Confira trecho inédito de “O Instituto”, novo livro de Stephen King


Há dois dias publiquei uma postagem sobre o lançamento de “O Instituto”,  novo livro de Stephen King (ver O Instituto), que deverá chegar por aqui no dia 10 de setembro. Aliás não sei como os executivos da editora Companhia das Letras que é a dona do selo Suma conseguiram a proeza desse lançamento simultâneo com os Estados Unidos. Cara, que eu me lembre, isso nunca aconteceu com os livros de King em nossa terrinha, onde temos de esperar entre oito meses a um ano – ou até mais – para ganhar uma tradução em português. Mas agora... o pessoal da Suma endoidou. Espero que continuem doidos por “muitos e muitos séculos”.
Mas vamos ao que interessa. Tenho certeza de que os fãs do mestre do terror e suspense irão adorar essa novidade. Se segura na cadeira aí para não cair! (rs). Foi liberado um trecho de “O Instituto”. Isso mesmo galera! Enquanto setembro não chega, vocês poderão ler o início da história. E aí? Gostaram da surpresa? Então confiram abaixo, primeiramente, a sinopse oficial e logo em seguida o trecho inédito da obra.
Divirtam-se um pouco porque no dia 10 de setembro tem mais.
Sinopse Oficial
“No meio da noite, numa casa de uma rua quieta no subúrbio de Minneapolis, invasores matam os pais de Luke Ellis e o colocam numa SUV preta. Luke acordará no Instituto, em um quarto que parece com o seu, exceto por não ter janelas. E atrás de sua porta existem outras portas, atrás das quais há outras crianças com talentos especiais – telecinese e telepatia – que chegaram neste lugar do mesmo jeito que Luke. Nesta mais sinistra das instituições, os funcionários são impiedosamente dedicados a extrair dessas crianças a força de seus dons paranormais. A cada vítima que desaparece, Luke fica mais e mais desesperado para fugir e encontrar ajuda. Mas ninguém jamais escapou do Instituto.”
Trecho de O Instituto de Stephen King
Incluindo a redação, o vestibular durou quatro horas, mas houve uma pausa misericordiosa no meio. Luke sentou num banco no saguão do colégio, mastigando sanduíches que sua mãe embalou para ele e desejando um livro. Ele trouxe Almoço Nu, mas um dos inspetores se apropriou dele (junto com seu telefone e os de todos os outros), dizendo a Luke o devolveria depois. O cara também folheou as páginas, procurando por imagens indecentes ou por anotações.
Enquanto ele comia biscoitos em forma de bichinhos, ele percebeu outros vestibulandos de pé perto dele. Grandes garotos e garotas, estudantes do segundo grau.
“Menino,” um deles perguntou, “que porra você está fazendo aqui?”
“Fazendo a prova,” Luke respondeu. “Assim como você.”
Eles ponderaram isso. Uma das garotas disse, “Você é um gênio? Como num filme?”
“Não,” Luke disse, sorrindo, “mas eu realmente fiquei no Holiday Inn noite passada.”
Eles riram, o que era bom. Um dos garotos levantou a mão, e Luke bateu nela. “Para onde você vai? Qual faculdade?”
“MIT, se eu conseguir entrar,” Luke disse. O que não era sincero; ele já tinha obtido admissão provisória nas duas faculdades que escolheu, desde que fosse bem hoje. O que não iria ser um problema. Até agora, a prova estava sendo fácil. Eram os garotos e garotas ao redor dele que ele achava intimidante. No outono, ele estaria em aulas cheias de pessoas assim, garotos e garotas muito mais velhos e com o dobro do seu tamanho, e é claro que eles todos irão encará-lo.
Uma das garotas – uma ruiva bonita – perguntou se ele entendeu a questão sobre o hotel na seção de matemática.
“Aquela sobre Aaron?” Luke perguntou. “Sim, quase certeza que entendi.”
“Qual opção você disse que era a correta, você lembra?”
A questão tinha sido como descobrir quanto um cara chamado Aaron iria pagar por seu quarto de hotel for x número de noites, se o preço fosse $99.95 por noite, com uma taxa de 8%, mas um adicional de cinco dólares cobrado uma única vez, e é claro que Luke lembrava. Era uma questão ligeiramente sórdida devido a quantidade de fatores. A resposta não era um número, era uma equação.
“Era opção B. Veja.” Ele pegou sua caneta e escreveu na embalagem do almoço: 1.08(99.95x) + 5.
“Você tem certeza?” ela perguntou. “Eu marquei A.” Ela se curvou, pegou a embalagem – ele sentiu o cheiro do perfume dela, lilás, delicioso – e escreveu: (99.95 + 0.08x) + 5.
“Excelente equação,” Luke disse, “mas é assim que as pessoas que fazem esses testes ferram você.” Ele apontou a equação. “A sua só reflete a hospedagem de uma noite. E também não considera a taxa do quarto.”
Ela se lamentou.
“Não tem problema,” Luke disse. “Você provavelmente acertou as outras.”
“Talvez você esteja errado e ela, certa,” um dos garotos falou. Foi aquele que o levantou a mão para ele bater.
Ela balançou a cabeça. “O menino está certo. Eu me atrapalhei com a porra da taxa. Eu sou péssima nisso.”
Luke a olhou ir embora, a cabeça baixa. Um dos garotos foi atrás dela e pôs a mão em sua cintura. Luke o invejou.
Um dos outros, um cara alto usando óculos de grife, sentou ao lado de Luke. “É esquisito?” ele perguntou “Quer dizer, ser você?”
Luke ponderou sobre isso. “Às vezes,” ele disse. “Normalmente é somente, você sabe, a vida.”
Um dos inspetores se inclinou e tocou a sineta. “Vamos lá, crianças.”
Luke se levantou com certo alívio e jogou a embalagem do almoço na lixeira perto da porta do ginásio. Ele olhou para a ruiva bonita uma última vez, e enquanto ele entrava, a lixeira se movimentou oito centímetros para a esquerda.

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