Vamos “falar” de terror? Mas de um terror palatável;
daqueles que assustam e metem medo, de fato, mas não chegam a apavorar, sufocar
ou incomodar por explorar temas grotescos ou cruéis. Aliás, ainda preciso
escrever um post sobre livros com essa vibe mais pesada que ainda não
tive coragem de ler — se bem que nem sei se irei lê-los um dia.
Mas vamos lá, hoje o assunto é outro. Quero indicar
seis livros de terror assustadores que li, gostei e recomendo. Apesar do medo,
amei todos eles. Vamos à nossa lista:
01 – A Estrada da Noite (Joe Hill)
Conhecem aquele ditado: “Filho de peixe, peixinho é”?
Pois é, Joe Hill é a representação perfeita dessa frase popular. A exemplo de
seu pai famoso, o mestre do terror Stephen King, seus livros são verdadeiros bestsellers
do gênero.
Seu livro de estreia, A Estrada da Noite,
publicado originalmente em fevereiro de 2007, mistura suspense, terror
sobrenatural e rock 'n' roll. O protagonista, Judas Coyne (ou simplesmente
Jude), é um astro do rock aposentado de 50 anos. Muito carismático, ele gera
grande empatia no leitor, apesar das loucuras e extravagâncias que comete ao
longo da história.
Quanto ao vilão, Craddock McDermontt... Brrrrrrrr...
Posso afirmar que foi um dos personagens de terror que mais me assustaram e
incomodaram. Ponto para Joe Hill, que logo em sua estreia criou um vilão à
altura dos do seu pai.
Na trama, Jude é conhecido por seu estilo de vida
solitário e por colecionar itens bizarros. Certa madrugada, durante um leilão online,
ele decide comprar o paletó de um homem morto que supostamente carrega o
espírito do antigo dono. O item é entregue em uma caixa preta em forma de
coração, e é aí que o drama começa: o fantasma revela-se real e busca vingança
contra o cantor por eventos trágicos do passado. Para tentar sobreviver à
perseguição implacável desse espírito vingativo, impiedoso e maléfico, Jude
foge e cai na estrada acompanhado por sua namorada gótica.
A Estrada da Noite
me assustou muito, mas também me conquistou.
02 – A Casa Infernal (Richard Matheson)
Taí outro livro de terror que me deu um medo danado. A
Casa Infernal apresenta mais um vilão “casca-grossa”: Emeric Belasco,
considerado um dos personagens mais malignos da literatura de horror.
O livro, publicado originalmente em 1971 (e lançado no
Brasil em 2009 pela editora Novo Século, onde esgotou rapidamente e ficou anos
fora de catálogo), deu origem em 1973 ao filme A Casa da Noite Eterna,
brilhantemente dirigido por John Hough. O Belasco do livro é muito mais
assustador do que o do cinema. Só lendo para compreender. A Casa Infernal
é leitura obrigatória para os fãs do gênero.
O clima criado pelo autor é angustiante; quando você
começa a ler, não consegue parar. Devorei página por página e, como a edição da
Novo Século é relativamente curta (254 páginas em letras grandes), terminei em
um único final de semana.
A história gira em torno de uma mansão assombrada pelo
fantasma de Belasco. Se as casas mal-assombradas fossem montanhas, a Mansão
Belasco seria o Monte Everest. Há 40 anos ela se mantém imponente, desafiando
quem tenta decifrar seus segredos. Nesse período, houve duas tentativas
desastrosas de investigação (uma em 1931 e outra em 1940): oito dos mais
renomados pesquisadores paranormais do mundo morreram, cometeram suicídio ou enlouqueceram.
Apenas um sobreviveu, e o terror presenciado foi tão grande que ele sofre os
traumas até hoje.
Agora, um novo grupo de cientistas decide investigar a
mansão. Será que conseguirão descobrir a verdade e, mais do que isso,
sobreviver? A Casa Infernal (Hell House) é considerado por muitos
mestres do gênero — como Stephen King — o romance de casa assombrada mais
assustador já escrito. Em 2021, a editora DarkSide relançou este megassucesso
em uma edição de luxo em capa dura.
03 – As Ruínas (Scott Smith)
As situações vividas pelos personagens chegam ao
extremo. Cenas envolvendo automutilações, amputações a sangue-frio e um vilão
carnívoro sui generis — que devora suas vítimas sorrateiramente — minam
a resistência até do leitor mais forte. Perto do final, fui obrigado a “dar um
respiro” e deixar o livro quietinho sobre a mesa para continuar só depois.
Scott Smith foi muito sádico ao escrever As Ruínas (veja aqui e aqui).
Além das cenas chocantes de luta contra um inimigo impiedoso, o autor explorou
ao máximo os medos, incertezas e conflitos de cada personagem. A soma de tudo
isso deixa o enredo tenso demais.
A trama começa simples, mas do meio para o final o
bicho pega e a tensão se torna eletrizante. O enredo acompanha quatro jovens
americanos que decidem ajudar um turista alemão a encontrar seu irmão
desaparecido em um sítio arqueológico remoto, ficando presos em uma selva
hostil dominada por um predador implacável.
A obra, lançada em 2006 no Brasil, virou filme dois
anos depois. Inicialmente, a Paramount pretendia lançá-lo nos cinemas, mas
acabou saindo diretamente em vídeo. Assisti ao filme e, apesar de ser bom, não
chega aos pés do livro.
04 – Ed e Lorraine Warren: Demonologistas – Arquivos Sobrenaturais (Gerald Brittle)
Ainda me lembro do início da resenha que escrevi sobre
o livro de Gerald Brittle há quase dez anos, logo após terminá-lo. Na época, as
primeiras linhas da minha publicação foram: “Cara, tenso demais. Tão tenso que
cheguei a ter algumas atitudes”. Pois é! Alguns amigos acharam engraçado, mas
fazer o quê... o livro mexeu muito comigo. Após a leitura, já com os batimentos
cardíacos normalizados, pensei: “Pera aí... eu fiz isso mesmo? (rs)”.
Classifico a obra de Brittle, lançada em edição
luxuosa pela DarkSide em 2016, como espetacular. A leitura impressiona tanto
crentes quanto descrentes em assuntos polêmicos como espíritos opressores,
possessões e casas assombradas.
Imagino que vocês estejam curiosos para saber minhas
atitudes incomuns após a leitura. Ok, eu conto uma: rasguei e joguei fora a
foto promocional da boneca Annabelle que acompanhava o livro (um brinde super
bem sacado da editora). Disse para mim mesmo: “Meu! Não quero essa foto na
minha casa! Vai que esse treco está carregado de energias negativas...”. Aposto
que muitos estão rindo, né? Lanço o desafio: leiam o livro e duvido que
continuem rindo.
As 272 páginas fazem o leitor repensar todas aquelas
brincadeiras de infância envolvendo o sobrenatural, como o tabuleiro Ouija e o
jogo do copo. Ufa! Ainda bem que nunca fui curioso para isso. Há alguns meses, cheguei a incluir "Demonologistas" numa lista de livros pesados de terror (veja aqui) mas depois de algumas releituras mudei de opinião. O livro impressiona sim, mas não chega a explorar o grotesco. É pesado? Olha... hoje, vejo com outros olhos. Digamos que se trata de um terror interessante e que dá para ser encarado pelos leitores "numa boa".
O livro é praticamente uma entrevista com o famoso
casal de demonologistas Ed e Lorraine Warren. Eles narram detalhes de seus
casos mais emblemáticos — como Amityville, Família Perron, Caso
Beckford, Caso Foster e a boneca Annabelle —, intercalados
com orientações sobre os riscos de se envolver com o mundo metafísico. Explico tudo nesse post que escrevi em 2017 logo após ter lido a obra.
Apesar do medo, vale muito a leitura. Os fãs do horror
vão amar.
05 – À Sombra da Lua (Marcos DeBrito)
O livro À Sombra da Lua, do autor brasileiro
Marcos DeBrito, assusta mais pelo clima sombrio, mistério e violência gráfica
do que por sustos imediatos (jump scares). Como o autor também é
cineasta, sua escrita é altamente visual, tornando as cenas de ataque bastante
viscerais. Amei a história! Ela dá aquele “medinho gostoso” de sentir.
O horror nasce do isolamento, da paranoia e dos
segredos ocultos da pequena Vila Socorro. A descrição dos assassinatos é crua,
gerando mais repulsa do que sustos repentinos. O livro reescreve o mito do
lobisomem de forma madura, realista e violenta.
DeBrito entrega um romance de terror e suspense
ambientado no interior de São Paulo. A trama acompanha o pânico dos moradores
de um vilarejo assolado por mortes brutais, misturando folclore nacional,
dramas familiares e segredos do passado. O autor usa o monstro como pano de
fundo para testar o limite dos personagens: diante do perigo extremo, as
máscaras sociais caem e o verdadeiro “eu” de cada um é revelado.
Um “livraço com 'aço'”, como escrevi na resenha que publiquei no blog em 2021.
06 – It: A Coisa (Stephen King)
Encerro esta lista com um dos livros mais assustadores
de Stephen King, considerado um verdadeiro cânone da literatura de terror. It:A Coisa é uma obra-prima que redefine o medo ao explorar a amizade
infantil, os traumas do passado e a maldade enraizada em uma cidade pequena.
O verdadeiro impacto não vem apenas dos sustos, mas do
terror psicológico constante. King constrói uma atmosfera pesada ao longo de
mais de mil páginas. Se você pensa em ler, prepare-se para uma jornada longa e
intensa.
A história se passa na pacata e amaldiçoada cidade de
Derry, no Maine. A cada 27 anos, uma força maligna e ancestral desperta para se
alimentar, assumindo a forma dos piores medos de suas vítimas — sendo o palhaço
Pennywise sua face mais conhecida.
A narrativa explora duas linhas temporais: 1958 e
1985. Em 58, sete crianças rejeitadas, conhecidas como "O Clube dos
Otários", unem-se para combater essa entidade. Em 1985, já adultos e com
as memórias apagadas pelo trauma, eles são convocados de volta a Derry quando
os assassinatos recomeçam, precisando honrar uma promessa de infância. O livro
alterna entre passado e presente, mostrando que, para vencer o monstro, eles
precisam primeiro enfrentar os traumas da própria infância.
A obra inspirou importantes adaptações: a minissérie
de TV de 1990 (famosa por Tim Curry no papel do palhaço), os filmes para o
cinema de 2017 e 2019 (Capítulo 1 e Capítulo 2), e a série da HBO
It: Bem-Vindos a Derry.
Tá aí, galera amante de histórias de terror! Tenho
certeza de que esses livros atenderão às suas expectativas.








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