08 dezembro 2015
Morte dos Reis (Crônicas Saxônicas – Livro VI)
Os leitores que já estavam familiarizados com as
emocionantes batalhas dos livros anteriores poderão estranhar e até mesmo se
decepcionar com o 6º volume de “Crônicas Saxônicas”. As escaramuças, desafios,
lutas de espada e, claro, as antológicas paredes de escudos ficam pingadas no
enredo de “Morte dos Reis”. Isto me faz lembrar de um colega que disse o
seguinte: - Comparar “Morte dos Reis” com “Os Senhores do Norte” (3º volume da
saga) é o mesmo que comparar um cãozinho poodle com um pitbull treinado para
matar.
Se levarmos para o lado da ação, das batalhas
emocionantes, onde ‘Bafo de Serpente’ e ‘Ferrão de Vespa’, as espadas de
Uhtred, comiam soltas, beliscando e matando os seus oponentes, esse meu colega
de serviço, também amante das Crônicas Saxônicas, está mais do que certo.
Mas nem, por isso, o livro é ruim. Longe disso.
Acredito que Bernard Cornwell optou por escrever um enredo mais político e
voltado para a emoção. O Uhtred das paredes de escudos cedeu lugar para um
Uhtred mais estrategista. Apreciei muito essa reviravolta na história, pois até
o melhor de todos os doces do mundo enjoa se comermos demais. E com as batalhas,
também é assim. É claro que as lutas descritas por Cornwell são incomparáveis e
conseguem transportar os leitores para um campo de batalha, mas nesse livro,
ele preferiu mostrar uma outra qualidade do guerreiro pagão: a inteligência e a
perspicácia.
E foi, então, que percebi o golpe de mestre dado por
Cornwell. Cara, veja só: Talvez, Crônicas Saxônicas seja uma das sagas mais longas da literatura mundial – até
agora com nove livros escritos, sendo que o último ainda não foi lançado no
Brasil – por isso é evidente que os personagens envelheçam, já que o autor
optou por seguir uma linha cronológica, ou seja, cada livro tem em média uma
passagem de três a cinco anos. Capiche? Prosseguindo: Tá na cara que não
podemos ver um Uhtred em plena forma, rompendo paredes de escudos eternamente. Portanto,
a saída encontrada por Cornwell – para continuar escrevendo a sua saga
‘interminável’ - Deus sabe quantos outros livros ainda serão publicados - foi
compensar a velhice e a perda de vigor físico do personagem com outros
atributos também interessantes aos leitores.
Mêo! Confesso que essa sacada do Cornweel deu certo.
Muito certo! Ver o nosso “Senhor da Guerra” planejando as batalhas ou então
escapando com inteligência das armadilhas preparadas por seus inimigos é tão
saborosamente emocionante quanto vê-lo arrebentando tudo numa batalha.
Em minha opinião, nos próximos livros da saga, veremos
um Uhtred ainda mais estrategista do que guerreiro. Creio que alguém deverá
substituí-lo, talvez o seu filho caçula Osbert. Por falar nisso, acho melhor
parar por aqui para não soltar spoillers, já que estou lendo o 7º volume.
“Morte dos Reis” é isso: Uhtred vencendo os seus
inimigos não só pela espada, mas também com inteligência. O livro marca também
o encerramento de um ciclo e o início de outro. Sai de cena Alfredo, O Grande,
e em seu lugar assume o trono de Wessex, seu filho Eduardo.
Caraca e dizer que só fui gostar de Alfredo em seu
leito de morte quando ele, finalmente, reconhece todo o valor de seu principal
guerreiro, mesmo não sendo cristão. Antes de morrer, o soberano lhe dá um
presente fantástico que deixa o guerreiro pagão de boca aberta, mas... não sem
antes lhe pedir um ultimo favor.
A batalha ‘meia-boca’ no final do livro, ‘deixa de
ser meia-boca’, graças as peripécias do estrategista Uhtred que consegue
descobrir qual é o ousado plano dos dinamarqueses que sonham conquistar Wessex.
Então, ele dá um verdadeiro golpe de mestre, revertendo a situação à favor do
exército do recém empossado Rei Eduardo.
No 6º livro de Crônicas Saxônicas”, Uhtred já está
com 45 anos e após a morte de Alfredo, ele acaba sendo ‘convidado’ – para não
dizer obrigado – a fazer um novo juramento. Desta vez, à Eduardo, filho do rei morto
que sempre sonhou com a unificação da Inglaterra. Agora, esta missão é passada
para o seu primogênito que infelizmente, não tem a mesma astúcia, inteligência
e autoridade de seu pai. Por isso, Alfredo - mesmo em seu leito de morte –
consegue dar uma última cartada de gênio: ‘ganhar o juramento do feroz
guerreiro para Eduardo.
Com a morte do monarca, os dinamarqueses decidem
reunir o maior exército de todos os tempos com milhares de homens, com o
objetivo de conquistar Wessex, depois de
várias tentativas frustradas. Mas o maior perigo está dentro do reino onde
pessoas que Uhtred, Alfredo e Eduardo julgavam serem amigas, na realidade
tramam a favor dos inimigos.
Faltou ação? Faltou; mas nem por isso “Morte dos Reis”
deixa de ser um livraço.
06 dezembro 2015
10 livros de autores nacionais que merecem ser lidos e relidos
Após o post sobre as Torres Gêmeas vamos com mais
uma listinha “básica”. Já estava sentindo saudades delas. Verdade! Como assumi
alguns compromissos literários, entre eles, o “Desafio Potter”, além de encarar
numa ‘paulada só os oito livros das “Crônicas Saxônicas” (ver aqui, aqui, aqui,
esse outro aqui e mais esse) – neste momento, estou lendo o sexto – acabei ficando com o meu tempo restrito para postar as minhas listas. Agora
que o céu deu uma clareada, vamos que vamos.
A lista de hoje é sobre autores nacionais, ou
melhor, sobre os livros aqui da terrinha que li nos últimos anos e gostei.
Aliás, gostei tanto que já reli alguns, quanto aos que restam, com certeza,
estarei relendo em algum momento de minha vida.
Antes que algum internauta critique o post, afirmando
que tal livro é fraco ou então que estaria faltando esta ou aquela obra,
gostaria de avisar que se trata de uma lista pessoal. Foram enredos que curti
muito e por isso recomendo para a galera.
Nos comentários, vocês também poderão – sem problema
nenhum – colaborar, acrescentando outros livros de autores nacionais que foram
especiais em suas vidas.
Mas chega de lero-lero e blá-blá e vamos ao que
interessa, a minha lista pessoal de obras escritas por autores tupiniquins que merecem
serem lidas novamente.
01
– Holocausto Brasileiro (Daniela Arbex)
O livro da jornalista mineira, Daniela Arbex, revela as
atrocidades que aconteceram, no passado, atrás dos muros do Colônia, maior hospício do Brasil, localizado na cidade mineira de
Barbacena. As maldades e torturas cometidas contra os internos, transformou aquela
instituição numa verdadeira casa de horrores, principalmente no pavilhão Afonso
Pena, onde eram registradas cenas que mais se pareciam com um filme de terror
gore.
A autora foi muito corajosa ao remexer em feridas purulentas, trazendo à
tona a verdade sobre o Colônia. O leitor passa a saber tudo o que aconteceu no
hospício mineiro, além de conhecer os poucos, mas importantes “heróis da
resistência”, pessoas que se opuseram ao regime de barbárie e fizeram de
tudo para mudar a situação, pagando um alto preço por isso, sofrendo as piores
retaliações, desde demissões, calúnias e ameaças.
Para ler “Holocausto Brasileiro”, o
leitor deve preparar o seu espírito porque realizará uma verdadeira viagem ao
inferno, inclusive, é dessa maneira, ou seja, no âmago do inferno, que uma
funcionária do Colônia se sente ao iniciar o seu primeiro dia de trabalho no
hospício. Marlene Laureano revela em entrevista à autora do livro que ao entrar
pela primeira vez na instituição imaginou estar abrindo as portas da casa de
Lúcifer.
Livro
forte, revelador e que mexeu muito comigo.
(Confira
aqui o post da obra)
02 – Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva)
“Feliz Ano Velho” foi um diamante lapidado que caiu em minhas mãos.
Antes de ler a obra, tinha uma vaga noção de que se tratava do relato de um
estudante universitário que gostava de curtir a vida, mas após sofrer um
acidente acabou ficando ‘condenado’ à uma cadeira de rodas. Comecei a ler o
livro do Marcelo Rubens Paiva, já me preparando para uma sessão lacrimosa e bem
down, coisa do tipo “Uma Janela para o Céu” ou “Love Story”, onde tragédias,
tristezas, sofrimento e desespero se fundem numa coisa só. Resultado: o leitor
termina de ler a obra – se conseguir terminar! - completamente extenuado,
acabado e arrebentado. Foi com essa
desconfiança que comecei a ler “Feliz Ano Velho”.
A obra de Paiva é totalmente o
oposto do que eu imaginava. O autor descreve o seu drama com muito bom humor,
não dando tanta ênfase somente ao lado down do fato. É claro que há os momentos
de tristeza e até mesmo lencinhos nas mãos, mas são raros pacas! E Graças à
Deus, porque caso contrário, se transformaria num verdadeiro vale de lágrimas:
“ Um Janelão para o Céu”.
O autor tratou a sua situação de uma maneira realista e sem
auto-piedade. Mais ou menos assim: “Putz! Me quebrei inteiro, fui parar numa
cadeira de rodas e estou dependendo da ajuda de amigos e familiares para
reaprender a viver. Êpa! Mas pêra aí... a vida continua! Tenho que dar o melhor
de mim para se tornar cada vez menos dependente.
Li a obra do cara meio que por
acaso, emprestado de uma amiga, mas gostei tanto que resolvi comprar “Feliz Ano
Velho” num sebo para relê-lo.
(Confira aqui o post da obra)
03 – O Alienista (Machado de Assis)
O meu primo levou um susto quando
eu lhe disse que pretendia reler o Alienista. – Santa Pernilonguilda do Boné Vermelho!
– exclamou ele – Meu primo quando fica surpreso tem o hábito de inventar nomes
engraçados de santos que não existem e jamais existirão.
- Você disse que vai reler o
Machado?! – Vou, afirmei. - O velho quase fez com que eu repetisse de ano em
literatura com aquela sua linguagem rebuscada! – Disse meu primo, se referindo
ao famoso escritor brasileiro.
Mas ao contrário do que muita
gente pensa – incluindo o meu primo ‘criador de santos’ – “O Alienista” é uma
obra de leitura fácil e agradável. Tudo bem que tenha um pouco de eruditismo,
mas esse ligeiro rebuscamento não atrapalha em nada a leitura, pelo contrário, a
história de Simão Bacamarte e a sua famosa Casa Verde é fascinante.
O Alienista, segundo a maioria dos
críticos literários, pode ser considerada a primeira obra do escritor com
caráter realista. Alguns a consideravam inclusive, como um conto.
No
enredo, Simão Bacamarte – o Alienista do título – decide criar na cidade
fluminense de Itaguaí um lugar para estudar os limites da razão e da loucura
dos seres humanos. Nasce assim, a Casa Verde ou Casa de Orates onde o cientista
interna todas as pessoas que ele julga serem loucas. Ocorre que com o passar do
tempo, Bacamarte vai prendendo no local a maioria dos moradores da cidade,
incluindo sua mulher Evarista. Para o alienista, todos são loucos. É quando
ocorre uma rebelião dos moradores de Itaguaí comandada por um barbeiro.
Estarei
relendo a obra de Machado de Assis brevemente; com certeza.
04 – As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata
(Flávio St Jayme e Wemerson Damásio)
Este
livro fez com que eu voltasse ao tempo e revivesse um dos períodos mais felizes
da minha saga de leitor inveterado: a época de ouro da “Coleção Vaglume”. É
isso aí galera, ler “As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata” é
o mesmo que ter em mãos os melhores enredos daquela coleção que entrou para a
antologia da literatura brasileira.
Não tem como você parar de ler “As Crônicas de Miramar”. O enredo
misterioso, de fato, prende a atenção do leitor, pois todos querem,
desesperadamente, saber o que acontece na estranha cidade de Miramar. É para lá
que vão as crianças e jovens que descobrem ter algum tipo de poder.
Estes adolescentes não podem estudar em escolas comuns ou conviver com
outras pessoas em suas cidades por serem ‘diferentes’. Por causa desses dons,
elas acabam sendo rotuladas de estranhas ou até mesmo aberrações. Para evitar
que seus filhos acabem sendo excluídos da nossa sociedade, eles acabam sendo
obrigados a levá-los para Miraramar, após receber um estranho convite,
prometendo novo emprego, uma nova casa, enfim, uma nova vida cheia de
prosperidade.
Mas ao chegarem à misteriosa cidade, eles começam a descobrir segredos
terríveis que colocam em cheque todas as promessas de prosperidade feitas
anteriormente.
Recomendo a obra de olhos fechados!
(Confira
aqui o post da obra)
05 – A
Corrente, Passe Adiante (Estevão Ribeiro)
Tudo bem que a Draco deu uma pisada feia comigo e deixou o menino aqui
na mão, mas isso não me impede de dizer que a obra do Estevão Ribeiro lançada
pela editora é o fino do terror. Quanto
a pisada, foi bem frustrante, do tipo pouco caso. Comprei o livro, louquíssimo
para lê-lo, e depois de alguns dias, ao iniciar a história, percebo que estão
faltando 15 páginas (da 33 a 48). Como havia perdido a nota fiscal, fiquei
impossibilitado de trocar o produto na Livraria Folha, por isso entrei em
contato com a Draco na esperança de me atenderem. Eles atenderam, enviando um
e-mail, exatamente com as páginas faltantes, nem uma a mais! Caraca Draco! Cadê
a consideração? Juro que estava esperando o envio de um outro livro, dessa vez,
com todas as páginas. Mas...
Chega de lamentações. O livro do Estevão Ribeiro é uma jóia rara do
terror. Bruna é tão maligna que não fica devendo nada para as personagens criadas
pelos grandes mestres das histórias de terror. A garota é uma lasca de
ruindade. Um ser sobrenatural que mata por prazer. Ela é um fantasma demoníaco
que vive dentro dos computadores. Juro que após ler o livro fiquei com receio
de ligar o meu PC e principalmente verificar as minhas mensagens eletrônicas,
temendo encontrar alguma daquelas famigeradas correntes.
Bruna tem o hábito de enviar uma corrente amaldiçoada nos e-mails de
suas vítimas. Aqueles que se negam passar a mensagem morrem, além de ficarem
amaldiçoados, já os que passam acabam condenando outras pessoas. Enquanto a
corrente não for quebrada, o fantasma demoníaco de Bruna sempre continuará
ativo e atormentando outras pessoas.
Confesso que estou com uma vontade enorme de reler o meu livro de
páginas faltantes.
(Confira
aqui o post da obra)
06 –
Irmandade de Copra (Caroline Defanti)
A “Irmandade de Copra” é um dos melhores livros de ficção cientifica que
já li em toda a minha vida de leitor. E o melhor: escrito por uma jovem autora
brasileira!
A história de Caroline Defanti já começa conquistando o leitor em seu prólogo,
onde a autora, em apenas três páginas, explica numa narrativa cheia de suspense
como são criados os super-soldados que irão combater os alienígenas que se
apossaram do planeta Terra. A transformação de Gabriel em Arcanjo e de Aeris em
Musa, de fato prende o leitor, e já dá uma noção de como funciona o polêmico e
questionado projeto que une o DNA alienígena ao dos humanos, alterando toda a
sua genética e conferindo-lhes poderes especiais, mas não sem antes
cobrar um alto preço por isso. Dos inúmeros aspirantes à “Irmãos” – é assim que
são conhecidos os super-soldados já que fazem parte de uma Irmandade – nem
todos conseguem sairem vivos do processo de mudança. Após adquirirem os seus
dons, eles ainda são obrigados a passar por uma prova final de vida ou morte
para testar a suas novas habilidades.
Defanti explica de uma maneira crua – sem meias palavras – o processo de
‘amadurecimento forçado’ desses jovens que ao ingressarem na escolinha da
Irmandade são obrigados a esquecer que são crianças ou adolescentes para se
tornarem adultos prematuros, queimando etapas importantes de suas vidas. Neste
aspecto, a autora foi muito feliz ao beber na mesma fonte de Orson Scott Card e seu fantástico "O Jogo do Exterminador".
Quando bater aquela vontade de ler alguma história
de ficção científica, já sei o lugar certo onde procurar em minha estante.
Confira aqui o post da obra)
07 – Canibais: Paixão e Morte na Rua do Arvoredo (David Coimbra)
Em seu primeiro romance, David
Coimbra revisita um episódio célebre do passado porto-alegrense que ficou conhecido
como o “Caso do Linguiceiro”. Em meados do século 19, o açougueiro Ramos e sua
mulher, Catarina, assassinaram dezenas de pessoas e utilizaram os cadáveres
para fazer linguiça, transformando os habitantes da Porto Alegre de então em
involuntários canibais.
O fato foi tão macabro, mas tão
macabro que apesar de ter ocorrido no século 19, quando Porto Alegre ainda
estava engatinhando – contando com menos de 20 mil habitantes – nem mesmo a
aura de tecnologia ultra moderna do século 21 conseguiu apagar.
A obra de Coimbra foge inteiramente
do convencional, à começar que não se trata de um livro técnico, pelo
contrário, o autor optou por transformar a história do linguiceiro da Rua do
Arvoredo num romance, mas nem por isso, menos interessante; pelo contrário, o
livro prende a atenção do leitor com facilidade.
Recomendo a releitura, com certeza.
(Confira
aqui o post da obra)
08 – Além da Carne: Contos Insanos (César Bravo)
“Além da Carne – Contos Insanos” é
mais um livro de histórias curtas de terror do escritor brasileiro e
taubatense, César Bravo. uma das
gratas revelações da literatura fantástica, pra ser mais exato, do gênero
terror. Prova que temos grandes talentos escondidos, aqui na terrinha,
aguardando apenas que algum figurão de uma grande editora os descubram.
Enquanto isso, eles vão publicando os seus e-books na Amazon e nos deliciando.
César Bravo é um desses autores.
“Além da Carne – Contos Insanos”
com as suas seis histórias é a essência do gore. As histórias não só assustam
como também incomodam. E o que é ficar incomodado nesse caso? Simples. É se
lembrar de determinada cena 10, 20, 30 ou 40 anos depois.
O conto que mais me agradou foi “A
Expressão da Desgraça”, o penúltimo do livro. A história gira em torno de um
quadro maldito pintado por um cigano muito velho e que já morreu há tempos. A
obra é tão demoníaca que por mais de dois séculos ficou com a sua tela coberta
para que ninguém a visse. Até o dia em
que algum curioso metido a besta resolveu provar que tudo não passava de
bobagens. Entonce...
Logo,
logo estarei relendo esse livro.
(Confira
aqui o post da obra)
09 – De a’Ha a U2 (Zéca Camargo)
Eu vivo relendo “De a-Há a U2” do Zeca Camargo. Volta e meia, lá estou
eu devorando algumas das entrevistas do livro. Elas são muito boas e realizadas
na época em que o Zeca era um repórter e apresentador muito competente. Mas, então, a Dona Globo
cavou a sepultura do moço, retirando-o do comando do Fantástico para apresentar
um já falido Video-Show e aí, deu no que deu.
Neste livro, Zeca reúne histórias
interessantíssimas dos bastidores de várias entrevistas que realizou com astros
do pop-rock do mundo todo. Ele conta tudo o que rolou antes dessas entrevistas
serem levadas ao ar ou publicadas nas páginas de um jornal. Coisas do tipo: O entrevistado
foi um “mala” ou educado?, “Quais exigências ele fez?”, “O Zeca pagou algum
mico?”, além de outras “cositas”.
Ele não poupa críticas para alguns
figurões do mundo pop que apesar de não cantarem nada ou então estarem numa
fase decadente, ainda se julgavam os reis da cocada preta fazendo exigências
absurdas para conceder uma entrevista curtíssima. Mas nem tudo é crítica; o
autor também elogia os astros talentosos, mesmo aqueles que foram arrogantes e
antipáticos durante a entrevista.
“De a-ha a U2” pode ser lido sem a
necessidade de seguir uma ordem cronológica, mas já adianto que todas as
histórias de bastidores narradas por Zéca são imperdíveis.
(Confira
aqui o post da obra)
10 – Análise da Inteligência de Cristo (Augusto Cury)
Cara, amei a coleção de Augusto Cury. Li os cinco livros que formam a
obra em apenas um mês. São espetaculares, quer você goste ou não de livros de
auto ajuda.
Cury que além de escritor é um conceituado psiquiatra promove em sua
coletânea uma abordagem do lado psicológico e comportamental de Jesus com
aplicação nas diversas áreas do conhecimento humano. Em outras palavras: ele
analisa a mente de Jesus à partir das atitudes tomadas pelo Cristo durante a
sua jornada de vida até o momento de sua crucificação.
A coleção é formada pelos livros: “O Mestre dos Mestres”, “O Mestre da
Sensibilidade”, “O Mestre da Vida”, “O Mestre do Amor” e “O Mestre
Inesquecível”. Eles nos proporcionam uma perspectiva filosófica e psicológica
do comportamento de Jesus.
O autor analisa como o Cristo
conseguiu liderar e modificar as atitudes de 12 pessoas complicadíssimas ou
será que você acreditava que os 12 apóstolos eram todos anjinhos? Tomemos Pedro
como exemplo. Ele era impulsivo, impetuoso e vacilante, indo de um extremo a outro com a maior
facilidade. Em sua natureza humana, Jesus conseguiu mudar o comportamento
de Pedro e também de seus outros apóstolos, transformando-os em seres humanos
de qualidades múltiplas, verdadeiros exemplos para todos nós.
Acabei de reler “O Mestre
Inesquecível” – livro que fecha a coleção - há poucos dias.
(Confira aqui o post da obra)
Pessoal, inté!
01 dezembro 2015
10 livros sobre o atentado às Torres Gêmeas no 11 de setembro de 2001
Há pouco mais de 15 anos eu assistia perplexo o
desabamento das torres gêmeas, o cultuado World Trade Center, após o choque
consecutivo de dois aviões comerciais.
Lembro que eu estava trabalhando, perto do
fechamento de uma edição de jornal, mas mesmo assim, todos que estavam na
redação pararam, chocados, para observar aquela cena de horror.
Somando-se os dois ataques às
Torres, ao ataque ao Pentágono e ao avião que caiu na Pensilvânia no mesmo dia,
quase três mil pessoas morreram. Desde aquela manhã de 11 de setembro de 2001,
não apenas a história dos Estados Unidos, mas a de todo o mundo, nunca mais
seria a mesma. O plano maléfico engendrado por Osama Bin Laden garantiu isto.
Durante uma década e meia foram
lançados muitos livros e filmes sobre a tragédia, alguns sensacionalistas e
outros sérios; alguns ruins e outros bons. Após um período sem escrever listas
para os posts – estava dedicando o meu tempo mais para as resenhas – resolvi
formular uma relação de 10 livros que abordam o maior ataque terrorista que o
mundo já conheceu. Vamos à eles:
01 – Extremamente Alto & Incrivelmente Perto
Autor: Jonathan Safran Foer
Editora: Rocco
Páginas: 392
Ano: 2006
Este livro foi adaptado para os
cinemas em 2012 e contou com uma trinca de atores de primeira qualidade: Tom
Hankes, Sandra Bullock e Max von Sydow.
Muitos que leram e assistiram “Extremamente Alto & Incrivelmente
Perto” garantem que o Oskar dos livros é muito melhor do que o Oskar das
telonas. O personagem nos cinemas é abordado com superficialidade, ao contrário
do comovente garoto das páginas.
Nesta obra de ficção, o autor Jonathan
Safran Foer, narra a tragédia do 11 de Setembro e suas consequências pelo olhar
de um menino de nove anos, que perde o pai no atentado às Torres. Depois de
algum tempo, ele parte em busca de um sentido para a perda ao encontrar uma
chave no casaco do terno de seu ‘velho’.
O leitor entra em contato com a dor
e a falta que o menino sente do pai, enquanto busca descobrir detalhes
desconhecidos sobre a vida do homem que amava. Tanto livro quanto filme foram
muito elogiados pela crítica especializada.
02 – À Sombra das Torres Ausentes
Autor: Art Spielgeman
Editora: Companhia das
Letras
Páginas: 40
Ano: 2004
Aqueles que já conhecem Art
Spielgeman certamente irão gostar desse seu trabalho em quadrinhos. Aliás ,
é importante frisar que ele foi o único autor de HQs a ganhar o prêmio Pulitzer.
Spiegelman ficou conhecido por sua visão singular sobre o holocausto em 'Maus
1' e 'Maus 2'.
Depois de um longo período
trabalhando com ilustrações para capas de revistas, histórias breves e livros
infantis; ‘À Sombra das Torres Ausentes’ é o primeiro livro de quadrinhos
lançado por ele desde 'Maus'. Traumatizado pelo atentado de 11 de setembro e
indignado com a política de George W. Bush após a tragédia, o artista voltou
aos quadrinhos para tentar entender e explicar o que se passava com os
americanos. No dia anterior aos ataques, 10 de setembro de 2001, Spiegelman e a
mulher, Françoise Mouly, editora de arte da revista The New Yorker,
matricularam a filha numa escola situada aos pés do World Trade Center. Quando
viram na televisão a primeira torre ser atingida pelo avião, foram desesperados
ao encontro de Nadja e conseguiram encontrá-la pouco antes que a torre norte
desabasse, por trás deles. Em seguida, correram para pegar o outro filho,
Dashiell, na escola das Nações Unidas. Essa experiência angustiante esta
retratada em detalhes no livro. Assim como em 'Maus', Spiegelman aborda o
impacto de traumas da história contemporânea em sua vida pessoal. Mas vai além
de sua experiência pessoal e faz uma reflexão sobre as razões e os
desdobramentos dessa tragédia que vitimou quase 3 mil pessoas e permitiu ao
governo americano justificar uma guerra contra o Iraque.
O formato escolhido para as
pranchas - cada história em páginas duplas - é o mesmo das primeiras HQs
publicadas em jornal, no fim do século XIX. Foi nessas velhas e despretensiosas
tiras que o artista encontrou alívio depois do 11 de setembro. Por isso na
última parte do livro ele incluiu um 'Suplemento de Quadrinhos' com alguns
clássicos: Krazy Kat, Little Nemo, Happy Hooligan, Pafúncio e Marocas...
03 – 102 Minutos – A História Inédita da Luta pela Vida nas
Torres Gêmeas
Autor: Jim
Dwyler e Kevin Flynn
Editora: Zahar
Páginas: 332
Ano: 2005
Ainda não tive a oportunidade de
ler o livro – mesmo desejando muito – mas um ex-professor teve esse privilégio
e me disse que a obra de Jim Dwler e Kevin Flynn é um verdadeiro ‘achado’
jornalístico sobre o ataque de 11 de setembro. Os autores esmiúçam os
bastidores do atentado, revelando detalhes intrigantes. Também não é para
menos, já que Dwyler e Flynn são dois jornalistas conceituados do The New York
Times.
Eles contam a chamada face oculta dos
102 minutos que foi o tempo em que o primeiro avião atingiu a Torre Sul do
World Trade Center, às 8h46 do dia 11 de setembro de 2001 até o
momento em que a Torre Norte desabou.
É neste intervalo de tempo que os dois repórteres do
The New York Times desenvolvem o enredo de “102 Minutos – A História Inédita da
Luta pela Vida nas Torres Gêmeas”. Para isso, adotam uma estratégia reveladora:
dar voz às pessoas que estavam dentro dos prédios naquele momento. A partir de
centenas de entrevistas com agentes de resgate e sobreviventes, documentos
oficiais, gravações de telefonemas, e-mails e transcrições de pedidos de
socorro nos serviços de emergência, produzem uma eficiente reportagem
investigativa. Expõem também os motivos das falhas nos serviços de bombeiros e
da polícia de Nova York - que o mundo todo reputava como impecáveis.
A narrativa dos dois jornalistas, somada à diagramas
da estrutura das torres, reconstitui para o leitor a confusão e o caos que
dominaram o ambiente no interior dos prédios. Um relato que traz à tona
detalhes impressionantes, encontros fortuitos, reações intempestivas, momentos
de heroísmo e incompetência - e muito sofrimento.
Cara, quero muito ler esse livro!
04 – O Jardim dos Últimos Dias
Autor: Andre
Dubus III
Editora: Record
Páginas: 476
Ano: 2011
Bem, antes de falar escrever
sobre essa obra, gostaria que vocês conhecessem um pouco melhor o seu autor. Já
vi alguns colegas deixarem de comprar determinados livros, só porque o autor
tem um nome esquisito. No caso de “O Jardim dos Últimos Dias”, cuidado! Se você
pensa dessa maneira, pode se arrebentar inteirinho.
Apesar do nome ‘esquisitaço’ que
mais se parece com dinastias de príncipes ou reis árabes dos contos das Mil e
Uma Noites, Andre Dubus III é americano. Isso mesmo! Americano e com um nome
desses, pode!? E mais, escreveu um livraço muito elogiado pela crítica e que
deu origem a um filme mais elogiado ainda. Estou me referindo a “Casa de Areia
e Névoa” (2004) com Bem Kingsley e Jennifer Connelly. O livro recebeu mais de
100 propostas de diversos estúdios para adaptação para o cinema. No final, a
Dreamworks – acho que é aquele estúdio do Spielberg - acabou ganhando a
disputa, após oferecer a melhor proposta.
Estes esclarecimentos são
importantes para que você entenda que “O Jardim dos Últimos Dias” foi escrito
por um autor conceituado e por isso mesmo, vale à pena ser lido.
O enredo de Dubus é inspirado
nos rumores de que um dos terroristas do 11 de Setembro teria desfrutado os
prazeres da sociedade ocidental dias antes do atentado contra as Torres Gêmeas.
O autor mostra como bons e maus sentimentos podem conviver na mesma mente.
A partir da vida de April, mãe da pequena Fanny e dançarina numa boate de striptease na Flórida, onde o árabe Bassam busca satisfação antes de matar e morrer em nome da estrita fé islâmica, Dubus faz uma dissecação da sociedade norte-americana, contando como cidadãos comuns podem conviver, sem perceberem, com terroristas não imaginando o que o futuro lhes reservava.
A partir da vida de April, mãe da pequena Fanny e dançarina numa boate de striptease na Flórida, onde o árabe Bassam busca satisfação antes de matar e morrer em nome da estrita fé islâmica, Dubus faz uma dissecação da sociedade norte-americana, contando como cidadãos comuns podem conviver, sem perceberem, com terroristas não imaginando o que o futuro lhes reservava.
05 – O Vulto das Torres
Autor: Lawrence
Wright
Editora: Companhia das
Letras
Páginas: 504
Ano: 2007
O livro de Lawrence Wright explora à exaustão a vida de Osama bin Laden e todo o
trabalho frustrado desenvolvido pelos serviços de inteligência americano para
capturá-lo. Neste ponto, considero a obra de Lawrence um pouco desatualizada,
mesmo porque Bin Laden foi morto em 2011, quatro anos após o lançamento do
livro. Portanto, muitas observações do autor perderam o sentido e também o
impacto.
Mas nem por isso, “O Vulto das
Torres” deixa de ser interessante. A obra é fundamental para o leitor entender
a construção do pensamento radical islâmico desde os anos 50, além da formação
das organizações terroristas. O autor ‘detona’, sem meias palavras, as
trapalhadas dos serviços de inteligência da Terra do Tio Sam que acabaram
facilitando a ação do grupo terrorista da Al-Qaeda. Para que os leitores tenham
uma breve noção dessas falhas, basta dizer que os terroristas tiveram liberdade
para treinar, planejar e atacar os cidadãos americanos em seu próprio território!!
06 – A Terrorista Desconhecida
Autor: Richard
Flanagan
Editora: Companhia das
Letras
Páginas: 328
Ano: 2009
Este livro é indicado para aqueles
leitores que não se ‘ligam’ muito em descrições jornalísticas e investigativas
sobre o fatídico ‘11 de setembro’. O enredo de Richard Flanagan não tem nada a
ver com fatos reais. “A Terrorista Desconhecida” é um romance de ação e
suspense tendo como pano de fundo o atentado de 2001.
A história se passa em Sydney, na Austrália, no pós-Onze
de Setembro, onde três bombas são encontradas no centro da cidade. O clima é de
medo e apreensão. Gina Davies, conhecida como Boneca, vive alheia a tudo isso:
a stripper mais famosa da boate Chairman's Lounge só quer saber de dinheiro e
roupas de grife.
O encontro com Tariq, um jovem belo e sedutor, vira a rotina de Boneca de cabeça para baixo. Depois de passarem juntos uma noite regada a álcool e cocaína, Tariq desaparece. Boneca descobre pela tevê que ele é suspeito de terrorismo, e que ela, por ter sido vista ao seu lado, é procurada como cúmplice.
O encontro com Tariq, um jovem belo e sedutor, vira a rotina de Boneca de cabeça para baixo. Depois de passarem juntos uma noite regada a álcool e cocaína, Tariq desaparece. Boneca descobre pela tevê que ele é suspeito de terrorismo, e que ela, por ter sido vista ao seu lado, é procurada como cúmplice.
Envolta numa teia de que não pode escapar, fugindo
de uma perseguição absurda, Boneca vê seus caminhos se estrangularem e todas as
verdades de sua vida se transformarem em mentiras.
Não li o livro e para ser sincero, nem sei se lerei,
mas ele tem ‘cara’ daqueles enredos escritos por Frederick Forsyth, o que já é
um bom sinal.
Na esperança de despertar o interesse dos leitores e
vender muito mais livros, a Companhia das Letras usou um slogan bem chamativo
para divulgar a obra nas livrarias: “E se você acordasse um dia e descobrisse
que é a pessoa mais procurada do país?” Bem forte, né galera?
07 – Querido John
Autor: Nicholas
Sparks
Editora: Novo Conceito
Páginas: 288
Ano: 2010
Mais um romance que utiliza o
ataque ao World Trade Center apenas como pano de fundo. Digamos que Nicholas
Sparks emprestou o ‘11 de Setembro’ como tempero para mais uma de suas
‘lacrimosas’ estórias de amor.
Desta vez, ele conta o drama de
John, um soldado americano que está aproveitando o seu período de folga na casa
de seu pai, numa pacata cidade interiorana dos Estados Unidos, quando conhece
Savannah. E adivinhe o que acontece? Quem é fã de carteirinha de Sparks,
certamente, já descobriu a resposta: os dois se apaixonam, trocam o primeiro
beijo, fazem juras de amor e depois se separam, mas... para se reencontrarem numa
situação adversa.
Enquanto todo esse dramalhão ‘come
solto’, lá estão as finadas Torres Gêmeas emprestando mais emoção ao romance.
No fim de suas férias, John precisa
retornar para o exército e Savannah para a faculdade. Na tentativa de ficarem
mais próximos, eles prometem relatar tudo o que acontece em suas vidas por meio
de cartas escritas um para o outro. Ficam nesse esquema durante dois anos.
Quando John está prestes a retornar
de vez para a casa, acontece o fatídico ataque às Torres Gêmeas, em Nova York. Os
Estados Unidos da era George W. Bush acabam declarando guerra ao Iraque. John
renova seu período de alistamento militar e por causa do atentado terrorista, o
romance entre os pombinhos acaba tomando um caminho complicado e inesperado.
“Querido John” foi adaptado para as
telonas no mesmo ano do lançamento do livro de Sparks e fez grande sucesso
entre os telespectadores teens.
08 – Homem em Queda
Autor: Don
De Lillo
Editora: Companhia das
Letras
Páginas: 264
Ano: 2007
O título do livro faz uma alusão às imagens de
pessoas em queda livre feitas no 11 de Setembro. Segundo a maioria dos críticos
literários, juntamente com “Extremamente Alto & Incrivelmente Perto”, “Homem
em Queda” é considerada uma das maiores obras de ficção cujo pano de fundo são
os atentados terroristas em
Nova York.
Don De Lillo conta a saga de Keith, um homem que
consegue sair com vida de uma das torres gêmeas atingidas pelos aviões
pilotados por terroristas, no dia 11 de setembro. Em vez de voltar para o seu
próprio apartamento, o atordoado Keith, coberto de poeira e sangue, e
carregando uma pasta que não lhe pertence, bate à porta de sua ex-mulher,
Lianne, com quem tem um filho pequeno.
Keith tenta reconstruir sua vida, ao mesmo tempo, que sai em busca do dono da misteriosa pasta. Lianne, por sua vez, trabalha como voluntária junto a pacientes com Alzheimer e cuida também de sua mãe, Nina, uma historiadora de arte aposentada.
Esse punhado de personagens evolui num mundo onde não há mais o antes, e o depois é todo feito de incertezas e angústias com pouca chance de resolução.
Keith tenta reconstruir sua vida, ao mesmo tempo, que sai em busca do dono da misteriosa pasta. Lianne, por sua vez, trabalha como voluntária junto a pacientes com Alzheimer e cuida também de sua mãe, Nina, uma historiadora de arte aposentada.
Esse punhado de personagens evolui num mundo onde não há mais o antes, e o depois é todo feito de incertezas e angústias com pouca chance de resolução.
09 – Ao Pé da Escada
Autor: Lorrie
Moore
Editora: Record
Páginas: 336
Ano: 2011
Lorrie Moore é uma professora de
língua inglesa na Universidade de Wisconsin e autora cultuada em seu país.
Estas referências já são suficientes para indicar a leitura do livro. A autora narra
a história de Tassie Keltjin, filha de fazendeiros que faz a passagem para a
vida adulta ao ingressar em uma universidade do Meio-Oeste.
No começo do romance, Tassie reage com “histeria,
gargalhadas assustadas, culpadas e desesperançadas” à notícia dos atentados. A
partir daí, a sombra deles sempre se fará presente.
Imersa num ambiente politicamente correto sufocante,
ela abraça os protestos contra a guerra no Afeganistão, vira babá de uma
criança negra adotada por um casal branco e se envolve com um muçulmano que se
diz brasileiro.
Por meio da história da jovem e ingênua Tassie, a
autora nos mostra, de forma melancólica e dura, a alma de seus personagens,
mapeando seus medos e desapontamentos, seus ganhos e esforços cada vez mais
tênues de se manterem fiéis a seus sonhos em face da tragédia que se desenrola.
10 – O Fundamentalista Relutante
Autor: Mohsin
Hamid
Editora: Objetiva
Páginas: 176
Ano: 2008
Changez, um paquistanês que vivera por muitos anos
nos Estados Unidos, encontra-se com um norte-americano num café em Lahore. Aos poucos,
ele narra sua história a esse enigmático visitante. Depois de estudar em Princeton,
onde fora o primeiro colocado de sua turma, Changez tinha a vida praticamente
ganha: trabalhava numa empresa de elite em Nova York que fazia avaliações de mercado para
grandes companhias e havia conhecido a garota de seus sonhos. Naquele momento,
sentia-se cada vez mais integrado ao estilo de vida norte-americano.
Mas tudo muda quando ele vê, pela televisão, as
Torres Gêmeas desmoronando. Sua vida, então, irá se alterar por completo, e
esse jovem paquistanês descobrirá laços de fidelidade mais fundamentais do que
o dinheiro e o poder.
O atentado terrorista faz com que Changez se veja repentinamente
distanciado da vida que levava até então, e sua própria identidade começa a se
transformar de forma irreversível, arrastando-o para o centro de uma crise sem
precedentes.
O livro virou um filme muito elogiado pela crítica e
publica em 2012.
Taí man; se
interessou por alguma dessas obras? Então mãos a obra! Quer dizer, mãos à
leitura. J
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