no proibido e intenso romance entre Alana e Álvaro, enquanto a vila é assolada pelo pânico dos ataques sanguinários da besta durante os ciclos lunares. O livro usa o terror da criatura como um pretexto para explorar a psicologia humana, expondo os segredos obscuros, preconceitos, paixões e o verdadeiro "eu" dos moradores diante do medo extremo. Recomendo muito!

04 – A Corrente - Passe Adiante (Estevão Ribeiro)

O livro de Estevão Ribeiro fala de um hacker chamado Roberto Morate que, ao repassar um e-mail recebido de uma garota desconhecida, descobre que salvou a vida dela, mas, por outro lado, condenou a sua própria alma e a de todos que receberam a corrente.

Explicando melhor: num belo dia, Roberto, que tem como profissão roubar senhas bancárias de incautos internautas, recebe um e-mail misterioso de uma garota que diz ter morrido. Algo do tipo: “Passe esse e-mail para outras sete pessoas e você terá muita sorte. Nem pense em mandar essa mensagem para a lixeira. Se você apagá-la, em 48 horas eu irei atrás de você, onde estiver...”

Ok, se coloque no lugar de Roberto: o que você faria? Apagaria a mensagem? Tudo bem. Vamos supor que você excluísse a corrente para a lixeira e, imediatamente, ouvisse o sinal do seu computador lhe avisando da chegada de uma nova mensagem. Neste momento, você até já se esqueceu do suposto “trote virtual”, então a nova mensagem chega ‘rasgando’: “Eu não lhe avisei para não jogar a mensagem na lixeira?! Vou lhe dar uma nova chance de viver. Repasse, agora, essa corrente para outras sete pessoas, senão irei atrás de você!! Vai querer contrariar a vontade de uma morta?”

Ehehehe.... Pergunto-lhe novamente: o que faria? Mandaria a mensagem, mais uma vez, para a lixeira ou a enviaria para os endereços de sete amigos virtuais?

Cara, esse foi o drama do Roberto. Mesmo pensando, ainda, se tratar de algum trote, aquele friozinho na base da espinha o alertou de que seria melhor ‘despachar’ a corrente. E foi o que fez.

É a partir desse ponto que a vilã Bruna começa a aprontar na história, provocando um festival de calafrios nos leitores. A personagem criada por Estevão Ribeiro é muito parecida com a Samara do filme “O Chamado” — aquela menina que sai rastejando, como se fosse uma aranha, de dentro de um televisor, como expliquei neste post onde dou a minha opiniãosobre “A Corrente”. Mas tem um detalhe: achei a Bruna muito mais assustadora e sinistra do que a própria Samara. Preciso escrever mais?

05 – Contos Macabros: 13 Histórias Sinistras da Literatura Brasileira (Vários Autores)

O livro Contos Macabros: 13 Histórias Sinistras da Literatura Brasileira é uma coletânea pioneira de terror e suspense psicológico organizada pelo professor e doutor Lainister de Oliveira Esteves. Publicada originalmente em 2010 pela editora Escrita Fina, a obra reúne textos sombrios produzidos por grandes mestres da nossa literatura entre o final do século XIX e o início do século XX.

As 13 histórias são ordenadas cronologicamente e trazem contos de 9 autores fundamentais, considerados verdadeiros cânones da literatura brasileira. São eles: Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães, Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Gonzaga Duque, Lima Barreto, João do Rio, Humberto de Campos e Thomaz Lopes.

Quando soube que escritores célebres como Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Bernardo Guimarães, entre outras feras da literatura tupiniquim, decidiram se embrenhar por um terreno pouco explorado em seus romances tradicionais — a terra do medo —, não pestanejei e comprei logo o livro.

Fiquei imaginando Bernardo Guimarães, autor de A Escrava Isaura, escrevendo um conto macabro durante os intervalos da redação do seu famoso melodrama que conquistou o Brasil; ou então Machado de Assis esquecendo um pouco de Dom Casmurro e ‘atacando’ de Edgar Allan Poe, de quem era um leitor ávido (tanto é que foi o tradutor do poema O Corvo).

Tinha muita curiosidade para conhecer o lado mais sombrio desses autores brasileiros famosos. Assim, comprei o livro após descobri-lo num sebo por um preço bem módico. Resultado final: amei os contos! Em 2019 postei uma resenha sobre a obra (confiram aqui).

06 – Canibais: Paixão e Morte na Rua do Arvoredo (David Coimbra)

A obra do renomado jornalista e escritor gaúcho David Coimbra, que faleceu em 2022, mistura múltiplos gêneros literários, entre os quais o terror, para recontar um dos casos criminais mais famosos e macabros do Brasil do século XIX.

O pano de fundo é essencialmente aterrorizante. A trama acompanha crimes reais cometidos pelo casal José Ramos e Catarina Palse, que assassinavam pessoas para transformar seus corpos em linguiça na Porto Alegre de 1863.

O caso foi tão macabro, mas tão macabro, que apesar de ter ocorrido no século XIX, quando Porto Alegre ainda estava engatinhando — contando com menos de 20 mil habitantes —, nem mesmo a aura de tecnologia ultramoderna do século XXI conseguiu apagar o crime que intrigou as autoridades policiais.

Naquele fatídico ano de 1863, a polícia de Porto Alegre deparou-se com uma cena horripilante: no porão da casa de José Ramos e Catharina Palse, na Rua do Arvoredo, onde também funcionava o açougue do casal, estavam enterrados os pedaços de um corpo humano, já em avançado estado de decomposição. O cadáver havia sido retalhado, com a cabeça e os membros separados do tronco, e este, por sua vez, repartido em vários pedaços para... ser transformado em linguiça e... ser vendida aos moradores. Arghhhhhhh!!!

Há uma exploração crua da morbidez, da obsessão e do canibalismo. A narrativa adota a estrutura de uma investigação criminal e de um suspense psicológico. Acompanhamos personagens que, aos poucos, descobrem o segredo nefasto do porão da Rua do Arvoredo. O autor recria detalhadamente o cenário, os costumes, o vocabulário e o cotidiano da Província de São Pedro (Rio Grande do Sul) no século XIX.

Portanto, embora os elementos de terror gráfico e psicológico sustentem a história, a obra de Coimbra se destaca justamente por transitar entre o horror real, a ficção policial e a comédia de costumes da época, como expliquei nessa resenha.

Se você aprecia o gênero terror, mas ainda não teve a oportunidade de ler nenhum autor nacional, faça essa experiência. Escolha um desses seis livros. Certamente, você irá amar!

 

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