Se eu tivesse que definir Mulher em Queda, livro que Colleen Hoover escreveu após ter ficado
três anos sumida do mercado editorial, eu utilizaria a frase de um comentário
que li no portal Skoob. A leitora escreveu mais ou menos assim: “O livro tem várias
páginas girando em torno da mesma coisa, com excesso de palavras e pouca
profundidade real!”. Cara, essa é a definição perfeita e objetiva para o novo
livro de Hoover.
A autora enrolou muito, mas muito, de fato. A
descrição de um beijo toma duas páginas; uma simples reflexão entre dois
personagens consome mais duas páginas; uma revelação que caberia dentro de um
‘eu te amo’ ou ‘você é muito importante pata mim’, engole mais paginas; e por
aí a narrativa vai se arrastando tornando grande parte a história rasa e sem
profundidade. Acredito que toda essa enrolação seja num dos maiores ‘pecados’
de Mulher em Queda.
Há ainda um outro pecado, talvez até mais grave do que
toda essa ‘enrolação’; vou revelar qual é: ele se chama engodo. Quando ‘digo’ engodo
estou me referindo ao chamado ‘marketing popular’ que vários blogs e canais no
Youtube fizeram, publicando postagens e vídeos onde revelavam que Mulher em Queda teria a mesma vibe do
megassucesso Verity, primeiro
thriller psicológico escrito pela autora e que explodiu em vendas, tornando-se
um grande fenômeno no mercado editorial. E quer saber? Até o “Livros e Opinião”
cometeu esse pecado (vejam aqui).
Verity
foi
publicado originalmente em 2018 nos Estados Unidos e dois anos depois no Brasil
pela Galera Record. Para se ter uma ideia do tamanho do sucesso desse livro, basta
expor que mesmo após mais de cinco anos de seu lançamento no Brasil, ele
continua ocupando os primeiros lugares nas listas de livros mais vendidos; além
de ter ‘virado’ um filme que deve estrear nos cinemas em outubro de 2026.
Somado a toda essa expectativa, os meios de comunicação começaram a associar Mulher em Queda com Verity afirmando que que o primeiro também era um thriller
psicológico nos mesmo moldes de Verity.
Pronto! Estava formada a tempestade perfeita com os
seguintes elementos: o lançamento de um livro com a mesma premissa de outro que
havia se transformado no passado, num fenômeno editorial; e o retorno de sua autora
famosa, após ter ficado três anos sem ter escrito absolutamente nada.
Mas acontece que o enredo Mulher em Queda não tem nenhuma semelhança com Verity, passando muito longe de ser um thriller psicológico. O que
estou querendo explicar é que o mais recente lançamento de CoHo se enquadra no
gênero ‘dark romance’ que apesar de ser um gênero literário em ascensão, muitos
leitores ainda não se adaptaram a ele.
Não são enredos adolescentes. Requerem “muita
reflexão”, além de experienciar emoções fortes. É um gênero que está começando
a romper a bolha recentemente e que não desfruta de um grande número de
seguidores. Agora, voltando a nossa ‘tempestade perfeita’ junte aos elementos
dessa tempestade um gênero literário não tão popular. Entenderam o porque da
decepção dos leitores CoHo? Eles, com certeza, não são adeptos do ‘dark romance’
que geralmente começa com um vilão ou um anti-herói: um stalker, narcotraficante,
um homem da máfia. Depois, junta-se a violência e a adrenalina a uma narrativa
moralmente ambígua, onde os limites entre o certo e o errado são testados a
cada página. Se identificarmos pelo menos um destes sinais, podemos ter a
certeza que estamos perante um livro desse gênero.
Da mesma forma que a autora foi muito feliz, há sete
anos, quando estreou no thriller psicológico com Verity, um gênero muito diferente do qual estava acostumada; agora,
ao se arriscar – mesmo sem querer – no estilo dark romance, não teve a mesma
receptividade.
Em Mulher em
Queda, uma escritora famosa chamada Petra Rose que já arrebatou multidões e
dominou as listas de livros mais vendidos, passa a sofrer de um bloqueio
literário após ter sido muito criticada pela adaptação de uma de suas obras
para o cinema. O ódio viral da internet a transformou em alvo fácil, e cada página
em branco a qual não consegue escrever por causa de seu bloqueio é mais um
lembrete de que a sua carreira pode estar chegando ao fim.
Desesperada para se reerguer, Petra se refugia numa
cabana a beira de um lago, determinada a concluir o suspense que pode salvar
sua vida profissional. Ela acredita estar sozinha, mas então...
Taí galera; quem sabe aqueles leitores que apreciem o
gênero dark romance, possam acabar amando a história? Afinal de contas, não
existem opiniões literárias unânimes. E isso serve também para Mulher em Queda, já que também li nas
redes sociais alguns comentários de leitores que amaram a história. Não muitos,
mas li.
Inté!



Postar um comentário