A discriminação dos blogueiros com as pequenas editoras no momento das parcerias

05 janeiro 2019

O assunto “parcerias” foi abordado em vários posts do blog (ver aqui e aqui). Estes textos deixaram evidente o meu receio com relação a esse tipo de associação entre editoras e blogs, mas mesmo assim, nunca deixei de participar dos processos de seleção. – Putz! Você critica e depois participa?!! – Esta é a exclamação que eu ouço com frequência, mas nesse caso vale um adendo. Vejam bem, geralmente, no ato da inscrição, não marco a opção em que o blogueiro tem o direito de escolher o livro que deseja resenhar. No meu caso, não. Prefiro que a editora me envie os livros que achar melhor, mas sem o compromisso de que eu os resenhe. Outro adendo: podem ter certeza de que serei sincero em minhas resenhas, mesmo ganhando o livro da editora parceira. Prefiro ser sincero com centenas de leitores que acompanham o meu trabalho do que agradar alguns editores escrevendo mentiras.
Bem, esclarecido este detalhe, quero abordar agora um outro lado das parcerias; aquele relacionado à discriminação com as pequenas editoras. E o que é pior, discriminação da nossa parte, blogueiros literários.
Geralmente, quando a temporada de inscrições para parcerias é aberta, a maioria dos blogueiros crescem os olhos em cima das grandes editoras, menosprezando as pequenas.
Tenho um amigo blogueiro que ganhou o apelido de “Tubarão dos graúdos”, porque só sai a caça de editoras famosas para firmar parceria. Para ele, não vale a pena preencher cadastros de ‘editoras anãs’ – o termo é usado por ele – pois os livros enviados são escritos por pessoas desconhecidas.
Cara, tenho grandes discussões com o meu amigo “Tubarão”, pois não concordo com a sua teoria, a qual acho muito injusta.
Recebo com frequência, livros de pequenas editoras ou então de autores desconhecidos. E posso garantir que tive a oportunidade de ler verdadeiras pérolas da literatura romanceada, capaz de prender a sua atenção até a última página. Por outro lado, comprei obras de escritores consagrados e acabei me decepcionando. Fazendo uma analogia é como a história bíblica de Davi e Golias do Velho Testamento. Davi, apesar de sua pequena estatura derrotou o temível gigante Golias usando apenas uma funda e uma pedra.
Pois é, muitas vezes preferimos sempre o maior ou o mais vistoso, em
detrimento do mais humilde. Estas nossas escolhas passam também pelos livros ou editoras, onde sempre queremos os mais conhecidos ou conhecidas. E é nesse momento que geralmente ‘dançamos’.
Tive vários exemplos que me ensinaram uma importante lição: o pouco conhecido pode superar, com uma mão nas costas, o muito conhecido. Exemplo disso é o Grupo Editorial Scotecci que trabalha apenas com jovens escritores em início de carreira. Li vários livros do grupo que achei fantásticos.
A editora Patuá, é outra pequena empresa que procura dar espaço, geralmente aos escritores desconhecidos que foram rejeitados por grandes editores. Li dois livros muito bons publicados pelo Eduardo Lacerda, editor do grupo.
Outras empresas pequenas do gênero seguem o mesmo caminho, publicando enredos fantásticos. A Estronho, que já está a um bom tempo no mercado tem revelado jovens escritores talentosos de terror.
 A Confraria do Vento, editora carioca também tem um material muito bom capaz de ganhar a atenção dos leitores. E por aí, afora.
Espero que esse post sirva para mudar a opinião dos blogueiros que ainda acham que para produzir um bom livro é necessário formular a equação: Grande Editora + Escritor Famoso = Livro de Sucesso.
Inté!

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