Dúvida cruel: O Conde de Monte Cristo da Zahar ou da Martin Claret

12 maio 2020

Desde criança sou apaixonado pelos enredos criados por Alexandre Dumas. Já li, praticamente, todos eles ou pelo menos os mais conhecidos. A minha iniciação ficou por conta de Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan, depois vieram Edmond Dantès, o Visconde de Bragelonne, o Homem da Máscara de Ferro e por aí afora.  Mas confesso que de todas as histórias escritas pelo autor francês, a que mais prendeu a minha atenção foi O Conde de Monte Cristo. Que livro!
Lembro que li essa obra, pela última vez, há oito anos. Li a versão infanto-juvenil do enredo, mas com uma tradução excelente. Só viria descobrir, recentemente, que o texto original de Dumas tem, na realidade, mais de 1.300 páginas contando com vários detalhes que foram editados ou cortados nas publicações nfanto-juvenis.
Box da Zahar
Por isso, a minha próxima meta é adquirir o livro com o texto original para que novamente possa viajar com as aventuras de Dantès, o nosso Conde de Monte Cristo. Pretendia adquirir a obra já neste mês, mas como já havia comprado dois livros e alguns apoiadores de estantes, o meu orçamento acabou pipocando. Desta forma terei de esperar o fechamento da fatura que acontece no fim de maio para comprar o meu sonho de consumo, o qual aguardo ansiosamente.
Ao saber do texto original comecei a pesquisar nas redes sociais peculiaridades sobre o mesmo e onde podia encontra-lo. Fiquei sabendo, inicialmente da edição de luxo da editora Martin Claret, lançada em novembro de 2017 e confesso que balancei. Cara, a publicação é um show!
Edição da Martin Claret: Capa vermelha original e as duas jaquetas azul e branco
O livro é praticamente uma edição para colecionadores e apaixonados por clássicos, tamanha sua qualidade editorial. Em formato 16×23, o livro tem jaqueta dupla, ou seja, você pode escolher qual capa quer exibir em sua estante. Lembrando que a cor original da capa dura é vermelha. A tradução foi feita diretamente do francês por Herculano Villas-Boas, tradutor formado em Filosofia pela USP e mestre em Letras e Teoria Literária pela UNICAMP.
O que quase fez com que comprasse o lançamento da Martin Claret foi a tradução de Villas-Boas que recebeu muitos elogios dos leitores. E cá entre nós: tradução de uma obra é um ‘negócio’ muito importante, aliás, um ‘negócio’ fundamental. Cada vez mais o trabalho dos bons tradutores é indispensável. Esse cuidado por parte das editoras vai separar o que tem qualidade daquilo que fica próximo de uma tradução como se fosse via Google Translator. Por isso, a editora que não tomar os devidos cuidados corre o risco de ver sua marca perder credibilidade.
Volume 1 do box da Zahar
Mas acontece que o número de páginas do livro me assustou: 1.304!! Outro detalhe que acabou abalando a minha vontade de comprar a obra foi a capa original na cor vermelha que não gostei, achei simplória demais para uma edição de colecionador, além das jaquetas que não ajudaram. Na minha opinião, elas ficaram um pouco esquisitas: a ilustração traz uma peça de xadrez que reproduz uma sombra com detalhes em vermelho (representando sangue) e azul tendo no cone um crucifixo. Quanto a fonte das letras da jaqueta, também não ajudaram. Mesmo assim, estava disposto a esquecer esse detalhes e comprar o livro, mas então, poucos dias depois, tomei conhecimento da edição, também luxuosa, da Zahar lançada um ano antes (2016) e... quase tive um piripaque., mas um piripaque de emoção, de alegria.
A Zahar arrasou. Sente só: box ultra luxuoso contendo dois volumes em capa dura; caixa resistente com uma textura areosa contendo a ilustração de uma cela em formato de calabouço representando fielmente o que está escrito no enredo de Dumas, ou seja, a prisão desumana do Castelo de If onde Edmond Dantès ficou encarcerado durante 14 anos.
Volume 2 do box da Zahar
Quanto aos dois livros que fazem parte do box, só me resta dizer que são shows de bola. A ilustração da capa do primeiro volume com detalhes em azul, roxo e preto representa o momento em que Dantès, cercado por alguns guardas, é levado num barco para a prisão do Castelo de If. Já a capa do segundo volume, a cor vermelha, em vários matizes, predomina representando uma espécie de pôr do sol. Ao fundo, em preto, vemos o Conde de Monte Cristo já com todo o poder que o tesouro descoberto lhe proporcionou, além da imagem, em segundo plano, do Castelo de If.
A lombada dos dois livros é da cor escura, mas em tecido deixando os livros ainda mais charmosos e principalmente resistentes, sem o risco de ficarem soltando páginas. Ah! Antes que mês esqueça, trata-se de uma edição ilustrada e comentada com notas de rodapé. É mole?!
Fiquei muito feliz porque nesta publicação da Zahar as mais de 1.300 páginas foram divididas em dois volumes o que nos dá a ilusão de um calhamaço de páginas bem menor.
Pois é galera, só restava um detalhe fundamental para decidir se optava pela Zahar ou Martin Claret. Este detalhe se chamava tradução.
E lá vou eu investigar. Cara, a tradução da Zahar feita por Rodrigo Lacerda e André Telles, fãs de longa data de Dumas, ganhou o prêmio Jabuti de tradução! Vale lembrar que a partir de 1978 o prêmio Jabuti passou a ter a categoria tradução. 
Será que preciso dizer mais alguma coisa? Pronto! A minha decisão já estava tomada: coloquei no carrinho de compras o box com os dois livros da Zahar. E quer saber mais? Não esperei fechamento da fatura do meu cartão de crédito; ao concluir essa postagem, já inclui os R$ 141,00 do box mais o valor do frete no orçamento desse mês.
O importante é que fiquei muito feliz com a compra.
Inté!

17 comentários

  1. O Conde também está na minha lista de desejos. Não comprei antes por que tenho o ebook da Zahar, que me serve muito bem, mas confesso que a edição da Martin Claret está tentadora! Inclusive gostei bem mais da capa vermelha (antiquada) do que das capas dos dois volumes da Zahar.

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    1. Olá Bianca,
      A divergência de opiniões e o debate em alto nível é muito importante e salutar. Com certeza muitas outras pessoas, como você, também gostaram muito mais da edição da Martin Claret, incluindo a capa vermelha da qual não fiquei tão fã.
      Grande abraço e volte sempre!

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  2. Nossa! 1.300 páginas! Já tô te considerando um herói de conseguir ler tudo isso, he, he! Confesso que livros com mais de 500 páginas me assustam. Não sei, sabe que amo ler, mas acho que gosto de variar, por vezes estou lendo três livros ao mesmo tempo. Talvez por isso acho que não conseguiria um livro de mil páginas, a não ser que fosse uma série, com vários volumes, quem sabe.
    Mas vamos ao assunto: Adoro capas e você perguntou a edição de que editora compraríamos. Como disse adoro capas e seria mais nisso a minha escolha, no caso eu também escolheria a edição que você comprou.
    Por que? No caso da Martin Claret, a capa vermelha não me incomodou, pelo contrário, achei linda. E a ideia das duas jaquetas, genial. Mas foi nas ilustrações das mesmas que como você acho que eles se equivocaram. Não gostei nem um pouco dessa coisa mais estilizada. Nada relacionado a um livro capa-espada e nesse ponto a Zahar acertou em cheio. Ilustrações lindas, relacionadas à história, sem falar na praticidade da divisão em dois volumes.
    Abraçoooo....
    do Atas

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    1. E aí meu amigo, como você está? Espero que muito bem.
      Sabe Atas, "O Conde de Monte Cristo" também pode ser considerado uma saga literária, como outras séries, como por exemplo "O Senhor dos Anéis", "Crônicas Saxônicas", "As Crônicas de Artur" e muitas outras. A diferença é que os editores contemporâneos optaram por juntar tudo num livro só ou no máximo, dois. A prova de que o romance pode ser considerado uma série ou saga é que ele foi publicado originalmente como folhetim, entre agosto de 1844 e janeiro de 1846.
      O seu enredo se encaixa, perfeitamente dentro do contexto de sagas, além dos mais, o calhamaço de páginas é dividido em capítulos e e subcapítulos. Por isso, você pode parar em determinados pontos da história e continuar a leitura algumas semanas depois, enquanto lê uma outra obra. Se bem, acredito que se você começar a ler "O Conde de Monte Cristo" ficará muito difícil largar o livro sem antes concluí-lo.
      Recomendo demais essa obra. Você não irá se arrepender.
      Grande abraço!

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  3. Olá, José Antônio.
    Você me salvou com essa postagem, estava também em grande dúvida sobre qual dos dois escolher. Até o momento, prefiro adquirir o box da Zahar, me parece mais bonito, e por ser dividido em dois volumes, melhor para segurar o livro enquanto lê. Porém, se for adquirir o livro para presentear o meu namorado, talvez escolha a edição da Martin Claret, que ele adorou. No fim das contas, agora a decisão será apenas a finalidade da compra, porque irei adquirir de qualquer forma hahaha...
    Muito obrigada pela sua avaliação, me ajudou muito!

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  4. Olá! Muito obrigado. Acabei de conhecer seu blog, através desta resenha. E ela me ajudou na escolha: optei, também, pelo lindíssimo box da Zahar. Agora, é aguardar a chegada do mesmo. :)

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    1. Marcos, pra ser sincero, amei o box da Zahar. Ele é perfeito. As lombadas dos dois volumes são em tecido, protegendo ainda a obra. Outro detalhe que me chamou a atenção foram as ilustrações - muito bem feitas - que tornam a leitura do texto ainda mais atrativa.
      Você fez uma excelente escolha.
      Volte sempre!

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  5. Olá, José Antônio!

    Também já cadastrei seu (excelente) blog no meu leitor de feeds.

    Sobre o box da Zahar, estou aqui ansiosíssimo pela entrega, programada para hoje. :)

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    1. E aí Marcos? Já recebeu o box? Divirta-se com as aventuras de Edmond Dantès. Vale muito a pena. O texto integral da Zahar nos leva para uma viagem fantástica; sem "falar" nas ilustrações incríveis. Que você aproveite bastante. Obs: Obrigados por cadastrar o blog.

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  6. Olá, tudo bem?

    Sim, já recebi. Ele é realmente fantástico! E aquelas lombadas em tecido, então?

    Estou para finalizar uma leitura aqui e já devo iniciá-lo em breve. Muito obrigado. :)

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  7. Comprei a edição da Martin Claret, que na minha visão, ficou mais bonita, mas me arrependi. Por se tratar de um único volume, e devido ao meu hábito de ler durante a viagem de metrô até o trabalho, a capa dura do meu exemplar já evidencia as agressões que sofreu da minha mochila. Meus livros são sagrados e manter a integridade física deles, é pra mim um mantra. Mas infelizmente o meu Conde está com algumas avarias que me levaram ao arrependimento. Quanto à qualidade da tradução, me pareceu boa, assim como a revisão. Portanto, se você quer levar o livro em sua cia, opte pela versão com dois ou mais volumes (quando disponível).

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    1. Cara, imagino como é a sua saga de ler a edição do "Conde" publicada pela Martin Claret num metro abarrotado de pessoas. Acho que até o Edmond Dantès tem que rezar um rosário para não sacar a espada naquele fuzuê (rs). Não sei como você consegue se concentrar na leitura nesse ambiente. Você é publicitário, né? Está na profissão certa porque é preciso muito foco para para não dispersar dentro desse contexto. Quanto a tradução, posso dar a minha opinião com relação a edição da Zahar. Achei boa.
      Abcs!

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    2. Você teria um ataque do coração se chegasse perto dos meus livros, porque não tenho dó de transformar um livro novo em um livro lido. Escrevo a caneta (muitas vezes vermelha), passo marca-texto, sublinho com qualquer coisa que solte tinta e esteja ao meu alcance; se a lombada quebrar, não ligo — acho até um charme. Gosto de olhar para a minha biblioteca e ver que os livros estão sendo usados, estão sendo lidos, que contam uma história não apenas no que carregam por dentro, mas também no que exibem por fora.

      Já fui o louco da integridade física dos livros, obcecado em mantê-los perpetuamente como novos. Mas, há alguns anos, minha relação com eles mudou — mudou muito — e, com isso, cresceu exponencialmente.

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    3. Dizem que o importante é lê-los; não é?. Tenho amigos que só faltam "virar o livro ao avesso", enquanto outros os guardam numa redoma de vidro. Cada leitor com a sua mania. (rsssssssssssssssssss)

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  8. Tenho a edição da Martin Claret e, inclusive, estou lendo-a neste momento. Acho a sobrecapa feia, mas a capa vermelha é linda demais, e a fonte remete a traços riscados na parede da cela. A folha de guarda também traz esses riscos, como se fosse o próprio Dantès contando os dias — quatro traços verticais cortados por um quinto, numa clara alusão a uma das cenas em que ele está preso no Castelo de If. Essa capa original, inteiramente vermelha, com apenas o título do livro, aposta numa simplicidade que evoca sofisticação; é de muito bom gosto. Trata-se, claro, de uma preferência pessoal: detesto capas com ilustrações que soam meio infantis, como ocorre em grande parte dos livros da Zahar, embora as traduções deles sejam boas.

    A tradução do Herculano também é fantástica. Estou comparando com a da edição da Zahar, que tenho no Kindle, e em muitas passagens cheguei a achar a tradução da Martin Claret até melhor, sobretudo pela escolha vocabular para expressar a mesma ideia. É um livro extraordinário, apresentado numa edição muito bem cuidada.

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    1. Olá Leonardo, tudo bem com você? As duas edições - Martin Claret e Zahar - são muito bem elaboradas, mas como toda e qualquer publicação tem as suas qualidades e os seus defeitos. Creio que muito mais qualidades. Obrigado por descrever detalhes da Martin Claret que contribuíram muito para a complementação da postagem. Tenho certeza que esses detalhes serão úteis para muitos leitores que passarem por aqui. Abcs!

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