A Odisseia

Podem anotar:  Menelaos Stephanides escreve muito! Texto fluido, linguagem simples e sem rebuscamentos, além de diálogos na dose certa, nem demais e nem de menos. Não é por acaso que os seus livros foram homologados pelo Ministério da Educação Grego para as escolas públicas.
Quem me apresentou o escritor grego foi um cara chamado Jasão que só anda acompanhado de seu grupo de argonautas. Depois de algum tempo queria muito ler Odisséia que narra as peripécias de Ulisses ou Odisseu em seu retorno atribulado para a casa depois da guerra de Tróia; percurso que demorou 20 anos. Como não sou muito adepto de poemas, queria ler as aventuras do herói no formato de prosa ao invés dos versos épicos escritos por Homero. Já havia lido o enredo de Homero, há algum tempo, e confesso que achei a leitura um pouco cansativa. Portanto, buscava algo mais fluido.
Daí comecei a zapear na Net na esperança de encontrar algum romance sobre o famoso herói grego, responsável direto pela queda de Tróia ao ter tido a ideia de construir um cavalo de madeira. Foi então, que me lembrei do livro anterior de Stephanides, Jasão e os Argonautas, que já havia lido e adorado.
A Odisséia, faz parte da coleção “Mitologia Helência” formada por oito volumes (Hércules; Prometeu, os homens e outros mitos; Jasão e os argonautas, Teseu, Perseu e outros mitos; Ilíada; A Guerra de Tróia; A Odisséia; Édipo e Os deuses do Olimpo). Como já havia devorado Jasão e os argonautas, não pensei duas vezes e comprei A Odisséia.
À princípio, se você olhar sem compromisso para o livro, a primeira ideia que brotará em sua cabeça é de que se trata de uma obra infanto-juvenil com uma linguagem bem simples – aliás, a própria diagramação do livro, incluindo o seu tamanho, remete a isso. Pois é, ledo engano. Na realidade, o enredo é muito bem articulado, com o autor mesclando primeira e terceira pessoas em sua escrita, ora com um narrador impessoal, contando as peripécias do herói grego, ora com o próprio Ulisses assumindo o comando da narrativa.
A história também não é linear, tanto é que os leitores só passam a “mergulhar” nas aventuras do herói em seu retorno a Ítaca  - sua terra natal - praticamente no meio do livro. Somente a partir daí é que passamos a ter contato com as peripécias de Odisseu envolvendo o ciclope Polifemo, as sereias, a feiticeira Circe, além das temíveis Cila e Caribdes, entre tantos outros desafios.
Stephanides abre o seu livro mostrando uma reunião dos deuses do Olimpo que discutem sobre o futuro de Odisseu: se ele deve ou não voltar para a sua Pátria. Depois, o leitor é transportado para o palácio do herói que foi tomado por vários forasteiros que pretendem disputar a mão de sua esposa Penélope, acreditando que o seu marido já está morto após 20 anos. Ainda vemos Ulisses preso na ilha da feiticeira Calipso – fato que se levarmos em conta a adoção de uma ordem cronológica, só acontece perto do fim de suas aventuras - e na sequência a sua visita ao rei Alcinoo.
A linguagem fluida de Stephanides faz com que o leitor praticamente devore toda a obra num piscar de olhos. A Odisseia tem ainda vários desenhos feitos a mãos representando vários momentos dessa odisséia. Achei as imagens incríveis, de um bom gosto a toda prova; o que deixa evidente que muitas vezes, o simples consegue superar o glamour com uma mão nas costas.
Leiam A Odisséia, vocês irão gostar muito!

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