20 setembro 2026

O casal que mora ao lado

— Não acredito que você vai nadar novamente contra a maré após ter lido esse livro!

— Acho que vou.

— Mas eu li e gostei muito.

— Pois é, mas eu achei a narrativa morna e, muitas vezes, cansativa. Sem contar o final chocho.

— O quê?! Chocho?! Ih!! Pirou de vez.

Galera, taí uma parte do diálogo que eu tive com a Lulu logo após ter lido O Casal que Mora ao Lado, da conhecida escritora canadense Shari Lapena. A Lulu amou; eu não gostei. Confesso que pelejei para terminar a leitura.

A narrativa se torna lenta em diversos trechos, o que me fez abandonar temporariamente a história várias vezes até que o desejo de retornar à leitura voltasse. Achei as interações do detetive Rasbach com os personagens do enredo demoradas e cansativas. Ele é o policial que investiga o sequestro de uma bebê e cada vez que confrontava um suspeito, era um “Deus nos acuda”, já que quebrava o ritmo da narrativa.

Outro detalhe que prejudicava a fluidez eram os diálogos entre os dois personagens principais, Anne e Marco, que muitas vezes fugiam do foco principal da história. E, por fim, achei os personagens centrais sem carisma; sei lá... mornos. Anne e Marco, Cynthia e Graham, Richard, além do detetive Rasbach, não tiveram o carisma necessário para segurar o meu interesse. Aliás, é muito difícil se conectar profundamente com Anne, Marco ou os vizinhos. Quando não conseguimos torcer ou ter empatia real pelos personagens, acompanhar o sofrimento deles por tantas páginas se torna uma tarefa cansativa.

Outro ponto é que o livro se passa em grande parte dentro de ambientes fechados (a casa do casal, a delegacia). Como a polícia e os pais passam muito tempo sem pistas concretas do sequestro no início, os diálogos e interrogatórios acabam parecendo repetitivos, dando a sensação de que a história não sai do lugar.

Com certeza um grande número — e bota grande nisso! — de leitores deve estar me “excomungando” neste momento, porque, de acordo com os comentários nas redes sociais literárias e também nos portais de livrarias virtuais (entre os quais o da Amazon), o livro de Lapena é quase uma unanimidade ou, se preferirem, um cânone dos thrillers de suspense. Mas, no meu caso, repito: não gostei pelos motivos que expus acima.

Lulu, sei que você ficou inconformada comigo. Te conheço muito bem para saber que não irá aceitar de maneira alguma os meus argumentos, então... aceite, pelo menos, as minhas desculpas, porque tenho certeza que você amou o livro.

O Casal que Mora ao Lado narra o drama de Anne e Marco Conti. Eles parecem ter a vida perfeita, até que em uma noite tudo desmorona. Convidados para um jantar na casa dos vizinhos ao lado, eles decidem deixar a filha bebê em casa, levando apenas a babá eletrônica e checando o berço a cada meia hora. Mas, ao retornarem no fim da noite, as portas estão abertas e o berço está vazio.

A partir do desaparecimento da criança, uma investigação policial minuciosa começa a desenterrar os segredos sombrios que cercam não apenas o crime, mas o próprio casamento de Anne e Marco.

Entre acusações mútuas, memórias confusas e vizinhos misteriosos, o livro é um suspense doméstico focado em aparências e nas verdades desconfortáveis escondidas por trás das portas fechadas de um bairro de classe alta.

Acho que é isso. Se contar mais, acabo liberando spoilers para aqueles que pretendem ler o livro e, se você faz parte desse grupo, de coração, espero que goste da obra, assim como a Lulu gostou — gostou, não: amou.

15 setembro 2026

Amor à Primeira Vista: As Capas Mais Bonitas e Marcantes da Minha Estante

Já vi essa TAG em diversos blogs literários. Afinal, todos nós, “devoradores de livros”, temos em nossas estantes aquelas obras com capas incríveis que ocupam os melhores lugares nas prateleiras dos nossos cantinhos de leitura. Para muitos, podem até ser consideradas capas comuns, mas, para aquele leitor que comprou o livro, a tal capa tem um significado especial.

Tenho certeza de que você que lê esta postagem, assim como eu, já comprou um livro pela capa ou tem em sua estante um lugarzinho especial para aqueles layouts que julga mais bonitos. Confesso que já comprei alguns livros por influência da “Dona Capa”, como se ela sussurrasse em meus ouvidos: “Veja só como sou bonita... não vai me levar?”. Então, pronto: lá vou eu e agarro capa e livro. Foi uma quantidade pequena de capas que conseguiu me seduzir, mas existiram algumas. A maioria dos livros que comprei, no entanto, foi por influência da sinopse ou do autor. E, mesmo adquirindo várias obras única e exclusivamente pelo enredo, consegui obter capas fantásticas — pelo menos para mim. No post de hoje, quero apresentar essas capas da minha estante, contar um pouquinho das suas histórias e explicar o que elas representam para mim. Vamos à nossa TAG!

01 – Box O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas) | Editora: Zahar

Há muito tempo planejava ler a versão integral do clássico de Alexandre Dumas. Na época, surgiram duas opções: o box com dois volumes da Zahar e a edição em volume único da Martin Claret. Acabei optando pela Zahar por ser dividida em dois volumes e assustar menos (rs). Digo isso porque não é fácil encarar de uma vez só mais de 1.300 páginas! Acho que dois volumes assustam menos (rs). Aliás, publiquei um post em 2020 no qual fiz uma análise detalhada das publicações da Zahar e da Martin Claret (quem quiser pode conferir aqui).

Não me arrependo. O designer gráfico e ilustrador Rafael Nobre arrasou ao criar capas de encher os olhos do mais frio dos leitores. A ilustração de uma cela em formato de calabouço — na caixa que guarda os dois volumes — representa fielmente o enredo de Dumas, ou seja, a prisão desumana do Castelo de If, onde Edmond Dantès ficou encarcerado durante 14 anos.

Formado em Design Gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rafael Nobre desenvolve vários tipos de trabalhos diferentes diretamente de seu estúdio: de catálogos e embalagens a peças promocionais, ilustrações e projetos de livros. Além disso, ele sempre tenta organizar seu ritmo para a produção de projetos autorais e artísticos.

Quanto aos dois livros que fazem parte do box, só me resta dizer que são um show à parte. A ilustração da capa do primeiro volume, com detalhes em azul, roxo e preto, representa o momento em que Dantès, cercado por guardas, é levado em um barco para a prisão do Castelo de If. Já na capa do segundo volume, a cor vermelha, em vários matizes, predomina representando uma espécie de pôr do sol. Ao fundo, em preto, vemos o Conde de Monte Cristo já com todo o poder que o tesouro descoberto lhe proporcionou, além da imagem, em segundo plano, do Castelo de If.

A Zahar também deu um show na qualidade do material utilizado na produção do box. Fabricada em papelão grosso de alta densidade, a caixa é rígida e muito resistente, contando com uma leve textura porosa/arenosa ao toque. Enfim, o projeto gráfico detalhado consegue transportar os leitores para o clima da história.

02 – Conan, o Bárbaro (Robert E. Howard) | Editora: Pipoca & Nanquim

Quando soube que a Pipoca & Nanquim iria lançar individualmente uma trilogia de Conan com as histórias originais escritas por seu criador, o cultuado escritor Robert E. Howard, não pensei duas vezes: estabeleci como meta comprar os três volumes. Por isso, antes de o primeiro volume chegar às livrarias, eu já o havia adquirido na pré-venda. E foi assim também com os outros dois volumes; hoje tenho a coleção completa em minha estante. Fui premiado em dose dupla: com as aventuras incríveis do guerreiro cimério e com o layout dos três livros. A Pipoca & Nanquim caprichou demais. Tenho um carinho especial pelo terceiro volume, que fecha a saga: na minha opinião, é o mais bonito da trilogia, com um acabamento de luxo impecável. Ele inclui capa dura com a arte clássica de Frank Frazetta, sobrecapa de acetato transparente, fitilho de tecido, marcador de página personalizado no formato da espada da Valéria e ilustrações internas de grandes artistas. A capa, com detalhes em vermelho, traz Conan a cavalo erguendo seu escudo e subjugando seus inimigos com a espada desembainhada.

Vale lembrar que a coleção lançada pela editora conta com uma galeria de capas da clássica revista Weird Tales, na qual as aventuras foram publicadas nos anos 1930. Uma supercapa que merece lugar de destaque em minha estante.

03 – Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Kilmore) | Editora: Verus

A obra de R. L. Kilmore chegou à minha estante há poucas semanas, mas, apesar do pouco tempo e mesmo sem ainda ter tido a oportunidade de lê-la, sua capa já me conquistou. Achei incrível. É simples, porém impressionante, provando que muitas coisas não precisam de rebuscamento para serem belas. O excesso de zelo pode acabar transformando um visual discreto e agradável em algo carregado e incômodo. A capa de Mistério em Cinnamon Falls tem essa virtude: é simples e muito bonita.

A edição brasileira, lançada pela Verus Editora, traz uma paleta de cores acolhedora e temática que remete ao outono, combinando perfeitamente com a proposta de suspense aconchegante (cozy mystery) da história.

O cenário é definido por uma profusão de tons alaranjados e amarelos intensos nas copas das árvores que emolduram a cena. Essas cores outonais transmitem acolhimento e nostalgia, elementos essenciais para o apelo cozy. O céu ao fundo apresenta um tom bege/creme pálido e suave.

Achei a capa extremamente equilibrada. As cores aconchegantes atraem o leitor, enquanto os toques de amarelo de alerta e vermelho de perigo sinalizam que nem tudo está bem naquele cenário idílico.

É uma pena que o livro não traga o nome do designer gráfico responsável pelo layout de Mistério em Cinnamon Falls.

04 – Cujo (Stephen King) | Editora: Suma

Tenho todos os livros da coleção “Biblioteca Stephen King”, mas, com relação às capas, vou ser sincero: só gostei de uma. Tudo bem que adorei as histórias, mas somente a arte de Cujo me agradou. Achei os layouts dos outros seis livros que fazem parte da coleção muito rebuscados. Cujo foi a única exceção, e que capa, galera! Ela é dominada por um vermelho forte e intenso, quase como sangue, que transmite uma sensação de perigo, urgência e medo, preparando o leitor para o suspense que está por vir. O preto e o branco são usados nos detalhes e nos textos, criando um contraste marcante que destaca os elementos principais.

No centro da capa, ocupando grande parte da imagem, há a representação de uma pata de cachorro, como se tivesse sido carimbada no chão. A pata é preta e tem uma textura áspera e desgastada, parecendo suja de terra ou sangue seco. Longos riscos pretos estendem-se para cima a partir dela, lembrando garras ou marcas de unhas arranhando a superfície. Essa imagem sugere algo selvagem, perigoso e talvez até sobrenatural.

É uma capa intrigante que consegue despertar a curiosidade do leitor, sugerindo uma história envolvente e assustadora. Sem dúvida nenhuma, uma das melhores capas de livros que tenho em minhas estantes.

05 – Marvels (Kurt Busiek e Alex Ross) | Editora: Panini

Meu Deus! Esta edição de Marvels é um dos maiores xodós da minha estante; escolhi um lugar de destaque para ela. Aliás, o livro merece todo esse esmero, pois as ilustrações são do gênio dos quadrinhos Alex Ross. Para quem não sabe, ele é simplesmente um dos maiores e mais aclamados pintores da história das HQs, famoso mundialmente pelo estilo hiper-realista criado com tinta guache e lápis. Suas pinturas dão vida aos super-heróis como se fossem pessoas reais fotografadas no cotidiano. Esta é a sensação ao bater os olhos na capa de Marvels: parece que o herói da ilustração é de carne e osso. Uau!

Por isso, considero Marvels uma verdadeira obra-prima da arte nos quadrinhos. A imagem icônica que a estampa — mostrando o reflexo do Homem-Gigante nos óculos do fotojornalista Phil Sheldon — sintetiza perfeitamente a proposta revolucionária da HQ: enxergar os super-heróis a partir da perspectiva do homem comum.

O trabalho de pintura de Alex Ross transforma o fictício em algo tangível. O jogo de luzes, as expressões humanas de espanto e a grandiosidade divina dos heróis vistos de baixo para cima mudaram para sempre a forma de produzir e consumir histórias em quadrinhos nos anos 1990.

Parabéns à editora Panini por publicar essa obra-prima.

06 – Box Grandes Obras de Bram Stoker (Bram Stoker) | Editora: Nova Fronteira



Eis mais um xodó da minha estante. Tudo culpa da Nova Fronteira, que caprichou no visual da caixa e dos três livros que formam a coleção.

Galera, o visual do box é realmente um espetáculo para os fãs de literatura de terror. Ele traz quatro livros com capas duras em cores vibrantes e contrastantes (vermelho, roxo e verde-piscina). A caixa rígida tem uma estética gótica muito imponente que se destaca — a minha estante não me deixa mentir (rs).

Essa versão aposta em um acabamento de luxo com efeito metalizado brilhante na capa e papel especial, dando um toque sombrio e sofisticado à coleção. Ter clássicos como Drácula reunidos em um material gráfico tão bem trabalhado transforma a leitura em uma experiência visual única.

07 – Zorro – Começa a Lenda (Isabel Allende) | Editora: Bertrand Brasil

A capa de Zorro – Começa a Lenda, escrito por Isabel Allende e publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil, é de fato envolvente. Toda vez que entro na minha sala de leitura e olho para o livro, não consigo conter a exclamação: "Caramba, que capa instigante!".

É verdade, galera. A obra de Allende consegue produzir esse efeito em mim; passo muito tempo olhando para ela. O layout de Zorro – Começa a Lenda captura a essência misteriosa e aventureira do herói clássico por meio de escolhas de design muito precisas. Os artistas gráficos da Bertrand Brasil foram extremamente felizes na elaboração desse projeto.

O destaque principal é a silhueta escura do Zorro. A icônica imagem com o chapéu de abas largas e a capa preta evoca imediatamente o mistério do personagem, mantendo sua identidade oculta. A presença diagonal da lâmina de uma espada cruza o fundo iluminado, sugerindo ação, perigo e a perícia do herói com as armas.

O título "Zorro", escrito em letras vermelhas estilizadas, contrasta fortemente com o fundo escuro. Vejo a cor vermelha simbolizando paixão, justiça e o sangue das batalhas da época. Se no formato brochura já consegue causar todo esse impacto, fico imaginando esse visual "vestido" em capa dura.

08 – Lady Killers - Assassinas em Série (Tori Telfer) | Editora: DarkSide

Cara, a capa de Lady Killers - Assassinas em Série é um verdadeiro soco no estômago porque quebra todas as regras óbvias do True Crime. Quando você pensa em um livro sobre assassinos em série, o cérebro já imagina uma capa preta e cinza, com manchas de sangue falso e uma tipografia meio rasgada, certo? Aqui, a DarkSide fez exatamente o oposto e entregou uma obra de arte.

Esqueça o layout tradicional dos livros do gênero, cheios de ilustrações de facas, revólveres e afins, acompanhados de sangue falso para todos os lados. Substituindo esse visual carregado, a DarkSide optou por um rosa-choque "cheguei". Esse tom de rosa neon/psicodélico na capa dura e nas laterais das páginas foi uma jogada de mestre: é berrante, magnético e atrai o olhar de longe na livraria ou no feed do Instagram. É um contraste genial de uma cor supervibrante e "divertida" embalando histórias de crimes terríveis.

Olhando de longe, os detalhes parecem aqueles arabescos clássicos de papéis de parede antigos ou molduras vitorianas chiques. Mas, quando você chega perto, o "recheio" é macabro: há crânios escondidos, cobras sinuosas e o icônico olho no topo. É um design que engana primeiro pela beleza e te assusta logo em seguida.

O título Lady Killers - Assassinas em Série usa uma fonte pesada, forte e centralizada, com uma textura que parece gasta ou carimbada. Isso dá um peso histórico para a capa, mostrando que o assunto ali é sério.

O grande segredo dessa arte é o fator fetiche. Ela transforma o livro em um objeto de desejo, um item de decoração que você faz questão de deixar com a capa virada para a frente na estante — inclusive na minha.

E é isso, galera! Vocês acabaram de conhecer algumas das capas de livros das minhas estantes, aquelas pelas quais tenho um carinho especial

 

10 setembro 2026

Desafio Literário de Fim de Ano: 4 Leituras Viciantes para Maratonar Até Dezembro

E aí, galera? Que tal definirmos a leitura de um livro para cada um destes últimos quatro meses de 2026? Aliás, este post já deveria ter sido publicado há algumas semanas, mas os meus afazeres profissionais me atropelaram e só consegui concluir o texto hoje. Digo isso porque já entramos praticamente na segunda semana de setembro. Portanto, não temos exatamente quatro meses pela frente, mas apenas três meses e 20 dias (até a data de publicação desta postagem). Mas tudo bem, isso não será problema, porque os livros que escolhi não são calhamaços e a galera conseguirá lê-los rapidamente.

Li todos e amei, por isso resolvi indicá-los para os seguidores do blog que estão à procura de um livro especial para ler neste final de ano. Calculei a média de um livro por mês — setembro, outubro, novembro e dezembro —, mas acredito que muitos de vocês gastarão bem menos tempo em cada uma dessas narrativas, já que são muito sedutoras e certamente conseguirão fisgar sua atenção logo nas primeiras páginas.

Sabem aqueles livros que “puxam” os leitores para dentro da história? Pois é, essas quatro obras me provocaram essa sensação. E que sensação gostosa! Leitura fluida, personagens carismáticos, reviravoltas surpreendentes, momentos de redenção; enfim, todos os ingredientes para conquistar o mais “incrédulo” dos leitores (rs).

E aí? Preparados? Então, vamos iniciar a nossa lista. Espero que vocês amem essas histórias da mesma forma que eu amei. Vamos nessa!

01 – Mentirosos (E. Lockhart) - Setembro

Abro a nossa lista com a obra de E. Lockhart. Tenho certeza absoluta de que você vai ler esse livro tão rápido que nem vai perceber que ainda faltam vários dias para setembro terminar, mesmo que tenha começado a leitura praticamente no meio do mês. Não só por Mentirosos ter dimensões reduzidas (20,6 x 13,6 x 1,8 cm) e poucas páginas (248), mas principalmente por sua narrativa. Cara, que enredo! Daqueles que têm o poder de provocar a mais cruel das ressacas literárias. No meu caso, foi difícil superá-la. Ah! Também derramei algumas lágrimas no final, como acredito que você, ao ler agora, também derramará..

Lançado originalmente em 2014, Mentirosos figurou por muitos anos como um dos títulos mais vendidos e comentados, não só entre os leitores adolescentes, mas também entre os adultos. O estilo de narração, aliado ao talento da autora em conduzir a trama e a um plot twist de impressionar até os mais atentos, fez com que a obra se tornasse quase uma leitura obrigatória.

Na trama desenvolvida por Lockhart, os Sinclair são uma família rica e renomada que se recusa a admitir a própria decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todos os anos eles passam as férias de verão em uma ilha particular. Cadence — neta primogênita e principal herdeira —, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos e, juntos, formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente do qual não se recorda. Paro por aqui para não estragar a reviravolta bombástica e emocionante que acontece no final.

Não estaria mentindo se afirmasse que, de todos os livros que li, o plot twist final de Mentirosos foi um dos que mais mexeram comigo e o único que conseguiu me deixar com os olhos úmidos de lágrimas.

02 – Os Sete Maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid) - Outubro

No enredo fantástico criado por Taylor Jenkins Reid, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema aos setenta e nove anos. Com seu icônico cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, ela seguiu um roteiro digno dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos escândalos nos tabloides de fofocas. 

Já a trajetória da jovem Monique Grant está longe de ter esse glamour. Apesar dos esforços, seu trabalho em uma grande revista não tem rendido muitos frutos, e o amor vai de mal a pior. Então, o inesperado acontece quando a famosa e inacessível atriz — que tem o hábito de não falar com ninguém, muito menos com a imprensa — decide dar uma entrevista exclusiva, desde que seja para Monique e mais ninguém. Garanto que desse encontro sairão grandes revelações, algumas com o poder de deixar os leitores de queixo caído.

Para que a galera entenda como Os Sete Maridos de Evelyn Hugo é bom, basta dizer que, até agora, não vi uma única crítica negativa nas redes sociais; só elogios. Um livro que certamente estarei relendo muitas vezes.

03 – A Inquilina (Freida McFadden) - Novembro

Como era de se esperar, Freida McFadden criou um thriller psicológico arrepiante com o poder de prender o leitor em suas teias. Eu não conseguia largar o livro! Queria chegar logo ao final de A Inquilina para desvendar todo o mistério fantasticamente elaborado pela autora. Galera, e que mistério! Sinta só o drama: o personagem Blake Potter tem a vida perfeita: o emprego dos sonhos, uma noiva e uma casa no lugar mais chique da cidade. No entanto, tudo começa a desmoronar após ele ser demitido do cargo de vice-presidente na agência de marketing. A partir disso, uma sensação amarga toma conta do chamado “lar, doce lar” de Potter.

Desempregado, Blake não conseguirá manter as parcelas do financiamento da moradia. A única solução para quitar as contas é alugar um dos quartos. Após tantas tentativas falhas para encontrar o inquilino ideal, o casal encontra Whitney. De todos os candidatos, ela foi quem mais se destacou, com seu jeito simpático, educado e sem frescuras. Parecia ser exatamente quem eles procuravam. Só que... assim que ela se muda para a casa, coisas sinistras começam a acontecer. A cozinha exala um cheiro de comida podre, mesmo após várias faxinas, e barulhos estranhos acordam Blake no meio da noite, além de outros eventos macabros no ambiente doméstico.

De repente, Blake passa a desconfiar de que o perigo passou a morar em sua casa. Então chegam duas reviravoltas que deixam os leitores de queixo caído. Garanto que vocês nem verão o mês de novembro passar.

04 – Alta Fidelidade (Nick Hornby) - Dezembro

Escolhi Alta Fidelidade para fechar esta lista porque tem a “cara” de uma leitura de final de ano: descontraída e recheada de listas maravilhosas. Há livros que nos conquistam logo no início, e eu me tornei refém da história escrita por Nick Hornby logo nas primeiras páginas. Se o leitor for da geração dos anos 1970 e 1980, pronto! Vai se apaixonar ainda mais pelo livro.

É impossível para as pessoas que — como eu — viveram essas duas décadas inesquecíveis não se identificarem com Rob Fleming, personagem central do romance de Hornby. Ou será que você nunca curtiu os discos de vinil e as fitas cassete com aquelas melodias internacionais que rasgavam corações, tipo “Baby, I Love Your Way”, de Peter Frampton, ou “How Can You Mend a Broken Heart”, dos Bee Gees, ou ainda a música contagiante do The Clash ou dos Beatles? E que tal “Love Hurts”, do Nazareth? Ah! Tem os filmes também! Ou será que você não assistiu — ou, na pior das hipóteses, ao menos ouviu falar — de O Poderoso Chefão e Cães de Aluguel?

Hornby escreveu uma comédia ácida e introspectiva sobre a imaturidade masculina, a obsessão pela música pop e a dificuldade de crescer. A trama acompanha Rob Fleming, um homem na casa dos 30 anos, dono de uma decadente loja de discos em Londres chamada Championship Vinyl. Estagnado na vida e incapaz de assumir compromissos adultos, Rob entra em uma crise existencial quando sua namorada de longa data, Laura, decide terminar o relacionamento.

Para tentar entender o que há de errado consigo mesmo, Rob recorre à sua ferramenta favorita de organização do mundo: as listas Top 5. Entre as conversas sarcásticas e os debates acalorados sobre música com seus dois funcionários igualmente obcecados — Dick e o icônico Barry —, as famosas listas ganham papel central no livro. Através dessas listas e do próprio Rob, a história mostra como eles usam coleções de clássicos musicais para além do elitismo cultural: como uma verdadeira armadura emocional. Para eles, categorizar os melhores álbuns, músicas ou bandas das décadas de 1970 e 1980 é a única maneira lógica de tentar dar sentido ao caos da vida real e dos seus relacionamentos.

É uma leitura leve e envolvente que retrata com perfeição a cultura pop como linguagem para os sentimentos que não conseguimos expressar.

Tá aí, galera, por hoje é só. E aí? Topam encarar esse desafio literário? Então, mãos à obra e agarrando, logo de saída, Mentirosos, de E. Lockhart. Quando vocês concluírem a leitura de Alta Fidelidade, voltem aqui para dizer se essa lista valeu a pena. Até!

 


05 setembro 2026

Edição Especial de 20 Anos de Gomorra (Roberto Saviano): O Livro Que Não Sai da Minha Lista de Desejos


Gomorra. Tá aí um livro que eu gostaria de ganhar. Desculpe-me abrir este post já com uma cantada literária, logo de cara (rs). Fazer o quê? O livro de Roberto Saviano é um dos meus maiores desejos de consumo e só não comprei até agora por causa do “Sr. Cartão”, que vive puxando as minhas orelhas. Por isso, tive que adiar a compra de novas obras que venho desejando há alguns meses. Tive muitos gastos extras: saúde e carro, principalmente, e, com isso, os livros — as minhas maiores paixões — estão tendo que esperar um pouco mais. Na realidade, estou vivendo de “doações” de algumas editoras que enviam volumes para análises e resenhas, mas grande parte deles não "bate" com os gêneros literários que aprecio.

Então... no início desta semana, fiquei sabendo que a editora Record lançou uma edição especial de Gomorra para comemorar os 20 anos de publicação da obra de Saviano. Cara, o livro não tem capa dura e muito menos páginas em papel especial, marcadores de páginas, lombadas trabalhadas ou letras em alto-relevo. Esqueça tudo isso. Esta nova edição é em brochura simples, mas, quando olhei para aquela capa na cor vermelho-vivo com letras pretas, os meus batimentos cardíacos aceleraram. E, depois que fiquei sabendo que a obra tem um novo prefácio no qual o escritor e jornalista italiano conta tudo o que passou e as consequências que o livro trouxe para sua vida, o meu desejo de tê-lo em minhas mãos subiu às alturas; mas, na mesma hora, o meu cartão deu um novo puxão de orelha — e daqueles bem doídos (rs).

Gomorra tornou-se um fenômeno global de vendas — superando a marca de 10 milhões de exemplares mundialmente — porque desmistificou completamente a imagem romantizada da máfia italiana, revelando sua conexão direta com a economia global e o capitalismo moderno. Em vez de retratar criminosos de terno sob o comando de um "Padrinho" tradicional, o livro escancara uma estrutura corporativa brutal e altamente lucrativa. Ao contrário de filmes como O Poderoso Chefão, que trazem uma visão glamourizada do crime, o texto de Saviano mostra o lado degradante e caótico da organização (como o tráfico de lixo tóxico e a exploração da miséria urbana). Enfim, o autor desconstrói o mito do criminoso elegante, expondo uma rotina marcada pela crueldade mesquinha, corrupção estrutural e destruição ambiental na região da Campânia. Para conseguir informações privilegiadas, ele se infiltrou na violenta máfia napolitana por cinco anos e recolheu dados sobre o sistema global e elaborado dos clãs da Camorra.

O livro bombou em todo o mundo: além de ter vendido milhões de exemplares, foi adaptado para o cinema e para a televisão, ganhou prêmios e, na contramão do sucesso, tirou o direito de Saviano viver sem uma escolta policial ao seu lado — após ter sido ameaçado de morte.

Pois é, galera, o sucesso de Gomorra cobrou um preço muito alto do jornalista, que passou a viver de forma invisível, cercado por guarda armada, não podendo mais ter uma rotina comum. O exílio e a vigilância constante tornaram-se parte indissociável de sua existência e de sua trajetória pública. Em resumo: tornou-se um recluso.

Tá aí um livro para ser lido e devorado.

 

01 setembro 2026

A Ilha de Gloam

Costumo dizer que alguns livros infantojuvenis têm duas caras: uma com o poder de conquistar os adultos e a outra direcionada às crianças. É muito difícil encontrar obras do gênero com essas características, mas existem exceções — como Os Três Mosqueteiros (embora a narrativa de Alexandre Dumas seja mais voltada para adultos do que para o público jovem, mas tudo bem), Harry Potter, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre outros. A Ilha de Gloam, obra de estreia do escritor britânico Jack Mackay, enquadra-se nessa categoria — ou seja, tem duas caras (rs).

Li o livro em dois dias, mesmo estando em um ritmo de trabalho acelerado. Eu conseguia driblar o sono graças às peripécias de Gwen, Roger, Hazel e Hester, quatro irmãos metidos em uma trama de arrepiar os cabelos por culpa de uma babá muito estranha.

Portanto, se você que lê este post agora for um adolescente ou pré-adolescente, o livro de Mackay foi feito para você. Já se for adulto, também gostará bastante da narrativa.

Você deve estar se perguntando quais elementos da história conseguem fisgar a atenção de leitores jovens e adultos. Eu explico: A Ilha de Gloam equilibra perfeitamente um terror gótico genuíno com dramas familiares profundos e universais. Há, por exemplo, irmãos que não se entendem no início da trama, mas que, após descobrirem as virtudes um do outro, unem-se para derrotar "algo" muito poderoso. Amei quando Gwen e Roger se reconciliaram e voltaram a se respeitar como faziam na infância.

Outro ponto explorado pelo autor é o crescimento pessoal dos personagens. Os jovens se conectam com a jornada de amadurecimento da protagonista, a irmã mais velha, Gwen. Para derrotar o monstro da ilha, ela precisa enfrentar os próprios sentimentos e parar de fugir de si mesma.

Embora seja classificada originalmente como um livro juvenil, a obra vai muito além dos sustos superficiais. Os quatro irmãos lidam com a dor real da perda da mãe, e os adultos se identificam fortemente com o peso psicológico que Gwen carrega ao tentar ser a "adulta da casa" antes da hora.

O autor Jack Mackay cria uma ambientação gótica assustadora. A casa antiga caindo aos pedaços, o isolamento da ilha gelada e os dentes afiados do monstro não são suavizados.

Por fim, um último detalhe que conquista tanto adultos quanto jovens é a escrita dinâmica e direta do autor em capítulos curtos. A estrutura da história avança rápido, o que prende facilmente os leitores mais jovens ou aqueles adultos que andam sem tempo para leituras densas.

Confesso que, no momento em que peguei o livro e "bati" os olhos na capa, fiquei com a impressão de que tinha em mãos uma obra infantojuvenil em toda a sua essência, mas mudei de opinião ao iniciar a leitura. Digo isso porque a arte da capa — apesar de muito bonita — tem um estilo mais infantilizado.

Fica a dica de leitura: seja você um leitor adulto ou adolescente, com certeza irá gostar!

 

26 agosto 2026

5 Comédias Românticas Imperdíveis para Ler Agora (Com Dicas da Lulu!)

Geralmente sou eu quem acorda mais cedo, mas, no último domingo, quando abri os olhos, vi que a Lulu já tinha se levantado. Ela estava sentada no sofá, concentrada na leitura de um livro.

— Qual é o livro? — perguntei.

Phoebe Berman Perdeu Tudo — respondeu ela. — Estou adorando a narrativa! — disse, assim que me viu ainda com cara de sono. — Faltam poucas páginas. Depois pretendo ler outro com a mesma vibe. Aliás, por que você não escreve um post sobre comédias românticas? Tipo uma lista de indicações? — arrematou Lulu.

Quando ouvi a sugestão, lá no fundo o meu alter ego (rs) gritou: “Santa Lulu! Novamente, obrigado!” (rs). Pois é, galera, nos momentos de bloqueio criativo, a ‘Super-Lulu’ não falha: aparece sempre para me salvar. E cá estou eu, elaborando uma lista de comédias românticas na esperança de colaborar com os leitores e seguidores do blog que estão à procura de uma boa obra do gênero.

Confesso que comédia romântica não é muito a minha praia — prefiro outros gêneros literários —, mas não posso negar que gostei das poucas que li. É o caso, por exemplo, de Seis Meses Para Casar, que inclusive rendeu uma postagem no blog (veja aqui). Quanto a Phoebe Berman Perdeu Tudo, que a Lulu está amando, ainda não li, mas pretendo. Tanto é que já o inclui na minha lista de leitura. Quem sabe a minha ‘super-heroína’ não me influencia a colocar “comédia romântica” entre os meus gêneros preferidos?

Mas vamos ao que interessa! Selecionei cinco livros do gênero lançados neste ano, incluindo um relançamento especial que deve aterrissar nas prateleiras das livrarias físicas e virtuais no início de outubro. Um livro que, creio eu, está sendo aguardado com muita expectativa pelos fãs da escritora Emily Henry. Vamos às sugestões!

01 – Phoebe Berman Perdeu Tudo (Brooke Averick)

Abro a minha lista com o livro que conseguiu fisgar a atenção da Lulu. Como escrevi neste post (confira aqui), o romance de estreia de Brooke Averick se tornou uma verdadeira febre no BookTok — comunidade de leitores e criadores de conteúdo que compartilham recomendações, resenhas e discussões literárias.

O que prova a força de Phoebe Berman Perdeu Tudo é que o livro foi publicado no Brasil há poucas semanas (27 de julho) e, apesar do pouco tempo, conquistou milhares de leitores em uma das redes sociais mais populares do país.

A obra tem exatamente a essência de uma comédia romântica clássica e caótica, no estilo de O Diário de Bridget Jones.

Na trama, acompanhamos a vida da protagonista Phoebe no momento em que ela chega ao fundo do poço. Após uma sequência de reviravoltas trágicas e embaraçosas, ela perde o emprego, o namorado e a estabilidade que mantinha sua rotina nos trilhos.

Sem rumo e sem planos, Phoebe se vê forçada a encarar a incerteza do futuro e a reconstruir sua vida do zero. Com um tom leve, bem-humorado e sarcástico, a história explora o caos da vida adulta, a pressão de ter tudo "resolvido" e a jornada de autodescoberta para entender quem você é quando perde tudo o que definia sua identidade.

E aí, galera, se interessaram? Saiba que a Lulu amou — e o gosto literário dela é gourmet!

02 – Seis Meses Para Casar (Kosuke Ohashi)

Eis uma das poucas narrativas do gênero que li. Vocês devem estar se perguntando: “E aí? Vale a pena ler Seis Meses Para Casar?”.

Sim, vale muito a pena! Principalmente para os leitores que procuram uma história leve, divertida e, ao mesmo tempo, reflexiva. O livro aborda recomeços, pressão social e amadurecimento.

A obra de estreia de Kosuke Ohashi explora as peculiaridades do konkatsu e da vida no Japão, enquanto prova que o inesperado, o improvável e o quase impossível também podem acontecer. Mas o que vem a ser o konkatsu, explorado à exaustão na obra? Konkatsu significa a busca ativa por um cônjuge no Japão. A palavra é uma abreviação de kekkon katsudō ("atividades voltadas para o casamento"). Em outras palavras, é o ato de namorar ativamente com o objetivo claro de se casar.

O romance explora a saga de Sayaka Kuroki, que, aos 29 anos, acredita ter a vida perfeitamente planejada: um bom trabalho e o casamento dos sonhos prestes a acontecer perto do seu aniversário de 30 anos. O plano vai por água abaixo quando ela pede demissão para se preparar para o matrimônio e, logo em seguida, descobre que está sendo traída pelo noivo — que termina tudo.

Sem noivo, sem emprego e sem dinheiro, Sayaka implora por sua vaga de volta na editora onde trabalhava. O único cargo disponível é em uma revista de moda de luxo, sob o comando do excêntrico e narcisista editor-chefe Mr. Usami. Ele aceita recontratá-la, mas com três condições inegociáveis. Uma delas é conseguir um marido e se casar em exatamente seis meses. Quanto às outras duas... bem, leiam o livro para descobrir!

03 – Os Incasáveis (Karina Heid)

Fico muito feliz quando vejo o surgimento de novos autores no meio literário nacional. Fico ainda mais feliz quando eles fazem um baita sucesso, equiparando-se a nomes já consagrados. E quer saber mais? Essa felicidade quadruplica quando esses novos escritores se tornam respeitados logo na estreia. Foi exatamente isso o que aconteceu com a escritora capixaba Karina Heid. Por isso, ela e seu livro merecem estar nesta lista.

A autora brasileira alcançou um novo patamar em sua carreira. Após construir uma base de leitores fiéis no mercado digital — com 45 livros publicados e mais de 105 milhões de páginas lidas —, Karina promoveu, no dia 27 de julho, seu primeiro lançamento físico no circuito nacional. Os Incasáveis é a primeira publicação da autora por uma grande editora, a Record, pelo selo Verus (especializado em romances).

O livro aposta em uma narrativa leve e bem-humorada. De acordo com o release da editora, a trama acompanha uma sequência de mal-entendidos hilários e apaixonantes. Júlia Ferraz é uma atriz famosa que já se casou várias vezes nas novelas, mas, na vida real, carrega a fama de ter o maior "dedo podre" do Brasil. Prestes a se casar em uma ilha paradisíaca para enterrar de vez esse boato, ela descobre que está sendo traída minutos antes de subir ao altar.

Desesperada, Júlia foge em uma lancha. No meio do caos, acaba levando junto, sem querer, o noivo do casamento da ilha vizinha, que estava desacordado a bordo. Ian Magalhães acorda de uma ressaca monumental em alto-mar. Avesso a relacionamentos, ele faz parte de um grupo de amigos apelidado de "Os Incasáveis", mas aceitou participar de um reality show de casamentos rápidos visando ao prêmio milionário para salvar a cervejaria da família.

Para aqueles que apreciam uma boa comédia romântica, tudo indica que vale a pena dar uma chance!

04 – Como Viver um Romance (Melissa Ferguson)

O livro Como Viver um Romance, da escritora norte-americana Melissa Ferguson, é uma comédia romântica ambientada nos bastidores do mercado editorial. A história gira em torno de Savannah Cade, uma assistente editorial que trabalha em uma empresa extremamente tradicional e intelectualizada.

Savannah esconde um grande segredo que pode custar seu emprego: está escrevendo um romance voltado para o mercado comercial/popular. A grande oportunidade surge quando uma renomada editora-chefe pede para ler seu manuscrito. O problema? O texto ainda não está finalizado. Após quase ser flagrada no escritório por William Pennington — o novo editor-chefe e filho da dona da empresa —, Savannah esconde suas páginas em uma sala abandonada do prédio.

O rumo da história muda completamente quando ela volta para buscar os papéis e descobre que um crítico misterioso deixou anotações sarcásticas, inteligentes e cirúrgicas nas margens de seu texto. Sem tempo a perder, ela aceita trabalhar em parceria com esse editor anônimo por meio de bilhetes e recados, sem imaginar que está prestes a viver o seu próprio conto de fadas.

Dei uma vasculhada nas redes sociais para saber o que os leitores estão achando da obra de Ferguson, e os comentários são bastante favoráveis. A maioria destaca que Como Viver um Romance é uma comédia romântica extremamente leve, divertida e ideal para quem busca uma leitura rápida.

05 – Louco por Livros (Emily Henry)

Alô, fãs de Emily Henry! A escritora lidera as listas de mais vendidos do The New York Times desde o lançamento de seu primeiro romance adulto, em 2020, acumulando dezenas de milhões de exemplares vendidos pelo mundo. Quem conhece a autora já sabe do sucesso de obras como Leitura de Verão e De Férias com Você.

Por isso, preparem-se: em outubro, a escritora norte-americana de 35 anos chega novamente com tudo às livrarias brasileiras com o relançamento de Louco por Livros em uma edição de luxo. Os colecionadores com certeza vão adorar!

A versão especial deve aterrissar por aqui em 5 de outubro, pela editora Verus. Sinta só o clima do projeto gráfico: acabamento em capa dura, pintura trilateral nas bordas das páginas e material inédito para os fãs. Vale lembrar que a obra original foi publicada no Brasil em abril de 2023.

Espero que tenham gostado das indicações! Até a próxima!

22 agosto 2026

6 livros de terror assustadores (mas não grotescos) para ler no 2º Semestre de 2026

Vamos “falar” de terror? Mas de um terror palatável; daqueles que assustam e metem medo, de fato, mas não chegam a apavorar, sufocar ou incomodar por explorar temas grotescos ou cruéis. Aliás, ainda preciso escrever um post sobre livros com essa vibe mais pesada que ainda não tive coragem de ler — se bem que nem sei se irei lê-los um dia.

Mas vamos lá, hoje o assunto é outro. Quero indicar seis livros de terror assustadores que li, gostei e recomendo. Apesar do medo, amei todos eles. Vamos à nossa lista:

01 – A Estrada da Noite (Joe Hill) 

Conhecem aquele ditado: “Filho de peixe, peixinho é”? Pois é, Joe Hill é a representação perfeita dessa frase popular. A exemplo de seu pai famoso, o mestre do terror Stephen King, seus livros são verdadeiros bestsellers do gênero.

Seu livro de estreia, A Estrada da Noite, publicado originalmente em fevereiro de 2007, mistura suspense, terror sobrenatural e rock 'n' roll. O protagonista, Judas Coyne (ou simplesmente Jude), é um astro do rock aposentado de 50 anos. Muito carismático, ele gera grande empatia no leitor, apesar das loucuras e extravagâncias que comete ao longo da história.

Quanto ao vilão, Craddock McDermontt... Brrrrrrrr... Posso afirmar que foi um dos personagens de terror que mais me assustaram e incomodaram. Ponto para Joe Hill, que logo em sua estreia criou um vilão à altura dos do seu pai.

Na trama, Jude é conhecido por seu estilo de vida solitário e por colecionar itens bizarros. Certa madrugada, durante um leilão online, ele decide comprar o paletó de um homem morto que supostamente carrega o espírito do antigo dono. O item é entregue em uma caixa preta em forma de coração, e é aí que o drama começa: o fantasma revela-se real e busca vingança contra o cantor por eventos trágicos do passado. Para tentar sobreviver à perseguição implacável desse espírito vingativo, impiedoso e maléfico, Jude foge e cai na estrada acompanhado por sua namorada gótica.

A Estrada da Noite me assustou muito, mas também me conquistou.

02 – A Casa Infernal (Richard Matheson) 


Taí outro livro de terror que me deu um medo danado. A Casa Infernal apresenta mais um vilão “casca-grossa”: Emeric Belasco, considerado um dos personagens mais malignos da literatura de horror.

O livro, publicado originalmente em 1971 (e lançado no Brasil em 2009 pela editora Novo Século, onde esgotou rapidamente e ficou anos fora de catálogo), deu origem em 1973 ao filme A Casa da Noite Eterna, brilhantemente dirigido por John Hough. O Belasco do livro é muito mais assustador do que o do cinema. Só lendo para compreender. A Casa Infernal é leitura obrigatória para os fãs do gênero.

O clima criado pelo autor é angustiante; quando você começa a ler, não consegue parar. Devorei página por página e, como a edição da Novo Século é relativamente curta (254 páginas em letras grandes), terminei em um único final de semana.

A história gira em torno de uma mansão assombrada pelo fantasma de Belasco. Se as casas mal-assombradas fossem montanhas, a Mansão Belasco seria o Monte Everest. Há 40 anos ela se mantém imponente, desafiando quem tenta decifrar seus segredos. Nesse período, houve duas tentativas desastrosas de investigação (uma em 1931 e outra em 1940): oito dos mais renomados pesquisadores paranormais do mundo morreram, cometeram suicídio ou enlouqueceram. Apenas um sobreviveu, e o terror presenciado foi tão grande que ele sofre os traumas até hoje.

Agora, um novo grupo de cientistas decide investigar a mansão. Será que conseguirão descobrir a verdade e, mais do que isso, sobreviver? A Casa Infernal (Hell House) é considerado por muitos mestres do gênero — como Stephen King — o romance de casa assombrada mais assustador já escrito. Em 2021, a editora DarkSide relançou este megassucesso em uma edição de luxo em capa dura.

03 – As Ruínas (Scott Smith) 

As situações vividas pelos personagens chegam ao extremo. Cenas envolvendo automutilações, amputações a sangue-frio e um vilão carnívoro sui generis — que devora suas vítimas sorrateiramente — minam a resistência até do leitor mais forte. Perto do final, fui obrigado a “dar um respiro” e deixar o livro quietinho sobre a mesa para continuar só depois.

Scott Smith foi muito sádico ao escrever As Ruínas (veja aqui e aqui). Além das cenas chocantes de luta contra um inimigo impiedoso, o autor explorou ao máximo os medos, incertezas e conflitos de cada personagem. A soma de tudo isso deixa o enredo tenso demais.

A trama começa simples, mas do meio para o final o bicho pega e a tensão se torna eletrizante. O enredo acompanha quatro jovens americanos que decidem ajudar um turista alemão a encontrar seu irmão desaparecido em um sítio arqueológico remoto, ficando presos em uma selva hostil dominada por um predador implacável.

A obra, lançada em 2006 no Brasil, virou filme dois anos depois. Inicialmente, a Paramount pretendia lançá-lo nos cinemas, mas acabou saindo diretamente em vídeo. Assisti ao filme e, apesar de ser bom, não chega aos pés do livro.

04 – Ed e Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais (Gerald Brittle) 

Ainda me lembro do início da resenha que escrevi sobre o livro de Gerald Brittle há quase dez anos, logo após terminá-lo. Na época, as primeiras linhas da minha publicação foram: “Cara, tenso demais. Tão tenso que cheguei a ter algumas atitudes”. Pois é! Alguns amigos acharam engraçado, mas fazer o quê... o livro mexeu muito comigo. Após a leitura, já com os batimentos cardíacos normalizados, pensei: “Pera aí... eu fiz isso mesmo? (rs)”.

Classifico a obra de Brittle, lançada em edição luxuosa pela DarkSide em 2016, como espetacular. A leitura impressiona tanto crentes quanto descrentes em assuntos polêmicos como espíritos opressores, possessões e casas assombradas.

Imagino que vocês estejam curiosos para saber minhas atitudes incomuns após a leitura. Ok, eu conto uma: rasguei e joguei fora a foto promocional da boneca Annabelle que acompanhava o livro (um brinde super bem sacado da editora). Disse para mim mesmo: “Meu! Não quero essa foto na minha casa! Vai que esse treco está carregado de energias negativas...”. Aposto que muitos estão rindo, né? Lanço o desafio: leiam o livro e duvido que continuem rindo.

As 272 páginas fazem o leitor repensar todas aquelas brincadeiras de infância envolvendo o sobrenatural, como o tabuleiro Ouija e o jogo do copo. Ufa! Ainda bem que nunca fui curioso para isso. Há alguns meses, cheguei a incluir "Demonologistas" numa lista de livros pesados de terror (veja aqui) mas depois de algumas releituras mudei de opinião. O livro impressiona sim, mas não chega a explorar o grotesco. É pesado? Olha... hoje, vejo com outros olhos. Digamos que se trata de um terror interessante e que dá para ser encarado pelos leitores "numa boa".

O livro é praticamente uma entrevista com o famoso casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren. Eles narram detalhes de seus casos mais emblemáticos — como Amityville, Família Perron, Caso Beckford, Caso Foster e a boneca Annabelle —, intercalados com orientações sobre os riscos de se envolver com o mundo metafísico. Explico tudo nesse post que escrevi em 2017 logo após ter lido a obra.

Apesar do medo, vale muito a leitura. Os fãs do horror vão amar.

05 – À Sombra da Lua (Marcos DeBrito) 

O livro À Sombra da Lua, do autor brasileiro Marcos DeBrito, assusta mais pelo clima sombrio, mistério e violência gráfica do que por sustos imediatos (jump scares). Como o autor também é cineasta, sua escrita é altamente visual, tornando as cenas de ataque bastante viscerais. Amei a história! Ela dá aquele “medinho gostoso” de sentir.

O horror nasce do isolamento, da paranoia e dos segredos ocultos da pequena Vila Socorro. A descrição dos assassinatos é crua, gerando mais repulsa do que sustos repentinos. O livro reescreve o mito do lobisomem de forma madura, realista e violenta.

DeBrito entrega um romance de terror e suspense ambientado no interior de São Paulo. A trama acompanha o pânico dos moradores de um vilarejo assolado por mortes brutais, misturando folclore nacional, dramas familiares e segredos do passado. O autor usa o monstro como pano de fundo para testar o limite dos personagens: diante do perigo extremo, as máscaras sociais caem e o verdadeiro “eu” de cada um é revelado.

Um “livraço com 'aço'”, como escrevi na resenha que publiquei no blog em 2021.

06 – It: A Coisa (Stephen King) 

Encerro esta lista com um dos livros mais assustadores de Stephen King, considerado um verdadeiro cânone da literatura de terror. It:A Coisa é uma obra-prima que redefine o medo ao explorar a amizade infantil, os traumas do passado e a maldade enraizada em uma cidade pequena.

O verdadeiro impacto não vem apenas dos sustos, mas do terror psicológico constante. King constrói uma atmosfera pesada ao longo de mais de mil páginas. Se você pensa em ler, prepare-se para uma jornada longa e intensa.

A história se passa na pacata e amaldiçoada cidade de Derry, no Maine. A cada 27 anos, uma força maligna e ancestral desperta para se alimentar, assumindo a forma dos piores medos de suas vítimas — sendo o palhaço Pennywise sua face mais conhecida.

A narrativa explora duas linhas temporais: 1958 e 1985. Em 58, sete crianças rejeitadas, conhecidas como "O Clube dos Otários", unem-se para combater essa entidade. Em 1985, já adultos e com as memórias apagadas pelo trauma, eles são convocados de volta a Derry quando os assassinatos recomeçam, precisando honrar uma promessa de infância. O livro alterna entre passado e presente, mostrando que, para vencer o monstro, eles precisam primeiro enfrentar os traumas da própria infância.

A obra inspirou importantes adaptações: a minissérie de TV de 1990 (famosa por Tim Curry no papel do palhaço), os filmes para o cinema de 2017 e 2019 (Capítulo 1 e Capítulo 2), e a série da HBO It: Bem-Vindos a Derry.

Tá aí, galera amante de histórias de terror! Tenho certeza de que esses livros atenderão às suas expectativas.

 

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