Zahar... que tal relançar “O Visconde de Bragelonne”, capítulo final da saga “Os Três Mosqueteiros”?


Sou apaixonado pela trilogia “Os Três Mosqueteiros” escrita pelo gênio francês Alexandre Dumas, mas ao mesmo tempo, confesso, que estou decepcionado. Vou explicar melhor essa dissonância. A saga de Athos, Porthos, Aramis e claro, D’Artagnan é divinamente fantástica e tem a capacidade de deixar o leitor extasiado com tanta aventura, intrigas e romance. Mas entonce... quando concluímos a leitura de VinteAnos Depois, ficamos a ver navios.
Aqui vale um adendo, 20 Anos Depois pode ser considerado o segundo livro da trilogia “Os Três Mosqueteiros” e reúne Athos, Porthos, e Aramis após duas décadas de separação. Depois dessa obra, temos o romance “O Visconde de Bragelonne”; este sim, fechando a saga dos mosqueteiros.
O detalhe galera é que a história de O Visconde de Bragelonne foi publicada por Dumas no formato de folhetim – como fez com O Conde de Monte Cristo – e por isso, décadas depois, quando foi lançada no formato de livro chegou a ter 10 volumes com aproximadamente 300 páginas cada.
O Visconde Bragelonne  da editora Fittipaldi, lançada nos anos de 1950
Que eu saiba, a última edição dessa saga aconteceu nos anos 60 pela editora Saraiva que colocou no mercado 6 volumes. Antes tivemos publicações da editora Lello, se não me falhe a memória em sete volumes e ‘mais antes ainda’, lá pelos anos 50, a Livraria Fittipaldi Editora publicou a história em dez partes. Além dessas edições temos ainda um ‘resumão’ da história – de apenas 149 páginas, direcionando ao público infantojuvenil lançado pela editora Melhoramentos em 1964. Depois disso, nenhuma outra editora ousou publicar a última parte da saga de Os Três Mosqueteiros.
Resumão da Melhoramentos lançado nos anos de 1950
Ah! Com certeza, alguns leitores dessa postagem devem estar se perguntando onde O Homem da Máscara de Ferro se encaixa nessa trilogia. Bem, cabe esclarecer que esse enredo, trata-se tão somente de um personagem de O Visconde de Bragelonne que surge no final na história. Portanto, não é – como muitos acreditam - uma obra escrita separadamente por Dumas, mas apenas uma novelização dos filmes que passaram nos cinemas.
Mas voltando a falar escrever sobre a carência de novas edições de O Visconde de Bragelonne; se alguém desejar concluir a leitura da antológica trilogia de Dumas, terá de recorrer aos sebos e torcer para encontrar O Visconde de Bragelonne em seis, sete ou dez volumes; sem contar a tradução desatualizada, ortografia antiga e o risco de topar com livros em estado precário de conservação. Quanto ao resumão da Melhoramentos, esqueça. Cara, resumindo: é muito pouco dos nossos editores com um enredo considerado essencial para a conclusão das aventuras dos quatro inseparáveis mosqueteiros.
É muita tortura você ter em mãos edições luxuosas de Os Três Mosqueteiros e Vinte Anos Depois, mas depois ficar chupando o dedo por um terceiro livro que você sabe que não “existe” - pelo menos numa nova edição.
É por isso que aproveito essa postagem para fazer um pedido a editora Zahar: pensem com carinho na reedição de O Visconde de Bragelonne. Fico sonhando com um box hiper-incrementado com todos os volumes dessa história. É evidente que o box não teria 10 ou sete livros, mas no máximo três volumes. Afinal, a Zahar conseguiu compactar em pouco mais de 1.300 páginas todo o enredo original de O Conde de Monte Cristo que também foi escrito por Dumas no formato de folhetim.
Repito, o desfecho de uma saga antológica como a de “Os Três Mosqueteiros” merece uma conclusão à sua altura.
Em “O Visconde de Bragelonne, Dumas mostra qual é o fim de Aramis, Athos, Porthos e d'Artagnan. No enredo, mais de trinta anos depois de terem feito o juramento de 'um por todos e todos por um', os Três Mosqueteiros (mais o quarto, D'Artagnan) estão aposentados de suas aventuras. No entanto, após os graves fatos ocasionados pelos desmandos do rei Luís XIV, o famoso quarteto volta à ação para defender a rainha.
Ah! Antes que me esqueça: o tal Visconde de Bragelonne do título do livro é o filho de Athos. Agora se quiserem saber como ele se insere no contexto dos mosqueteiros do Rei só há duas maneiras: vasculhar nos sebos ou torcer por um relançamento. Cá entre nós, eu prefiro a segunda opção. Por isso, Zahar pense com carinho nesse projeto.
Inté.


2 comentários

  1. Muito bom... Também espero ansiosamente por uma edição bem caprichada dessa obra, vamos torcer!

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  2. Concordo com você, tenho as edições da Zahar, são ótimas, e já lançaram os dois primeiros, que terminem.

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