Os seis melhores prólogos de livros que eu já li


Alguns leitores não gostam dos prólogos. Acham eles desnecessários, pura perda de tempo, pois além de funcionarem como spoilers disfarçados, ainda tomam espaço do desenvolvimento da trama. Pois é, muitos pensam dessa maneira, inclusive vários dos meus amigos. Já no meu caso, eu amo os prólogos. Para mim, eles são o charme das obras literárias, aguçando ainda mais a curiosidade dos leitores. Quem detesta esta técnica de escrita, certamente nunca leu um prólogo escrito por Sidney Sheldon. Ele fazia isso com muita maestria, mas também há outros que dominam essa técnica com perfeição.
No post de hoje, vou escrever sobre seis prólogos de livros que achei fantásticos. Eles serviram para aumentar ainda mais o meu apetite para devorar a história.

01 – O Reverso da Medalha (Sidney Sheldon)
Vamos começar com o escritor que eu ainda considero – mesmo após a sua morte – como o “Mestre dos Prólogos”. Sheldon abre “O Reverso da Medalha”, considerado por muitos como a sua obra máxima, de uma maneira melancólica. Nele vemos a personagem principal do romance, Kate Blackwell, no presente, com 90 anos, relembrando várias passagens importantes de sua vida, desde o seu tumultuado nascimento até a conquista de todo o seu império multimilionário, passando ainda por  dramas, aventuras e traições.
Kate está em sua mansão, onde promove uma grande festa, repleta de convidados. Cada rosto que vê, faz com que ela se recorde de um período de sua vida – bom ou ruim – que viveu ao lado daquela pessoa.
“Ela virou a cabeça e olhou para o homem que certa ocasião tentara matá-la. Os olhos de Kate se deslocaram além dele e foram-se fixar num vulto nas sombras, usando um véu para ocultar o rosto...  Kate abriu os olhos. A família entrara na sala. Ela fitou um a um. Minha família, pensou Kate. Minha imortalidade. Um assassino, uma caricatura e um psicótico. A vergonha dos Balckwell...”
Não me diga que após ler essas poucas linhas do início de “O Reverso da Medalha”, você não ficou morrendo de vontade de conhecer um pouco mais sobre esses personagens misteriosos, presentes na festa de Kate Blackwell?
Sem contar que além dos vivos, Kate ainda se recorda de outros personagens que já morreram, aumentando ainda mais a curiosidade do leitor com relação ao destino desses protagonistas. “Não me sinto com 90 anos, pensou Kate Blackwell. ‘Para onde foram todos os anos? Ela ficou observando os fantasmas que dançavam. Eles sabem. Estavam presentes. Foram uma parte desses anos, uma parte de minha vida. – Ela viu Banda, uma expressão radiante no rosto preto orgulhoso. Lá estava o seu David, o querido David...’
Enfim, um grande prólogo que não nos deixa com raiva por causa de spoilers, mas curiosos para sabermos o destino de determinados personagens.
02 – O Parque dos Dinossauros (Michael Crichton)
“...ela tateou o ferimento com a ponta do dedo. Se uma retroescavadeira o atingira, haveria terra entranhada na carne. Mas não encontrou nenhuma sujeira, apenas uma espécie de espuma pegajosa. E o ferimento emitia um odor estranho, como um cheiro de morte e podridão... Sentiu um arrepio ao olhar as mãos do rapaz, havia...”
Arghhhhhhh!!! Melhor parar por aqui e deixar o resto para aqueles que ainda não conhecem a história de MichaelCrichton.
O prólogo de “O Parque dos Dinossauros”, chamado “A Mordida do Raptor” já deixa o leitor com as orelhas em pé, além de preparar o seu espírito e porque não dizer, a sua coragem, para os sufocos que enfrentará a cada virada de página. Este início arrasador, escrito por Crichton, nos dá uma amostra dos personagens principais do romance: os velociraptores. Esta espécie de dinossauro é uma verdadeira máquina de matar. Além da sua ferocidade, a inteligência assustadoramente avançada, transformam essas feras que agem em grupo em seres assustadores.
Hoje, com a franquia dos filmes, todos estão familiarizados com as características dos velociraptores – conseguiram até mesmo domesticar um deles, assistam aos dois últimos filmes e constatem - mas na época em que li “O Parque dos Dinossauros”, em 2001, só tinha assistido aos dois primeiros filmes e os tais dinossauros ainda metiam muito medo. Portanto, o prólogo mexeu demais comigo.
03 – A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)
O momento em que Daniel Sempere é levado pelo seu pai para conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos, em “A Sombra do Vento”, é um dos prólogos mais emocionantes da literatura mundial.
A aventura tem início quando no aniversário de seus 11 anos, Daniel acorda assustado e descobre que não consegue mais se lembrar do rosto da mãe já falecida. Para consolá-lo, seu pai – dono de um famoso sebo – leva-o até o Cemitério dos Livros Esquecidos”, uma biblioteca apara obras abandonadas pelo mundo à espera de que alguém as descubra.
Encorajado pelo pai, o pequeno Daniel é convidado a escolher um livro. Após percorrer os labirintos da misteriosa biblioteca, ele fica fascinado pelo romance “A Sombra do Vento”, de Julian Carax. A partir daí tem início a saga de Daniel, repleta de aventuras, romances, amizades, traições e personagens misteriosos.
Juro que me emocionei ao ler o prologo da obra de Zafón. Veja só essas poucas linhas narradas pelo próprio Daniel e depois me diga se é possível ficar impassível. “Meu pai ajoelhou-se ao meu lado e sustentando o olhar me disse, com essa voz delicada das promessas e confidências. – Este lugar é um mistério, Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que você vê, tem alma, A alma de quem o escreveu, e a alma dos que os leram, que viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro troca de mãos, cada vez que alguém passa os olhos em suas páginas, seu espírito cresce e a pessoa se fortalece”.
Fantástico demais!!
04 – Sob a Redoma (Stephen King)
Apesar de muitos discordarem, o capítulo intitulado “O Avião e a Marmota” do best-seller “Sob a Redoma”, de Stephen King, pode ser considerado um prólogo. Em menos de duas páginas, o autor narra dois eventos distintos que marcam o surgimento da misteriosa redoma que isola do resto do mundo a pequena cidade de Chester’s Mill.
Sem citar diretamente que a cidade foi envolvida por uma redoma, King consegue transmitir essa informação ao leitor, através de duas pequenas narrativas: a de um casal que sobrevoa a cidade num pequeno avião, e também a de uma simples marmota.
Os acidentes simultâneos envolvendo a aeronave e a marmota provocados pela redoma são descritos com a marca do mestre do terror.
Este prologo serve para preparar o leitor para a montanha russa de emoções que irá rolar nas quase mil páginas do livro, um dos melhores já escritos por King.
05 – Anjos e Demônios (Dan Brown)
Dan Brown estava inspirado quando escreveu o prologo de “Anjos e Demônios”, porque em apenas meia página – isso mesmo, somente metade de uma página! – ele conseguiu deixar o leitor: curioso, aflito e com raiva.
Curioso para saber qual segredo o físico Leonardo Vetra está escondendo; aflito porque o cientista é torturado com crueldade; e finalmente, raiva do torturador de Vetra que quer a qualquer preço extrair o seu segredo.
“A lâmina adejou no ar. Precisa. Cirúrgica. – Pelo amor de Deus! – gritou Vetra”.
Um dos prólogos mais curtos que já li, mas também um dos mais completos.
06 - A Metade Sombria (Stephen King)
A introdução de “A Metade Sombria”, de Stephen King, choca. Caraca, e como choca! O personagem principal do romance Thad Beaumont, ainda criança, após ser diagnosticado com um tumor cerebral é obrigado a passar por uma intervenção cirúrgica. No momento em que o médico abre a cabeça do menino para extirpar o tumor e vê algo muuuiiito esquisito, o pânico e o terror tomam conta da enfermeira assistente que acompanha a cirurgia. O que vê é tão aterrador que ela sai enlouquecida do centro cirúrgico, gritando pelos corredores do hospital. Sintam só um trecho do prólogo: “A enfermeira-assistente viu primeiro. O grito dela foi agudo e chocante na sala de cirurgia, onde os únicos sons nos quinze minutos anteriores tinham sido as ordens murmuradas do dr. Pritchard, o sibilar do enorme aparelho de respiração assistida e o ruído breve e agudo da serra Negli. Ela (a enfermeira) cambaleou para trás, esbarrou em uma bandeja Ross de rodinhas na qual mais de vinte instrumentos tinham sido organizados e a derrubou... Ela fugiu com o uniforme verde esvoaçando.”
Galera, o prologo de “A Metade Sombria”, de fato, causa muito mal-estar e também calafrios. Não culpo o descontrole da enfermeira, pois o que ela viu... Bem leiam o prólogo, ou melhor, leiam o livro todo.
Por hoje é só. Inté!

2 comentários

  1. Olá! Apesar de nunca haver comentado em seu Blog, não é de hoje que o acompanho.
    Suas resenhas são excelentes! Parabéns! Praticamente acesso todos os dias para ver se teve alguma novidade... hehe...
    Mas, enfim... sobre o texto de hoje... o prólogo do Parque dos Dinossauros foi uma das melhores coisas que já li! Sem exageros... é realmente muito bom!
    E quanto ao Sidney Sheldon, apesar de adorar sua escrita, ainda não li O Reverso da Medalha. Eu sei. É trágico. Mas já ouvi (li) tanto você falar dele, que não sei se será possível resistir mais tempo.
    Adorei esse post dos prólogos... eu, particularmente, amo prólogos!
    Continue com esse blog sempre muito bacana!!
    Inté!
    Samantha

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    1. Samantha, saber que o meu trabalho é aceito por um segmento de leitores me estimula a prosseguir com o blog, apesar de algumas dificuldades. Suas palavras contribuíram para esse estímulo, sabia? Obrigado, mesmo. Quanto ao "Reverso da Medalha", é uma verdadeira obra-prima de Sidney Sheldon. Na minha opinião melhor ainda do que "O Outro Lado da Meia-Noite", outra obra-prima do autor. Quando tiver oportunidade leia, com certeza, não irá se decepcionar.
      Abcs e continue acompanhando nas nossas postagens.

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