Biografia autorizada e inédita de Agatha Christie chega nas livrarias


Uma biografia sobre a “Rainha do Crime” que contasse tudo, absolutamente tudo, mas sem mentiras e exageros. Acredito que esse é o sonho da maioria dos fãs de Agatha Christie. Após a sua morte em janeiro de 1976, foram lançadas várias biografias, mas em nenhuma delas, os autores tiveram acesso à documentos ou cartas de Agatha que ficavam sempre guardadas a sete chaves pelos seus herdeiros, longe dos olhares curiosos.
Por isso, essas obras eram desprovidas de muitas informações, tornando-se superficiais, não despertando o interesse dos leitores. Quase sempre, os seus autores apelavam para depoimentos pouco confiáveis de amigos, parentes ou pessoas que juravam ter participado de pelo menos dois ou três minutos da vida social da Rainha do Crime. Ora! Tudo isso, obviamente, muito pouco para escrever uma biografia no mínimo razoável.
Agora, tudo indica que acabamos de ganhar algo à altura da maior escritora de histórias policiais de todos os tempos. A editora Bestseller do Grupo Record lançou em outubro “Agatha Christie – Uma Biografia” da escocesa Janet Morgan que teve acesso a todas as cartas e informações sigilosas sobre Agatha, incluindo o seu diário pessoal.
Por isso, a obra pode ser considerada a primeira biografia autorizada sobre a “Rainha do Crime”. Vale lembrar que “Agatha Christie – Uma Biografia” já havia sido lançada na década de 80 nos Estados Unidos e em alguns países europeus, mas só agora, após mais de 30 anos, chega ao Brasil.
Tudo começou em meados de 980, quando Morgan foi convidada por Rosalind – filha de Agatha Christie – para escrever uma biografia autorizada. Para isso teve acesso exclusivo aos documentos pessoais da escritora e de seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan.
Apesar de ser pressionada a abordar apenas o lado mais gentil da antológica autora, Morgan bateu o pé e impôs algumas condições para escrever a obra, entre as quais: não mascarar os fatos reais, bem como abordar o que realmente aconteceu no estranho desaparecimento de Agatha que aconteceu entre 3 e 13 de dezembro de 1926, quando ela já era uma celebridade. Este acontecimento foi visto como um dos casos mais ruidosos coberto pela imprensa da época. Um verdadeiro enigma, já que a escritora nunca se pronunciou sobre o assunto.
Um dos pontos altos da obra de Morgan é a abordagem desse fato que polarizou as atenções do mundo literário na década de 1920.  Através do material cedido por Rosalind, ela faz uma reconstrução meticulosa do misterioso incidente que gerou, na época, várias teorias conspiratórias e sensacionalistas.
Agatha Christie e sua filha Rosalind
O texto também inclui alguns detalhes curiosos, entre eles, o período anterior a fama, em que a “Rainha do Crime” trabalhou como farmacêutica, durante a Primeira Guerra Mundial, o que explica seu conhecimento sobre a manipulação de venenos, tão usados em seus romances. Outro trecho interessante narra o conjunto de motivos que deu origem a dois de seus mais célebres livros: “Morte no Nilo” e “Assassinato no Expresso Oriente”.
Mas acredito que o maior mérito da obra está em tentar descobrir como uma simples dona de casa conservadora, amante da vida serena, especialmente da jardinagem e da gastronomia conseguiu se transformar na mais famosa escritora policial de todos os tempos, criadora de intrincadas e ao mesmo tempo saborosas tramas policiais.
Esta reedição preparada pela Bestseller ganha como extra, um prefácio de Morgan narrando a abordagem feita pela família de Agatha para que escrevesse sua biografia, além de todo o processo de pesquisa no vasto material oferecido por Rosalind.
A biografia conta também com um encarte de fotos de álbum de família para que os fãs possam apreciar vários momentos de intimidade da escritora.
Vale lembrar que a Bestseller deveria lançar a obra somente em novembro, mas a sua chegada às livrarias foi antecipada e “Agatha – Uma Biografia” já está nas prateleiras das lojas físicas e virtuais de todo o país à disposição da galera interessada.
Boa leitura!

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