01 setembro 2026
A Ilha de Gloam
Costumo dizer que alguns livros infantojuvenis têm
duas caras: uma com o poder de conquistar os adultos e a outra direcionada às
crianças. É muito difícil encontrar obras do gênero com essas características,
mas existem exceções — como Os Três Mosqueteiros (embora a narrativa de
Alexandre Dumas seja mais voltada para adultos do que para o público jovem, mas
tudo bem), Harry Potter, Vinte Mil Léguas Submarinas, entre
outros. A Ilha de Gloam, obra de estreia do escritor britânico Jack
Mackay, enquadra-se nessa categoria — ou seja, tem duas caras (rs).
Li o livro em dois dias, mesmo estando em um ritmo de
trabalho acelerado. Eu conseguia driblar o sono graças às peripécias de Gwen,
Roger, Hazel e Hester, quatro irmãos metidos em uma trama de arrepiar os
cabelos por culpa de uma babá muito estranha.
Portanto, se você que lê este post agora for um
adolescente ou pré-adolescente, o livro de Mackay foi feito para você. Já se
for adulto, também gostará bastante da narrativa.
Você deve estar se perguntando quais elementos da
história conseguem fisgar a atenção de leitores jovens e adultos. Eu explico: A
Ilha de Gloam equilibra perfeitamente um terror gótico genuíno com dramas
familiares profundos e universais. Há, por exemplo, irmãos que não se entendem
no início da trama, mas que, após descobrirem as virtudes um do outro, unem-se
para derrotar "algo" muito poderoso. Amei quando Gwen e Roger se
reconciliaram e voltaram a se respeitar como faziam na infância.
Outro ponto explorado pelo autor é o crescimento
pessoal dos personagens. Os jovens se conectam com a jornada de amadurecimento
da protagonista, a irmã mais velha, Gwen. Para derrotar o monstro da ilha, ela
precisa enfrentar os próprios sentimentos e parar de fugir de si mesma.
Embora seja classificada originalmente como um livro
juvenil, a obra vai muito além dos sustos superficiais. Os quatro irmãos lidam
com a dor real da perda da mãe, e os adultos se identificam fortemente com o
peso psicológico que Gwen carrega ao tentar ser a "adulta da casa"
antes da hora.
O autor Jack Mackay cria uma ambientação gótica
assustadora. A casa antiga caindo aos pedaços, o isolamento da ilha gelada e os
dentes afiados do monstro não são suavizados.
Por fim, um último detalhe que conquista tanto adultos
quanto jovens é a escrita dinâmica e direta do autor em capítulos curtos. A
estrutura da história avança rápido, o que prende facilmente os leitores mais
jovens ou aqueles adultos que andam sem tempo para leituras densas.
Confesso que, no momento em que peguei o livro e
"bati" os olhos na capa, fiquei com a impressão de que tinha em mãos
uma obra infantojuvenil em toda a sua essência, mas mudei de opinião ao iniciar
a leitura. Digo isso porque a arte da capa — apesar de muito bonita — tem um
estilo mais infantilizado.
Fica a dica de leitura: seja você um leitor adulto ou
adolescente, com certeza irá gostar!


