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02 março 2022

10 livros publicados há pouco tempo e que estão fazendo um baita sucesso

Que tal ‘encarar’ um livro ‘da hora’ neste, ainda, começo de ano? Afinal de contas, março se enquadra, perfeitamente, no início desses 365 dias que já estamos vivendo. Melhora mais se a obra foi publicada recentemente. Pensando nisso, resolvi elaborar uma postagem apontando 10 livros que foram lançados há pouco tempo e que estão recebendo rasgados elogios tanto de leitores quanto de críticos. 

Ah! Quando escrevi “publicados há pouco tempo” quis dizer num período de dois anos. A única exceção na lista é a obra de Taylor Jenkins Reid, o maravilhoso Os Sete Maridos de Evelyn Hugo que foi publicado no Brasil em outubro de 2019 pela editora Paralela, portanto há mais de dois anos e meio, quase três. Mas acontece que o enredo é tão bom, mas tão bom, que acabei optando por incluí-lo nessa lista.

Os 10 livros abaixo estão fazendo um baita sucesso e com certeza irão agradar os mais exigentes dos leitores. Portanto, escolham os seus gêneros preferidos e boa leitura!

01 – Os sete maridos de Evelyn Hugo (Taylor Jenkins Reid)

Amei, amei e amei! Mesmo tendo sido lançado há mais de dois anos não poderia deixar de incluir nessa Top List, o livro da Taylor Jenkins Reid. A personagem Evelyn Hugo consegue te prender do início ao fim. A medida que detalhes e segredos de sua vida vão sendo revelados, o leitor fica cada vez mais curiosos para saber mais e mais.

À exemplo de Daisy Jones & The Six – outro sucesso da autora, lançado no mesmo ano – a história de Os Sete Maridos de Evelyn Hugo conquistou uma legião de leitores. Prova disse é que após dois anos de seu lançamento, o livro encontrava-se, até a semana passada, entre os 10 mais vendidos na listagem da Amazon.

Aos setenta e nove anos, Evelyn Hugo é uma lenda do cinema. Com seu icônico cabelo loiro e dona de uma beleza de dar inveja, seguiu um roteiro digno dos filmes que protagonizou: deixou para trás a origem simples para se alçar ao estrelato e se transformar na grande sensação das telas nos anos 1960. Nos bastidores, levou uma vida igualmente agitada, incluindo sete casamentos e muitos escândalos nos tabloides de fofocas.

Vivendo reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora. Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.

02 – Histórias lindas de morrer (Ana Cláudia Quintana Arantes)

Quando este livro foi lançado em março de 2020, o sucesso entre leitores e críticos foi imediato. Eles, simplesmente, amaram a narrativa de Ana Cláudia Quintana Arantes que há quatro anos já havia lançado uma obra no mesmo estilo chamada A morte é um dia que vale a pena viver. Os dois livros bombaram nas redes sociais: só elogios e mais elogios.

Ana Cláudia é médica formada pela USP, com residência em geriatria e gerontologia no Hospital das Clínicas da FMUSP. Fez pós-graduação em Psicologia – Intervenções em Luto pelo Instituto 4 Estações de Psicologia e especialização em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford.

Em 2012, publicou seu primeiro livro de poesia, Linhas pares, utilizado como base de pesquisa do impacto da poesia sobre a esperança de pessoas gravemente enfermas. Seu segundo livro, A morte é um dia que vale a pena viver, permanece entre os mais vendidos e recomendados desde a primeira edição, em 2016.

A médica e escritora cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, em contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano. Ela é considerada uma das principais vozes na tentativa de quebrar o tabu sobre a morte no Brasil.  Em Histórias lindas de morrer, a autora apresenta uma coleção de emocionantes histórias reais colhidas em sua prática diária, em que a proximidade do fim nos revela em toda a nossa profundidade. São pessoas de variadas idades, crenças e origens, que nos deixam de herança lições de vida. Você vai conhecer A.M. e R., que mostram, cada um à sua maneira, que a comunicação humana vai muito além do que imaginamos.

Vai se emocionar com M., que recebeu em vida o perdão incondicional pelos maus-tratos dispensados à filha. Vai torcer pelo morador de rua F. em sua tentativa de reencontrar a mãe para se despedir.

Com momentos tocantes, tensos e também divertidos, estas histórias nos relembram a importância das relações humanas e do respeito ao outro. O medo da morte é o medo do não vivido, mas nunca é tarde para se envolver com a própria história.

03 – Até o verão terminar (Colleen Hoover)

É incrível, né gente, como Colleen Hoover conseguiu cativar milhares de leitores em tão pouco tempo. Ela é uma máquina de lançar livros e num curto espaço de tempo. É interessante, também, como ela consegue navegar com toda segurança de um gênero para o outro. Sem dúvida, uma grande escritora. Depois de Verity, É assim que acaba, Layla, O lado feio do amor, As mil partes do meu coração e etc e mais etc; ela lançou, recentemente, Até o verão terminar.

O livro chegou ao Brasil através da editora Galera em agosto do ano passado e em poucas semanas, já entrava na lista dos mais vendidos em todo o País.

Desta vez, Hoover narra a história de Beyah; filha de uma mãe problemática e um pai ausente e que precisou aprender a se virar sozinha desde pequena. Sua vida foi trilhada com muitas decepções. Mas ela está prestes a mudar a sua sorte graças a si mesma, e a mais ninguém, por conta da bolsa de estudos que ganhou para estudar em uma boa universidade. Apenas dois curtos meses separam o tão sonhado futuro do passado que tanto deseja deixar para trás. Mas uma reviravolta faz Beyah perder até mesmo a casa em que mora.

Sem opção, ela recorre ao último recurso que tem e precisará passar o resto do verão na casa de praia do pai que mal conhece, da nova esposa e da filha dela que nem ao menos ouvira falar. O plano de Beyah é se manter quase invisível até poder ir para a faculdade. Mas o vizinho da casa ao lado torna tudo muito mais complicado. Afinal, é difícil ignorar o rico, bonito e misterioso Samson. A partir daí, surge uma paixão que terá muitas reviravoltas e segredos a serem desvendados.

04 – As obras revolucionárias de George Orwell (George Orwell)

Este box com os três maiores sucessos literários de George Orwell está fazendo a cabeça da galera. A caixa lançada pela editora Principis em março de 2021, contendo o texto integral traduzido do original em inglês, ocupa as primeiras posições nas listas de obras mais vendidas em nosso País.

O box contém os livros: A Revolução dos Bichos, 1984 e Dentro da baleia e outros ensaios. O box é todo roxo com os livros em tons mais claros (azul, amarelo e rosa) formando um belo contraste. O ponto negativo destacado por alguns leitores está relacionado com a qualidade das páginas consideradas mais finas do que o normal e com uma tonalidade amarelada.

George Orwell é um dos escritores mais importantes do século XX. Foi autor de romances, ensaios, críticas e artigos jornalísticos, com textos de fácil compreensão, inteligentes e críticos, apontando as injustiças sociais. Suas obras trazem oposição ao totalitarismo, o que as tornaram influentes na cultura popular, mas também na política.

05 – Kit Um de Nós (Karen M. McManus)

Taí mais um box na relação das obras mais vendidas nesses últimos dois anos. Para ser mais exato, um kit com os dois livros da autora americana de ficção para jovens adultos, Karen M. McManus. A caixa traz os thrillers Um de nós está mentindo e Um de nós é o próximo juntamente com dois marcadores de páginas. O kit “desembarcou” nas livrarias brasileiras em 30 de agosto de 2021 através da editora Galera. São um total de 784 páginas para serem devoradas pelos amantes do gênero suspense.

Um de nós está mentindo foi lançado originalmente em 12 de fevereiro de 2018. A história começa quando cinco estudantes da Escola Bayview de Ensino Médio – Simon, Addy, Cooper, Bronwyn e Nate – ficam em detenção.

Simon, conhecido por administrar um grupo virtual de fofocas e divulgar boatos sobre os colegas nas redes sociais, acaba sofrendo uma reação alérgica fatal. Os outros quatro estudantes tinham motivos suficientes para matar Simon, e quando a investigação determina que a morte do aluno não foi um acidente, todos se tornam suspeitos. Afinal de contas, quem matou Simon?

O livro agradou tanto na época de seu lançamento que acabou despertando o interesse da Netflix que o transformou em série de TV de grande sucesso no ano passado. A aceitação foi tanta que a série acabou sendo renovada para uma segunda temporada neste ano de 2022.

Após o grande sucesso de vendas de Um de nós está mentindo, certamente uma continuação não estaria fora de cogitação. E foi o que, de fato aconteceu. Em 20 de janeiro de 2020 os leitores do gênero “New Young Adult” ganhariam a sequência da história envolvendo os cinco estudantes.

Em Um de nós é o próximo, bem... não é preciso muito para entender que teremos uma nova vítima entre o grupo de estudantes e um novo suspeito.

06 – O livro das virtudes para as crianças (William J. Bennett)

O livro das virtudes para as crianças foi lançado originalmente em 1993, mas, recentemente, em junho de 2021, a editora Nova Fronteira relançou a obra de William J. Bennett em capa dura. O livro foi muito vendido na década de 90 e, agora, voltou a figurar nas listagens dos mais vendidos em várias livrarias brasileiras, incluindo a Amazon. 

O livro das virtudes para crianças é a obra perfeita para pais e filhos desfrutarem juntos. Aqui, William J. Bennett traz uma seleção de contos e poemas das mais diversas tradições literárias, que por séculos perduram na memória de diferentes povos pelo encanto que as narrativas provocam e, principalmente, pela sabedoria que encerram. São mensagens de coragem, perseverança, responsabilidade, trabalho, autodisciplina, compaixão, fé, honestidade, lealdade e amizade, que ganham ainda mais vida com as belas ilustrações do artista Michael Hague.

Os textos tem por objetivo conduzir os “leitores pequenos” no caminho da nobreza, da gentileza e da bondade. Apesar do título da obra, ela pode ser lida também pelos adultos já que as histórias são muito interessantes. Basta conferir a opinião desses leitores nos portais do Skoob e Amazon.

07 – Tudo é rio (Carla Madeira)

Tudo é rio é o livro de estreia de Carla Madeira. Com uma narrativa madura, precisa e ao mesmo tempo delicada e poética, o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais depravada e cobiçada da cidade, que entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.

Na orelha do livro, Martha Medeiros, considerada uma das melhores cronistas brasileiras, escreve: “Tudo é rio é uma obra-prima, e não há exagero no que afirmo. É daqueles livros que, ao ser terminado, dá vontade de começar de novo, no mesmo instante, desta vez para se demorar em cada linha, saborear cada frase, deixar-se abraçar pela poesia da prosa. Na primeira leitura, essa entrega mais lenta é quase impossível, pois a correnteza dos acontecimentos nos leva até a última página sem nos dar chance para respirar. É preciso manter-se à tona ou a gente se afoga.”

A metáfora do rio se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio do suor, da saliva, do sangue, das lágrimas, do sêmen, e de acordo com Martha Medeiros, Carla faz isso sem ser apelativa, sem sentimentalismo barato, com a habilidade que só os melhores escritores possuem.

O livro foi lançado em fevereiro do ano passado e já nos primeiros dias entrou na lista dos mais vendidos da Amazon.

08 – Coragem para crescer (Marcos Freitas)

Apesar do livro de Marcos Freitas ter sido publicado, agora, no começo de 2022 – em janeiro, para ser exato – já está dominando os primeiros lugares das listagens das obras mais vendidas no País. Está em 7º lugar no ranking da revista Veja, um dos top list literários mais respeitados, aqui, da terrinha.

Marcos de Freitas é o CEO da Seja Alta Performance, empresa de consultoria empresarial considerada a maior aceleradora de negócios e resultados do Brasil. Ele é graduado em marketing e possui mais de 12 formações internacionais e projetos realizados na China, Portugal, EUA e Canadá, além de realizar missões internacionais com empresários, anualmente, para potencializar seu know-how e network.

Em Coragem para crescer, o autor compartilha os principais pontos do método Alta Performance nos Negócios para que você, empresário ou futuro empresário, conheça as ferramentas certas e possa usá-las no crescimento da sua empresa. Marcos convida você a esquecer as crises econômicas brasileiras e voltar o olhar para dentro do seu negócio para avaliar todo o potencial de mudança ainda não explorado que ele tem.

09 – Arrastados: Os bastidores do rompimento da barragem de Brumadinho, o maior desastre humanitário do Brasil (Daniela Arbex)

Cara, a autora de Arrastados é fodástica. Duvida? Então anote aí: Daniela Arbex escreveu Holocausto brasileiro que foi reconhecido como Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (2013) e segundo melhor Livro-Reportagem no Prêmio Jabuti (2014). A obra foi adaptada para documentário pela HBO e inspirou a série de ficção “Colônia”, exibida pela Globoplay. 

Em 2015, ela lançou Cova 312, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Livro-Reportagem (2016). Escreveu também Todo dia a mesma noite, em 2018, que narra a história não contada da boate Kiss e que ganhará adaptação pela Netflix. Foi eleita a melhor repórter investigativa do Brasil pelo Troféu Mulher Imprensa. Arbex tem ainda outros 20 prêmios nacionais e internacionais no currículo, entre eles três Esso e o americano Knight International Journalism Award.

Pois é, é essa a autora do livro Arrastados que narra de maneira investigativa uma das maiores tragédias que aconteceu no Brasil: o rompimento da barragem de Brumadinho.

No dia 25 de janeiro de 2019, às 12h28, a B1, barragem desativada da Mina do Córrego do Feijão, explorada pela mineradora Vale na cidade de Brumadinho, Minas Gerais, rompeu. Seu rastro de lama, rejeitos de minério e destruição se estendeu por mais de 300 quilômetros, levando torres de transmissão, trens de carga, pontes, casas, árvores, animais e, na contagem oficial da tragédia, a vida de 270 pessoas (ou 272, considerando as duas gestantes entre os mortos).

Arbex foi a campo para reconstituir em detalhes as primeiras 96 horas após o colapso. Ela entrevistou sobreviventes, familiares das vítimas, bombeiros, médicos-legistas, policiais e moradores das áreas atingidas. A autora retornou à região para acompanhar o impacto das indenizações e contrapartidas institucionais para a reparação dos danos materiais.

Arrastados chegou às livrarias em 25 de janeiro de 2022 pela editora Intrínseca.

10 – Verity (Colleen Hoover)

Gente, não deu para evitar; tive que colocar a Colleen Hoover duas vezes nesta lista literária. Afinal, seu livro Verity lançado aqui no Brasil em 2020 arrebentou em vendas, tornando um dos preferidos de toda a galera thrillers psicológicos e também de suspense e mistério.

Finalista do prêmio Goodreads como melhor romance de 2019, Verity narra a história envolvendo um casal apaixonado, uma intrusa e três mentes doentias. Verity Crawford é a autora best-seller por trás de uma série de sucesso. Ela está no auge de sua carreira, aclamada pela crítica e pelo público, no entanto, um súbito e terrível acidente acaba interrompendo suas atividades, deixando-a sem condições de concluir a história... E é nessa complexa circunstância que surge Lowen Ashleigh, uma escritora à beira da falência convidada a escrever, sob um pseudônimo, os três livros restantes da já consolidada série. Para que consiga entender melhor o processo criativo de Verity com relação aos livros publicados e, ainda, tentar descobrir seus possíveis planos para os próximos, Lowen decide passar alguns dias na casa dos Crawford, imersa no caótico escritório de Verity - e, lá, encontra uma espécie de autobiografia onde a escritora narra os fatos acontecidos desde o dia em que conhece Jeremy, seu marido, até os instantes imediatamente anteriores a seu acidente - incluindo sua perspectiva sobre as tragédias ocorridas às filhas do casal.Quanto mais o tempo passa, mais Lowen se percebe envolvida em uma confusa rede de mentiras e segredos.

Valeu galera, por hoje é só. Espero que tenham apreciado essa lista.

26 fevereiro 2022

A Sociedade da Neve



Viche! Quase uma semana sem postar nada no blog! Apesar de perceber que os acessos na minha página estavam sofrendo uma queda – afinal, qual seguidor não quer ler artigos novos? – decidi priorizar a conclusão da leitura de A Sociedade da Neve de Pablo Vierci. A narrativa estava tão interessante que resolvi seguir em frente. Portanto, taí, o motivo da demora de quase sete dias nas postagens. Me desculpem aí galera, mas cá entre nós, foi por um motivo justo. O livro é incrível!

A Sociedade da Neve aborda um dos acidentes aéreos mais trágicos da história da aviação mundial. Um acontecimento, aliás, que mexeu com o mundo todo devido as circunstâncias em que os seus 16 sobreviventes conseguiram driblar a morte durante os 72 dias em que ficaram perdidos no meio de uma geleira sem fim.

No dia 13 de outubro de 1972, o time de rugby de uma universidade do Uruguai estava a caminho de Santiago do Chile quando a aeronave da Força Aérea caiu na Cordilheira dos Andes, a mais de 4 mil metros de altitude. O avião transportava 45 pessoas. Durante a queda, 12 pessoas faleceram e 17 morreram com o passar dos dias, por conta do frio extremo e escassez de alimento. A Tragédia dos Andes, como ficou conhecida, foi pauta para diversos debates sobre os limites da sobrevivência humana.

No começo o grupo sobreviveu se alimentando de barrinhas de chocolate e doces que encontraram nas malas. O problema veio após alguns dias, quando a comida se esgotou. Então, eles tiveram de tomar uma decisão radical para continuarem vivos na esperança de um resgate: se alimentar dos corpos dos passageiros e tripulantes que haviam morrido na queda do avião.





O autor de A Sociedade da Neve revela que, após o resgate, autoridades do governo uruguaio aconselharam os jovens a não contar como tinham sobrevivido, “que a verdade, se pública, os assombraria para sempre”. Na época, Nando Parrado e Roberto Canessa, os expedicionários que conseguiram atravessar os Andes e pedir socorro a um montanhista, se negaram a esconder os fatos.

O livro de Vierci conta em detalhes toda essa tragédia, mas com um diferencial muito importante se comparado a outras obras que exploraram o assunto: a saga foi narrada pelos próprios sobreviventes da tragédia, ou seja, cada um deles contou em detalhes o que fez para se manter vivo naqueles 72 dias fatídicos que tiveram início em 13 outubro de 1972.

A obra intercala as narrativas dos sobreviventes com o relato objetivo do autor que dá detalhes sobre os fatos relacionados ao acidente. Cada capítulo é iniciado com descrições de Vierci sobre a tragédia, desde os momentos descontraídos que marcaram o embarque dos jovens no avião da Força Aérea Uruguaia até o instante do resgate, passando pela provação dos 72 dias que definiram a sobrevivência dos 16 jovens, na época. Logo depois desses preâmbulos vem as narrativas. O livro dedica um capítulo inteiro para cada um dos sobreviventes contarem as suas sagas.


Sobreviventes sendo atendidos após o resgate, depois de 72 dias de sofrimento


Confesso que todas as 16 narrativas mexeram comigo. Como por exemplo, o momento em que ouviram pelo rádio que as buscas haviam sido encerradas já que as autoridades uruguaias acreditavam que todos haviam morrido na cordilheira. Mesmo assim, eles nunca perderam as esperanças, tanto é verdade que decidiram por conta própria se salvarem. Mais ou menos assim: “Já que esqueceram da gente, vamos provar a eles que estamos vivos”. A partir desse momento, decidiram começar a fazer expedições exploratórias, todas fracassadas, até culminar com a expedição final de Nando Parrado e Roberto Canessa que resultou no salvamento do grupo. Mas para continuarem vivos, os 16 sobreviventes tiveram de tomar uma decisão que marcaria as suas vidas: se alimentar dos corpos dos seus amigos que haviam morrido no acidente.

O livro mostra ainda como foi a reinserção dessas 16 pessoas na sociedade, as dificuldades que elas sofreram para voltar a ter, novamente, uma vida normal; os momentos emocionantes que marcaram o resgate após os 72 dias perdidos nos Andes; a reação de seus familiares quando souberem que eles tiveram de praticar canibalismo para sobreviver; como esses sobreviventes vivem atualmente; e principalmente como foram os mais de dois meses perdidos nos Andes, a rotina para sobreviver naquelas circunstâncias. Tudo isso narrado por conceitos diferentes com cada um dos integrantes da chamada “Sociedade da Neve” dando o seu ponto de vista sobre a situação.

Já tinha lido há algum tempo o livro de um outro sobrevivente dos Andes, Nando Parrado, que escreveu o também ótimo Milagre nos Andes: 72 dias na montanha e minha longa volta para casa, mas enquanto nesse livro temos apenas a visão de uma das 16 pessoas que conseguiram escapar com vida da tragédia, em A Sociedade da Neve, todos os 16 sobreviventes narram como foi a sua saga, com alguns deles, encontrando o espaço ideal para exorcizar os seus fantasmas.

Livraço!

20 fevereiro 2022

"Flores da Morte" chega ao Brasil no começo de março com um plot que tem tudo para fisgar a atenção dos leitores

Hoje pela manhã, durante as minhas zapeadas de praxe pelas livrarias virtuais em busca de novidades, me deparei com um livro que chamou a atenção. Antes, deixe-me avisar que sou um grande devorador de trhrillers policiais e de suspense, o que explica o meu interesse por “Dog Rose Dirt” – já lançado nos States – e que chegará ao Brasil em 1º de março pela editora Trama com o título de Flores da Morte

O estranho é que vi comentários em alguns sites e blogs de que o livro já havia sido lançado por aqui em janeiro, mas de acordo com as grandes livrarias como Amazon, Travessa e outras, além do próprio site da Trama, Flores da Morte só chega ao Brasil, de fato, no começo de março. Além do mais, ainda não há nenhum comentário sobre o livro no portal do Skoob; portanto, acho que ele ainda não desembarcou em terras tupiniquins ou quem sabe, alguns blogueiros mais sortudos - que tenham parcerias com a editora - já receberam o presentão.

Mas vamos ao que interessa, ou seja, dar maiores detalhes sobre o livro da escritora Jen Williams. Cara, achei o plot interessantíssimo, daqueles que tem grandes chances de prender a atenção do leitor da primeira à ùltima página, desde que a autora não tenha errado a mão.

Confiram o plot liberado pela editora e depois vejam se não concordam comigo: “Após o inexplicável suicídio da mãe, a ex-jornalista Heather Evans precisa retornar à casa de sua infância e acaba descobrindo algo aterrador: centenas de cartas trocadas entre sua mãe e o famoso assassino em série Michael Reave. O Lobo Vermelho, como é chamado pela imprensa, está preso há mais de vinte anos pelas mortes brutais e ritualísticas de inúmeras mulheres, embora sempre tenha alegado inocência. Quando o corpo de uma jovem é encontrado decorado com flores, exatamente da mesma forma como Reave deixava suas vítimas, ele é a única pessoa que pode colaborar com a investigação. Depois de anos de silêncio, Michael Reave enfim está disposto a falar… apenas com Heather. Para descobrir a verdade sobre a morte da mãe e impedir que o sangue de outras vítimas seja derramado, Heather vai precisar enfrentar o Lobo ― e este é apenas o início da caçada. Até que ponto conhecemos de verdade nossos familiares? Até que ponto conhecemos de verdade a nós mesmos?

Na minha opinião não dá para negar que se trata de um plot ‘da hora’ e que se bem desenvolvido, com certeza, se transformará numa narrativa com o poder de fisgar o leitor que aprecia esse gênero de romance.

De acordo com alguns sites gringos, especificamente da terra do Tio Sam – que estão elogiando muito a obra de Williams - embora a ficção policial sobre serial killers seja relativamente comum, a autora consegue dar um ângulo novo e original a esse gênero com algumas reviravoltas inesperadas. A narrativa alterna entre a história de Heather no presente e uma narrativa passada que alude ao passado de Michael Reave, o ‘Lobo Vermelho’.

Segundo critica publicada na NB Magazine, a tensão e o humor do romance são capturados de forma brilhante, e Williams mantém uma atmosfera completamente tensa e inquietante por toda parte.

Bem, galera, resumindo: Flores da Morte tem todas as chances de se tornar um grande best-seller no Brasil. Lembrando que o livro já está em pré-venda nas principais livrarias virtuais.

17 fevereiro 2022

Amigo Imaginário

Antes de tudo, é um absurdo comparar o livro de Stepehn Chbosky com It de Stephen King. O motivo é bem simples: enquanto você devora com avidez as mais de 1.000 páginas de It, em Amigo Imaginário, você empaca e se não for persistente, acaba desistindo da leitura.

De fato, é uma pena, porque o plot da obra de Chobosky é muito bom. Expondo de uma maneira bem resumida, é a história de uma criança que tem o poder de vagar entre o mundo real e o mundo imaginário. Neste último, ele acaba encontrando um amigo – o tal ‘amigo imaginário’ - que o alerta de uma grande catástrofe que poderá ocorrer no mundo real caso, o garoto, não consiga impedir uma trama diabólica que vem sendo engendrada por uma entidade maligna que vive no mundo imaginário.

O problema é que o autor enche o enredo de linguiça; enrola muito, mas muito mesmo. Na minha opinião, se ele tivesse reduzido as mais de 750 para 350 ou 400, teria em mãos uma história incrível, perto da unanimidade e não um divisor de águas com uma parte dos leitores detestando e a outra adorando.

Além da história excessivamente longa, um outro problema ao qual ‘batizei’ de “poda de narrativa” contribui para deixar o enredo ainda mais cansativo, além de fazer com que o leitor vá perdendo, aos poucos, a paciência. “Poda de narrativa” – termo criado por mim – é aquele momento em que o enredo está perto do clímax e o autor opta por cortar abruptamente esse clímax pulando para um novo capítulo, diga-se de passagem, um capítulo bem morno. Esse capítulo do clímax que acendeu a curiosidade do leitor só volta depois de ‘uns’ três ou quatro capítulos desinteressantes, isso por causa da grande quantidade de personagens que fazem parte do enredo. Agora imagine só enfrentar toda essa agonia em mais de 750 páginas. Aliás, o enredo tem tantos desses capítulos anti-climax que a leitura entra numa espiral desgastante. 

É uma pena que o excesso de páginas de Amigo Imaginário matou a narrativa que tinha todos os elementos necessários para compor um plot fantástico, ou seja: ‘enredo-raiz’ e personagens muito bons, recheados com reviravoltas interessantes. Na minha opinião, até mesmo as referências religiosas que fazem parte da narrativa e que incomodaram alguns leitores, acabaram dando um toque especial ao livro. A reviravolta, perto do final, envolvendo um personagem importante do mundo imaginário é a prova disso.

Chbosky, poxa vida, bem que você poderia ter optado por uma narrativa mais enxuta.

 


13 fevereiro 2022

Seis livros didáticos antigos de Português, História e Geografia que deixaram saudades

Volta e meia lá estou eu com a minha nostalgia. Ela chega assim, meio que...  sem avisar. Nostalgia dos filmes que assistia no cinema em minha cidade e que hoje está fechado; nostalgia das peraltices que vivia com os meus amigos de infância; nostalgia das brincadeiras dançantes à base dos saudosos vitrolões e por aí afora. Neste final de semana bateu uma nostalgia danada dos meus tempos de infância quando frequentava o antigo Primeiro Grau. Assim, acabei me lembrando dos saudosos boletins em papel; daqueles em cartolina onde os professores colocavam as nossas notas em azul (ufa!!) ou em vermelho (vichiii!!) para que levássemos para casa com a promessa de mostrarmos aos nossos pais. 

Pois é, mas a nostalgia maior que bateu fundo foi aquela relacionada com os livros e cartilhas didáticas daquele tempo, ou seja, dos anos 60 e 70. Inclusive, já escrevi, no passado, uma postagem sobre elas (ver aqui), mas hoje quero postar algo mais seletivo, abordando apenas os materiais didáticos referentes à Língua Portuguesa, História e Geografia. Tive a ideia porque eu era um péssimo aluno em matemática, mas por outro lado, adorava Português, Geografia e História, fosse ela Geral ou do Brasil. Daí, a minha opção em fazer esse post direcionado apenas para esses livros.

E aí? Preparados para ingressar em nossa máquina do tempo? Então, se você viveu a sua infância ou adolescência nos anos 70 e adorava os livros didáticos daquela época, com certeza, irá adorar essa viagem.

01 - Método ABC– Ensino prático para aprender a ler

Começo a nossa lista com esta cartilha que deixou saudades em grande partes dos cinquentões ou sessentões de hoje. Método ABC – Ensino prático para aprender a ler foi uma cartilha destinada tanto às crianças, quanto aos adultos “analfabetos”, era um material de leitura, como o próprio nome esclarece, em que os alunos eram levados a decorar o alfabeto e cada página da cartilha, que era constantemente “tomada”, de acordo com uma sistematizada rotina.

A obra, apesar de compacta, com apenas 16 páginas, buscava levar os alfabetizandos à memorização do alfabeto, de sílabas e de algumas palavras. Era um material introdutório ou utilizado paralelamente a outros livros nas salas de alfabetização e propunha o ensino prático para o aprendizado da leitura.

Estava baseado no método alfabético, isto é, iniciava-se das partes menores (as letras), até se chegar às palavras. Desse modo, a obra era dividida em nove cartas que apresentavam uma sequência, supostamente, linear, inicialmente com reflexões simples, que tornavam-se mais complexas com o decorrer das lições. No entanto, antes de iniciar a primeira carta, as quatro páginas iniciais apresentavam o alfabeto em letra de imprensa maiúscula e em letra cursiva, as vogais e as consoantes minúsculas.

02 – Caminho Suave

Esta cartilha pode ser considerada antológica. Caminho Suave fez a cabeça de uma geração de professores e alunos dos anos 60 e comecinho da década de 70. 

Aprovado pela Comissão do Livro Didático do Departamento de Educação do Estado de São Paulo. A cartilha de Leitura era usada, geralmente, a partir do segundo ano primário. Aprovado pela Comissão Nacional do Livro didático. Caminho Suave foi um fenômeno de vendas no Brasil: calcula-se que todas edições, até a década de 1990, venderam 40 milhões de exemplares. Há um exemplar de edição bem posterior, dos anos de 1980, quando a cartilha foi modificada e vários exercícios foram incluídos.

Apesar de não ser mais o método "oficial" de alfabetização dos brasileiros, a cartilha idealizada pela educadora Branca Alves de Lima virou uma verdadeira coqueluche no ambiente escolar dos anos 60 e 70.

Foi observando a dificuldade de seus alunos, a maioria oriundos da zona rural, que a autora criou o método que ela própria denominou "alfabetização pela imagem". A letra "a" está inserida no corpo de uma abelha, a letra "b", na barriga de um bebê, o "f" fica instalado no corpo de uma faca, a letra "o", dentro de um ovo e assim por diante.

03 – Cartilha Sodré

A Cartilha de Alfabetização Sodré, criada por Benedicta Sthal Sodré, chegou a vender mais de 6 milhões de exemplares em suas 273 edições e, à exemplo de Caminho Suave, marcou uma geração de ‘leitores-estudantes’. 

Posso imaginar a nostalgia que todos aqueles que estão lendo essa postagem estão sentindo nesse momento. Principalmente você que teve a oportunidade de utilizar tal cartilha memorável que hoje em dia passou a valer muitos reais nos sebos.

A Cartilha Sodré era meio quadrada, mais curta e mais larga do que um livro-padrão. Na capa fosca e esverdeada, uma menina de tranças sorria pra gente e nos convidava à ventura das primeiras letras. Com poucas páginas, tinha o tamanho parecido ao das cadernetas que os donos de armazém marcavam as compras feitas no fiado pelos nossos pais ou então daqueles conhecidos almanaques de farmácia.

A autora, Benedicta Stahl Sodré, aparecia com letras miúdas na capa. Essa cartilha alcançou quase 300 edições e milhares de exemplares vendidos.

04 – Geografia do Brasil

A década de 60 foi marcada por uma forte presença dos livros de Aroldo  de Azevedo  produzidos  pela  companhia  Editora  Nacional.  Esse autor foi o responsável  por  uma  vasta  obra  didática de geografia, publicando  livros  pelas  décadas de  1940  1950  e  1960. Alguns desses livros foram considerados tão importantes que continuaram fazendo parte do currículo escolar na década de 70. Várias de suas obras didáticas, como Geografia do Brasil, chegaram à centésima edição.

O geografo Aroldo de Azevedo (1910-174) se formou pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP. Ele foi um dos primeiros professores de Geografia em nosso País, além de renomado autor de livros didáticos.

05 – História do Brasil

Este livro escrito por Roberto Jorge Haddock Lobo fez parte da vida escolar de muitos alunos que cursaram o antigo ginasial no início dos anos 60. Há algum tempo atrás, fuçando uma velha estante que pertencia ao meu irmão mais velho descobri a publicação História do Brasil que traz a foto de um personagem histórico. 

A grande produção didática de Haddock Lobo pode ser explicada pela sua atuação como professor, tendo em vista que ele lecionou em faculdades particulares como o Mackenzie e foi, também, um dos fundadores da Faculdade de Economia, Finanças e Administração de São Paulo.

06 – Geografia Ativa – Estudos Sociais

Cara, que saudades dessa época. Eram os anos 70 quando eu cursava o antigo Primeiro Grau na saudosa Escola Industrial. Putz que saudades! Este livro didático fazia parte da grade curricular de Geografia com a professora Maria Ângela. Apesar do tempo, ainda me lembro muito bem.

O livro trazia impresso na capa o desenho de três garotos sobre uma espécie de plataforma - que na realidade, é o Palácio do Planalto - e que sobrevoava uma região do Brasil onde algumas máquinas trabalhavam na abertura de uma estrada. Esta obra escrita pela educadora Zoraide Victorello Beltrame  era uma das minhas preferidas.

A autora escreveu ainda em 1982, outro livro para o 2º Grau com os mesmos personagens chamado Geografia Ativa – As Regiões Brasileiras, mas o que marcou época, pelo menos pra mim, foi o livro do 1º Grau.

Taí pessoal; espero que essa viagem no tempo tenha agradado a todos os leitores que tiveram a felicidade de ter em mãos – nos seus tempos de estudantes – qualquer um desses livros didáticos.

 


09 fevereiro 2022

Flores para Algernon



Não espere um livro com grandes plot twists, aliás, Flores para Algermnon não tem nenhuma reviravolta bombástica na história. Tanto é verdade que logo no início da trama, eu já imaginava qual seria o final e adivinhem? Acertei em cheio! Começando a resenha dessa forma, fica a impressão de que o livro de Daniel Keys é algo sem sal e sem açúcar, enfim uma leitura nada atraente. Mero engano. Na realidade, Flores para Algernon é maravilhoso, uma leitura cativante e emocionante. Aliás, para uma obra literária ser boa não é preciso que ela esteja recheada de plot twists. Conheço várias narrativas ruins que tem inúmeras reviravoltas, por outro lado, conheço muitas narrativas excelentes e sem nenhum twist. Flores para Algernon se encaixa nessa segunda categoria.

Além de ter me emocionado muito, a história de Charlie Gordon fez com que a minha empatia por pessoas com deficiências intelectuais crescesse ainda mais. A narrativa de Keys é um tapa na cara de muitas pessoas que não dão a devida atenção para adultos ou crianças portadoras desse tipo de transtorno, transformando-os em vítimas de bullying ou simplesmente ignorando-as. A minha vontade, quando terminei a leitura, era a de esfregar o livro na cara dessas pessoas. Verdade! A história, de tão profunda e emocionante, mexe muito, mas muito com a gente.

A história é escrita em primeira pessoa, na forma de epístolas pelo personagem Charlie Gordon que sofre de retardo mental. Ele trabalha em uma padaria onde é um bom funcionário. Apesar de ter amigos no ambiente de trabalho, quase sempre acaba sendo vítima de brincadeiras de mau gosto por esses supostos “amigos”.

Depois de algum tempo, Charlie é selecionado para ser o primeiro humano a passar por uma cirurgia revolucionária que promete aumentar o QI do paciente transformando-o num ser humano com uma capacidade intelectual espantosa. Em um avanço científico sem precedentes, a inteligência do personagem aumenta tanto que ultrapassa a dos médicos que planejaram o experimento. Entretanto, Charlie passa a ter novas percepções da realidade e começa a refletir sobre suas relações sociais e até sobre o papel de sua existência.

Os trechos do livro que mostram o relacionamento de Charlie com Alice, a sua professora da escola de alunos com deficiência mental, são os mais fortes e emocionantes da narrativa, principalmente depois que ele atinge o limite de seu QI, tornando-se uma pessoa extraordinariamente inteligente. Esta mudança acaba interferindo até mesmo em sua interação com as pessoas que tem um QI elevado – os chamados gênios – e muito mais ainda com aquelas de QI normal. Isto porque a sua inteligência, após a operação, chega a ultrapassar todos os limites.

Outro momento forte do livro e que desperta um sentimento de raiva no leitor é relacionamento de Charlie com a sua mãe e com a sua irmã quando ainda sofria de retardo mental. Cara, abusivo demais! Que ódio dessas duas mulheres!

A conclusão do enredo, mesmo não sendo nenhuma novidade e até mesmo obvio, emociona pra caramba.

O autor foi muito criativo ao optar por desenvolver a sua narrativa em primeira pessoa na forma de um diário onde Charlie vai escrevendo passagens de sua vida. No início, a sua escrita é cheia de erros crassos de português, mas depois conforme a sua inteligência vai avançando, esses erros também vão desaparecendo e o seu texto ganha uma escrita perfeita. Achei um lance bem inovador por parte de Keys.

Flores para Algernon foi escrito na forma de conto e publicado pela primeira vez em 1958 numa revista de fantasia e ficção científica, ganhando o Prêmio Hugo de Melhor Conto em 1960. O romance foi publicado em 1966 e foi co-vencedor do mesmo ano do Prêmio Nebula para Melhor Novela.

A ideia de Keys em escrever a história surgiu durante um momento crucial, em 1957, enquanto Keyes ensinava inglês a alunos com necessidades especiais. Um desses alunos perguntou-lhe se seria possível ser colocado em uma classe comum (regular) se ele trabalhasse muito e se tornasse inteligente. Esse foi o gatilho para escrever Flores para Algernon.



O livro fez tanto sucesso no decorrer dos anos que ganhou várias adaptações para a TV e o cinema, sendo a mais famosa delas “Os Dois Mundos de Charly” de 1968 e que rendeu o Oscar de ‘Melhor Ator’ para Cliff Robertson.

Antes de encerrar essa resenha gostaria de revelar quem é o Algernon do título do romance de Keys. Tudo bem, fique despreocupado porque não darei spoilers. Vamos lá. Algernon é um rato de laboratório que serviu de cobaia no experimento científico. O animal foi o primeiro a passar pela cirurgia para aumentar a inteligência. Quanto as “Flores” que também fazem parte do título, bem... só lendo a história para compreender.

A leitura valeu muito a pena.



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