Cinco livros de terror para você devorar no mês de abril, em suas férias

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Abril está chegando e com certeza muitos leitores que acompanham as resenhas, listas e comentários do blog estarão curtindo as suas férias nesse mês. E nestes tempos de pandemia sabemos que as viagens e aglomerações não são nada indicadas. A recomendação mais sensata é ficar em casa, mas ficar em casa fazendo o que? Para nós leitores, esse problema já está resolvido. Os livros que nós líamos a migalhas nos intervalos do nosso trabalho ou então lutando contra o sono das madrugadas, agora podemos fazer no relax de nossas casas. E temos um mês inteirinho para fazer esse “sacrifício”.

No post de hoje, vou indicar cinco livros de terror para serem devorados em abril no conforto do seu lar. Se você estiver de férias, ótimo; para aqueles estiverem trabalhando em home office, ótimo, também, pois acredito que o tempo disponível para o lazer nessas condições especiais de trabalho é muito mais favorável do que o “tête-à-tête”, ali, com o patrão por perto.

Optei por indicar livros de terror porque é um dos gêneros mais populares e um dos mais queridos pelos leitores. Acho que de cada 10 leitores, 9 apreciam o gênero.

Vamos às indicações. Li todos eles e recomendo. São histórias intrigantes e arrepiantes.

01 – As Ruínas (Scott Smith)

Lí este livro há quase dois anos e até hoje ainda me lembro dos trechos chocantes da história escrita por Scott Smith. Aliás, é isso, As Ruínas tem o poder de ficar impregnado em sua mente mesmo depois de você ter lido a obra há muito tempo. Certos trechos do enredo são capazes de impressionar os leitores mais sensíveis e influenciáveis.

As situações vividas pelos personagens criados por Smith chegam ao extremo; trechos envolvendo automutilações, amputações a sangue frio, além de um terrível e sui generis vilão carnívoro que devora as suas vítimas sorrateiramente e sem piedade, minam a resistência do mais forte dos leitores, tanto é verdade, que perto do final fui obrigado a “dar um respiro” e deixar o livro sobre a mesa, quietinho, para prosseguir a leitura somente depois.

Costumo dizer que Scott Smith foi muito sádico ao escrever As Ruínas, porque além das cenas chocantes envolvendo a luta de cinco jovens contra um inimigo assustador e impiedoso, o autor também explorou ao máximo os medos, incertezas, ansiedades e conflitos de cada um dos personagens. Cara, você não imagina como a soma de tudo isso deixa o enredo tenso pra caráculas.

Quer ler um terror pesadão em suas férias de abril? Taí a indicação perfeita: As Ruínas. Mas prepara-se muito bem antes.

02 – A Estrada da Noite (Joe Hill)

Craddock McDermont. Pois é, Joe Hill criou um dos vilões mais assustadores da literatura de terror, capaz de competir ‘pau a pau’ com Pennywise, o palhaço maldito que saiu da cabeça de seu pai Stephen King. Craddock é uma peste: mau ao extremo, vingativo, sádico e sanguinário. Um verdadeiro casca grossa.

A Estrada da Noite arrepia, mete medo, mesmo. Imagine você sendo perseguido por algo sobrenatural que promete transformar a sua vida e a de seus familiares e amigos num verdadeiro inferno.

Craddock, o velhinho do paletó assombrado, desperta os medos mais primitivos dos leitores. Você se lembra daquele reverendo-fantasma do filme Poltergeist - com uma expressão macabra - que atazana a vida da família daquela menina loirinha que, por sua vez, acabava sendo ‘puxada’  para o além? Craddock é parecidíssimo com ele, mas um pouco pior. Ele ‘assombra’ a história. O fantasma só pensa em vingança e é capaz de tudo para atingir os seus objetivos.

O espírito do ‘velhinho do paletó preto’ parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica um pêndulo reluzente que é uma verdadeira sentença de morte.  Ele tem o poder de hipnotizar as pessoas e fazer com que elas se envolvam em situações perigosas, colocando em risco as suas vidas.

A história tem como protagonista o cinquentão Jude Coyne: uma verdadeira lenda do rock que tem vários gostos excêntricos, como por exemplo, colecionar objetos macabros. Coyne tem um livro de receitas de canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Dessa maneira, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta. Ah! O anuncio? Esse aqui oh: “Vou ‘vender’  o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto...”

Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono, ninguém menos do que Craddock. Aí, já viu o que acontece, né?

03 – A Tumba e Outras Histórias (H.P. Lovecraft)

Outra boa pedida para ser devorado em suas férias de abril é A Tumba e Outras Histórias do gênio do Terror H.P. Lovecradft. Como todos os livros de contos, A Tumba tem histórias ótimas e outras nem tanto. O importante é que no cômputo geral, o livro de Lovecraft cumpre o seu papel já que os contos ruins ou regulares são poucos. A maioria são verdadeiras joias raras do gênero terror.

O livro é dividido em três partes. Na primeira, são apresentados os oito contos principais, todos eles escritos na fase adulta de Lovecraft. Na segunda parte, temos as primeiras histórias escritas pelo autor, ou seja, em sua adolescência, por volta dos 15 anos. Vale lembrar que a maior parte desse material acabou sendo destruído; o que é uma pena, mesmo assim, A Tumba nos brinda com cinco histórias dessa fase da vida de Lovecraft. São elas: A Fera na Caverna, O Alquimista, Poesia e os Deuses, A Rua e A Transição de Juan Romero.

Apesar de serem histórias do início da carreira do escritor, elas tem muitas qualidades, deixando evidente o talento prematuro de Lovecraft. Gostei demais de A Fera na Caverna e O Alquimista.

Quanto aos oito contos principais: A Tumba, O Festival, Horror em Red Hook e A Estranha Casa Que Pairava na Névoa não negam fogo, mas os diamantes lapidados da obra, sem dúvida nenhuma, são:  Entre as Paredes de Eryx e Aprisionados pelos Faraós; o primeiro é extremamente claustrofóbico e o segundo arrepia até a alma. São tão bons que até escrevi algumas postagens só deles (ver aqui).

Lovecraft influenciou vários escritores da atualidade, se tornando referência para eles, entre os quais o grande Setphen King.

04 – O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas (Aaron Mahnke)

Os ‘causos’ descritos pelo podcaster, escritor, pesquisador e historiador norte-americano Aaron Mahnke fez com que me sentisse sentado ao redor de uma fogueira, durante uma madrugada de lua cheia, juntamente com outros amigos, ouvindo aquelas histórias de terror e suspense que acabam nos perturbando. E, ali, no centro da fogueira, eu imaginava Mahnke contando essas historietas. Foi dessa forma que me senti ao ler o livro.

A linguagem coloquial e fluida faz com que o leitor acabe se envolvendo naqueles casos ou causos (sabe-se lá o que!) estranhos, alguns até mesmo impactantes. Este é um dos pontos positivos de O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas. A linguagem descontraída e envolvente.

O outro ponto que merece destaque são as próprias histórias narradas pelo autor, diga-se de passagem, muito interessantes. Ele não conta apenas um caso. Mahnke procura esclarecer essa história, analisando as suas origens com o objetivo de apontar uma solução para o mistério.

Se fosse escrever sobre a maioria dos casos que fazem parte da obra, esse post ficaria absurdamente comprido. Portanto, prefiro dizer que achei todos eles – não a maioria, mas todos eles – interessantes. Entre os quais posso citar a lenda de Jack dos Saltos de Mola (será mesmo uma lenda?), Homem Mariposa, Lobisomens (um dos relatos me provocou calafrios), bonecos assassinos, casas assombradas, possessões, navios fantasmas, gremlins, duendes, aparições, enfim, o repertório é enorme. Até mesmo a boneca Annabelle e os famosos investigadores de fenômenos paranormais Ed e Lorraine Warren dispõem de algumas páginas dedicadas a eles.

Super recomendo.

05 – O Cemitério (Stephen King)

Considero OCemitério o livro mais denso e perturbador de King. Na trama, Louis Creed, um jovem médico de Chicago, acredita que encontrou seu lugar em Ludlow, uma pequena cidade do Maine, onde se muda com sua esposa, Rachel, e seus dois jovens filhos, Ellie e Gage.

A boa casa, o trabalho na universidade, a felicidade da esposa e dos filhos lhe trazem a certeza de que fez a melhor escolha.

Num dos primeiros passeios familiares para explorar a região, conhecem um "simitério" no bosque próximo a sua casa. Ali, gerações e gerações de crianças enterraram seus animais de estimação.

Para além dos pequenos túmulos, onde letras infantis registram seu primeiro contato com a morte, há, no entanto, um outro cemitério. Uma terra maligna que atrai pessoas com promessas sedutoras e onde forças estranhas são capazes de tornar real o que sempre pareceu impossível.

Este local estranho e maligno passa a ter grande influência na família Creed. Paralelamente a essa descoberta, o filho de Creed morre atropelado por um caminhão. O pai, completamente desesperado, decide então...

Livraço para você devorar neste mês de abril que já está aí.?

Belê? Agora é só dar início a maratona de leituras. E vamos que vamos!

 

2 comentários

  1. Jam, você já leu Sobre a Escrita, do King? É um meio termo entre autobiografia e manual para escrita criativa, sensacional...

    Recentemente, eu li a trilogia da Andrea Perron, aquela que inspirou o filme Invocação do Mal. Fiz resenhas sobre os dois primeiros livros, mas como tem alguns spoilers, fica a seu critério lê-las.

    Nesse caso, escolhi colocar spoilers pelo fato dos livros não terem sido lançados aqui no Brasil - e parece que isso vai demoraaaaar...

    Estou fazendo a do terceiro livro, mas acho que vai levar um certo tempo até eu postar também. Estou escrevendo aos poucos.

    Grande abraço!

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    1. Olá Augusto! Bom vê-lo por aqui, novamente, onde é sempre bem-vindo.
      Vi, no seu canal do Youtube, um depoimento de Andrea Perron, traduzido por você. Achei bastante interessante porque desmistifica o trabalho do casal Warren nesse caso. Eu mesmo via de uma outra maneira, talvez influenciado pelos livros e filmes que exploram o assunto. Pena que a obra não tenha sido traduzida por aqui.
      Quanto as resenhas vou ler, sim. Não tem problemas que eu ainda não tenha lido o livro, afinal de contas, como vc mesmo disse, o seu lançamento ainda vai demorar.
      No que diz respeito ao livro de King, já li e gostei muito. Inclusive tem uma resenha dele no blog.
      Grande abraço!

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