11 agosto 2021

10 livros esquecidos, atualmente, mas que fizeram um baita sucesso nos anos 70

Os anos 70 tiveram livros que fizeram muito sucesso, mas tanto sucesso que mereceram ganhar, justamente, o status de Best-Seller; vou mais além: mereceram ser chamados de antológicos. Mas o tempo também é cruel com algumas obras literárias que muitas vezes, de maneira inexplicável, caem no esquecimento com o passar de anos ou décadas.

É difícil encontrar uma explicação para esse fato, ou seja, como um livro excelente, bem escrito e que fez um baita sucesso em sua época não conseguiu resistir ao tempo e acabou esquecido pelas novas gerações de leitores?

Tal curiosidade me levou a escrever esse post onde seleciono 10 livros que foram considerados grandes Best-Sellers e venderam ‘horrores’ nos anos 70 mas hoje, nos tempos atuais, poucos se lembram ou conhecem. Isso não significa que eles deixaram de ser bons livros, nada disso.

Acredito que essa lista será útil para aqueles leitores que estão à procura de um bom livro e ao mesmo tempo curiosos para saber quais eram as tendências literárias dos áureos anos 70. Vamos que vamos!

01 – O Triângulo das Bermudas (Charles Berlitz)

Se até hoje o Triangulo das Bermudas continua despertando o interesse de cidadãos comuns e também de cientistas – prova disso são os estudos feitos pela Nasa no começo deste ano - imagine então, o grau dessa curiosidade na década de 60 e 70 quando o misterioso triângulo estava... podemos dizer no auge. Nestas duas décadas, principalmente em 70, por algum motivo, aconteceu um “boom” de reportagens sobre o tema; aproveitando esse momento propício, o escritor e pesquisador Charles Berlitz aproveitou para lançar, em 1974, o livro chamado O Triângulo das Bermudas.

Uma informação curiosa é que antes de escrever a obra, Berlitz tinha uma agência de viagens e ficou curioso porquê grande parte de seus clientes evitavam passar pelo chamado Triângulo das Bermudas. Certo dia, a sua curiosidade ultrapassou os limites quando um homem – após ter comprado a passagem para um vôo que passaria pelo local – voltou a agência de Berlitz e, muito nervoso, simplesmente devolveu o bilhete e foi embora.

Berlitz decidiu ir à fundo e investigar o misterioso triangulo, nascia, assim, o livro que vendeu muito na época de seu lançamento tornando-se um verdadeiro best seller. A obra não saía da boca do povo e rendeu muita grana para o seu autor, mas com o passar de anos e décadas acabou caindo no esquecimento.

02 – Love Story (Erich Segal)


O romance lançado em 1970 foi o livro mais vendido nos Estados Unidos e traduzido para 33 idiomas. Na época, as livrarias enfrentaram filas gigantescas de leitores que de tão desejosos em adquirir a obra chegaram a dormir nas portas das lojas.

Então, como explicar toda essa histeria por uma novelização? Bem, para decifrar esse mistério temos que voltar para 1969, ou seja, um ano antes do lançamento do filme. Pois é, Segal havia escrito um roteiro sobre o envolvimento de um rapaz rico com uma garota pobre que sofre de doença terminal. Os executivos da Paramount ‘amaram’ o enredo lacrimoso e sem pestanejar compraram o texto.  Frisando: isto, em 1969.  Para reforçar a divulgação do filme, a produtora pediu que o autor escrevesse também um livro baseado no roteiro cinematográfico, para ser lançado nas lojas no Dia dos Namorados do ano seguinte, semanas antes de o longa ir para os cinemas. A estratégia funcionou.

Love Story, estourou em vendagens e o filme com Ryan O’Neal e Ali MacGraw, baseado na obra literária, se tornou a sexta maior bilheteria na história do cinema americano. A frase dita pela personagem de MacGraw no filme: “amar é jamais ter que pedir perdão” se tornou antológica e uma marca registrada para aquela geração.

Nos dias atuais aconteceu algo curioso: o filme continua lembrado e comentado, mas o livro caiu no esquecimento. Uma pena porque é muito bom.

03 – Aracelli, Meu Amor (José Louzeiro)


Um crime ocorrido em 18 de maio de 1973 chocou todo o Brasil. Mesmo sem o advento da Internet e das redes sociais, esse fato passou a ser comentado no País de ponta a ponta, desde os mais remotos lugarejos às grandes metrópoles.

Aos 8 anos, Araceli Cabrera Sánchez Crespo foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada, no Espírito Santo. O corpo foi deixado desfigurado e em avançado estado de decomposição próximo a uma mata, em Vitória, dias depois de desaparecer.

O dia do desaparecimento de Aracelli, com o passar dos anos, passou a marcar um lembrete para que a sociedade se atente à violência contra as crianças. O 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a partir de 2000. Os envolvidos, provenientes de famílias influentes no Espírito Santo, nunca foram punidos por seu crime.

Três anos após o brutal assassinato da criança, o escritor e roteirista José Louzeiro lançou um romance-reportagem de cunho investigativo sobre o crime. Aracelli, Meu Amor lançado pela editora Civilização Brasileira em 1976 foi um estouro de vendas o que levou a editora Prumo a republicar a obra 37 anos depois, mas sem o mesmo impacto da publicação original.

Após oito anos do lançamento de sua segunda edição, poucos leitores contemporâneos se lembram o livro, uma pena.

04 – Viagem Fantástica (Isaac Asimov)

Em 1966, milhares de pessoas enfrentavam filas enormes nos cinemas para assistirem a superprodução de ficção científica “Viagem Fantástica” dirigida por Richard Fleischer. O filme arrebentou nas bilheterias e entrou para a cultura pop daquela época, fazendo a cabeça de toda aquela geração de cinéfilos.

O enredo acompanha uma equipe de sete cientistas em uma viagem submarina através do corpo humano em direção ao cérebro para a realização de uma delicada operação. Para isso eles são miniaturizados e introduzidos na corrente sanguínea do paciente.

O roteiro de Fleischer serviu como base para que o famoso escritor de ficção científica Isaac Asimov fizesse a novelização do filme (aqui). A ideia desse projeto partiu dos produtores de “Viagem Fantástica” com o apoio dos magnatas da 20th Century Fox. Percebendo que a produção cinematográfica “arrebentaria a boca do balão” nas bilheterias, eles pensaram: “Porque não ganhar uns trocos a mais com um livro baseado no roteiro do filme?”. Dessa forma o faturamento praticamente dobraria. Mas para isso, tanto filme quanto livro teriam de ser impecáveis. Os produtores e demais chefões dos estúdios da Fox já tinham um gênio à frente da direção: Richard Fleischer, que em 1954 havia provado o seu talento ao dirigir “20 Mil Léguas Submarinas”, com Kirk Douglas, baseado na obra de Julio Verne. Só faltava um outro gênio para ficar responsável pela novelização do roteiro. Foi assim que Asimov foi convidado para o projeto e acabou aceitando. Resultado: filme e livro divinamente fantásticos. Apesar disso, poucos leitores contemporâneos conhecem a obra de Asimov.

05 – O Círculo Matarese (Robert Ludlum)


Imagine em plena guerra fria, dois agentes – um americano e outro, russo –

obrigados a trabalharem juntos, apesar de serem considerados inimigos mortais. Aliás, a capa da edição mais recente do livro deixa evidente o que Bradon Scofield e Vasili Talaniekov representam um para o outro. Só para lembrar que na capa de O Círculo Matarese vemos dois escorpiões venenosos numa luta aguerrida onde, provavelmente, só um deles sairá vivo. É assim que Scofield e Talaniekov se tratam: inimigos mortais, mas quis o destino que ambos fossem obrigados a trabalhar juntos por um motivo relevante. Este é um breve resumo do livro de Robert Ludlum.

O Círculo Matarese foi juma das obras mais comentadas e vendidas em 1979. A sua primeira publicação estourou em vendas em vários países e se tornou uma verdadeira “febre literária”. Não entendo como um livro tão bom acabou ficando esquecido por tanto tempo. Ainda me lembro que há vários anos fiquei muito empolgado com a notícia publicada em jornais e sites especializados de que estava confirmada a produção de um filme baseado nessa obra contando com ninguém mais, ninguém menos do que Tom Cruise e Denzel Washington nos papeis principais. Mas inexplicavelmente o assunto morreu e não se viu nem ouviu mais nada a respeito. Infelizmente o mesmo aconteceu com o excelente livro de Ludlum que alguns leitores consideram até mesmo melhor do que A Identidade Bourne.

06 – Honra Teu Pai (Gay Talese) 


Honra Teu Pai
de Gay Talese, ex- jornalista do New York Times, foi lançado originalmente em 1971 e caiu como uma verdadeira bomba no meio literário daquele ano por revelar segredos da Máfia.

Publicado no Brasil como Honrados Mafiosos, trata-se de um livro-reportagem sobre os meandros desse mundo, centrado na história de Joseph "Joe Bananas" Bonanno, que controlava uma das chamadas ‘Cinco Famílias’ de Nova York, e de seu filho Salvatore "Bill" Bonanno, protagonista de uma sangrenta guerra entre mafiosos. Partindo do sequestro de Joseph em 1964, o livro remonta à origem do clã Bonanno e descreve a ascensão do patriarca, que aos 26 anos já controlava uma das grandes famílias da máfia italiana de Nova York. Gay Talese, um dos pais do new journalism americano, obteve vasto acesso ao clã Bonanno, e pela primeira vez trouxe à tona uma visão de dentro da máfia, objetiva e despida de romantismo.

Talese teve acesso a fontes como: Joseph Bonanno, o chefe da família, Fay Labruzzo, mãe de Bill, Catherine Bonanno e Joseph Bonanno Jr., irmãos de Bill Bonanno, a esposa de Bill; Rosalie, os seguranças de seu pai e aos advogados da família.

Bill aproximou-se tanto de Talese que mesmo quando sumia, por conta da rivalidade entre as famílias da máfia, dava um jeito de entrar em contato com o escritor para avisar que estava vivo e por vezes prosseguirem com as entrevistas.

Honrados Mafiosos alcançou os primeiros lugares em todas as listas literárias da década do início dos anos 70, mas hoje é pouco lembrado pelos leitores. Há 10 anos, a editora Companhia das Letras relançou a obra com o título original –Honra Teu Pai – mas não alcançou o mesmo impacto da edição original.

07 – As Veias Abertas da América Latina (Eduardo Galeano)


Quando foi escrito, em 1971, As Veias Abertas da América Latina do escritor uruguaio Eduardo Galeano, logo se transformou em um clássico da esquerda latino-americana.

No livro, o escritor faz uma análise da história da América Latina sob o ponto de vista da exploração econômica e da dominação política, desde a colonização europeia até a contemporaneidade da época em que foi lançado. Isso em um período contextualizado pela Guerra Fria (1945-1991), e pelo início de um ciclo de regimes ditatoriais nos países latino-americanos.

A publicação de Galeano era tão identificada como sendo uma obra revolucionária e de esquerda, que foi banida na Argentina, Chile, Brasil e no Uruguai, durante as ditaduras militares nesses países. Eduardo Galeano chegou a ser preso em solo uruguaio, e depois obrigado a se exilar, primeiramente na Argentina, e depois, na Espanha. Estes fatos turbinaram ainda mais a sua obra fazendo com que os leitores ficassem desesperados para conseguir um exemplar, por debaixo do pano, durante a época da ditadura militar, mesmo correndo certos riscos.

Quando a obra foi, finalmente liberada, ainda nos anos 70, tornou-se um verdadeiro estouro de vendas. Hoje, apenas um grupo seleto de leitores sabem da publicação do livro.

08 – Inferno na Torre (Richard Martin Stern)

Em 1974, dois gigantes da indústria cinematográfica – Warner Bros e Fox –se uniriam em coprodução para realizar um dos maiores sucessos do cinema-catástrofe, tendência em alta nos anos 1970, e faturar vistosos U$ 48 milhões em bilheteria, só nos States, e mais U$ 67 milhões pelo mundo afora. No Brasil, o filme arrebentou nas bilheterias.

A ideia do roteiro para a produção cinematográfica “Inferno na Torre” vinha de dois livros (The Tower, de Richard Martin Stern, e The Glass inferno, de Thomas N. Scortia) lançados em 1973, um ano antes do filme.

Apesar de constar o ano de 1973 na publicação da editora Record, o livro só foi chegar no Brasil dois anos após o lançamento do filme, ou seja, em 1976.

Para pegar carona no sucesso do filme, a Record trocou o título original da obra literária pelo título do filme. Sendo assim, saiu A Torre e em seu lugar entrou Inferno na Torre. Tanto o filme com Steve McQueen, Paul Newman, Faye Dunaway e Richard Chamberlain quanto o livro de Stern foram sucesso absoluto de público e crítica na década de 70. Em 2021, pouco ou quase nada ouvimos sobre eles.

09 – Primeiro Sangue (David Morrell)

Cara, Rambo é, sem dúvida alguma, um dos personagens de ação mais icônicos do cinema e que ajudou a firmar a carreira de Sylvester Stallone como um dos grandes atores de filmes de ação no cinema hollywoodiano. Mas poucas pessoas que assistiram ao filme de 1982 que deu origem a uma das franquias cinematográficas de maior sucesso sabem que o primeiro filme da saga foi baseado em uma obra literária de 10 anos antes, a primeira e ainda a mais famosa do autor canadense-americano David Morrell que, depois, escreveria as novelizações de Rambo II e Rambo III dentre muitas outras.

Primeiro Sangue, publicado em 1972 pela editora Record e em 1988 pela Nova Cultural - esse último já levando o título do filme, na época - foi tão ovacionado pelos leitores quanto o filme foi pelos cinéfilos. A primeira edição, de 1972, vendeu um número absurdamente grande de exemplares quando os produtores da grande indústria cinematográfica nem sonhavam em fazer um filme baseado na obra. Dez anos depois, o seu relançamento voltaria a estourar em vendas catapultado pelo sucesso do filme de Stallone lançado no mesmo ano. Hoje, ficou a lembrança do filme que se tornou um ícone do cinema de ação, mas do livro... poucas pessoas se recordam.

10 – O Enxame (Arthur Herzog)


Publicado originalmente em 1976 pela editora Artenova, A Invasão das Abelhas teve uma receptividade muito boa por parte dos leitores. Esta receptividade aumentou ainda após o lançamento do filme “O Enxame”, em 1978, baseado na obra de Arthur Herzog. Neste mesmo ano, a Artenova relançaria o livro, mas desta vez com a capa do filme.

Herzog usou um método inovador na época, deixando de lado introdução, prólogo, prefácio e outros inícios convencionais de obras, para estampar logo de cara em seu livro notícias de ataques de abelhas africanas em várias partes do mundo. As duas páginas, antes do 1º capítulo, contem textos jornalísticos sobre os estragos provocados pelas abelhas, além de relatos que indicam o surgimento de uma nova espécie mortífera do animal.

O Enxame é um romance cheio de tensão e para ler numa só tacada. Como já disse uma verdadeira joia rara que só será encontrada nas prateleiras de algum sebo.

Livraço do qual, infelizmente, sumiu das livrarias, contribuindo para cair no esquecimento dos leitores.


06 agosto 2021

Um livro sobre mitologia grega que despertou em mim uma vontade enorme de reler As Mil e Uma Noites

Estou lendo As 100 Melhores Histórias da Mitologia de A.S. Franchini e Carmen Seganfredo. Caramba, estou gostando tanto dos contos que, assim, de repente, me veio à cabeça um outro livro: As Mil e Uma Noites. Lembro que li as histórias de Sherazade pela primeira vez em 2011, nos primórdios do blog. Verdade! Acho que a resenha da obra foi uma das primeiras que escrevi para o “Livros e Opinião”; depois de alguns anos reli vários contos do livro e agora por culpa de “Zeus, Hera, Afrodite, Teseu, Alceste, Admeto e companhia, novamente, me bateu um desejo enorme de encarar mais uma vez as aventuras narradas por Sherazade.

Talvez neste momento alguns leitores estejam dizendo que mitologia grega e folclore indiano, persa e árabe não tem nada ver. Cara, vamos deixar a erudição de lado e pensar apenas na magia da leitura. Penso que os contos de As Mil e Uma Noites e as histórias sobre Mitologia Grega podem ser consideradas irmãs gêmeas porque tem o poder de nos transportar para o mundo da magia por meio de suas narrativas fantásticas. Um conto de “Simbad, O Marujo” tem o mesmo poder de mexer com o imaginário de uma pessoa adulta ou de uma criança quanto a história de “Jasão e o Velocino de Ouro”. São narrativas curtas, repletas de elementos fantásticos e viciantes... muito viciantes.

Estas historietas conseguem colocar um freio na descrença dos leitores adultos. Sabemos que se trata de uma situação imaginária, inverossímil ou com pouca base no real. Mas assim mesmo mergulhamos na história – e, nessa fronteira da realidade com a ficção consentida, tomamos partido e experimentamos uma infinidade de emoções.

Com as crianças, então, nem se fale. O processo é mais completo ainda.  Elas podem se dar ao luxo de admitir que a ficção é real. Isso torna suas emoções infinitamente mais fortes.  Daí o poder dessas histórias capazes de mexer com adultos e crianças. Mas é importante frisar que  há histórias e histórias, e histórias que emocionam precisam ser bem escritas e bem contadas com são as histórias sobre Mitologia Grega e As Mil e Uma Noites.

Entenderam porque estou adorando As 100 Melhores Histórias da Mitologia? Entenderam o motivo da ansiedade em reler os contos de Sherazade?

‘Entonce’, é isso.

 

 

 

 


01 agosto 2021

Cinco filmes baseados em livros que ganharam fama de amaldiçoados

Sets de filmagens arrasados por incêndios, atores que sofreram graves acidentes durante as gravações e até mesmo maldições que perseguem alguns artistas e diretores. Todas essas situações fizeram com que alguns filmes ganhassem a fama de amaldiçoados. 

Para não fugir da proposta do blog que é a de “falar” sobre livros, na postagem de hoje, escolhi cinco filmes conhecidos - mas inspirados em livros – que ganharam a fama de amaldiçoados. Pois é, essas produções cinematográficas renderam muitas notícias. Vamos a elas:

01 – O Exorcista

Cara, este rendeu assunto e pode ser considerado o filme mais amaldiçoado de toda a história do cinema. Ele conta com histórias aterrorizantes de bastidores. Só para que os nossos leitores tenham uma ideia, nove mortes aconteceram com membros do elenco e da equipe! 

Pra começar, vocês se lembraram de um personagem chamado padre Dennings que morre logo no início do filme ao cair de uma escadaria? ‘Entonce’, o ator Jack MacGowran que interpretou o tal padre também morreu. Uma semana após gravar o seu papel, MacGowran faleceu, vítima de uma pneumonia! Além dele, o homem que refrigerava o quarto onde acontecem as cenas de possessão faleceu sem explicações e um vigia que cuidava do set foi morto a tiros durante a madrugada.

Quer mais? Lá vai. O ator Max von Sydow, que interpretou o padre Merrin, descobriu durante as filmagens que o seu irmão morreu. Segura outra: a esposa grávida de um assistente de câmera perdeu o bebé. Tem mais: durante as gravações, o conjunto de filmagens pegou fogo de forma misteriosa e... curiosamente, apenas o quarto da personagem de Linda Blair (Regan) onde foram filmadas as cenas de possessão e exorcismo não foi atingido.

O livro O Exorcista é considerado até hoje um dos mais vendidos em todo o mundo e na época de seu lançamento, em 1971, se tornou uma verdadeira febre nos Estados Unidos, febre que aumentaria ainda mais após o lançamento do filme em 1973.

O livro conta a história de Regan MacNeil, uma garota de 12 anos que é possuída pelo demônio e por isso passa por um ritual de exorcismo comandado por dois padres. Há boatos de que a história do livro seja baseada no real caso de exorcismo de Roland Doe, um menino de 13 anos de idade.

02 – Horror em Amityville

“Horror em Amityville” é uma série de produções cinematográficas de terror americanos que atualmente consiste em 21 filmes. Eles centram-se em eventos ocorridos em uma casa mal-assombrada em Amityville, Nova York, conforme descrito no livro homônimo de 1977 de Jay Anson no qual todos os filmes foram baseados. Aliás um livraço (ver aqui). Nele, o autor narra uma história real bastante controversa, que são as experiências paranormais da família Lutz depois de se mudar para uma casa supostamente mal-assombrada em Amityville, Nova York. 

Nesta residência,  o morador anterior, Ronald DeFeo Jr. atirou e matou toda sua família. Assim, os Lutzes afirmam que foram forçados a sair de casa por uma entidade maligna que os aterrorizou.

O primeiro filme, lançado no verão de 1979, foi um grande sucesso de bilheteria e se tornou uma das produções independentes de maior sucesso comercial de todos os tempos.

Uma série de sequências seria lançada ao longo dos anos 80 e até os anos 1990, através de vários distribuidores; alguns dos filmes lançados no cinema, enquanto outros foram lançados diretamente em vídeo. Na minha opinião enquanto o filme de 1979 pode ser considerado um clássico, os outros derivados são um lixo; mas vamos ao que interessa, ou seja, os fatos estranhos e malditos que rolaram nos sets de filmagens.

O astro James Brolin, do filme original de 1979, que não acreditava na história da família Lutz, teve um susto enquanto lia o livro para fazer o filme. Ele não iria aceitar o papel, mas concordou em fazer depois de uma experiência sobrenatural em que suas calças caíram do cabide, fazendo-o pular e quase bater a cabeça no teto.

No remake lançado em 2005, chamado também de “Horror em Amityville”, Ryan Reynolds, que viveu o protagonista, disse que durante as filmagens acordava sempre 3 horas da madrugada sem nenhum motivo. Para quem é fã de terror sabe que esse horário é considerado do "demônio". Brrrrrrrrr!!!

03 – O Mágico de Oz

Nem só os atores e atrizes de filmes de terror sofrem com as chamadas maldições dos sets de gravações. Judy Garland que interpretou a inesquecível e meiga Dorothy, além de Margaret Hamilton, a Bruxa Má do Oeste, do mega sucesso “O Mágico de Oz”, de 1939, são provas disso.

A cena em que a personagem de Hamilton desaparece em meio à fumaça vermelha na produção acabou lhe rendendo queimaduras de terceiro grau. Uma faísca no dispositivo colocou fogo no cenário.

Com relação a Judy Garland, sofreu com o abuso de colegas de cena e também dos produtores, que não a deixavam sequer comer para mantê-la com os traços pálidos e esquálidos da personagem. Aos 17 anos, a atriz fazia dietas cruéis, mal podendo se alimentar e só podia fumar cigarros. Além disso, ela era forçada a usar drogas estimulantes e depressivas, tornando-se viciada em pílulas para dormir – as mesmas drogas que a matariam mais tarde.

Segundo o ex-marido de Judy Garland, Sid Luft, em seu livro de memórias, “Judy and I: My Life with Judy Garland”, os atores dos munchkins, que eram anões, frequentemente a assediavam, colocando as mãos por baixo do vestido da atriz. Em outro momento, o produtor Pandro Berman revelou que, certa vez, o diretor do filme, Victor Fleming puxou Garland de lado e lhe deu um tapa no rosto, apenas para fazê-la parar de rir durante os takes.

Tem mais: Buddy Ebsen que viveu o famoso Homem de Lata teve de ser substituído após uma irresponsabilidade da equipe técnica que o obrigou a passar duas semanas no hospital e mais seis de repouso em casa. A tinta metálica que ele deveria passar em todo o seu corpo continha pó de alumínio, nocivo quando inalado. O ator foi trocado por Jack Haley, que passou a ser pintado com pasta de alumínio.

Quanto ao livro homônimo de L. Frank Baum, lançado originalmente em 1900, nem é preciso dizer que se tornou um dos maiores clássicos da literatura mundial. Até hoje a obra continua ganhando novas e luxuosas edições.

04 – O Bebê de Rosemary

Reza a lenda que Roman Polanski se reunia com satanistas para que cada detalhe dos rituais de O Bebê de Rosemary (1969) contribuísse para dar calafrios em quem assistisse à película. Resultado dessa atitude nada salutar: as vidas tanto da protagonista Mia Farrow quanto do diretor viraram um verdadeiro inferno.

Na época, a atriz enfrentou uma separação escandalosa de Frank Sinatra (1915-1998), mas nada comparado à tragédia de Polanski. Ele recebeu a notícia de que sua mulher, Sharon Tate (1943-1969), grávida de oito meses,

tinha sido assassinada pelo serial killer Charles Manson (1934-2017) durante as gravações.

A chamada maldição de “O Bebê de Rosemary” também atingiu outros dois profissionais ligados ao longa metragem: o produtor e o compositor, responsável pela trilha sonora do filme. Após as filmagens, o produtor William Castle teve um grave problema com pedras nos rins e alucinava que Rosemary estava atrás dele no hospital com uma faca. Outro episódio mais trágico foi o do compositor Krzysztof Komeda, que caiu em uma festa e teve danos cerebrais que resultaram em um coma e, consequentemente, com sua morte.

Já o livro homônimo de Ira Levin, escrito em 1967, não teve nenhum problema com maldições envolvendo escritor e editores. A obra foi um tremendo sucesso e se tornou um dos maiores clássicos da literatura de terror nos anos 70 ao lado de O Exorcista, de William Peter Blatty.

O Bebê de Rosemary narra a história de um jovem casal que se muda para um prédio habitado por estranhas pessoas, onde coisas bizarras acontecem. Quando ela engravida, passa a ter estranhas alucinações e vê o seu marido se envolver com os vizinhos, uma seita de bruxas que quer que ela dê luz ao filho das trevas.

O filme ganhou o Oscar de “Melhor Atriz Coadjuvante” e foi indicado para o prêmio de “Melhor Roteiro Adaptado”.

05 – Harry Potter e As Relíquias da Morte

O bicho também pegou nos bastidores das filmagens de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I” quando David Holmes, dublê de Daniel Hadcliffe, ficou gravemente ferido. Durante uma cena de vôo, ele foi jogado em uma parede e caiu no chão. O dublê e ex-ginasta acabou ficando paraplégico. Ele ainda passou por uma cirurgia para tentar reverter o quadro, no entanto, os médicos confirmaram que Holmes não voltaria a andar. Ele foi dublê de Radcliffe em todas os filmes do bruxo Harry Potter.

Paralisado para sempre, o ex-ginasta profissional criou sua própria produtora e trabalha como embaixador oficial do Royal National Orthopaedic Hospital, onde foi tratado após o acidente.

Quanto ao livro que serviu de base para a adaptação cinematográfica, pode ser considerado um dos mais cultuados. Em uma tentativa de manter o conteúdo do livro seguro até a data de publicação em 21 de julho, a editora Bloomsbury investiu dez milhões de libras esterlinas em sistemas de rastreamento via satélite e contratos judiciários. Arthur Levine, editor da versão americana da série, negou-se a distribuir cópias antecipadas de Harry Potter e as Relíquias da Morte para críticos da imprensa.

Diversos eventos também aconteceram na publicação do livro de J.K. Rowling no Brasil. Na Livraria da Travessa, num shopping center localizado na zona sul do Rio de Janeiro, palestras, debates e filmes produzidos por outros fãs atraíram cerca de cem admiradores da série. A festa de lançamento contou com fãs caracterizados de personagens nas filas e concursos de cosplay.

A Livraria Siciliano organizou um evento onde realizaram-se diversas atividades, como um quiz com premiação e debates sobre os livros e os filmes. Além disso, um projetor foi instalado para exibir os longas durante a noite. O romance contou com uma tiragem inicial de 400 mil exemplares no país.

Valeu galera!

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