O casal que mora ao lado

20 setembro 2026

— Não acredito que você vai nadar novamente contra a maré após ter lido esse livro!

— Acho que vou.

— Mas eu li e gostei muito.

— Pois é, mas eu achei a narrativa morna e, muitas vezes, cansativa. Sem contar o final chocho.

— O quê?! Chocho?! Ih!! Pirou de vez.

Galera, taí uma parte do diálogo que eu tive com a Lulu logo após ter lido O Casal que Mora ao Lado, da conhecida escritora canadense Shari Lapena. A Lulu amou; eu não gostei. Confesso que pelejei para terminar a leitura.

A narrativa se torna lenta em diversos trechos, o que me fez abandonar temporariamente a história várias vezes até que o desejo de retornar à leitura voltasse. Achei as interações do detetive Rasbach com os personagens do enredo demoradas e cansativas. Ele é o policial que investiga o sequestro de uma bebê e cada vez que confrontava um suspeito, era um “Deus nos acuda”, já que quebrava o ritmo da narrativa.

Outro detalhe que prejudicava a fluidez eram os diálogos entre os dois personagens principais, Anne e Marco, que muitas vezes fugiam do foco principal da história. E, por fim, achei os personagens centrais sem carisma; sei lá... mornos. Anne e Marco, Cynthia e Graham, Richard, além do detetive Rasbach, não tiveram o carisma necessário para segurar o meu interesse. Aliás, é muito difícil se conectar profundamente com Anne, Marco ou os vizinhos. Quando não conseguimos torcer ou ter empatia real pelos personagens, acompanhar o sofrimento deles por tantas páginas se torna uma tarefa cansativa.

Outro ponto é que o livro se passa em grande parte dentro de ambientes fechados (a casa do casal, a delegacia). Como a polícia e os pais passam muito tempo sem pistas concretas do sequestro no início, os diálogos e interrogatórios acabam parecendo repetitivos, dando a sensação de que a história não sai do lugar.

Com certeza um grande número — e bota grande nisso! — de leitores deve estar me “excomungando” neste momento, porque, de acordo com os comentários nas redes sociais literárias e também nos portais de livrarias virtuais (entre os quais o da Amazon), o livro de Lapena é quase uma unanimidade ou, se preferirem, um cânone dos thrillers de suspense. Mas, no meu caso, repito: não gostei pelos motivos que expus acima.

Lulu, sei que você ficou inconformada comigo. Te conheço muito bem para saber que não irá aceitar de maneira alguma os meus argumentos, então... aceite, pelo menos, as minhas desculpas, porque tenho certeza que você amou o livro.

O Casal que Mora ao Lado narra o drama de Anne e Marco Conti. Eles parecem ter a vida perfeita, até que em uma noite tudo desmorona. Convidados para um jantar na casa dos vizinhos ao lado, eles decidem deixar a filha bebê em casa, levando apenas a babá eletrônica e checando o berço a cada meia hora. Mas, ao retornarem no fim da noite, as portas estão abertas e o berço está vazio.

A partir do desaparecimento da criança, uma investigação policial minuciosa começa a desenterrar os segredos sombrios que cercam não apenas o crime, mas o próprio casamento de Anne e Marco.

Entre acusações mútuas, memórias confusas e vizinhos misteriosos, o livro é um suspense doméstico focado em aparências e nas verdades desconfortáveis escondidas por trás das portas fechadas de um bairro de classe alta.

Acho que é isso. Se contar mais, acabo liberando spoilers para aqueles que pretendem ler o livro e, se você faz parte desse grupo, de coração, espero que goste da obra, assim como a Lulu gostou — gostou, não: amou.

Postar um comentário

Instagram