12 novembro 2023
Meu Nome é Ninguém – O Juramento (Volume I)
Tão bom quanto “Circe” de Madeline Miller. Esta é a melhor
definição para o livro do escritor, jornalista e arqueólogo italiano Valério
Massimo Manfredi. Aliás, deixe-me fazer uma pequena mudança nessa definição: sai
o “bom” e entra o “ótimo”. Portanto, Meu Nome é Ninguém – O Juramento é tão
ótimo quanto Circe.
Adorei o livro logo de cara porque gosto de narrativas em
primeira pessoa, ou seja, quando o protagonista da história assume o controle
total do enredo como se dissesse para o escritor: “Se manda que agora eu assumo
daqui para frente”. Somado a isso, eu também adoro mitologia grega. Quer mais?
Amo esses dois personagens da mitologia: Circe, a Feiticeira e Ulisses. Sendo
assim, para gostar do livro só faltava ele ser bem escrito; e diga-se, Meu
Nome é Ninguém - O Juramento é tão bem escrito quanto a obra magnífica de Miller. Resultado:
amei, amei e amei a história de Massimo.
Cara, imagine só, Ulisses, um dos personagens mais
famosos da mitologia grega – tão famoso que ganhou de Homero um poema só seu no
evento mais célebre de toda a mitologia: a Guerra de Tróia – contando de viva
voz toda a sua história; desde o seu nascimento até a sua participação na
guerra causada pela mulher mais bonita do planeta.
Como arqueólogo que é, além de escritor, Massimo
cavucou à fundo as origens do personagem, desenterrando informações inéditas
que nunca haviam sido reveladas em nenhum livro sobre o tema. Como foi o nascimento
de Ulisses ou Odisseu, porque ele ganhou esse nome e quem lhe deu esse nome,
como foi o início de seu treinamento e como ele aprendeu a desenvolver as suas
habilidades de persuasão, a importância e a influência do avô de Ulisses em seu
crescimento, além de muitos outros detalhes até outrora, desconhecidos sobre a
infância e adolescência do herói.
Passando pela sua fase adulta, os leitores descobrirão
como o herói conheceu Penélope, como eles se apaixonaram e como foi o seu
casamento; como Odisseu conheceu Aquiles, outro herói famoso da Guerra de Tróia,
e como foi o desenvolvimento dessa amizade – vale lembrar que Ulisses foi, de
fato, o único herói que Aquiles, verdadeiramente respeitou.
Meu Nome é Ninguém – O Juramento, explica minuciosamente a origem da Guerra de Tróia, um evento que começou após a quebra de um
juramento idealizado por Ulisses. As vitórias, derrotas, conflitos, alegrias,
tristezas; enfim, como era o dia a dia dos heróis gregos em seu acampamento ao
redor das muralhas de Tróia. Tudo isso narrado por Ulisses.
Massimo ainda encontrou espaço em sua obra para contar
outras passagens importantes da mitologia grega envolvendo Hércules e o famoso
argonauta Jasão que tiveram um envolvimento, mesmo que indireto com Ulisses.
O autor também explora em seu livro, a lenda grega de
Admeto e Alceste. Na tragédia, Admeto é condenado a morte e sua esposa Alceste
aceita dar sua vida em troca da dele. Ele então, vai até o Hades e consegue
trazê-la de volta à vida. A questão é que quando ela retorna... – acredite, essa lenda também tem relação com Ulisses, mesmo que de maneira indireta.
Outra curiosidade revelada pelo escritor em Meu Nome é
Ninguém - O Juramento que eu não sabia e também, com certeza, a maioria de vocês
desconheciam era o envolvimento entre Helena de Tróia e Ulisses. Não conto mais
detalhes para não revelar spoillers, mas adianto que por muito pouco, Ulisses quase
foi o escolhido de Helena. Fico imaginando como seria vê-lo no lugar de
Menelau.
Enfim galera, um livro que pode ser chamado de “livraço”.
Agora, pretendo ler a segunda e última parte da duologia de Mássimo (Meu Nome é Ninguém - O Regresso) que narra a
viagem tumultuada e cheia de perigos que Ulisses/Odisseu realizou em seu
retorno à Ítaca após os 10 anos de guerra contra os troianos. Agora, some esses 10 anos com outros 17 – que foi o tempo que durou a viagem de Ulisses. Viu só o resultado? Pois é, temos 27 anos! Este foi o período de tempo que o famoso herói grego ficou longe de sua amada
Penélope e de seu filho Telêmaco, na época recém-nascido.
Inté!
07 novembro 2023
Estou sofrendo de D.D.R (Depressão De Releituras)
Ouço e vejo muitos comentários sobre Depressão Pós
Livro, a famosa “DPL”, mas acho que acabei de descobrir um novo tipo de
depressão exclusiva de todos nós leitores, a desconhecida: “DDR” que significa:
“Depressão De Releituras”. Pois é, acho que estou passando por ela porque tenho
todos os sintomas suspeitos. O primeiro sinal de alerta surge quando você, de
repente, sente uma vontade incontrolável de reler determinado livro. O segundo
sinal aparece quando você mal começou a releitura de um livro e já está com
vontade de reler um outro. E por fim, o sintoma que comprova que você, de fato,
sofre de DDR é aquele em que nem começamos a reler uma obra e, então, surge a
vontade de encarar uma saga completa. De repente, são três, quatro, cinco ou
mais livros que ingressam na fila.
O leitor começa, assim, a ficar deprimido porque além
dos livros novos que tem em sua lista de leituras, a fila começa a engrossar
por causa das releituras e com isso, a DDR se instala. Há dois tipos de tratamento: o tratamento de
choque e, por fim, o tratamento mais demorado. O primeiro é bem radical, do
tipo: esqueça as releituras e leia apenas os novos de sua lista e espere essa
vontade louca de reler ir se dissipando aos poucos. Já no segundo tratamento: o
leitor deve frear o seu impulso de comprar novos livros e logo na sequência, criar
o hábito de ler dois livros; por exemplo: num período do dia “ataco” uma obra
inédita e no outro período, ataco uma releitura. Neste tipo de tratamento pode
ser aplicada uma pequena variação: releia antes todos aqueles livros os quais
você está morrendo de vontade - porque nada melhor do que aproveitar o momento
em que estamos “morrendo de sede” de beber um enredo literário que nos atrai;
isto é o que definimos de magia da leitura – e só depois passe a encarar as
novas aquisições literárias.
No meu caso, eu prefiro essa segunda opção de
tratamento para a DDR. Mas vocês perceberam como é difícil cuidar desse tipo de
depressão? Mas agora, deixando a linguagem conotativa de lado, quero revelar
para vocês que estou passando por uma fase de releituras. Assim, do nada,
surgiu uma vontade incontrolável de reler ASombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon. Este impulso veio no momento em que
estava lendo Circe: Feiticeira. Bruxa.Entre o castigo dos deuses e o amor dos homens de Madeline Miller. Pensei
comigo: “Assim que terminar Circe já começo o livro de Zafon”. Mas ao concluir
a leitura de Circe, optei por iniciar
O Meu Nome é Ninguém – O Juramento de
Valerio Massimo Manfredi que conta a saga de Ulisses, um dos maiores heróis da
mitologia grega. Pensei novamente comigo: “enquanto vou acalentando a doce
sensação de uma releitura de Zafon, bebo na “fonte inédita” de Meu Nome é Ninguém outro livro que
estava morrendo de vontade de ler. Aí, sim, depois, releio A Sombra do Vento.
Me ferr... porque mal tinha alcançado a metade do
livro de Manfredi, a DDR atacou novamente e de maneira brutal. Novamente, do
nada, veio aquela vontade traiçoeira de reler toda a quadrilogia O Cemitério dos Livros Esquecidos do
qual A Sombra do Vento faz parte. A
saga é composta ainda por O Jogo do Anjo,
O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos.
Como eu “disse” essa impiedosa DDR veio rasgando
porque além da quadrilogia de Zafon, ontem surgiu, repentinamente, o desejo de
reler a história do apóstolo São Lucas contada de maneira romanceada no
clássico Médico de Homem e de Almas
de Taylor Caldwell que vendeu milhares de livros em todo mundo. E pra complicar
um pouco mais, vale lembrar que com a exceção de O Prisioneiro do Céu todos os demais livros que desejo reler tem um
número bem considerável de páginas.
Taí galera, apresento-lhes um novo distúrbio comum
para todos nós devoradores de livros, a DDR.
02 novembro 2023
10 livros conhecidos que viraram filmes marcantes nos anos 90
Na postagem anterior (aqui) escrevi sobre livros incríveis
que renderam filmes também incríveis. Quando terminei aquela postagem tive um
insight que acabou rendendo outros dois posts extras relacionados com o mesmo
tema. Estava debaixo do chuveiro quando tive o “estalo” - Por que não fazer,
também, uma postagem sobre os livros que se transformaram em filmes nos anos 70
e 90 – Dessa maneira ‘fecharia o ciclo’ explorando três décadas consideradas de
ouro tanto para a literatura quanto para o cinema quando foram lançadas obras
literárias e produções cinematográficas antológicas.
Tenho certeza que os livros e filmes dessa lista serão
lembrados com muitas saudades pelos nossos seguidores e quem sabe, também, com
um certo toque de nostalgia fazendo com que essa galera reviva novamente as
emoções vividas na década de 90 relendo ou revendo esses enredos.
O post de hoje, como já foi dito, é dedicado aos anos
de 1990. Década em que as novelas eram boas – taí “Vamp”, “Pantanal”, “Barriga
de Aluguel”, “O Rei do Gado” e “A Viagem” que não me deixam mentir -, época da
internet discada que obrigava a gurizada esperar até de madrugada para acessar
a rede mundial de computadores; se hoje são os tablets, smartphones e outros
aparelhos de última geração que fazem a alegria da garotada, nos anos 90 essa
função cabia ao velho e saudoso Walkman. Êta época saudosa!
Mas agora, vamos reservar toda essa nostalgia para os
livros que viraram filmes nos anos 90. Obras marcantes que mesmo após anos ou
décadas ainda estão guardadas em nossas memórias com muito carinho. Vamos
revivê-las.
01
– O parque dos dinossauros (Michael Crichton)
Filme:
O parque dos dinossauros (1993)
Livro e filme antológicos. Não dá para definir de
outra maneira essas duas obras de arte. O livro fez tanto sucesso que acabou obrigando
Michael Crichton a escrever uma sequência chamada Mundo Perdido que também explodiu em sucesso. Quanto ao filme
adaptado da obra literária se transformou numa das franquias mais rentáveis do
cinema nas últimas décadas já estando em seu sexto filme. Mas a produção de
1993, onde tudo começou, é insuperável.
Tudo começou em 1990, quando a Universal Studios
adquiriu os direitos de adaptação do romance de Michael Crichton, antes mesmo
de ser publicado. O livro, lançado em 1990, foi bem-sucedido, assim como o
filme, que foi um mega sucesso em sua estreia nos cinemas em 1993, sendo até
aquele momento, a maior bilheteria da história do cinema, arrecadando US$ 914
milhões no mundo todo.
Dirigido por Steven Spielberg, “O Parque dos
Dinossauros” ou “Jurassic Park” foi aclamado também como um marco na indústria
de efeitos especiais.
Quanto ao livro de Crichton publicado originalmente em
20 de novembro de 1990 chegaria ao Brasil seis meses depois, já em 1991,
através da editora BestSeller com o título de O Parque dos Dinossauros. Em 1993, aproveitando o lançamento do
filme, a editora Círculo do Livro relançou a obra também com o mesmo título da
BestSeller. Os dois livros venderam no Brasil como água no deserto. O filme,
então, nem se fale.
02
– Forrest Gump (Winston Groom)
Filme:
Forrest Gump – O Contador de Histórias (1994)
Logo depois da estreia bombástica de “O Parque dos
Dinossauros”, os cinéfilos da década de 1990 seriam brindados com um novo
presente, e que presente! “Forrest Gump – O Contador de Histórias” é uma
daquelas joias raras e lapidadas dos cinemas que merecem ser guardadas não só
em nossa memória mas também em nossos corações. De fato, um dos mais aclamados
filmes da história do cinema. A história hilária do personagem de Tom Hanks
cativou alguns milhões de pessoas, e arrecadou mais dinheiro do que poderia
imaginar à época: 677 milhões de dólares em todo o mundo, tornando-se o segundo
filme de maior bilheteria de 1994, atrás apenas da animação O Rei Leão.
É importante lembrar para aqueles que só assistiram ao
filme com Tom Hanks que o livro é muito, mas muito diferente de sua adaptação
para as telonas. O personagem Forrest Gump do livro é bem diferente do Forrest
do cinema. O personagem das páginas é mais maroto, mais ácido do que o Forrest
“inocentão” das telas.
Nem mesmo as seis estatuetas do Oscar, incluindo os de
melhor filme e melhor ator conseguiram mudar a opinião do escritor Winston
Groom com relação a adaptação cinematográfica de seu livro. Ele não gostou da
interpretação de Tom Hanks e, segundo o New York Times, preferia que o ator
John Goodman interpretasse Forrest nos cinemas. O autor ainda disse que a
adaptação poliu o personagem, retirando as partes mais profanas do livro para
deixá-lo mais aceitável aos olhos do público.
Mas independentemente dessas polêmicas envolvendo
livro e filme, a verdade é que os dois entraram para a galeria de obras
antológicas dos anos 90.
03
– Dança com Lobos (Michael Blake)
Filme:
Dança com Lobos (1990)
Michael Blake escreveu o romance Dança com Lobos, em 1988. O livro
vendeu mais de 3,5 milhões de cópias e foi traduzido em 15 idiomas diferentes.
Devido ao sucesso de seu livro, ele foi convidado pelos produtores do filme a
fazer a adaptação do roteiro para as telonas. Resultado: “Dança com Lobos”
ganhou 7 de 12 indicações para o Oscar (melhor filme, melhor diretor, melhor
fotografia, melhor montagem, melhor trilha sonora, melhores efeitos sonoros e
melhor roteiro adaptado), além de 3 de 7 indicações ao Globo de Ouro (melhor
filme, melhor diretor e melhor roteiro).
Livro e filme foram muito elogiados pela crítica, mas com
o sucesso estrondoso da produção cinematográfica dirigida e estrelada por Kevin
Costner, o livro acabou ficando um pouco ofuscado no decorrer dos anos. Uma
pena, porque a obra escrita de Blake é excelente e completa alguns espaços
deixados pelo filme.
Livro e filme exploram a saga de John Dunbar, um
oficial de cavalaria que se destaca como herói na Guerra Civil Americana e, por
isto, recebe o privilégio de escolher onde quer servir. Ele escolhe um posto
longínquo e solitário, na fronteira. Ali estabelece amizade com um grupo de
índios Sioux - Lakota, sacrificando a sua carreira e os laços com o exército
estadunidense em favor da sua ligação com este povo, que o adota.
04
– A Firma (John Grisham)
Filme:
A Firma (1993)
Gostei muito mais do livro de John Grisham do que do
filme. Mas isso significa que a adaptação cinematográfica com Tom Cruise é
ruim? Não. Nada disso. Trata-se de um filmaço. Sidney Pollack, de fato,
caprichou na direção; mas na minha opinião, o livro é bem mais completo e com
um final mais realista.
A Firma narra a história de um jovem e ambicioso advogado
chamado Mitch que acha ter ganho a sorte grande ao ser convidado para trabalhar
numa gigantesca empresa de advocacia chamada Bendini, Lambert e Locke,
especializada em Direito Tributário, que lhe dá diversas regalias e um salário
altíssimo.
Logo de início, ele suspeita de que há algo de errado em
seu novo emprego, ainda mais quando dois sócios morrem em um estranho acidente
nas Ilhas Cayman. As previsões do jovem advogado parecem se confirmar quando
ele é abordado por um homem que diz ser agente do FBI. Segundo o agente, a
firma Bendini, apesar de ter alguns clientes importantes, não é real e serve de
fachada para negócios escusos. Ele revela também que o próprio Mitchell vem
sendo espionado pela segurança da firma, que instalou microfones em sua casa e
grampeou seu telefone.
A
Firma lançado em 1991 chancelou o nome de Grisham como um
dos autores mais famosos do planeta. Quanto ao filme de Pollack, deu a Tom
Cruise um de seus melhores papéis dramáticos de todos os tempos.
A produção cinematográfica baseada na obra de Grisham
fez tanto sucesso que até gerou uma série de televisão em 2012.
05
– Tropas Estelares (Robert Heinlein)
Filme:
Tropas Estelares (1997)
Para que vocês entendam a importância e o peso dessa
obra, gostaria de abrir esse tópico esrevendo sobre o autor de Tropas Estelares. Pois bem, Robert
Heinlein é considerado não apenas um dos mais importantes autores da história
da ficção científica, ao lado de Arthur C. Clarke e Isaac Asimov, mas também
fonte de grande inspiração para diversos escritores relevantes para o gênero,
como: Philip K. Dick e John Scalzi.
Tropas
Estelares é ao lado de Um
Estranho Numa Terra Estranha, também escrito por Heinlein, dois dos maiores
clássicos do gênero. O primeiro foi vencedor do “Prêmio Hugo”, o mais
importante prêmio de ficção científica do mundo.
O livro ganhou destaque nos cinemas em 1997 com o
filme homônimo, que se tornou um clássico cult dirigido por Paul Verhoeven, o
mesmo que comandou atrás das câmeras outros dois clássicos dos cinemas: “RoboCop”
e “O Vingador do Futuro”.
Tropas Estelares apresenta a Terra em um futuro não
muito distante, vivendo sob uma federação na qual apenas soldados têm direitos
civis. Em meio ao treinamento militar do jovem idealista Johhny Rico, tem
início uma guerra contra aracnídeos alienígenas, e ele e seus companheiros
soldados são levados à maior batalha de suas vidas, salvando a humanidade e
expandindo a exploração do espaço.
06
- As Quatro Estações – conto “Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank"
(Stephen King)
Filme:
Um Sonho de Liberdade (1994)
O filme, que tem como base a novela de Stephen King Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank
que faz parte da coletânea de contos As Quatro Estações, entrou para a história do cinema como um dos filmes mais
queridos pelo público. O mesmo público que o rejeitou no cinema mas amou no
vídeo.
A produção cinematográfica decepcionou nas bilheterias
só que por outro lado, bateu o recorde de locações de vídeo em 1995 e figura há
anos no topo dos 250 melhores filmes do IMDB, que leva em conta a nota dos
usuários. O filme também aparece na lista de American Film Institute entre as
melhores produções norte-americanos de todos os tempos.
Conto e filme são muito parecidos: Em 1946, o
personagem Andy Dufresne (Tim Robbins) é condenado por um crime que não
cometeu: o homicídio da esposa e do amante dela. Mandado para a Penitenciária
Estadual de Shawshank, lá terá que cumprir a pena perpétua. Atrás das grades
faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre
pena há 20 anos e controla o mercado negro da instituição. O final do livro e
do filme são fantásticos, daqueles para ficar guardados para sempre na memória.
07
– Lembramos Para Você a Preço de Atacado (Philip K. Dick)
Filme:
O Vingador do Futuro (1990)
Um dos mais importantes filmes de ficção científica da
década de 1990, “O Vingador do Futuro” (Total Recall) é uma adaptação bem livre
de Lembramos Para Você a Preço de Atacado
(We can remember it for you wholesale),
conto escrito por Philip K. Dick em 1966. E fica aqui uma dica: a editora Aleph
lançou em 2020 Realidades Adaptadas, um livro com vários contos de K. Dick que viraram filmes e Lembramos Para Você a Preço de Atacado
faz parte da coletânea. Um livro muito bom.
No enredo, Douglas Quail é um escriturário que sonha
em viajar para Marte, algo um tanto fora de suas condições financeiras. A
solução é a Recordar S.A., empresa que presta serviços de implantes de memória,
criando lembranças vívidas de eventos que não aconteceram de fato. Ao procurar
esse atendimento, Quail tem a surpresa de que já existem memórias reprimidas em
sua mente sobre uma estadia em Marte, o que gera uma série de problemas e
questionamentos sobre o que é realmente fato ou invenção.
“O Vingador do Futuro” ‘pegou’ um Arnold Arnold
Schwarzenegger no auge de sua popularidade o que colaborou bastante para o mega
sucesso do filme.
08
– O Silêncio dos Inocentes (Thomas Harris)
Filme:
O Silêncio dos Inocentes (1991)
Filmaço, livraço. Não há outra definição para “O Silêncio
dos Inocentes” que consagrou Anthony Hopkins como um dos serial killers mais
temidos e ao mesmo tempo, mais
carismáticos dos cinemas ou será que você não se lembra do Dr. Hannibal Lecter
ou simplesmente, Dr. Lecter, o Canibal?
A prova de que “O Silêncio dos Inocentes” não negou
fogo foram os prêmios conquistados na entrega do Oscar. Anotem aí: Melhor
Filme, Melhor Ator (Anthony Hopkins), Melhor Atriz (Jodie Foster), Melhor
Diretor (Jonathan Demme) e Melhor Roteiro Adaptado (Ted Tally) se tornando o
maior ganhador do Oscar em 1992.
O livro lançado em 1988 não fica devendo nada ao
filme. A obra de Thomas Harris é profunda, completa em todos os detalhes. A
origem, os vícios, virtudes, medos, conflitos, maldades e insegurança dos
personagens são explorados à exaustão pelo autor.
Para aqueles que desconhecem o enredo de O Silencio dos Inocentes – o que acho quase impossível, já que de cada 10 pessoas, pelo
menos, mais da metade assistiram ou leram a história – Harris escreve sobre
cinco mulheres que são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos
Estados Unidos. A situação se complica quando o serial killer conhecido por
Búffalo Bill, seqüestra a filha de uma influente senadora do Estado do Tennessee.
Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI, Clarice
Starling recebe a missão de entrevistar o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante
psiquiatra que no passado tinha o hábito de matar e comer alguns de seus
pacientes, digamos que aqueles que não apresentassem uma evolução clinica
satisfatória ao seu tratamento.
Lecter concorda em traçar um perfil psicológico de
Buffalo Bill, desde que Clarice também concorde em passar por uma espécie de
consulta psiquiátrica com ele, revelando detalhes de sua infância. Desta
maneira, a agente do FBI terá que lidar com um serial killer para poder prender
o outro. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa
teia mortífera e surpreendente.
09
– O Colecionador de Ossos (Jeffery Deaver)
Filme:
O Colecionador de Ossos
O livro de Jeffery Deaver inspirou o filme com Denzel
Washington e Angelina Jolie. Lincoln Rhyme é um criminologista brilhante, um
gênio da investigação médica forense. Mas sua carreira é brutalmente
interrompida por um acidente que o deixa tetraplégico, preso a uma cama. Seu
isolamento do mundo termina quando um assassino começa a espalhar vítimas
mutiladas pela cidade de Nova York: Rhyme é o único que pode detê-lo.
Com a ajuda da bela detetive Amelia Sachs, eles tentam
desvendar o labirinto de pistas para evitar o próximo crime hediondo do
Colecionador de Ossos.
A adaptação do livro de Deaver foi levado às telas em
1999 sob a direção de Phillip Noyce, num filme estrelado por Denzel Washington
e Angelina Jolie.
O Colecionador de Ossos que faz parte da Coleção Negra da editora Record foi um dos primeiros que ‘invadiu’
a minha estante quando resolvi montar uma pequena sala de leitura.
Ainda me lembro que devorei avidamente as suas páginas
até altas horas da madrugada. Cara, eu não parava de ler!
Vale lembrar que o livro de Deaver, lançado em 1997
foi adaptado para os cinemas dois anos depois e recebeu críticas muito
positivas.
10
– O Morro dos Ventos Uivantes (Emily Brontë)
Filme:
O Morro dos Ventos Uivantes (1992)
Enquanto preparava esse post, fiquei sabendo que a
obra épica de Emily Emily Brontë foi adaptada dez vezes para o cinema. Isso
mesmo, dez vezes! Cara, juro que levei um susto. Por isso, acredito que O Morro dos Ventos Uivantes seja o livro
com o maior número de adaptações para as telonas em todo o mundo. Acho que
nenhuma outra obra supere a de Brontë nesse quesito.
A primeira adaptação teria acontecido em 1920, filmado
ainda com a técnica de cinema mudo, aliás não se sabe se ainda existem cópias desse
filme. Mas as duas adaptações mais famosas foram as 1939 que levou o Oscar de
Melhor Fotografia em Preto e Branco e que inspirou a cantora Kate Bush a
escrever sua música “Wuthering Heights”; e a refilmagem de 1992 que marcou a
estreia do consagrado ator Ralph Fiennes no cinema, no papel de Heathcliff.
Além de Fiennes, esta versão de é estrelada por Juliette Binoche no papel de
Catherine e de sua filha.
O filme de 1992 consegue captar a aura angustiante e
cruel do livro, que narra o amor socialmente impossível entre a voluntariosa Cathy
e o sombrio Heathcliff.
Como curiosidade, a cantora Sinéad O'Connor interpreta
a própria Emily Brontë, que aparece no início do filme narrando a história ao
encontrar uma antiga casa onde ela começa a construir seu romance.
Quanto ao livro de Brontë dispensa comentários.
Trata-se de um dos maiores clássicos da literatura mundial.
Galera, por hoje é só, mas aguardem porque brevemente
teremos postagem sobre os livros que
deram origem a filmes fantásticos dos anos 70.