Já vi essa TAG em diversos blogs literários. Afinal, todos nós,
“devoradores de livros”, temos em nossas estantes aquelas obras com capas
incríveis que ocupam os melhores lugares nas prateleiras dos nossos cantinhos
de leitura. Para muitos, podem até ser consideradas capas comuns, mas, para
aquele leitor que comprou o livro, a tal capa tem um significado especial.
Tenho certeza de que você que lê esta postagem, assim como eu, já
comprou um livro pela capa ou tem em sua estante um lugarzinho especial para
aqueles layouts que julga mais bonitos. Confesso que já comprei alguns livros
por influência da “Dona Capa”, como se ela sussurrasse em meus ouvidos: “Veja
só como sou bonita... não vai me levar?”. Então, pronto: lá vou eu e agarro
capa e livro. Foi uma quantidade pequena de capas que conseguiu me seduzir, mas
existiram algumas. A maioria dos livros que comprei, no entanto, foi por
influência da sinopse ou do autor. E, mesmo adquirindo várias obras única e
exclusivamente pelo enredo, consegui obter capas fantásticas — pelo menos para
mim. No post de hoje, quero apresentar essas capas da minha estante, contar um
pouquinho das suas histórias e explicar o que elas representam para mim. Vamos
à nossa TAG!
01 – Box O Conde de Monte Cristo (Alexandre Dumas)
| Editora: Zahar
Há muito tempo planejava ler a versão integral do clássico de Alexandre
Dumas. Na época, surgiram duas opções: o box com dois volumes da Zahar e a
edição em volume único da Martin Claret. Acabei optando pela Zahar por ser
dividida em dois volumes e assustar menos (rs). Digo isso porque não é fácil
encarar de uma vez só mais de 1.300 páginas! Acho que dois volumes assustam
menos (rs). Aliás, publiquei um post em 2020 no qual fiz uma análise detalhada
das publicações da Zahar e da Martin Claret (quem quiser pode conferir aqui).
Não me arrependo. O designer gráfico e ilustrador Rafael Nobre arrasou
ao criar capas de encher os olhos do mais frio dos leitores. A ilustração de
uma cela em formato de calabouço — na caixa que guarda os dois volumes —
representa fielmente o enredo de Dumas, ou seja, a prisão desumana do Castelo
de If, onde Edmond Dantès ficou encarcerado durante 14 anos.
Formado em Design Gráfico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro,
Rafael Nobre desenvolve vários tipos de trabalhos diferentes diretamente de seu
estúdio: de catálogos e embalagens a peças promocionais, ilustrações e projetos
de livros. Além disso, ele sempre tenta organizar seu ritmo para a produção de
projetos autorais e artísticos.
Quanto aos dois livros que fazem parte do box, só me resta dizer que são
um show à parte. A ilustração da capa do primeiro volume, com detalhes em azul,
roxo e preto, representa o momento em que Dantès, cercado por guardas, é levado
em um barco para a prisão do Castelo de If. Já na capa do segundo volume, a cor
vermelha, em vários matizes, predomina representando uma espécie de pôr do sol.
Ao fundo, em preto, vemos o Conde de Monte Cristo já com todo o poder que o
tesouro descoberto lhe proporcionou, além da imagem, em segundo plano, do
Castelo de If.
A Zahar também deu um show na qualidade do material utilizado na
produção do box. Fabricada em papelão grosso de alta densidade, a caixa é
rígida e muito resistente, contando com uma leve textura porosa/arenosa ao
toque. Enfim, o projeto gráfico detalhado consegue transportar os leitores para
o clima da história.
02 – Conan, o Bárbaro (Robert E. Howard) | Editora:
Pipoca & Nanquim
Quando soube que a Pipoca & Nanquim iria lançar individualmente uma
trilogia de Conan com as histórias originais escritas por seu criador, o
cultuado escritor Robert E. Howard, não pensei duas vezes: estabeleci como meta
comprar os três volumes. Por isso, antes de o primeiro volume chegar às
livrarias, eu já o havia adquirido na pré-venda. E foi assim também com os
outros dois volumes; hoje tenho a coleção completa em minha estante. Fui
premiado em dose dupla: com as aventuras incríveis do guerreiro cimério e com o
layout dos três livros. A Pipoca & Nanquim caprichou demais. Tenho um
carinho especial pelo terceiro volume, que fecha a saga: na minha opinião, é o
mais bonito da trilogia, com um acabamento de luxo impecável. Ele inclui capa
dura com a arte clássica de Frank Frazetta, sobrecapa de acetato transparente,
fitilho de tecido, marcador de página personalizado no formato da espada da
Valéria e ilustrações internas de grandes artistas. A capa, com detalhes em
vermelho, traz Conan a cavalo erguendo seu escudo e subjugando seus inimigos com
a espada desembainhada.
Vale lembrar que a coleção lançada pela editora conta com uma galeria de
capas da clássica revista Weird Tales, na qual as aventuras foram
publicadas nos anos 1930. Uma supercapa que merece lugar de destaque em minha
estante.
03 – Mistério em Cinnamon Falls (R.L. Kilmore) |
Editora: Verus
A obra de R. L. Kilmore chegou à minha estante há poucas semanas, mas,
apesar do pouco tempo e mesmo sem ainda ter tido a oportunidade de lê-la, sua
capa já me conquistou. Achei incrível. É simples, porém impressionante,
provando que muitas coisas não precisam de rebuscamento para serem belas. O
excesso de zelo pode acabar transformando um visual discreto e agradável em
algo carregado e incômodo. A capa de Mistério em Cinnamon Falls tem essa
virtude: é simples e muito bonita.
A edição brasileira, lançada pela Verus Editora, traz uma paleta de
cores acolhedora e temática que remete ao outono, combinando perfeitamente com
a proposta de suspense aconchegante (cozy mystery) da história.
O cenário é definido por uma profusão de tons alaranjados e amarelos
intensos nas copas das árvores que emolduram a cena. Essas cores outonais
transmitem acolhimento e nostalgia, elementos essenciais para o apelo cozy.
O céu ao fundo apresenta um tom bege/creme pálido e suave.
Achei a capa extremamente equilibrada. As cores aconchegantes atraem o
leitor, enquanto os toques de amarelo de alerta e vermelho de perigo sinalizam
que nem tudo está bem naquele cenário idílico.
É uma pena que o livro não traga o nome do designer gráfico responsável
pelo layout de Mistério em Cinnamon Falls.
04 – Cujo (Stephen King) | Editora: Suma
Tenho todos os livros da coleção “Biblioteca Stephen King”, mas, com
relação às capas, vou ser sincero: só gostei de uma. Tudo bem que adorei as
histórias, mas somente a arte de Cujo me agradou. Achei os layouts dos
outros seis livros que fazem parte da coleção muito rebuscados. Cujo foi
a única exceção, e que capa, galera! Ela é dominada por um vermelho forte e
intenso, quase como sangue, que transmite uma sensação de perigo, urgência e
medo, preparando o leitor para o suspense que está por vir. O preto e o branco
são usados nos detalhes e nos textos, criando um contraste marcante que destaca
os elementos principais.
No centro da capa, ocupando grande parte da imagem, há a representação
de uma pata de cachorro, como se tivesse sido carimbada no chão. A pata é preta
e tem uma textura áspera e desgastada, parecendo suja de terra ou sangue seco.
Longos riscos pretos estendem-se para cima a partir dela, lembrando garras ou
marcas de unhas arranhando a superfície. Essa imagem sugere algo selvagem,
perigoso e talvez até sobrenatural.
É uma capa intrigante que consegue despertar a curiosidade do leitor,
sugerindo uma história envolvente e assustadora. Sem dúvida nenhuma, uma das
melhores capas de livros que tenho em minhas estantes.
05 – Marvels (Kurt Busiek e Alex Ross) | Editora:
Panini
Meu Deus! Esta edição de Marvels é um dos maiores xodós da minha
estante; escolhi um lugar de destaque para ela. Aliás, o livro merece todo esse
esmero, pois as ilustrações são do gênio dos quadrinhos Alex Ross. Para quem
não sabe, ele é simplesmente um dos maiores e mais aclamados pintores da
história das HQs, famoso mundialmente pelo estilo hiper-realista criado com
tinta guache e lápis. Suas pinturas dão vida aos super-heróis como se fossem
pessoas reais fotografadas no cotidiano. Esta é a sensação ao bater os olhos na
capa de Marvels: parece que o herói da ilustração é de carne e osso.
Uau!
Por isso, considero Marvels uma verdadeira obra-prima da arte nos
quadrinhos. A imagem icônica que a estampa — mostrando o reflexo do
Homem-Gigante nos óculos do fotojornalista Phil Sheldon — sintetiza
perfeitamente a proposta revolucionária da HQ: enxergar os super-heróis a partir
da perspectiva do homem comum.
O trabalho de pintura de Alex Ross transforma o fictício em algo
tangível. O jogo de luzes, as expressões humanas de espanto e a grandiosidade
divina dos heróis vistos de baixo para cima mudaram para sempre a forma de produzir
e consumir histórias em quadrinhos nos anos 1990.
Parabéns à editora Panini por publicar essa obra-prima.
06 – Box Grandes Obras de Bram Stoker (Bram Stoker)
| Editora: Nova Fronteira
Eis mais um xodó da minha estante. Tudo culpa da Nova Fronteira, que
caprichou no visual da caixa e dos três livros que formam a coleção.
Galera, o visual do box é realmente um espetáculo para os fãs de
literatura de terror. Ele traz quatro livros com capas duras em cores vibrantes
e contrastantes (vermelho, roxo e verde-piscina). A caixa rígida tem uma
estética gótica muito imponente que se destaca — a minha estante não me deixa
mentir (rs).
Essa versão aposta em um acabamento de luxo com efeito metalizado
brilhante na capa e papel especial, dando um toque sombrio e sofisticado à
coleção. Ter clássicos como Drácula reunidos em um material gráfico tão
bem trabalhado transforma a leitura em uma experiência visual única.
07 – Zorro – Começa a Lenda (Isabel Allende) |
Editora: Bertrand Brasil
A capa de Zorro – Começa a Lenda, escrito por Isabel Allende e
publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil, é de fato envolvente. Toda
vez que entro na minha sala de leitura e olho para o livro, não consigo conter
a exclamação: "Caramba, que capa instigante!".
É verdade, galera. A obra de Allende consegue produzir esse efeito em
mim; passo muito tempo olhando para ela. O layout de Zorro – Começa a Lenda
captura a essência misteriosa e aventureira do herói clássico por meio de
escolhas de design muito precisas. Os artistas gráficos da Bertrand Brasil
foram extremamente felizes na elaboração desse projeto.
O destaque principal é a silhueta escura do Zorro. A icônica imagem com
o chapéu de abas largas e a capa preta evoca imediatamente o mistério do
personagem, mantendo sua identidade oculta. A presença diagonal da lâmina de
uma espada cruza o fundo iluminado, sugerindo ação, perigo e a perícia do herói
com as armas.
O título "Zorro", escrito em letras vermelhas estilizadas,
contrasta fortemente com o fundo escuro. Vejo a cor vermelha simbolizando
paixão, justiça e o sangue das batalhas da época. Se no formato brochura já
consegue causar todo esse impacto, fico imaginando esse visual
"vestido" em capa dura.
08 – Lady Killers - Assassinas em Série (Tori Telfer) | Editora: DarkSide
Cara, a capa de Lady Killers - Assassinas em Série é um verdadeiro soco no estômago
porque quebra todas as regras óbvias do True Crime. Quando você pensa em
um livro sobre assassinos em série, o cérebro já imagina uma capa preta e
cinza, com manchas de sangue falso e uma tipografia meio rasgada, certo? Aqui,
a DarkSide fez exatamente o oposto e entregou uma obra de arte.
Esqueça o layout tradicional dos livros do gênero, cheios de ilustrações
de facas, revólveres e afins, acompanhados de sangue falso para todos os lados.
Substituindo esse visual carregado, a DarkSide optou por um rosa-choque
"cheguei". Esse tom de rosa neon/psicodélico na capa dura e nas
laterais das páginas foi uma jogada de mestre: é berrante, magnético e atrai o
olhar de longe na livraria ou no feed do Instagram. É um contraste genial de
uma cor supervibrante e "divertida" embalando histórias de crimes
terríveis.
Olhando de longe, os detalhes parecem aqueles arabescos clássicos de
papéis de parede antigos ou molduras vitorianas chiques. Mas, quando você chega
perto, o "recheio" é macabro: há crânios escondidos, cobras sinuosas
e o icônico olho no topo. É um design que engana primeiro pela beleza e te
assusta logo em seguida.
O título Lady Killers - Assassinas em Série usa uma fonte pesada, forte e centralizada,
com uma textura que parece gasta ou carimbada. Isso dá um peso histórico para a
capa, mostrando que o assunto ali é sério.
O grande segredo dessa arte é o fator fetiche. Ela transforma o livro em
um objeto de desejo, um item de decoração que você faz questão de deixar com a
capa virada para a frente na estante — inclusive na minha.
E é isso, galera! Vocês acabaram de conhecer algumas das capas de livros
das minhas estantes, aquelas pelas quais tenho um carinho especial










Um comentário
Compre um livro pela capa! Compre um livro pela capa!
ResponderExcluir(Eu ia escrever só isso, porque sei que me entendeu, mas alguém pode ler e achar que estou debochando. Pelo contrário, compramos também só pela capa sim, qual o problema, nenhum. E as editoras sabem disso. Bom, pelo menos a maioria delas).