Nas montanhas da loucura

Tenho que ser sincero, por isso já peço desculpas aos leitores que cultuaram esse conto de H.P. Lovecraft, mas... não gostei. A leitura não fluiu, travou mesmo; e em alguns momentos pensei em parar tudo e partir para outra historieta do livro “Os Melhores Contos de H.P. Lovecraft” da editora Hedra.
Quem é fã de carteirinha do autor sabe que a principal característica de suas narrativas é a ausência de diálogos. Costumo dizer que encontrar um ‘bate-papo’ entre os personagens que fazem parte da mitologia lovecraftiana é mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro. Geralmente, os enredos são narrados em primeira pessoa por personagens que vivenciaram os fatos, quase sempre cientistas, jornalistas ou pesquisadores que ficaram abalados ao presenciarem uma situação de terror. Como os diálogos são ínfimos, o jeito é dar asas para a descrição dos eventos.
No caso de “As Montanhas da Loucura, acredito que Lovecraft exagerou nas descrições, tornando a história muito cansativa. No romance – isto mesmo, esse é um dos poucos enredos do escritor que também foi lançado separadamente, num livro próprio – escrito em 1931, Lovecraft detalha os fatos de uma expedição desastrosa ao continente da Antártida em setembro de 1931quando um grupo de pesquisadores da fictícia Universidade do Miskatonic, em Massachusets, descobre surpreendentes indícios de civilizações muito anteriores à humanidade em nosso planeta. Após uma série de eventos macabros, toda a equipe de cientistas é dizimada por algo misterioso, restando apenas dois sobreviventes, um deles com colapso nervoso por causa do terror vivido.
A história é narrada pelo outro sobrevivente,  Dr, William Dyer que apesar dos fatos horripilantes não chegou a perder a razão. Ao tornar os fatos públicos, ele pretende evitar que uma nova expedição viaje até as montanhas de gelo da Antártida para dar continuidade às explorações da equipe dizimida.
O plot da história é fantástico, mas infelizmente o excesso de descrição, principalmente do Continente Antártico, acaba matando o enredo. Uma pena.
Mas antes de você – que lê este post – ficar desanimado e propenso a escolher um outro conto de Lovecraft para devorar, lembre-se daquele antigo ditado: “o  bronze para mim pode ser ouro para uma outra pessoa”. Entonce, é isto que ocorre com “As Montanhas da Loucura”, um dos contos mais polêmicos do escritor. Alguns o amam, enquanto outros o odeiam.
Dois leitores famosos que leram e adoraram a história de Lovecraft foram John Carpenter e Ridley Scott que dirigiram respectivamente “Enigma do outro Mundo” (1982) e “Alien Covenant” (2017). Alguns críticos de cinema, afirmam que o conto/romance “As Montanhas da Loucura” serviu de inspiração apara esses dois grandes sucessos do cinema.
Viram só? Nem todos não gostaram da história.
Até breve!

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