— Não acredito que você vai nadar
novamente contra a maré após ter lido esse livro!
— Acho que vou.
— Mas eu li e gostei muito.
— Pois é, mas eu achei a narrativa
morna e, muitas vezes, cansativa. Sem contar o final chocho.
— O quê?! Chocho?! Ih!! Pirou de vez.
Galera, taí uma parte do diálogo que
eu tive com a Lulu logo após ter lido O Casal que Mora ao Lado, da
conhecida escritora canadense Shari Lapena. A Lulu amou; eu não gostei.
Confesso que pelejei para terminar a leitura.
A narrativa se torna lenta em
diversos trechos, o que me fez abandonar temporariamente a história várias
vezes até que o desejo de retornar à leitura voltasse. Achei as interações do
detetive Rasbach com os personagens do enredo demoradas e cansativas. Ele é o
policial que investiga o sequestro de uma bebê e cada vez que confrontava um
suspeito, era um “Deus nos acuda”, já que quebrava o ritmo da narrativa.
Outro detalhe que prejudicava a
fluidez eram os diálogos entre os dois personagens principais, Anne e Marco,
que muitas vezes fugiam do foco principal da história. E, por fim, achei os
personagens centrais sem carisma; sei lá... mornos. Anne e Marco, Cynthia e
Graham, Richard, além do detetive Rasbach, não tiveram o carisma necessário
para segurar o meu interesse. Aliás, é muito difícil se conectar profundamente
com Anne, Marco ou os vizinhos. Quando não conseguimos torcer ou ter empatia
real pelos personagens, acompanhar o sofrimento deles por tantas páginas se
torna uma tarefa cansativa.
Outro ponto é que o livro se passa em
grande parte dentro de ambientes fechados (a casa do casal, a delegacia). Como
a polícia e os pais passam muito tempo sem pistas concretas do sequestro no
início, os diálogos e interrogatórios acabam parecendo repetitivos, dando a
sensação de que a história não sai do lugar.
Com certeza um grande número — e bota
grande nisso! — de leitores deve estar me “excomungando” neste momento, porque,
de acordo com os comentários nas redes sociais literárias e também nos portais
de livrarias virtuais (entre os quais o da Amazon), o livro de Lapena é quase
uma unanimidade ou, se preferirem, um cânone dos thrillers de suspense. Mas, no
meu caso, repito: não gostei pelos motivos que expus acima.
Lulu, sei que você ficou inconformada
comigo. Te conheço muito bem para saber que não irá aceitar de maneira alguma
os meus argumentos, então... aceite, pelo menos, as minhas desculpas, porque tenho
certeza que você amou o livro.
O Casal que Mora ao Lado narra o drama de Anne e Marco Conti.
Eles parecem ter a vida perfeita, até que em uma noite tudo desmorona.
Convidados para um jantar na casa dos vizinhos ao lado, eles decidem deixar a
filha bebê em casa, levando apenas a babá eletrônica e checando o berço a cada
meia hora. Mas, ao retornarem no fim da noite, as portas estão abertas e o berço
está vazio.
A partir do desaparecimento da
criança, uma investigação policial minuciosa começa a desenterrar os segredos
sombrios que cercam não apenas o crime, mas o próprio casamento de Anne e
Marco.
Entre acusações mútuas, memórias
confusas e vizinhos misteriosos, o livro é um suspense doméstico focado em
aparências e nas verdades desconfortáveis escondidas por trás das portas
fechadas de um bairro de classe alta.
Acho que é isso. Se contar mais,
acabo liberando spoilers para aqueles que pretendem ler o livro e, se você faz
parte desse grupo, de coração, espero que goste da obra, assim como a Lulu
gostou — gostou, não: amou.


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