Horror em Amityville


Antes de ler “Horror em Amityville” considerava “ACasa Infernal” (Richard Matheson) e “O Iluminado” (Stephen King) os dois livros mais importantes no gênero ‘casas mal-assombradas’. Agora, após ter devorado o drama da família Lutz, posso afirmar que o livro de Jay Anson se encontra no mesmo patamar dos outros dois. Ainda ontem disse para um amigo que essas três obras formam a trindade literária do gênero “Haunted House”.
“Horror em Amityville” perturba o leitor. Os fatos vividos por George e Kathleen Lutz, juntamente com os seus três filhos, além do padre Frank Mancuso são por demais assustadores. Digo “fatos” porque segundo o autor do livro, todos os fenômenos que rolaram na grande casa colonial, situada na Ocean Avenue, nº 112, em Amityville, aconteceram na realidade.
A família Lutz teria decidido se mudar para o imóvel – que fica na beira de um lago – um ano após ele ter sido palco de um brutal e sangrento assassinato.  Em 13 de novembro de 1974, por volta das 3h15 da manhã, Ronald DeFeo Junior, popularmente conhecido por Butch, na ocasião com apenas 23 anos, empunhando um rifle esportivo, executou seu pai, sua mãe e seus quatro irmãos, dois meninos e duas meninas a tiros, enquanto dormiam.
A investigação ficou em um beco sem saída pois parecia impossível que ninguém houvesse acordado com os primeiros tiros já que o assassino percorreu a casa inteira, indo de quarto em quarto, e atirando em um de cada vez. 
Exames toxicológicos descartaram a hipótese de que todos haviam sido sedados e por isso ninguém havia acordado. Ao ouvirem os vizinhos, a polícia também ficou surpresa: ninguém ouviu um tiro sequer.
Filme original de 1979
O rapaz foi julgado no ano seguinte e, durante o processo, seu advogado alegou que ele sofria de insanidade e que os crimes teriam sido motivados por vozes que Butch ouvia em sua cabeça. Um psiquiatra contratado para avaliar o jovem chegou a apoiar essa versão e diagnosticou o acusado — que também era usuário de drogas como LSD e heroína — com transtorno de personalidade antissocial. Após a prisão de Butch, ele acabou perdendo o direito de herdar a casa e, assim, ela foi posta à venda. Um ano após os assassinatos, a casa, construída nos anos 20, foi oferecida aos Lutz. Eles não pensaram duas vezes e adquiriram o imóvel. Segundo a família, durante o tempo em que estiveram na casa, eles testemunharam aparições de figuras demoníacas, ouviram vozes de espíritos malignos, encontraram crucifixos invertidos pelos cômodos,  afirmaram ver uma gosma verde escorrendo pelas paredes, além de muitas outras manifestações sobrenaturais. Os novos moradores, aterrorizados, decidiram abandonar o local 28 dias após terem ocupado a residência.
Remake de 2005
Anson narra como foram essas quatro semanas dos Lutz na casa em Amityville. Alguns fatos são bem impressionantes, principalmente se você optar por ler a obra durante a madrugada, sozinho em sua casa, como eu fiz. Cara... o bicho pega.
O enredo tem muitos sustos? Demônios ou monstros se materializando? Não. Não tem. Então, porque o livro assusta tanto? Tudo se resume à casa. Isto mesmo, à exemplo do Hotel Overlook de “O Iluminado”, a casa de Amityville desempenha um papel humano enorme, como se tivesse vontade própria. Isto fica evidente desde o momento em que ‘ela’ expulsa o padre Mancuso que, a pedido da família Lutz, foi abençoar a residência. Depois, mesmo estando distante, em outra cidade, a casa maldita continua atazanando a vida do pároco.
Família Lutz
Outra passagem que deixa bem evidente o papel quase humano da casa de Amityville é o aprisionamento de toda a família em suas dependencias,  evitando que eles fujam.
Jodie, o amigo sombrio de Missy – a filha caçula de George e Kath - e que só ela consegue ver – também incomoda o leitor, provocando aquele friozinho na espinha. A menina diz que Jodie é um porco que conversa com ela todas as noites. O capítulo em que o pai de Missy se encontra do lado de fora da casa e ao olhar para a janela do quarto vê alguém com olhos de porco atrás de sua filha é trash.
Outro trecho ‘trucão’ é o exorcismo improvisado que casal Lutz decide fazer na esperança de expulsar os maus espíritos da casa. Este capítulo também é inquietante.
Ronald DeFeo
Sem dúvida nenhuma, trata-se de um grande livro de terror. Vale lembrar, ainda, que “Horror em Amityville” teve duas adaptações sérias e honestas para o cinema: em 1979 e 2005. O problema é que após o primeiro filme, de 1979, alguns produtores decidiram criar uma franquia visando aumentar os lucros e então, a coisa degringolou. Surgiram verdadeiros bagaços, porcarias mesmo, tais como: “Amityville 2: A Possessão”, Amityville 3: O Demônio, Amityville 4: A Fuga do Mal”, Amityville 5: A Maldição de Amityville”, ufa... deixe-me parar por aqui. Até agora, incluindo os dois filmes bons, tivemos 13 produções cinematográficas sobre a famosa casa mal assombrada! Verdade! Tudo isso!!
Inté galera!

Nenhum comentário