27 maio 2024
Cinco coletâneas de terror lançadas recentemente que não podem faltar em sua estante
Eu adoro coletâneas de terror; simplesmente... a-d-o-r-o!
Principalmente quando estou com pouco tempo para ler um enredo de 300 ou 400
páginas; e como sou fã do gênero terror, já viu né? É paixão, na certa. Por
isso, quando são anunciados lançamentos na área, a comemoração é mais do que garantida.
Neste final de semana já efetivei a compra de duas
coletâneas que foram lançadas neste ano: Coelho
Maldito e Mais Sombrio. Quando
acabei de fechar a compra tive um insight de escrever um texto indicando apenas
coletâneas de terror, mas coletâneas lançadas recentemente e que tivessem caído
no agrado tanto da crítica quanto do público; e assim, nasceu esse post.
Selecionei cinco livros com historietas de terror
lançados há menos de dois anos – três em 2024, um em 2022 e outro em 2023 – que
estão sendo muito muito elogiados pela galera. Vamos a eles.
01
– Coelho Maldito (Bora Chung)
O que você acha de um conto onde o personagem passa a
ser assombrado pelos seus próprios excrementos? Isso mesmo: na história, os
excrementos de uma mulher formam uma cabeça que passa a assombrá-la,
perseguindo-a em vasos sanitários. A figura monstruosa cresce e, quando se
torna uma versão jovem da personagem, condena-a a tomar seu lugar dentro dos
encanamentos. Caráculas?!
E que tal esta outra história onde um abajur em
formato de coelho acaba levando toda uma família à ruína. Nesse enredo, quando o
neto de um empresário toca na luminária, passa a ter alucinações com o animal,
que então começa a roer o seu cérebro! Uloko!!
Pois é, esse é o tom dos contos que estão em Coelho Maldito, primeira obra da
sul-coreana Bora Chung publicada no Brasil em 20 de fevereiro de 2024. Em dez contos perturbadores, a
coletânea expõe até que nível a crueldade pode chegar e o caráter destrutivo da
ganância humana.
O livro de Chung foi finalista do International Booker
Prize que é concedido anualmente à melhor obra de ficção de todo o mundo que
tenha sido traduzida para o inglês e publicada no Reino Unido.
Os seus dez contos, transitam entre realismo mágico,
folclore, horror, ficção científica e fantasia, partindo de elementos insólitos
para narrar histórias assombrosas que tocam em temas profundamente reais. A
coletânea é a primeira obra de uma das mais notáveis escritoras sul-coreanas da
atualidade, publicada fora da Coreia.
02
– Mais Sombrio (Stephen King)
Pera aí porque este lançamento vale um sonoro e longo
Ihauuuuuuuuuuuuuuuu!!!! Afinal de contas, trata-se de um lançamento de ninguém
mais do que o mestre do terror. Cara, Stephen King está de livro novo na praça
e ainda por cima, um novo livro de contos. Adivinhem se não comprei?!
Podemos dizer que Mais
Sombrio, lançado nesse mês de maio, é uma obra comemorativa porque marca os
50 anos da estreia de Stephen King com a publicação de Carrie.
A obra apresenta doze histórias, das quais cinco são
inéditas, que abordam temas como luto, destino, o sobrenatural e os limites
entre o conhecido e o desconhecido. A primeira, Dois estafermos com talento, gira em torno de duas personagens com
capacidades muito especiais. A última, O
Homem-Resposta, aborda o dom da clarividência e questiona se uma vida
marcada pela tragédia tem significado. Mas sem dúvida, a grande novidade fica
para o conto Cascavéis, sequência do
aclamado romance Cujo.
Cara, acredite, é verdade: Tio King acabou de lançar
um novo livro de contos de terror. Ihauuuuuuuuuuuuuuuu!!!!
03
– Histórias Selecionadas (Neil Gaiman)
Este sujeito aí do subtítulo acima é do mesmo quilate
do Tio King, afinal estamos ‘falando’ de Neil Gaiman; escritor que já vendeu
mais de 1,2 milhão de livros no Brasil e que deram origem a adaptações de
sucesso, como “Sandman”, na Netflix, e “Good Omens: Belas Maldições”, no Prime
Video. Ah! Não posso me esquecer também de “Coraline” que retornará aos cinemas
em agosto numa versão 3D remasterizada.
Agora me responda se você compraria um livro que
reunisse os melhores contos desse autor, desde o início de sua carreira até
hoje? Pergunta bem inocente, não é? (rs).
Com mais de quarenta anos de carreira, Neil Gaiman
sempre navegou por inúmeros gêneros e formatos, conquistando fãs em todo o
mundo e importantes prêmios literários.
Em Neil Gaiman:
Histórias Selecionadas, você vai encontrar histórias de terror, de humor,
de amor, de fantasma, de fantasia e de mistério — tramas que transbordam seres
fantásticos, pessoas comuns com poderes esquisitos, pessoas esquisitas com
problemas comuns, mundos maravilhosos e terríveis, e o mundo real, que não é
tão real quanto você talvez imagine.
Trata-se de uma das maiores e mais abrangentes
coletâneas do autor já publicadas, a obra é uma verdadeira retrospectiva
literária da carreira de Gaiman, com textos que vão de 1984 a 2018, e também um
testemunho da criatividade e do talento único do autor para construir tramas e
universos únicos.
O livro foi lançado em abril deste ano. Portanto, está
acabando de sair do forno. Imperdível!
04
– O Telefone Preto e Outras Histórias (Joe Hill)
Creio que um livro lançado em 2022 ainda tenha o poder
de despertar o interesse da maioria dos leitores que apreciem obras
contemporâneas. E se essa obra tiver sido escrita por Joe Hill, filho da lenda
do terror Stephen King, com certeza, ela ganhará o status de atemporal. O Telefone Preto e Outras Histórias se
enquadra nessa categoria.
Publicado anteriormente no Brasil sob o título Fantasmas do Século XX, este livro
tenebroso de Hill tem histórias que vão de temas clássicos da literatura de
horror até contos sobre mundos fantásticos.
Entre os contos, temos um fantasma que assombra um teatro
e já viu todos os filmes que já entraram em cartaz; uma criança solitária que
não consegue fazer amigos porque é o único menino inflável da cidade; um
gafanhoto de dois metros e meio de altura, que faz todos em Calliphora tremerem
ao ouvi-lo cantar; dois irmãos que constroem um forte de papelão com portas que
levam a outros mundos; um menino trancado em um porão manchado com o sangue de
meia dúzia de crianças assassinadas e um telefone antigo há muito desconectado…
mas que toca a noite inteira, com ligações dos mortos.
Um livro para agradar em cheio os amantes de histórias
curtas de terror.
05
– Grande Obras de Edgard Allan Poe (Edgard Allan Poe)
Em maio de 2023, a Camelot Editora lançou um box
luxuoso contendo três livros do gênio Edgard Allan Poe.
Os três livros da caixa exploram o mundo sombrio e
misterioso do escritor estadunidense, nascido em Boston, em 1809. Este box
reúne três das mais icônicas coletâneas do mestre do horror e do suspense: O Corvo e Outros Contos, O Escaravelho de Ouro e Outros Contos e O Gato Preto e Outros Contos. Cada livro
é uma jornada inesquecível através de narrativas macabras, enigmáticas e
misteriosas, desafiando a lógica e explorando os recessos mais profundos da
psicologia humana.
Com seu estilo literário singular e sua habilidade de
criar atmosferas de arrepiar, Poe continua a ser uma influência duradoura no
mundo da literatura de terror.
O box traz ainda a historieta A Queda da Casa Usher, conto que inspirou a conhecida série da
Netflix.
Nada mais justo do que fechar essa lista com o
escritor que se tornou emblemático e influenciou grandes nomes da literatura
contemporânea de terror.
Taí galera; se deliciem e... boa leitura!
23 maio 2024
E vamos de divagação: Uma síndrome ‘chata de doer’ chamada SII quer me obrigar a modificar o meu estilo de vida
Ontem, ao acordar, me virei para Lulu e disse que
queria desabafar com ela e também com os meus seguidores do blog e
consequentemente com os seguidores do Face e Insta. – Pode começar, estou aqui.
Capricha no confessionário – disse-me ela com aquele sorriso matreiro que sempre
levanta o meu astral por mais baixo que esteja. Dado o aval, rasguei o verbo ou
o confessionário como ela mesma disse (rs). Depois dos muitos blá-bla-blás e
ti-ti-tis, disse que estava com vontade de desabafar também no blog. Lulu que
não é ciumenta com a galera que acompanha as minhas postagens; ao contrário,
ela me incentiva a fazer isso, disse: "Isso mesmo, afinal o blog já é uma
extensão de sua vida e fugir dos assuntos literários, as vezes, não faz mal
nenhum, pelo contrário, faz bem.
Pois é galera, e assim surgiu a ideia dessa postagem
ou, como queiram, dessa nova divagação, mais uma pra coleção de outras muitas
que já publiquei nesse espaço (rs).
‘Entonce’, como o próprio título do post já induz, deu
para perceber que eu sofro da tão comentada e ao mesmo tempo ojerizada Síndrome
do Intestino Irritável, mal que atinge cerca de 20 a 25% da população
brasileira sendo mais comum entre as mulheres, numa proporção de três delas
para cada homem. E o sortudo aqui, foi um dos “premiados” nessa estatística.
A Síndrome do Intestino Irritável, a tal SII, não é
uma doença que pode evoluir para algo mais grave, mas como o próprio nome diz,
se trata de uma síndrome – um distúrbio funcional do trato gastrintestinal - e
por isso mesmo não tem cura, somente dietas e quando necessário, medicamentos
para o controle dos seus sintomas. E acredite três desses sintomas são
verdadeiros carrascos, e carrascos da idade média, daqueles que matavam sem dó
nem remorso. O primeiro carrasco é a constipação; o segundo, a diarreia; e o
terceiro, a cólica. Como a minha SII é do tipo mista, sofro com os dois
primeiros sintomas alternadamente com predominância para diarreia. Quanto as
cólicas, às vezes. Os sintomas da SII podem piorar com a ingestão de alguns
alimentos, situações estressantes e episódios de ansiedade.
Um dos motivos de ter ficado assim ‘meio’ down com
vontade de escrever essa postagem foram os últimos papos que tive com os meus
médicos, incluindo a nutricionista. A primeira ‘coisa’ que me prometeram foi a
melhora da minha qualidade de vida. Opa!! Quando me disseram isso, fiquei muito
feliz – Lulu!! Encomenda a bateria de foguetes. Vamos comemorar porque vou
ficar livre dessa bagaceira!!” – comemorei com o meu subconsciente. Mas depois,
um sininho tilintou em minha mente me alertando – Jam, a troco de que você irá
ganhar uma possível melhora em sua qualidade de vida? O que você deverá dar em
troca? – Pronto! Já fiquei assim meio que... desconfiado.
Quando perguntei para eles o que precisaria para ter
uma melhora na qualidade de vida, tanto médico quanto nutricionista foram
unânimes em responder que somente os remédios não bastariam, já que eu teria de
abandonar certos alimentos. Pronto! Quando me disseram isso, o meu
subconsciente, novamente tocou aquele sininho irritante – Ahahaha!! Não lhe
avisei que aí tinha muvuca?!! – Após esse novo alerta, criei coragem e
perguntei quais seriam os alimentos que eu teria de cortar do meu cardápio. Foi
nesse momento que a nutricionista me deu a sentença, revelando a listinha e, cá
entre nós, uma listinha bem FDP. Vamos a ela: feijão (adoro); leite (gosto
demais; café da manhã sem ele não é café da manhã); queijo (amoooo! No café da
manhã, no aperitivo das happyhours, para beliscar e etc, etc e mais etc);
manteiga e margarina (essencial para mim. Como saborear o pão do nosso café da
manhã, sem ela?); massas (amo, nos domingos, feriados e na visitas de amigos,
uma lasanha ou macarronada com um ‘molhaço’ à bolonhesa, é... um “manjar” dos
deuses do Olimpo); couve-flor, maçã, pera, manga, abacate, iogurte, sorvete e,
deixei eles por últimos porque são as minhas paixões e também as paixões de
Lulu: a nossa ‘menina’ cerveja e o nosso ‘menino’ vinho. Nos finais de tarde
antes do jantar, após termos concluídos mais um dia estressante de serviço, uma
cervejinha se transforma num verdadeiro remédio (rs). Quanto ao vinho, quando
recebemos alguns amigos em casa que apreciem uma safra bem especial; uhauuuu! A
conversa se tornar muito mais interessante. E não é verdade que também pediram
a ‘cabeça’ dessa “menina” e também desse “menino”?!! Confesso que foi o golpe
de misericórdia. Cara, como doeu (rs). A chamada “Dieta FODMAPs enterrou o meu
ânimo.
Vejam bem galera, não é escapismo da minha parte. Sei
da importância dessa dieta no controle dos sintomas da SII, mas não posso negar
que ela restringe a maioria de alimentos básicos do nosso dia a dia. Tanto é verdade
que eu disse para o meu gastro e a nutro - grandes amigos meus e por quem tenho
o maior carinho, por isso, ‘brincamos’ muito: – Putz, quer dizer que eu vou
viver só de arroz?!! – Ao ouvirem isso, eles entraram na brincadeira e
responderam – Já pensou, ele bem soltinho? Uma delícia!
Esta frase que soltei nos consultórios do meu médico e
da minha nutricionista fez com que eu me lembrasse da frase da conhecida modelo
Yasmin Brunet que também tem a Síndrome do Intestino Irritável. Ela revelou durante
o BBB-24 que tem essa síndrome. Em conversa dentro da casa – logo no início da
competição, em janeiro - ela explicou que não poderia comer os alimentos que
sobraram para a Xepa por causa da condição. Foi quando ela desabafou, se referindo
a Davi (vencedor do BBB-24): “Tô com raiva também porque ele acabou com nossa
comida, não tem nada para comer. Não posso comer feijão, lentilha, nem
grão-de-bico. Tenho síndrome do intestino irritável, tá me arregaçando isso, me
fazendo muito mal. Ele acabou com o ovo, ele acabou com tudo. Vou comer arroz
agora, vou viver de arroz”.
Saber que não estou sozinho nesse barco ajuda muito.
Sei que parece algo surreal pensar que somente você tem esse problema, mas no
auge das crises e principalmente das limitações que você é obrigado a enfrentar
para controlar os sintomas, acabo ficando com essa impressão meio que
tresloucada; mas depois passa.
Descobri que muitas outras pessoas conhecidas na mídia
também tem a SII e decidiram tornar público o seu problema.
Bem, é isso galera. Foi bom “conversar” com vocês, ou
melhor, divagar com vocês.
Agora, somente entre nós, ter qualidade de vida com
uma dieta FODMAPs é uma cruz bem pesada, mas... temos que carregar. No meu
caso, confesso que ainda não estou preparado para carrega-la. Por isso, por
enquanto vou seguindo apenas com os medicamentos que não resolvem, mas ajudam.
Ah! Antes que me esqueça, deixe-me agradecer a dona Trimebutina que está me ajudando
demaisss!
Inté!
19 maio 2024
O Homem dos 13 Pontos
Interessei-me pelo livro de Maurício Kubrusly após ter
ouvido um podcast onde ele foi entrevistado, acho que na CNN. Nesta entrevista
ele explicava que aceitou escrever O
Homem dos 13 Pontos como uma forma de desafio. Ele queria provar para um
amigo – isso lá nos idos da década de 1970 – que era possível publicar um livro
com um pseudônimo, ou seja, sem o seu nome verdadeiro que já era muito
conhecido no meio jornalístico naquela época. O seu amigo não acreditava nisso
porque naqueles saudosos anos 70, as editoras não davam muito crédito para
escritores novatos ou desconhecidos, além disso, publicar um livro de maneira
independente era loucura devido aos altos custos e o pouco retorno financeiro, ainda
mais sendo um escritor desconhecido. Tudo bem, o desafio foi aceito e assim
nasceria em 1975 “Os 13 Pontos” escrito por sujeito mais do que desconhecido
chamado Mauro Demack.
Kubrusly apresentou o original da obra escrita pelo
seu alter ego para várias editoras sem
revelar o seu verdadeiro nome e obviamente, todas elas rejeitaram a história.
Quer saber o que Kubrusly fez? Ok; eu conto. Ele, ou melhor, Mauro Demack, resolveu
publicar o livro com os seus próprios recursos. O jornalista foi juntando
dinheiro, ele e a mulher, e de “migalhas em migalhas” juntou a quantia
necessária e pimba! Conseguiu publicar a história de maneira independente em
1975.
Kubrusly deixou três exemplares em uma farmácia e a
fama do livro foi crescendo naturalmente. Então, os leitores começaram “correr”
atrás da obra, mas não a encontravam. Aqui, cabe um outra “PIMBA”, mas
dessa vez escrito em letras bem
maiúsculas porque as editoras – e várias delas – adivinhem? Simplesmente, elas ficaram
interessadas pelo livro e loucas para saber quem havia escrito aquele enredo
que misturava ação, humor e suspense num “bolo” só. Resultado: três anos depois
dessa verdadeira proeza, Maurício Kubrusly foi convencido por um editor a
relançar a obra, mas dessa vez com o seu nome verdadeiro. Nem preciso dizer que
a história que foi rebatizada com o nome de O
Homem dos 13 Pontos foi um sucesso total na época de seu lançamento em 1978.
Taí um pouquinho da origem do primeiro e acredito
único romance – ele escreveu várias obras jornalísticas - publicado por essa
lenda do meio jornalístico chamado Maurício Kubrusly, cujos textos adoráveis
escritos de uma maneira única estão fazendo uma falta danada para nós leitores.
Vale lembrar que o renomado jornalista foi diagnosticado no ano passado com
demência frontotemporal (DFT), a mesma condição enfrentada pelo ator Bruce
Willis.
Depois de viajar todo o país contando as mais inusitadas
histórias com o "Me leva, Brasil", Kubrusly trocou São Paulo para
viver em Serra Grande, no litoral sul da Bahia, a 43 km de Ilhéus. Ao lado da
esposa Beatriz Goulart e do cachorro Shiva, a nova cidade tem feito bem ao
jornalista, que agora convive com sequelas da doença, como a perda da memória.
Mas “falando” do livro em si; cara... gostei muito; muito,
mesmo! Enredo leve, divertido e com pitadas de suspense, mas um suspense
diferente, daqueles que chegam carregados de humor. Juro que o tempo passou voando
e nem percebi quando terminei a leitura.
Acho que a época em que foi escrito colaborou para o
charme de seu enredo. Na década de 70 quando a “Loteria Esportiva” com os seus
13 jogos e a “Loteria Federal” com os seus bichos famosos eram as duas únicas rainhas
da festa, ganhar numa delas era um glamour. O apostador felizardo não fazia
questão de ficar no anonimato, melhor dizendo, ele não queria ficar no
anonimato. Gostoso, de fato, era se gabar que ele havia conseguido acertar os
13 pontos na Loteca ou ‘cravar’ os seis bichos na Federal. E se o sortudo fosse
o único ganhador, o glamour aumentava ainda mais porque assim, ele passaria a
ganhar o status de milionário, entrando para um grupo seleto de celebridades
naquela década.
Hoje, no mundo violento em que vivemos onde os
sequestradores fazem plantão em cada esquina, esse glamour deixou de existir. Imagine,
atualmente, você ganhar sozinho na +Milionária - cujo prêmio, até o concurso
146 estava em R$ 187 milhões - e logo depois sair por aí bradando aos quatro
ventos que ganhou sozinho essa fortuna. E como não bastasse, ainda resolvesse dar
uma entrevista coletiva para falar sobre o assunto? Galera, seria algo tão
inviável que acabaria ganhando ares de surreal. Concordam?
Pois é, mas é dessa maneira que se comporta o
personagem principal de O Homem dos 13
Pontos que não foi premiado na +Milionária, mas a certou sozinho os 13
pontos da Loteria Esportiva ganhando um prêmio quase perto do valor atual da
+Milionária. Esta é a essência do enredo do romance escrito por Kubrusly ou,
como queiram, Mauro Demack.
No enredo, após ganhar só ele o prêmio da Loteca,
Gilberto consegue realizar todos os seus sonhos – mulheres bonitas, carros
novos, viagens, enfim um novo padrão vida – mas então começam a surgir os
problemas que acabam se transformando em verdadeiros pesadelos até a surpresa
final quando todo o mistério é revelado.
Acho que basta escrever apenas isso porque se revelar
mais sobre a trama creio que acabarei entregando com spoillers trechos
deliciosos do livro.
Ah! E não se enganem pela simplicidade do layout da
obra, já que ela foi publicada no formato livro de bolso com páginas em papel
jornal. Lembrem-se daquele ditado: “a embalagem não importa, o que importa é o
conteúdo”, o que cabe perfeitamente para O
Homem dos 13 Pontos.
Boa leitura!











