Um estranho no espelho


Há pouco mais de duas décadas, sempre perto dos finais de tarde, eu tinha o hábito ir até a biblioteca municipal da minha cidade para ficar ‘folheando’ algumas obras. Enquanto os meus amigos, após o serviço, iam direto para os barzinhos ou butecos da vida, o rato de biblioteca, aqui, se enfunava no meio dos livros para mergulhar em viagens fantásticas que só alguns enredos tinham o poder proporcionar. No final, sempre levava um livro para ler em casa.
Foi naquela saudosa biblioteca, onde hoje funciona a Companhia de Polícia Militar, que ‘peguei’ gosto pelos livros de Sidney Shelson. Ainda me lembro que havia uma coleção de uns 10 livros do autor, a qual acabei devorando toda. Pois é, “Um estranho no espelho”, fazia parte dessa coleção. Gostei tanto do livro que acabei relendo-o outras vezes, sendo a mais recente no mês passado.
Discordo daquelas pessoas que consideram essa obra uma das  menos famosas de Sheldon ou então uma das mais fracas. Nada a ver. Pelo menos para mim, “Um estranho no espelho” é fantástico.
Os personagens Toby Temple e Jill Castle representam o bem e o mau, o lado médico e o lado monstro. Toby é o egocêntrico narcista, metido e insensível. Ele se considera um rei e por isso, pode fazer o que quiser com as pessoas e quando quiser. Por sua vez, Jill é a mocinha que sofreu, foi enganada e humilhada por todos, mas mesmo assim, agüentou firme, sem revidar.
Ao descrever a história dessa maneira, a impressão que fica é que o enredo desenvolvido pelo autor não passa de algo caricaturesco. Mas acontece que esse “autor” se chama Sidney Sheldon e por isso, o que você pensa que se transformará num dramalhão simplório, acaba cedendo espaço à uma trama cheia de surpresas e reviravoltas.
Em determinados momentos da história, Toby passa o cetro da maldade para Jill que se transforma numa pessoa ardilosa, falsa e maquiavélica. E assim, lá vamos nós, leitores, trocar novamente as nossas convicções moralistas, achando que Toby é o santo e Jill, a algoz. Esta dubiedade acontece com freqüência na história e é ela que faz com que “Um Estranho no Espelho” se torne um livro fantástico, daqueles difíceis de largar.
A obra foi escrita em 1976, logo após o mega sucesso “O Outro Lado da Meia-Noite”, e conta a história de um famoso comediante, Toby Temple, casado com uma aspirante a atriz, Jill Castle.
Temple, o comediante de maior público no cinema e na TV, desde criança sabia que seria famoso fazendo as pessoas rirem. Então, sem dinheiro algum, mas com muita força de vontade, tenta desesperadamente entrar para o hall da fama.
Por outro lado, Jill Castle, uma beldade sensual, era uma menina pobre, filha de uma costureira, que sempre invejou a vida que levavam as crianças ricas. Sua mãe era uma fanática religiosa, que considerava o sonho de sua filha ser uma estrela de Hollywood, um pecado. Mas Jill não desiste, e foge de casa após uma decepção com seu namorado.
Imagine só o que acontecerá quando a vida dessas duas pessoas se cruzarem.
Achei o final bem down. Um dos mais melancólicos que já li.
Confiram, vale a pena! Um grande livro.



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