O arqueiro e suas flechas

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Não gostei da maioria dos contos. Aliás, para ser honesto, dos 11 contos de O arqueiro e suas flechas de Jeffrey Archer apreciei apenas três: “O primeiro milagre”, “O contratempo de Henry” e “Uma questão de princípio”.

Comprei o livro porque adorei outras duas obras do autor: Caim e Abel e A Filha Pródiga. Por isso, fui no embalo e após descobrir O arqueiro e suas flechas, por um preço módico num sebo, acabei adquirindo, mas como já disse, não gostei.

Como já conhecia Archer como escritor de romances, queria saber como ele se sairia escrevendo contos, mas as histórias da coletânea são entediantes e cansativas, apesar das surpresas que quase sempre aparecem no final das narrativas. É a chamada encheção de linguiça que faz com que os leitores persistentes torçam para que a última página chegue logo.

O livro é uma reunião de contos nos quais encontramos diversos temas mostrando o confronto entre os indivíduos na sociedade e suas mais íntimas reações. Alguns são bem-humorados, outros mais densos. São relatos que mostram uma realidade plena de surpresas, coincidências e pequenas alegrias ou tristezas; e no final, depois do suspense, o desfecho inesperado. Vou resenhar apenas os três contos que gostei do livro. Em “O primeiro milagre” o autor narra a história de uma criança romana que tem um pai muito severo e que não aceita desobediências. Todas as vezes que o filho faz alguma coisa que ele não gosta, as chamadas cintadas comem soltas e deixam o corpo do moleque todo marcado. Certo dia a mãe pede para que ele vá até a cidade comprar alguns mantimentos para a casa. É nesta viagem que acontece o milagre do título do conto.

Quando descobri a identidade do menino fiquei surpreso. Um baita plot twist.

“ Contratempo de Henry” é uma história muito engraçada. Aliás, Archer conseguiu transformar uma narrativa angustiante num enredo bem- humorado. Henry, o filho de um paxá que acaba sucedendo o pai em seu trono, passa por um verdadeiro dia de cão quando nada dá certo em sua vida, e justamente no dia de seu casamento. Uma prova de que muitas vezes o dinheiro não resolve os mais simples problemas.

E finalmente, “Uma questão de princípio” que tem uma revelação surpresa no final, à exemplo de “O primeiro milagre”.

Nesse conto, o dono de uma grande construtora pretende fazer uma obra num pequeno país com a intenção de ganhar muito dinheiro. Ocorre que o empresário não concorda pagar uma alta porcentagem para um atravessador. Assim, ele decide procurar pessoalmente um chefe de estado e expor o problema. Nesse ponto da narrativa, acontece uma revelação que, certamente, irá surpreender os leitores.

Se O arqueiro e suas flechas tivesse somente esses três contos, a obra seria muito boa e interessante, mas as outras oito histórias, infelizmente, estão aquém das expectativas.

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