Imagine só essa situação. Você está prestes a se
casar, ama o seu namorado e já pensando nos preparativos de seu casamento
decide pedir demissão do seu emprego. Isso mesmo! E mais: todos que trabalham
com você, incluindo o seu chefe, sabem que você está deixando a empresa onde
trabalha para se casar. Então, num belo dia quando você está se levantando da
cama de seu futuro marido, o que é que você encontra??? Hãaa??? Me diga.
Simplesmente, você encontra uma calcinha usada de uma outra mulher. No início,
o seu noivo ainda tenta disfarçar dizendo que havia comprado aquela calcinha
para lhe presentear ou então não sabe como ela foi parar ali. Do funcho de seu
coração, você ainda tem a esperança de que ele se arrependa, mas aí chega a
bomba: ele olha pra você e diz que não quer mais se casar. Buuuummmm! O seu
mundo desaba.
É essa a situação ou melhor, o pesadelo vivido por
Sayaka Kukori no romance Seis meses para
casar. Faltando três meses para o casamento, marcado para o dia de seu
aniversário de trinta anos, e logo após pedir demissão de seu emprego para
cuidar da cerimônia, ela descobre que está sendo traída e que seu noivo Kazuya,
não quer mais nada com ela.
Com os poucos ienes que tem na conta, humilhada e com
apenas um restinho de dignidade, Sayaka consegue uma colocação num outro
departamento da Revista onde trabalhava, com um chefe auto-centrado que adora
se exibir. Ele exige que Sayaka se case em seis meses enquanto escreve reportagens
sobre konkatsu que é a arte da busca por um marido, um costume tradicional no
Japão,
Taí galera, a partir desse momento começa a via crucis
da nossa Sayaka que se envolve em ‘poucas e boas’; verdadeiras peripécias
amorosas que acabam conquistando os leitores.
Gostei muito de Seis
meses para casar. Li o livro que tem pouco mais de 200 páginas rapidinho. O
romance de estreia de Kosuke Ohashi, constrói uma narrativa que mistura comédia
romântica, drama contemporâneo e crítica social. O autor conseguiu transformar
algo absurdo em um enredo leve recheado de muito humor e ironia mas também com
doses significativas de drama e crítica social.
Ao transformar a busca amorosa em uma espécie de
experimento jornalístico, a narrativa coloca Sayaka em situações que expõem as
suas inseguranças. Um dos pontos fortes do enredo é a força que brota na
personagem que consegue transformar essas inseguranças em combustível para
superar as dificuldades que vão surgindo ao longo de seu caminho enquanto tenta
cumprir essa missão até certo ponto estranha e bizarra.
Destaque para Usami, o excêntrico chefe de Sayaka que
tira suas teorias mirabolantes sobre casamento das histórias de marcas de luxo,
como Louis Vuitton, Prada e Givenchy. Podemos definir Usami como um personagem
emblemático muito importante na trama. Com certeza, a galera irá gostar.
Vocês devem estar se perguntando: - “E aí? Vale a pena
ler Seis meses para casar? Sim, vale
muito a pena. Principalmente, os leitores que estão procurando uma narrativa
leve, divertida, mas ao mesmo tempo reflexiva.


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