Cinco escritores que ficaram famosos escrevendo apenas um livro


Este post, surgiu graças à influência de duas escritoras famosas: Margareth Mitchell e Emily Bronthë. Quando devorei “E o Vento Levou” e “O Morro dos Ventos Uivantes”, fiquei sabendo que elas escreveram apenas um livro, cada, e esse único livro foi o suficiente para transformá-las em verdadeiros mitos da literatura mundial.
‘Entonce’ tive a idéia de vasculhar na Web e tentar descobrir outros escritores que tiveram o mesmo destino de Mitchell e Bronthë, ou seja, apesar de terem escrito um único livro, conseguiram angariar o respeito de milhares de leitores. Vamos à eles;
01 – Margareth Mitchell
Livro: “E o Vento Levou”
Como deixar de iniciar a postagem sem citar uma das duas ‘musas literárias’ que me inspiraram? Impossible!! Vou começar  por Margareth Mitchell, autora de “E o Vento Levou”. Ela nasceu em 8 de novembro de 1900 em Atlanta, cresceu ouvindo histórias sobre a Guerra Civil dos Estados Unidos contadas por seus parentes e por veteranos confederados. Com certeza, essas histórias também serviram de inspiração para seu livro.
Antes de tornar-se uma escritora famosa, Mitchel trabalhou como repórter num jornal de Atlanta, onde se casou com o editor da empresa jornalística.
Poucos meses após o casamento, Margaret teve de afastar-se do jornal por problemas de saúde. Foi durante o período de convalescença que ela começou a escrever a história que a tornaria famosa, “Gone with the Wind” (publicado no Brasil como “E o Vento Levou”). Em 1929, a maior parte do livro estava terminada e em 1935 a Editora Macmillan adquiriu os direitos de publicação.
A obra foi lançada em 1936 e se tornou rapidamente um best-seller, vendendo em apenas quatro meses, após o seu lançamento, cerca de um milhão de exemplares. Os direitos de filmagens foram comprados pelo produtor David O. Selznick pela quantia astronômica – na época – de US$ 50.000. Em maio de 1937, “E o Vento Levou” conquistou um dos maiores prêmios da literatura mundial: o Pulitzer.
Os direitos autorais recebidos pela obra única e pela sua adaptação cinematográfica tornaram Mitchell uma mulher rica, e ela, envolvida com suas atividades de filantropia, decidiu encerrar sua carreira literária. Uma pena, não é mesmo?
A autora que emocionou várias gerações de leitores morreu atropelada por um táxi, aos 48 anos de idade, quando atravessava uma rua próxima de sua residência.
02 – Arthur Golden
Livro: Memórias de uma Gueixa
Pode ser que Arthur Golden ainda venha publicar um segundo ou quem sabe até mesmo um terceiro ou quarto romance; mas até agora, o escritor norte-americano de 62 anos só é conhecido pela sua obra única: “Memórias de uma Gueixa”, lançado em 1997. Portanto, ele está há mais de duas décadas sem escrever nada.
“Memórias de uma Gueixa foi adaptado para o cinema em 2005 e foi um grande sucesso de público e crítica.
Golden formou-se em História de Arte, em 1978 na famosa Universidade de Harvard, especializando-se em arte japonesa. Em 1980 fez um mestrado em Artes dedicado à História Japonesa, na Universidade de Columbia onde também aprendeu mandarim. Meu! O cara é fera, de fato!
Ah! Ia me esquecendo. Ele viveu e trabalhou muito tempo no Japão. Com um ‘pedigree’ desses seria difícil não escrever um livraço que abordasse a fundo a cultura japonesa.
03 – Manuel Antônio de Almeida
Livro: Memórias de um Sargento de Milícias
Se você acha pouco somente um livro no currículo do escritor carioca Manuel Antônio de Almeida, basta dizer que esse “filho único” se tornou leitura obrigatória nas escolas brasileiras. Quem prestou os vestibulares da Fuvest sabe que estou me referindo a obra “Memórias de um Sargento de Milícias”.
Filho de pais portugueses, Manuel Antônio de Almeida nasceu no Rio de Janeiro em 17 de novembro de 1831. Estudou desenho na Escola de Belas Artes. Concluiu o curso de medicina em 1855, mas não exerceu a profissão, dedicando-se ao jornalismo.
Seu único romance, “Memórias de um Sargento de Milícias”, é uma narrativa de costumes e conta a vida do povo que vivia nas casas simples do Rio de Janeiro. “Era no tempo do rei” – assim começa o livro, deflagrando um processo de realismo exato e minucioso dos usos, dos hábitos sociais e das figuras típicas do Brasil do tempo do rei D. João VI. Muitos são os costumes arrolados pelo escritor, como procissões e vida religiosa, festas, danças, músicas, a organização policial e administrativa.
Ao lado disso, existe um enredo, uma sequência de situações, quase sempre cômicas, unificadas pelas peripécias de Leonardo e seu caso com Luisinha, com quem acaba se casando e se torna sargento de milícias. Publicado em 1853, passou a ocupar um lugar especial na história do romantismo brasileiro.
04 – Anna Sewell
Livro: Beleza Negra
Anna Sewell publicou o seu único romance tardiamente. O livro foi lançado pela primeira vez em 1877 e ela morreu cinco meses depois de hepatite, mas ainda teve tempo de ver a sua obra transformar-se num grande sucesso, um verdadeiro clássico da literatura infanto-juvenil. “Beleza Negra” levou seis anos para ser escrito, mas a demora valeu a pena já que o enredo conquistou tanto adultos quanto crianças, vendendo cinqüenta milhões de cópias ao redor do mundo.
A história é contada em primeira pessoa: é uma autobiografia do cavalo Black Beauty, algo inovador para a literatura da época. A escritora inglesa nos mostra o olhar do cavalo que narra sua própria história desde potro, quando vivia em liberdade em uma fazenda com sua mãe, passando por dias difíceis puxando carruagens e trocando de donos, até sua aposentadoria.
Com relação à escritora, certo dia, ao regressar da escola, Sewell sofreu uma queda e fraturou a perna. Vítima de um tratamento médico inadequado, ela acabou ficando inválida para sempre. Para se deslocar, o pai comprou-lhe um carrinho com um pônei. A partir daí ela passou a desenvolver um grande amor por esses animais. Nasce assim, a inspiração para escrever “Beleza Negra”.
05 – Emily Bronthë
Livro: O Morro dos Ventos Uivantes
Taí, a minha outra musa inspiradora desse post! “O Morro dos Ventos Uivantes” foi o primeiro e único livro escrito pela inglesa Emily Bronthë que morreu em 19 de dezembro de 1848, ainda jovem, aos 30 anos de idade.
O romance, que trata de um amor obsessivo, foi publicado em 1847, e narra em duas partes a história de Heathcliff e Cathy. Criados como irmãos adotivos, eles se apaixonam, mas são separados pelo irmão dela, Hindley.
A infância da autora foi difícil e sofrida: primeiro a morte da mãe, depois a partida para um colégio interno em Cowan Bridge, onde dois de seus cinco irmãos vieram a falecer devido a maus tratos, alimentação inadequada e noites mortificantes sem dormir por causa do frio.
Depois dos trágicos acontecimentos, seu pai resolveu trazer os filhos sobreviventes de volta para casa.
Emily não conseguiu o mesmo aparente progresso de suas irmãs, muito devido à sua sufocante timidez.
Charlotte Bronthë fora convidada a lecionar e com isso, induziu sua irmã Emily ao mesmo caminho, mas esta, apesar de grande esforço, não conseguiu tornar-se professora, devido a sua timidez e impossibilidade de falar em público.
Levando uma vida doméstica e solitária e encontrando tempo suficiente para dissipar seus pensamentos na escrita que tanto lhe agradava, Emily escreveu “O Morro dos Ventos Uivantes” que foi publicado em 1847, mas a autora não teve tempo para ver sua obra única conquistar o mundo, pois veio falecer de tuberculose um ano após sua publicação. Uma pena.
Taí galera, espero que tenham gostado.
Inté!

2 comentários

  1. No item 03: autor de Memorias De Um Sargento De Milícia não foi o Manuel Antônio de Almeida?

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    1. Oops! Tem razão. Sobrenome trocado. Já reportei o erro.
      Valeu!
      Obrigado pela correção.

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