A Mulher Só


Hoje, na “flor’ dos meus 50 e poucos anos fico imaginando o que a minha saudosa mãe faria se me pegasse no flagra lendo os ‘pegas pra capar” do Harold Robbins. Naquela época, sempre que sobrava uma oportunidade ia sorrateiramente até o armário onde o meu irmão mais velho guardada os seus livros e enciclopédias e ‘filava’ um daqueles livrinhos do autor.
Gente, juro que não fazia isso por sacanagem, ou seja, por causa das capas, como posso dizer... Hummm... capas pesadas? Não. Sacanas, mesmo. Isto! Sacanas. Há mais de 40 anos, algumas editoras tinham o hábito de relançar as histórias de Robbins ou em edições de bolso ou em capa dura, através do Círculo do Livro. Cara, não importava qual das duas fossem: o layout era tenso, com um forte apelo sexual; e bota forte nisso!
Pois é, quando pegava os livros do Robbins, eu estava curioso pelo enredo e nem tanto pelo seu layout. Eu gostava dos personagens e das situações criadas pelo autor que conseguiam prender a minha atenção durante toda a leitura. Tanto é verdade que, anos depois, reli vários de seus livros. Mas é evidente que se minha mãe me apanhasse lendo uma obra com uma ‘capaça’ daquelas, jamais iria acreditar em mim.
Depois de alguns anos, já bem rapazola, um homem feito, pra ser sincero, já que
entrava na fase dos meus 20 e poucos anos, continuei lendo várias obras do autor. Neste período, já sem medo ser pego por mamãe, mas por outro lado, com um baita receio de ser apanhado pela namorada ciumenta e desconfiada que, ainda por cima, detestava ler. Portanto, de nada adiantaria explicar para ela quem era Harold Robbins, já que na sua cabecinha, o que iria valer seria a capa e não o conteúdo do livro.
Pois é, foi nessa época dos loucos anos 80 que tive contato com “A Mulher Só”. Peguei o livro na biblioteca e o devorei em poucos dias. Na minha opinião, trata-se de um dos melhores de Robbins, mas também um dos mais picantes como fica evidente na capa da edição relançada pela editora Círculo do Livro em 1986.
A personagem principal do romance, JeriLee que sonha se tornar uma escritora famosa não mede consequência para atingir o seu objetivo. Dessa maneira, ela abandona o marido, a sua cidade, os poucos colegas e até mesmo muitos de seus princípios morais e vai para a luta. Nesta sua nova jornada, ela acaba se prostituindo, além de se envolver com álcool, drogas e dormindo com quem quer que seja, até mesmo pessoas que ela julga desprezíveis, homens ou mulheres, para conseguir chegar onde quer.
Na realidade, o enredo mostra uma inversão de valores, pois o que JeriLee almeja é ser valorizada no meio artístico, no seu caso, dentro do contexto editorial. Mas fica a pergunta: “Será que para se tornar uma pessoa respeitada no mundo do Jet set, vale a pena passar por cima de muitos princípios que você julga moral?
Com certeza, aqueles que leram essa resenha até aqui, devem estar odiando a personagem criada por Robbins, mas acredito que vocês a verão com outros olhos após conhecer um pouco mais a sua infância e alguns percalços que ajudaram a moldar a sua personalidade. Então, quem sabe, quando JeriLee for em busca de sua redenção, você e outros leitores a vejam com outros olhos.
Redenção? Isto mesmo, redenção. Com o tempo, JeriLee acaba por perceber que a fama pode facilmente chegar ao fim, à exemplos das pessoas que se diziam amigas, mas desaparecem justamente quando mais se precisa delas.
Como a personagem irá lidar com tudo isso? Só lendo o livro.
Gostei muito.

6 comentários

  1. Olha que coincidência! Esses dias li essa tua resenha e digo que só vendo título desse livro com certeza não teria me despertado interesse nenhum. Mas você conseguiu me deixar interessado. A coincidência? Eu estava à cata de um livro que preciso no meu trabalho e num sebo virtual( aquele com nome de inseto) encontrei, mas antes dei de cara com A Mulher Só, e no valor de R$ 4,90. Nem pensei duas vezes. E é esse aí mesmo, do Círculo, mesma capa. Não sei quando vou ler, mas comprado está.
    Aproveito pra te desejar, e a seus familiares, uma Feliz Páscoa, recheada de coisas boas!
    Até!

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    1. Olá amigo Atas,
      Espero que goste do livro de Robbins. Apesar de alguns trechos bem picantes, o enredo desperta a atenção do leitor. Vou torcer para que goste, afinal você o comprou após ter lido a minha resenha. Sabe né, a responsabilidade aumenta (rsss)
      Também desejo a você e seus familiares uma grande Páscoa, além de muito sucesso em seu trabalho.
      Abraços!

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  2. Recebi minha encomenda do sebo hoje, comecinho da tarde. Gostei muito da conservação dos livros, a maioria poderia quase passar por novo. Alguns deles do Círculo do Livro, como por exemplo As Duas Vidas de Audrey Rose que a algum tempo tenho curiosidade de ler. E claro, A Mulher Só, também praticamente novo, apenas amarelado no corte superior e umas marquinhas de durex. De curiosidade li na hora o primeiro capítulo, e já comecei a gostar. Não sei se o tempo vai me permitir ler agora, ou se vou colocá-lo na fila, he, he, mas claro, quando eu tiver lido escrevo minha opinião.
    Até!

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  3. Espero que goste. Harold Robbins não é aceito por uma boa parcela de leitores por causa de seus enredos - que alguns - julgam apelativos e com fortes nuances sexuais, fugindo um pouco dos padrões, 'digamos' mais convencionais de literatura, tipo Sidney Sheldon. Mas, no meu caso, sempre apreciei as histórias e personagens criados por esse autor.
    Leia "A Mulher Só" e depois me conte se gostou ou não.
    Abcs!

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  4. Terminei de ler ontem. Tirei o livro da fila, he, he. Mas na boa, não tem fila, tipo, vou ler este, depois este.....não, apenas tenho uma porção para ler e escolho conforme a vontade do momento.
    Mas vamos ao que interessa, a minha opinião sobre ele. Como já disse, pelo título, nunca teria me interessado, o assunto abordado também não é o que me desperte atenção para leitura de um livro. Tua resenha me despertou o interesse. E olha só, gostei. A maneira como o livro é escrito e a história da garota em diversas fases e reviravoltas de sua vida te envolvem perfeitamente. Sim, por vezes a gente pensa que JeriLee não precisaria cair tanto, ou poderia tentar de outra maneira alcançar seus sonhos, mas ela é humana, é outra época, e é cercada de pessoas que não são exatamente exemplo de amizades verdadeiras. E ainda parece que ela tem o dom de afastar justamente as poucas pessoas que lhe querem bem de verdade.
    Não tive raiva dela em nenhum momento, apenas a achei meio idiota em alguns, por se deixar levar, por certas escolhas ou no caso do vício. No fim acho que vou sentir saudade dela. Quanto as partes picantes, nunca me incomodariam, e no caso, combinam perfeitamente com a história.
    Ao ler a pequena biografia do autor que consta no livro percebi muita similaridade na vida do próprio com a da personagem. O envolvimento com produção de filmes, os altos e baixos de sua vida, as reviravoltas. Ele escreveu sobre o que conhecia, por isso o fez tão bem. Nunca tinha lido Harold Robbins. Já tinha ouvido falar claro, e fiquei com vontade de ler outros títulos. Aliás onde comprei este havia vários outros, todos do Círculo se não me engano.
    Gosteeei! Recomendo! Grato pela dica. Abraço!

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    1. Atas, que bom que gostou! Fiquei muito feliz!
      Quanto bater, novamente, a vontade de ler Robbins recomendo "O Machão".
      Grande abraço e bom domingo.

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