10 bonecos mais assustadores e maquiavélicos dos livros de terror

O boneco do filme Poltergeist que fez eu pagar o maior mico na minha adolescência
Hoje dou muitas risadas quando recordo do fato, mas há quase 40 anos quase me borrei inteiro de medo. Foi em 1982 no cinema da minha cidade. Estava passando o blockbuster “Poltergeist – O Fenômeno” quando surgiu aquele, então até inofensivo, boneco de um palhaço. O tal boneco tinha uma cara horrível e um sorriso mais horrível ainda e quando surgiu, repentinamente, no filme assustando uma criança que estava em seu quarto durante uma madrugada chuvosa... PQP! A coisa ficou trash. O susto foi tão grande que cheguei a cair da poltrona ou melhor... a escorregar da poltrona até o chão.
Cara, o pior nisso tudo é que eu estava com uma menina que tinha a minha idade, pouco mais de 20 anos. Nem me lembro o seu nome, sei apenas que era uma garota que vinha paquerando já algum tempo e quando a convidei para assistir ao filme, ela topou.
Pois é, estávamos abraçadinhos no escurinho do cinema quando o boneco do palhaço maledeto apareceu e me fud... de cabo a rabo. O susto que levei foi tão grande que como já disse, cheguei a escorregar da poltrona e o pior... com direito a um gritinho – daqueles bem suspeitos - de medo; sabem, daqueles bem fininhos e tremidos. E quer saber mais? A minha tão desejada acompanhante ficou impassível: sem gritar, sem se apavorar, sem dar escândalo. Ela aguentou o tranco firme, muito firme, mas o que doeu em minha alma foi aquele seu olhar. Do tipo que diz: “O que é isso cara?! Controle-se.” E como não bastasse a pancada na minha moral, aquele olhar veio seguido de um outro ainda mais avassalador e doído, do tipo: “Eu heimmm!”.
Juro que depois do filme queria moer de pancadas aquele palhaço ‘mardito’ que acabou estragando a minha noite. Já que claro, no auge da minha pós-adolescência e com os hormônios e feromônios a flor da pele, tinha outros planos para depois do cineminha. Mas por causa daquele boneco ‘estraga prazeres’, logo após o término da sessão, eu e a garota ‘destemida’ ficamos assim, meio sem clima, e tudo terminou ali.
Hoje quando conto essa aventura amorosa mal sucedida para Lulu, rachamos de rir. “Ainda bem que aconteceu essa ‘tragédia grega’ com direito a gritinhos, caso contrário, talvez nem estaríamos juntos”, disse ela. E foi Lulu quem me deu a ideia de escrever esse post sugerindo:  “Geralmente, conhecemos os bonecos, mas dos filmes de terror, então, porque você não inverte essa situação e escreve uma postagem sobre os bonecos mais assustadores não dos filmes, mas dos livros de terror?” Pimba! Acabei gostando da idéia e assim, nasceu o post que você está lendo agora.
Portanto, vamos a nossa playlist.
01 – Boneca Zuni
Livro: Eu Sou a Lenda (Richard Matheson)
A edição de Eu Sou Lenda da Nova Século – com a capa do filme – lançada em 2007 traz além da história principal, outros 10 contos curtos (ver aqui) escritos por Richard Matheson, um dos grandes nomes da literatura de terror.
No conto A Presa, Matheson apresenta aos seus leitores a diabólica boneca Zuni, uma horrenda boneca fetiche conhecida por “Aquela que Mata”. Cara, acho que esse ‘slogan’ já diz tudo, não é? Então, e a bonequinha é, de fato, terrível.
Ela deve ser prima ou até mesmo irmã do Chucky (rs), mas na minha opinião muito mais horripilante, graças a descrição de Matheson que deu ao personagem características assustadoras.
Na história, tudo começa quando Amélia compra um estranho presente para seu novo namorado, Arthur: uma boneca fetiche de uma loja de antiguidades, e então... já viu né? A danadinha ganha vida, pega uma faca na cozinha, e sai perseguindo a pobre aterrorizada Amélia por toda a sua casa. Agora, se Amélia conseguirá se livrar da boneca ou a boneca se livrará de Amélia, só mesmo lendo o conto.
02 – Robert
Livro: O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas (Aaron Mahnke)
No início de 1900 um casal americano contratou uma babá jamaicana para cuidar de seu terceiro filho chamado Eugene. A história não cita o nome dessa misteriosa babá, afinal, se você fosse uma mulher em 1904, isso era bastante comum, infelizmente. Se sua pele não fosse clara e seu nome não fosse europeu, as chances de ser identificada diminuíam ainda mais. Por isso, talvez, a babá jamaicana se tornou tão misteriosa.
Ela cuidava de Eugene diariamente e acompanhava a família em todas as suas viagens. Certo dia, ela deu um presente para a criança: um boneco do tamanho de uma criança de quatro anos que foi batizado de Robert.
O caldo começou a engrossar quando os empregados da casa começaram a ouvir risadinhas estranhas nos lugares onde o boneco estava, além de disserem que Robert, apesar de um simples boneco de pano inanimado, piscava para as pessoas, além de se locomover durante a noite pela casa. Quando o trancavam no porão, mesmo assim, ele podia ser visto de madrugada sentado na cadeira de balanço da sala.
A última gota, contudo, veio algum tempo depois, quando o os pais foram despertados no meio da noite. Na escuridão do quarto, ouviram risadas e ruídos de movimentação. Alarmados, um deles acendeu o abajur sobre o criado mudo e os dois sentiram o coração parar de bater. Ali, ao pé da cama, estava o boneco Robert com uma faca de cozinha na mão. Brrrrrrrrr!!! Cara, Kê qué isso!! Me ‘calafriou’ inteiro!!
Em O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas, os leitores terão a oportunidade de conhecer a história completa de Robert e assim terem mais subsídios para concluir se a mesma se trata de uma lenda ou uma história real.
03 – Annabelle
Livro: Ed e Lorraine Warren – Demonologistas (Gerald Brittle)
Muito antes de Annabelle aparecer nas telas dos cinemas, ela surgiu no livro The Demonologist de Gerald Brittle, lançado originalmente em 1980, mas só chegando no Brasil muuuuito tempo depois, em 2016, através da Darkside.
Em Ed e Lorraine Warren – Demonologistas, Annabelle tem todo um capítulo dedicado à ela. O autor conta como casal Warren chegou até a boneca do mal e a luta para vencer a força maligna que tomou posse do objeto. Brittle conta a história real por trás da boneca.
O bafão de Annabelle começou a se popularizar em 2013, depois do filme Invocação do Mal. Tanto o livro quanto o longa metragem mostram, basicamente, um dos maiores mistérios explorados pelo casal Ed e Lorraine Warren na década de 60.
Brittle conta em sua obra que uma estudante de enfermagem chamada Donna havia ganhado a boneca de presente da mãe quando se mudou para Connecticut. A garota tinha acabado de começar a faculdade.
Donna e sua colega de quarto começaram a perceber que quando elas voltavam para casa, a boneca estava sempre em uma posição diferente. Pior: muitas vezes, a boneca Annabelle estava em um outro cômodo qualquer. Mas não era só isso; a segurança de todos que passavam alguns momentos na casa passou a ficar comprometida. A boneca do mal queria matar todos aqueles que invadissem o seu domínio.
04 – Fats
Livro: Um Passe de Mágica (William Goldman)
William Goldman – o mesmo de Maratona da Morte - criou um boneco assustador, de gelar o sangue. O thriller psicológico Um Passe de Mágica começa quando um mágico fracassado chamado Charles Whithers, mais conhecido por Corky, resolve inovar, fazendo shows passando a usar Fats – um boneco de ventríloquo de madeira muito adorável e simpático. Mas por trás da simpatia de Fats, existe um terrível segredo que faz do boneco algo maligno.
Aos poucos, Fats vai dominando a personalidade de Corky obrigando o mágico a fazer tudo o que ele quer, impondo as suas vontades. Então quando o artista se apaixona e tenta ser feliz no amor, o boneco de ventríloquo mostra uma outra faceta de sua personalidade: o ciúme. A partir daí a ‘coisa’ fica trash.
Um Passe de Mágica foi escrito em 1976 e ganhou uma adaptação para os cinemas dois anos depois. Magia Negra teve no papel de Corky Withers o excelente Anthony Hopkins ainda em início de carreira.
05 – Ciganinha
Livro: Ultra Carnem (César Bravo)
O escritor César Bravo criou um personagem que aparece pouco em seu livro de contos Ultra Carnem, mas o pouco que aparece causa arrepios. As quatro histórias interligadas do livro giram em torno de Wladimir Lester, um jovem cigano com uma incrível habilidade para pintar. Ele tinha o hábito de retratar a vida e costumes de seu povo. Lester pertencia a uma antiga linhagem de feiticeiros e foi ele quem criou a boneca chamada Ciganinha que foi parar nas mãos de uma velha cigana que tinha uma loja de antiguidades.
No conto chamado “Abandono”, Marcos - um técnico de informática acostumado a dar golpes nos clientes cobrando sempre a mais por peças e consertos - é chamado para arrumar o computador do parente de uma velha cigana. Na loja da mulher, ele conhece a escultura de uma cigana de sensualidade ímpar. Então, misteriosamente, os olhos da escultura passam a seguir Marcos em todas as direções.  Cada olhar da ciganinha lhe eriçava os cabelos do corpo, provocando calafrios. Pois é... Tenham certeza de que a partir do momento que Marcos conhece a misteriosa boneca, sua vida nunca mais será mais a mesma.
06 – Muriel
Livro: Sete Ossos e Uma Maldição (Rosa Amanda Strausz)
Sete Ossos e Uma Maldição é um livro de contos de terror infanto-juvenil, mas com o poder de assustar muitos marmanjos. Li a obra de Rosa Amanda Strauz em 2016 e achei os contos horripilantes e com uma pegada bem adulta.
Uma das histórias mais assustadoras é o conto que leva o nome do livro. Nele, uma criança chamada Clara estranha o fato de que todas as bonecas que ganha acabam estraçalhadas no dia seguinte. O estranho é que apenas uma boneca espanhola chamada Muriel fica intacta. Na realidade quem destroçava as bonecas de Clara era a própria Muriel.
“Clara andou pelo quarto enquanto observava as bonecas. Parecia que só os olhos de Muriel a acompanhavam. E teve também a impressão de que o sorriso da espanhola estava mais aberto, como se fosse estourar numa gargalhada a qualquer momento” (trecho da página 65). Brrrrrrr!!!
Para não estragar o impacto e a surpresa daqueles que pretendem ler o livro de Strauzs digo apenas que os leitores irão se surpreender no momento em que Clara descobre que...  bem, a partir daí, ela passa a conhecer a origem da boneca Muriel.
07 – Cara-de-pau
Livro: Goosebumps: O Mistério do Boneco (R.L. Stine)
São 88 páginas assustadoras, apesar do livro ser enquadrado na categoria infanto-juvenil. Tudo bem que seja um livro para adolescentes, mas na minha opinião a história do boneco cara-de-pau é capaz de assustar muitos adultos.
Neste oitavo volume da famosa série literária Goosebumps criada pelo escritor americano Robert Lawrence Stine ou simplesmente R.L. Stine, as gêmeas Lindy e Kris vivem implicando uma com a outra, pois tudo que uma tem a outra que ter igual e melhor. Uma disputa de interesses sem fim o que faz das duas irmãs verdadeiras rivais com direito a um festival de raiva e inveja.
Um dia, enquanto brincavam num terreno, perto de uma construção abandonada, Lindy encontra um boneco de ventríloquo, o qual batiza de Bolacha. Ela, então, começa a praticar com o boneco para poder se apresentar em pequenos eventos na escola e também em festas de aniversário dos colegas. Lindy e Bolacha acabam fazendo muito sucesso.
Kris, morta de ciúme, obriga o pai a também comprar um boneco semelhante. Certa tarde passando em frente a um brechó ele vê um boneco de ventríloquo com uma cara estranha, mas mesmo assim, resolve compra-lo para dar de presente a filha. De uma maneira estranha, o dono da loja ficou aliviado ao se ver livre do brinquedo.
Kris coloca o nome no boneco de Cara-de-pau e como Lindy ela começa a praticar para se apresentar em lugares importantes. Não demora muito e coisas ruins começam a acontecer, será que o estranho boneco estava causando tudo aquilo? Para saber, só mesmo lendo o livro.
08 – Senhor Malvadão / Bofetada
Livro: Goosebumps: A Vingança do Boneco Vivo (R.L. Stine)
Parece que R,L. Stine tem um fixação por bonecos; e daqueles bem malvados. Este é mais um livro da famosa série de terror Goosebumps, criada pelo autor, que tem como protagonista um boneco.
A Vingança do Boneco Vivo conta a história de uma garotinha chamada Britney Crosby que recebe a visita de Ethan, um primo mal criado e que ainda por cima tem o habito de carregar para cima e para baixo um boneco de ventríloquo chamado Sr. Malvadão.
Ethan vive infernizando a vida de Britney com brincadeiras de muito mal gosto até o momento em que ele desaparece misteriosamente. Certo dia, Britney vai até o quarto em que Ethan está hospedado mas não o encontra lá. Antes de sair, ela repara que o boneco de ventríloquo do primo se mexe, e sussurra: “Eu não gosto de você Britney!”. A garota sente um calafrio percorrer a sua espinha e pergunta como aquilo poderia ter acontecido.
Na realidade, o Sr. Malvadão se chama Bofetada e foi criado por um mágico malvado nos anos 1800 com o objetivo de escravizar todas as pessoas que conhece. A partir daí começa o pesadelo de Britney.
09 – O Macaco
Livro: Tripulação de Esqueletos (Stephen King)
Stephen King é fera! O cara é capaz de transformar um inofensivo brinquedo num artefato horripilante. Foi isso que aconteceu no conto chamado O Macaco que faz parte da coletânea Tripulação de Esqueletos que alguns críticos consideram o melhor livro de contos do autor.
King conta a história de um macaquinho de brinquedo que carrega uma terrível maldição: toda vez que toca seus pratos (ou címbalos), uma morte terrível acontece. Este macaco chegou à família de Hall Shelburn anos atrás, quando ele era uma criança. Misteriosamente ele reaparece anos depois, mesmo Hall tendo certeza de que havia jogado o brinquedo fora.
Hall foi atormentado pelo macaco durante muitos anos. Ele teria sido um presente do pai, um marinheiro que abandonou a esposa e os dois filhos sem deixar muitas pistas. Após a morte da mãe, ele e o irmão Bill foram morar com Tio Will e Tia Ida. Para Hall, a presença do macaco era sinônimo de tragédia. Ele inclusive acreditava que o sumiço do pai e a morte da mãe fora causada pelo brinquedo.
O retorno inexplicável daquele macaco e, como não bastasse, ser visto por seus filhos o deixava muito apreensivo e com razão porque toda vez que o brinquedo tocava os seus címbalos, alguém conhecido morria. Eu heinnn?! Tô fora.
10 – A Grande Rainha
Livro: Boneca de Ossos (Holly Black)
Esta boneca vai fazer você dormir com luz de seu quarto acessa. Taí mais um livro infanto-juvenil capaz de meter medo também em adultos. No enredo de Holly Black, os personagens Poppy, Zach e Alice sempre foram amigos. E desde que se conhecem por gente eles brincam de faz de conta – uma fantasia que se passa num mundo onde existem piratas e ladrões, sereias e guerreiros. Reinando soberana sobre todos esses personagens malucos está a Grande Rainha, uma boneca chinesa feita de ossos que mora em uma cristaleira. Ela costuma jogar uma terrível maldição sobre as pessoas que a contrariam.
Depois de muitos anos quando os três já estão adultos, Poppy conta para os amigos que começou a ter sonhos com a Grande Rainha – e também com o fantasma de uma menininha que não conseguirá descansar enquanto a boneca de ossos não for enterrada no seu túmulo vazio.
Então, Poppy, Zach e Alice partem para uma última aventura a fim de ajudar o fantasma da Rainha a encontrar seu descanso eterno. Mas nada acontece do jeito que eles planejaram... A missão se transforma em uma jornada de arrepiar.
Taí galera, não é apenas o cinema que tem os seus bonecos assustadores; os livros também e talvez bem mais horripilantes, muito mais.
Inté!

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