“SOBs – Os Implacáveis” do coronel Nile Barrabás teria sido a inspiração para “Os Mercenários” de Stallone?

Coronel Nile Barrabás

Sabe quando você vê algo e esse algo faz com que você se lembre de um outro algo? No meu caso, esse “algo” foi um filme. No início do mês assisti ao primeiro “Os Mercenários”, aquele com o Sylvester Stallone e uma pá de atores famosos do cinema de ação. Duvido que os fãs do eterno Rambo desconhecem a sinopse, mas não custa resumi-la por aqui. Na película, Barney Ross – vivido por Stallone – lidera um grupo de mercenários numa missão secreta: invadir um país sul-americano e derrubar o seu ditador.
Apesar do filme ter sido lançado há quase 10 anos, eu ainda não tinha assistido, o que só fiz agora, recentemente. Então, de repente no meio da exibição, acabei tendo aquela estranha sensação de déjà vu.
 – Epa! Já vi isso antes em algum lugar... – após ter dado essa divagada, acabei me lembrando – Caraca! SOBs, Implacáveis, Barrabás, O Executor... – Estes nomes tão estranhos para as gerações contemporâneas de leitores começaram a pipocar na minha mente sem parar.

Pois é, “Os Mercenários” fizeram com que me lembrasse de duas séries de livros que venderam horrores na década de 1980 e início de 1990, mas que inexplicavelmente, nos anos seguintes, caíram no esquecimento, a tal ponto de ter ficado muito difícil, quase impossível, obter qualquer informação sobre os livrinhos em formato de bolso: “SOBs – Os Implacáveis” e “Mack Bolan – O Executor”.
Os enredos dessas duas séries literárias, principalmente SOBs, tem tudo a ver com o filme que assisti, o que me faz imaginar se Stallone que também dirigiu “Os Mercenários”, em 2010, foi influenciado por SOBs e assim, decidiu se espelhar no coronel Nile Barrabás.
Os Mercenários
Mas vamos aos fatos; o meu primeiro contato com “SOBs – Os Implacáveis” aconteceu no início dos anos 80, no auge da minha juventude. Naquela época, viajava muito de ônibus para as cidades da região, principalmente Bauru, onde ia em médicos, escola, casa de amigos e parentes. Enquanto aguardava a chegada do busão que me levaria de volta para o meu ‘lar doce lar’, ficava folheando os livros vendidos nas bancas de revistas dos terminais rodoviários. As capas que mais chamavam a minha atenção eram de SOBs e também “O Executor” o que fazia com que gastasse as minhas parcas economias para adquiri-las. Cara, como viajava naqueles enredos malucos – no bom sentido, claro – nem percebia quando o ônibus chegava na rodoviária da minha cidade.
Mas o tempo passou e com o rolar dos anos acabei me esquecendo completamente dessas duas séries, só voltando a me lembrar após ter assistido ao filme de Stallone. Por isso, resolvi revivê-las nesse post. Quem sabe, alguns leitores também poderão se interessar por elas.
Os aproximadamente 38 livros sequenciais da série “SOBs – Os Implacáveis” foram escritos por um pequeno grupo de autores desconhecidos que adotaram um único pseudônimo: Jack Hild. Ahahaha! E eu que, naqueles tempos, pensava que o tal Jack Hild existisse, de fato. Pois é, esses escritores tinham assinado um contrato que não permitia que revelassem a verdade, ou seja, que eles eram na realidade o “famoso” Jack Hild.
Independentemente desse detalhe, os enredos eram muito bons, tanto é que SOBs arrebentava em vendas, só perdendo para outros ícones oitentistas como Brigitte Montfort.
SOBs" significa "Soldados de Barrabas", assim chamado em homenagem ao seu líder, o coronel Nile Barrabas, um veterano do Vietnã, de cabelos brancos, que agora comanda um esquadrão de mercenários.
Barrabas adquiriu os cabelos brancos lutando no Vietnã, após ter sido atingido por estilhaços de uma granada que penetrou em sua cabeça, afetando a coloração. Huuummmm... interessante, não acham?
Um detalhe curioso é que a taxa de mortalidade em The SOBs era quase tão certa para os heróis quanto para os vilões, o que dava um certo ‘ar’ de realidade para a trama. Se o sujeito levasse um tiro certeiro, ele morria mesmo, ao contrário de alguns enredos onde os heróis parecem ter o corpo blindado e a prova de balas.
Cada um na equipe possuía uma ou duas habilidades específicas como demolição submarina, conhecimento de armas, franco atirador, eletrônica e incursões de assalto. Ehehehe, não vai me dizer que esses detalhes não lembram o filme de Stallone?
Quanto a “Mack Bolan – O Executor”, a outra série que marcou o meu período pós adolescente, não seguiu o mesmo estratagema de SOBs, preferindo não esconder os nomes de seus escritores. O personagem foi criado por Donald Eugene ou simplesmente "Don" Pendleton que escreveu 37 dos aproximadamente 600 livros sobre o personagem. Isto mesmo, 600 livros !! Em 1980, Pendleton vendeu os direitos de seu personagem para uma outra editora, a Gold Eagle, que, por sua vez, contratou vários ghostwriters ou escritores-fantasmas, como queiram, para continuar publicando mensalmente as aventuras do “Executor”, satisfazendo, assim, a demanda dos leitores em todo o mundo. Don Pendleton permaneceu creditado como o único autor e supervisionou estas novas aventuras.
A exemplo de Nile Barrabas, o personagem Mack Bolan também foi um veterano de guerra do Vietnã. Ex-sargento do Exército dos Estados Unidos chamado de "O Executor" serve como franco atirador. Com grande capacidade militar, registrando mais de 97 mortes em seu "currículo, após ter voltado da guerra, ele usa suas habilidades para lutar contra a máfia nos Estados Unidos e acabar com o crime organizado. Êpa! Parece que esse enredo tem um “quezinho” de Frank Castle, o antológico “The Punisher”, não acham?
Uhauuu!! Taí! Viajei legal com esses dois personagens. Eles fizeram que eu voltasse anos e mais anos nas minhas saudosas viagens de busão e nas paradas nas bancas de revistas dos terminais rodoviários.
Valeu!

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