20 setembro 2026
O casal que mora ao lado
— Não acredito que você vai nadar
novamente contra a maré após ter lido esse livro!
— Acho que vou.
— Mas eu li e gostei muito.
— Pois é, mas eu achei a narrativa
morna e, muitas vezes, cansativa. Sem contar o final chocho.
— O quê?! Chocho?! Ih!! Pirou de vez.
Galera, taí uma parte do diálogo que
eu tive com a Lulu logo após ter lido O Casal que Mora ao Lado, da
conhecida escritora canadense Shari Lapena. A Lulu amou; eu não gostei.
Confesso que pelejei para terminar a leitura.
A narrativa se torna lenta em
diversos trechos, o que me fez abandonar temporariamente a história várias
vezes até que o desejo de retornar à leitura voltasse. Achei as interações do
detetive Rasbach com os personagens do enredo demoradas e cansativas. Ele é o
policial que investiga o sequestro de uma bebê e cada vez que confrontava um
suspeito, era um “Deus nos acuda”, já que quebrava o ritmo da narrativa.
Outro detalhe que prejudicava a
fluidez eram os diálogos entre os dois personagens principais, Anne e Marco,
que muitas vezes fugiam do foco principal da história. E, por fim, achei os
personagens centrais sem carisma; sei lá... mornos. Anne e Marco, Cynthia e
Graham, Richard, além do detetive Rasbach, não tiveram o carisma necessário
para segurar o meu interesse. Aliás, é muito difícil se conectar profundamente
com Anne, Marco ou os vizinhos. Quando não conseguimos torcer ou ter empatia
real pelos personagens, acompanhar o sofrimento deles por tantas páginas se
torna uma tarefa cansativa.
Outro ponto é que o livro se passa em
grande parte dentro de ambientes fechados (a casa do casal, a delegacia). Como
a polícia e os pais passam muito tempo sem pistas concretas do sequestro no
início, os diálogos e interrogatórios acabam parecendo repetitivos, dando a
sensação de que a história não sai do lugar.
Com certeza um grande número — e bota
grande nisso! — de leitores deve estar me “excomungando” neste momento, porque,
de acordo com os comentários nas redes sociais literárias e também nos portais
de livrarias virtuais (entre os quais o da Amazon), o livro de Lapena é quase
uma unanimidade ou, se preferirem, um cânone dos thrillers de suspense. Mas, no
meu caso, repito: não gostei pelos motivos que expus acima.
Lulu, sei que você ficou inconformada
comigo. Te conheço muito bem para saber que não irá aceitar de maneira alguma
os meus argumentos, então... aceite, pelo menos, as minhas desculpas, porque tenho
certeza que você amou o livro.
O Casal que Mora ao Lado narra o drama de Anne e Marco Conti.
Eles parecem ter a vida perfeita, até que em uma noite tudo desmorona.
Convidados para um jantar na casa dos vizinhos ao lado, eles decidem deixar a
filha bebê em casa, levando apenas a babá eletrônica e checando o berço a cada
meia hora. Mas, ao retornarem no fim da noite, as portas estão abertas e o berço
está vazio.
A partir do desaparecimento da
criança, uma investigação policial minuciosa começa a desenterrar os segredos
sombrios que cercam não apenas o crime, mas o próprio casamento de Anne e
Marco.
Entre acusações mútuas, memórias
confusas e vizinhos misteriosos, o livro é um suspense doméstico focado em
aparências e nas verdades desconfortáveis escondidas por trás das portas
fechadas de um bairro de classe alta.
Acho que é isso. Se contar mais,
acabo liberando spoilers para aqueles que pretendem ler o livro e, se você faz
parte desse grupo, de coração, espero que goste da obra, assim como a Lulu
gostou — gostou, não: amou.
15 setembro 2026
Amor à Primeira Vista: As Capas Mais Bonitas e Marcantes da Minha Estante
Já vi essa TAG em diversos blogs literários. Afinal, todos nós,
“devoradores de livros”, temos em nossas estantes aquelas obras com capas
incríveis que ocupam os melhores lugares nas prateleiras dos nossos cantinhos
de leitura. Para muitos, podem até ser consideradas capas comuns, mas, para
aquele leitor que comprou o livro, a tal capa tem um significado especial.
Tenho certeza de que você que lê esta postagem, assim como eu, já
comprou um livro pela capa ou tem em sua estante um lugarzinho especial para
aqueles layouts que julga mais bonitos. Confesso que já comprei alguns livros
por influência da “Dona Capa”, como se ela sussurrasse em meus ouvidos: “Veja
só como sou bonita... não vai me levar?”. Então, pronto: lá vou eu e agarro
capa e livro. Foi uma quantidade pequena de capas que conseguiu me seduzir, mas
existiram algumas. A maioria dos livros que comprei, no entanto, foi por
influência da sinopse ou do autor. E, mesmo adquirindo várias obras única e
exclusivamente pelo enredo, consegui obter capas fantásticas — pelo menos para
mim. No post de hoje, quero apresentar essas capas da minha estante, contar um
pouquinho das suas histórias e explicar o que elas representam para mim. Vamos
à nossa TAG!
01 – Box O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
| Editora: Zahar
Há muito tempo planejava ler a versão integral do clássico de Alexandre
Dumas. Na época, surgiram duas opções: o box com dois volumes da Zahar e a
edição em volume único da Martin Claret. Acabei optando pela Zahar por ser
dividida em dois volumes e assustar menos (rs). Digo isso porque não é fácil
encarar de uma vez só mais de 1.300 páginas! Acho que dois volumes assustam
menos (rs). Aliás, publiquei um post em 2020 no qual fiz uma análise detalhada
das publicações da Zahar e da Martin Claret (quem quiser pode conferir aqui).
Não me arrependo. O designer gráfico e ilustrador Rafael Nobre arrasou
ao criar capas de encher os olhos do mais frio dos leitores. A ilustração de
uma cela em formato de calabouço — na caixa que guarda os dois volumes —
representa fielmente o enredo de Dumas, ou seja, a prisão desumana do Castelo
de If, onde Edmond Dantès ficou encarcerado durante 14 anos.
Formado em Design Gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rafael Nobre desenvolve vários tipos de trabalhos diferentes diretamente de seu
estúdio: de catálogos e embalagens a peças promocionais, ilustrações e projetos
de livros. Além disso, ele sempre tenta organizar seu ritmo para a produção de
projetos autorais e artísticos.
Quanto aos dois livros que fazem parte do box, só me resta dizer que são
um show à parte. A ilustração da capa do primeiro volume, com detalhes em azul,
roxo e preto, representa o momento em que Dantès, cercado por guardas, é levado
em um barco para a prisão do Castelo de If. Já na capa do segundo volume, a cor
vermelha, em vários matizes, predomina representando uma espécie de pôr do sol.
Ao fundo, em preto, vemos o Conde de Monte Cristo já com todo o poder que o
tesouro descoberto lhe proporcionou, além da imagem, em segundo plano, do
Castelo de If.
A Zahar também deu um show na qualidade do material utilizado na
produção do box. Fabricada em papelão grosso de alta densidade, a caixa é
rígida e muito resistente, contando com uma leve textura porosa/arenosa ao
toque. Enfim, o projeto gráfico detalhado consegue transportar os leitores para
o clima da história.
02 – Conan, o Bárbaro (Robert E. Howard) | Editora:
Pipoca & Nanquim
Quando soube que a Pipoca & Nanquim iria lançar individualmente uma
trilogia de Conan com as histórias originais escritas por seu criador, o
cultuado escritor Robert E. Howard, não pensei duas vezes: estabeleci como meta
comprar os três volumes. Por isso, antes de o primeiro volume chegar às
livrarias, eu já o havia adquirido na pré-venda. E foi assim também com os
outros dois volumes; hoje tenho a coleção completa em minha estante. Fui
premiado em dose dupla: com as aventuras incríveis do guerreiro cimério e com o
layout dos três livros. A Pipoca & Nanquim caprichou demais. Tenho um
carinho especial pelo terceiro volume, que fecha a saga: na minha opinião, é o
mais bonito da trilogia, com um acabamento de luxo impecável. Ele inclui capa
dura com a arte clássica de Frank Frazetta, sobrecapa de acetato transparente,
fitilho de tecido, marcador de página personalizado no formato da espada da
Valéria e ilustrações internas de grandes artistas. A capa, com detalhes em
vermelho, traz Conan a cavalo erguendo seu escudo e subjugando seus inimigos com
a espada desembainhada.
Vale lembrar que a coleção lançada pela editora conta com uma galeria de
capas da clássica revista Weird Tales, na qual as aventuras foram
publicadas nos anos 1930. Uma supercapa que merece lugar de destaque em minha
estante.
03 – Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Kilmore) |
Editora: Verus
A obra de R. L. Kilmore chegou à minha estante há poucas semanas, mas,
apesar do pouco tempo e mesmo sem ainda ter tido a oportunidade de lê-la, sua
capa já me conquistou. Achei incrível. É simples, porém impressionante,
provando que muitas coisas não precisam de rebuscamento para serem belas. O
excesso de zelo pode acabar transformando um visual discreto e agradável em
algo carregado e incômodo. A capa de Mistério em Cinnamon Falls tem essa
virtude: é simples e muito bonita.
A edição brasileira, lançada pela Verus Editora, traz uma paleta de
cores acolhedora e temática que remete ao outono, combinando perfeitamente com
a proposta de suspense aconchegante (cozy mystery) da história.
O cenário é definido por uma profusão de tons alaranjados e amarelos
intensos nas copas das árvores que emolduram a cena. Essas cores outonais
transmitem acolhimento e nostalgia, elementos essenciais para o apelo cozy.
O céu ao fundo apresenta um tom bege/creme pálido e suave.
Achei a capa extremamente equilibrada. As cores aconchegantes atraem o
leitor, enquanto os toques de amarelo de alerta e vermelho de perigo sinalizam
que nem tudo está bem naquele cenário idílico.
É uma pena que o livro não traga o nome do designer gráfico responsável
pelo layout de Mistério em Cinnamon Falls.
04 – Cujo (Stephen King) | Editora: Suma
Tenho todos os livros da coleção “Biblioteca Stephen King”, mas, com
relação às capas, vou ser sincero: só gostei de uma. Tudo bem que adorei as
histórias, mas somente a arte de Cujo me agradou. Achei os layouts dos
outros seis livros que fazem parte da coleção muito rebuscados. Cujo foi
a única exceção, e que capa, galera! Ela é dominada por um vermelho forte e
intenso, quase como sangue, que transmite uma sensação de perigo, urgência e
medo, preparando o leitor para o suspense que está por vir. O preto e o branco
são usados nos detalhes e nos textos, criando um contraste marcante que destaca
os elementos principais.
No centro da capa, ocupando grande parte da imagem, há a representação
de uma pata de cachorro, como se tivesse sido carimbada no chão. A pata é preta
e tem uma textura áspera e desgastada, parecendo suja de terra ou sangue seco.
Longos riscos pretos estendem-se para cima a partir dela, lembrando garras ou
marcas de unhas arranhando a superfície. Essa imagem sugere algo selvagem,
perigoso e talvez até sobrenatural.
É uma capa intrigante que consegue despertar a curiosidade do leitor,
sugerindo uma história envolvente e assustadora. Sem dúvida nenhuma, uma das
melhores capas de livros que tenho em minhas estantes.
05 – Marvels (Kurt Busiek e Alex Ross) | Editora:
Panini
Meu Deus! Esta edição de Marvels é um dos maiores xodós da minha
estante; escolhi um lugar de destaque para ela. Aliás, o livro merece todo esse
esmero, pois as ilustrações são do gênio dos quadrinhos Alex Ross. Para quem
não sabe, ele é simplesmente um dos maiores e mais aclamados pintores da
história das HQs, famoso mundialmente pelo estilo hiper-realista criado com
tinta guache e lápis. Suas pinturas dão vida aos super-heróis como se fossem
pessoas reais fotografadas no cotidiano. Esta é a sensação ao bater os olhos na
capa de Marvels: parece que o herói da ilustração é de carne e osso.
Uau!
Por isso, considero Marvels uma verdadeira obra-prima da arte nos
quadrinhos. A imagem icônica que a estampa — mostrando o reflexo do
Homem-Gigante nos óculos do fotojornalista Phil Sheldon — sintetiza
perfeitamente a proposta revolucionária da HQ: enxergar os super-heróis a partir
da perspectiva do homem comum.
O trabalho de pintura de Alex Ross transforma o fictício em algo
tangível. O jogo de luzes, as expressões humanas de espanto e a grandiosidade
divina dos heróis vistos de baixo para cima mudaram para sempre a forma de produzir
e consumir histórias em quadrinhos nos anos 1990.
Parabéns à editora Panini por publicar essa obra-prima.
06 – Box Grandes Obras de Bram Stoker (Bram Stoker)
| Editora: Nova Fronteira
Eis mais um xodó da minha estante. Tudo culpa da Nova Fronteira, que
caprichou no visual da caixa e dos três livros que formam a coleção.
Galera, o visual do box é realmente um espetáculo para os fãs de
literatura de terror. Ele traz quatro livros com capas duras em cores vibrantes
e contrastantes (vermelho, roxo e verde-piscina). A caixa rígida tem uma
estética gótica muito imponente que se destaca — a minha estante não me deixa
mentir (rs).
Essa versão aposta em um acabamento de luxo com efeito metalizado
brilhante na capa e papel especial, dando um toque sombrio e sofisticado à
coleção. Ter clássicos como Drácula reunidos em um material gráfico tão
bem trabalhado transforma a leitura em uma experiência visual única.
07 – Zorro – Começa a Lenda (Isabel Allende) |
Editora: Bertrand Brasil
A capa de Zorro – Começa a Lenda, escrito por Isabel Allende e
publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil, é de fato envolvente. Toda
vez que entro na minha sala de leitura e olho para o livro, não consigo conter
a exclamação: "Caramba, que capa instigante!".
É verdade, galera. A obra de Allende consegue produzir esse efeito em
mim; passo muito tempo olhando para ela. O layout de Zorro – Começa a Lenda
captura a essência misteriosa e aventureira do herói clássico por meio de
escolhas de design muito precisas. Os artistas gráficos da Bertrand Brasil
foram extremamente felizes na elaboração desse projeto.
O destaque principal é a silhueta escura do Zorro. A icônica imagem com
o chapéu de abas largas e a capa preta evoca imediatamente o mistério do
personagem, mantendo sua identidade oculta. A presença diagonal da lâmina de
uma espada cruza o fundo iluminado, sugerindo ação, perigo e a perícia do herói
com as armas.
O título "Zorro", escrito em letras vermelhas estilizadas,
contrasta fortemente com o fundo escuro. Vejo a cor vermelha simbolizando
paixão, justiça e o sangue das batalhas da época. Se no formato brochura já
consegue causar todo esse impacto, fico imaginando esse visual
"vestido" em capa dura.
08 – Lady Killers - Assassinas em Série (Tori Telfer) | Editora: DarkSide
Cara, a capa de Lady Killers - Assassinas em Série é um verdadeiro soco no estômago
porque quebra todas as regras óbvias do True Crime. Quando você pensa em
um livro sobre assassinos em série, o cérebro já imagina uma capa preta e
cinza, com manchas de sangue falso e uma tipografia meio rasgada, certo? Aqui,
a DarkSide fez exatamente o oposto e entregou uma obra de arte.
Esqueça o layout tradicional dos livros do gênero, cheios de ilustrações
de facas, revólveres e afins, acompanhados de sangue falso para todos os lados.
Substituindo esse visual carregado, a DarkSide optou por um rosa-choque
"cheguei". Esse tom de rosa neon/psicodélico na capa dura e nas
laterais das páginas foi uma jogada de mestre: é berrante, magnético e atrai o
olhar de longe na livraria ou no feed do Instagram. É um contraste genial de
uma cor supervibrante e "divertida" embalando histórias de crimes
terríveis.
Olhando de longe, os detalhes parecem aqueles arabescos clássicos de
papéis de parede antigos ou molduras vitorianas chiques. Mas, quando você chega
perto, o "recheio" é macabro: há crânios escondidos, cobras sinuosas
e o icônico olho no topo. É um design que engana primeiro pela beleza e te
assusta logo em seguida.
O título Lady Killers - Assassinas em Série usa uma fonte pesada, forte e centralizada,
com uma textura que parece gasta ou carimbada. Isso dá um peso histórico para a
capa, mostrando que o assunto ali é sério.
O grande segredo dessa arte é o fator fetiche. Ela transforma o livro em
um objeto de desejo, um item de decoração que você faz questão de deixar com a
capa virada para a frente na estante — inclusive na minha.
E é isso, galera! Vocês acabaram de conhecer algumas das capas de livros
das minhas estantes, aquelas pelas quais tenho um carinho especial
10 setembro 2026
Desafio Literário de Fim de Ano: 4 Leituras Viciantes para Maratonar Até Dezembro
E aí, galera? Que tal definirmos a leitura de um livro
para cada um destes últimos quatro meses de 2026? Aliás, este post já deveria
ter sido publicado há algumas semanas, mas os meus afazeres profissionais me
atropelaram e só consegui concluir o texto hoje. Digo isso porque já entramos
praticamente na segunda semana de setembro. Portanto, não temos exatamente
quatro meses pela frente, mas apenas três meses e 20 dias (até a data de
publicação desta postagem). Mas tudo bem, isso não será problema, porque os
livros que escolhi não são calhamaços e a galera conseguirá lê-los rapidamente.
Li todos e amei, por isso resolvi indicá-los para os
seguidores do blog que estão à procura de um livro especial para ler neste
final de ano. Calculei a média de um livro por mês — setembro, outubro,
novembro e dezembro —, mas acredito que muitos de vocês gastarão bem menos
tempo em cada uma dessas narrativas, já que são muito sedutoras e certamente
conseguirão fisgar sua atenção logo nas primeiras páginas.
Sabem aqueles livros que “puxam” os leitores para
dentro da história? Pois é, essas quatro obras me provocaram essa sensação. E
que sensação gostosa! Leitura fluida, personagens carismáticos, reviravoltas
surpreendentes, momentos de redenção; enfim, todos os ingredientes para
conquistar o mais “incrédulo” dos leitores (rs).
E aí? Preparados? Então, vamos iniciar a nossa lista.
Espero que vocês amem essas histórias da mesma forma que eu amei. Vamos nessa!
01 – Mentirosos (E. Lockhart) - Setembro
Abro a nossa lista com a obra de E. Lockhart. Tenho
certeza absoluta de que você vai ler esse livro tão rápido que nem vai perceber
que ainda faltam vários dias para setembro terminar, mesmo que tenha começado a
leitura praticamente no meio do mês. Não só por Mentirosos ter dimensões
reduzidas (20,6 x 13,6 x 1,8 cm) e poucas páginas (248), mas principalmente por
sua narrativa. Cara, que enredo! Daqueles que têm o poder de provocar a mais
cruel das ressacas literárias. No meu caso, foi difícil superá-la. Ah! Também
derramei algumas lágrimas no final, como acredito que você, ao ler agora,
também derramará..
Lançado originalmente em 2014, Mentirosos
figurou por muitos anos como um dos títulos mais vendidos e comentados, não só
entre os leitores adolescentes, mas também entre os adultos. O estilo de
narração, aliado ao talento da autora em conduzir a trama e a um plot twist
de impressionar até os mais atentos, fez com que a obra se tornasse quase uma
leitura obrigatória.
Na trama desenvolvida por Lockhart, os Sinclair são
uma família rica e renomada que se recusa a admitir a própria decadência e se
agarra a todo custo às tradições. Assim, todos os anos eles passam as férias de
verão em uma ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira
—, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos e,
juntos, formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas
convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto
intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus
quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente do qual não se recorda.
Paro por aqui para não estragar a reviravolta bombástica e emocionante que
acontece no final.
Não estaria mentindo se afirmasse que, de todos os
livros que li, o plot twist final de Mentirosos foi um dos que
mais mexeram comigo e o único que conseguiu me deixar com os olhos úmidos de
lágrimas.
02 – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid) - Outubro
No enredo fantástico criado por Taylor Jenkins Reid,
Evelyn Hugo é uma lenda do cinema aos setenta e nove anos. Com seu icônico
cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, ela seguiu um roteiro digno
dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao
estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos
bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e
muitos escândalos nos tabloides de fofocas.
Já a trajetória da jovem Monique Grant está longe de
ter esse glamour. Apesar dos esforços, seu trabalho em uma grande revista não
tem rendido muitos frutos, e o amor vai de mal a pior. Então, o inesperado
acontece quando a famosa e inacessível atriz — que tem o hábito de não falar
com ninguém, muito menos com a imprensa — decide dar uma entrevista exclusiva,
desde que seja para Monique e mais ninguém. Garanto que desse encontro sairão
grandes revelações, algumas com o poder de deixar os leitores de queixo caído.
Para que a galera entenda como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é bom, basta dizer que, até agora, não vi uma única crítica negativa
nas redes sociais; só elogios. Um livro que certamente estarei relendo muitas
vezes.
03 – A Inquilina (Freida McFadden) - Novembro
Como era de se esperar, Freida McFadden criou um thriller
psicológico arrepiante com o poder de prender o leitor em suas teias. Eu não
conseguia largar o livro! Queria chegar logo ao final de A Inquilina para desvendar todo o
mistério fantasticamente elaborado pela autora. Galera, e que mistério! Sinta
só o drama: o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos
sonhos, uma noiva e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo
começa a desmoronar após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na
agência de marketing. A partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado
“lar, doce lar” de Potter.
Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas
do financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um
dos quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o
casal encontra Whitney. De todos os candidatos, ela foi quem mais se destacou,
com seu jeito simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem
eles procuravam. Só que... assim que ela se muda para a casa, coisas sinistras
começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após
várias faxinas, e barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite, além de
outros eventos macabros no ambiente doméstico.
De repente, Blake passa a desconfiar de que o perigo
passou a morar em sua casa. Então chegam duas reviravoltas que deixam os
leitores de queixo caído. Garanto que vocês nem verão o mês de novembro passar.
04 – Alta Fidelidade (Nick Hornby) - Dezembro
Escolhi Alta Fidelidade para fechar esta lista
porque tem a “cara” de uma leitura de final de ano: descontraída e recheada de
listas maravilhosas. Há livros que nos conquistam logo no início, e eu me
tornei refém da história escrita por Nick Hornby logo nas primeiras páginas. Se
o leitor for da geração dos anos 1970 e 1980, pronto! Vai se apaixonar ainda
mais pelo livro.
É impossível para as pessoas que — como eu — viveram
essas duas décadas inesquecíveis não se identificarem com Rob Fleming,
personagem central do romance de Hornby. Ou será que você nunca curtiu os
discos de vinil e as fitas cassete com aquelas melodias internacionais que
rasgavam corações, tipo “Baby, I Love Your Way”, de Peter Frampton, ou “How Can
You Mend a Broken Heart”, dos Bee Gees, ou ainda a música contagiante do The
Clash ou dos Beatles? E que tal “Love Hurts”, do Nazareth? Ah! Tem os filmes
também! Ou será que você não assistiu — ou, na pior das hipóteses, ao menos
ouviu falar — de O Poderoso Chefão e Cães de Aluguel?
Hornby escreveu uma comédia ácida e introspectiva
sobre a imaturidade masculina, a obsessão pela música pop e a dificuldade de
crescer. A trama acompanha Rob Fleming, um homem na casa dos 30 anos, dono de
uma decadente loja de discos em Londres chamada Championship Vinyl. Estagnado
na vida e incapaz de assumir compromissos adultos, Rob entra em uma crise
existencial quando sua namorada de longa data, Laura, decide terminar o
relacionamento.
Para tentar entender o que há de errado consigo mesmo,
Rob recorre à sua ferramenta favorita de organização do mundo: as listas Top 5.
Entre as conversas sarcásticas e os debates acalorados sobre música com seus
dois funcionários igualmente obcecados — Dick e o icônico Barry —, as famosas
listas ganham papel central no livro. Através dessas listas e do próprio Rob, a
história mostra como eles usam coleções de clássicos musicais para além do
elitismo cultural: como uma verdadeira armadura emocional. Para eles,
categorizar os melhores álbuns, músicas ou bandas das décadas de 1970 e 1980 é
a única maneira lógica de tentar dar sentido ao caos da vida real e dos seus
relacionamentos.
É uma leitura leve e envolvente que retrata com
perfeição a cultura pop como linguagem para os sentimentos que não conseguimos
expressar.
Tá aí, galera, por hoje é só. E aí? Topam encarar esse
desafio literário? Então, mãos à obra e agarrando, logo de saída, Mentirosos,
de E. Lockhart. Quando vocês concluírem a leitura de Alta Fidelidade,
voltem aqui para dizer se essa lista valeu a pena. Até!
05 setembro 2026
Edição Especial de 20 Anos de Gomorra (Roberto Saviano): O Livro Que Não Sai da Minha Lista de Desejos
Gomorra.
Tá aí um livro que eu gostaria de ganhar. Desculpe-me abrir este post já com
uma cantada literária, logo de cara (rs). Fazer o quê? O livro de Roberto
Saviano é um dos meus maiores desejos de consumo e só não comprei até agora por
causa do “Sr. Cartão”, que vive puxando as minhas orelhas. Por isso, tive que
adiar a compra de novas obras que venho desejando há alguns meses. Tive muitos
gastos extras: saúde e carro, principalmente, e, com isso, os livros — as
minhas maiores paixões — estão tendo que esperar um pouco mais. Na realidade,
estou vivendo de “doações” de algumas editoras que enviam volumes para análises
e resenhas, mas grande parte deles não "bate" com os gêneros
literários que aprecio.
Então... no início desta semana, fiquei sabendo que a
editora Record lançou uma edição especial de Gomorra para comemorar os 20 anos
de publicação da obra de Saviano. Cara, o livro não tem capa dura e muito menos
páginas em papel especial, marcadores de páginas, lombadas trabalhadas ou
letras em alto-relevo. Esqueça tudo isso. Esta nova edição é em brochura
simples, mas, quando olhei para aquela capa na cor vermelho-vivo com letras
pretas, os meus batimentos cardíacos aceleraram. E, depois que fiquei sabendo
que a obra tem um novo prefácio no qual o escritor e jornalista italiano conta
tudo o que passou e as consequências que o livro trouxe para sua vida, o meu
desejo de tê-lo em minhas mãos subiu às alturas; mas, na mesma hora, o meu
cartão deu um novo puxão de orelha — e daqueles bem doídos (rs).
Gomorra
tornou-se um fenômeno global de vendas — superando a marca de 10 milhões de
exemplares mundialmente — porque desmistificou completamente a imagem
romantizada da máfia italiana, revelando sua conexão direta com a economia
global e o capitalismo moderno. Em vez de retratar criminosos de terno sob o
comando de um "Padrinho" tradicional, o livro escancara uma estrutura
corporativa brutal e altamente lucrativa. Ao contrário de filmes como O
Poderoso Chefão, que trazem uma visão glamourizada do crime, o texto de
Saviano mostra o lado degradante e caótico da organização (como o tráfico de
lixo tóxico e a exploração da miséria urbana). Enfim, o autor desconstrói o
mito do criminoso elegante, expondo uma rotina marcada pela crueldade
mesquinha, corrupção estrutural e destruição ambiental na região da Campânia.
Para conseguir informações privilegiadas, ele se infiltrou na violenta máfia
napolitana por cinco anos e recolheu dados sobre o sistema global e elaborado
dos clãs da Camorra.
O livro bombou em todo o mundo: além de ter vendido
milhões de exemplares, foi adaptado para o cinema e para a televisão, ganhou
prêmios e, na contramão do sucesso, tirou o direito de Saviano viver sem uma
escolta policial ao seu lado — após ter sido ameaçado de morte.
Pois é, galera, o sucesso de Gomorra cobrou um preço
muito alto do jornalista, que passou a viver de forma invisível, cercado por
guarda armada, não podendo mais ter uma rotina comum. O exílio e a vigilância
constante tornaram-se parte indissociável de sua existência e de sua trajetória
pública. Em resumo: tornou-se um recluso.
Tá aí um livro para ser lido e devorado.
01 setembro 2026
A Ilha de Gloam
Costumo dizer que alguns livros infantojuvenis têm
duas caras: uma com o poder de conquistar os adultos e a outra direcionada às
crianças. É muito difícil encontrar obras do gênero com essas características,
mas existem exceções — como Os Três Mosqueteiros (embora a narrativa de
Alexandre Dumas seja mais voltada para adultos do que para o público jovem, mas
tudo bem), Harry Potter, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre
outros. A Ilha de Gloam, obra de estreia do escritor britânico Jack
Mackay, enquadra-se nessa categoria — ou seja, tem duas caras (rs).
Li o livro em dois dias, mesmo estando em um ritmo de
trabalho acelerado. Eu conseguia driblar o sono graças às peripécias de Gwen,
Roger, Hazel e Hester, quatro irmãos metidos em uma trama de arrepiar os
cabelos por culpa de uma babá muito estranha.
Portanto, se você que lê este post agora for um
adolescente ou pré-adolescente, o livro de Mackay foi feito para você. Já se
for adulto, também gostará bastante da narrativa.
Você deve estar se perguntando quais elementos da
história conseguem fisgar a atenção de leitores jovens e adultos. Eu explico: A
Ilha de Gloam equilibra perfeitamente um terror gótico genuíno com dramas
familiares profundos e universais. Há, por exemplo, irmãos que não se entendem
no início da trama, mas que, após descobrirem as virtudes um do outro, unem-se
para derrotar "algo" muito poderoso. Amei quando Gwen e Roger se
reconciliaram e voltaram a se respeitar como faziam na infância.
Outro ponto explorado pelo autor é o crescimento
pessoal dos personagens. Os jovens se conectam com a jornada de amadurecimento
da protagonista, a irmã mais velha, Gwen. Para derrotar o monstro da ilha, ela
precisa enfrentar os próprios sentimentos e parar de fugir de si mesma.
Embora seja classificada originalmente como um livro
juvenil, a obra vai muito além dos sustos superficiais. Os quatro irmãos lidam
com a dor real da perda da mãe, e os adultos se identificam fortemente com o
peso psicológico que Gwen carrega ao tentar ser a "adulta da casa"
antes da hora.
O autor Jack Mackay cria uma ambientação gótica
assustadora. A casa antiga caindo aos pedaços, o isolamento da ilha gelada e os
dentes afiados do monstro não são suavizados.
Por fim, um último detalhe que conquista tanto adultos
quanto jovens é a escrita dinâmica e direta do autor em capítulos curtos. A
estrutura da história avança rápido, o que prende facilmente os leitores mais
jovens ou aqueles adultos que andam sem tempo para leituras densas.
Confesso que, no momento em que peguei o livro e
"bati" os olhos na capa, fiquei com a impressão de que tinha em mãos
uma obra infantojuvenil em toda a sua essência, mas mudei de opinião ao iniciar
a leitura. Digo isso porque a arte da capa — apesar de muito bonita — tem um
estilo mais infantilizado.
Fica a dica de leitura: seja você um leitor adulto ou
adolescente, com certeza irá gostar!
26 agosto 2026
5 Comédias Românticas Imperdíveis para Ler Agora (Com Dicas da Lulu!)
Geralmente sou eu quem acorda mais cedo, mas, no
último domingo, quando abri os olhos, vi que a Lulu já tinha se levantado. Ela
estava sentada no sofá, concentrada na leitura de um livro.
— Qual é o livro? — perguntei.
— Phoebe Berman Perdeu Tudo — respondeu ela. —
Estou adorando a narrativa! — disse, assim que me viu ainda com cara de sono. —
Faltam poucas páginas. Depois pretendo ler outro com a mesma vibe. Aliás, por
que você não escreve um post sobre comédias românticas? Tipo uma lista de
indicações? — arrematou Lulu.
Quando ouvi a sugestão, lá no fundo o meu alter ego (rs)
gritou: “Santa Lulu! Novamente, obrigado!” (rs). Pois é, galera, nos
momentos de bloqueio criativo, a ‘Super-Lulu’ não falha: aparece sempre para me
salvar. E cá estou eu, elaborando uma lista de comédias românticas na esperança
de colaborar com os leitores e seguidores do blog que estão à procura de uma
boa obra do gênero.
Confesso que comédia romântica não é muito a minha
praia — prefiro outros gêneros literários —, mas não posso negar que gostei das
poucas que li. É o caso, por exemplo, de Seis Meses Para Casar, que
inclusive rendeu uma postagem no blog (veja aqui). Quanto a Phoebe Berman
Perdeu Tudo, que a Lulu está amando, ainda não li, mas pretendo. Tanto é
que já o inclui na minha lista de leitura. Quem sabe a minha ‘super-heroína’
não me influencia a colocar “comédia romântica” entre os meus gêneros
preferidos?
Mas vamos ao que interessa! Selecionei cinco livros do
gênero lançados neste ano, incluindo um relançamento especial que deve
aterrissar nas prateleiras das livrarias físicas e virtuais no início de
outubro. Um livro que, creio eu, está sendo aguardado com muita expectativa
pelos fãs da escritora Emily Henry. Vamos às sugestões!
01 – Phoebe Berman Perdeu Tudo (Brooke
Averick)
Abro a minha lista com o livro que conseguiu fisgar a
atenção da Lulu. Como escrevi neste post (confira aqui), o romance de estreia
de Brooke Averick se tornou uma verdadeira febre no BookTok — comunidade de
leitores e criadores de conteúdo que compartilham recomendações, resenhas e
discussões literárias.
O que prova a força de Phoebe Berman Perdeu Tudo
é que o livro foi publicado no Brasil há poucas semanas (27 de julho) e, apesar
do pouco tempo, conquistou milhares de leitores em uma das redes sociais mais
populares do país.
A obra tem exatamente a essência de uma comédia
romântica clássica e caótica, no estilo de O Diário de Bridget Jones.
Na trama, acompanhamos a vida da protagonista Phoebe
no momento em que ela chega ao fundo do poço. Após uma sequência de
reviravoltas trágicas e embaraçosas, ela perde o emprego, o namorado e a
estabilidade que mantinha sua rotina nos trilhos.
Sem rumo e sem planos, Phoebe se vê forçada a encarar
a incerteza do futuro e a reconstruir sua vida do zero. Com um tom leve,
bem-humorado e sarcástico, a história explora o caos da vida adulta, a pressão
de ter tudo "resolvido" e a jornada de autodescoberta para entender
quem você é quando perde tudo o que definia sua identidade.
E aí, galera, se interessaram? Saiba que a Lulu amou —
e o gosto literário dela é gourmet!
02 – Seis Meses Para Casar (Kosuke
Ohashi)
Eis uma das poucas narrativas do gênero que li. Vocês
devem estar se perguntando: “E aí? Vale a pena ler Seis Meses Para Casar?”.
Sim, vale muito a pena! Principalmente para os
leitores que procuram uma história leve, divertida e, ao mesmo tempo,
reflexiva. O livro aborda recomeços, pressão social e amadurecimento.
A obra de estreia de Kosuke Ohashi explora as
peculiaridades do konkatsu e da vida no Japão, enquanto prova que o
inesperado, o improvável e o quase impossível também podem acontecer. Mas o que
vem a ser o konkatsu, explorado à exaustão na obra? Konkatsu
significa a busca ativa por um cônjuge no Japão. A palavra é uma abreviação de kekkon
katsudō ("atividades voltadas para o casamento"). Em outras
palavras, é o ato de namorar ativamente com o objetivo claro de se casar.
O romance explora a saga de Sayaka Kuroki, que, aos 29
anos, acredita ter a vida perfeitamente planejada: um bom trabalho e o
casamento dos sonhos prestes a acontecer perto do seu aniversário de 30 anos. O
plano vai por água abaixo quando ela pede demissão para se preparar para o
matrimônio e, logo em seguida, descobre que está sendo traída pelo noivo — que
termina tudo.
Sem noivo, sem emprego e sem dinheiro, Sayaka implora
por sua vaga de volta na editora onde trabalhava. O único cargo disponível é em
uma revista de moda de luxo, sob o comando do excêntrico e narcisista
editor-chefe Mr. Usami. Ele aceita recontratá-la, mas com três condições
inegociáveis. Uma delas é conseguir um marido e se casar em exatamente seis
meses. Quanto às outras duas... bem, leiam o livro para descobrir!
03 – Os Incasáveis (Karina Heid)
Fico muito feliz quando vejo o surgimento de novos autores
no meio literário nacional. Fico ainda mais feliz quando eles fazem um baita
sucesso, equiparando-se a nomes já consagrados. E quer saber mais? Essa
felicidade quadruplica quando esses novos escritores se tornam respeitados logo
na estreia. Foi exatamente isso o que aconteceu com a escritora capixaba Karina
Heid. Por isso, ela e seu livro merecem estar nesta lista.
A autora brasileira alcançou um novo patamar em sua
carreira. Após construir uma base de leitores fiéis no mercado digital — com 45
livros publicados e mais de 105 milhões de páginas lidas —, Karina promoveu, no
dia 27 de julho, seu primeiro lançamento físico no circuito nacional. Os
Incasáveis é a primeira publicação da autora por uma grande editora, a
Record, pelo selo Verus (especializado em romances).
O livro aposta em uma narrativa leve e bem-humorada.
De acordo com o release da editora, a trama acompanha uma sequência de
mal-entendidos hilários e apaixonantes. Júlia Ferraz é uma atriz famosa que já
se casou várias vezes nas novelas, mas, na vida real, carrega a fama de ter o
maior "dedo podre" do Brasil. Prestes a se casar em uma ilha
paradisíaca para enterrar de vez esse boato, ela descobre que está sendo traída
minutos antes de subir ao altar.
Desesperada, Júlia foge em uma lancha. No meio do
caos, acaba levando junto, sem querer, o noivo do casamento da ilha vizinha,
que estava desacordado a bordo. Ian Magalhães acorda de uma ressaca monumental
em alto-mar. Avesso a relacionamentos, ele faz parte de um grupo de amigos
apelidado de "Os Incasáveis", mas aceitou participar de um reality
show de casamentos rápidos visando ao prêmio milionário para salvar a
cervejaria da família.
Para aqueles que apreciam uma boa comédia romântica,
tudo indica que vale a pena dar uma chance!
04 – Como Viver um Romance (Melissa
Ferguson)
O livro Como Viver um Romance, da escritora
norte-americana Melissa Ferguson, é uma comédia romântica ambientada nos
bastidores do mercado editorial. A história gira em torno de Savannah Cade, uma
assistente editorial que trabalha em uma empresa extremamente tradicional e
intelectualizada.
Savannah esconde um grande segredo que pode custar seu
emprego: está escrevendo um romance voltado para o mercado comercial/popular. A
grande oportunidade surge quando uma renomada editora-chefe pede para ler seu
manuscrito. O problema? O texto ainda não está finalizado. Após quase ser
flagrada no escritório por William Pennington — o novo editor-chefe e filho da
dona da empresa —, Savannah esconde suas páginas em uma sala abandonada do
prédio.
O rumo da história muda completamente quando ela volta
para buscar os papéis e descobre que um crítico misterioso deixou anotações
sarcásticas, inteligentes e cirúrgicas nas margens de seu texto. Sem tempo a
perder, ela aceita trabalhar em parceria com esse editor anônimo por meio de
bilhetes e recados, sem imaginar que está prestes a viver o seu próprio conto
de fadas.
Dei uma vasculhada nas redes sociais para saber o que
os leitores estão achando da obra de Ferguson, e os comentários são bastante
favoráveis. A maioria destaca que Como Viver um Romance é uma comédia romântica
extremamente leve, divertida e ideal para quem busca uma leitura rápida.
05 – Louco por Livros (Emily Henry)
Alô, fãs de Emily Henry! A escritora lidera as listas
de mais vendidos do The New York Times desde o lançamento de seu
primeiro romance adulto, em 2020, acumulando dezenas de milhões de exemplares
vendidos pelo mundo. Quem conhece a autora já sabe do sucesso de obras como Leitura
de Verão e De Férias com Você.
Por isso, preparem-se: em outubro, a escritora
norte-americana de 35 anos chega novamente com tudo às livrarias brasileiras
com o relançamento de Louco por Livros em uma edição de luxo. Os
colecionadores com certeza vão adorar!
A versão especial deve aterrissar por aqui em 5 de
outubro, pela editora Verus. Sinta só o clima do projeto gráfico: acabamento em
capa dura, pintura trilateral nas bordas das páginas e material inédito para os
fãs. Vale lembrar que a obra original foi publicada no Brasil em abril de 2023.
Espero que tenham gostado das indicações! Até a
próxima!
22 agosto 2026
6 livros de terror assustadores (mas não grotescos) para ler no 2º Semestre de 2026
Vamos “falar” de terror? Mas de um terror palatável;
daqueles que assustam e metem medo, de fato, mas não chegam a apavorar, sufocar
ou incomodar por explorar temas grotescos ou cruéis. Aliás, ainda preciso
escrever um post sobre livros com essa vibe mais pesada que ainda não
tive coragem de ler — se bem que nem sei se irei lê-los um dia.
Mas vamos lá, hoje o assunto é outro. Quero indicar
seis livros de terror assustadores que li, gostei e recomendo. Apesar do medo,
amei todos eles. Vamos à nossa lista:
01 – A Estrada da Noite (Joe Hill)
Conhecem aquele ditado: “Filho de peixe, peixinho é”?
Pois é, Joe Hill é a representação perfeita dessa frase popular. A exemplo de
seu pai famoso, o mestre do terror Stephen King, seus livros são verdadeiros bestsellers
do gênero.
Seu livro de estreia, A Estrada da Noite,
publicado originalmente em fevereiro de 2007, mistura suspense, terror
sobrenatural e rock 'n' roll. O protagonista, Judas Coyne (ou simplesmente
Jude), é um astro do rock aposentado de 50 anos. Muito carismático, ele gera
grande empatia no leitor, apesar das loucuras e extravagâncias que comete ao
longo da história.
Quanto ao vilão, Craddock McDermontt... Brrrrrrrr...
Posso afirmar que foi um dos personagens de terror que mais me assustaram e
incomodaram. Ponto para Joe Hill, que logo em sua estreia criou um vilão à
altura dos do seu pai.
Na trama, Jude é conhecido por seu estilo de vida
solitário e por colecionar itens bizarros. Certa madrugada, durante um leilão online,
ele decide comprar o paletó de um homem morto que supostamente carrega o
espírito do antigo dono. O item é entregue em uma caixa preta em forma de
coração, e é aí que o drama começa: o fantasma revela-se real e busca vingança
contra o cantor por eventos trágicos do passado. Para tentar sobreviver à
perseguição implacável desse espírito vingativo, impiedoso e maléfico, Jude
foge e cai na estrada acompanhado por sua namorada gótica.
A Estrada da Noite
me assustou muito, mas também me conquistou.
02 – A Casa Infernal (Richard Matheson)
Taí outro livro de terror que me deu um medo danado. A
Casa Infernal apresenta mais um vilão “casca-grossa”: Emeric Belasco,
considerado um dos personagens mais malignos da literatura de horror.
O livro, publicado originalmente em 1971 (e lançado no
Brasil em 2009 pela editora Novo Século, onde esgotou rapidamente e ficou anos
fora de catálogo), deu origem em 1973 ao filme A Casa da Noite Eterna,
brilhantemente dirigido por John Hough. O Belasco do livro é muito mais
assustador do que o do cinema. Só lendo para compreender. A Casa Infernal
é leitura obrigatória para os fãs do gênero.
O clima criado pelo autor é angustiante; quando você
começa a ler, não consegue parar. Devorei página por página e, como a edição da
Novo Século é relativamente curta (254 páginas em letras grandes), terminei em
um único final de semana.
A história gira em torno de uma mansão assombrada pelo
fantasma de Belasco. Se as casas mal-assombradas fossem montanhas, a Mansão
Belasco seria o Monte Everest. Há 40 anos ela se mantém imponente, desafiando
quem tenta decifrar seus segredos. Nesse período, houve duas tentativas
desastrosas de investigação (uma em 1931 e outra em 1940): oito dos mais
renomados pesquisadores paranormais do mundo morreram, cometeram suicídio ou enlouqueceram.
Apenas um sobreviveu, e o terror presenciado foi tão grande que ele sofre os
traumas até hoje.
Agora, um novo grupo de cientistas decide investigar a
mansão. Será que conseguirão descobrir a verdade e, mais do que isso,
sobreviver? A Casa Infernal (Hell House) é considerado por muitos
mestres do gênero — como Stephen King — o romance de casa assombrada mais
assustador já escrito. Em 2021, a editora DarkSide relançou este megassucesso
em uma edição de luxo em capa dura.
03 – As Ruínas (Scott Smith)
As situações vividas pelos personagens chegam ao
extremo. Cenas envolvendo automutilações, amputações a sangue-frio e um vilão
carnívoro sui generis — que devora suas vítimas sorrateiramente — minam
a resistência até do leitor mais forte. Perto do final, fui obrigado a “dar um
respiro” e deixar o livro quietinho sobre a mesa para continuar só depois.
Scott Smith foi muito sádico ao escrever As Ruínas (veja aqui e aqui).
Além das cenas chocantes de luta contra um inimigo impiedoso, o autor explorou
ao máximo os medos, incertezas e conflitos de cada personagem. A soma de tudo
isso deixa o enredo tenso demais.
A trama começa simples, mas do meio para o final o
bicho pega e a tensão se torna eletrizante. O enredo acompanha quatro jovens
americanos que decidem ajudar um turista alemão a encontrar seu irmão
desaparecido em um sítio arqueológico remoto, ficando presos em uma selva
hostil dominada por um predador implacável.
A obra, lançada em 2006 no Brasil, virou filme dois
anos depois. Inicialmente, a Paramount pretendia lançá-lo nos cinemas, mas
acabou saindo diretamente em vídeo. Assisti ao filme e, apesar de ser bom, não
chega aos pés do livro.
04 – Ed e Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais (Gerald Brittle)
Ainda me lembro do início da resenha que escrevi sobre
o livro de Gerald Brittle há quase dez anos, logo após terminá-lo. Na época, as
primeiras linhas da minha publicação foram: “Cara, tenso demais. Tão tenso que
cheguei a ter algumas atitudes”. Pois é! Alguns amigos acharam engraçado, mas
fazer o quê... o livro mexeu muito comigo. Após a leitura, já com os batimentos
cardíacos normalizados, pensei: “Pera aí... eu fiz isso mesmo? (rs)”.
Classifico a obra de Brittle, lançada em edição
luxuosa pela DarkSide em 2016, como espetacular. A leitura impressiona tanto
crentes quanto descrentes em assuntos polêmicos como espíritos opressores,
possessões e casas assombradas.
Imagino que vocês estejam curiosos para saber minhas
atitudes incomuns após a leitura. Ok, eu conto uma: rasguei e joguei fora a
foto promocional da boneca Annabelle que acompanhava o livro (um brinde super
bem sacado da editora). Disse para mim mesmo: “Meu! Não quero essa foto na
minha casa! Vai que esse treco está carregado de energias negativas...”. Aposto
que muitos estão rindo, né? Lanço o desafio: leiam o livro e duvido que
continuem rindo.
As 272 páginas fazem o leitor repensar todas aquelas
brincadeiras de infância envolvendo o sobrenatural, como o tabuleiro Ouija e o
jogo do copo. Ufa! Ainda bem que nunca fui curioso para isso. Há alguns meses, cheguei a incluir "Demonologistas" numa lista de livros pesados de terror (veja aqui) mas depois de algumas releituras mudei de opinião. O livro impressiona sim, mas não chega a explorar o grotesco. É pesado? Olha... hoje, vejo com outros olhos. Digamos que se trata de um terror interessante e que dá para ser encarado pelos leitores "numa boa".
O livro é praticamente uma entrevista com o famoso
casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren. Eles narram detalhes de seus
casos mais emblemáticos — como Amityville, Família Perron, Caso
Beckford, Caso Foster e a boneca Annabelle —, intercalados
com orientações sobre os riscos de se envolver com o mundo metafísico. Explico tudo nesse post que escrevi em 2017 logo após ter lido a obra.
Apesar do medo, vale muito a leitura. Os fãs do horror
vão amar.
05 – À Sombra da Lua (Marcos DeBrito)
O livro À Sombra da Lua, do autor brasileiro
Marcos DeBrito, assusta mais pelo clima sombrio, mistério e violência gráfica
do que por sustos imediatos (jump scares). Como o autor também é
cineasta, sua escrita é altamente visual, tornando as cenas de ataque bastante
viscerais. Amei a história! Ela dá aquele “medinho gostoso” de sentir.
O horror nasce do isolamento, da paranoia e dos
segredos ocultos da pequena Vila Socorro. A descrição dos assassinatos é crua,
gerando mais repulsa do que sustos repentinos. O livro reescreve o mito do
lobisomem de forma madura, realista e violenta.
DeBrito entrega um romance de terror e suspense
ambientado no interior de São Paulo. A trama acompanha o pânico dos moradores
de um vilarejo assolado por mortes brutais, misturando folclore nacional,
dramas familiares e segredos do passado. O autor usa o monstro como pano de
fundo para testar o limite dos personagens: diante do perigo extremo, as
máscaras sociais caem e o verdadeiro “eu” de cada um é revelado.
Um “livraço com 'aço'”, como escrevi na resenha que publiquei no blog em 2021.
06 – It: A Coisa (Stephen King)
Encerro esta lista com um dos livros mais assustadores
de Stephen King, considerado um verdadeiro cânone da literatura de terror. It:A Coisa é uma obra-prima que redefine o medo ao explorar a amizade
infantil, os traumas do passado e a maldade enraizada em uma cidade pequena.
O verdadeiro impacto não vem apenas dos sustos, mas do
terror psicológico constante. King constrói uma atmosfera pesada ao longo de
mais de mil páginas. Se você pensa em ler, prepare-se para uma jornada longa e
intensa.
A história se passa na pacata e amaldiçoada cidade de
Derry, no Maine. A cada 27 anos, uma força maligna e ancestral desperta para se
alimentar, assumindo a forma dos piores medos de suas vítimas — sendo o palhaço
Pennywise sua face mais conhecida.
A narrativa explora duas linhas temporais: 1958 e
1985. Em 58, sete crianças rejeitadas, conhecidas como "O Clube dos
Otários", unem-se para combater essa entidade. Em 1985, já adultos e com
as memórias apagadas pelo trauma, eles são convocados de volta a Derry quando
os assassinatos recomeçam, precisando honrar uma promessa de infância. O livro
alterna entre passado e presente, mostrando que, para vencer o monstro, eles
precisam primeiro enfrentar os traumas da própria infância.
A obra inspirou importantes adaptações: a minissérie
de TV de 1990 (famosa por Tim Curry no papel do palhaço), os filmes para o
cinema de 2017 e 2019 (Capítulo 1 e Capítulo 2), e a série da HBO
It: Bem-Vindos a Derry.
Tá aí, galera amante de histórias de terror! Tenho
certeza de que esses livros atenderão às suas expectativas.



















.jpg)








