Gomorra.
Tá aí um livro que eu gostaria de ganhar. Desculpe-me abrir este post já com
uma cantada literária, logo de cara (rs). Fazer o quê? O livro de Roberto
Saviano é um dos meus maiores desejos de consumo e só não comprei até agora por
causa do “Sr. Cartão”, que vive puxando as minhas orelhas. Por isso, tive que
adiar a compra de novas obras que venho desejando há alguns meses. Tive muitos
gastos extras: saúde e carro, principalmente, e, com isso, os livros — as
minhas maiores paixões — estão tendo que esperar um pouco mais. Na realidade,
estou vivendo de “doações” de algumas editoras que enviam volumes para análises
e resenhas, mas grande parte deles não "bate" com os gêneros
literários que aprecio.
Então... no início desta semana, fiquei sabendo que a
editora Record lançou uma edição especial de Gomorra para comemorar os 20 anos
de publicação da obra de Saviano. Cara, o livro não tem capa dura e muito menos
páginas em papel especial, marcadores de páginas, lombadas trabalhadas ou
letras em alto-relevo. Esqueça tudo isso. Esta nova edição é em brochura
simples, mas, quando olhei para aquela capa na cor vermelho-vivo com letras
pretas, os meus batimentos cardíacos aceleraram. E, depois que fiquei sabendo
que a obra tem um novo prefácio no qual o escritor e jornalista italiano conta
tudo o que passou e as consequências que o livro trouxe para sua vida, o meu
desejo de tê-lo em minhas mãos subiu às alturas; mas, na mesma hora, o meu
cartão deu um novo puxão de orelha — e daqueles bem doídos (rs).
Gomorra
tornou-se um fenômeno global de vendas — superando a marca de 10 milhões de
exemplares mundialmente — porque desmistificou completamente a imagem
romantizada da máfia italiana, revelando sua conexão direta com a economia
global e o capitalismo moderno. Em vez de retratar criminosos de terno sob o
comando de um "Padrinho" tradicional, o livro escancara uma estrutura
corporativa brutal e altamente lucrativa. Ao contrário de filmes como O
Poderoso Chefão, que trazem uma visão glamourizada do crime, o texto de
Saviano mostra o lado degradante e caótico da organização (como o tráfico de
lixo tóxico e a exploração da miséria urbana). Enfim, o autor desconstrói o
mito do criminoso elegante, expondo uma rotina marcada pela crueldade
mesquinha, corrupção estrutural e destruição ambiental na região da Campânia.
Para conseguir informações privilegiadas, ele se infiltrou na violenta máfia
napolitana por cinco anos e recolheu dados sobre o sistema global e elaborado
dos clãs da Camorra.
O livro bombou em todo o mundo: além de ter vendido
milhões de exemplares, foi adaptado para o cinema e para a televisão, ganhou
prêmios e, na contramão do sucesso, tirou o direito de Saviano viver sem uma
escolta policial ao seu lado — após ter sido ameaçado de morte.
Pois é, galera, o sucesso de Gomorra cobrou um preço
muito alto do jornalista, que passou a viver de forma invisível, cercado por
guarda armada, não podendo mais ter uma rotina comum. O exílio e a vigilância
constante tornaram-se parte indissociável de sua existência e de sua trajetória
pública. Em resumo: tornou-se um recluso.
Tá aí um livro para ser lido e devorado.


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