sábado, 15 de agosto de 2015

Irmandade de Copra

Já vou avisando logo de cara que não serei exagerado; apenas sincero: “Irmandade de Copra” foi nos meus 53 anos de vida, um dos melhores livros de ficção científica que já li; excetuando o seu final, que não gostei. Mas como refletia um antigo professor de literatura que me ensinou muito: “Finais são apenas finais”. O que o mestre queria dizer é que finais de obras literárias são relativos, podendo agradar a alguns, mas desagradar a outros. A prova dessa certeza é que teve muitos finais escritos por Stephen King que odiei; mas outros amigos leitores, incluindo críticos literários muito mais capacitados do que eu, simplesmente deliraram, chegando perto de ter um orgasmo de prazer com os tais epílogos. A conclusão da história de a “Irmandade de Copra” não vai escapar dessa certeza absoluta da literatura mundial: “agradar alguns e desagradar a outros”.
Por outro lado a leitura de suas mais de 400 páginas, incluindo o prólogo fantástico, foi prazeroso, perto do viciante. Li o livro em uma ‘tacada só’ e cheguei a fazer algo que não estou acostumado: ler em meu trabalho. “Irmandade de Copra” sempre esteve na minha bolsa (007 e não modelo feminino – rs) e ao sobrar uma folga no trampo, lá estava eu com o livro nas mãos.
“Irmandade de Copra” já começa a conquistar o leitor em seu Prólogo, onde a autora carioca Caroline Defanti, em apenas três páginas, explica numa narrativa cheia de suspense como são criados os super-soldados que irão combater os alienígenas que se apossaram do planeta Terra. A transformação de Gabriel em Arcanjo e de Aeris em Musa, de fato prende o leitor, e já dá uma noção de como funciona o polêmico e questionado projeto que une o DNA alienígena ao dos humanos, alterando toda a sua genética e conferindo-lhes  poderes especiais, mas não sem antes cobrar um alto preço por isso. Dos inúmeros aspirantes à “Irmãos” – é assim que são conhecidos os super-soldados já que fazem parte de uma Irmandade – nem todos conseguem sair vivos do processo de mudança. Após adquirirem os seus dons, eles ainda são obrigados a passar por uma prova final de vida ou morte para testar a suas novas habilidades.
Defanti explica de uma maneira crua – sem meias palavras – o processo de ‘amadurecimento forçado’ desses jovens que ao ingressarem na escolinha da Irmandade são obrigados a esquecer que são crianças ou adolescentes para se tornarem adultos prematuros, queimando etapas importantes de suas vidas. Neste aspecto, a autora foi muito feliz ao beber na mesma fonte de Orson Scott Card e seu fantástico ‘O Jogo do Exterminador’.
Autora Caroline Defanti
Apesar da pouca idade, apenas 22 anos, Defanti se revelou uma escritora muito amadurecida ao fugir de estereótipos comuns que estão presentes na maioria das obras de ficção científica envolvendo conflitos entre humanos e alienígenas, entre os quais, um que faz qualquer monge recluso perder a calma: o conhecido efeito ‘sai no braço’. Infelizmente, muitos autores de  livros do gênero dão mais ênfase para a ação do que para o desenvolvimento da trama. Em “Irmandade de Copra”, Defanti soube dosar muito bem a testosterona de terráqueos e alienígenas. O livro apresenta momentos de muita ação, como uma das primeiras tentativas frustradas de ataque da Irmandade contra os alienígenas, mas também traz à tona os conflitos existentes entre os ‘Irmãos’.
A autora também foi cuidadosa ao evitar criar personagens estereotipados, ou seja, quem é mocinho é mocinho e quem é bandido é bandido  para todo o sempre. Não; ela compôs personagens complexos, como Musa, Arcanjo, Chess (o líder dos Irmãos), Malika ( a criança extra-terrestre) e principalmente o alienígena Dakarai, pelo qual me apaixonei. Em determinado ponto da trama, acabei ficando indeciso, não sabendo se torcia pela perseverança dos humanos em recuperar o seu planeta ou pela ideologia dos alienígenas.
No enredo da autora, em um futuro distante, a quase extinção do ser humano fez com que os poucos que restaram lutassem pela sobrevivência em colônias construídas na lua e em Marte. Entretanto, uma raça alienígena se apossa da Terra e a curam, mas os homens desejam ter o seu planeta e suas vidas de volta. Ocorre que os seres não parecem dispostos a abrir mão de seu novo lar. Por isso, os homens  criam novos soldados capazes de combater essas criaturas e recuperar o planeta. Assim nasce a Irmandade de Copra.
Cara, a trama estava muito, mais muito envolvente e durante a leitura a minha mente já estava criando “N” possibilidades de desfecho para alguns personagens. Foi quando chegou o final onde uma das cientistas que idealizou o projeto de criação dos super-soldados decidiu simplesmente... Bem, é melhor você ler. Com certeza, alguns leitores irão gostar da conclusão da história, outros não. Como já dizia o meu antigo mestre: “Finais são apenas finais...”
Ponto positivo para a editora Arwen por ter descoberto uma grande escritora.


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