O Único Avião no Céu

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Com certeza, novamente, irei na contramão da maioria das opiniões sobre determinado livro. Mas tudo bem, prefiro ser sincero com os meus leitores do que seguir a generalidade, contra a minha vontade, temendo ser criticado em massa. Feito essa ressalva, vou direto ao assunto: não gostei de O Único Avião no Céu de Garrett M. Graff. As poucas partes que conseguiram prender a minha atenção, isso, logo no início do livro, não foram suficientes para afirmar que gostei da obra num todo.

O Único Avião no Céu é um livro de depoimentos de pessoas que conseguiram sobreviver ao ataque de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas no World Trade Center. A obra traz ainda testemunhos de familiares das vítimas que estavam nos aviões e também de parentes e conhecidos dos bombeiros, policiais e paramédicos que morreram no momento em que as duas torres desmoronaram pouco tempo depois do impacto dos aviões.

Na manhã daquela terça-feira de setembro de 2001, quatro aviões comerciais americanos foram sequestrados na costa leste dos Estados Unidos.

Dois deles foram lançados contra as torres gêmeas do World Trade Center (WTC), na ilha de Manhattan, em Nova York, um chocou-se com o Pentágono (sede do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington D.C.), e outro caiu numa área desabitada no Estado da Pensilvânia.

Ao todo, 2.977 pessoas foram mortas nos ataques, além dos 19 sequestradores dos aviões.

O 11 de Setembro é considerado o ataque com o maior número de mortos da história. Além disso, foi uma tragédia que mudou, em vários aspectos, os rumos do mundo.

Não resta dúvida que lançar um livro com depoimentos de pessoas que viveram esse momento, que viram tudo acontecer há poucos metros de distância e mesmo assim, conseguiram sobreviver a catástrofe foi uma grande sacada do autor.

Cara, seria o tipo de livro com potencial para despertar o interesse de qualquer leitor, mas...

Olha, o início de O Único Avião no Céu até que empolga o leitor, tanto é que cheguei a postar algumas passagens do livro no Instagran, mas o problema é que a narrativa de Graff vai cansando. Imagine um livro com aproximadamente 550 páginas baseado em mais de 500 relatos orais colhidos pelo autor.

Graff optou por não criar um enredo em cima desses relatos, mas publicou-os, simplesmente, na forma de depoimentos. Portanto são mais de 500 páginas seguindo o formato: “nome do depoente” – “função que o depoente desempenhava em 11 de setembro” – “depoimento”. Antes de cada capítulo, Graff faz uma pequena introdução – não mais de meia página – contextualizando as informações das testemunhas. E depois... tome relatos e mais relatos. Muitas vezes tive a impressão que estava lendo um calhamaço de depoimentos e não uma história com todos os elementos narrativos necessários para despertar o interesse do leitor.

Somando-se a isso, grande parte dos relatos não são tão interessantes e poderiam ter sido dispensados. Por exemplo, os capítulos que abordam o ataque ao Pentágono e a evacuação do Capitólio são por demais cansativos. Outro capítulo também trash e que exige muita paciência do leitor são aqueles relacionados ao Air Force One, avião presidencial que transportava o, então, presidente americano George W. Bush. Muitos testemunhos que rolaram no avião presidencial são vazios e poderiam ter sido cortados.

Como já escrevi no começo dessa postagem, os capítulos iniciais da obra relacionados ao ataque às torres gêmeas e ao trabalho de resgate das vítimas até empolgam, mas infelizmente depois, nos próximos capítulos, essa empolgação vai se esvaindo.

Confesso que os capítulos onde as pessoas pulam dos prédios atacados por dois aviões é um dos aspectos mais sombrios e sensíveis do livro. O mesmo vale para os capítulos com os relatos de bombeiros e demais socorristas que trabalharam no resgate das vítimas. Outra parte sensível da obra e que me emocionou muito, foram os capítulos onde os familiares das vítimas que estavam nos aviões revelam a última conversa que tiveram com seus entes queridos que estavam nas aeronaves antes de se chocarem contra as torres gêmeas, o Pentágono ou então caír – no caso, o avião onde alguns passageiros decidiram lutar contra os terroristas fazendo com que a aeronave se chocasse contra o solo.

 É uma pena que sejam poucos capítulos porque depois, com o virar das páginas, os relatos vão se tornando desinteressantes e cansativos. Acredito que se O Único Avião no Céu tivesse menos páginas, o resultado seria muito melhor, mas uma média de 550 páginas... convenhamos é muito exagero para o estilo narrativo escolhido pelo autor.

Inté!


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