quinta-feira, 2 de junho de 2016

10 heroínas da literatura que arrebentaram a boca do balão

Elas são decididamente fantásticas! Corajosas e arrojadas, espertas e dissimuladas, astutas e inteligentes. É a mais pura hipocrisia pensar que a literatura é um campo exclusivamente masculino. As mulheres também conquistaram o seu espaço e nas ultimas décadas assumiram o controle das páginas de diversos romances nacionais e internacionais, fazendo dos personagens masculinos meros coadjuvantes.
O que seria de Artur na lendária Batalha do Monte Badon se não fosse a intervenção de Guinevere? Quantas vezes Hermione livrou Harry Potter de enrascadas cruéis? E quanto a Hester Prynne que teve coragem suficiente para enfrentar uma sociedade purina nos primórdios da colonização da América do Norte por causa de um amor impossível?
Estas heroínas de “As Crônicas de Artur”, “Harry Potter” e “A Letra Escarlate” colocaram muitos heróis machões da literatura embaixo do braço. O post de hoje pertence exclusivamente a elas.
01 – Guinevere
Livro: “As Crônicas de Artur” (Trilogia)
Esqueça aquela princesinha ‘lesmatóide’, aculturada, romântica e que só sabe arrastar asas para o valente e bonitão guerreiro Lancelot, homem de confiança de Artur. A Guinevere de “As Crônicas de Artur” é uma mulher forte, corajosa e que assume as suas decisões. Enquanto a princesinha das lendas arturianas tradicionais tem pavor de armas; a personagem criada por Bernard Cornwell é uma caçadora talentosa e ao longo da história, desenvolve as suas habilidades, vindo se tornar uma guerreira nata, daquelas que encaram um campo de batalha forrado de brutamontes.
A participação de Guinevere na Batalha do Monte Badon foi decisiva para a vitória de Artur. Com sua armadura reluzente e seu arco, conseguiu derrubar vários inimigos, ajudando Artur a vencer esse sangrento combate em “Excalibur”, livro que encerra a trilogia arturiana escrita por Cornwell.
02 – Hester Prynne
Livro: A Letra Escarlate
A personagem do romance de Nathaniel Hawthorne pode ser considerada uma das mulheres mais corajosas da história da literatura. Apesar de ter comido o pão que o diabo amassou, sendo humilhada e espezinhada por uma sociedade puritana, Hester Prynne, jamais baixou a cabeça para nenhum homem ou mulher. Ela nunca abandonou suas convicções, a troco de nada. Aqueles que leram “A Letra Escarlate” sabem disso.
Na rígida comunidade puritana de Boston do século XVII, a jovem Hester Prynne tem uma relação adúltera que termina com o nascimento de uma criança ilegítima. Desonrada e renegada publicamente, ela é obrigada a levar sempre a letra “A” de adúltera bordada em seu peito.
Hester  se vale de sua força interior e de sua convicção de espírito para criar a filha sozinha, lidar com a volta do marido e proteger o segredo acerca da identidade de seu amante.
03 - Katniss Everdeen
Livro: Jogos Vorazes (Trilogia)
Graças a Suzanne Collins, os leitores teens ganharam uma das heroínas mais ‘fuçadas’ dos últimos tempos. Katniss Everdeen é quem dá as cartas na trilogia “Jogos Vorazes” adaptada com grande sucesso para as telonas.
Após a morte do pai, Katniss, então com 16 anos, foi obrigada a assumir a sua família, passando a cuidar da  mãe e da irmã. Munida apenas de arco e flecha, ela começou a caçar animais selvagens para o sustento de todos.
Depois desse teste, a garota teria ainda de enfrentar mais uma prova de fogo: participar de uma competição mortal, juntamente com outros jovens, chamada de Jogos Vorazes, onde apenas um conseguiria sair vivo Katniss vence a competição e ainda arruma tempo para liderar uma rebelião contra o sistema que promove tais jogos.
Que garota!
04 – Lisbeth Salander
 Livro: Trilogia Millennium
Cara, como sou fã dessa menina ousada! Lisbeth Salander é a protagonista da “Trilogia Millennium” do autor sueco Stieg Larsson. Ela e seu parceiro Mikael Blomkvist apareceram pela primeira vez no romance “Os homens que não amavam as mulheres”; depois vieram: “A menina que brincava com fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”.
Lisbeth é uma hacker. Não uma qualquer, mas uma das melhores. Toda tatuada, cheia de piercings e com  um visual punk, ela conquistou uma infinidade de leitores em todo o mundo.
A garota parece frágil e indefesa, mas não se enganem porque no fundo ela é fera. A personagem de Larsson faz justiça utilizando-se dos meios tecnológicos e não mede esforços para conseguir a “sua”  justiça. Lisbeth enfrentou e venceu muitos momentos difíceis em sua vida: conseguiu escapar de uma clinica psiquiátrica após ter sido injustamente internada, passou por abusos sexuais, um lar instável, foi enterrada viva, mas voltou ao mundo dos vivos e sofreu chantagens de seu tutor. Todos que a fizeram sofrer receberam o troco.
05 – Sherazade
Livro: As Mil e Uma Noites
As Mil e Uma Noites, uma das mais conhecidas obras da literatura mundial, provoca interesse por parte do ocidente desde quando o orientalista Antoine Galland recebeu manuscritos em árabe contando essas histórias, e decidiu traduzi-los para o francês, no início do século XVIII. A personagem principal desse romance antológico chama-se Sherazade. Considero-a uma das mulheres mais inteligentes e astutas dos enredos literários. Sabem como ela conseguiu ‘dobrar’ o poderoso sultão Sheriar que a queria matar? Contando histórias. Verdade! Não só ‘dobrou’ o sujeito como o fez se apaixonar perdidamente por ela. Vai ser boa de papo assim lá na Conchinchina!!
No livro “As Mil e Uma Noites”, o sultão está desiludido com as mulheres, pois acredita que todas elas são inféis. Por isso, para se vingar do gênero, decide desposar cada dia uma jovem e matá-la no dia seguinte da noite de núpcias. É nesse exato momento que Sheherazade, a filha do vizir, aparece como uma heroína que tenta salvar as demais mulheres do reino e recobrar a razão do rei. Ela solicita ao pai para desposar o sultão assassino e, na noite de núpcias, pede para contar histórias, pela última vez, para a sua irmã mais nova. Quando a manhã chega, ela interrompe a sua narrativa no clímax da ação, fazendo com que o sultão fique com muita curiosidade, e a deixe viver por mais um dia, com o objetivo de finalizar os seus contos. E é assim que ela sobrevive noite após noite, contando com a curiosidade do sultão para ganhar mais um dia de vida, desenrolando várias histórias para entreter o seu esposo. No milésimo primeiro dia, a raiva de Sheriar é abrandada e ele desiste de seu plano assassino.
Esperta ela, não acham?
06 – Mãe Joad
Livro: As Vinhas da Ira
O romance "As Vinhas da Ira", do escritor norte-americano John Steinbeck,  se desenvolve no período da Grande Depressão nos anos de 1930, no qual o flagelo de um país debilitado causava dramas naturais, como a miséria e o desemprego. O autor utiliza a família Joad como instrumento para contar o drama de milhares de pequenos agricultores americanos que durante o período pós- depressão foram obrigados a migrar da costa leste para a oeste, principalmente para o estado da Califórnia.
Mãe Joad é a força da família e, mesmo diante das dificuldades, consegue solucionar os problemas, mesmo sendo realista e sabendo das dificuldades nas quais a família está inserida.
A mulher é uma rocha e não esmorece, apesar dos grandes problemas que enfrenta. No enredo de John Steinbeck, Mãe Joad vive uma existência de perdas: perde a terra, a família e o filho querido. São perdas concretas insubstituíveis. Mas, mesmo assim ela é uma fortaleza, pois a união de sua família tem um valor enorme. No final do filme, ela diz: “...a mulher se adapta melhor que o homem. Um homem vive meio que, bem, aos solavancos. Bebês nascem e alguém morre, isso é um solavanco. Ele compra um sitio ou o perde, isto é um solavanco. Com a mulher, é constante como um riacho. Pequenos redemoinhos e cascatas, mas o rio continua.” Esta frase deixa evidente que mãe Joad não veio para brincadeiras em “As Vinhas da Ira”. A matriarca dos Joad possui uma percepção de gênero que transcende a dimensão de classe. É uma percepção concreta que incute uma sabedoria popular, de que a força está com a mulher. 
07 – Scarllet O’Hara
Livro: E O Vento Levou
Costumo dizer que Scarllet é capaz de tudo para conseguir os seus objetivos. Ela é fantástica a sua maneira. Concordo que Scarllet não agradou todos os leitores ou cinéfilos, mas independente disso, não podemos negar a sua coragem.
De menina mimada a heroína. Scarllet matou, roubou e enganou uma batelada de pessoas, principalmente homens, os quais mantinha sob os seus pés. Apesar de tantos defeitos, jamais abandonou a sua família e foi responsável pelo seu sustento durante o período pós-guerra.
"mocinha" corajosa e obstinada , porém, cheia de defeitos como qualquer pessoa real. Scarlett bebe , se insinua para um homem casado, come demais em público, negocia com os inimigos , cobra as dívidas dos amigos , aceita dançar mesmo estando de luto, enfim, desafia toda uma moral severamente respeitada pela sociedade a que pertence.
Esta é Scarllet O’Hara, uma das maiores musas da literatura, personagem principal do romance “E O Vento Levou” de Margaret Mitchell.
08 – Celie
Livro: A Cor Púrpura
Celie, personagem principal do livro “A Cor Púrpura” de Alice Walker, é uma mulher de fibra. Em 1909, numa pequena cidade americana, Celie, uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã. E para complicar, é doada para um sujeito bruto que a trata simultaneamente como escrava e companheira.
Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África.  Com o virar das páginas, Celie vai conquistando o seu espaço num ambiente preconceituoso, revelando o seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.
Uma mulher resiliente que jamais se quebra diante das adversidades da vida. Verdadeira vencedora.
09 – Hermione Granger
Livro: Harry Potter (Saga)
Talvez Harry Potter não estivesse mais no mundo dos vivos s e não fosse sua inseparável amiga Hermione Granger. Cara! Ela salvou o menino-bruxo de cada enrascada. Muitas vezes quando ‘o negócio’ esquentava era Hermione quem assumia o comando da situação. – “Exaaa comigooo!” Eta menininha porreta! Ela utiliza suas habilidades para ganhar independência, estando sempre pronta para aceitar novas responsabilidades. Inteligente, voluntariosa, esperta e muito corajosa. Parabéns para J.K. Rowling por ter criado uma personagem tão supimpa.
Hermione, sempre Hermione.
10 – Aethelflaed
Livro: Crônicas Saxônicas
A personagem do romance de Bernard Cornwell é simplesmente fantástica. Um exemplo de mulher. Além de muito bonita, Aethelflaed é corajosa, intrépida, inteligente e guerreira. A princesa de Crônicas Saxônicas usa toda sua perspicácia em “O Trono Vazio” visando tomar o trono da Mércia. Para conseguir o seu objetivo, ela passou, até mesmo, por cima de seu ardiloso marido, Ethelred que já estava com um pé na cova. Desta maneira, a filha do Rei Alfredo consegue uma verdadeira proeza: ser a primeira mulher em toda a história da Mércia a assumir o trono.
Aethelflaed é fodástica. Não tem como não se apaixonar por essa mulher. Enquanto seu marido Ethelred é um covardão de ‘mão cheia’, ela é uma guerreira completa; uma combatente de fazer inveja para muitos brutamontes com escudo e machado nas mãos. Como não bastasse, ela ainda é inteligente e perspicaz. Cornwell faz questão de destacar todos esses atributos da moça em “O Trono Vazio. É ela que salva Uhtred, em cima da hora, da humilhação de ter de se entregar – juntamente com as suas tropas – para um asqueroso inimigo à mando de Ethelred. Cara, ela sozinha, somente com a sua espada e a sua formosa égua branca Gast,  esculhamba o sujeito e seus homens, mandando-o seguir as suas ordens e não as de Ethelred.
Aethelflaed é fera!
Por hoje é só.

Fui, galera!

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