19 março 2022

Cinco situações distintas que vivi por causa de cinco livro especiais

De vez em quando e esse quando pode ter um espaço de muitos dias – ou talvez, meses e até trimestres -, tenho os meus insights. Às vezes estou trabalhando ou relaxando e então, de repente: pimba! Lá vem aquela iluminação, aquele estalo, e assim, me vejo como um personagem de gibi ou desenho animado com uma lâmpada acesa sobre a cabeça.

Este post que vocês estão lendo agora, surgiu durante um desses insight que tive. A galera que acompanha o blog já sabe que sou um grande devorador de livros e só quem é um devorador de verdade para entender as loucuras que fazemos pelas nossas “pérolas”. Se Gollum da saga O Senhor dos Anéis (confira resenha da saga aqui, aqui, aqui e também aqui) tinha um anel como o seu “precioso”, nós os ‘papa-livros’ temos as obras literárias. E, com certeza, já tivemos atitudes “insanas” que deixaram evidente o nosso amor pelos ‘nossos preciosos’.

No post de hoje, graças a esse insight maluco, resolvi narrar algumas situações engraçadas e outras nem tanto que enfrentei por causa do meu amor pelos livros. Vamos a elas!

01 – O livro esquecido no trabalho

Tenho o hábito de ler no meu serviço durante a hora do almoço, por isso é praxe durante esse período, sacar o ‘meu precioso’ da pasta e ler alguns trechos da narrativa. Apesar desse fato ter ocorrido há aproximadamente dez anos, ele ainda está vivo em minha memória. 

Lembro como se fosse ontem... Estava devorando Excalibur o último livro da trilogia As Crônicas de Artur de Bernartd Cornwell. A história estava me prendendo de uma tal maneira que eu acabava levando o livro para todo lugar que eu fosse, inclusive no meu trabalho.

Acontece que após um dia dantesco e estressante onde tudo deu errado no serviço, sem contar as reuniões marcadas de última hora e com capacidade para irritar o mais calmo dos mortais, fui embora e acabei esquecendo “Excalibur” na sala de redação. Ao chegar em casa debaixo de um aguaceiro e todo molhado, tomei um banho e sai com Lulu; fomos num aniversário. Quando retornamos para casa já era bem tarde da noite. Pois é, estava deitado na cama – sempre leio antes de dormir – e pimba!!! Me lembrei do livro! Cara, não podia dormir sem antes ler um dos capítulos mais bombásticos de Excalibur: a “Batalha de Mynyd Baddon” que rola no meio da história.

Se deixei para o dia seguinte e fui dormir? Nada disso. Fui na empresa onde trabalho buscar o livro. Antes passei na casa de um dos meus editores, o Zé Luís, acordei o sujeito e pedi que ele me emprestasse a chave da redação para buscar a minha Excalibur (rs). Foi quando ele me disse: “Jam, são quase meia noite e você me acorda por causa de um livro?!”

Pois é, depois da bronca, peguei o livro, cheguei em casa mais de meia noite e meia e vibrei com a “Batalha de Mynyd Baddon até 1H30 da madruga.

Acho que quem não gostou nem um pouco disso tudo foi o Zé Luiz, um dos meus editores mais rigorosos e com fama de “mau” (rs).

Taí pessoal, o que não enfrentamos por um bom livro.

02 – O golpe que dei numa vendedora de livros e também na minha mãe.

Nós, devoradores de livros, fazemos cada coisa maluca para conseguirmos uma obra que sonhamos, não é mesmo? Prova disso, foi uma situação que rolou em minha infância.

Quando era criança, um dos meus sonhos de consumo era ter uma coleção de oito livros de Monteiro Lobato com as aventuras contagiantes de Emília, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Dona Benta e Cia, lançada, em capa dura, nos anos 70 pela editora Brasiliense.

Desejava tanto essa coleção, mas tanto, que cheguei a dar o golpe do baú – e diga-se de passagem, muito bem dado – numa vendedora ambulante de livros e pasmem... em minha própria mãe!

Assim, quando a vendedora apareceu, há décadas e décadas atrás, na casa de meus pais, o então moleque de calças curtas e kichute, aqui – soltou o ‘mentirasso’: “Pôxa vida! Que coincidência, minha mãe estava louca pra comprar essa coleção! Daria pra senhora retornar ainda hoje? Com certeza, mamãe vai comprar.” Ehehehe... Na verdade, a pobre da minha mãe não estava sabendo, absolutamente nada. Mas depois que ela chegou em casa, acabei convencendo-a e mamãe acabou me presenteando com os oito livros da Coleção Monteiro Lobato.

Cara! Não dá para descrever o êxtase que senti quando a vendedora ambulante que trabalhava para a editora Brasiliense disse para a minha saudosa mãe que tinha a coleção para pronta entrega. Uhauuuuu!!! Mêu! Jamais vou esquecer aquele momento! Lembro-me que fiquei um bom tempo longe das peripécias com a minha tchurma de amigos. Jogos de futebol? Paqueras na praça? Matinês no cinema da cidade? Que nada! O meu passatempo preferido passou a ser devorar as aventuras maravilhosas da turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo contidas nas páginas dos oito volumes ilustrados da Coleção Monteiro Lobato.

Uma coleção que ganhei graças ao ‘golpaço’ dado numa vendedora de livros ambulante e em minha mãe.

Que vergonha...  mas valeu a pena (rs)

03 – Lendo Harold Robbins escondido

Ok, eu respondo o motivo de estar lendo Harold Robbins escondido. Simples: eu tinha apenas 11 anos e os meus pais eram muito severos. Mais? O livro que estava lendo se chamava Os Libertinos. E para completar a ‘desgrameira’, a capa do livro matava a pau, trazendo um homem tirando a gravata encarando uma mulher, de costas, nua da cintura para cima, aparecendo uma parte do bumbum e numa pose sensual, do tipo: “E aí, Tigrão, vamos começar? (rs).

Cara, agora, imagine eu, aos 11 anos, no início dos anos 70, lendo esse troço aí, com a capa à mostra, e deitado despreocupadamente no sofá da casa dos meus velhos.

Para que entendermos melhor a gravidade dessa situação imaginária, até certo ponto cômica, devemos levar em conta que apesar da revolução sexual que o mundo vivia no começo da década de 1970, os costumes de muitos dos nossos antepassados, a forma como eles lidavam com o próprio corpo e a sexualidade, eram bem diferentes. Assim, se os meus pais, principalmente minha mãe, me visse degustando Os Libertinos, a recepção por parte deles não seria tão boa. Mas... o que eu poderia fazer. Cara, naquela época eu adorava os livros de Robbins.

Dessa maneira, só sobrava uma opção: ler escondido. Aproveitava qualquer momento, por menor que fosse, para devorar a narrativa. Minha mãe ia tomar banho? Como sabia que o seu banho era demorado, lá ia eu me encontrar com Os Libertinos. Minha mãe ia até a feira? Novamente, lá ia eu devorar a história. Enfim, cada situação gerava uma oportunidade. Quanto ao meu pai, sem problemas, estava trabalhando e só chegava no final da tarde.

As minhas peripécias por causa de Harold Robbins iam mais além, como por exemplo, quando leva Os Libertinos para ler na escola correndo o risco de ser pego em flagrante pela bibliotecária hiper puritana

Caraca! Quantos risco corri, em minha infância, por causa desse tal Robbins e os seus libertinos.

04 – A ira por causa do zóinho

“Apaga essa merd... de zóinho!!”; “esse cara não se toca!”; “vai lá, toma o livro dele!”; Só podia ser o Jam! Se toca meu!”. 

Pois é galera, aguentei todos esses gritos e provocações por causa do Cinemin. Tudo bem que não se tratava de um livro, mas de uma revista especializada em informações sobre cinema, mesmo assim eu adorava os assuntos abordados pela publicação.

Nos anos 80 quando cursava jornalismo na antiga Fundação Educacional de Bauru – hoje, Unesp – encarava todos os dias o buzão de estudantes. Haviam três ônibus que transportavam os estudantes da minha cidade para Bauru. O buzão em que eu viajava era o mais comportado dos três. Confesso que tinham alguns estudantes bem chatos; do tipo não falo com ninguém e não quero que falem comigo. Na volta, à noite, 99,95% queriam que as luzes do corredor, incluindo os ‘zoinhos’ de leitura, ficassem apagados para que eles dormissem.

Nesta época, havia ganho vários números da Cinemim. O Marcos, um colega que fazia algumas matéria na minha turma, me deu o presente. Fiquei eufórico e não via a hora de começar a ler as revistas. Quer saber? A vontade enorme de começar a degustar os assuntos sobre cinema era tanta que nem esperei chegar em casa. Comecei a lê-las na volta para casa, mesmo sabendo que iria encontrar pela frente um mar em fúria de estudantes que não admitiam um único zoinho acesso no corredor do ônibus.

Aguentei calado as reclamações iradas, mas li. Além do mais, estava tão compenetrado nos assuntos explorados por Cinemin que nem ouvia os protestos.

A saudosa Cinemin, publicada entre novembro de 1982 e outubro de 1993, foi pioneira no gênero, o melhor conteúdo já escrito sobre o tema no Brasil até hoje. A revista abordava todos os gêneros e épocas, com o mesmo cuidado e dedicação, com coberturas impressionantemente detalhadas de cerimônias de premiação e festivais, dos mais badalados aos menos conhecidos. Eu ouso dizer que foi a melhor publicação sobre cinema no mundo.

05 – O médico que adorou o Mundo de Lore

Morro de medo de cirurgias. Tenho pavor de ser carregado em macas; de ver aqueles azulejos brancos e aquelas luzes terrivelmente brilhantes, aquele instrumental cirúrgico esperando para dissecar parte do meu corpo. Brrrrrrr!!!! Enfim, mijo e gag...de medo de todo esse clima, por mais simples que seja a cirurgia. 

Mas, em junho de 2019, antes da pandemia de coronavírus, fui obrigado a encarar uma cirurgia de fístula perianal. Dias antes da cirurgia tinha acabado de receber pelo correio: O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas que havia comprado pela Internet. O livro foi o meu companheiro de quarto e também me fez viver dois momentos inusitados.

No primeiro deles, já dentro do hospital, ao subir para o quarto percebi que um médico bateu o olho na capa do meu livro com um jeito meio suspeito. Então, já pensei comigo: “Pronto, lá vem censura pra cima do Lore”. Acho que ele não foi com a cara da caveira tentando escalar um túmulo na capa do livro”. Então o profissional – sabia que era médico por causa do seu crachá que indicava a sua especialidade: neurocirurgião – me perguntou:

- Está lendo O Mundo de Lore? O que achou?

Galera, verdade, ele me perguntou isso mesmo, na lata! Fiquei meio impactado porque não o conhecia.

- Tô gostando, mas ainda não terminei. – respondi

- Já chegou na parte do Jack dos Saltos de Mola? – perguntou o médico. Fiz que não com a cabeça.

- Na minha opinião é um dos melhores capítulos do livro. Boa leitura. - Dizendo isso, virou as costas e foi embora.

O segundo momento inusitado aconteceu logo após a cirurgia. Meu irmão que havia substituído Lulu como acompanhante de quarto, me disse que a minha noite de sono – depois que voltei da sala de recuperação - foi muito agitada por causa do efeito da anestesia. Não falava ‘coisa com coisa’ e para variar dei um grito meio escabroso - assim, do nada – no meio da noite. Quando a enfermeira entrou no quarto para ver o que tinha acontecido e viu o livro na cabeceira da cama, olhou com uma expressão séria e ao mesmo tempo reprovadora para o meu irmão e disse: “Ele não devia estar lendo essas coisas” – como se aquela caveirinha da capa escalando a sua sepultura, ansiosa para dar um oi para os visitantes de seu túmulo, fosse a responsável pelo meu grito de horror ou desespero. Um grito que nem lembro de ter dado.

Pois é, O Mundo de Lore – Criaturas Estranhas foi um amigão nesse período em que fiquei internado. Um amigão que causou rebuliço no ambiente hospitalar (rs).

Inté galera!

16 março 2022

Herança de Sangue: Um Faroeste Brasileiro

Concordo com Ivan Sant’Anna quando ele afirma na introdução de seu livro Herança de Sangue: Um Faroeste Brasileiro que alguns de seus personagens reais como: Cabeleira, Salvianinho, Capitão Carlos Andrade, João Sampaio, entre outros não ficam devendo nada para personagens fictícios que se tornaram ícones dos filmes de bang-bang. Dessa forma, eles fazem frente em igualdade de condições para um Sundance Kid ou até mesmo ao “bom”, o “mau” e “feio” do antológico “Três Homens em Conflito”.

Você deve ter percebido que no primeiro parágrafo eu defini os personagens do romance de Sant’Anna como reais porque eles, de fato, existiram. A obra, lançada em 2012 pela editora Companhia das Letras conta a história de fundação e também dos primórdios do município de Catalão, localizado no estado de Goiás. Catalão para quem não sabe foi considerado o lugar mais perigoso do Brasil superando as cidades fictícias do Velho Oeste. A obra é um relato de lutas, de crimes, de ódios, de paixões, de selvagerias e crueldades, com pouco espaço para o amor.

Desde a sua fundação por bandeirantes paulistas até meados do século XX, Catalão – atualmente uma próspera cidade do interior goiano – era considerada o lugar mais violento e perigoso do nosso País para forasteiros desavisados. Por lá “aterrissavam” as mais variadas espécies de aventureiros sem busca de enriquecimento rápido. A localidade foi cenário de terríveis massacres e disputadas políticas de lances cinematográficos onde as discussões, até mesmo as mais irrelevantes eram resolvidas na bala ou na faca. Por isso, os pistoleiros, jagunços e valentões de Catalão eram famosos em todo o vale do Paranaíba, e ainda mais além.

O livro é muito bom. A leitura te prende, e muito! Imagine você ter em mãos o enredo de um filme de faroeste com pistoleiros, vinganças e sagas familiares; tudo isso, recheado com balas para todos os lados. Bem... nem sempre balas, como eu escrevi, algumas pendengas eram decididas na faca. Ok; então imagine você lendo um enredo desses, sabendo que todo o seu conteúdo é real e faz parte da história de formação de um município brasileiro, hoje uma cidade moderna, conhecida em todo o País e com qualidade de vida muito superior à da maioria das capitais brasileiras. Achei hiper-interessante conhecer os primórdios de Catalão.

Não aconselho a leitura de Herança de Sangue: Um Faroeste Brasileiro para os leitores mais sensíveis porque a obra tem capítulos muito violentos. Aliás, Sant’Anna já começa a sua narrativa de uma maneira bem forte, narrando um linchamento que ocorreu numa praça quando um grupo de pistoleiros invadiu uma delegacia, expulsou todos os guardas e libertou um prisioneiro para que ele fosse morto, não sem antes passar por um suplício horrível. Os pistoleiros desfilaram com a vítima - com as mãos amarradas – pelas ruas da cidade enquanto o infeliz sofria todos os tipos de torturas.

O motivo desse linchamento que abre o livro é explicado somente no final da narrativa e com certeza pegará de surpresa os leitores ao descobrirem o nome do preso e também de alguns de seus algozes.

Sant’Anna segue o rastro de sangue desses crimes bárbaros, por meio de uma extraordinária crônica que se aproxima da mais imaginativa ficção. Ele recupera, por exemplo, os fatos envolvendo o assassinato de um senador da República na rua principal da cidade, em pleno dia; um violento conflito envolvendo operários da ferrovia, cujo estopim foi a morte de uma prostituta; diversos tiroteios e massacres patrocinados por chefes locais e pasmem: com o apoio do prefeito!!!

Achei muito interessante o capítulo destinado ao famoso escritor brasileiro, Bernardo Guimarães que morou durante algum tempo em Catalão, chegando a ocupar o posto de Juiz da cidade. Sant’Anna desmistifica essa etapa da vida do conhecido autor de A Escrava Isaura, mostrando o lado mais podre da vida de Guimarães. Confesso que me surpreendi com algumas de suas atitudes nada louváveis.

Enfim, um livro excelente e que já entrou para a minha lista de preferidos.

Ah! Antes que me esqueça é importante lembrar que Ivan Sant’Anna nasceu no Rio de Janeiro, mas passou grande parte de sua infância em Catalão, na casa dos avós paternos. Além de escritor, também é roteirista, sendo um de seus trabalhos mais famosos a série “Carga Pesada”, da rede Globo. É autor, também de Rapina, Os mercadores da noite, Plano de ataque, entre outros.

Valeu galera!

12 março 2022

Os 13 livros de autoajuda mais vendidos no começo de 2022

Uma semana sem postagens, né galera? Caráculas! Acho que bati o recorde. Não. Acho que o tempo maior que fiquei sem postar foi no período em que o Kid Tourão começou a ficar doente dando início as suas – quero dizer, as nossas – peregrinações hospitalres. Aqueles que ainda não conhecem o Kid que eternamente morará em meu coração, convido a acessar essas postagens e subposts (aqui e também aqui).

Mas dessa vez, o afastamento temporário do blog não foi por motivo de doença ou tristeza, mas por motivo de alegria e inovação. Apesar de ter alguns posts concluídos, preferi esperar pela mudança – mais uma (rs) – do layout do blog. Ele estava todo torto; sei lá, esquisito, com gadgets desproporcionais. Culpa das constantes mudanças de códigos da plataforma Blogger. Entonce, tomei a decisão de mudá-lo já de uma vez por todas. E assim, preferi esperar a conclusão do trabalho da Daniela da ‘Emporium Digital’ para recomeçar a publicar as minhas postagens.

E aí? Gostaram da mudança? Ficou legal? Espero que vocês tenham curtido, afinal a Dani é uma excelente profissional. 

Mas chega de ficar divagando e fugindo do tema proposto dessa postagem. Vamos que vamos? Que tal irmos de autoajuda, hoje? Tudo bem que não seja o meu gênero preferido – li pouquíssimos livros dessa categoria – mas o que importa é que a maioria dos leitores adora obras que estejam dentro desse contexto. Tanto é verdade que o gênero autoajuda é um dos mais vendidos no mundo; no Brasil, então, nem se fale. Basta consultar as Toplists da Amazon, Revista Veja e Publishnews para comprovar.

E como acredito que grande parte dos seguidores do blog são fãs incondicionais desse gênero literário resolvi escrever uma postagem sobre o tema onde publico uma lista com os 13 livros de autoajuda mais vendidos neste início de 2022.

Ahahaha! Acho que muitos de vocês devem estar perguntando o motivo dessa listagem ter 13 e não 10 ou 12 ou ainda 15 livros – o que estaria mais dentro de padrão de uma. Tudo isso é “culpa” da médica e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes. Vou explicar o motivo. É simples: ela conseguiu emplacar em todas as listas de livros mais vendidos nada mais do que três obras!!! Vocês perceberam que citei “listas de livros mais vendidos” e não “listas de livros de autoajuda mais vendidos”? Entonce, as três narrativas da autora –A morte é um dia que vale a pena viver, Histórias lindas de morrer e Pra vida toda vale a pena viver – marcam presença neste início de ano na listagem geral dos mais vendidos que inclui todos os gêneros: ficção, não ficção, negócios, romances, esoterismo, infanto-juvenil e por aí afora.

A princípio, pretendia publicar uma lista com 12 obras, mas então, entrou o “Fator Ana Cláudia” e com isso, fui obrigado a ampliar a listagem para 13. Agora, sem mais delongas vamos ao que interessa. Lembrando que tomei como parâmetro para a elaboração desse ranking, as toplist da Amazon, Revista Veja, Publishnews e Estante Virtual dos quais fiz uma média.

01 – A morte é um dia que vale a pena viver (Ana Cláudia Quintana Arantes)

Ana Cláudia Quintana Arantes é formada em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em Geriatria e Gerontologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pós-graduada em Psicologia. Especializou-se em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e pela Universidade de Oxford, em Londres. Também é sócia-fundadora e vice-presidente da Associação ‘Casa do Cuidar, Prática e Ensino em Cuidados Paliativos’ e ministra aulas nos cursos de formação multiprofissional e em Congressos Brasileiros.

Com muita sensibilidade, a autora do livro A Morte É um Dia que Vale a Pena Viver conta situações que são dramáticas, mas não precisam ser trágicas. Como ela mesma diz: “Enquanto a gente for capaz de sorrir e dar risada nos momentos que a gente está vivendo algum perrengue, a gente consegue superar.”

Ana Cláudia aborda o tema da finitude sob um ângulo surpreendente. Segundo ela, o que deveria nos assustar não é a morte em si, mas a possibilidade de chegarmos ao fim da vida sem aproveitá-la, de não usarmos nosso tempo da maneira que gostaríamos.

A médica partilha suas experiências pessoais e profissionais e incentiva as pessoas a cultivarem relações saudáveis, a cuidarem de si próprias com a mesma dedicação com que cuidam dos parentes e amigos. Reforça a importância de terem hábitos saudáveis, sem deixarem de fazer aquilo que têm vontade e as torna felizes.

02 – Mais esperto que o diabo (Napoleon Hill)

Napoleon Hill pode ser considerado o criador do gênero autoajuda. O livro foi lançado bem antes do chamado ‘boom’ de coaches motivacionais; todo este movimento que vemos hoje, só que em forma de livro.

Em Mais esperto que o diabo os leitores irão descobrir o código secreto da mente do encardido: Quem é o diabo? Onde ele habita? Quais suas principais armas mentais? Quem são os alienados e de que forma eles ou elas se alienam? De que forma o diabo influencia a nossa vida do dia a dia? Como a sua dominação influencia nossas atitudes? O que é o medo? Como nossos líderes religiosos e nossos professores são afetados pelo diabo? Quais as armas que nós, seres humanos, possuímos para combater a dominação do diabo? Qual a visão do diabo sobre a energia sexual? Como buscar uma vida cheia de realizações, valorizando a felicidade e a liberdade?

Todas essas perguntas e muitas outras são respondidas pelo próprio diabo, no formato de uma entrevista realizada por Hill. O seu propósito, escrito com suas próprias palavras, é ajudar o ser humano a descobrir o seu real potencial, desvendando as armadilhas mentais que os homens e as mulheres deste mundo criam para si mesmos, sabotando a sua própria liberdade e o seu próprio direito de viver uma vida cheia de desafios, alegria e liberdade. O livro foi escrito em 1938, após uma das maiores crises econômicas, e precedendo a Segunda Guerra Mundial.

03 – O poder do subconsciente (Dr. Joseph Murphy)

Em O poder do subconsciente, o Dr. Joseph Murphy propõe ensinar  técnicas para desenvolver todo o potencial da mente do ser humano, ensinando a superar adversidades, alcançando seus objetivos e mudando situações aparentemente irreversíveis. 

A obra tem por objetivo ajudar as pessoas a alcançarem grandes objetivos apenas mudando a maneira de pensar. As técnicas, consideradas, revolucionárias descritas pelo Dr. Murphy baseiam-se em um princípio simples e prático: “se você acredita em algo sem restrições e faz um retrato disso em sua mente, remove os obstáculos subconscientes para que seu desejo se concretize”. Assim, qualquer um pode transformar em realidade aquilo em que acredita.

Com a descrição de histórias verídicas de sucesso, O poder do subconsciente é tido como um guia para libertar o poder da mente que revela os segredos para melhorar um casamento, vencer medos, eliminar hábitos nocivos, curar pequenos problemas de saúde e obter promoções, prestígio, dinheiro e felicidade pessoal.

04 – 12 regras para a vida: um antidoto para o caos (Jordan Peterson)

Neste livro, o psicólogo clínico, Jordan Peterson, em uma era de mudanças sem precedentes e polarização da política em que estamos vivendo, nos conta porque meninos e meninas andando de skate devem ser deixados em paz, que terrível destino aguarda aqueles que criticam com muita facilidade e por que você sempre deve acariciar gatos ao encontrar um na rua. O que o sistema nervoso das humildes lagostas tem a nos dizer sobre a relação entre manter as costas eretas (e os ombros para trás) e o sucesso na vida? Por que os antigos egípcios veneravam a capacidade de atenção como seu deus mais supremo? Que terríveis caminhos as pessoas percorrem quando se tornam ressentidas, arrogantes e vingativas?

Em 12 regras para a vida: um antídoto para o caos, Peterson oferece doze princípios profundos e práticos sobre como viver uma vida com significado. O autor tem influenciado a compreensão moderna sobre a personalidade e, agora, se transformou em um dos pensadores públicos mais populares do mundo, com suas palestras sobre tópicos que variam da Bíblia, às relações amorosas e à mitologia, atraindo dezenas de milhões de espectadores.

05 – Histórias lindas de morrer (Ana Cláudia Quintana Arantes)

Taí mais um livro da médica Ana Claudia Quintana Arantes na lista dos mais vendidos no gênero de autoajuda. 

Com momentos tocantes, tensos e também divertidos, Histórias lindas de morrer nos relembra a importância das relações humanas e do respeito ao outro.

Como médica paliativa, Ana Claudia cuida de pacientes terminais há mais de vinte anos, em contato íntimo com os momentos de maior vulnerabilidade do ser humano.

Uma das principais vozes na tentativa de quebrar o tabu sobre a morte no Brasil, ela nos traz uma coleção de emocionantes histórias reais colhidas em sua prática diária, em que a proximidade do fim nos revela em toda a nossa profundidade.

São pessoas de variadas idades, crenças e origens, que nos deixam de herança lições de vida. Os leitores irão conhecer A.M. e R., que mostram, cada um à sua maneira, que a comunicação humana vai muito além do que imaginamos.

Vai se emocionar com M., que recebeu em vida o perdão incondicional pelos maus-tratos dispensados à filha. Vai torcer pelo morador de rua F. em sua tentativa de reencontrar a mãe para se despedir.

Ana Claudia exerce uma medicina que dá aos sentimentos e à história dos pacientes a mesma atenção que dedica aos sintomas e desconfortos físicos. Mas como será, no dia a dia, alcançar as camadas mais profundas das pessoas justo antes de elas partirem?

Histórias Lindas de Morrer tem momentos tocantes, tensos e também divertido. As histórias nos relembram a importância das relações humanas e do respeito ao outro. O medo da morte é o medo do não vivido, mas segundo a médica e autora, nunca é tarde para se envolver com a própria história.

06 – Essencialismo (Greg McKeown)

Essencialismo está presente em todas as listas dos mais vendidos de autoajuda, prova que a galera, de fato, adorou a narrativa de Greg McKeown. O livro é indicado para as pessoas que se sentem sobrecarregadas e ao mesmo tempo subutilizadas, dedicando o seu tempo apenas para servir aos interesses dos outros, esquecendo-se de si mesmas.

Mc Keown explica que o essencialismo é mais do que uma estratégia de gestão de tempo ou uma técnica de produtividade. Trata-se de um método para identificar o que é vital e eliminar todo o resto, para que possamos dar a maior contribuição possível àquilo que realmente importa.

Ele também enfatiza que quando tentamos fazer tudo e ter tudo, realizamos concessões que nos afastam da nossa meta. Se não decidimos onde devemos concentrar nosso tempo e nossa energia, outras pessoas – chefes, colegas, clientes e até a família – decidem por nós, e logo perdemos de vista tudo o que é significativo.

Essencialismo mostra que, para equilibrar trabalho e vida pessoal, não basta recusar solicitações aleatoriamente: é preciso eliminar o que não é essencial e se livrar de desperdícios de tempo. Devemos aprender a reduzir, simplificar e manter o foco em nossos objetivos.

De acordo com o autor, quando realizamos tarefas que não aproveitam nossos talentos e assumimos compromissos só para agradar aos outros, abrimos mão do nosso poder de escolha. O essencialista toma as próprias decisões – e só entra em ação se puder fazer a diferença.

08 – O poder do hábito (Charles Duhigg)

O hábito pode ser bom ou ruim, mas o livro O Poder do Hábito pretende mostrar que se controlarmos nossos hábitos podemos ter grandes impactos na nossa vida. ... O livro revela um entendimento da natureza das pessoas baseadas em como nosso cérebro poupa energia por meio de ações repetidas ao longo do tempo.

Com base na leitura de centenas de artigos acadêmicos, entrevistas com mais de trezentos cientistas e executivos, além de pesquisas realizadas em dezenas de empresas, o repórter investigativo do New York Times Charles Duhigg elabora, em O poder do hábito, um argumento animador: a chave para se exercitar regularmente, perder peso, educar bem os filhos, se tornar uma pessoa mais produtiva, criar empresas revolucionárias e ter sucesso é entender como os hábitos funcionam. Transformá-los pode gerar bilhões e significar a diferença entre fracasso e sucesso, vida e morte. Duhigg conclui por que algumas pessoas e empresas têm tanta dificuldade em mudar, enquanto outras o fazem da noite para o dia. Descobre, por exemplo, como hábitos corretos foram cruciais para o sucesso do nadador Michael Phelps, do diretor executivo da Starbucks, Howard Schultz, e do herói dos direitos civis, Martin Luther King, Jr.: “Eles tiveram êxito transformando hábitos. Todos começam com um padrão psicológico. Primeiro, há uma sugestão, ou gatilho, que diz ao seu cérebro para entrar em modo automático e desdobrar um comportamento. Depois, há a rotina, que é o comportamento em si. Para alterar um hábito, é preciso modificar os padrões que moldam cada aspecto de nossas vidas. Entendendo isso, você ganha a liberdade – e a responsabilidade – para começar a trabalhar e refazê-los”, diz o autor.

09 – Talvez você deva conversar com alguém (Lori Gottlieb)

De modo geral, buscamos a ajuda de um terapeuta para melhor compreender as angústias, os medos, a culpa ou quaisquer outros sentimentos que nos causam desconforto e sofrimento. Mas quantos de nós já paramos para perguntar: o terapeuta está imune à gama de questões que ele auxilia seus pacientes a dirimir e superar, dia após dia? A autora best-seller e terapeuta Lori Gottlieb nos mostra que a resposta a essa pergunta traz revelações surpreendentes.

Terapeutas são gente como a gente, mostra a autora que atende em seu consultório em Los Angeles e assina a coluna de conselhos “Caro Terapeuta” na revista The Atlantic. A obra traz revelações surpreendentes.

Quando Gottlieb se vê emocionalmente incapaz de gerenciar uma situação que perturba sua vida, uma amiga lhe faz uma sugestão: Talvez você deva conversar com alguém. A narrativa combina histórias reunidas a partir de da rica trajetória da escritora como terapeuta à sua própria experiência como paciente.

Talvez você deva conversar com alguém é um lembrete sobre a importância de sermos ouvidos, mas também de sabermos ouvir. Um livro sobre a importância dos encontros, dos afetos e da coragem de todos os que partimos para a aventura do autoconhecimento.

10 – A coragem de ser imperfeito (Brené Brown)

Neste livro, Brené Brown ousou tocar em assuntos que costumam ser evitados por causarem grande desconforto, tais como: medo, vergonha, imperfeição, enfim, todos os sentimentos que nos deixam vulneráveis. 

Para quem não sabe, Casandra Brené Brown que assina as suas obrtas como Brené Brown é uma professora pesquisadora norte-americana, palestrante, escritora e apresentadora de podcast. Ela é conhecida em particular por sua pesquisa sobre vergonha, vulnerabilidade e liderança.

Na opinião do autora, viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. Mas isso não precisa ser ruim. Como mostra Brené Brown, a vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem.

Para a escritora e pesquisadora, quando fugimos de emoções como medo, mágoa e decepção, também nos fechamos para o amor, a aceitação e a criatividade. Por isso, as pessoas que se defendem a todo custo do erro e do fracasso acabam se frustrando e se distanciando das experiências marcantes que dão significado à vida.

Por outro lado, segundo o escritor, as emoções que se expõem e se abrem para coisas novas são mais autênticas e realizadas, ainda que se tornem alvo de críticas e de inveja. Por isso, é preciso lidar com os dois lados da moeda para se ter uma vida plena.

Em sua pesquisa pioneira sobre vulnerabilidade, o escritor e palestrante concluiu que fazemos uso de um verdadeiro arsenal contra a vergonha de nos expor e a sensação de não sermos bons o bastante, e que existem estratégias eficazes para serem usadas nesse “desarmamento”.

A coragem de ser imperfeito apresenta suas descobertas e estratégias bem-sucedidas, toca em feridas delicadas e provoca grandes insights, desafiando-nos a mudar a maneira como vivemos e nos relacionamos.

11 – Mindset (Carol S. Dweck)

Carol S. Dweck, ph.D., professora de psicologia na Universidade Stanford e especialista internacional em sucesso e motivação, desenvolveu, ao longo de décadas de pesquisa, um conceito fundamental: a atitude mental com que encaramos a vida, que ela chama de "mindset", é crucial para o sucesso. 

Dweck revela como o sucesso pode ser alcançado pela maneira como lidamos com nossos objetivos. Segundo a autora, o mindset não é um mero traço de personalidade, é a explicação de por que somos otimistas ou pessimistas, bem-sucedidos ou não. Dweck explica que ele define nossa relação com o trabalho e com as pessoas e a maneira como educamos nossos filhos. Enfim, é um fator decisivo para que todo o nosso potencial seja explorado.

12 – Como fazer amigos e influenciar pessoas (Dale Carnegie)

Não se trata de um livro novo. Pelo contrário; ele foi apresentado ao público por ocasião de sua primeira edição em 1937. Mas o tema apresentado na narrativa de Dale Carnegie são tão importantes e atemporais e nunca perderam a sua atualidade no decorrer de décadas.

A autora afirma em sua obra que as pessoas podem ir atrás do trabalho que mais desejam - e conseguir; podem transformar o seu trabalho atual em algo cada vez melhor e podem, também, se ver diante de qualquer situação e revertê-la a seu favor.

O release da editora Companhia Editora Nacional afirma que os conselhos sólidos, de eficiência comprovada ao longo de décadas, de Carnegie, fizeram com que inúmeras pessoas subissem as escadas em direção ao sucesso, tanto em sua vida profissional quanto pessoal.

Como fazer amigos e influenciar pessoas pode ser considerado um dos livros mais inovadores de todos os tempos, e que permanece ompletamente atual. A obra propõe ensinar aos leitores: seis maneiras de fazer com que as pessoas gostem de você, doze maneiras de conquistar as pessoas para pensarem como você, nove maneiras de mudar as pessoas sem causar ressentimentos, etc.

13 - Pra vida toda vale a pena viver (Ana Claudia Quintana Arantes)

Olha o “Fator Ana Claudia” aí, pessoal. A médica e escritora, agora, junta-se aos leitores como caminhante na trilha da vida e do envelhecimento, oferecendo dicas práticas, conselhos e belas histórias neste guia de bem-viver. O que é preciso fazer para tornar nosso corpo habitável, nossa mente sã e nosso espírito elevado enquanto não chega essa hora? Como podemos envelhecer bem? Algumas orientações já conhecemos: sabemos da importância da boa alimentação e da atividade física, mas Ana Claudia em seu livro Pra vida toda vale a pena viver traz novas motivações para cuidarmos da saúde do corpo. 

Ela inicia a sua narrativa fazendo uma comparação entre a vida, o envelhecimento e o deserto, ela conta também experiências únicas que viveu e ainda vive em sua profissão, narra como as pessoas, todos nós, na verdade, não gostamos e não aceitamos falar de morte, quando este é o único evento futuro e certo que vai acontecer com cada um de nós, já que só não envelhece quem já morreu.

Pra vida toda vale a pena viver nos ensina a lidar lidar com situações, inevitáveis, complicadas e que muitas vezes, se não soubermos como trabalha-las, podem acabar minando o nosso prazer em viver a vida, nos tornando pessoas amargas e com medo da morte.

Taí, espero que essa lista possa ajudar os apreciadores do gênero autoajuda a escolher os seus livros preferidos.

Inté!

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