Horas Decisivas – A história real do mais ousado resgate marítimo

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Comecei a ler Horas Decisivas – A história real do mais ousado resgate marítimo influenciado pelo excelente livro de Sebastian Junger chamado A Tormenta: A história real de uma luta de homens contra o mar. As duas obras literárias tratam de resgates marítimos. A primeira relacionada a dois petroleiros que se romperam ao meio durante uma violenta tempestade na Nova Inglaterra, no nordeste dos Estados Unidos, e o de Junger sobre a tentativa de resgate de vários pescadores, cujos barcos enfrentaram, em outubro de 1991, uma tempestade criada por uma combinação de fatores que os meteorologistas consideraram a “tempestade perfeita” ou a “tempestade do século”. A tormenta atingiu várias cidades de Massachusetts, mas a pior parte ficou reservada para os pescadores de espadarte do porto de Gloucester, principalmente aqueles que no momento do fenômeno se encontravam com os seus barcos em alto mar.  A Tormenta dá uma certa ênfase a tragédia envolvendo o capitão e os tripulantes do barco de pesca Andréa Gail que naufragou na costa da Nova Escócia vítima dessa tempestade. Todos os seus tripulantes morreram.

Os dois livros foram adaptados para o cinema. Horas Decisivas virou um filme homônimo com Chris Pine – o atual Capitão Kirk de Star Trek – que estreou nos cinemas em 2016 e A Tormenta inspirou o roteiro de “Mar em Fúria” filme de 2000 dirigido por Wolfgang Petersen e estrelado por George Clooney e Mark Wahlberg.
Pois é, apesar de não ter gostado do filme de Petersen, por outro lado, adorei o livro de Junger. Cara, achei fantástico! Trata-se de um relato jornalístico muito bem escrito e com o poder de agarrar o leitor e o puxar para dentro da história de todos aqueles heróis que enfrentaram uma das piores tempestades de todos os tempos, desde pescadores aos salva-vidas da Guarda Costeira. Por isso, quando fiquei sabendo da existência do livro Horas Decisivas - escrito a quatro mãos por Michael J. Tougias e Casey Sherman – não titubei e comprei naquele mesmo momento.
Cena do filme "Horas Decisivas" com Chris Pine
A minha esperança era encontrar em Horas Decisivas um enredo tão bom, tão emocionante e tão eletrizante quanto “A Tormenta” e posso afirmar que não me decepcionei. À exemplo de Junger; Tougias e Sherman capricharam em sua obra. Mesmo tendo começado a ler o livro durante um período conturbado profissionalmente - com muitos projetos já com os seus prazos praticamente estourados, precisando ser concluídos com urgência – conclui a leitura em poucos dias.
Os autores contam a história verídica de um dos maiores resgates já feitos pela Guarda Costeira dos Estados Unidos que aconteceu em fevereiro de 1952. Era uma noite fria quando o petroleiro Pendleton partiu-se em dois durante uma gigantesca tormenta na costa de Massachusetts. Casado recentemente e com a esposa doente e acamada, Bernie Webber, marinheiro da guarda costeira, foi escalado para uma missão quase impossível. Ele e mais três colegas – Richard Livesey, Ervin Maske e Andy Fitzgerald – foram enviados em uma pequena lancha salva-vidas que suportava apenas 12 pessoas contando com a tripulação. E sabem quantos marinheiros eles conseguiram resgatar nessa pequena embarcação?!
 Trinte e dois!! Isto mesmo, trinta e dois! Cara, nesse momento da narrativa não há leitor que não consiga se emocionar e vibrar ao mesmo tempo. Depois que li os detalhes desse salvamento, passei a admirar cada um desses quatro homens, na realidade, quatro heróis que fizeram jus ao lema da guarda costeira: “Você tem que ir, mas não tem que voltar”.
Os quatro heróis da Guarda Costeira que em 1952 salvaram 32 marinheiros do petroleiro Pendleton
Eles saíram nessa pequena lancha sabendo que haveria grande probabilidade de nunca mais retornarem. Bernie, Livisey, Maske e Fitzgerald tinham ciência de que aquela missão era suicida, mas mesmo assim, não desistiram, pois sabiam que haviam mais de 30 homens amontoados num pedaço de navio que estava afundando aos poucos num mar em fúria, ou seja, a vida daqueles homens dependia exclusivamente deles. Por isso, buscaram coragem no fundo de suas almas e saíram em mar aberto no meio de uma tormenta, enfrentando ondas e vagalhões gigantes com mais de 20 metros de altura, semelhantes a verdadeiros edifícios, ventos com força de furacão, temperaturas congelantes, além de uma bússola quebrada e um motor defeituoso.
A narrativa do resgate dos sobreviventes do Pendleton é eletrizante. Você não consegue largar o livro. Tougias e Sherman descrevem o drama tanto dos marinheiros do navio - que tinham de tomar a decisão de pular ou não no mar bravio para depois tentarem ser resgatados pela equipe de Bernie - como o drama do próprio Bernie que lutava para não ter a sua pequena embarcação jogada contra o casco rompido do navio e também de sua hélice gigantesca. Se isso ocorresse seria a morte para todos. Enquanto Bernie, fazendo o papel de timoneiro, tentava controlar a lancha, evitando que ela se espatifasse, os outros três rapazes se esforçavam ao máximo para resgatar os marinheiros que encaravam uma verdadeira loteria ao decidirem pular no mar e enfrentar a morte.
A famosa lancha de salvamento utilizada por Bernie e seus hoimens em 1952. Foto da embarcação restaurada 
Em alguns momentos, Horas Decisivas se assemelha a uma outra obra conhecida: A Conquista da Honra de James Bradley que narra a saga de seis soldados americanos que durante a batalha em Iwo Jima, no Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial, conseguiram fincar a bandeira dos Estados Unidos no topo do monte Suribachi. Esta fotografia passou a ser uma das maisnreproduzidas em todo o mundo. À exemplo desses seis soldados, os quatro guardas costeiras são convidados pelo governo a participarem de eventos e aparições públicas para divulgar o nome da instituição. Eles protestam contra essa atitude, pois acreditam que estão sendo usados, pois para eles, a missão da guarda costeira é salvar vidas, além do mais, eles queriam esquecer todo o perigo que passaram.
Como já deu pra perceber, o enredo não se prende somente ao resgate dos tripulantes do petroleiro Pendleton. O livro vai muito mais além, contando detalhes de como passaram a viver os quatro heróis, anos depois do resgate, como eles aprenderam a encarar os traumas daquela noite de 18 de fevereiro de 1952 onde quase perderam as suas vidas.
Tougias e Sherman ainda narram detalhes da tragédia de um outro petroleiro idêntico ao Pendleton, o Fort Mercer que sofrera a mesma tragédia que seu idêntico, partindo-se ao meio durante a mesma tempestade. Ao contrário da tripulação do primeiro, os marinheiros do Mercer conseguiram pedir por ajuda e toda a Guarda Costeira concentrou seu resgate naqueles homens, alheios e desavisados sobre os outros marinheiros do Pendleton na mesma situação de perigo.
Durante as buscas ao Fort Mercer, a Guarda Costeira acabou encontrando  um pedaço do navio que trazia o nome Pendleton flutuando no mar agitado. A indicação de que o petroleiro definitivamente tinha se partido ao meio veio ao avistarem metade dele — a proa — derivando no mar.
Horas Decisivas não se esquece de contar detalhadamente o resgate das pessoas que se encontravam no Mercer e que foi feita por outros grupos de heróis da Guarda Costeira, além de navios que se encontravam nas imediações no momento do acidente.
Livraço! Vale muito a pena a sua leitura.



2 comentários

  1. Eu adoro livros desse gênero, mas esse não conhecia ainda, nem mesmo o filme cheguei a assistir.

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    1. Quanto ao filme, não posso opinar, pois ainda não tive oportunidade de assistir, mas com relação ao livro, fantastico! Recomendo demais a leitura.
      Abraço e volte sempre

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