quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata

Cara, nunca imaginei que algum dia poderia comparar um livro nacional com a antológica coleção “Vagalume”. A série da editora Ática iniciada em 1972 e direcionada ao público infanto-juvenil era totalmente diferenciada das demais, pois os seus enredos tinham o poder de viciar (no bom sentido) os adolescentes dos anos 70.
A sensação que eu tinha quando lia algum livro da “Vagalume” era a de estar participando diretamente história. Mêo, eu estava lá! Com aqueles personagens maravilhosos; ora sofrendo com dona Lola em Éramos Seis, ora bancando o detetive com Alberto e o impagável inspetor Pimentel em “O Escaravelho do Diabo”; sem contar tantas outras histórias lidas no decorrer da minha juventude.
Naquela época não tínhamos os sofisticados jogos de videogames em 3D. O, hoje jurássico, Atari, só chegaria ao Brasil no início dos anos 80 – para ser exato em 1983 – e nem todos tinham condições de adquirir o console do jogo. Portanto, a minha geração tinha nos livros da série Vagalume a sua maior e principal diversão. E posso confessar que sou grato por ter sido órfão  dos jogos eletrônicos  na minha adolescência, pois assim pude realizar ‘viagens’ fantásticas!
Caraca! Foram viagens tão marcantes, leituras tão especiais que até hoje faço questão de guardar alguns volumes da série num cantinho especial da minha sala leitura. E, olha... confesso que volta e meia estou lá relendo algumas dessas histórias.
Na minha concepção, nunca mais teríamos um livro infanto-juvenil com as características das obras lançadas pela editora Ática, bem... até que resolvi ler “As Crônicas de Miramar – O Segredo Camafeu de Prata”, dos autores paranaenses Flávio St Jayme e Wemerson Damasio.
- Pera aí! Tem alguma coisa estranha por aqui?!! – disse ao ler os primeiros capítulos da obra. – Cara, parece que estou lendo um livro da Vagalume!!
Então, à partir desse momento, agradeci Flávio e Wemerson por terem me presenteado com uma viagem inesquecível até a época da minha adolescência.
Não tem como você parar de ler “As Crônicas de Miramar”. O enredo misterioso, de fato, prende a atenção do leitor, pois todos querem, desesperadamente, saber o que acontece na estranha cidade de Miramar. É para lá que vão as crianças e jovens que descobrem ter algum tipo de poder.
Estes adolescentes não podem estudar em escolas comuns ou conviver com outras pessoas em suas cidades por serem ‘diferentes’. Por causa desses dons, elas acabam sendo rotuladas de estranhas ou até mesmo aberrações. Para evitar que seus filhos acabem sendo excluídos da nossa sociedade, eles acabam sendo obrigados a levá-los para Miraramar, após receber um estranho convite, prometendo novo emprego, uma nova casa, enfim, uma nova vida cheia de prosperidade.
Mas ao chegarem à misteriosa cidade, eles começam a descobrir segredos terríveis que colocam em cheque todas as promessas de prosperidade feitas anteriormente.
A narrativa ágil prende a atenção do leitor, tanto é que li o livro em menos de dois dias. A opção dos autores em escrever capítulos curtos, enriquecidos com muitos diálogos, facilita ainda a mais a leitura, tornando-a bem dinâmica.
Inspirados em filmes, séries e revistas em quadrinhos, os personagens principais da história – Elizabeth, Daniel, Sara, Isaac e Gabriel - possuem características, poderes e conflitos próprios (alguns envolvendo preconceitos e racismo) e, enquanto se adaptam à nova realidade daquele lugar estranho, conhecem uns aos outros e descobrem amizades e inimizades.
 O livro que faz parte de uma trilogia tem 272 páginas e foi lançado pela editora portuguesa Chiado. Os interessados podem adquirir “As Crônicas de Miramar – O Segredo do Camafeu de Prata”  nos seguintes locais: Livrarias Curitiba, Wook, a e na Chiado Editora.
E agora que venha “As Crônicas de Miramar – Livro 2, A Ilha dos Esquecidos”. Torcendo para que a sequência tenha a mesma magia do primeiro livro.

Inté!

4 comentários:

  1. Cara, você traduziu exatamente o que eu sentia lendo a Coleção Vaga Lume. Dá até um aperto no coração. E saber que esse "jeito" de contar histórias não se perdeu, ou até influenciou utores dessa geração, é muito bom. O enredo de As Crônicas de Miramar é muito instigante. Ainda vou ler.

    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/

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    1. Ronaldo, acabei de ler o livro e, de fato, é tudo isso o que escrevi na resenha. Leia, com certeza irá gostar, pois "As Crônicas de Miramar" mantém viva toda aquela aura fantástica das histórias da coleção "Vagalume"
      Grande Abraço!
      OBS: Já favoritei o seu blog... muito bom :)

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  2. Oi Jan, estou simplesmente sem palavras pra dizer o quanto estou feliz com o que você escreveu. Ficamos extremamente felizes de que o livro tenha despertado esse sentimento e, claro, que você tenha gostado da nossa história! Muito obrigado ;) Grande abraço
    Ah, e o livro também está a venda no site brasileiro Easybooks: http://www.easybooks.com.br/literatura-biografias-humor-e-quadrinhos/literatura-estrangeira/as-cronicas-de-miramar1/

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    1. Flávio, parabéns! Você e o Wemerson foram muito felizes na criação do enredo. Os diálogos bem construidos entre os personagens prendem o leitor. E você sabe que uma história com diálogos mal estruturados 'derruba' qualquer contexto.
      Estou com muita expectativa com relação a sequencia de "O Segredo do Camafeu de Prata" e torço para que mantenha a mesma eficiência do livro de estréia. Afinal, não é sempre que temos a oportunidade de lermos algo incrivelmente parecido com a série Vagalume.
      Boa sorte e abraços!

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