27 fevereiro 2012

Lembranças da Meia Noite

Quando Sidney Sheldon lançou “O Outro Lado da Meia Noite”, em 1973, o livro tornou-se uma verdadeira febre mundial, transformando-se em Bestseller da noite para o dia. A história das personagens Noelle Page e Catherine Alexander, de personalidades tão distintas, encantou milhares de leitores, incluindo o “menino” aqui.
Hoje, após tantos anos, recordo dos tempos que não saía da biblioteca pública municipal da minha cidade, onde vivia locando os livros de Sheldon. Ao terminar de  ler “O Outro Lado da Meia Noite” fiquei desassossegado, porque queria, de qualquer maneira, conhecer o destino de Catherine. Será que ela continuaria para sempre enclausurada naquele convento? Conseguiria, um dia, recuperar a memória? O que Constantin Demiris estaria reservando para ela?
Na época em que li “O Outro Lado da Meia Noite”, a sua sequência “Lembranças da Meia Noite” já havia sido lançada, portanto eu já sabia que a saga de Noelle Page, Larry Douglas e Catherine Alexander tinha uma continuação. Sorte a minha, caso contrário, acho que a frustração seria enorme. Devorei as páginas de “O Outro Lado da Meia Noite” em três dias – devorei não, engoli as páginas – e sem perda de tempo já ‘engatei’ a leitura de “Lembranças...”
Precisava, demais, saber como seria a vida de Catherine a partir do momento em que Sheldon escreveu a última linha de sua obra prima publicada no início dos anos 70.
Você já deve ter percebido que a personagem que me conquistou , por completo, na obra de Sheldon foi Catherine e não Noelle, considerada a protagonista da história. Noelle sempre foi ambiciosa, corajosa, sensual e sem medo de encarar desafios. Esses adjetivos já nasceram com ela e percebemos isso, logo nas primeiras páginas do livro “O Outro Lado da Meia Noite”, com a Noelle ainda criança. Costumo dizer que tais virtudes e defeitos já estavam impregnados na personagem ainda dentro da barriga da mãe. Quanto a Catherine a situação é diferente. A personagem me cativou porque foi conquistando essas características ao longo da história, de acordo com o que a vida lhe oferecia. “O Outro Lado da Meia Noite” começa com uma Catherine ingênua, fraca e sem amor próprio. Com o ‘rolar’ das páginas, a personagem vai crescendo, se desenvolvendo. Como já disse, a própria vida se encarrega desse trabalho. Os tombos, decepções e rasteiras transformam Catherine numa outra pessoa: esperta, corajosa, astuciosa e até mesmo ambiciosa.
Há um determinado momento do romance que ela resolve sair ‘peitando’ todos aqueles que a espezinharam, querendo dar o troco em Larry Douglas e, por tabela, na própria Noelle. E logo Noelle, tão segura de si, chega um ponto da história que não agüenta tanta pressão e decide bolar um plano para assassinar a sua rival, ficando assim com o caminho livre para ter em seus braços o grande amor de sua vida, Larry Douglas, casado com Catherine.
Vibrei, também, quando Catherine resolveu dar um basta naquela vidinha ordinária e cheia de lamúrias quando vivia se rastejando aos pés de Larry como um cachorrinho, ou melhor, uma cadelinha. O safado do cara só faltava pisar na coitada! Humilhação era pouco! Enquanto isso, só saía da boca da mulher: “Aí coitadinho do Larry”, “Larry, eu te amo, não faz isso comigo”, “Larry porque você me humilha dessa maneira? Eu te amo tanto”, e por aí afora. Enquanto lambia a sola do sapato do mau caráter, Catherine ia se deteriorando aos poucos, se transformando numa mulher feia, gorda, enrugada, um verdadeiro trapo humano. Até o momento em que deu aquele ‘click’ em sua cabecinha e ela acordou para a realidade. A partir daí, Catherine entrou numa academia, mudou o seu caráter e se transformou numa mulher bonita, sensual e forte.
Por tudo isso, considero Catherine uma personagem complexa, uma verdadeira “camaleoa” (se bem que o correto seja camaleão feminino, mas sei lá, acho que a palavra não soa bem para a nossa Catherine).
Catherine Alexander nos traços de Raul Magalhães
(http://www.rauldesenhos.blogspot.com/)
Mas deixa eu parar de ‘viajar’, afinal de contas, esse post é sobre “Lembranças da Meia Noite” e não “O Outro Lado da Meia Noite”.
Então, retomando.  Ao começar a leitura de “Lembranças da Meia Noite” percebi que apesar do livro ser fantástico, uma verdadeira teia de aranha que te prende do começo ao fim, Catherine não é a protagonista, ela não aparece como deveria na história e só vai ter uma participação, de fato, ativa, perto do final do enredo.
Na realidade, o livro é sobre Constantin Demiris, o todo poderoso magnata grego, que quer a submissão de todos aqueles que um dia cruzam o seu caminho; Catherine não passa de uma figurante de luxo no enredo. Apesar desse, digamos, probleminha, a personagem não perde o seu carisma; em todas as partes do romance em que aparece, a sua aura domina as páginas. Não importa se é a Catherine tímida e insegura, forte e destemida, ingênua e sonhadora ou sensual e envolvente. Mas afirmar que ela é a personagem principal de a continuação de “O Outro Lado da Meia Noite” é ir longe demais. O livro, como já disse, é de Demiris e ponto final.
Sheldon escreveu “Lembranças da Meia Noite” somente 17 anos depois de “O Outro Lado da Meia Noite”. E conforme o escritor disse em uma entrevista, o seu objetivo não era publicar uma sequência para o seu famoso romance, mas deixar “no ar” o destino de Catherine. Ocorre que esse final aberto não agradou a maioria dos eitores que insistiam em saber o que aconteceu com Catherine. A pressão (no bom sentido, é claro) foi tanta que Sheldon decidiu escrever uma continuação para uma de suas personagens mais marcantes.
Todos que leram “Lembranças da Meia Noite” sabem que após um atentado “maquinado” por Noelle Page e seu amante Larry Douglas (marido de Catherine), a personagem acaba ficando confinada num convento carmelita na Grécia e, para escapar, resolve recorrer ao magnata grego Constantin Demiris. Mas ela não desconfia que está caindo em uma armadilha ardilosamente preparada pelo vilão que vê em Catherine a chance de consumar sua vingança. Dessa maneira, ela passa a ser um joguete nas mãos de Demiris. Mas se ele queria ver Catherine morta, porque  em “O Outro Lado da Meia Noite” acabou salvando a sua vida? Bem, para conhecer a resposta só mesmo lendo o livro. Taí, em suma, esse é o resumo do empolgante romance de Sheldon.
A vingança de Constantin Demiris não é somente contra Catherine, mas contra todos que resolvem cruzar o seu caminho ou então discordar de suas idéias.  Para que o leitor tenha uma idéia do ódio desse magnata, basta citar o seu lema: “O homem que não esquece e nem perdoa”. Será que preciso escrever mais alguma coisa?
Além de Demiris e Catherine, há outros personagens marcantes na história como Napoleon Chotas, Spyros Lambrou e Melina; o primeiro, advogado; o segundo, cunhado e a terceira, esposa de Demiris. E coincidentemente, os três que resolvem peitar Demiris. Grande parte do enredo se resume no embate entre Spyros e Demiris, dois dos maiores armadores gregos, donos de frotas e mais frotas de navios; um querendo engolir o outro. Enquanto Demiris se encaixa na pele de vilão, Sheldon deu à Spyros o papel de bom moço no enredo.
Prestem atenção no plano armado por Melina para incriminar o seu marido. Cara! Fiquei de boca aberta! Após se cansar de apanhar de Demiris ela decide colocar em prática o ditado grego popular: “Os gregos nunca esquecem”.
Outra surpresa para o leitor é o assassino contratado para eliminar Catherine. Quando você descobrir quem é o sujeito, com certeza o seu queixo cairá. Uma prova de que o nosso bom, velho e saudoso Sheldon era um dos mestres dos romances de suspense
Cabe a Chotas a manipulação do final surpresa. Aliás só poderia ser ele para fechar com chave de ouro o enredo de “Lembranças da Meia Noite”. Chotas que, apesar de aparecer muito pouco, já havia brilhado em “O Outro Lado da Meia Noite”.
Enfim, é isso; mais um grande livro escrito por Sheldon.

22 fevereiro 2012

Sai em março nova biografia de Justin Bieber

Apesar de, com toda certeza e toda convicção, não comprar esse livro que será lançado em março, tenho o dever de escrever algumas linhas sobre “Justin Bieber – Fama, Fé e Coração” da jornalista Cathleen Falsani, em consideração a enorme legião de fãs do cantor e ator de 17 anos.
Não pensem que não vou “com a cara” do garoto. Não é isso. Entendam que...bem, a verdade é que a minha geração tinha outros ídolos; digamos que... um pouquinho diferentes. Mas, vamos ao que interessa.
Atenção fãs de Bieber, no mês que vem, provavelmente já na primeira quinzena, vocês poderão conhecer detalhes da vida artística, familiar e espiritual do artista adolescente.
Não esperem nada apimentado ou então revelações surpreendentes sobre a vida amorosa, particular, financeira, etc e mais etc sobre o cantor. E olha que  não precisa ser nenhum gênio para chegar a essa conclusão. Basta prestar atenção na capa da obra. Notaram as três palavrinhas chaves do título: “Fama, Fé e Coração”? Ah! Mais uma coisinha... vejam o nome da editora que estará lançando o livro: “Mundo Cristão”. Todas essas atenuantes credenciam a obra de Cathleen Falsani como “bem comportada”, sem nada que desabone ou intimide o garoto.
A maioria dos releases promocionais que circula na internet, trata “Justin Bieber – Fama, Fé e Coração” como uma obra inteiramente gospel. Dessa maneira, fica evidente que Falsani vai explorar ao máximo o lado espiritual do cantor-ator, ou seja, como foi a sua educação religiosa que o levou a se tornar um cantor temente a Deus e com uma fé inabalável. Fé que inclusive, segundo revelações da autora, fez com que Bieber conseguisse buscar e atingir o equilíbrio necessário para ‘tocar’ a sua vida profissional que passou a ter muitas cobranças, algumas excessivas demais para a sua idade.  Acredito que deve ser interessante conhecer essa faceta de Bieber, pois sabemos, através de exemplos na mídia, como é difícil para alguns jovens cantores lidar com o estrelato que, muitas vezes,  chega de repente e de maneira avassaladora. Grande parte desses talentos acabam se entregando as drogas ou ao álcool por não terem estrutura suficiente para lidar com o outro lado da fama; o lado das cobranças e das exigências. E Justin, quer queiram ou não, conseguiu esse equilíbrio, pelo menos, por enquanto.
O livro mostra ainda como foi a infância do garoto prodígio e como ele chegou ao estrelato, após sua mãe postar vários vídeos seus no Youtube. Para quem não conhece a história, reza a lenda que, por acaso, um produtor musical ao acessar o Youtube viu os vídeos de Bieber, gostou e decidiu fazer um teste com o menino. Pronto, começava a nascer o um dos maiores astros pop do mundo.
Falsani revela com riqueza de informações como foi essa passagem na vida de Bieber e como ele soube aproveitar a oportunidade que se “escancarava” à sua frente.
Mas agora, aqueles fãs que gostariam de conhecer fatos mais apimentados – nem tanto, mas mesmo assim, apimentados – sobre a vida do astro, o conselho é que adquiram um desses dois livros: “Justin Bieber, uma Biografia não Autorizada”, do jornalista britânico Chas Newkey-Burden ou “Justin Bieber”, de Tori Kosara. O primeiro conta como Justin é nos bastidores; aliás, acredito que toda fã morre de curiosidade em saber como é o seu comportamento quando não está cantando ou dançando. Já no livro de Kosara, uma das passagens interessantes envolve a cantora Rihanna. Segundo o autor, Bieber tentou algo mais do que amizade com a cantora de 22 anos que, por sua vez, o rejeitou, pois o achou muito “novinho” para ela. Justin deveria ter na época, 15 ou 16 anos; hoje ele, está perto de completar 18 anos.
Bem, as cartas estão na mesa. Só resta as fãs do astro canadense escolher a biografia que mais desperte o seu interesse: aquela mais apimentada ou aquela mais comportadinha.
Valeu!

18 fevereiro 2012

Livros de Sidney Sheldon que deram origem a fracassos homéricos no cinema e na TV

Não dá pra entender como um escritor tão premiado e competente como Sidney Sheldon se deu tremendamente mal no cinema. As adaptações de seus livros para a tela grande ou pequena resultaram em redundantes fracassos; por outro lado, suas obras literárias encantaram gerações de leitores, além de conquistar grande parte da crítica.
A mídia, de um modo geral, dá muita ênfase para os fracassos de Stephen King no cinema, mas isso nem se compara a maré negra de Sheldon nas telonas. No caso do mestre do terror ainda temos várias obras que podem ser consideradas verdadeiros clássicos do cinema, como por exemplo: “À Espera de Um Milagre”, “Carrie, A Estranha”, “O Iluminado”, além de outras. Está certo que King teve dezenas e mais dezenas de bagaços no cinema, ou seja, livros ótimos que se transformando em filmes ridículos; mas Sidney Sheldon só teve monstruosidades.
Por isso, fico P. da Vida com esses produtores e diretores – verdadeiros açougueiros e lenhadores da sétima arte – que moeram os enredos de Sheldon, fazendo adaptações horríveis, quer sejam filmes ou mini-séries de TV.
Ainda ontem, enquanto escrevia esse post, tentava encontrar uma explicação lógica para esse fenômeno: “como um escritor talentoso pôde ter as suas obras recebidas com tão pouco caso na Meca do cinema: Hollywood?”
Pensei que poderia ser má sorte na hora de escolher diretores e produtores para as adaptações de seus livros; cheguei a desconfiar que por insistir em ter mulheres – geralmente com personalidades fortes e independentes – como protagonistas de seus romances, ele teria ficado... digamos, ‘queimado’ com os produtores, donos de estúdios e diretores que naquela época respiravam uma Hollywood totalmente machista. Passou também pela minha cabeça que Sheldon teve uma tremenda onda de azar vendendo os direitos de seus livros para estúdios que por sua vez, escolheram diretores ultra-incompetentes e atores mais do que canastrões. E por fim, imaginei que, talvez, por produzir suas obras em massa, lançando um livro atrás do outro, muitas vezes dois ao ano, suas histórias passaram a ser vistas pelos todos poderosos de Hollywood como popularescas demais. 
Sidney Sheldon
 Cara! Na realidade não sei o que aconteceu, o certo é que enquanto as obras literárias de Sidney Sheldon conquistaram multidões e arrancaram elogios de público e crítica; os filmes baseados nessas obras foram dignos de escárnio, com uma rara exceção: “O Outro Lado da Meia-Noite”, e diga-se de verdade, bem malemá.
Aqueles que ainda duvidam que as obras de Sheldon foram trucidadas no cinema ou na TV vamos fazer um teste. Será que você se lembra de um filme chamado “A Herdeira” (Bloodline)? E de um outro, com a Jane Seymour: “Lembranças da Meia Noite”? Não se recorda de nenhum dos dois? Ok, ok... vamos tentar outros. E de “A Outra Face”, com o Roger Moore, aquele que fez o agente secreto 007?  Certo... Bem... talvez se lembre de “Um Estranho no Espelho”? Também não? E se eu perguntar  se você conhece livros do Sidney Sheldon com esses mesmos nomes? Ah! Viu só! Taí a prova de que os livros desse grande escritor foram “moídos” em Hollywood dando origem a filmes medonhos.
Vamos recordar nesse post alguns grandes sucessos literários de Sheldon que por incompetência seja lá de quem for – diretor, produtor, roteirista,  estúdio ou etc – acabaram dando origem a filmes catastróficos... mas tão catastróficos que acabaram caindo no esquecimento, ou melhor, nem sequer chegaram a ser lembrados um dia.
01 – “A Outra Face”  (Livro: 1970 – Filme: 1984)
Cartaz do filme "A Outra Face" com
Roger Moore
Primeiro romance de Sidney Sheldon, lançado em 1970 e de cara já faturando o prêmio de “Melhor livro de estréia” no Edgar Allan Poe Award de 1971. A obra foi muito elogiada pela crítica dando a Sheldon o status merecido no mundo da literatura, abrindo-lhe as portas do sucesso. “A Outra Face” abriu as portas do sucesso para Sidney Sheldon como escritor.
O livro conta a história de um psicanalista famoso, chamado Judd Stevens que, de repente, se vê  envolvido numa intrincada sucessão de assassinatos. A primeira vítima é John Hanson, um pai de família com tendências homossexuais, a sua secretaria, Carol Roberts vem logo a seguir e depois vários de seus pacientes. É então, que ele resolve investigar por conta própria essas mortes. Li o livro e adorei: puro mistério, pura emoção. Mas num belo dia, há exatos 14 anos após o lançamento do livro, eis que surge um sujeito chamado Bryan Forbes se propondo a dirigir e adaptar o romance de Sheldon para as telonas. Dessa maneira, para a tristeza geral da nação seria lançado em 1984, nos principais cinemas do País, o filme baseado no livro “A Outra Face”, tendo no papel principal, Roger Moore. A produção cinematográfica passaria completamente despercebida nos cinemas brasileiros. Roteiro fraco, direção “no machado” e atores simplórios, à exceção de Roger Moore que deve ter se arrependido amargamente por aceitar trabalhar nessa produção.
02 - O Outro Lado da Meia Noite (Livro: 1974 – Filme: 1977)
Marie-France Pisier que viveu no cinema a Noelle Page do romance de Sheldon
Uma verdadeira obra prima criada por Sidney Sheldon, mas que não teve o tratamento merecido nos cinemas. Apesar de contar com duas atrizes consideradas as grandes revelações da época: Marie-France Pisier (musa do cineasta France François Truffaut) e Susan Sarandon (que viria se tornar a grande atriz que é hoje); o elenco masculino estava recheado de canastrões e atores sem nenhuma expressão, todos eles sendo conhecidos apenas por pontas ou papéis pequenos em filmes mais pequenos ainda.
John Beck (Larry Douglas) e Susan Sarandon
(Catherine Alexander)
Marie-France Pisier que morreu no passado, viveu a enigmática e sensual Noelle Page, enquanto à Sarandon coube interpretar a tímida Catherine Alexander. As duas cumpriram as suas obrigações e se saíram muito bem, apesar da Noelle do livro ser loira e a atriz Marie-France morena; mas o time masculino: cag... e sentou em cima; me desculpe a expressão chula, mas não encontro outra para definir as interpretações medíocres de John Beck que viveu o personagem Larry Douglas; Raf Vallone, na pele de Constantin Demeris e Charlles Ciof, como o advogado cômico e astuto como uma serpente, Napoleon Chotas. Resultado: os homens trituraram a obra de Sheldon na telona. Quanto ao diretor desse fracasso de bilheteria, Charles Jarrot e o roteirista, Herman Raucher prefiro não se manifestar.
Resumindo: enquanto o livro “ O Outro Lado da Meia Noite” só recebeu criticas favoráveis, colocando Sidney Sheldon na seleta lista de escritores “Top Line”, o filme baseado na obra naufragou no cinema como o Titanic; mesmo assim, foi o menos pior de todos.
03 – Um Estranho no Espelho (Livro: 1976 – Filme: 1993)
Um dos livros de Sheldon que mais me impressionou pela dramaticidade. Com toda certeza daria um filmaço se o estúdio responsável contratasse diretor, roteirista e atores competentes. Se, por algum motivo,  um filme não vingasse; talvez uma minisérie para a TV cairia como uma luva; mas novamente deram um tombo no “pobre” do Sheldon. Pegaram a sua história e meteram o machado. Isso mesmo, os lenhadores foram Charles Jarrott, que inclusive já havia dirigido “O Outro lado da Meia Noite”, há 16 anos, e Stirling Silliphant, que fez a adaptação do roteiro.
Juro que levei um choque quando descobri que Jarrot conduziu com maestria as filmagens do clássico de 1972, “Horizonte Perdido”, que arrancou elogios da critica mundial; e que Silliphant fez duas adaptações que ‘bombaram’ nos anos 70, consideradas verdadeiras obras primas da sétima arte. São elas: “O Destino do Poseidon”, não aquela refilmagem merreca de  2006 do diretor alemão Wolfgang Petersen, mas o clássico de 1972 com o Gene Hackman na pele do Reverendo Frank Scott, e “Inferno na Torre” com Paul Newman, um clássico do “cinema catástrofe” de 1974. Não me perguntem como esse diretor e esse roteirista, mataram a história de Sheldon a golpes de machado. O filme, de tão ruim, passou despercebido na maioria das emissoras de TV e foi massacrado pela crítica. A história de “Um Estranho no Espelho” gira em torno de dois personagens: Toby Temple, um comediante famoso e adorado pelo seu público, mas ao mesmo tempo, um tremendo mau caráter, e Jill Castle que tinha o sonho desde criança de se tornar atriz, por isso, quando cresceu decidiu ir para Hollywood, mas descobriu que tinha de usar o corpo para vencer na indústria cinematográfica. O destino desses dois personagens acaba se cruzando de uma maneira dramática no decorrer do livro. Um enredo eletrizante onde paixão, amor, ódio e vingança dão as cartas. Quer dizer... eletrizante no livro; quanto ao filme... bem... melhor esquecer.
04 – O Reverso da Medalha (Livro: 1982 – Filme: 1984)
Muitos críticos e grande parte dos leitores aficionados à Sheldon julgam “O Reverso da Medalha” como o melhor livro de toda a carreira do escritor. Personagens complexos e carismáticos, reviravoltas inesperadas na história, enfim, uma verdadeira saga. Aqueles que quiserem conhecer melhor o enredo do livro bastam ler um post que publiquei recentemente nesse blog.
Dois anos depois do lançamento desse Best-seller, um novo lenhador com um machado hiper-afiado chamado Alvin Boretz decidiria adaptar o roteiro do livro para uma minissérie na televisão americana. Alvin, literalmente, trucidou a belíssima história de Sidney Sheldon, cortando passagens importantes do livro e incluindo outras de pouco interesse; mas a culpa do fiasco da minissérie não cabe somente à ele. Os produtores também deixaram evidente a sua falta de sensibilidade ao selecionar um elenco de atores e atrizes muito fraco para viverem personagens tão especiais como Kate Blackwell, Jammie McGregor, Eve, David Blackwell, entre outros. Para que você tenha uma idéia, basta dizer que Liane Langrand que interpretou duas personagens: as irmãs gêmeas Eve e Alexandra, a primeira diabólica e dissimulada e a outra, passiva e inocente; antes de ser convidada para trabalhar em “ O Brilho do Poder” (a minissérie foi batizada com esse nome) só tinha atuado em um único filme, uma produção trash chamada “A Casa do Demônio Assassino”. Uhauuuu! O nome é esse mesmo! Acredite! E depois do dito cujo, Liane Langrand só trabalhou em outras três produções: “Trapaceiros da Loto”, “ Resgate do Passado” e “O Brilho do Poder”. Sua última atuação como atriz foi em 1987. Então, surge um diretor metido a sabichão e convidada a moça para viver uma personagem dupla, entre elas, Eve, talvez, uma das mais emblemáticas no enredo de Sheldon.
Quanto aos atores que representaram outros personagens, novamente, prefiro ficar de boca calada; aliás vou falar o que? Que a maioria dessa trupe só trabalhou em um ou três filmes em toda a sua carreira artística?
05 – A Herdeira (Livro: 1977 – Filme: 1979)
Cartaz do filme "A Herdeira" (Bloodline)
com Audrey Hepburn e Ben Gazarra em
destaques
Em “A Herdeira”, Sheldon conta a história de Elizabeth Roffe que após a morte do pai, Samuel Roffe, se torna a herdeira de uma empresa farmacêutica conhecida mundialmente. Depois que assume a presidência do conglomerado industrial, ela descobre que a empresa vem sendo vítima de sabotagem e que o sabotador pode ser a mesma pessoa que matou o seu pai. A partir daí, o leitor é “ sugado”  para um enredo recheado de perseguições e assassinatos. Um livro apaixonante e intrigante para quem gosta de mistério e emoção.  Quanto ao filme... vocês já sabem.
“A Herdeira” estreou nos cinemas em 1979 sob uma chuva de críticas e as piores possíveis. O filme foi tão implodido que ficou em cartaz por poucas semanas em um número reduzido de salas.
A atriz Audrey Hepburn já estava, praticamente, em final de carreira quando aceitou o convite do diretor Terence Young para viver nas telas Elizabeth Roffe, a personagem principal do romance de Sheldon.
Quer saber de uma coisa? Não posso acreditar que “A Herdeira” contou com a direção do gênio Terence Young. Não dá para acreditar mesmo! Esse cara dirigiu entre outras pérolas: “Moscou contra 007”, “007 Contra Chantagem Atômica”, “007 Contra o Satânico Dr. No” , além do clássico “Sem Tempo para Morrer”, de 1954.
Atriz Audrey Hepburn, no auge de sua beleza
Em “A Herdeira” temos a impressão de que Young desaprendeu tudo, perdendo aquela genialidade que transformou roteiros simples em verdadeiras obras de arte, graças à sua direção. Em “A Herdeira” o que vemos são tomadas e closes exagerados em Audrey Hepburn, cortes esquisitos, além de outras barberagens.
Explicar o fracasso do filme. Sei lá... o roteiro não fugiu tanto da obra escrita, já que contou com a supervisão de Sidney Sheldon; nesse caso, acredito que os lenhadores foram os atores, atrizes e a direção de Terence Young.
Além dessas cinco bombas homéricas do cinema e TV baseadas em obras ilustres de Sidney Sheldon, podemos citar outras que tiveram o mesmo destino nas telas: “A Ira dos Anjos” (minissérie de TV), “ Se Houver Amanhã” (“minissérie de TV), “ Um Capricho dos Deuses” (minissérie de TV), “Nada Dura para Sempre” (Filme lançado apenas em vídeo), “Areias do Tempo” (Filme lançado apenas em vídeo) e “Lembranças da Meia Noite” (Filme lançado apenas em vídeo).
Finalizo esse post deixando um questionamento no ar: “Porque livros tão bons deram origem à filmes horríveis?”

10 fevereiro 2012

Marina

Carlos Ruiz Zafon e a sua Marina me fizeram pagar o maior mico da minha vida. Vejam bem, sempre procurei nos meus posts ser o mais sincero possível com vocês e não é agora que debulhei lágrimas ao ler um livro de Zafon que vou esconder da galera. Taí! Revelei! Chorei e chorei, de fato, como se estivesse lendo uma obra do Nicholas Sparks ou então assistindo um filme lacrimoso da minha geração do tipo “Love Story” ou “Uma Janela para o Céu”. E agora vem o pior: ch....orei em público. Cara! Que micão!!! Teve até um casal de namorados que estava sentado no banco de frente ao meu que me olhou assim... meio de “esgueio”. O rapaz deve ter pensado: “Esse cara é pinéu; chorando ao ler uma obra de Zafon??!”
Pois é, infeliz hora que decidi ler as últimas páginas de “Marina” em público num clube de campo da minha cidade. Pode acreditar, os três últimos capítulos da obra do autor espanhol arrebenta o mais duro dos corações. É nessa hora que o pequeno Oscar Drai desvenda todo o mistério envolvendo a sua querida e amada Marina.
Sei que é estranho alguém derramar lágrimas ao ler um enredo criado por um autor especialista em tramas de suspense, mistério e com algumas pontinhas de sobrenatural como aconteceu nos Best-Sellers “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”. Ocorre que “Marina” é uma obra que foge, um pouco, das características de Zafon. Tudo bem que ele mantenha o seu estilo narrativo direcionado para o suspense, mistério, sobrenatural e aventura, mas também acrescenta um outro elemento, pelo menos desconexo de suas obras anteriores e posteriores: o amor incondicional.
Quem já leu “A Sombra do Vento” pode discordar ao afirmar que Zafon explorou muito bem esse sentimento na relação do casal de protagonistas Daniel Sempere e Bea Aguilar, mas cá entre nós, o amor que Oscar Drai nutre por Marina e vice-versa, não se compara ao do casal de “A Sombra do Vento”. Como já disse, tanto Oscar quanto Marina alimentam um pelo outro, o chamado amor incondicional. Um sentimento capaz de transformar o pior defeito da pessoa amada na mais bela das virtudes. Portanto, acredito que o meu choro ao ler os três últimos capítulos do livro está justificado (rs).
Comentando, agora, a obra no seu todo, só tenho a dizer que “Marina” é o tipo do livro para se ler numa ‘tacada’ só. O enredo te prende do início ao fim e faz com que o leitor, mesmo cansado e todo arrebentado depois de um dia extenuante de serviço, acabe brigando com o sono para poder continuar lendo sempre uma página a mais.
Zafon cria um enredo de suspense envolvente na antiga Barcelona dos velhos casarões. Oscar Drai, um garoto de 15 anos que estuda num internato, passa o seu tempo livre andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões que desperta a atenção do garoto que logo resolve se aventurar no interior da construção. O motivo que levou o pequeno Oscar a entrar na casa foi a voz linda e suave de uma mulher reproduzida num vitrolão. Ao mesmo tempo, ele fica completamente vidrado num relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas, ele se assusta com uma presença na sala e acaba fugindo com o relógio. Depois de alguns dias, Oscar retorna ao casarão para devolver o objeto roubado, e então... conhece Marina.
A bela jovem de pele branca como leite e olhos cinzentos pergunta se Oscar gosta de aventura. Ao ouvir um sim como resposta, ela convida o garoto para irem juntos à um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério. A partir daí, o leitor é, literalmente, engolido para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Oscar e Marina, que vão correr em busca da verdade.
Além de Oscar e Marina, o livro de Zafon presenteia o leitor com a história de outros personagens misteriosos que ao longo de suas 189 páginas vão revelando os seus segredos. Temos Germán, o pai da garota, que perdeu a esposa de uma maneira trágica e triste. E apesar de Marina ter tido uma participação indireta na morte da mãe, o amor que Germán sente pela filha é algo insuperável. Durante o desenvolvimento do enredo, ficamos sabendo como foi o nascimento tumultuado de Marina e também a bela história de amor de seus pais que está intimamente ligada ao relógio quebrado encontrado por Oscar.
Mas sem dúvida nenhuma, o eixo principal do romance de Carlos Ruiz Zafón gira em torno do misterioso imigrante de Praga que conquistou fama e fortuna na Barcelona de décadas passadas e de sua esposa, mais misteriosa ainda.
Em busca da verdade sobre a morte terrível do casal; Marina e Oscar se envolvem em várias situações perigosas e aos poucos vão desnudando o grande mistério. Garanto que a descoberta da verdade é de tirar o fôlego, trágica ao extremo. Esta verdade é revelada com a ajuda da misteriosa mulher de manto negro; aquela que visita a sepultura sem nome no cemitério, sempre no mesmo dia e horário.
Uma revelação que inclui manequins vivos, estufas assombradas e criaturas deformadas. Enfim, uma verdade surpreendente, daquelas que muda todo o contexto da história que você vinha construindo em sua cabeça desde as primeiras páginas.  
No final desse post, gostaria de fazer uma observação importante: “Marina” foi escrito bem antes de “O Nome do Vento”, e como o próprio Zafon afirma: é a sua obra favorita.
Uma leitura que vale a pena, mas cuidado com os três últimos capítulos para não pagar um mico em público como eu.

05 fevereiro 2012

Elvis e Eu

E cá estou para falar novamente do “Rei do Rock”. Apesar de já ter comentado sobre a obra de Priscilla Beaulieu Presley e Sandra Harmon no post “Livros sobre Elvis Presley: os bons e os ruins”, acho que “Elvis e Eu” merece um tópico só seu. A obra é muito boa, ou melhor, é excelente. Por isso, se deixasse de escrever um post dando mais detalhes sobre as suas 195 páginas, com certeza estaria cometendo uma grande injustiça.
Apesar de muitos pseudo-intelectuais criticarem à exaustão o livro de Priscilla, considero-o uma referencia sobre a vida do cantor que faleceu no dia 16 de agosto de 1977 deixando uma lacuna insubstituível no mundo do rock.
Tenho o hábito de dizer que “Elvis e Eu” é uma ‘biografia honesta’ sobre o cantor, diferenciando-se de outras do gênero que foram lançadas por vingança ou exclusivamente com o intuito de faturar às custas do “Rei”. Como já escrevi no post “Livros sobre Elvis Presley: os bons e os ruins”, não dá para ler nem de graça um livro do tipo “Elvis, O Que Aconteceu?”, escrito por Sonny West, Red West e Dave Hebler, ex-guarda-costas do cantor. O trio teria sido demitido por causa da sua truculência, principalmente com as fãs de Elvis, algo que “The King” não aceitava. Reza a lenda que após ser alertado pelo seu pai Vernon; Elvis não pensou duas vezes e excluiu os três brutamontes da famosa “Máfia de Menphis”, como era conhecida a sua trupe que vivia com ele em Graceland.
Após serem demitidos, Sonny, Red e Dave despejaram um caminhão de excrementos em Elvis. Cara, o livro não aborda nenhum aspecto positivo do “Rei”! É bomba prá todos os lados! Desculpem-me aqueles que gostaram do livro, mas para mim “Elvis, O Que Aconteceu?” foi escrito sob o estigma da vingança. Do tipo: “Ele nos demitiu, não é? Então vamos dar o troco!”.
Na contramão, está a obra “Elvis e Eu”, escrita por Priscilla com o apoio de Sandra Harmon. Vale lembra que Priscilla foi o grande e único amor na vida de Elvis. Tudo bem, que a vida do casal com o passar dos anos se transformou num verdadeiro inferno recheado de traições, brigas e ofensas, mas apesar do relacionamento tempestuoso, os dois, mesmo após a separação, nunca deixaram de se respeitar e de gostar um do outro. Elvis deixa isso evidente em sua música “Always on my mind”, onde faz uma verdadeira declaração de amor à sua ex-mulher; e Priscilla, por sua vez, afirma em sua obra que Elvis foi o seu único e verdadeiro amor; a pessoa mais importante de toda a sua vida. Isso fica mais do que provado num trecho de seu livro onde escreve: “Elvis ensinou-me tudo: como me vestir, como andar, como aplicar maquiagem e arrumar os cabelos, como me comportar, como retribuir o amor... à sua maneira. Ao longo dos anos, ele se tornou meu pai, marido e quase Deus”... “Agora que ele estava morto, eu me sentia mais sozinha e com mais medo do que em qualquer outra ocasião de minha vida”.
Casamento de Elvis e Priscilla
Mesmo separados, Elvis e Priscilla continuaram sendo verdadeiros amigos, com Elvis dando uma importância enorme aos conselhos de Priscilla, e vice-versa.
Ok, ok... você pode estar pensando agora: “Pô, se ambos se respeitavam tanto, então o livro deve ser uma verdadeira puxação de saco, uma babaquice!”. Mero engano. Priscilla abre as comportas de seu coração e conta tudo: os momentos bons e também os péssimos. Porque ela fez isso? Sinceramente, não sei; aliás só ela deve saber esses motivos. Já há algum tempo, acompanhei uma entrevista de Priscilla, onde ela disse que optou por escrever o livro para que os fãs conhecessem o Elvis verdadeiro em sua intimidade com as suas virtudes, mas também com os seus defeitos. Na época, Priscilla deixou no ar que temia que autores oportunistas lançassem obras mentirosas e sensacionalistas “criando um Elvis” e não “escrevendo sobre Elvis”. Quem sabe, por isso, ela decidiu abrir as comportas sobre a vida íntima do “Rei do Rock”, despejando nas páginas as coisas ruins e também as boas. Sei lá, como já disse, a verdade está em sua cabeça e na de mais ninguém. O que importa é que o livro está aí, e é considerado, por muitos, incluindo o blogueiro de primeira viagem aqui, referência no ‘mundo biográfico’ de Elvis.
O livro foi escrito em 1985 e Priscilla contou com a ajuda da escritora Sandra Harmon. A obra é um relato – sem meias verdades – do que aconteceu entre quatro paredes na vida do casal. A obra começa com Priscilla explicando em detalhes como conheceu Elvis na Alemanha Ocidental, em 1959, quando o cantor prestava o serviço militar. Ela morava no Texas e tinha sido obrigada a se mudar para a Alemanha, já que o seu pai, um oficial da Força Aérea Americana, havia sido transferido para aquele País.
O trecho onde ela é apresentada à Elvis é narrado em profusão de detalhes e com isso, o leitor é presenteado com um “panorama oficial” da intimidade do roqueiro em sua casa na Alemanha. O que ele comia, o que fazia, o que conversava, se era metido ou não, tímido ou extrovertido; enfim, o livro, logo de cara, já nos mostra como Elvis era nos seus 23 ou 24 anos.
Ficamos sabendo também como foi o encontro de Elvis com o pai de Priscilla e o momento em que o Sr. Beaulieu tasca na cara do Rei: “Quais são realmente as suas intenções? Vamos ser francos. Você é Elvis Presley, tem todas as mulheres do mundo a seus pés. Por que esse interesse por minha filha?”. E diga-se, que Elvis estava acompanhado de seu pai Vernon, mesmo assim, o Sr. Beaulieu não se intimidou e encurralou o cantor. A tensão desse primeiro encontro é narrada com riqueza de informações. A autora conta que a educação à toda prova de Elvis acabou desmontando o seu pai.
Um ponto positivo para a obra de Priscilla e Sandra Harmon é que através dela passamos a conhecer também a intimidade dos pais de Elvis. Tomamos conhecimento da relação ultra-protetora de Gladys e Elvis. Essa relação chegava a tal ponto que tanto Elvis quanto a sua mãe não conseguiam viver tanto tempo um longe do outro. Para Priscilla, o momento em que Gladys soube que o seu filho teria de passar um ano na Alemanha por causa de sua convocação para o Exército americano, uma estranha doença se apossou de seu corpo. Priscilla revela que Elvis estaria convencido de que sua mãe havia renunciado a continuar vivendo. O amor que ela sentia pelo marido Vernon e o filho era tão grande que não poderia suportar a perda de nenhum dos dois. Para ela, Elvis iria servir o Exército e por isso corria risco de morrer.
Outra comporta secreta da família Presley aberta por Priscilla em seu livro, envolve a relação amorosa entre Vernon e uma outra mulher por quem ele estaria apaixonado. Elvis não aceitava que seu pai estivesse com outra mulher somente poucas semanas após a morte de Gladys. A partir desse momento e devido a esse fato, a relação de Elvis e Vernon passaria a ser bem conflituosa.
Elvis e Priscilla saindo do Tribunal após
formalizarem o divórcio (1973)
Priscilla conta ainda sem “papas na língua” como eram os períodos em que Elvis “surtava” por causa do coquetel de drogas medicamentosas que tomava. Neste capítulo, ela tenta dar uma explicação coerente dos motivos que levaram Elvis a entrar de cabeça nessas drogas pesadas.
Em outros trechos, revela que era traída na “cara dura” e que por se sentir sozinha e abandonada, em determinada fase de seu casamento, acabou se envolvendo com o instrutor de karatê do “Rei”.
O relacionamento entre Elvis e o seu empresário “Coronel” é outro tema explorado pelas autoras. “Coronel” comandava a vida de Elvis dentro e fora do palco, tanto que a idéia do cantor se alistar no Exército teria sido de seu empresário.
Mas Priscila não cita somente os momentos ruins vividos com “The Pelvis”; por exemplo, ela fala do carinho que Elvis lhe dava, principalmente quando ficou grávida de Lisa-Marie.
Os bastidores dos shows  do cantor também são citados, inclusive as suas últimas apresentações, já no fim de uma carreira brilhante. Confesso que foi triste encarar as páginas que mostravam um Elvis decadente, isso, um ano antes de sua morte. Priscila e Harmon contam que por volta de 1976 todos estavam ficando alarmados com o estado mental de Elvis, além de sua aparência física. Num texto dramático e triste, elas contam que o rosto do Rei estava inchado e o corpo anormalmente pesado. Ele começava a esquecer as letras de suas músicas no palco, passando assim, momentos constrangedores. Devido ao seu estado decadente, em 1976,  muitos de seus shows chegaram a ser adiados.
Enfim, “Elvis e Eu” é um livro aberto, sem trancas e chaves, sobre a vida de Elvis Aaron Presley; mas uma obra honesta que aborda não só os fatos ruis, mas também os momentos memoráveis de “The King”.
Vale a pena, os fãs de Elvis, garimparem os sebos à procura desse livro!
Em tempo! O livro traz como brinde várias fotos sobre momentos distintos na vida de Elvis e Priscilla.

02 fevereiro 2012

Mundo Perdido

(O texto tem alguns spoilers) Infelizmente existem, ainda,  muitas pessoas que deixam de ler um livro somente porque a sua história foi adaptada para o cinema. Elas preferem assistir ao invés de ler o enredo; ou por impaciência de encarar 300, 800 ou até 1.000 páginas ou então, simplesmente porque não gostam de ler.
Não sei porque tenho uma sorte danada em encontrar pessoas que pensam dessa maneira. Para elas, basta assistir um film para dispensar a leitura do livro. Todas as vezes que tentei argumentar com elas acabei me dando mal. Cheguei a conclusão que a maioria daqueles que tem essa ideologia, são muito intransigentes e não aceitam em hipótese alguma uma contra-argumentação, do tipo: “olha fulano, acho que o enredo do livro é bem superior ao da tela grande”. E, então, quando insistimos... ai, ai, ai... a coisa complica. Por isso, quando encontro alguém com essa linha de raciocínio e o papo sobre o assunto começa a fluir, apenas ouço, ouço e ouço... nada mais. Evito entrar em detalhes, como fiz há algum tempo quando estava num ônibus seguindo para São Paulo numa noite chuvosa. Meu companheiro de viagem, quer dizer, além de um senhor calvo de aproximadamente 40 anos sentado ao meu lado, era o livro “Mundo Perdido”, de Michael Crichton. Cara! Eu não estava lendo, estava devorando com avidez as suas páginas, não me incomodando nem um pouco com a rala “iluminação de bico”; aquela que fica no teto do ônibus, sobre as poltronas dos passageiros. Inesperadamente, o senhor calvo, engravatado e bem vestido, com pinta de executivo, disparou a bomba: - “Pra que ficar sofrendo nessa semi-escuridão (isso mesmo que ele disse: ‘semi-escuridão), assiste ao filme que é a mesma coisa”. Depois desse petardo, esperei um pouco até passar o atordoamento e perguntei: “O senhor já leu o livro?” De imediato, ele respondeu: “Claro que não! Pra que perder tempo se eu tenho o cinema? Tudo o que está nessas páginas eu já vi”. Bem, depois desse massacre me senti o próprio soldado combatente estirado no fundo de uma trincheira, com o corpo despedaçado por um morteiro. Então,  pensei com os meus botões: “pobre coitado, mal sabe ele que assistiu a um filme que não tem nada a ver com o livro de Michael Crichton; um verdadeiro engodo”.
E é dessa maneira que classifico o filme “Mundo Perdido”, de Steven Spielberg, considerado a sequencia de “ O Parque dos Dinossauros, um engodo, sem nenhuma semelhança com a obra maravilhosa escrita por Crichton. Filme e livro são dois estranhos.
Prá começar, Spielberg optou por cortar os dois personagens principais do romance: o paleontólogo Richard Levine e o cientista da empresa de tecnologia genética Biosyn, Lewis Dodgson. Os dois, juntamente com o matemático Ian Malcolm formam a trinca do romance. Considero, inclusive, Levine e Dodgson bem mais importantes para o desenvolvimento do enredo do que o próprio Ian Malcolm.
Mas pêra lá! Estou aqui para falar do livro e não do filme... Então vamos lá. Virando o vinil. Já quero dizer logo de cara que “Mundo Perdido”  está no mesmo nível de “O Parque dos Dinossauros”, mas com algumas vantagens, o que o torna melhor do que o seu antecessor. Crichton não perde tempo com explicações longas e cansativas sobre manipulação genética, dinossauros de proveta, explicações técnicas sobre as características dos animais pré históricos; Sitio A e B, nada disso. De maneira inteligente e objetiva, ele explica apenas o essencial para que o leitor tenha uma noção do lado científico do romance. No mais, a ação e o suspense correm soltos, prendendo a atenção do mais distraído dos leitores.
Os personagens, também, são mais carismáticos do que os do “Parque dos Dinossauros”. Richard Levine e Sara Harding engolem Alan Grant e Ellie Satller. Os dois primeiros são personagens bem mais complexos, contrariando os padrões convencionais nos quais se encaixam os “certinhos” Alan e Ellie.
O jovem paleontólogo Richard Levine, durante quase todo o romance, se revela um homem dinâmico, destemido e de uma auto-confiança a toda prova. Ao mesmo tempo, Levine é inconseqüente, egocêntrico e egoísta. Perto do final da história, quando o grupo de pesquisadores encontra-se em papos de aranha, cercados por velociraptores e carnotauros num abrigo pequeno e volútil, correndo risco de morte, Levine mostra uma outra fecta de sua personalidade: o lado covarde. É então que Sara Harding, a bióloga especializada em grandes predadores,  assume a liderança do grupo para enfrentar as feras pré-históricas. Apesar de ser o tipo de mulher independente e autoritária, acostumada a dormir por vários dias e várias noites na selva africana perto de leões e outros perigosos predadores, não se preocupando com a aparência ou maquiagem, ela não consegue esconder que no fundo é uma mulher atraente, delicada e sensível. Esse lado “maneiro”de Sarah quase sempre vem a tona quando ela está ao lado do matemático Ian Malcolm, pelo qual tem uma admiração e respeito enormes.
Crichton nos brinda ainda com um vilão de primeira linha: Lewis Dodgson. Se em “O Parque dos Dinossauros”, o cientista responsável pelo setor de estudos e desenvolvimento da Byosin, teve uma aparição ínfima, sendo citado somente no momento em que negociava com Nedry,  a compra de embriões congelados de várias espécies de  ‘dinos’ roubados da concorrente In Gen; em “Mundo Perdido”, Dodgson dá um verdadeiro banho de vilania. Por isso, com certeza já o coloquei na galeria dos piores vilões da literatura de todos os tempos. Além de inescrupuloso, sádico e ladrão, o sujeito ainda tem um instinto assassino. Elimina todos aqueles que se colocam em seu caminho ou então discordam de suas idéias.
Além desses personagens, há também um Ian Malcolm mais sarcástico do que nunca, o que faltava no livro anterior. Não posso me esquecer também do Dr. Thorne, o engenheiro- projetista que criou todos os veículos usados na localização dos dinossauros na Ilha Sorna.
A história de “Mundo Perdido” se passa seis anos depois do desastre secreto no “O Parque dos Dinossauros. Neste período, a Ilha Nublar foi fechada e os dinossauros eliminados. Bem... pelos menos se achava isso. Tudo se modifica quando estranhos animais começam a ser encontrados mortos na região costeira da Costa Rica. Isso é o suficiente para despertar o interesse de várias firmas de biotecnologias. O governo da Costa Rica tenta, de todas as formas, “abafar” o caso, mas não consegue. A proliferação dos boatos, aumenta a curiosidade do paleontólogo, Richard Levine que decide esclarecer o mistério. Ele organiza uma expedição a Ilha Sorna com o objetivo de encontrar o mundo perdido. Malcolm e Harding são convidados pelo paleontólogo a integrar a trupe de exploradores. Em resumo, esse é o enredo da sequência de “O Parque dos Dinossauros”.
Se no primeiro livro, o autor trabalhou com a hipótese de se criar, geneticamente, dinossauros em laboratórios a partir do DNA de mosquitos presos no âmbar de árvores, e que no passado picaram animais pré-históricos; desta vez, Crichton aborda o tema extinção dos “dinos”. O autor – através de seu personagem Ian Malcolm – questiona se realmente a causa da extinção dos dinossauros da face da terra foi a queda de um meteoro. Ele deixa no ar se os animais não deixaram de existir devido a um problema comportamental, ou seja, não conseguiram se adaptar a um novo eco-sistema.
Ainda, durante a leitura do romance, descobrimos que a Biotecnologics In Gen, na realidade, “fabricava” dinossauros de maneira aleatória na Ilha de Sorna, conhecida como “Sítio B”, localizada a mais de 100 milhas da Costa Rica, depois quando eles chegavam perto da maturidade acabavam sendo transportados para a ilha Nublar que nada mais era do que uma vitrine de exposição dos dinossauros já desenvolvidos. Todos os experimentos genéticos eram realizados em Sorna.
A dúvida que paira no ar é se o governo costa-riquenho também tinha conhecimento dessa ilha, considerada o berço de várias espécies de “dinos”; se não tinham, certamente, os filhotes dos animais continuaram se desenvolvendo. Em fim, essa é a temática central de “Mundo Perdido”. Mas vamos deixar de lado o bla-blá-blá científico e partir para a ação. Crichton provou que é mestre em descrever essas cenas, como no momento em que Arby, um adolescente que acompanha o grupo, ao cair de uma árvore, consegue se refugiar de um bando de velociraptores numa gaiola de metal. Os animais que são as “estrelas” dos dois livros de Crichton, saem chutando a gaiola com suas garras letais de 15 centimetros, correndo atrás do equipamento como se fosse uma bola de futebol. Eles querem levar a gaiola junto com o garoto para os ninhos onde estão os filhotes. Em motos ultra-equipadas, Sarah Harding, Dr. Thorne e apequena Kelly, amiga de Arby, comandam uma perseguição de vida ou morte aos velociraptores, na esperança de salvar o garoto. Esse capítulo tem dois momentos antológicos: o soco que Sarah desfere no focinho do animal quando ele está prestes a atacá-la e a perseguição de moto a um velociraptor que está com a chave da gaiola enroscada nos dentes. Sarah conduz a moto com Kelly na garupa, numa perseguição desenfreada ao animal, passando por debaixo de um bando de apatossauros que foge em pânico dos velociraptores. O risco da moto com as duas mulheres ser esmagada pelas patas dos dinossauros é muito grande. Juro que não larguei o livro um minuto sequer, até a conclusão do capítulo.
Outro trecho que merece destaque é o ataque do temível tiranossauro rex a um dos personagens da história. O animal leva a pobre vítima atordoada presa em sua boca até o ninho para servi-lo de jantar aos seus filhotes. Puro suspense, pura adrenalina. Confira esse pequeno trecho e veja se não estou com a razão: “O tiranossauro estava muito perto. Ele (não vou citar o nome do personagem por causa de spoiler) sentia o cheiro de podre do carnívoro... “Rolando no ar, caiu da boca do tiranossauro. Dentro das paredes de terra haviam três filhotes no ninho. Ele viu os filhotes se aproximando dele com os dentes afiados. Os corpos dos filhotes estavam cobertos de carne podre e escremento. O cheiro era horrível. Então alguma coisa segurou a sua perna; ele olhou para trás e viu...” Bem, já deu pra sentir como a narrativa é “pesada” e exige nervos e estomago de aço do leitor.
Esses são apenas dois pequenos exemplos para confirmar que, de fato, vale à pena a leitura de “Mundo Perdido”. Poderia citar ainda o ataque de um grupo de  velociraptores à uma vítima horrorizada que tentava roubar ovos dos dinossauros ou então a perseguição do Tiranossauro Rex a uma moto conduzida pelo Dr. Thorne com Levine na garupa ou ainda, o ataque do tiranossauro ao trailler de pesquisa onde Sarah e Malcolm cuidam de um filhote de Rex com a pata fraturada. Enfim, momentos de pura emoção; momentos aflitivos como costumo dizer. Crichton não poupa detalhes na descrição dos ataques dos animais.
Um livro que não dá pra deixar de ler... ao contrário do filme.
Em tempo: A rápida aparição dos carnotauros no final da história já vale a leitura do romance de Michael Crichton.
Inté!

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