As Portas de Pedra (The Doors of Stone): Patrick Rothfuss explica os motivos para a demora do lançamento do livro.

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O objetivo inicial desta postagem é fazer um desabafo contra o atraso do lendário lançamento de As Portas de Pedra (The Doors of Ston) ra, livro final da trilogia A Crônica do Matador do Rei. Cara, estou P. da Vida com o Patrick Rothfuss. Caraca, são mais de dez anos de hiato do lançamento do segundo livro, O Temor do Sábio! Agora se O Nome do Vento entrar no jogo, esse hiato aumenta para quase 15 anos! Cá entre nós, é muito, mas muiiiito tempo para concluir uma trilogia. Temos que concordar que está demorando demais.

O pior nessa história toda é que Betsy Wollheim, editora de Rothfuss, em uma notícia um tanto surpreendente disse que ainda não leu nenhum material de The Doors of Stone e observa uma falta de comunicação sobre o progresso do livro. E posso garantir galera, que isso é um péssimo sinal já que um editor precisa de tempo e muito tempo para “preparar” determinada obra antes de seu lançamento. Este preparo inclui revisão – não apenas uma revisão, mas várias – campanhas de marketiung, planejamento de distribuição e etc e mais etc. Para colocar todo esse processo em prática, o departamento executivo da editora de Rothfuss vai precisar – chutando baixo – de um ano, aproximadamente. Triste, não acham?

Patrick Rothfuss

Várias razões para o atraso da conclusão da saga de Kvothe foram especuladas. Rothfuss relatou surtos de problemas de saúde, bem como traumas relacionados a lutos familiares. Mas é importante frisar que o autor também esteve intimamente envolvido em uma tentativa de lançar uma adaptação multimídia de seus livros, que envolveria tanto uma trilogia de filmes baseada diretamente nos romances quanto uma série de TV, prequel, girando em torno dos pais de seu protagonista, Kvothe. No entanto, a série que seria produzida pela Showtime foi cancelada devido a estouros excessivos de custos e uma nova rede interessada na série ainda não surgiu. Os filmes também perderam o desenvolvimento ativo quando o diretor Sam Raimi, que havia manifestado interesse, decidiu seguir em frente com um projeto diferente. As referidas produções, agora, parecem estar em segundo plano na Lionsgate.

Pois é, mas os motivos para o atraso do livro final da trilogia Crônica do Matador do Rei não param por aí. Rothfuss também se envolveu em trabalhos de caridade, blogs, comentários de videogames, material derivado e contribuição escrita para outros projetos. Alguns críticos literários especulam que essa dedicação de tempo a projetos paralelos tenha sido a principal causa de atrasos no livro.


Independente dessas especulações, a verdade é que os fãs de Kvothe, Bast, Denna, Auri e outros estão mais do que impacientes, afinal já estão esperando pelo desfecho da trama há praticamente uma década e meia. Assim, no ano passado, quando foi anunciada uma live com o autor onde ele prometeu que responderia algumas perguntas relacionadas ao lançamento do terceiro livro, não foi nenhuma surpresa a participação de um número absurdamente grande de “internautas-leitores”. 

Rothfuss fez questão de esclarecer alguns pontos sobre The Doors of Stone e revelou, inclusive, que todo o processo de criação da obra, incluindo a demora de seu lançamento, vem mexendo com a sua cabeça o que o obrigou a procurar apoio psicológico.

Mas vamos a reprodução dos trechos dessa live relacionados ao livro. A tradução é de Miguel Regert, fã da saga. Confiram.

Pergunta: A inclusão de novas ideias está atrasando a sua escrita?

Patrick: Não. O problema é que eu escrevi a história toda de uma vez, e então eu passei a trabalhar na primeira parte da história para transformá-la no Nome do Vento, e isso levou anos e anos. Foram anos de revisão (14 anos, precisamente, conforme ele diz em outro momento da live) até ser publicado em 2007. Enquanto isso, o restante da história não foi mexido. Quando eu fui trabalhar em O Temor do Sábio, havia muitos problema com ele, e ele não combinava mais com o 1º livro, pois eu havia mudado muita coisa (personagens foram adicionados, suas histórias foram melhor desenvolvidas etc). E agora o 3º livro, o que era para ser o final da história, muito dele foi escrito em 1998, há muito tempo. E eu não era um bom escritor. Mesmo os trechos do 3º livro que estavam bons não combinavam mais com as duas partes anteriores da história, que foram alteradas e melhoradas ao longo de muitos anos com as revisões.

Pergunta: Com as novas adições ao 3º livro por meio das revisões, é possível que ele fique grande demais para um livro só?

Patrick: Não, não é possível.

Pergunta: Você já disse que tinha o final da história planejado desde o início. Esse final mudou desde então?

Patrick: Não.

Pergunta: O que é que você gosta mais no 3º livro atualmente?

Patrick: Atualmente estou revisando a parte em que o Kvothe “resgata princesas de reis adormecidos em sepulcros” (isso consta no 1º livro). Estou gostando dessa parte, e a revisando. Está boa, mas eu ainda posso fazer melhor, então estou polindo esta parte.

Pergunta: O quanto ser pai influenciou na sua escrita?

Patrick: Provavelmente não tanto quanto ocorre com outras pessoas, há outras coisas que influenciaram minha escrita bem mais do que ser pai.

Pergunta: Você acha que o grande hiato entre o lançamento dos livros e tudo o que aconteceu no mundo (Trump presidente, protestos, pandemia) mudou você como pessoa e o fez alguém completamente diferente do que era quando começou a história?

Patrick: A questão é que eu literalmente comecei a escrever a história em 1994, e o 1º livro foi publicado em 2007. Já se passaram décadas da minha vida desde aquela época até agora. Então o que eu mudei como ser humano é gigantesco. Então, sim, eu sou diferente agora do que era antes, mas é algo com o que eu já lidei. O mundo está diferente. Essas coisas impactam na complexidade de terminar a história? Sim, mas não muito mais do que outras coisas da vida.

Pergunta: Você ainda se importa em terminar o 3º livro?

Patrick: Sim. Eu me importo muito em terminar o livro. Eu me sinto mal por muitas pessoas quererem algo de mim e que eu não fui capaz de dar a elas. Eu me sinto mal com isso, o tempo todo. Honestamente, isso é umas das coisas que ferrou minha saúde mental, estou fazendo bastante terapia atualmente. Porque no intervalo de alguns poucos anos eu fui de alguém que gostava de trabalhar na sua história que nunca seria publicada para alguém com quem milhões de pessoas estão decepcionadas porque querem esse livro. Não é um sentimento legal. Então, eu com certeza me importo em terminar esse livro. Se eu não me importasse em terminá-lo, vocês já o teriam, porque eu sei que as pessoas o comprariam de qualquer forma para saber o final da história. Mas eu não quero apenas vender um livro. Eu devo a todas as pessoas que amam esse livro algo lindo (pessoas que me falaram o quanto esse livro é importante pra elas, que tatuaram frases do livro na pele, e que deram nome de personagens do meu livro aos seus filhos), essa é a única razão.

Pergunta: Aprenderemos mais sobre o passado da Denna no 3º livro?

Patrick: Sim.

Outras respostas de Patrick Rothfuss:

 - Quando perguntado se o isolamento e a quarentena ajudaram ou pioraram no seu processo de escrita, o Pat disse que ele sempre foi mais produtivo quando estava em uma fase pacífica e tranquila da vida, e que a vida dele não estava pacífica ou tranquila há muito tempo. Ele insinuou que durante a quarentena está dando prioridade à caridade, em razão dos tempos difíceis que as pessoas estão enfrentando, e que elas precisam de maior ajuda agora.

- Quando perguntado sobre a relação do Bast com o Kvothe, o Pat disse que o 3º livro irá mostrar como eles se conheceram, e que essa parte ele precisa desenvolver melhor, para que a evolução do relacionamento deles não seja abrupta demais.

Patrick também reafirmou a intenção de escrever outros livros no mesmo universo após o fim da trilogia, e disse que tem interesse em criar outras histórias curtas (como o livro da Auri), especialmente sobre o Elodin e a Devi.

Taí galera, as explicações do autor do porquê da demora do lançamento de The Doors of Stone. Basicamente ele escreveu toda a história em 1998, e depois teve de separar ela em três livros. Para isso, ele passou 14 anos adaptando e revisando a primeira parte da história e depois mais alguns anos fazendo o mesmo com a segunda parte. Enquanto isso a terceira parte ficou estagnada no tempo, datada de 1998, de quando ele não era um bom escritor (segundo ele mesmo), Agora ele está adaptando e revisando essa terceira parte para se adequar aos padrões atuais dele e se encaixar direito nos outros dois livros.

Taí tchurma. E despeje demora nesse angu todo!


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