Seis meses para casar

28 março 2026

Imagine só essa situação. Você está prestes a se casar, ama o seu namorado e já pensando nos preparativos de seu casamento decide pedir demissão do seu emprego. Isso mesmo! E mais: todos que trabalham com você, incluindo o seu chefe, sabem que você está deixando a empresa onde trabalha para se casar. Então, num belo dia quando você está se levantando da cama de seu futuro marido, o que é que você encontra??? Hãaa??? Me diga. Simplesmente, você encontra uma calcinha usada de uma outra mulher. No início, o seu noivo ainda tenta disfarçar dizendo que havia comprado aquela calcinha para lhe presentear ou então não sabe como ela foi parar ali. Do funcho de seu coração, você ainda tem a esperança de que ele se arrependa, mas aí chega a bomba: ele olha pra você e diz que não quer mais se casar. Buuuummmm! O seu mundo desaba.

É essa a situação ou melhor, o pesadelo vivido por Sayaka Kukori no romance Seis meses para casar. Faltando três meses para o casamento, marcado para o dia de seu aniversário de trinta anos, e logo após pedir demissão de seu emprego para cuidar da cerimônia, ela descobre que está sendo traída e que seu noivo Kazuya, não quer mais nada com ela.

Com os poucos ienes que tem na conta, humilhada e com apenas um restinho de dignidade, Sayaka consegue uma colocação num outro departamento da Revista onde trabalhava, com um chefe auto-centrado que adora se exibir. Ele exige que Sayaka se case em seis meses enquanto escreve reportagens sobre konkatsu que é a arte da busca por um marido, um costume tradicional no Japão,

Taí galera, a partir desse momento começa a via crucis da nossa Sayaka que se envolve em ‘poucas e boas’; verdadeiras peripécias amorosas que acabam conquistando os leitores.

Gostei muito de Seis meses para casar. Li o livro que tem pouco mais de 200 páginas rapidinho. O romance de estreia de Kosuke Ohashi, constrói uma narrativa que mistura comédia romântica, drama contemporâneo e crítica social. O autor conseguiu transformar algo absurdo em um enredo leve recheado de muito humor e ironia mas também com doses significativas de drama e crítica social.

Ao transformar a busca amorosa em uma espécie de experimento jornalístico, a narrativa coloca Sayaka em situações que expõem as suas inseguranças. Um dos pontos fortes do enredo é a força que brota na personagem que consegue transformar essas inseguranças em combustível para superar as dificuldades que vão surgindo ao longo de seu caminho enquanto tenta cumprir essa missão até certo ponto estranha e bizarra.

Destaque para Usami, o excêntrico chefe de Sayaka que tira suas teorias mirabolantes sobre casamento das histórias de marcas de luxo, como Louis Vuitton, Prada e Givenchy. Podemos definir Usami como um personagem emblemático muito importante na trama. Com certeza, a galera irá gostar.

Vocês devem estar se perguntando: - “E aí? Vale a pena ler Seis meses para casar? Sim, vale muito a pena. Principalmente, os leitores que estão procurando uma narrativa leve, divertida, mas ao mesmo tempo reflexiva.

 

 

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