29 agosto 2017
“A Sombra do Vento”, o livro que misteriosamente sumiu da minha estante
Há algum tempo teve um programa especial de fim de
ano na emissora de rádio da minha cidade chamado “À Procura de Papai Noel”.
Nele, um grupo de crianças tinha a missão de localizar o bom velhinho que, de
repente, havia sumido, deixando as arvores de Natal vazias e consequentemente,
os baixinhos sem presentes. A pergunta que se repetia a exaustão durante todo o
programa era: “Onde está o Papai Noel?”.
Ontem, vivi uma situação semelhante; bastou trocar o
bom velhinho pançudo de roupas vermelhas por um livro. “A Sombra do Vento” de
Carlos Ruiz Zafón – primeiro volume da saga “O Cemitério dos Livros Esquecidos”
– iria me proporcionar um grande presente, daqueles com aura de Natal: as
chaves para entrar no mundo de Julian Carax, Daniel Sempere, Fermin Romero,
Clara Barceló e companhia. Digamos que a obra de Zafón seria o meu Papai Noel.
Entonce... O livro sumiu!! Verdade! Como se fosse o
próprio Papai Noel fujão do programa de rádio. Tudo aconteceu na noite desta
segunda-feira (27). O menino aqui, vinha acalentando desde as primeiras horas
do dia, a deliciosa expectativa de reler “A Sombra do Vento”. Tomei essa
decisão após comprar “O Labirinto dos Espíritos” que fecha a saga “O Cemitério
dos Livros Esquecidos”. Apesar de já ter lido e adorado os três primeiros volumes
– “A Sombra do Vento”, “O Jogo do Anjo” e “Prisioneiro do Céu” – optei por rele-los
antes de devorar o quarto e último livro da saga.
Cara, ainda me lembro como viajei na leitura de “A
Sombra do Vento” em 2014. Caraca, que
história! O meu desejo de rele-lo era quase incontrolável; então, quando chegou
o momento, por volta das 23H30min, eis que me dirijo a minha de leitura para
cerimoniosamente retirá-lo da estante. Estendi
o braço, abri as mãos para segurá-lo, mas... mas... cadê o livro!! Corro até o
computador, confiro o numero catalogado, volto a estante, mas o livro com o tal
numero não está lá. Demorei aproximadamente 40 minutos para conferir todos os
livros daquela estante, sem sucesso.
Sabe quando você tira o doce da boca de uma criança,
antes dela dar a primeira e desejosa mordida? Pois é, foi assim que me senti. A
própria criança sem o seu doce.
Galera até agora não sei onde o livro foi parar. No
mês passado, quando dona Chiquinha veio fazer uma faxina em minha casa, foi
avisada pela Lulu para que não limpasse as estantes que são os meus verdadeiros
xodós, mas a bondosa mulher insistiu em fazer o serviço completo. Como Lulu é ainda
mais bondosa do que a própria dona Chiquinha, acabou concordando. E assim, lá
vai a dona Chiquinha limpar as minhas estantes. Cara... será que ela trocou
algum livro de lugar? Quero dizer: será que a mulher trocou “A Sombra do Vento”
de lugar? Se trocou, eu não consegui encontrá-lo e perguntar, agora, para a
dona Chiquinha não vai adiantar. Talvez, ela responda: “Claro que não!” ou quem
sabe: “Mininu, não me lembro”. Melhor esquecer.
Bem... tem ainda o lance do “me empresta esse livro?”. Antigamente, todos que iam até a minha
casa e viam aberta a porta da minha ‘saletinha’ de leitura, faziam questão de
entrar – vejam bem, a maioria não pedia para entrar, simplesmente, já iam
entrando – no local para ficar observando os livros. E volta e meia vinha o
pedido: “Me empresta esse?”. Meu, que chute certeiro nas bolas. Como doía essa
perguntinha. O que eu poderia dizer? O livro não é meu, mas está na minha
estante e ainda por cima catalogado com um número? É... acho que essa desculpa
não iria colocar. Poderia, então, lascar simplesmente: “Não empresto!! E vamos
saindo daqui, rápido, vamos, vamos! Acabou a festa!”. Galera, dizer tudo isso na
brincadeira é fácil; agora ter a atitude para dizer ‘na lata’ é difícil. Bem,
que eu me lembre ninguém me pediu “A Sombra do Vento” emprestado, mas sabe como
é... A nossa memória, às vezes, falha e
a minha já passou dos 50, para ser exato, 54. Portanto, os meus neurônios podem
estar querendo me pregar alguma peça.
O lance da reforma. Pois é, lembrei-me também do período
em que reformei a casa. Isto foi há aproximadamente dois anos. Na época, eu e Lulu
encaixotamos todos os livros para protegê-los do pó, já que optei por passar
sinteco no piso da minha humilde residência, quero dizer, da minha humilde
bibliotequinha. E lá ‘vamu nóis’ encaixotando tudo o que vemos pela frente! Depois,
na operação ‘Retorno às Estantes’ demoramos quase um dia para espaná-los, limpa-los
e guardá-los. Ontem, enquanto batia o desespero de não encontrar Sempere e Carax em seus lugares, bateu aquela dúvida: “Será
que enfiei esse livro em algum buraco negro? Entenda-se ‘buraco-negro’ por aquele
lugar errado na estante ou então, esquecido numa caixa que já foi embora. Não,
não. Eu e Lulu sempre fomos muito cuidadosos quando estamos manuseando qualquer
livro, seja ele velho ou novo. Mas mesmo assim, fica sempre fica aquela
pontinha de dúvida, né?
Cara, quer saber de uma coisa. Vou parar de ficar
conjecturando. C-h-e-g-a! O livro sumiu, correto? Entonce não adianta ficar
chorando pelo leite derramado. Sabem o que eu fiz, tão logo dei ciência do
sumiço? Já adquiri um novo volume de “A Sombra do Vento”, o qual prometo à mim
mesmo, guardá-lo com todo o cuidado que não tive com o seu antecessor. E se
alguém me pedir emprestado, deixarei de lado as minhas boas maneiras e rosnarei
como um pitbull enfurecido: Argghhh.... Nãaaaaoo empresto e ponto final!!!!
Brrrrrrrrr!!!
Agora, enquanto aguardo a chegada da obra de Zafón,
estou lendo “O Casamento” de Nicholas Sparks. Optei por escolher um livro light
e bem curtinho, enquanto Sempere, Firmin, Carax e toda sua turma não chegam.
Inté!
28 agosto 2017
O Livro dos Mortos do Rock
Alguns leitores consideram o livro de David Comfort
sensacionalista, mas uma coisa eles não podem negar: “O Livro dos Mortos do
Rock” tem muitas informações interessantes e que conseguem prender a atenção da
galera até a ‘última gota’. O autor foi minucioso em suas pesquisas e vasculhou
a fundo a vida das sete saudosas celebridades do mundo do rock. A escrita no formato
‘jornalismo investigativo’ aguça a curiosidade dos leitores fazendo com que
eles devorem em pouco tempo as 408 páginas recheadas de informações bizarras,
engraçadas, chocantes e tristes envolvendo o lado secreto – desconhecido dos
fãs – dessas lendas do rock.
Com relação ao carma de sensacionalista que a obra
carrega; olha... não concordo. Comfort escreveu o seu livro baseado em
depoimentos de pessoas próximas dos sete artistas. Entenda ‘pessoas próximas’
como: empresários, filhos, esposas, amantes, amigos, pais, mães, avós e o
escambau a quatro. Uma miscelânea de informações dadas por fontes confiáveis
que tiveram a oportunidade de conviver ao lado das sete feras. Comfort
completou essas informações com uma vasta bibliografia, incluindo livros e
reportagens publicadas em jornais conceituados. Portanto, não vejo onde está o
sensacionalismo.
Agora, falando da obra em si, trata-se de um livraço.
Prato cheio para os fãs que quiserem conhecer detalhes curiosos sobre a vida de
Elvis Presley, Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, John
Lennon e Jerry Garcia, ou seja, as sete feras a que me referi no início do
post.
Valendo-se de diversos pontos de vista, tanto de
pessoas próximas quanto dos próprios astros, Comfort mostra que, apesar de
personalidades diferentes, suas histórias de vida tiveram muito em comum.
Ao desafiar os limites da liberdade e da rebeldia,
os sete conheceram o céu e o inferno do estrelato, a mais completa euforia e a
depressão arrasadora. Tornaram-se solitários e autodestrutivos, entregues ao
vício e às pressões por parte de amigos, fãs e empresários.
“O Livro dos Mortos do Rock” pode ser considerada
uma obra desmistificadora já que rompe inúmeros paradigmas, mostrando o chamado
‘lado negro da força’ desses roqueiros. Depoimentos de pessoas ligadas a Elvis
Presley revelam, por exemplo, a intenção do rei em contratar um assassino de
aluguel para eliminar um sujeito que teria saído com uma de suas garotas. O
livro dá detalhes sobre esse fato e o que motivou Elvis a tomar essa atitude
drástica, que felizmente não se concretizou.
O capítulo sobre John Lennon, mostra um ex-beatle dependente
de sua mulher Yoko Ono que determinava tudo o que ele devia ou não fazer, das
coisas mais simples as mais complexas. Vemos, ainda, um John que não gosta de
ter amigos e nem vê importância nisso. – Quando preciso de um amigo, eu alugo –
diz ele.
O livro simula – através de depoimentos – como teria
sido os últimos instantes do chamado ‘Grupo
dos Sete”. Hendrix, Morrison e Cobain teriam sido assassinados? Juro que fiquei
na dúvida, principalmente com relação a Cobain. As provas apresentadas por
detetives e perito legistas, de fato, conseguem plantar a semente da dúvida no
leitor.
As brigas homéricas entre Morrison e Joplin quando
estavam no auge de suas carreiras – eles eram inimigos ferrenhos que se odiavam
– também são relatadas; a morte de Elvis que poderia ter sido evitada pela sua
última namorada, Ginger Alden, que dormia no quarto ao lado do banheiro onde
The King teve o suposto enfarte; a mania bizarra do Grateful Dead, grupo de
Jerry Garcia, em querer drogar todas as pessoas que tivessem contato com eles. Estas
são apenas algumas passagens curiosas do livro.
Todos os Sete, exceto um, tentaram suicídio ou
ameaçaram cometê-lo. Todos os Sete tornaram-se viciados. A maioria morreu por
excesso de drogas. Se um deles não tivesse morrido baleado, poderia muito bem
ter tido o mesmo fim.
Seis dos sete imortais foram presos diversas vezes.
Foras da lei, rebeldes, pregadores da liberdade, tiveram uma postura gloriosa
contra o establishment. O sétimo foi o único de sua espécie, fazendo sua
própria lei - afinal, ele era o establishment: o Rei. O presidente Nixon o
nomeou agente federal de narcóticos. O Rei nunca se permitiu ser um drogado de
rua: nos últimos 20 meses de vida, consumiu 12 mil tipos diferentes de
analgésicos, todos receitados por médicos.
A morte também assombrou a vida da maioria deles
desde a infância. A mãe de dois deles faleceu em acidente de automóvel. A mãe
de outros dois bebia até cair. Aos 5 anos de idade, um deles viu o pai se
afogar. Outro astro insistia em dizer que possuía os "genes do
suicídio" porque os membros de sua família haviam tirado a própria vida.
Achei o livro impactante.
Recomendo.
Detalhes
Livros dos Mortos do Rock
Autor: David Comfort
Editora: Aleph
Páginas: 408
Preço: R$ 55,00 em média
25 agosto 2017
“Origem”, novo livro de Dan Brown, chega nas livrarias em outubro. Desta vez, Robert Langdon tenta descobrir de onde viemos
O Marcos, um colega de trabalho – cara hiper legal –
me disse há alguns dias algo engraçado, mas ao mesmo tempo sério. Ao chegar na
redação, ele disparou: - Moreira, sabe qual a diferença entre o Kvothe e o
Robert Langdon? – eu respondi que não. – O Langdon demora uma eternidade, mas um
dia chega, já o Kvothe, demora uma eternidade e meia, mas nunca chega. – Cara
achei o máximo essa filosofia tupiniquim.
O Marcos quis dizer que Dan Brown demora muuuiiito
para lançar uma nova sequência das aventuras de seu personagem principal, o
simbologista de Harvard, Robert Langdon; mas por outro lado, Patrick Rothfuss
demora o dobro de tempo para colocar no mercado um novo enredo do arcanista
Kvothe que lhe deu projeção mundial.
- Digamos que os fãs de Langdon sofrem bem menos do
que os fás de Kvothe. – disparou Marcos.
Vejam bem, Rothfuss lançou “O Temor do Sábio” – 2º
volume da trilogia “Crônica do matador do Rei” em 2011, enquanto Brown liberou “Inferno”
-4º livro das peripécias do professor universitário metido a Indiana Jones - em
2013. Após quatro anos, Brown já está com o quinto romance do personagem
engatilhado para entrar no mercado literário, enquanto Rothfuss, após seis
anos, ainda continua empacado. Cara, ninguém tem notícias de “Os Portões de
Pedra” que conclui a trilogia “Crônica do Matador do Rei”. Caraca!
Tudo bem pessoal, deixando as analogias de lado,
vamos ao que interessa: ao novo livro de Brown que você, com certeza, está
contando nos dedos a hora de chegar.
“Origem” tenta reeditar o sucesso de “Anjos eDemônios” (2000), “O Código Da Vinci” (2003), “O SímboloPerdido" (2009) – na minha opinião, o pior de todos - e Inferno (2013). Os cinco livros
pertencem ao chamado ‘Universo Langdon’ do autor. A previsão é de que o novo livro,
que já está em pré-venda, desemboque nas livrarias brasileiras em será lançado internacionalmente no dia 5 de
outubro.
Em Origem, Langdon percorrerá cenários como o
Mosteiro de Montserrat, a Casa Milà (A Pedreira) e A Sagrada Família, em
Barcelona, o Museu Guggenheim, em Bilbao, o Palácio Real de Madri e a Catedral
de Sevilha.
Em comunicado a impressa, revelou que Origem levará
Langdon as duas questões mais importantes da humanidade , por exemplo, de onde
viemos, e a resposta promete sacudir a Terra.
Os cenários de seus livros são peças-chave no enredo,
a exemplo de sua obras anteriores.
"Sempre considerei a Espanha uma terra de belos
paradoxos, um lugar que possui uma rica tradição e uma rica história que, ao
mesmo tempo, não deixa de mirar o futuro inovando em ciência e tecnologia”,
explicou Dan Brown em comunicado.
Ele prossegue afirmando, “quando quis escrever uma
história que mesclasse o antigo e o moderno, sabia que só podia escolher um
lugar para ambientá-la”.
Dan Brown escolheu situar o livro na Espanha por
esses motivos narrativos, mas sua ligação pessoal com o país também influenciou
na decisão. “Espanha foi o primeiro país que visitei fora dos Estados Unidos.
Eu tinha 16 anos e vivi em Astúrias com uma família maravilhosa. Durante minha
visita, me apaixonei pela cultura, pela história e, sobretudo, pelas pessoas e
sua língua.”
Taí galera, agora só resta aguardar com toda a nossa
expectativa a chegada da nova aventura de Langdon e torcer para que cumpra o
seu objetivo principal: satisfazer o apetite de seus vorazes leitores.
Vejamos.
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