sábado, 26 de março de 2011

O Rei do Inverno (As Crônicas de Artur)


Acabei de reler  “O Rei do Inverno”, primeiro volume da série “As Crônicas de Artur”, e com certeza estarei relendo tantas outras vezes porque a história de Bernard Cornwell é delirantemente fantástica. A série desmistifica toda a lenda arturiana como conhecíamos em nossa infância ou adolescência.
Esqueça a Távola Redonda, Camelot, espada encantada, donzelas suaves, Santo Graal e um Merlin com poderes sobrenaturais. Se prepare para ver um Lancelot covarde, um Artur sem coroa, um Mordred aleijado e um Merlin malandro e charlatão, mas muito inteligente e perspicaz. Você deve estar se perguntando: “Caramba! O autor arrebentou a história de Artur!!” Aqueles que pensam dessa maneira, se enganam redondamente. Pelo contrário, Cornwell reescreveu a história de Artur... do verdadeiro Artur, sem damas do lago, monstros que propõem soluções de enigmas, cavaleiros galantes e espada encantada que num passe de mágica sai do meio de uma rocha.
Todo o enredo dos três livros que compõem a “As Crônicas de Artur” foi escrito baseado em pesquisas arqueológicas e documentos importantes resgatados das décadas de 540 e 600 d.C. Por isso, aqueles que lêem os livros passam a ter uma idéia mais realista de quem foi esse grande comandante guerreiro que viveu nos séculos V e VI e que enfrentou os saxões defendendo a Grã-Bretanha de uma invasão. Como já disse, uma visão realista da história de Artur, sem fantasia e contos de fadas.
Em  “O Rei do Inverno”, primeiro volume da série, vemos o nascimento do príncipe Mordred, herdeiro do trono da Dumnonia, principal reino da Britânia (Inglaterra), e por isso cobiçado por outros reis poderosos da mesma terra.
Com a morte do pai de Mordred; o avô do pequeno príncipe herdeiro, o poderoso  Uther, rei da Dumnnonia e também Grande Rei (Pendragon) de toda a Britânia - já muito doente e perto da morte – decide, contra sua vontade, convoca r o seu filho bastardo Artur para ser um dos guardiões do pequeno Mordred até que ele cresça e tenha condições de assumir o trono. Com a morte de Uther, cresce a cobiça dos reis de Silúria e Powys em tomar o trono da criança que para complicar, ainda nasceu aleijada, com um dos pés completamente tortos, o que coloca em dúvida a sua capacidade de assumir o controle do reino mais importante de toda a Britânia..
A situação fica  insustentável quando Artur  recusa se casar com Ceinwyn, filha do ambicioso e vingativo Gorfyddyd, rei de Powys, para fugir com Guinivere,  a amante do rei. Esta traição de Artur, cometida em nome do amor, coloca um ponto final na esperança de um acordo de paz entre os reinos da Britânia. Até mesmo os outros reis aliados da Dumnnonia que juraram lealdade para proteger Mordred rompem a aliança, o que força Artur e seus fiéis guerreiros a lutarem sozinhos contra os reinos de Powys e Silúria na apoteótica batalha do “Vale de Lugg”.
Toda essa história é narrada, anos depois dos acontecimentos, por Derfel, um dos guerreiros mais poderosos de Artur. Em “O Rei do Inverno” aprendemos também a conhecer Derfel, já que a sua história se funde com a de Artur, pois além de ser seu confidente também lutou todas as batalhas ao lado de seu senhor.
O livro imortalizou a famosa frase: “Parede de Escudos”, tática de batalha muito utilizada pelos guerreiros daquele tempo.
As cenas de batalhas descritas por Cornwell, principalmente o confronto final que ocorre no “Vale de Lugg”, são eletrizantes e fazem com que o leitor “devore” as páginas da obra. O carisma dos personagens Artur e Derfel; a ambigüidade da feiticeira Nimue, ora doce como um anjo, ora violenta como um furacão, além da enigmática Guinivere também contribui para que a leitura fique ainda mais interessante. Até mesmo a covardia de Lancelot atrai o leitor. É curioso ver a desmistificação de um personagem, que em obras arturianas anteriores, era tido como um dos mais valentes cavaleiros da Távola Redonda. Na saga de Cornwell, Lancelot não passa de um cavaleiro medroso e arrogante que paga aos bardos para escrever histórias heróicas sobre ele, mas que na hora da batalha... se esconde ou foge.
Agora, estou começando a reler, “O Inimigo de Deus”, a segunda parte das “Crônicas de Artur”, e com certeza, tão bom quanto os outros dois que completam a saga.. Inté!

4 comentários:

  1. Nossa! adorei esta síntese que fez... voltei ao tempo e reli mentalmente algumas páginas do livro. muito legal! David.

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  2. Obrigado Davi,
    Agora imagine essa história sendo transposta para ss telas do cinema... Vamos torcer para que isso não demore.

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  3. José A., tenho 11 anos, já li o Rei do Inverno e pretendo ler os outros! Sem dúvida, tudo o q vc disse é o q pensamos antes de ler, enquanto lemos e depois q acabamos, queremos reler. Adorei suas críticas sobre o livro e não se deixa de lado a sua sinopse!
    Pode ter certeza q continuarei lendo suas críticas e buscarei daí, um caminho para ler outros livros.
    Concordo! Seria ótimo ver a trilogia nas telas.
    Obrigada, de uma leitora dedicada!

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    Respostas
    1. Nossa! Fiquei muito feliz em saber que aos 11 anos, você já ganhou gosto pela leitura de sagas tão especiais quanto "As Crônicas de Artur". Feliz, tbém, em saber que acompanha o blog com frequência.
      Thanks!

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