16 dezembro 2021
O aniversário de um devorador de livros
Hoje, 16 de dezembro, vou dar um tempo nas resenhas e listas
literárias para comemorar mais um ano de vida; comemorar ao lado de vocês que acompanham o meu trabalho neste espaço há
muito tempo. E por esse motivo, posso afirmar que já fazem parte da minha vida,
mesmo não podendo olhar em seus olhos e bater um papo legal. Não importa, na
minha concepção, a partir do momento que uma pessoa começa a seguir um blog e
acompanhar todas as informações postadas nele, ela já passa a fazer parte da vida
do blogueiro. No meu caso, as minhas postagens – mesmo “falando” sobre livros -
nada mais são do que trechos e fragmentos do meu dia a dia. Com certeza, muitos
de vocês já passaram a conhecer as
minhas manias, os meus defeitos, as minhas qualidades e até mesmo alguns dos
meus segredos. Viu só, como vocês já fazem parte da vida do menino aqui?
E hoje, eu quero dividir com essa galera, um momento
muito feliz que estou vivendo neste dia 16 de dezembro quando completo mais um
aniversário.
Pois é, vi mais 365 dias nascerem e caírem por mais
365 noites. Em cada um desses dias, eu vivi diferentes experiências.
Muitos dias foram fáceis, leves e felizes, já outros
foram pesados, complicados e até tristes, principalmente durante esse ano de
pandemia quando vi amigos irem embora para sempre por causa da Covid-19, ainda
na fase pré-vacinas. Aliás, retratei esse momento melancólico que vivi numa
postagem que escrevi em março desse ano onde relembro dos meus amigos leitores
que foram levados pela Covid. (veja aqui).
Apesar desse último ano não ter sido perfeito, e em
alguns momentos ter sentido frustração e até infelicidade, houve sempre algo
pelo que agradecer.
O que não me fez feliz, me fez crescer, e é esse
crescimento que me ajuda a buscar e reconhecer a felicidade na minha vida.
Sei também que o último ano não foi fácil. Tivemos que
nos reinventar e encontrar novas formas de comemorar as datas especiais. Mas
apesar de todos nós termos tido um ano com momentos difíceis acompanhado de um
vírus maldito – que Graças a Deus começou a ser vencido, apesar do surgimento
de novas variantes – não posso deixar que essas circunstâncias me impeçam de
celebrar a minha vida, e que eu possa enxergar as coisas boas que aconteceram
comigo nesse ano. Tenho que entender e aceitar que o nosso verbo “aglomerar” não
pode mais ser conjugado, pelo menos por enquanto.
Sim, é possível fazermos deste, um momento menos
doloroso. O afastamento exigido não precisa necessariamente nos conduzir à
solidão. Nossos melhores sentimentos seguem à disposição de quem amamos, de quem
somos saudosos, de quem guarda em nós alguma importância. O beijo, o abraço e
um aperto de mão são a materialização dos nossos sentimentos. Estes últimos são
imateriais. Os sentimentos que nos compõem seguem vivos e prontos a serem
servidos, e assim deve ser.
Mas quer saber de uma coisa? Chega de ficar
filosofando. Hoje, eu quero mesmo é agradecer e porque não, curtir a Graça de
ter mais um dia de vida pela frente, o qual espero render muitos anos. Mas isso
quem vai decidir é o nosso bom Deus.
Quero agradecer aos meus familiares que estão sempre
do meu lado. Meus irmãos: Orlando e Carlos, pessoas maravilhosas; à Lulu (esse
grande suporte em minha vida), ao Danilo (Vamos que vamos Danilão!!), as minhas
cunhadas, sobrinhas, sobrinhos, aos meus pais que, hoje, são os meus
intercessores lá em cima; obrigado ainda a minha grande intercessora Maria (Sabiam
que fui batizado em Aparecida do Norte e consagrado, ainda bebê, a Nossa
Senhora, Uhauuuu!! Que felicidade!) enfim agradeço a todos que estiveram ao meu
lado em mais um ano de vida.
E, claro, agradeço também a todos vocês que acompanham
o “Livros e Opinião”.
Valeu!!
12 dezembro 2021
O Senhor da Guerra (Crônicas Saxônicas – Livro 13)
11 dezembro 2021
Oito contos de terror assustadores escritos por autores brasileiros
Nem todos os leitores apreciam romances de terror,
muitos deles preferem os contos que são bem mais curtos. Eu, por exemplo, tenho
um amigo, o Carlinhos Pêpa, que só compra contos de terror mas foge dos enredos
do gênero mais longos. Inclusive, um outro amigo nosso fez uma charge muito
engraçada onde o antológico personagem Pennywise, criado por Stephen King,
aparece correndo atrás do Carlinhos segurando o livro “It – A Coisa” de quase
1.000 páginas gritando: ‘leia!, leia!, vamos, leia!’. O Carlinhos com aquela
cara de medo – não do palhaço mas do livro – e correndo desesperadamente’ foi a
sensação, durante muito tempo, na nossa sala de redação. Todos que entravam ali
paravam para olhar a charge e aqueles que captavam a mensagem, imediatamente,
caiam na gargalhada.
‘Entonce’, resolvi contar esse fato de maneira
resumida para que os leitores do blog entendam que nem todos os amantes do
gênero terror gostam de histórias longas, preferindo aquelas de poucas páginas.
Mas num País onde esse gênero literário começou a despontar há pouco tempo,
encontrar contos interessantes torna-se um verdadeiro trabalho de garimpeiro.
A revista Galileu explicou de maneira clara num artigo
publicado em 2017 que o Brasil por ser um País Tropical não tem muita afinidade
com o lado dark da vida optando pelo lado mais... digo, colorido. Isto também
ocorre na literatura. Portanto, o trem da nossa história está lotado de
artistas que exaltaram e exaltam as alegrias de se viver por aqui.
O fato é que, de uma forma ou de outra, nossa arte é
fortemente marcada por temas realistas, por traços que compõem a nossa
identidade nacional. Mas esses temas e traços são, quase sempre, diurnos,
vibrantes, coloridos… Enfim, esperançosos — mesmo quando não há pelo que se
esperar.
Segundo a reportagem da Galileu, diante desse cenário
ensolarado e tórrido, fica a pergunta: e nós, amantes do reverso disso tudo?
Como ficamos? Onde sentamos no trem da nossa história, nós que, sem muito
interesse pelo que é do dia, somos fascinados pelo que cabe à noite? Nós que,
ao calor do beira-mar, preferimos o frio do beira-abismo? Nós que, indiferentes
à vibração de nossas florestas ao sol, amamos a quietude dessas mesmas
florestas à lua? Simples, a única solução é garimpar bons contos de terror,
vasculhando em livrarias e sebos. Mas para a alegria geral desses leitores, o
Brasil sempre contou – em número reduzido, mas mesmo, assim, contou – com
excelentes autores clássicos e contemporâneos do gênero.
No post de hoje, selecionei oito contos de terror
imperdíveis escritos por autores brasileiros que não podem faltar em sua
estante. Vamos a eles!
01
– A causa secreta (Machado de Assis)
Onde
encontrar: “A Causa Secreta e Outros Contos de Horror “
Editora:
Boa Companhia
Machado de Assis escrevendo contos de terror?!!
Entonce galera... E você pensava que o mestre da escrita brasileira não
dominava o assunto? Pois é, enganou-se porque A Causa Secreta prova que ele também era fera no gênero.
O conto publicado originalmente em 1885 no jornal
carioca Gazeta de Notícias (1875-1942) é muito sombrio, mas sombrio demais. A
história caracteriza o extremo mal existente na sociedade.
Neste conto, Machado de Assis que retrata uma relação
entre o recém- formado médico Garcia e seu amigo Fortunato que é dono de uma
misteriosa compaixão por doentes e feridos, mas que de acordo com Garcia
esconde um mistério.
A dedicação de Fortunato aos enfermos é total, especialmente aos que se encontram em pior estado. Tudo isso impressiona e intriga sobremaneira Garcia, que não compreende o paradoxo que é o amigo: se por um lado se entrega de corpo e alma aos que sofrem, por outro é grosso e indiferente com os demais, inclusive com a esposa.
O intrigante mistério é desvendado por Garcia no momento
em que flagra o amigo fazendo algo sádico, cruel e inimaginável. A partir daí,
toda a verdade vem a tona, surpreendendo os leitores.
02
– O bebê de tarlatana rosa
Onde
encontrar: “João do Rio - Antologia de Contos”
Editora:
Lazuli
O
bebê de Tarlatana Rosa de João do Rio é outra obra-prima da
literatura de terror tupiniquim. Neste conto, o personagem Heitor de Alencar
narra um fato macabro que aconteceu com ele durante o carnaval no Rio de
Janeiro.
Heitor conta que, no carnaval, saiu com um grupo de companheiros e, depois de percorrer alguns salões, foi ao baile público do Recreio, onde conheceu uma misteriosa foliona vestida de bebê de tarlatana (um tipo de tecido leve de algodão). Na noite seguinte, os dois se reencontram num outro salão e resolvem sair e procurar um lugar mais reservado para ficarem a sós.
A partir daí, ‘o caldo engrossa’. Ao retirar a máscara
da misteriosa foliona...
03
– Crianças à venda. Tratar aqui. (Rosa Amanda Strausz)
Onde
encontrar: “Sete Ossos e Uma Maldição”
Editora: Global Editora
Como todas as coletâneas de terror, incluindo até
mesmo as do mestre Stephen King, é quase impossível manterem um nível elevado.
Quando comprei Sete Ossos e Uma Maldição
de Rosa Amanda Strausz já estava ciente disso, mas no final gostei do resultado.
Alguns contos excelentes, outros abaixo da expectativa, mas não me arrependi da
compra.
Um dos contos que mais gostei e que mete um medo danado se chama: Crianças à venda. Tratar aqui. Este é fodástico. Daqueles que provocam medo e mal estar. O final, então. Brrrrrrrrrrrr.
Caraca, me coloquei no lugar da irmã do ‘Fabiojunio’ – não é erro de grafia, o personagem se chama Fábiojunio, mesmo - e juro que quase borrei as calças. Strausz conta a história de uma mãe oportunista que, por viver na miséria, decide colocar à venda os seus filhos em busca de melhoria de vida para as crianças, mas principalmente para ela.
Cada um dos menores foi sendo comprado por
famílias ricas até que sobrou somente um, o tal do Fabiojunio que acabou
vendido para um casal muito estranho. A irmã do garoto decide investigar mais a
fundo os novos pais e descobre algo aterrorizante.
04
– Zona de abate: Matadouro 7 (César Bravo)
Onde
encontrar: “VHS: Verdadeiras histórias de sangue”
Editora:
DarkSide
César Bravo pode ser considerado um dos escritores de
terror mais talentosos do Brasil dos últimos anos. De fato, uma grata surpresa
neste gênero literário, tanto é que foi um dos indicados a 63ª edição do Prêmio
Jabuti, um dos mais conceituados da literatura brasileira. Suas narrativas são
bem viscerais e para lê-las é preciso ter nervos de aço. Ele não usa meias
palavras e vai direto ao assunto. Zona de
abate: Matadouro7 um dos contos de VHS: Verdadeiras Histórias de Sangue é... Brrrrrr.
Li com o estômago querendo sair pela boca. Aliás, recomendo somente para quem tem estômago bem forte. O detetive Pestana e seu estagiário, Derriê, vão investigar um crime, supostamente, ocorrido no matadouro da fictícia cidade de Três Rios. Chegando lá – de noite, prá variar – os dois são recebidos por um ajudante que faz questão de explicar, em detalhes, como funciona o sistema de abate de animais no matadouro. Caraca!
Durante a sua investigação, Pestana acaba descobrindo
um segredo macabro que vinha sendo guardado a sete chaves pelos donos do local.
05
– Venha ver o pôr do sol (Lygia Fagundes Telles)
Onde
encontrar: “Venha ver o pôr do sol e outros contos”
Não fiquem tão surpresos porque Lygia Fagundes Telles
também provou ter intimidade com narrativas sobrenaturais. Portanto, terror
também é a sua praia.
O cenário de Venha
ver o pôr do sol é um cemitério abandonado, para onde Ricardo leva sua
ex-namorada, Raquel, que depois de muita insistência do rapaz, decide aceitar o
convite e reencontrá-lo, mesmo estando sem vê-lo há muito tempo e de já estar
com outro.
Ricardo escolhe o cemitério porque quer mostrar a Raquel o mais belo pôr do sol que já viu na vida, mas enquanto os dois caminham pelo cemitério, o rapaz começa a abordar assuntos mórbidos, um deles, relacionado aos seus familiares que já morreram e que ali se encontram enterrados. E assim os dois vão caminhando e conversando, rumo a um final surpreendente.
06
- Sem olhos (Machado de Assis)
Onde encontrar: “Contos Macabros: 13 histórias sinistras da literatura brasileira”
Editora:
Escrita Fina
Olha a fera novamente aí. Machado de Assis foi o cara,
não tem como contestar. Ele escrevia de tudo, inclusive contos de terror e
bons. Sem olhos à exemplo de A causa secreta provoca uma mistura de
medo e mal-estar no leitor. Mais um conto que explora a maldade escondida no
âmago de algumas pessoas.
Nem mesmo o tempo, mais de um século - o conto foi escrito entre dezembro de 1876 e fevereiro de 1877 -, conseguiu amenizar a aura tenebrosa da narrativa. O autor relata a sombria história de amor de um homem em seu leito de morte. O moribundo relembra o passado de um homem muito ciumento que não admitia, de maneira alguma, que a sua mulher olhasse, literalmente, para nenhum outro homem. Certo dia ela olha, mais do que isso, flerta, então... vem o castigo. Arghhhh!!! A história pode ser encontrada na obra
07
– Bugio moqueado (Monteiro Lobato)
Onde
encontrar: “Obras primas do conto fantástico”
Editora: Livraria Martins
Pode parecer incrível, mas é verdade. Um dos maiores
autores de histórias infantis do mundo que fez a alegria de milhares de
crianças no Brasil com Narizinho, Pedrinho, Dona Benta e demais personagens do
Sítio do Pica Pau Amarelo, também escreveu um dos contos de terror mais
apavorantes que já li.
A história que está no livro que está no livro Obras Primas do Conto Fantástico me provocou calafrio tem como cenário uma fazenda localizada lá nos confins de Mato-Grosso. É narrado por um velho que recorda a terrível experiência vivida na fazenda do coronel Teotônio, onde foi comprar algumas cabeças de gado.
Ao chegar na propriedade, ele é recebido pelo coronel
que tem fama de carrasco, maldoso e sem escrúpulos. Antes de fechar o negócio,
o narrador da história é convidado a se sentar à mesa para jantar. Então é
servido o prato e o cardápio... Putz, melhor deixar quieto, não quero relembrar
isso não.
08
– O Trailler (A.Z. Cordenonsi)
Onde
encontrar: “Le Monde: O circo dos horrores”
Editora:
Estronho
Uahauuu! Que conto de terror da hora! Na minha
opinião, o melhor do livro Le MondeBizarre – O Círco dos Horrores da editora Estronho que reúne histórias
curtas do gênero tendo como “pano de fundo” os personagens de um circo
misterioso e macabro. Todos os contos foram escritos por novos autores, pouco
conhecidos, que estão debutando no gênero terror.
A.Z. Cordenonsi conta a história de Bernard que resolve
visitar sua mãe em uma outra cidade. Há quatro anos, ela decidiu aceitar um
emprego de cozinheira num circo oferecido por um homem estranho para trabalhar
junto ao pessoal.
Bernard percebe que o trailer vizinho ao de sua mãe, habitado por uma velha quase inválida, todas as madrugadas passa por uma misteriosa reforma, ficando cada dia mais bonito. Ocorre que ninguém, incluindo Bernard, conseguem descobrir quem são as misteriosas pessoas que fazem essa reforma.
Certa noite, decidido a descobrir o mistério que cerca
o trailer da velha, o garoto resolve ficar acordado até mais tarde e então...
Brrrrrrrrr!!! “Infelizmente” li o conto de Cordenonsi já bem tarde da noite;
resultado: não consegui dormi.
Contaço!!
É isto! Espero que essas indicações tenham despertado
o interesse da galera.
