28 julho 2018

Flores de Fogo


Recomendo demais esta obra como literatura infanto-juvenil. Às vezes não sabemos porque as nossas crianças e jovens ficam tão avessos aos livros. Imagino que como nós adultos, eles também tenham tido a infelicidade de escolher obras com enredos não muito atrativos  e após uma sequência de escolhas infelizes acabaram ficando com a sua “alma de leitor” esfriada.
Digo isto porque já presenciei tal fato. Certa vez o filho de um amigo meu disse que um colega de escola havia lhe emprestado duas obras para que ele começasse a ingressar no “Clube dos Devoradores de Livros”. E olha que esse jovem estava hiper ansioso para começar a leitura. Começou e querem saber o que houve? Um desastre total.
Os livros em questão não o atraíram em nada, pelo contrário, acabou esfriando o seu ímpeto de leitor principiante. Depois que vi os livros, percebi que não tinha nada a ver. Falava sobre cavaleiros templários, além de um monte de informações históricas e geográficas. Cruzes, um horror! Imagino o que se passou na cabeça daquele jovem que tinha uma vontade enorme de desenvolver o seu estímulo literário.
Com certeza, se este garoto tivesse lido “Flores de Fogo”, hoje ele estaria fazendo parte do nosso “Clube dos Devoradores de Livros”. Mas nunca é tarde. Pretendo, na semana que vem, emprestar a obra de Stephanie Grunheidt para tentar apagar o trauma dos ultra-chatos cavaleiros templários e as suas ramificações históricas ao longo das cruzadas. E olha que não sou de ficar emprestando livros; mas como se trata de uma causa nobre...
Flores de Fogo é um livro de fantasia e aventura sem violência, mas que prende a atenção do leitor do início ao fim. Uma fábula sedutora onde as crianças e os pré-adolescentes aprendem lições de caráter, coragem, amizade e liderança num universo fantásticos e com seres também fantásticos.
Stephanie Grunheidt
Achei a leitura o máximo, o que faz com que eu creia que muitos adultos também irão gostar do enredo e do mundo exótico criado pela autora. Afinal, quantos marmanjos apreciam os contos de Hans Christian  Andersen, La Fontaine, irmãos Grimm e tantos outros? O enredo criado por Grunheidt segue a mesma linha.
“Flores de Fogo” narra a história de um jovem pescador que após ver o seu vilarejo atingido por uma “praga” que mata todos os peixes e criaturas marinhas dos rios e mares, sai numa jornada de aventura em busca de uma solução para o problema. Na companhia de uma princesa, um tigre falante e da embaixadora de um reino, o humilde pescador tem que visitar quatro reinos diferentes – Fogo, Gelo, Ar e Água - e seus monarcas orgulhosos e de temperamentos difíceis na esperança de conseguir reverter a praga que assola o seu vilarejo e ainda de quebra evitar uma guerra entre os quatro reinos.
Apesar do nome, a autora de “Flores de Fogo” é brasileiríssima. Grunheidt nasceu em 1989 na capital paulista, mas cresceu e mora até hoje na Paraíba. No Ensino Médio ganhou a medalha de ouro na “Operação Cisne Branco” para jovens escritores concedida pela Marinha do Brasil ao escrever o melhor texto no seu estado. É formada em Arquitetura pela Universidade Federal da Paraíba. “Flores de Fogo”, publicado pela editora Chiado, é o seu primeiro livro.
Ficha Técnica
Título: Flores de Fogo
Autora: Stephanie Grunheidt
Editora: Chiado
Páginas: 130
Edição: 1ª
Formato: Brochura
Ano: 2017

25 julho 2018

Vende-se este Futuro


Com certeza, Beatriz Prata já entrou para o rol das minhas personagens femininas fodásticas da literatura. Ela se parece muito com uma Guinevere dos tempos modernos – mas a Guinevere idealizada por Bernard Cornwell em a saga “As Crônicas de  Artur” (ver aqui, aqui, aqui e mais aqui). À exemplo da personagem arturiana, Beatriz é destemida sem ser incauta, inteligente mas nem por isso arrogante, além de carismática e corajosa, aliás muito corajosa, ao ponto de romper paradigmas considerados imutáveis quando se vê acusada por algo que não cometeu.
Esta garota fantástica é a personagem principal do romance de ficção científica “Vende-se este Futuro”, livro de estréia do escritor paulista Bruno Miquelino, publicado pela editora Novo Século.
Beatriz é uma espécie de agente de viagens temporais. Explicando melhor: ela trabalha para uma agencia que promove viagens no tempo chamada Déja Vu que surgiu 2097 em São Paulo, numa época em que esse tipo de viagem era comum. A principal função da Déja Vu é transportar pessoas do passado para o futuro, para que elas  adquiram  outra identidade, longe dos holofotes, da polícia, de seus problemas, enfim, do que for. No futuro que elas escolhem, então lhes é concedida uma nova identidade e consequentemente uma nova vida.
No livro a protagonista só precisa levar o grande Charles Chaplin para o futuro, mas inúmeras coisas dão errado e ela se vê presa no início do século XX, sem ter como voltar para o tempos modernos.
“Vende-se este Futuro” consegue prender a atenção do leitor, logo de cara, já no prólogo quando Beatriz viaja para meados de 1970 com a missão de transportar para o futuro uma das personalidades mundiais mais famosas da cultura pop de todos os tempos.
Bruno Miquelino
A grande sacada do autor em sua trama foi promover uma interação entre o real e o imaginário. Achei fantástico ver, por exemplo, a agente de viagens temporais da Déja Vu se relacionando com grandes personalidades da história mundial e também da nossa cultura pop. Além dessa interação, digamos ‘diferente’, Miquelino ainda insere esses personagens fictícios em momentos importantes da História, como por exemplo no atentado da rua Tonelero, ocorrido na madrugada de 5 de agosto de 1954, considerado até hoje, um dos fatos mais importantes nos anais da política brasileira.
No que diz respeito à participação de Charles Chaplin no romance, com certeza, os leitores irão adorar os momentos de estranhamento, emoção, amizade e aventura vividos por Beatriz e o eterno Carlitos.
Nada foi jogado aleatoriamente no livro. Acredito que o autor deva ter desenvolvido um excelente trabalho de pesquisa para fazer dessa interação ‘ficção e realidade’ a mais convincente possível para leitor. No caso de Chaplin, para se ter uma idéia, ficamos sabendo inúmeros detalhes de sua vida particular. É interessante vê-lo discutindo alguns desses pormenores com Beatriz.
As reviravoltas na trama também são outros pontos positivos que valem a pena destacar. Algumas, de fato, irão pegar o leitor de surpresa, principalmente uma conspiração que mudará o destino da história, deixando o leitor muito surpreso.
Quanto ao final de “Vende-se este Futuro” é impagável, aliás, os finais porque há um exclusivamente dedicado a Charles Chaplin e ao seu filme “O Circo” e adianto que é emocionante. No outro “The End”, onde ocorre a conclusão de toda a trama, mais surpresas. Ri muito e também adorei aquele golpe do baú. Passei a gostar ainda mais de Beatriz.
O livro de Miquelino é dividido em ‘capítulos temporais’, ou seja, cada capítulo corresponde a determinado ano em que ocorre a trama. Dessa forma, ele mescla 2112 – período atual em que se desenvolve o romance - com outras épocas: 1926, 1964, 1968, 1977 e assim por diante.
Sem dúvida, um grande livro.


22 julho 2018

“As Portas de Pedra” (The Doors of Stone) de Patrick Rothfuss chega em 2019, 2021 ou...


Ontem à noite, tive um propósito. Pensei comigo: tenho que fazer isto de qualquer maneira. Então, comecei a revirar as redes sociais – blogs, sites, portais, twitters, faces e qualquer coisa que os valham -  em busca de informações sobre o novo livro de Patrick Rothfuss , “As Portas de Pedra” (The Doors of Stone). “Tenho que encontrar uma previsão de lançamento do livro, por mais simples ou imprecisa que seja” – exclamei.
Depois de duas horas ininterruptas de pesquisa, sabem o que encontrei? Nada. Querem fazer um teste? Ok. Digitem no ‘santo’ Google “As Portas de Pedra” ou “Os Portões de Pedra” juntamente com o nome do autor para ver o que acontece. As informações mais novas que irão surgir datam de meados de 2017, ou seja, nenhuma de 2018; e todas desatualizadas e incertas, trabalhando no campo da especulação. Este triste fato só nos aponta para uma certeza absoluta: Esqueçam. A vinda do novo livro de Rothfuss vai demorar muito tempo, mas muuuito tempo.
Quando estava perto de desistir, comecei a vasculhar algumas páginas de outros países e com muito custo, encontrei numa delas (kingkiller.wikia.com) a triste notícia que confirma a provável demora no lançamento do livro. Segundo o autor da postagem que se baseou em fontes (pelo que eu constatei no final do post) bem confiáveis, Rothfuss afirmou em novembro de 2017 em Vancouver, num evento que marcou o 10º aniversário de lançamento de “O Nome do Vento”, que descarta 2018 como data de lançamento de “As Portas de Pedra”, mas indicou 2019 como uma possibilidade.
Cara, juro que fiquei P da vida com essa afirmação do escritor. Vejam bem, ele disse apenas uma possibilidade. Isto significa que o livro pode sair até mesmo em 2020 ou sei lá quando.
Após dar outra vasculhada na net, recebo mais uma pedrada. Daquelas bem dadas. Entrando no site da Amazon o que vejo? Surprise! Uma data prevista para o tão aguardado lançamento. Quando vi, cai; cai na depressão. Sabem quando? 8 de julho de 2021!
Depois desse balde de água fria, descobri que a Amazon, frequentemente, coloca em sua página essas datas aleatórias porque o seu softaware ‘quer’ uma data, mas isso não significa que tenha algo a ver com a realidade. Apesar dessa explicação, juro que fiquei meio cabreiro com a data divulgada pelo portal
Patrick Rothfuss
Pois é, hoje, faz sete anos e quatro meses do lançamento de “O Temor do Sábio”. Mais dê sete anos de angústia para os fãs de Kvothe, Ambrose, Dena, Bast e Cia que certamente já releram “O Nome do Vento e “O Temor do Sábio” várias e várias vezes, sempre sonhando com o lançamento do livro no ano seguinte. E agora, após a declaração de Rothfuss no evento que se realizou em Vancouver, essa espera poderá demorar ainda mais.
Bem, se serve de consolo, o autor revelou alguns arcos do enredo numa entrevista realizada há algum tempo. Segundo ele, “The Doors of Stone” vai explicar as origens de Kvothe, ou seja, como o personagem chegou onde ele está agora. O livro também relatará de que maneira Kvothe e Bast se conheceram. Rothfuss disse ainda que o significado da palavra El'the (um posto na Universidade) será explicado.
Com certeza as revelações do autor são poucas e até ineficazes para tranqüilizar os seus milhares de leitores. Pelo contrário, só servem para aumentar ainda mais a sua ansiedade.
Inté!

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